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Blog do Empreendedor
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A terceirização é a solução ruim para o problema errado

30 de abril de 2015

Rafael Mambretti é empresário e escreve às quintas-feiras no Blog do Empreendeor

Na última semana vimos, lemos e ouvimos bastante sobre a Lei da Terceirização. O Projeto de Lei 4.330 e toda a repercussão envolvida por ele. Protestos, discussões, anúncios do Apocalipse, tudo isso também em meio a protestos contra a corrupção. Os dois podem estar mais ligados do que aparentam.

Já fui empregado, “terceiro” e CLT. Também já tive empresa para não ser um CLT. Para ser sincero, na época, não vi muita diferença entre ser um terceiro e depois me tornar um CLT, mas eu era mais jovem, estava mais preocupado com o dinheiro (e em gastá-lo), que entrava em minha conta do que com os outros benefícios envolvidos. Hoje sou empreendedor, empregador, o “patrão” (palavra horrível essa), mas estou vendo as coisas também de um outro ponto de vista.

Uma das nossas maiores dificuldades na Carbono Zero é tentar equilibrar a boa saúde financeira, ou seja, uma boa margem operacional com um lucro satisfatório. Óbvio, não é? Acho que isso serve para todas as empresas, mas é preciso ir um pouco mais a fundo para podermos entender melhor a situação de cada empresa/segmento.

Empresas de serviço como a Carbono Zero “carregam” e geram bastante vagas de emprego. É fácil de entender o porquê, pois para cada bicicleta, precisamos de uma pessoa (um ciclista). Uma pessoa não consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo, em suas limitações físicas, logo, entende-se por que uma empresa de entrega, que precisa estar em vários lugares ao mesmo tempo e rapidamente, precisa de bastante gente.

A produtividade atinge um limite, limite esse que não pode ser extrapolado, pois, novamente, não é uma máquina, mas sim uma pessoa. Condição similar passa uma empresa que presta serviço de limpeza. Há 5 anos tentamos quebrar a cabeça em solucionar essa equação. Pessoas versus produtividade, solucione isso e você soluciona seu lucro. Lucro este que deve ser satisfatoriamente proporcional aos riscos que você quer e está disposto a correr.

Nossa atividade é uma atividade de risco (inclusive de vida), é uma atividade que o mercado não vê valor (paga-se mais por uma refeição no McDonalds), é uma atividade onde as pessoas sofrem preconceito (você nunca reclamou de um motoboy seja na rua ou na sua entrega?), é uma atividade com alto risco trabalhista (uma das razões de se não conseguir um Plano de Saúde) e é uma atividade terceirizada.

Temos que nos equilibrar em uma corda bamba onde de um lado temos um governo que não quer abrir mão de arrecadação e do outro o mercado – que não vê valor e quer sempre pagar menos, mesmo para um serviço “bacana” como o nosso.

Acho que deu para perceber que não é fácil, certo? A essa altura, deu para notar que o governo peca (e muito), em buscar menos generalização e mais entendimentos de cada segmento e de suas peculiaridades. Para só então propor melhores soluções, seja através de novas Leis ou incentivos para fomentar a economia do nosso país. Não vou nem questionar o “core”, a base do nosso antigo sistema econômico com base no consumo, fomentar o consumo para fomentar a produção (que teoricamente geraria mais emprego, que aumentaria o consumo e assim vai constantemente crescendo, certo?). (Ironia).

A Lei da Terceirização é uma solução ruim para o problema errado. Antes de se fazer uma lei como essa se deve renovar as legislações trabalhistas do nosso país, modernizá-las, mudar a relação empregador + empregado. Deve-se rever a carga tributária que faz com que empresas queiram minimizar contratações e aumentar produtividade.

Terceirizar não é a solução. Até quando vamos viver e ter políticos (e suas soluções), imediatistas onde o longo prazo é a próxima eleição?

E você, o que acha?

Um abraço,

Rafael

Como se tornar um especialista em tudo

29 de abril de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Tem gente que é especialista. E  tem gente que consegue transitar em diversos universos. E, sem sombra de dúvidas, eu me enquadro no segundo perfil profissional.

