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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Empreendedores cujos produtos entregam a sua idade: Se lembrar de algum, já está ficando velho!

27 de fevereiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Quando eu explico nas aulas que o Luiz Seabra trabalhava na Remington, dependendo da idade média dos participantes, vejo um ou dois pontos de interrogação nas expressões da plateia.

Pessoas com mais de 40 anos apresentam apenas um ponto de interrogação: Quem é Luiz Seabra? Explico que ele co-fundou a Natura Cosméticos em 1969. Mas as pessoas mais novas também perguntam: O que era a Remington? Comento que foi uma das maiores fabricantes de máquinas de escrever. Mas uma terceira “tela branca” pode aparecer naqueles que têm menos de 20 anos: O que é uma máquina de escrever? Para a graça dos mais velhos, digo que era uma espécie de computador que imprimia cada letra “na hora” em que a tecla era digitada. Os mais novos não conseguem acreditar que havia uma máquina dessas. Nem era preciso dar um “print”? – perguntam.

Assim, se conhecer o negócio criado por Daniel Dazcal, pelo menos, você está na casa dos 30 anos. Mas se conhecer a empresa que ele trabalhava antes, deve ter 40 anos ou mais. Dazcal saiu da Sharp para fundar a Tectoy em 1987, apostando no crescimento dos brinquedos eletrônicos no Brasil. O primeiro produto, a pistola Zillion já foi um sucesso. Mas o que deixava feliz a molecada que entrou nos trinta anos agora era o Master System e depois o Mega Drive. O porco espinho Sonic ainda têm espaço no coração dos novos jovens que se viram nos trinta atualmente.

Mas se perguntar para os mais novos se querem um soft, irão questionar se é IOS ou Android. Mas os quarentões irão, literalmente, engolir em seco, lembrando de algum fato em que quase morreram com uma bala Soft entalada na garganta. O fato de funcionários saírem de uma empresa para montar outra sempre ocorreu no mundo. Empresas como Intel, Compaq e DreamWorks começaram assim. Mas na década de 1960, Armando Cepeda, Silvio Oliveira e Luiz Redoschi conseguiram algo muito vantajoso: Saíram da Kibon (com o apoio da empregadora) para criar a Q-Refresco. Tinha tudo para dar certo e a empresa emplacou vários sucessos como Ping-Pong, Ploc, Dulcora e Confeti, mas é a famigerada bala Soft que ainda causa arrepios nos que têm mais de quatro décadas de vida.

Avançando um pouco, Chita é a macaca do Tarzan para todos, menos para os que têm mais de 50 anos. Em 1945, o espanhol João Rucian Ruiz pensava em abrir um novo negócio no Brasil e entre uma gambiarra e outra, inventou uma máquina para fabricar balas mastigáveis. Como era apaixonado pelos filmes do Tarzan, não só deu o nome da macaca para a sua bala como a estampou nas embalagens. Qual o sabor combinaria com a Chita? Não teve dúvidas… Abacaxi, sua fruta favorita. Mas quem se lembra da Bala Chita vai se recordar que bala boa mesmo era a de uva.

Mas se já bateu na casa dos 60 anos ou mais, vai se lembrar do produto lançado pelo engenheiro Alexandre Behmer. Ele começou o negócio com uma fábrica de graxa em 1906. A cidade de São Paulo estava começando a se industrializar e graxa era produto de primeira necessidade para os equipamentos das manufaturas da Mooca, Tatuapé e da então nova região industrial a Vila Prudente (de Moraes). Mas sua graxa Duas Âncoras era apenas uma marca vendida para os industriais, que por sua vez, só queriam pechinchar no preço. Era preciso pensar em uma marca popular, que todos usassem em suas casas. Mas as donas-de-casa não compravam graxa, mas precisavam deixar chão brilhando… Por que não colocar vender uma cera colorida e perfumada para encerar com um esfregão? – pensou Behmer. Ali nascia a Cera Parquetina: A cera que lustra brincando!

Se entendeu o texto até aqui e lembrou de, pelo menos, um produto, já está ficando velho. Há uma nova geração que já não entende o que é “tela branca” e se explicar que fará algo “na hora”, vão achar que irá demorar muito!

Ele chegou a varrer as ruas para viver…quem é o criador do WhatsApp, o negócio mais comentado no Brasil

26 de fevereiro de 2015


A decisão de um juiz em Teresina, que determinou que o acesso ao aplicativo WhatsApp seja suspenso, recolocou o aplicativo no centro das discussões – virtuais ou não – em todo o País. E em certa medida, esse debate e a própria decisão judicial demonstram ser indicativos claros e inequívocos d o estrondoso sucesso do negócio criado por Jan Koum e vendido recentemente pelo Facebook por bilhões e bilhões de dólares.

Mais curiosa do que a decisão do juiz brasileiro, entretanto, é a vida do empreendedor por trás da ideia. Reservado e com cara de mau, separamos alguns pontos da trajetória de Jan que talvez você não sabia exatamente.

1) Jan criou o WhatsApp a partir de uma necessidade pessoal. Ele não tinha dinheiro para se comunicar com o pai, que estava na Ucrânia – Jan deixou o leste europeu com a mãe ruma aos Estados Unidos.

2) Ele tem extremo cuidado com a privacidade do app. Isso, provavelmente, tem a ver com as frequentes quebras de sigilo nas comunicações dos cidadãos ucranianos, algo frequentemente relato pela mídia internacional.

3) Pode-se dizer que ele é avesso à publicidade. Um tempo atrás, ele tuitou uma frase famosa do filme Clube da Luta sobre o tema. ‘A publicidade nos faz querer comprar carros e roupas. A trabalhar em empregos que odiamos para comprar o que não precisamos.’

4) Ele tem 39 anos. E uma fortuna que se aproxima dos US$ 7 bilhões.

5) Antes de trabalhar no Yahoo, empresa que ele deixou para fundar o WhatsApp, Jan Koum chegou a literalmente varrer o chão para sobreviver nos Estados Unidos.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Decidimos crescer…E não é por meio de franquias

26 de fevereiro de 2015

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Se passaram mais de 4 anos e finalmente está chegando o momento. A Carbono Zero Courier irá expandir suas atividades! Talvez você pense, um pouco tarde, não? Acho que não existe um tempo certo, do tipo um modelo a seguir, mas sim algo de estar preparado, confiante e, principalmente, sentido-se à vontade.

Lembrem-se que o nosso negócio é muito mais além do lucro. Para expandir pelo aspecto financeiro, teríamos iniciado com franquia anos atrás. Propostas não faltaram, a primeira vista o nosso modelo de negócio se enquadra facilmente, é atrativo e inovador, mas, como já escrevi aqui, não era o nosso interesse, pelo menos não um modelo 100% nessa direção.

No mês de abril iniciaremos nossas atividades nessa nova cidade, ainda a ser revelada em um próximo artigo. Quais os critérios usados para escolher essa nova cidade? Queríamos um local que funcionaria como uma espécie de laboratório. Uma cidade onde suas características seriam comuns para outras potenciais expansões, tamanho, perspectiva de resultado, potencial operacional e estratégia global foram alguns dos fatores levados em conta para a escolha.

Vejam, nosso tipo de serviço, teoricamente, tem demanda em todo o Brasil, mas é importante diferenciar o tipo da demanda: é delivery de comida? serviços em geral? documentos? transporte produtos? Nosso pequeno-médio laboratório nos trará uma bela experiência em não só gerenciar duas cidades, mas também em como nos preparar para futuras.

Qual modelo escolhemos? Uma coisa é certa, nesse momento, não é o de franquia. Estamos fazendo essa expansão como uma empresa, e, sim, contamos com ajuda de novos e importantes braços, mas que são braços que somarão para o todo, se preocuparão com o todo e não somente com “o próprio umbigo”. O que também, não deixa de ser um teste. Afinal, estamos falando de trabalhar com novas pessoas, novos gestores com expectativas e estilos diferentes. Mais um laboratório pensando no futuro.

Acho que o mais importante é compreender o tempo, a espera e o planejamento. Não meta o pé pelas mãos e corra para uma expansão, não seja ambicioso demais. Você quer que seu negócio, sua marca dure anos ou seja somente a próxima moda de franquia? Pessoas para te ajudar? Saiba como escolher, não procure somente por clones de você mesmo, traga diferentes experiências e backgrounds, mas principalmente, traga o espírito de fazer acontecer.

 

Aguardem mais novidades.

 

Um abraço,

Rafael

 

O que fazer quando a conta de energia chegou e está 34% maior?

25 de fevereiro de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Hoje comecei o dia com pensando em escrever sobre como é vender nossos molhos de pimenta em padarias, as famosas padocas, que, de forma tão única, fazem parte da rotina do dia-a-dia dos paulistano. Porém, hoje nos deparamos com uma rasteira anunciada há tempos: a conta de energia chegou 34% mais alta. Imagine você dormir e acordar com seu pé maior 34% do que o dia anterior.

Com certeza alguém vai comentar no post: como já havia sido anunciado o aumento, qual o motivo de tanto estardalhaço? Sim. Todavia, você só saberá o que realmente é ter um pé 34% maior quando o tiver 34% maior e nunca antes. Você pode até comprar um novo sapato com números maiores, no entanto, só conseguirá testar seu equilíbrio andando.

Enfim, até tento entender o argumento do governo de que os custos de energia elétrica estavam defasados e não compatíveis com a realidade, mas, sinceramente, como uma indústria que luta para conseguir crescer, superar as barreiras, entrar em grandes varejos, aumentar produtividade, gerar mais emprego e ampliar mercado consegue ter estímulo para continuar trilhando a prosperidade com solavancos como esse? Não temos o Eike nem o Lulinha em nosso quadro societário.

Em nossa empresa, todos os custos são cuidados na ponta do lápis, criteriosamente, para conseguirmos assegurar a nossa sanidade econômica. E você, empreendedor, sabe como esse mecanismo funciona. Conseguir reduzir o custo de uma embalagem, por exemplo, em 5% é uma grande vitória para equipe de compras. Melhorar o desempenho em 8% na produtividade e rendimento nas campanhas é sem dúvida um entrosamento de produção conquistado com tempo, inteligência e dedicação. Tais conquistas são frutos de um grande esforço coletivo, de uma equipe comprometida e engajada, cada qual em sua área, buscando desempenhar seu papel da melhor forma possível, muitas vezes ultrapassando limites individuais. Os 34% chegam como um grande balde de água fria. Ou, como um choque. Mais uma vez, o empresário brasileiro vai precisar ser criativo e achar formas de conseguir contornar.

Não sei você aí, na Avenida Paulista, mas aqui, em Santa Cruz do Rio Pardo, a infra-estrutura é sucateada. O fornecimento de energia está longe do medíocre. Quer um exemplo simples para medir isso? Todo santo dia eu preciso acertar o relógio do microondas em minha casa. Todo santo dia tem queda de energia por aqui.

Sempre fui um cara muito entusiasmado. Talvez o mais sonhador, como diz meu sócio. Acredito que o entusiasmo é uma competência, mas confesso que está cada vez mais difícil de conseguir acordar todas as manhãs e ter a energia reposta. Até porque agora ela está 34% mais cara.

 

Jobs completaria 60 anos. O que ele estaria escutando no iPod?

24 de fevereiro de 2015

Bob Dylan, The Beatles, Joan Baez, Rolling Stones, Aretha Franklin, The Doors, Janis Joplin. Estes eram alguns dos grupos musicais que faziam parte do iPod de Steve Jobs, segundo relatado na biografia escrita por Walter Isaacson sobre o empreendedor considerado por muitos (pela maioria?) um autêntico gênio da tecnologia.

Mas nesta terça-feira, dia 24 de fevereiro, quando Jobs completaria 60 anos, não custa nada jogar uma pergunta no ar: o que o fundador da Apple estaria escutando hoje? Difícil precisar, mas poderíamos arriscar que os artistas acima mencionados ainda estariam ocupando algum espaço nos ‘gadgets’ do empreendedor. Mas poderiam aparecer também alguns artistas mais modernos. E, 2004, por exemplo, o iPod de Jobs tinha Alicia Keys, Coldplay, Green Day, U2, entre outros.

Mas a grande paixão de Steve Jobs era mesmo Bob Dylan. Paixão expressa até quando o empresário era estimulado a responder sobre outro artista, como foi o caso de Eminem. No começo dos anos 2000,  Jobs demonstrava interesse pelo rapper, entusiasmo que não seguiu muito adiante. “Respeito Eminem como artista, mas não quero ouvir sua música, não consigo me relacionar com seus valores da maneira como faço com Dylan”.

E esse é um ponto interessante.

A vida de empreendedor é tudo, menos fácil. Ele tem quinze mil (milhões?) de problemas para resolver todos os dias; ele precisa lidar com os altos e baixos da economia, ter um produto atraente – melhor do que o feito pela concorrência -, se possível, com um preço melhor. Ele precisa prosperar e vencer a batalha todos os dias.

E por isso que a relação com a música pode ajudar. É interessante o empresário reservar um tempo da sua rotina para simplesmente relaxar. Pode ser ou não com música, que era – me arrisco a dizer – o que funcionava com Steve Jobs.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

Chegou o dia da despedida

24 de fevereiro de 2015

Chegou o dia da despedida. Depois de vários posts publicados aqui no Blog do Empreendedor, é hora de devolver o espaço ao nosso editor, Daniel Fernandes, para que os estimados leitores possam ouvir histórias diferentes, novas e, certamente, inspiradoras.

Temos muito a agradecer ao Ilan Kow, ex-diretor de Projetos Especiais do Estadão, que nos apresentou ao Daniel, no começo da nossa caminhada para criar uma nova marca de queijos. E especialmente ao Daniel, que nos confiou este importante espaço para que pudéssemos compartilhar com os leitores um pouquinho das nossas experiências.

Como já dissemos em um post anterior, é impressionante como é benéfico ao empreendedor se aventurar a escrever e contar sua história. Não só pela óbvia exposição que ganha, dando a oportunidade de expor a um número muito maior de pessoas a sua mensagem. Mas também porque escrever cada post exige um esforço mental enorme, muita concentração e pesquisa. Parece fácil, mas não é. Normalmente levávamos uma manhã inteira. Às vezes, um dia todo.

Lembrando: não somos escritores e nem jornalistas. Nos falta prática e formação na área. E é aí que está o grande ganho. A cada post, éramos obrigados a pensar e repensar o que estávamos fazendo, em busca de uma história interessante para contar. E em muitas repensadas, novas ideias – para o nosso negócio – surgiam. Também aprendíamos muito em nossas pesquisas para poder escrever. Pesquisas que não teríamos feito, não fosse o blog.

Para fechar, gostaríamos de dizer que empreender não é fácil, mas é altamente gratificante. Ter uma ideia e vê-la, meses ou anos depois, materializada seja na forma de um produto na gôndola de um supermercado ou na forma de um aplicativo para smartphone, é motivo de grande satisfação. Empreendedores criam empregos, geram desenvolvimento e podem contribuir para que sua cidade, estado ou país se tornem lugares melhores. Empreenda, vá em frente. O Brasil precisa de mais pessoas assim.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais.

Para a inovação superar a tentação do canto da sereia

23 de fevereiro de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta), é professor de inovação da ESPM e criador do Laboratorium

Esses dias recebi uma mensagem do nosso editor, Daniel Fernandes.

Tenho a sugestão de um post na linha desconstruindo a inovação porque a Atari que era um fenômeno na década de 80 morreu. O que deu de errado do ponto de vista empreendedor e da inovação?

Fiquei pensando muitos dias na resposta. Pois além da Atari, também a Olivetti, a Parmalat e muitas outras marcas de sucesso morreram. A Sony semana passada anunciou a saída do mercado de eletroeletrônicos. E há uma resposta simples: elas não perseguiram a inovação constante. Quem se acomoda vai ficar comendo pó da concorrência, simples assim. Tanto que muitas empresas (como a 3M, Natura, IBM, Google, GE, Apple, Samsung, Unilever só para citar alguns exemplos) já incorporam práticas de inovação como regra. Hoje, elas não observam, elas criam o futuro.

Mas achei que a resposta simples talvez não fosse suficiente. Acho que a pergunta mais relevante é – se então, as empresas JÁ SABEM que precisam inovar, por que a grande maioria ainda não inova? Todos os dados estão claros e divulgados – inovar dá lucro, gera valor, é o caminho para a sustentabilidade / perenidade… Por que a maioria se acomoda? Pareceu-me que essa, sim, era a verdadeira indagação do nosso prezado editor. E para respondê-la não queria apenas me ater ao esperado…

Foi ai que me caiu nas mãos, para releitura, O Auto-Engano, de Eduardo Giannetti. Sempre fui fã desse livro. Quem me apresentou foi Sérgio Storch e em 2006 devorei pela primeira vez – e depois fiz repetidas leituras de trechos. E foi num momento desses de releitura que tive o insight:  talvez a resposta seja que o empresário não pode se deixar levar pelo canto da sereia… O canto da acomodação.  De permanecer na zona de conforto do sucesso momentâneo para evitar o desconhecido.  Para compreender o poder do canto da sereia, peço licença para usar das palavras do Giannetti:

“As sereias eram criaturas sobre-humanas: ninfas de extraordinária beleza e de um magnestismo sensual. Viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução de seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios costeavam a ilha, batiam nos recifes submersos na beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. O litoral da ilha era um gigantesco cemitério marinho no qual estavam atulhadas as incontáveis naus e ossadas tragadas por aquele canto sublime desde o início das eras”.

Bingo! O sucesso causa a acomodação – e esse é o canto que seduz e faz paralisar. O empresário evitar mudar pois tudo está indo bem. Mas o mundo está mudando, o consumidor está mudando… E quem não cria o novo, acaba sucumbindo… O que deu de errado do ponto de vista empreendedor e da inovação? Algumas empresas quando alcançam a liderança  acharam que o sucesso seria eterno. Esse é o canto da sereia que seduz e inebria.

Assim que passou a euforia da descoberta da metáfora, fiquei pensando. Mas qual a saída? Como vencer essa tentação? Encontrei uma resposta no próprio Giannetti, onde ele diz que existem duas soluções conhecidas. “Uma delas foi a encontrada, no calor da hora, por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia na metodologia grega”, que conseguiu cantar mais alto que as sereias, desviando a atenção da tripulação na passagem sem perigo pela ilha.

“A outra solução foi a encontrada e adotada por Ulisses no poema homérico. Ao contrário de Orfeu, o herói da Odisséia não era um ser dotado de talento artístico sobre-humano”. Sem saber cantar, Ulisses pediu a seus marinheiros que tampassem seus ouvidos com cera – e depois o amarrassem ao mastro, de ouvidos limpos, de forma que conseguisse ouvir o canto irresistível, mas nada fazer para sucumbir. Conta a história que Ulisses quase enlouqueceu, mas conseguiu tanto experimentar ouvir o canto, como sobreviver ao desafio.

Portanto, há solução. Buscar diferenciais, testar alternativas, desenvolver talentos, ser criativo – esse é o caminho para não sucumbir. Mas há que ser pró-ativo para não deixar-se seduzir pois o sucesso é o canto da sereia que encanta e acomoda.

PS – Os trechos citados do Auto-Engano, são da edição da Companhia de Bolso, numa edição de 2005 e estão nas páginas 178 e 179 do livro. #ficaadica

Quantas ideias ruins são necessárias para se chegar a uma boa ideia?

20 de fevereiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Henry e Nick não se conheceram. Mas eles se reconheceriam se Henry pudesse estar de volta para o futuro.

Ainda menino, Henry era apaixonado pela mecânica. Gostava de conhecer o funcionamento das coisas. Aos dez anos já consertava relógios e aos quinze já ganhava um bom dinheiro com isso. Com seu gosto pela mecânica, nada mais natural que seguisse carreira na área. Trabalhou como operador de máquinas e depois como engenheiro em várias empresas. Criou um protótipo de um quadriciclo movido a um motor a combustão e conseguiu investidores para lançar sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company. Mas os automóveis produzidos eram muito ruins e a empresa fechou dois anos depois. No mesmo ano, fundou sua segunda empresa que novamente durou apenas dois anos. Só na terceira empresa, que levava seu sobrenome, Henry Ford teve sucesso. Mas não pense que foi em um passe de mágica. O primeiro modelo da Ford Motor Company foi o “A”, que fracassou. Lançou então o Modelo B, um vexame em vendas. E tome letras do alfabeto até chegar ao mítico, icônico e vitorioso Modelo T.

E por ter tido tantos fracassos, todos públicos, o pensamento de Henry Ford, eternizado por uma de suas frases, vai além de qualquer manual de autoajuda: “Fracasso é simplesmente a oportunidade de começar de novo, agora, de forma mais inteligente”.

Mas a história de Henry Ford já foi escrita. Mas a do Nick está acontecendo agora e mesmo assim, já deveria ser contada e recontada para todos os jovens, inclusive aquele que está dentro de nós.

Nascido na Inglaterra, aos nove anos, Nick D’Aloisio ganhou seu primeiro notebook. Enquanto seus amigos ficavam horas navegando na internet, ele criava filmes e cursos usando o iMovie. Como ia bem na escola e tinha uma vida normal com qualquer outra criança, os pais o apoiaram quando o menino quis mudar o Final Cut Express, Final Cut Pro, até chegar no Autodesk Maya.

Aos doze anos, Nick ficou maravilhado com os aplicativos que poderiam ser baixados no seu iPhone. Ao perguntar para um atendente da loja da Apple como poderia incluir aplicativos no seu smartphone, ninguém soube explicar. Mas para não perder a viagem, Nick pediu para que o pai comprasse o livro “C for Dummies”, um guia de programação para iniciantes.

Aprendeu a programar sozinho e quando a Apple abriu sua App Store, Nick já estava pronto para programar seu primeiro aplicativo: o FingerMill, uma esteira de corrida virtual para os dedos. Se não entendeu a ideia do menino, pense em uma imagem de uma esteira de corrida, dessas de academia de ginástica, em que seus dedos fazem o papel das pernas de um corredor. Se ainda assim, não acreditou que alguém pudesse ter uma ideia dessas, veja este vídeo gravado pelo Nick. O próprio criador chamou seu aplicativo de uma “perda de tempo e dinheiro”. Mas sua surpresa veio um mês depois, quando descobriu que só naquele primeiro dia, seu FingerMill tinha feito algo como R$ 350 em vendas. Nada mal para um garoto de 12 anos, comentou depois.

Mas este fracasso/sucesso inicial deu motivos para que Nick continuasse a colocar seus aplicativos no mercado. Lançou o Touchwood, um aplicativo que mostrava a imagem de uma madeira e ao usuário tocar na imagem de madeira ouvia um som de… madeira.

Depois, veio então a ideia de criar o Facemood, um aplicativo que mostrava o humor dos seus amigos que estavam conectados no Facebook e SongStumblr, aplicativo que indicava quais músicas estavam sendo ouvidas na internet em uma determinada região geográfica. Foram três anos de fracassos sucessivos.

Mas aos 15 anos, quando estava estudando para uma prova na escola, percebeu a frustração de acessar várias páginas com conteúdos irrelevantes. Deveria haver uma forma de acessar um resumo da página antes de acessá-la, lê-la inteira para só no final descobrir que foi um tempo perdido. Deste problema veio a ideia do Trimit, um aplicativo que resumia páginas da internet em textos de 140, 500 ou 1.000 caracteres. Finalmente tinha encontrado uma ideia que se tornou um sucesso. Rebatizada como Summly, sua empresa foi comprada pelo Yahoo! por US$ 30 milhões em 2013, quando Nick tinha 17 anos.

E como Nick entende todos os seus fracassos anteriores? “Isto era incrível… Era intrigante. Todas as vezes que eu desenvolvia um aplicativo eu aprendia um pouco mais” – resume.

No final, todas as suas ideias são boas desde que consiga aprender alguma coisa com elas.

Você venderia o McDonald´s por US$ 2 milhões? Conheça os irmãos que tomaram essa decisão

19 de fevereiro de 2015

É verdade. O McDonal´s divulgou recentemente queda no lucro líquido da companhia no quarto trimestre do ano passado em comparação com 2013. Essa queda foi de 21%, mas ainda assim significa uma redução de US$ 1,4 bilhões ára US$ 1,1 bilhões.

Qualquer empreendedor do mundo gostaria de ter um lucro assim (pode sair perguntando por aí). O que nos leva a seguinte pergunta: você abriria mão de uma empresa desse tamanho, com esse lucro, por US$ 1 milhão?

Pois foi exatamente essa a quantia recebida pelos irmãos Richard e Maurice. Foram eles que criaram, em 1940, uma pequena rede de lanchonetes com base na Califórnia. O negócio ia bem, mas os irmãos não tinham ambição de crescer – o que frustrou um senhor chamado Ray Kroc. Em 1950, ele era um vendedor de equipamentos para milk-shake que ficou encantado com o conceito da lanchonete, mas decepcionado com o fato de os irmãos não acreditarem no potencial daquele conceito.

Kroc comprou a lanchonete dos irmãos e pagou por ela cerca de US$ 2 milhões – metade para cada um dos irmãos. Foi Kroc, aos 52 anos, quem começou a moldar o McDonald´s na empresa que o mundo conhece.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e escreveu este post inspirado por texto do professor Marcelo Nakagawa.

A face empreendedora de Bruce Dickinson: ‘Não adianta ter um escritório chique e depois quebrar’

19 de fevereiro de 2015

Bruce Dickinson foi diagnosticado com tumor na língua, notícia divulgada nesta quinta-feira, 19, e que também informava aos fãs que o músico foi submetido ao processo de quimioterapia e radioterapia. Novas notícias serão divulgadas, segundo o comunicado oficial, apenas em maio. E isso deixa os milhões de fãs do cantor e líder do Iron Maiden apreensivos.

Mas a faceta de rockstar de Bruce é a mais conhecida, mas sem dúvida não é a única do artista. Nos últimos anos, Dickinson tornou-se (muito conhecido) pela sua face empreendedora. Foi ele, mais do que todos os outros integrantes, que transformou o Iron Maiden em uma lucrativa empresa. Duas de suas investidas tornaram-se sucesso de público e vendas: as camisetas especiais da banda que lançou por ocasião da última Copa do Mundo e a cerveja que leva o nome da banda e que tornou-se sucesso em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O sucesso dessas duas iniciativas está em amealhar recursos financeiros que não provem necessariamente da venda de músicas ou dos ingressos para shows da tradicional banda de heavy metal.

A face empreendedora de Bruce ganhou mais espaço no País durante a Campus Party do ano passado, quando ele foi um dos principais convidados. Para um auditório lotado, ele falou basicamente sobre empreendedorismo. Separamos algumas frases interessantes.

“Para uma startup chamar a atenção, ela precisa ter boas ideias e ser realista. Precisa ter fãs e não clientes”

“Ninguém quer ter clientes. Eu odeio clientes porque eles têm escolha, podem sempre ir para outro lugar. Precisamos ter fãs”

“Você não vende um produto, você vende um relacionamento com o consumidor.”

“Um dia nos reunimos e pensamos: Imagine se todos os caras que fazem o download da nossa música puderem comprar algo nosso?”, diz. “ Então, pensamos, o que as pessoas fazem quando elas escutam música? Bebem cerveja!”

“Quando você está envolvido com algo, você usa todos os recursos que estão a seu dispor”

“Ter uma boa ideia e custo baixo. O que mata muitas startups é que a primeira coisa que elas pensam é em qual será a cor dos móveis do escritório. Não adianta ter um escritório chique e depois quebrar por não ter controle disso”

Boa recuperação, Bruce.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME