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Ainda sobre o Raio Gourmetizador: ‘Tem coisa que não adianta inventar’

26 de dezembro de 2014

Danielle Trolezi, especial para o Estadão PME

Como que quase um vírus, os produtos ditos “gourmet” invadiram a cidade e se tornaram uma febre entre os glutões de plantão.

Mas afinal, o que é mesmo gourmet? A origem do termo é francesa, e basicamente, está associado à gastronomia de alta qualidade, no qual produtos são elaborados a partir de ingredientes selecionados, não tão comuns, e mais sofisticados, e portanto, mais caros também.

Mas o produto gourmet não se limita somente à qualidade de seus ingredientes, sabor e aroma, mas também à forma de apresentação, a alguma técnica diferente de produção, originalidade da receita e até design da embalagem.O motivo da piada é que tudo atualmente virou gourmet, elevando ao cubo o preço de produtos simples como hot dog e até pipoca, motivo pelo qual o termo está se tornando banal, e a prova disso é o famoso raio gourmetizador, um meme personificado pelo famoso chef Gordon Ramsey, que transforma um simples sagu em caviar de tapioca.

Ou seja, os ingredientes, a receita e a técnica de produção é a mesma, e somente o nome – junto com o preço – mudaram. Pelo amor, né?!

Eu sou assumidamente uma fanática por hot dogs. Mas sinceramente, o famoso lanche vendido por uma senhorinha e seu marido, na porta da faculdade onde eu estudava, “comia no café-da-manhã” qualquer hot dog dito gourmet por aí. Tem coisa que não adianta inventar! As pessoas, com o tempo, irão perceber que estarão sendo enganadas.

Não irei aqui ficar discutindo sobre o que deve ou não ser gourmet, afinal, há consumidores para todos os bolsos e gostos. Na medida do possível, quando o cliente demonstra alguma curiosidade ou interesse – às vezes, até um certo espanto – tento sempre explicar o motivo dos preços daquilo que coloco à venda, contando sobre os ingredientes que foram utilizados em determinada receita, os cursos que fiz e o que aprendi, o tempo e dinheiro que dediquei pra que determinado produto chegasse a um sabor, textura e apresentação que fosse adequado para sua comercialização.

Sei que a tarefa não é fácil.

O consumidor, às vezes, por não estar familiarizado com determinado produto ou ingrediente, acaba ficando com vergonha de perguntar, como se ele tivesse obrigação de saber. E por não conhecer, pode ter a impressão errada, e achar o produto esnobe e seu preço, fora da realidade.

Penso que cabe à nós, empresas sérias, explicar melhor sobre os produtos, bem como sobre os ingredientes utilizados, receitas e técnicas de produção, justificando os preços que praticam. Acho transparente e honesto. E caberá ao consumidor pensar sobre o valor que determinado produto agrega à vida dele, decidindo ou não pela compra.Acabei de ler esta matéria no site do Estadão sobre o assunto em questão, e fica uma dica legal, tanto para empreendedores, quanto para consumidores:“Mas havia na origem do negócio algo mais do que o termo gourmet. Era uma releitura do doce, produzido com ingredientes de qualidade e com receitas diferentes e originais. Essa será a diferença entre os negócios – gourmet ou não – que devem sobreviver à onda do Raio Gourmetizador.”

Danielle Trolezi, Em 2013, criou a marca bake me, confeitaria de cupcakes, doces e bolos caseiros. Em junho de 2014 decidiu que era hora de ser dona da própria felicidade, e agora se dedica em período integral à sua confeitaria, que tem um conceito de oferecer produtos fresquinhos, procurando sempre estabelecer uma relação de amizade com os seus clientes.

‘Raio Gourmetizador’ aciona sinal de alerta para empreendedores

26 de dezembro de 2014

A febre gourmet tomou de assalto a gastronomia brasileira, sobretudo a paulista. Na esteira dessa novidade, muitos empreendedores trataram de tirar suas receitas do armário e começaram negócios que tinham como principal apelo a comidinha diferente. Deu certo. Até agora.

As redes sociais começam a demonstrar uma grande aversão ao termo gourmet. A principal prova disso é o viral ‘Raio Gourmetizador’. Você já deve ter visto a imagem em que uma hipotética tapioca, que custa R$ 1, passa a custar R$ 26,50 após a incidência do tal raio, que a transforma em uma ‘Tapioquinha rústica com renda de creme burleé’.

E se as redes sociais começam a rejeitar o termo, é porque o consumidor – o mesmo que posta nesses sites – também cansou da proposta de negócio.

Um problemão para o empreendedor que apostou na tendência. A pergunta que mais deve estar atormentando o pequeno empresário agora é a seguinte: se tudo se transformou em gourmet, o que é exatamente gourmet?

Dúvida que tudo se transformou em gourmet? Então vai uma lista

Batata frita
Café, Carne, Pipoca
Churros

Mas há uma salvação. E ela pode estar no caso de Juliana Motter, a proprietária da loja de brigadeiros (gourmet) Maria Brigadeiro. O doce foi o primeiro a empregar esse termo como apelo de venda. De uma hora para a outra, surgiram diversas lojas especializadas em fazer o docinho tradicional de uma maneira diferente.

A Maria Brigadeiro estava entre essas marcas. Atualmente, com boa chance de acertar, podemos dizer que algumas empresas prosperaram, pelo menos uma delas foi vendida para um grupo maior, e muitas fracassaram.

E Juliana manteve relevante sua empresa até hoje. Sabe por que? Por causa da originalidade da marca, da proposta. Do ineditismo. Ela foi uma das primeiras a apostar no doce. Mas havia na origem do negócio algo mais do que o termo gourmet. Era uma releitura do doce, produzido com ingredientes de qualidade e com receitas diferentes e originais.

Essa será a diferença entre os negócios – gourmet ou não – que devem sobreviver à onda do Raio Gourmetizador.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Conheça o mentor que inspirou Steve Jobs, os fundadores do Google, Twitter, Uber…

19 de dezembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Se fosse um empreendedor atual, quem gostaria de ser? Alguns diriam: “Ninguém. Seria eu mesmo”. Pode ser arrogância ou demonstração de muita confiança em si mesmo, mas é uma resposta válida. Então, refaço a pergunta: Qual empreendedor mais o(a) inspira atualmente? Alguns ainda responderiam: “Ninguém”. Mas esta resposta não demonstra confiança ou arrogância e sim a falta de capacidade ou interesse de aprender com os outros.

Por outro lado, sua escolha pode dizer muito sobre a sua visão de mundo, suas atitudes e valores.  Quando há uma resposta, muitos escolhem os empreendedores atuais mais famosos. Gostariam de ter sido Mark Zuckerberg, o todo poderoso líder do Facebook, ou Larry Page ou Sergey Brin, os gênios cientistas da computação do Google. Talvez Jeff Bezos, o sagaz e obcecado criador da Amazon.com.

Os mais atualizados poderiam citar Jack Dorsey, o elegante e inteligente co-fundador do Twitter. Quem sabe, o tiozão Uri Levine, que co-fundou o Waze depois dos quarenta anos ou Travis Kalanick, o visionário co-fundador do Uber? Alguns poucos, até para impressionar, citariam o precoce Daniel Ek, co-fundador do Spotify ou Evan Spiegel, co-fundador do Snapchat, que criou o negócio a partir de um trabalho de faculdade.

Mas a minha resposta pessoal tem sido cada vez mais John Doerr. Não porque ele foi um dos principais mentores de Steve Jobs e tem sido conselheiro de todos os empreendedores citados acima, tendo inclusive investido em todas as empresas citadas (sim, todas). Mas porque ele tem se esforçado em colocar cada pedra em seu devido lugar e na ordem correta.

Contado e recontado em diversos países, certa vez um professor entrou em sua sala de aula e colocou uma jarra de vidro em sua mesa. Da sua mochila, tirou um saco com pedras grandes e colocou uma a uma dentro da jarra até não caber nenhuma mais. Perguntou para seus alunos se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta unânime. Então, o professor pegou um saco com pedras menores e o virou cuidadosamente sobre a jarra. As pedrinhas foram ocupando os espaços vazios que ainda restavam. Mais uma vez, perguntou se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta agora não tão unânime.

Em seguia, o professor tira um saco de areia e o esparrama pelo jarro e refaz a mesma pergunta. Agora a classe já estava dividida. Mas o professor continua sua demonstração e retira uma garrafa de água da mochila e enche a jarra com o líquido. “O que esta demonstração significa?” – pergunta o professor. “Não importa quanto atarefado você esteja, sempre será possível fazer mais.” – responde um dos alunos. “É uma forma de enxergar o mundo…” – responde. “Mas se não colocar as pedras grandes primeiro, não conseguiremos colocá-las depois. E as grandes coisas são aquilo que valorizaremos no final da nossa vida como nossa família, nossos amigos, nossa saúde e nossos sonhos realizados. O resto encontrará seu espaço” – finalizou o professor.

“Há dez anos atrás…”- disse John Doerr no discurso para os formandos da Rice University em 2007 – “eu não estava priorizando a minha família. Eu viajava muito. E qualquer trabalho era uma prioridade maior do que ficar com a família. Quando comecei a perder alguns almoços ou jantares em casa, ficou fácil não estar mais presente. Um dia eu percebi que minha filha Esther estava andando e Mary já estava no jardim de infância. E Ann (sua esposa) foi diagnosticada com câncer (ela se curou depois).

Tudo mudou. Eu mudei. E passei a colocar a família como a minha principal prioridade. Estar em casa às noites passou a ser a minha principal prioridade. E não era só estar presente. Eu declarei que entre seis e dez da noite não responderia nenhuma mensagem. Todas as reuniões de negócio, jantares e viagens deveriam passar no seguinte teste: Isto é mais importante do que estar em casa hoje à noite? Desde que adotei este teste, tenho jantado em casa quase todas as noites. Eu não tenho medo de fracassar. Só não posso fracassar em uma situação: com minha família e minhas filhas.

Quando fracasso como investidor, eu posso perder algum dinheiro e um pouco de orgulho. Mas se fracasso como pai, eu perco o amor e a convivência que jamais poderá ser recuperado!”

Dificilmente alguém conseguirá ser o próximo John Doerr, o investidor. Mas com disciplina e dedicação, podemos estar bem próximos de John Doerr, o pai.

Gandhi não alcançou o mundo que imaginava, mas alcançou coisas inimagináveis

18 de dezembro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira.

Sou só eu ou a impressão é que, cada vez mais, o ‘tempo passa mais rápido’? Acho que nossa percepção de tempo vem se alterando, os segundos, os minutos, dias, semanas e meses  passam voando, em um piscar de olhos.  Vale fazer um exercício de retrospectiva, olhe o ano que está acabando e marque as principais conquistas, os principais acertos.

Não olhe os erros com culpa ou tristeza, mas olhe como a postura de “o que eu poderia ter feito de diferente?’. Depois, faça o balanço das coisas que você acertou e fez bem e do que você vai levar para 2015. Lembre-se, não carregue os erros e as culpas. Deixe isso para trás!

Não pense muito neles, apenas largue no passado.

Na Carbono Zero, estamos fechando o ano de 2014 com um ótimo crescimento e as perspectivas para 2015 são ainda melhores. Vamos explorar novos segmentos e utilizar novas formas de fazer entregas, claro, sempre carbono zero! O modelo será repensado, reinventado, vamos usar o que aprendemos e o que o mercado vem fazendo. Precisamos adaptar para sobreviver, nos questionar!

Diversas vezes escrevi essa questão de não nos acomodarmos, de entender se a forma como é feita há anos é a melhor para o mundo de hoje e o de amanhã. As pessoas estão mudando. Nossos negócios precisam evoluir e comunicar para esse novo mundo, essa nova forma de pensar, de educar e se preocupar. E não é só da porta para fora, para os clientes, mas, principalmente, para dentro, para quem trabalha com você e ‘faz acontecer’.

Erramos?

Claro que erramos, não há quem não erre. A questão é como lidar com isso. Se desesperar? Desistir? Abandonar? Em alguns casos, sim, pode ser necessário abandonar, mas jamais com a postura de falha. Não existem falhas, é uma ilusão criada por nós mesmos. Gandhi falhou? Martin Luther King falhou? Eles não conseguiram alcançar o mundo que imaginavam, mas alcançaram coisas inimagináveis, entendem a diferença?

Nem tudo acontece da forma que esperamos, mas acontece. Saiba colher os frutos que podem ser colhidos. Ah! E acima de tudo, que possamos ser gratos por tudo. Por tudo que passamos nesse ano e em nossas vidas. Gratidão nos traz humildade, somos um grão de areia em uma praia, não somos mais (nem menos), do que ninguém, somos todos iguais. Acho que antes de ‘pedirmos’ novas coisas para 2015, que possamos agradecer as de 2014.

E, se possível, entrar 2015 sem muitas expectativas, mas entrar o novo ano tal qual uma criança que acaba de nascer, que está explorando, que aceita tudo como é e não como gostaria. Meu último post de 2015 encerro como uma frase que foi post na minha página no Facebook: “Vá devagar minha mente. Tudo acontece no seu próprio tempo. O jardineiro pode regar com 100 potes de água, mas o fruto só virá na sua estação.”

Boas festas para todos,

Rafael

Quer aprender sobre a vida? Seja taxista

17 de dezembro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Recentemente fui à São Paulo e aconteceu algo que me chamou a atenção. Voltando do restaurante Sal, do Henrique Fogaça, pedi um táxi por meio do aplicativo de celular. Não preciso nem dizer que esse treco foi uma das melhores invenções nos últimos tempos. Ou preciso?

O que me chamou a atenção foi o motorista do táxi, um rapaz de 24 anos. É bom sempre puxar papo com taxista porque, no mínimo, você vai ouvir boas histórias. E dessa vez não foi diferente. Começou a trabalhar no ofício aos 20 anos para pagar o curso técnico de protético. Isso mesmo, protético.

Assim que terminou o curso, resolveu se dedicar à profissão. Morando com os pais, juntou dinheiro e comprou um carro… para voltar a vida de taxista. Fiquei surpreso e questionei o porquê disso. Ao que, prontamente, respondeu: “Como taxista, ganho quase três vezes mais do que como protético. Mas tem um porém, levanto todos os dias às 5h30 e só vou parar lá pelas 20h. Mas quero voltar para área para a qual me formei, pois gosto da saúde. Agora vou me formar em odontologia.”

Nesse meio tempo, entre uma história e outra, o jovem motorista me ofereceu bala, água e revistas, enquanto fazíamos o trajeto. “Mas, na época que me formei como protético, a faculdade custava o dobro do que custa hoje. Além disso, o curso era de cinco anos; agora são quarto. Além disso, elimino na grade praticamente seis meses das matérias que fiz quando protético.”

Parece besteira, mas uma simples viagem de 8 km me serviu para elucidar muita coisa. Dentre elas, acho de extrema importância termos a consciência e exercitar diariamente duas posturas:

1. Em determinados momentos de nossas vidas, é necessário voltar atrás e refazer os planos para conseguir alcançar os objetivos. Sem dúvida alguma, por sua determinação e esforço, Adriano alcançará o objetivo de se tornar dentista.

2. Sempre defendi que é fundamental ter experiência, em algum momento de sua vida, com o contato com o público. Isso torna você mais expansivo e mais sensível para ouvir quem está querendo comprar algo seu. Lá atrás, meus primeiros ensaios na vida profissional foram como vendedor. E, certamente, esse período foi para mim extremamente rico e importante. O Adriano também tem vivenciado essa experiência do contato com o público. Estar no comando de um táxi também é um exercício de construção de habilidades que vão muito além de decorar o mapa da cidade e trocar marchas. Acho que foram as poucas as vezes que um taxista me ofereceu bala ou água. E essa prática de hoje, pode ter certeza, fará a diferença para ele, quando for dentista.

 

Como remunerar a equipe de vendas

16 de dezembro de 2014

Decifrar um holerite, no Brasil, é tarefa para poucos. Quem aí não se deparou com dúvidas e recebeu a orientação para ligar para o escritório de contabilidade da empresa, pois nem mesmo o pequeno empresário, no caso, seu empregador, sabia explicar sua composição? Ou o contrário. Quem aí já não soube explicar, no dia do pagamento, o que eram aqueles inúmeros descontos e termos estranhos presentes no holerite dos seus funcionários?

As duas situações fazem parte da vida de pequenas e até médias empresas. É a tal complexidade de se fazer negócios no Brasil.

Então porque algumas empresas complicam ainda mais, ao montar um plano de remuneração bem “sofisticado” para a equipe de vendas?

Os objetivos são vários. Entre eles, é claro, tentar buscar o maior rendimento possível dos vendedores. Ou então, garantir que não se acomodem e acabem recebendo os bônus sobre um bom desempenho de alguns vendedores que normalmente se sobressaem. Pode ser, também, para garantir vendas com boa rentabilidade, não apenas altos volumes.

Enfim, a questão é que, no final das contas, gasta-se um tempo enorme gerenciando tudo isso. E tempo é justamente o que pequenos e médios empresários não tem. São sistemas que tornam tanto o fechamento desses números, quanto o entendimento por parte da equipe de vendas, muito complicados.

Quando tínhamos a Cervejaria Eisenbahn, fizemos justamente isso: um sistema cheio de metas e desafios. Batendo a meta de valor vendido, ganhava-se um bônus. Bateu o volume em litros, outro bônus. Atingindo a meta de abertura de novos clientes, mais um. E de cobertura, ou seja, número de clientes atendidos no mês, uns Reais a mais. E este não é, nem de longe, o quão complexo um  plano de remuneração pode ser. Ouvimos, nos últimos meses, relatos de empreendedores que adotaram planos muito mais complexos.

Hoje estamos mais experientes, mas com menos tempo do que já tivemos. E nem sinal de que isso venha a melhorar. Então estamos optando por simplificar, em tudo, a operação da Pomerode Alimentos, empresa que assumimos há aproximadamente um ano e meio. E isso inclui o plano de remuneração da equipe de vendas. Nada de metas sem fim. Temos um fixo e um variável. O variável é um percentual sobre as vendas. Quanto mais venderem, maior o salário. Nada mais justo, não é?

E quanto a garantir que as vendas sejam feitas com rentabilidade, que haja crescimento constante na base de clientes, entre outro objetivos importantes para a empresa? Boas conversas e uma correta orientação por parte dos gestores, além de cobranças e acompanhamento já deveriam ser suficientes. Adotamos essa prática, e não nos arrependemos disso.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

“Em uma startup, nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contato com o cliente”

15 de dezembro de 2014

Menta90 (Marcelo Pimenta) é professor de inovação na ESPM e fundador do Laboratorium

“Em uma startup, nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contato com o cliente”. A frase título desse post é um dos mantras de Steve Blank, criador da metodologia do desenvolvimento do cliente, tema da série que encerramos hoje. “As novas companhias estão à frente do desconhecido: o cliente é desconhecido, as reais necessidades do consumidor ainda são desconhecidas, as funcionalidades necessárias no produto/serviço são desconhecidas …”

Por isso, criar o plano de negócio não é a primeira tarefa para quem quer criar um novo negócio.  Ele vai ser útil para o crescimento e execução do empreendimento – depois que a empresa tem /sabe quem é seu cliente e o produto já foi concebido e testado.

“Os planos de negócio são ferramentas usadas para execução. Eles são a ferramenta errada para a busca por um modelo de negócio”, ensina Blank.  Na figura abaixo, durante a primeira fase (e os dois primeiros passos – é hora de usar o design thinking, o canvas do modelo de negócio e o lean startup.  Já na segunda fase, o crescimento do negócio, passos 3 e 4, aí é a hora de usar o plano de negócios.

No primeiro post, entendemos qual o contexto desse novo jeito de criar e validar negócios. Depois detalhamos a primeira fase, aprendizagem e descoberta e os dois primeiros passos: a descoberta do cliente e a validação do negócio.
Como a abordagem da “descoberta do cliente” é, podemos dizer, revolucionária se comparada ao modelo que se considerava “correto” para se criar um novo negócio até o início dos anos 2000, acho importante destacar conceitos que precisam ser compreendidos / incorporados por aqueles que querem seguir esse modo de conceber / testar / validar negócios de sucesso. Ou, na palavra de Blank, “criar uma nova empresa não se trata de executar o que é conhecido”.

1. Iteração
O termo se origina no desenvolvimento de softwares, quando os programadores iam construindo um programa passo a passo, validando cada passo junto aos usuários. Seguindo essa mesma lógica, a iteração passou a ser aplicada no desenvolvimento para web, e agora para os negócios. Iterar é repetir a busca para acumular informação e experiências e construir conhecimento. Temos um post que fala sobre a iteração na Jornada do App OndeParar.

2. Aprendizagem
Aprendizagem é o processo de construir novos  conhecimentos, adquirir ou aprimorar  habilidades, desenvolver ou modificar comportamentos. O aprendizado de dá pelo relacionamento entre  pessoas (amigos, professores, sociedade) ou da pessoa com recursos que permitem interatividade (soluções multimídia), seja formal ou informalmente, presencial ou a distância. E, ainda, da busca de informações (livros, revistas, internet).  Essa abordagem da Descoberta do Cliente, principalmente na primeira fase, é um processo de aprendizagem – para o empreendedor aprender com o cliente, com a equipe, com o mercado se suas hipóteses são válidas.

3. Descoberta
Descobrir  é remover aquilo que cobre, clarear o que está obscuro.Processo da descoberta é a revelação, pra si mesmo ou para outros, de alguma coisa que não se sabia ou que se achava escondida. Observar, refletir, pesquisar, ler, perguntar são atitudes importantes para ajudar a descobrir aquilo que não sabemos. Podem ocorrer também descobertas por acaso, por coincidência. Se você acha que tem todas as respostas – essa abordagem não serve para você.

4. Pivotar
A palavra pivotar é um neologismo criado a partir da palavra pivô (do francês pivot) que significa “aquilo que sustenta; suporte”. Em esportes de equipes (por exemplo, basquete) o pivô é o jogador que serve de ponto de apoio para armar as jogadas. Já no ballet, o pivô é o movimento de sustentação que permite que o dançarino (ou  dançarina) gire sobre o próprio eixo.No dicionário startup, o pivô é o ponto em torno do qual estamos girando / mudando de direção em busca de entendimento para adequar uma ideia, um produto ou um negócio como um todo.Na filosofia de descoberta do cliente, pivotar é exatamente isso, girar, mudar de direção, ajustar as velas, sempre agregando informações até obter uma resposta satisfatória. É preciso entender que, nesse caso, não se roda em círculos, mas em espirais que, irão crescer até o ponto em que as respostas satisfaçam e seja possível prosseguir para a próxima etapa.

Encerro essa série reiterando que, se esse novo modelo de conceber e validar negócios não garante o pleno sucesso da empresa (pois empreender é um ciência humana, não exata)  - ele ajuda a aumentar sensivamente as chances de êxito do novo negócio. Um abraço e até a semana que vem.

Você corre como uma garota? Ser menina, garota ou mulher não é ser menos

12 de dezembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Escrevo este texto enquanto converso com minha filha Helen, de 5 anos. Ela está entretida com seu kit de eletricidade e magnetismo.

Ainda me lembro do dia em que comprei o kit no Exploratorium, uma espécie de museu de ciências que fica em San Francisco, Estados Unidos. O local é incrível pois  você vivencia diversas experiências científicas. E a loja, um parque de diversões à parte. Devo ter ficado quase três horas olhando cada livro, brinquedo ou objeto à venda. Para não levar mais do que caberia nas malas, comecei a escolher presentes para a minha filha por área do conhecimento como biologia, história, física, matemática… Alguns podem achar que é muito para uma criança de tão pouca idade, mas ela não só entendeu como adora o livro do Sir Cumference e a primeira mesa redonda, por exemplo. Na estória, Sir Cumference é casado com a Lady Di Ameter e tem um filho chamado Raio.

Mas o item mais difícil foi o de física. Já tinha escolhido o famoso kit Roominate, criado por duas engenheiras de Stanford no qual as meninas poderiam brincar de casinha e ao mesmo tempo aprender mais sobre eletricidade, já que poderiam instalar uma luz que acendia ou um ventiladorzinho nos cômodos da casa de boneca. Mas havia outro kit, da Thames & Kosmos, que trazia vários itens de eletricidade e magnetismo. Só não vinha com a casinha de boneca. A Roominate era pefeito para as garotas, mas algo me incomodava.

Só descobri o que me incomodava hoje de manhã, quase um ano depois. Ao assistir um dos comerciais mais viralizados de 2014, me deparo com a questão: O que significa fazer algo como uma garota?

No comercial, há uma gravação de vídeo em que a diretora diz a uma moça que irá pedir para fazer algumas coisas. “Faça a primeira coisa que vier a sua mente”- complementa.

Mostre como é correr como uma garota” – pede. A moça corre toda desleixada. A segunda moça corre da mesma forma ainda fica preocupada como está seu cabelo. E a terceira moça também corre toda desengonçada. O menino repete exatamente o que as moças fizeram, assim como o rapaz que vem em seguida.

Mostre como lutar como uma garota” – pede a diretora. E o rapaz dá risada e depois começa a se debater soltando gritinhos. Uma das moças anteriores também representa de um jeito semelhante.

O novo pedido é “Agora arremesse uma bola (de beisebol) como uma garota”. E uma nova moça representa o movimento de forma totalmente descomprometida. A segunda moça representa algo mais desleixado ainda. O menino “deixa a bola cair no chão” e solta um gritinho.

Em seguida, o comercial mostra os mesmos pedidos feitos para as meninas de seis, oito, dez anos. E as meninas saem correndo com seriedade. Jogam a bola com força. E lutam com vontade. A diretora pergunta para uma menina o que significa correr como uma garota. E ela responde: “Significa correr o mais rápida que puder”.

Em um momento que se discute tanto o protagonismo feminino, as oportunidades para as mulheres são as mesmas de qualquer outra pessoa na visão dessas meninas. Ser menina, garota ou mulher não é ser menos. E muito menos, ser mais. Importa o que você pode ser e o que fará para chegar lá!

Por isso, hoje, estou mais tranquilo por ter comprado o kit da Thames & Kosmos. Com este brinquedo minha filha pode iluminar a casa de bonecas que ela já tinha e o que mais quiser em sua vida. Por enquanto ela está bem feliz pois conseguiu colocar as luzes para funcionar sozinha!

Veja como o comercial, visto por mais de 53 milhões de pessoas, termina: https://www.youtube.com/watch?v=XjJQBjWYDTs

 

 

Novos sócios, e agora?

10 de dezembro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Acho que sobre esse tema eu nunca escrevi aqui. Estou começando a perder o controle sobre posts antigos e o que ainda falta escrever (risos). Esse é um desafio pessoal, sou desorganizado, preciso melhorar =)

Uma situação ‘difícil’ que passei foi quando começaram a surgir interesses de investidores. Pessoas que demonstraram interesse no nosso negócio e que, de alguma forma, gostariam de fazer parte dele. Sempre, ao longo dos anos, tivemos sondagens, mas nada concreto até o concreto, que aconteceu cerca de dois anos e meio do início das nossas atividades.

Foi quando recebemos uma proposta que, naquele momento, nos pareceu interessante e, principalmente, entendíamos que precisávamos de ajuda. Inicialmente nada mudou, o novo sócio faria o papel de mentoria e consultoria, ajudando meu irmão e eu a guiarmos o barco, a estabelecermos limites e a buscar novos mares.

Acho que o novo sócio veio com muita sede ao bote (risos), expectativa de enriquecimento fácil e tranquilo (até aí sem novidade, acho que 9,5 em 10 pessoas buscam isso), que não se concretizaram. Para quem ‘olha de fora’ nosso negócio pode parecer que é uma ‘mina de ouro’, algo impensável, que não tem como não dar certo etc.

Mas a realidade é bem diferente.

Sim, ocorreram momentos de desgaste. Somos uma pequena empresa, empreendedores e em determinados momentos precisamos estar dispostos a arregaçar as mangas e sujar as mãos, a pedalar para não deixar de atender um cliente, a emitir nota fiscal etc.

Em uma empresa pequena, as pessoas, principalmente os sócios, jogam em mais de uma posição quando necessário (o zagueiro improvisado na lateral). Isso é fundamental e até divertido. Não estou dizendo que isso precisa ser feito para sempre, mas também não é algo que dá para falar que nunca se fará…

Entenderam? (risos).

Somos os pais e mães de nossos filhos (projetos), precisamos saber e entender que nossos papéis são e devem ser multifuncionais. Aprendi como se avaliar potenciais sócios e acho que foi do pior jeito. Sócios, e também aqueles que não são fundadores, devem ser pessoas que acreditam  nos seus sonhos, que enxergam possibilidades neles e não só de lucro, principalmente, não só de lucro.

É fácil quando tudo está bem, mas são nas dificuldades que conhecemos quem realmente joga no time ou quem só está ali apenas por um interesse financeiro momentâneo. Não precisamos de mais uma pessoa falando que é importante dar mais resultado (já temos nós mesmos), precisamos de pessoas ao nosso lado para nos fazerem evoluir. Espero que a Carbono Zero tenha ensinado aos nossos novos sócios essa lição de que nem tudo é sobre dinheiro, nem todo bottom line é um número.

Caminhamos para um novo mundo, novos pensamentos e novas formas de se empreender e fazer negócios. A relação precisa ir além da participação no lucro, do papel do ‘investidor’ de 20 anos atrás, isso é passado, esse modelo está fadado a falência (questão de tempo).

Um abraço, Rafael

Você conhece o Sriracha? Molho está conquistando os EUA

10 de dezembro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Nesse último sábado, conseguimos materializar um projeto no qual trabalhamos há pelo menos 18 meses: o molho tipo Sriracha. E o pré-lançamento não poderia ser melhor: 5ª Festa do Santo Porco, organizada pelo chef André Mifano, que comanda o restaurante Vito, a meca do porco em São Paulo.

Foram mais de mil e tralalá sandubas servidos que se esgotaram em praticamente três horas. Sensacional. Valeram a espera de duas gestações. Então pergunto: o que vem a ser Sriracha mesmo?

Original da Tailândia, de uma cidadezinha chamada Si Racha, na província de Chon Buri, sriracha é um molho com receita típica em forma de purê, com base de pimenta, vinagre, alho, açúcar e sal. Mas o grande segredo mesmo está no processo de fermentação.

É algo tão incrível e complexo que fico surpreso que tenhamos conseguido, em tão pouco tempo, acertar a receita e conseguir fazer um belo estoque de matéria-prima. Sem dúvida alguma, o jeito de pensar do meu sócio fez toda a diferença.

Outro dia escrevi sobre seu processo criativo para um produto. Leia aqui. Mas o que isso tem a ver com a gente aqui? Por que fizemos isso? Nos Estados Unidos, é uma febre, e a principal fábrica, Huy Fong Foods, deste tipo de molho, não consegue atender à demanda. Mas resolvemos encarar o desafio, principalmente por dois motivos. Primeiro, porque o molho tipo Sriracha se encaixa em diversas situações de consumo.

É impressionante como vai bem com tudo! E, melhor ainda, nas coisas que o brasileiro adora: churrasco, pastel, macarrão, pizza, hambúrguer, petiscos etc. Segundo, porque a economia sinaliza retração em nichos de produtos com maior valor agregado para o próximo ano.

E, claro, precisamos considerar que o nosso principal concorrente, o molho de pimenta Tabasco, é importado e é adquirido em dólar. Certamente, isso vai dificultar muito a operação deles, com os números crescentes do câmbio. O molho sriracha torna nossa pirâmide de consumo maior, melhoramos performance no PDV, fortalecemos a marca e atacamos de forma agressiva o on trade – aqueles estabelecimentos que o produto pode ser consumido na loja.

Sem dúvida alguma, 2015 será um ano bem picante. Pelo menos para nós.