Nunca gostei de ficar focado ininterruptamente em algo, ir a fundo até  o ponto de entender de algo que chegaria a me confundir com o objeto. Tem gente que é assim, e não considero um demérito. É um tipo e virtude.

Imagine um cientista tentando provar uma tese de estudo. Especule quantas e quantas vezes ele faz um determinado teste para provar a ocorrência de um padrão. Aplausos para ele, pois sem dúvida esse o caminho para sanarmos uma série de doenças ou distúrbios que acomete a humanidade. Eu, em seu lugar, definharia de tédio.

Ao fazer a escolha de minha carreira profissional, fui seduzido pela flexibilidade interdisciplinar que o design gráfico oferece. Sempre que aparece um cliente novo em um nicho que jamais tive contato o desafio é maior. Vamos lá descobrir e entender como a coisa funciona. Mercado de sementes, produtos financeiros, sistemas de pinturas industriais, conteúdo, fotografia, arquitetura, arte e colecionismo, gastronomia e até sistemas de gateway.

Mas, se tem algo que jamais imaginaria empreender, é no mercado de licenciamentos no mercado comic. Isso começou no segundo semestre do ano passado com meu sócio, Ruis, que é um velho lobo do mundo das tiras de humor. Decidimos investir em seu personagem, o Bobo da Corte, e inovar enquanto plataforma e lançamos no início de abril um aplicativo para celulares e tablets, com a grande vantagem de diariamente ter uma tira nova.

Eu mesmo não acompanhava tão de perto seu trabalho quanto agora, no envolvimento desse nosso desafio (é sempre bom lembrar que sou volátil demais). E é muito interessante ver como há uma capacidade de multiplicação voraz da plataforma aplicativo. Despois do lançamento do app, os números de visualizações no Facebook cresceram em média 220% e de forma orgânica. A internet ainda é um grande mar de possibilidades, mesmo que cada vez mais as empresas que gerenciam conteúdo criem algoritmos que dificultem o crescimento orgânico sem patrocínio. Agora, com a base cada dia maior de usuários e leitores, iniciaremos um processo de criação de produtos e, mais adiante e com muito otimismo, ampliar numa plataforma de licenciamento.

Para quem quiser fazer o download e dar boas risadas, é gratuito para ANDROID e para iOS.

Muito além do wi-fi gratuito

29 de abril de 2015

Lidar com o público é um trabalho difícil e oferecer um atendimento de qualidade é uma das melhores características que uma empresa pode ter atualmente. Não é à toa que treinamentos neste sentido são cada vezes mais procurados.

Entretanto, são poucas as empresas que conseguem atingir o coração de seus clientes e funcionários, indo além do produto ou serviço que efetivamente oferecem. Uma que faz isso com excelência é a Starbucks.

Fundada em Seattle em 1971, a Starbucks é hoje a maior rede de cafeterias do mundo, com mais de 15 mil lojas em 50 países, mais de 140 mil funcionários e faturamento superior a US$ 10 bilhões por ano. Howard Schultz, presidente da empresa, costuma afirmar que a Starbucks oferece mais do que uma xícara de café. Para ele, as palavras fundamentais que descrevem o sucesso da empresa são amor e humanidade.

Responsável por transformar a rede na maior do mundo, desde 1987, quando haviam só 84 lojas, Schultz implantou a cultura de focar no treinamento de seus colaboradores e oferecer um atendimento de qualidade aos clientes. A proposta é servir café com alegria e manter autocontrole em todas as situações, tratando sempre bem e de forma amigável os clientes.

Após 8 anos afastado do posto de CEO, quando resolveu descansar, ele retomou o cargo, em 2008, e conseguiu livrar a rede de uma crise, no momento em que a empresa estava muito focada em expansão e deixando de lado a preocupação com atendimento. Mas mais do que uma empresa, a Starbucks é considerada uma grande instituição de ensino.

Charles Duhigg, no livro ‘O Poder do Hábito’, dedica um capítulo inteiro para analisar os treinamentos que têm o intuito de fazer com que os funcionários aprendam a lidar com as emoções, transformem a força de vontade em hábito e mantenham uma grande autodisciplina para lidar com situações adversas e tensas, que frequentemente podem acontecer com clientes, como quando alguém está bravo com alguma situação e desconta no barista ou então quando reclama da bebida.

Ao ensinar isso aos parceiros – como são chamados os colaboradores da Starbucks – a empresa passa a tê-los engajados e comprometidos, refletindo diretamente na qualidade do atendimento. Duhigg afirma que os treinamentos da empresa, que de fato levam seus funcionários para a sala de aula, já impactaram a vida de mais de 1 milhão de pessoas que de alguma forma tiveram suas vidas transformadas. Não são raros os casos de pessoas que estavam no fundo do poço, com sérios problemas pessoais e familiares, que conseguiram dar a volta por cima e ter uma carreira de sucesso na empresa.

Graças aos treinamentos baseados no foco, autocontrole, autodisciplina e força de vontade.Por mais que a Starbucks seja conhecida pelos cafés e ambiente aconchegante, o que a empresa chama de ‘Terceiro Lugar’, o local onde as pessoas mais ficam depois da própria residência e trabalho, onde há poltronas confortáveis, internet gratuita e tomadas para notebook, podemos aprender com a Starbucks grandes lições.

Para eles, a valorização do contato físico com os parceiros (ou funcionários) e clientes é fundamental. Dessa forma, conseguem proporcionar o melhor atendimento ao cliente e um grande atendimento aos colaboradores, incentivados a melhorar como seres humanos e a oferecerem sorrisos e gentileza ao invés de apenas servir café.

A conversa como ferramenta do entendimento

27 de abril de 2015

Marcelo Pimenta é jornalista, professor e empreendedor e escreve no Blog do Empreendedor às segundas-feiras. Saiba mais em www.facebook.com/menta90

A sabedoria oriental ensina que Deus deu ao homem dois ouvidos, dois olhos e uma boca para que ele possa ver e ouvir duas vezes mais do que falar. Esse ensinamento é especialmente válido quando o empreendedor está precisando realizar atividades que tem por objetivo o entendimento e a validação dos modelos de negócios. Ou quando está realizando qualquer atividade que visa gerar muitas opções / divergência como no processo de “pensar do designer” ou, se preferirem, design thinking.

O melhor é uma boa e franca conversa. Mas pode ser chamada também de diálogo ou entrevista em profundidade. Ou ainda de anamnese – conjunto de questões que o médico faz ao paciente para encontrar o verdadeiro diagnóstico.

Independente do nome, vale ficar alerta a algumas dicas para que o objetivo da conversa seja realmente atendido.  Lembre que essas atividades visam o APRENDIZADO – e não o CONVENCIMENTO do possível cliente, prospect ou parceiro. É um exercício de VALIDAÇÃO, não de VENDA ou PROPAGANDA. Por isso, precisamos ouvir mais do que falar – e estarmos atentos para ENTENDER a situação e podermos assim capturar, processar e analisar as respostas para então CRIAR as melhores SOLUÇÕES.

-          Crie um clima de bate-papo e um contexto de aprendizagem – nunca de venda

-          Prepare um roteiro

-          Comece com questões simples

-          Não faça perguntas com mais de 10 palavras

-          Se a pessoa diz “eu penso”, “eu acho”, isso significa que a conversa NÃO TERMINOU

-          Não interrompa

-          Não tente completar as frases

-          Evite questões binárias (com respostas do tipo sim ou não)

-          Não conduza as respostas (“você acha que um software ajudaria você a gerir seu tempo?”)

-          Dê tempo para que a pessoa pense e responda

-          Leia ALÉM DAS PALAVRAS. Os gestos, a expressão corporal, o tom de voz, transpiração ou frio excessivo são sinais que precisam ler entendidos

-          Não se prenda ao roteiro. Escute as respostas e a partir daí construa o diálogo

-          Anote tudo que puder. Anote o que a pessoa disse (não o que você entendeu)

-          Enjoy the ride!

Para entender melhor como a entrevista é utilizada na metodologia do desenvolvimento do cliente sugiro a leitura nesse blog uma série de quatro posts: o primeiro explica o conceito geral, o segundo explica a descoberta do cliente, o terceiro fala sobre  a validação do negócio e o quarto lista os principais conceitos envolvidos nesse processo, lembrando que nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contato com o cliente.

Se continuar reclamando dos problemas estará perdendo o tempo de resolvê-los.

24 de abril de 2015

Marcelo Nakagawa escreve toda sexta-feira no Blog.

As histórias são conhecidas, mas aqui vai um teste rápido para avaliar seu potencial empreendedor: Eu te dou um limão e você faz uma limonada!

Você é analfabeto! Neste caso, deveria conhecer a trajetória de Thai Nghia. Sua família foi perseguida pelo regime comunista no Vietnã e Thai, desesperado, fugiu em um pequeno barco que ficou a deriva no Oceano Indico em 1979. Foi resgatado por navio petroleiro da Petrobrás que o trouxe ao Brasil. Chegou ao nosso país sem falar, ler ou escrever nada em português. Aprendeu o nosso idioma sozinho e seis anos depois, já tinha entrado na USP e trabalhava em um importante banco brasileiro. Emprestou dinheiro para uma amiga fabricar bolsas e ela não conseguiu pagar o dinheiro devido. Para reavê-lo, passou a vender as bolsas durante o dia já que trabalhava à noite no banco. Passou a ganhar mais dinheiro com as bolsas e decidiu abrir seu próprio negócio. Chamou a empresa de Yepp e depois mudou para Góoc, uma das marcas brasileiras pioneiras a tratar a sustentabilidade com seriedade e convicção quando isto nem era moda.

Você está gordo! O que faria além de um regime? Em 1961, a dona-de-casa Jean Nidetch tinha 38 anos e pesava quase 90 quilos. Notou que não só ela, como seu marido, seus dois filhos, seus amigos e até seu cachorro estavam obesos. Começou um regime e alguns meses depois, reuniu seis amigas “gordas” para anunciar que tinha perdido 18 quilos e as desafiou a seguir seu programa de regime. Começaram a se reunir periodicamente para relatar os avanços e em poucos meses, todas perderam peso. Jean percebeu que tinha uma grande oportunidade de negócio e fundou a Vigilantes do Peso, uma empresa que vale US$ 2,6 bilhões atualmente.

Você não consegue emprego! Por maior que seja a sua insistência, perseverança e preparo. Bom, está hora de colocar o plano B em ação. Foi isto que fez Walt Disney, após diversas tentativas de conseguir um emprego como cartunista. As empresas achavam que o seu traço era “infantil” demais. Disney então criou seu estúdio e o resto da história você conhece quase tudo.

Você é roubado! E perde tudo! O que faria? Bom, se você fosse o sujeito da frase anterior, começaria tudo de novo e melhor. Quando Disney fundou seu negócio, seu primeiro personagem virou um sucesso. Mas isto atraiu a cobiça do seu distribuidor que conseguiu registrar o personagem em seu nome. De uma hora para outra, Disney havia perdido sua criação, seu distribuidor e seu público. Triste, na viagem de volta para casa, imaginou um novo personagem, um ratinho chamado Mortimer, mas sua esposa o convenceu a chamar de Mickey. Sobre seu primeiro personagem, roubado pelo produtor, um coelho chamado Oswald (que depois Disney recuperou), poucos se lembram.

Se os outros problemas seriam fáceis para você, que tal ter nascido cego? Problemão? Não para um sujeito chamado Hans. Ele nasceu cego e só começou a enxergar (mal) aos dois anos de idade. E mesmo assim, apenas com o olho direito. Em 1945, vendeu uma sanfona, seu único bem, por 200 dólares e com este dinheiro, abriu no Rio de Janeiro um negócio que ninguém com a sua limitação pensaria em fazer: uma joalheria. O sobrenome de Hans? Stern! Atualmente, a H. Stern é uma das principais redes de joalherias do mundo.

Todas as adversidades que tive na vida, todos os problemas e obstáculos me fortaleceram. Você não entende quando isso acontece, mas um chute no dente pode ser a melhor coisa do mundo.” A frase é de Walt Disney, mas poderia ter sido dita por todos que não ficam reclamando dos seus problemas, pois sabem que estão perdendo um tempo precioso na busca de soluções.

 

Não se engane: a Apple, o Google e o Facebook só querem aprisionar você

23 de abril de 2015

Não se engane. O YouTube, o Facebook, a Microsoft, a Apple e, claro, o Google só querem aprisionar você. E nós adoramos quando isso acontece.

Mas calma. Aprisionamento, segundo o livro ‘Gestão Estratégica, editado pela FGV Editora e disponível para quem quiser comprar nas livrarias, é apenas uma das disciplinas de valor fundamental que as companhias devem adotar se quiserem ter – ou pelo menos buscar – a liderança de mercado. Essas disciplinas compõe um dos três conceitos de estratégia competitiva – proposição de valor e modelo operacional são os outros dois. As disciplinas são: excelência operacional, liderança em produto, intimidade com o cliente e, finalmente, o aprisionamento (conhecido também como lock-in).

De acordo com o mesmo livro, aprisionamento tem como ponto central a geração de valor ‘duradouro sustentável para os clientes, mas com altas barreiras a saídas, fundamentais em vários tipos de custo de mudança’.

Ficou difícil entender? Também achei.

::: LEIA TAMBÉM: McDonald´s não vende hamburguer (clique na imagem) ::::

Mas vamos aos exemplos. Empresas como o YouTube e sua grande base de vídeo compartilhado e o Facebook, com centenas de milhões de clientes, são exemplos dessa estratégia de aprisionamento. É o mesmo caso da Microsoft e seus softwares profissionais e pessoais – Word, Excel, PowerPoint…

O mesmo acontece com a Apple, por meio do seu sistema operacional usado no iPhone, iTunes, etc e com o Google, que faz exatamente a mesma coisa com o sistema Android para smartphones.

No fundo, no fundo, as companhias só querem aprisionar o consumidor. E o pior? A gente gosta.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e, constantemente, é aprisionado por todas essas marcas

 

A empresa que vai expandir apesar da crise

23 de abril de 2015


Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog

Resolvemos descer a serra! Não, não é um passeio ciclístico organizado pela Carbono Zero! Apesar de ser uma boa ideia, não será dessa vez. Trata-se da mais nova região que receberá uma Carbono Zero, a baixada santista. Até junho devemos inaugurar nossa operação na baixada santista! Novidade em primeira mão aqui no Blog do Empreendedor, notícia exclusiva e direto da fonte. Sem intermediários =)

No começo do ano escrevi aqui, fazendo um teaser sobre a nossa expansão e o formato que escolhemos para fazê-lo. Claro que não revelei o local, mas vale dar uma lida se o seu projeto vive o momento de pensar em expansão. Para nós, optar por Santos foi uma escolha pensando no longo prazo.

Será o nosso laboratório, é uma cidade próxima, facilita o gerenciamento, é uma cidade relativamente grande em sua população, mas pequena em tamanho, comparando com São Paulo. É uma cidade que tende a aceitar a bicicleta e o ciclista de forma mais amigável, a produtividade de cada ciclista tende a ser maior (o fato de ser uma cidade menor e plana diminui o desgaste físico). Tudo isso na teoria, certo? Pois, não podemos esquecer essa beleza de empreender que é o encontro da teoria com a prática, onde descobertas são feitas e lições aprendidas.

A lógica do modelo é a mesma de São Paulo, foi justamente pensando nisso que também 1 ano atrás alteramos nossa mecânica de preço, para uma forma mais simples e fácil de adaptar para outras regiões. Momento dica: se você vislumbra a expansão é legal ajustar processos que facilitem isso no futuro.

Começando nossa operação em Santos, não esperamos que seja uma cidade com demanda e faturamento tão grande quanto São Paulo, mas, que seja um aprendizado válido, um movimento estratégico – que também agrega para nossos futuros e atuais clientes em São Paulo – vai ao encontro de um dos nossos objetivos de lá atrás, desde nossa criação, sermos uma empresa que faz entregas, não só de documentos, mas entregas de uma forma legal e moderna, com novas ferramentas (bicicleta, veículos elétricos) e que não agridam o planeta e as pessoas.

Agora, o fato de termos adotado, para essa primeira expansão uma estratégia, não significa que não possamos mudá-la para a próxima. Essa é a beleza de empreender você pode criar e principalmente, desafiar os modelos padrões, que muitos são os mesmos dos últimos 50-60 anos, mas muita coisa mudou desde então e não foi só a forma de se pensar e querer fazer negócio. Nada impede da terceira cidade que receberá uma Carbono Zero ser uma franquia ou um modelo híbrido ou algo totalmente novo e diferente. O importante é não se limitar pelas opções que existem, mas sim, pesquisar novas, buscar referências e não só aquelas do seu segmento.

Só sei que vamos descer a serra, vamos a la playa e a maresia não vai enferrujar as nossas bikes =)

Um abraço,

Rafael

 

A reinvenção do varejo

19 de abril de 2015

A avalanche de mudanças decorrentes da revolução digital vem afetando um dos setores mais tradicionais da economia: o varejo. A origem do comércio remonta o início da humanidade, desde os egípcios e fenícios. Primeiro a troca, depois a compra e venda de produtos pode ser considerada um dos motores de desenvolvimento da humanidade.

As rotas comerciais ligando a Europa às Índias foi o motivo da era das grandes navegações e da “descoberta” dos continentes. Nos últimos 200 anos, essa atividade meio que se estabilizou, criando um padrão que conhecemos (distribuidores, lojas, atacadistas, meios de pagamento como cheques, boletos, duplicatas e mais recentemente cartão de crédito).

Porém, nos últimos anos, a tecnologia, e o crescimento do e-commerce, vem afetando esse setor da economia, trazendo novos conceitos e práticas. O consumidor digital (e cada vez mais o consumidor é digital), exige um repensar de muitas premissas – que antes eram certezas. Listo aqui cinco casos que ilustram essas mudanças:

1. Showrooming – É cada vez mais comum que as lojas deixem de ter pronta-entrega no local  e se transformem em show-room, dispensando a necessidade do estoque. Em vários tipos de produtos (por exemplo, linha branca, televisores …) , os lojistas perceberam que o consumidor vai à loja para tocar, conhecer, experimentar o produto que já está pesquisando na internet. Ou para comprar posteriormente na internet.

Um dos exemplos é a loja física criada pelo site Westwing no Shopping Higienópolis, em São Paulo. Lá você encontra espaços decorados, mas se quiser mesmo comprar os produtos, pode usar os tablets disponíveis que sua compra chegará em casa.

2. O 3º local – É a evolução do showrooming. Como explica Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura “A ideia é de que o cliente considere nossas lojas como um terceiro lugar para frequentar, além de sua casa e de seu trabalho.”  Ou seja, temos o 1º local (que é onde moramos), temos o 2º local (que é onde trabalhamos) e temos o 3º local (que é onde gostamos de estar).

O conceito pode ser visto também na Starbucks, que é um local para se conviver – mais do que somente tomar café ou acessar à Internet.

3. Pagamentos pós-pagos – Em meio à profusão de moedas e transações digitais como meios de pagamento (como PayPal, Bitcoin, Google Wallet, NFC, pagamento via WhatsApp  …), no Brasil cresce uma forma de pagamento que, na Inglaterra, já responde por 40% das compras feitas pela internet– o pagamento pós-pago. Funciona como uma espécie de crédito: uma empresa analisa seu cadastro e lhe concede um limite de crédito. A solução visa levar para o e-commerce aqueles que ainda não compram temerosos com o quesito segurança.

Nele, o risco para o consumidor é zero. Você compra, recebe o produto e só depois efetua o pagamento. Se não receber o produto, não paga. A VTEX, uma das líderes em plataforma de comércio eletrônico no Brasil, acredita que pelo menos 20% de seus clientes vão implantar soluções de pagamento pós-pago esse ano.

4. Beacon – Essa nova tecnologia permite a comunicação de produtos e serviços com o consumidor, através do celular, onde ele estiver, baseado na sua localização. Por exemplo, você está passando pela frente do supermercado e a marca de cerveja de sua preferência “envia” uma mensagem informando que ali tem uma oferta especial que você pode aproveitar.

Magazine Luiz, RiHappy e Ponto Frio são empresas que hoje testam essa ferramenta.

5. Amazon Dash Button – O mais recente lançamento da Amazon aposta na Internet das Coisas para facilitar o dia a dia. O “Botão do Painel” é um pequeno dispositivo que você poderá colar ao lado de sua lavadora de roupas, lâmina de barbear, cafeteira, lavadora de louças, enfim – qualquer equipamento que exige reposição constante de suprimentos.

Ao apertar o botão, é acionado um aplicativo que confirma seu pedido – e daí é só esperar a entrega do produto na porta da sua casa (veja o vídeo). O dispositivo está disponível nos Estados Unidos – limitados a 2 dash buttons por usuário.

Que outras evidências você acredita que contribuem para a reinvenção do e-commerce? Por favor escreva nos comentários e também, se quiser, apareça na Virada Empreendedora, no próximo sábado, na FGV.Estarei debatendo esse tema na Arena de E-commerce.  Confira a programação completa.  Será um evento que vai ficar na história e motivo de orgulho tanto para São Paulo, quanto para todo o Brasil.

Um trabalho de organização primoroso feito pela Ana Fontes e com a colaboração de um time de curadores top como nosso colega aqui de Blog do Empreendedor Marcelo Nakagawa, Camila Achutti, Gustavo Santi, Daniel Egger…

Da programação quero destacar a palestra Metanóia: Um Novo Jeito de Liderar os Negócios, com Roberto Adami Tranjan (dia 26 às 12h30min). Quem já conhece, sempre vale rever. Quem não conhece, vai se surpreender! Até lá.

Clique na imagem para assistir

Marcelo Pimenta é jornalista, professor e palestrante.
Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

 

Além do jardim secreto: Espaço para você inovar e empreender (ainda neste fim de semana)

17 de abril de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Acordar e checar o Facebook. Like. Like. Like. Será que alguém curtiu meu último post? Tomar café olhando as atualizações do Twitter. Alguma atualização bombástica que não estou sabendo? Ir para o trabalho “teclando” no Whatsapp com os amigos e fazendo confidências no Snapchat. Send. Send. Send. Chegar à empresa e verificar Facebook e Twitter novamente. E responder email, email, email, email… Cansa não? Vou ficar olhando o Pinterest para dar uma relaxada então. Mas antes, vou dar uma olhadinha rápida no Instagram. Será que alguém postou algo bacana? E mereço ver um ou dois vídeos Dubsmash… kkkkkk. Já é hora de ir embora? #partiu… Like, send, like, , send, kkk, … zzzzzzzz… acordei e entrei no Facebook…

Cuidado. A própria mente desencaminha a mente; acautela-te contra a mente – diz uma das principais parábolas do Zen Budismo.

Para acalmar a mente, baixe Nan-In no seu sistema cerebral e o ative de vez em quando.  Em outra parábola, conta-se que Nan-In, um mestre japonês recebeu um professor que queria saber tudo sobre o Zen e iniciou um longo discurso intelectual sobre tudo que tinha estudado sobre o assunto. Enquanto isso, Nan-In, enchia a xícara de chá do seu visitante. Enquanto o professor falava, o mestre continuava enchendo a xícara, mesmo depois que já estava transbordando pela mesa. Percebendo isso, o professor parou sua longa oratória para avisar que sua xícara estava cheia, não cabia mais chá. Nan-In então finalmente falou: Como esta xícara, você está cheio de opiniões e especulações. Como pode aprender algo novo sem que primeiro esvazie a sua xícara?

Assim, a mente precisa estar tranquila e vazia para aprendermos novos conhecimentos e daí fazermos coisas surpreendentes.

É isto que explica, por exemplo, o sucesso do livro de pintura O Jardim Secreto. Quando Johanna Basford publicou seu despretensioso livro, não imaginava que venderia mais de um milhão de cópias ao redor do mundo. E muito menos em tão pouco tempo. Mas o que ela não sabia, de fato, é que milhões de pessoas ao redor do mundo acordam e checam suas páginas no Facebook… Estas estão com suas xícaras inundadas com opiniões e especulações alheias. Mas Johanna acorda e vai viver a sua vida, desenhando um pouco e esvaziando suas xícaras para a chegada de novas inspirações.

Mas o sucesso do livro não se resume a esvaziar as xícaras mentais das pessoas. Isto também ajuda as pessoas a fazer pequenas coisas extraordinárias, dignas de orgulho pessoal. Se ainda não conhece o jardim secreto dela, veja alguns exemplos aqui para você pintar neste fim de semana. A mente mente e o persuadirá a desistir, mas tente! Depois de pintar alguns, perceberá que você consegue criar os próprios desenhos. Será uma vitória pequena, mas admirável! Um pouco mais de treino e se tornará mestre nisso.

E se não gosta de pintar, não precisa seguir a receita da Johanna para fazer pequenas coisas extraordinárias. Pode seguir a do Kirk Perron. Ciclista e fã de alimentos naturais, certo dia, depois do treino, ele bateu em um liquidificador iogurte natural congelado, suco de laranja, morangos e bananas. Faça isto em casa e terá o surpreendente Orange-a-Peel, um dos principais smoothies da Jamba Juice, empresa fundada por Perron em 1990 e que hoje conta com mais de 800 lojas nos Estados Unidos e outros países. Depois crie suas próprias receitas de smoothies!

Mas a minha receita de pequenas coisas extraordinárias é cozinhar arroz com um pouco de leite até ficar mole. Em paralelo, bata um pouco de leite com um ou dois polenguinhos. Junte com o arroz cozido e leve para a geladeira. Quando a mistura estiver bem fria, corte goiabada em cubinhos e misture no seu arroz doce “Romeu e Julieta”. Faça e ficará orgulhoso(a) da sua doce obra de arte! Mas não pare aí, inove suas próprias versões de arroz doce! Mas antes de pensar em empreender nesta ideia de negócio, conheça um pouco mais da Rice to Riches.

São estas pequenas atividades vivenciais que enriquecessem nosso dia-a-dia e nos afastam da rotina insana que muitas vezes nos submetemos. Mas só momentaneamente…. Você ficará tentado(a) a postar a foto da sua criação em alguma rede social…. like, , !

O incrível caso do cachorro que comprava a própria ração

16 de abril de 2015

Cliente, cliente, cliente, cliente. Em 99,9% do tempo, os empreendedores estão pensando em o que fazer para conquistar novos clientes, como atuar para fidelizar esses clientes e como – vamos ser sinceros – tirá-los dos concorrentes. Mas você sabe exatamente quem é o seu cliente? E mais: você sabe quem é o seu consumidor? E se eu disser, para complicar um pouco mais, que há uma diferença grande entre cliente e consumidor. E que as duas palavras não podem ser usadas como sinônimo.

Não podem. Cliente, segundo a definição de especialistas em negócios, é quem compra o seu produto. Mas e o consumidor não é a mesma pessoa? Pode ser, mas também pode ser quem usa o seu produto.

É daí que surge a nossa história.

João estava preocupado com a crise econômica, com o emprego e, claro, com o futuro. Mas ele jamais descuidaria do seu lindo Kirk (cão que foi, por sinal, adotado em uma feira realizada em um parque uns cinco anos atrás). Kirk sempre teve do bom e do melhor. A ração, por exemplo, era a melhor à disposição no mercado.

Mas João precisava fazer cortes no orçamento. Queria poupar mais para se precaver contra algum contratempo da vida. Decidiu comprar uma ração mais barata. E que também tinha qualidade inferior. No primeiro dia, Kirk estranhou. Mas se alimentou e não deu outra: teve, digamos assim, um desarranjo estomacal.

Deve ser a adaptação ao novo produto, pensou João. Nada. O desarranjo continuou por mais dois dias.

O que você acha que João (nessa história hipotética) fez? Voltou para o produto mais elaborado.

Por isso, pergunto de novo: quem é o seu cliente e quem é o seu consumidor? E para quem você vende o seu produto: para João ou Kirk?

Pois é!

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME