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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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A reunião mais bizarra da minha vida

31 de julho de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Estamos na última parte de um dia que foi para lá de bizarro. Após descobrir que O descendente de um antigo Rei estava mediando a reunião…

O tempo passa e Dave me informa que iremos para outro lugar, mais precisamente, para o mesmo hotel em que almoçamos. Enquanto estamos voltando, Dave e seu funcionário me situam: descubro que a reunião acontece entre quatro diferentes partes ou famílias. As terras da região foram vendidas há um tempo atrás por um fazendeiro para duas famílias (partes 1 e 2) e não foram totalmente pagas.

Simplesmente a família do fazendeiro (parte 3), quer o dinheiro antes de transferir a propriedade para o nome dos compradores e os compradores querem a transferência antes de dar o dinheiro. A 4ª parte é Dave e sua empresa, que também está atuando como mediadores para que todos possam chegar a um acordo.

Para a Ojaswini, comprar as terras (para um empreendimento futuro) eles precisam que compradores (as duas famílias) e fazendeiro (outra família) se acertem. Os celulares não param de tocar e mais pessoas (homens, sempre só homens, os “chefes” de família) são chamadas e aparecem.

O que eram 10 pessoas, passam a ser 20. A nova adição vem de diferentes partes (alguns são da família dos compradores e outros da família do fazendeiro – vendedor) e não contribuem construtivamente para a reunião, pelo contrário, são mais pessoas para trazer mais discórdia e opiniões próprias.

Não estou estressado, nem tão pouco perdi a paciência, está valendo a experiência. Ao mesmo tempo, sinto pena por Dave e pelas pessoas que estão ali. Minha mente ocidental pensa que eles poderiam ter resolvido o impasse há muito tempo e usando seu tempo para outras coisas mais importantes. Mas na Índia não é assim. O processo é importante, a conversa, o olho no olho, a palavra…noto que acima de qualquer discórdia, existe o respeito.

A reunião não parece ter fim. Percebo que algumas pessoas começam a levantar (normalmente em duplas), vão para algum lugar ali próximo e começam a conversar. Outros dois fazem o mesmo, porém não se juntam aos dois primeiros, mas sim formam uma nova célula de discussão em outro canto. Em um determinado momento, praticamente todo mundo está em dupla (ou trios, até quartetos) conversando ao invés de estarem na reunião.

Parece que combinam o que vão dizer ou fazem uma nova discussão entre eles, entram em um acordo e voltam para a “reunião principal”. Nunca vi nada igual! Sinto que eles gostam, sinto que estão gostando, parece que tratam como algo de extrema importância (e talvez para eles seja mesmo!), como se estivessem discutindo o fim do mundo. Por alguns segundos imagino como deve ser a vida do primeiro ministro por aqui.

Rapidamente, minha mente volta para o presente. Porém, minha atenção já não está mais ali, em observar o comportamento das pessoas e a dinâmica da discussão. Olho a natureza, o céu, respiro o ar puro e relembro por que estou nesse país de milhões de facetas, cores e cheiros. Devem ter sido mais de 5h-6h de reunião e nada de acordo.

O diretor de marketing de Dave diz que iguais a essa terão outras 10. Dou risada. Ele responde: estou falando sério. Me explica que o processo é lento, que as pessoas que poderiam tomar a decisão estão velhas e não conseguem vir até aqui, então, a família e suas várias ramificações (primos, cunhados, agregados de todo gênero), entram no jogo. Ele finaliza dizendo que nesse ramo, na Índia, para se ter sucesso é preciso ter paciência. Sim, concordo! E Dave aparenta ter de sobra.

Antes de terminar meu dia acompanhando o empreendedor Dave, ainda dirigimos outros 100 quilômetros dentro do “estado dos Reis”, o Rajasthan, rumo a Jaipur ou a Cidade Rosa, como é conhecida. Dave ainda entregaria alguns documentos para um cliente. Finalizamos o dia com um mini-tour por uma das cidades mais antigas da humanidade, mesmo sendo meia-noite, sua história e beleza são encantadoras.

Nunca esquecerei meu um dia na vida de um empreendedor indiano. Meus agradecimentos a Devendra Singh Parmar. Semana que vem postarei a entrevista com Dave. Onde ele compartilha sua experiência, erros e acertos, que são universais!

Até mais, Rafael

 

Você não é Tom Hanks em o ‘Náufrago’ e precisa planejar

30 de julho de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Planejar. Essa palavra vem nos perseguindo há algum tempo. É ela a resposta que encontramos para as dúvidas que ecoam em nosso escritório: aumentar a produção? atender novos mercados? exportar? criar novos produtos? De uma forma ou de outra, quando seu projeto começa a ganhar escala, não há como fugir dessas questões.

Semana passada, participei de um curso de planejamento estratégico promovido pelo Estadão PME com o professor Marcos Avó. Nos primeiros slides, Marcos cita a importante frase do professor Fábio Mariotto, da FGV “Estratégia define formas de como aplicar os recursos da empresa e explorar as condições do mercado para alcançar seus objetivos de longo prazo”

O professor, de uma forma sintética e objetiva, explica muito bem o papel do planejamento estratégico. Empiricamente, já vínhamos exercitando alguns conceitos no dia-a-dia de nossa fábrica, mas participar de um curso focado no tema é pra lá de necessário.

Digamos que é como rejuvenescer alguns anos. O raciocínio encontra novos caminhos para respostas que talvez jamais seriam encontradas, ou talvez nos custassem alguns milhares de reais por decisões equivocadas.
Você sabe qual é o tamanho do mercado que sua empresa atua? Quantos pontos de vendas são possíveis de atender a curto, médio e longo prazo? Qual é a capacidade produtiva hoje? Qual é o plano B em períodos de redução de demanda?

Se você ainda não fez perguntas como essas, então é hora de planejar.

Uma empresa sem plano estratégico é como atravessar o Oceano Atlântico em uma balsa de bambu sem orientação meteorológica. Você até consegue atravessar as primeiras ondas, mas quando encontra um grande oceano, a falta dessa ferramenta para prever os próximos passos, pode lhe custar a vida.

Lembre-se, você não é o Tom Hanks nem o Wilson. :-)

E o mais bacana de tudo isso é que a “vantagem competitiva” da sua empresa pode estar mais próxima do que você imagina. É só planejar.

Esse texto é em homenagem ao meu amigo Marcio Pires, que adora planejar.

Mussum, 20 anos após a morte, se transformou em marca de sucesso

29 de julho de 2014

Faz vinte anos hoje que o humorista Mussum faleceu. Expoente de um humor que certamente não teria espaço hoje, como destacou a colunista de televisão do Estadão Cristina Padiglione, Mussum ainda é muito lembrado pelos adultos que eram criança no auge dos Trapalhões, seriado exibido pela TV Globo aos domingos.

Mas Mussum é mais do que isso. Personagem único, Antônio Carlos Bernardes Gomes transformou-se também em uma marca muito forte. É o humorista que estampa, por exemplo, uma marca de cerveja artesanais produzida pela Brassaria Ampolis, empresa comandada por um dos filhos do ator, Sandro Gomes.

O empreendimento nasceu só no ano passado, mas o sucesso foi instantâneo. A ponto de Sandro garantir que pretendia um crescimento ‘aos poucos’ da marca, dando um freio na empolgação da mídia em torno do lançamento.

A marca, no entanto, extrapolou a cerveja. Um pouco mais adiante, o comércio virtual de camisetas – masculinas e femininas – Use Mussum abriu as portas.  O tempo, e só ele, vai dizer se essas empresas vão sobreviver com a mesma relevância do humorista, que até hoje faz parte do imaginário dos telespectadores. Mas o potencial é enorme.

O que me remete a última pergunta: por que ninguém ainda fez isso com os outros Trapalhões?

Daniel Fernandes é editor do Blog do Empreendedor e, como toda criança na década de 1980, parava na frente da TV de casa aos domingos para assistir Os Trapalhões.

Quando o nome limita o crescimento de uma empresa

29 de julho de 2014

Semanas atrás abordamos aqui no Blog do Empreendedor a importância de criar novidades para o mercado afim de fortalecer a marca e alavancar as vendas de um empreendimento. E no final da semana passada, decidimos realizar uma mudança muito importante para o futuro da Laticínios Pomerode, empresa que compramos há exatamente um ano com o objetivo de desenvolver uma linha de queijos especiais.

Leia: o negócio que jamais daria certo no Brasil

A partir de agora, ela se chama Alimentos Pomerode. Apesar de parecer apenas uma simples mudança no nome e no logotipo (e no site, em breve), ela reflete algo muito maior. Muitas vezes, um empreendedor acaba limitando suas possibilidades de negócio, e não raro é o próprio nome, a própria missão, enfim, as diretrizes estabelecidas para um empreendimento, que ajudam a engessar sua visão.

Como “Laticínios”, estávamos limitados aos produtos derivados do leite. Mas temos grandes oportunidades em outras áreas da alimentação e precisamos estar atentos e abertos a isso. Como Alimentos Pomerode, não apenas nós, mas toda a equipe que trabalha conosco, começa a pensar a empresa diante de novos horizontes de atuação.

Desde o início deste nosso empreendimento, um dos nossos desejos era se tornar uma referência em cultura queijeira no Brasil. Para isso, queremos, além de oferecer queijos muito especiais, desenvolver alimentos que harmonizem com esses produtos, como geleias, torradas e mel, além de acessórios como facas e tábuas. São produtos que pretendemos lançar aos poucos no mercado.

A diversificação de produtos é uma das melhores estratégias, na nossa opinião, para garantir a perenidade de um empreendimento. Nem todos os segmentos vão bem o tempo inteiro. Quando investimos em mais opções, em diferentes tipos de negócio, mesmo que um vá mal por um período, um outro compensa e, na média, a empresa mantém sua lucratividade. Claro que, eventualmente, se um produto só dá prejuízo, é inteligente repensar a sua viabilidade.

A Apple, por exemplo, há muito tempo deixou de ser uma fábrica de computadores e mudou seu nome de Apple Computers para simplesmente Apple. Na semana passada, quem acompanha notícias sobre negócios, foi surpreendido pela notícia de que a do bem, aquela fabricante de sucos com um conceito bem bacana, está lançando uma daquelas pulseiras que monitora as atividades físicas do usuário. Um movimento sem dúvida audacioso, mas alinhado com a ideia de ficar atento a oportunidades em outros segmentos. Confira a notícia aqui

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalhamna criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog doEmpreendedor

Porque a vida não é só trabalhar, trabalhar, trabalhar….

28 de julho de 2014

Confira neste post do Blog Amanda Viaja algo que deve fazer parte da rotina de todo empreendedor. Viajar é preciso, para deixar a cabeça leve. Para deixar as ideias aparecerem…e porque ninguém consegue apenas trabalhar.

Confira: http://blogs.estadao.com.br/amanda-viaja/viajar-deixa-as-pessoas-mais-felizes-do-que-bens-materiais/

Instagrafite: criação de perfil dá origem a negócio de alcance mundial

28 de julho de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e criador do Laboratorium

Art by Highraff

Essa semana o Instagrafite, perfil do Instagram criado pelo gaúcho radicado em São Paulo Marcelo Pimentel, alcançou a respeitável marca de 1 milhão de seguidores. Essa história, na minha opinião, merece registro, exposição e compartilhamento pois pode ensinar muito a quem quer empreender no mundo digital. É um caso de negócio iniciado com zero de investimento financeiro – mas com muita visão de negócio e criatividade e que tem alcance global.

O perfil foi criado de forma despretensiosa em 11 de outubro de 2011 “com a vontade de preencher um espaço no dia do Marcelo” conta a catarinense Marina Bortoluzzi, sócia e companheira no negócio e na vida. Mandei um e-mail a eles fazendo algumas perguntas pois eu conhecia um pouco o negócio, iniciado com a criação de um simples perfil na rede de fotos. Também estivemos juntos em Austin, Texas, no festival South by Southwest  (SXSW) em março último e tivemos a oportunidade de trocar algumas ideias, porém ainda precisava de mais informações para escrever esse post.
“Sempre curtimos arte de rua e tirar fotos, dávamos rolês por São Paulo capturando clicks de artes pelas ruas”. Marina acha que o projeto, por ter sido iniciado sem intenção “se torna mais genuíno, mais verdadeiro com a nossa essência e acima de tudo, feito com amor”.

Além do bom gosto dos criadores, eles tiveram uma sacada: por meio do uso da hashtag #instagrafite passaram a colher colaborações de admiradores de arte de rua por todo o mundo, incentivando o crowdsourcing de registrar o melhor da arte de rua no mundo.  “No começo, a colaboração tinha dia específico, depois resolvemos abrir para todos os dias, sempre creditando artistas e fotógrafos colaboradores, o que faz da gente uma galeria virtual. Recebemos as fotos por e-mail, inbox (no Facebook, Instagram e Google+) e por whatsapp. E o mais legal é que além de graffiti lovers pelo mundo que nos enviam fotos, hoje recebemos imagens de todos os artistas, que terminam seu trabalho e nos enviam logo em seguida para postarmos.”

Art by Snek

OK, mas fazer “sucesso” na rede é uma coisa. Transformar isso em negócio é outra. Muitos são os casos de pessoas que se tornam famosas no mundo virtual mas não conseguem ganhar um tostão com isso. Como isso virou um negócio?
“Viramos um negócio no segundo ano do Instagrafite, quando eu, Marina, realmente entrei de cabeça na história. Desde o começo estava junto, mas no segundo ano que abrimos nosso CNPJ, nos constituímos como uma empresa e sociedade”.

E como isso vira dinheiro?  Quais os modelos de negócios que sustentam a empresa?

Marina explica que hoje eles priorizam quatro frentes:

- O Instagrafite hoje é um canal de mídia. “Chegamos a mais de 1 milhão de seguidores, amplificamos a divulgação de um festival ou evento e alcançamos uma audiência de massa, ainda que de um segmento ‘nichado’, para marcas que se relacionam com o nosso público e lifestyle. Somos convidados a frequentarmos e cobrirmos os festivais de arte de rua do mundo (calendário que existe no mundo todo e que grandes artistas frequentam). O último que cobrimos foi o Mural Festival, em Montreal, no Canadá”.

- Curadoria criativa. A equipe pode sugerir, a pedido de diferentes marcas, os melhores artistas para um trabalho, fazendo curadoria, coordenação e acompanhamento do começo ao fim do projeto. “Neste modelo já trabalhamos para a Levi’s e mais recentemente com a Red Bull”.

- Produção de conteúdo. O Instagrafite também produz conteúdo voltado ao universo da arte de rua. “Ano passado, viajamos pela Europa, sob o olhar da arte de rua, para a marca de viagens Busabout”.

- Produtos próprios. Eles hoje de dedicam a criação de produtos próprios e buscam inovar dentro deste cenário com itens que possam somar na vida das pessoas, das cidades e dos artistas. “Esses produtos vão do simples ao complexo. Criamos o RUA, curso de arte de rua com a Perestroika; temos camisetas, acessórios e gravuras pela Station16 de Montreal e adesivos e smartphone cases pela StickerApp, da Suécia; E nosso aplicativo de street art chega em setembro na Apple Store.

Art by Paulo Ito

Para o futuro, a dupla pretende ter, já em 2015, oito projetos próprios: continuar o curso com a Perestroika, impulsionar o aplicativo Markr com sócios de Los Angeles e ter mais seis novos projetos que não querem revelar ainda –  além de manter aquilo que vem sustentando a empresa.

Para finalizar, aproveitei para perguntar a eles quais as dicas eles desejariam compartilhar com o empreendedores que lêem esse blog. As respostas foram:

Busque oportunidades e possibilidades através de um nicho que precise de revitalização ou de inovação dentro e fora da web.

Seja rápido e trabalhe em versão beta.

Escute sua audiência e promova interação.

Go with the flow!

As imagens que ilustram esse post foram gentilmente enviadas por eles e registram homenagens recebidas por artistas e admiradores da marca around the world pelo primeiro milhão de seguidores.PS – E você, que leu esse post até aqui, o que achou dessa história? Conhece outras histórias e personagens que empreendem nas redes e que merecem ter suas histórias compartilhadas? Aguardo seus comentários ou email menta@laboratorium.com.br. E até a semana que vem.

 

Música indie embala aulas de ginástica em Manchester

25 de julho de 2014

O candidato ouve a todo o momento que é preciso ser diferente. Diferenciar seu negócio dos demais, principalmente se você atua com um tipo de negócio possível a todos – um restaurante, uma lanchonete, um bar, uma livraria…a lista é imensa. E inclui também as academias.

Recentemente, no Brasil, as academias buscavam se diferenciar pelo preço – surgiram negócios que apostavam em mensalidades menores do que o habitual para atrair o potencial cliente. Mais ou menos na mesma época, surgiu a diferenciação por segmento – academia só para mulheres, só para adolescentes…a lista também começou a ficar grande.

Agora, essa diferenciação atingiu um novo patamar. De acordo com o site Springwise, uma interessante plataforma de busca de novos negócios ao redor do mundo que vale ser consultada por todo mundo que é empreendedor, um negócio de Manchester, na Inglaterra, promete aulas regadas ao melhor da música Indie.

Isso mesmo. Aquela música meio estranha, meio moderna, meio retrô, meio difícil de definir até, ganhou uma nova função: embalar os exercícios daqueles que precisam de um estimulo para se exercitar. Na seleção das música, segundo o Springwise, podem estar bandas que nasceram – e por isso mesmo – são muito famosas em Manchester: New Order, Oasis e até mesmo Smiths.

Se você se interessou pelo modelo de negócios, consulte o site da empresa.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e só faz exercícios escutando música. O que? Você quer saber minha playlist para exercícios? Ramones, Bruce Springsteen, Pearl Jam……

O negócio americano que tem Google e GM como investidores e que jamais daria certo no Brasil

25 de julho de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Você deixa seu carro no estacionamento do aeroporto e pega o seu voo dando início a sua viagem de dois dias. Aí vem um sujeito esperto, pega o seu carro e o usa durante o tempo em que você está fora. Quando você volta, seu carro está lá, do mesmo jeito que deixou no estacionamento, que, por sinal, cobrará um valor bem menor já que o seu carro não ficou mesmo estacionado por dois dias.

No dia seguinte, você vai trabalhar com seu mesmo carro. Deixa no seu estacionamento de costume e… vem outro espertinho, pega o seu carro, o usa durante o dia inteiro e também o deixa do mesmo jeito e no mesmo local antes que você saia do seu trabalho. Você pega o carro e vai para casa, mas antes recebe o aviso do depósito de algo como R$ 70 na sua conta paga pelo outro espertinho que usou seu carro neste dia.

É isso o que ocorre normalmente com os clientes da RelayRides.com aqui nos Estados Unidos, onde me encontro hoje. Boston é linda em julho, mas o inverno de 2010 estava destruindo o bom humor de Shelby Clark, na época, aluno do MBA de Harvard. Enquanto ia de bicicleta pegar um carro que tinha alugado, ficava se perguntando por quê passava por tantos carros que não estavam sendo utilizados. E ficou com isso na cabeça. Suas pesquisas iniciais indicaram que um carro ficava estacionado, em média, 23 horas por dia e que havia 1,2 carro para cada motorista nos Estados Unidos. Havia muita ociosidade dos automóveis.

Não havia um jeito de ter acesso a esses carros particulares e fazer com que seus donos ainda recebessem por isso? Será que as pessoas querem ter carros ou meios de locomoção eficientes, principalmente em Boston que tem um trânsito intenso nos horários de picos de manhã e no final da tarde?

São essas duas perguntas que orientaram a criação da RelayRides.com, um serviço online onde proprietários de veículos colocam seus carros para locações curtas e pessoas que precisam se locomover sem depender do transporte público podem ter acesso a automóveis pagando até um terço de uma tarifa de locação normal. A empresa começou em Boston, depois São Francisco e agora atua em todo o país.

Desde 2010, já recebeu cerca de US$ 44 milhões de investidores como Google e General Motors, que chancelam o potencial do negócio. Esses investidores apostam na tendência mostrada por Jeremy Rifkin, autor do livro “A Era do Acesso” (Makron Books) a mais de dez anos atrás, quando previu que o mais importante no futuro não seria a posse mas o acesso a um bem ou serviço.

Mas mesmo assim, todos os brasileiros a quem mencionei o caso da RelayRides foram unânimes no inicio dos seus comentários: “Isso não daria certo no Brasil…”

Mas por quê não daria certo? Porque ninguém teria coragem de deixar que um desconhecido use algo seu, principalmente, um bem tão caro Porque teriam medo do carro não voltar e se voltar, vier sem algo, como o popular estepe. Porque se ocorrer algum sinistro o seguro não vai cobrir e adicionalmente irá aumentar o valor da apólice na próxima renovação. Porque o carro pode voltar com algum riscadinho, sujo ou até com cheiro de sei lá o que… Porque o carro pode não ser devolvido no horário e local combinado. Foram algumas das argumentações dadas para explicar porque a RelayRides não teria sucesso…. nos Estados Unidos.

Enquanto pensarmos pequeno, continuaremos a ser do tamanho que achamos que somos.

Seja original sempre! As lições (ainda que tardias) da Alemanha para os empreendedores

24 de julho de 2014

O Estadão PME realizou na quinta-feira, dia 24 de julho, mais uma edição de seus cursos para empreendedores. Durante a aula, falou-se muito sobre planejamento. E a importância de preparar sua empresa. No final, quando o evento já havia acabado, um dos participantes me abordou e fez uma provocação. Do bem, diga-se. ‘Fiquei pensando. E a seleção da Alemanha, o que ela pode ensinar aos empreendedores?’

Na mosca.

Sei que a Copa do Mundo já acabou faz algum tempo – uma eternidade, na verdade, para os fãs do esporte mais popular da terra. Mas topei o desafio de tentar escrever sobre o assunto.

Planejamento eficiente
Falando nele, ele aparece. Uma das explicações para o sucesso da seleção alemã no Mundial foi o planejamento. A federação germânica decidiu ficar concentrada na distante Santa Cruz Cabrália. Para isso, construiu seu próprio hotel, de acordo com suas próprias necessidades. Muitos pontos a favor dos nossos rivais, que no entanto, não decidiram pelo local à toa. Os três primeiros jogos da seleção foram em localidades com clima muito semelhante ao de Santa Cruz – Salvador, Fortaleza e Recife.

Tempo de maturação é fundamental
O técnico da seleção da Alemanha no Mundial, Joachim Low, era auxiliar da equipe na Copa de 2006. Quando o torneio acabou, ele assumiu o comando. Fracassou na disputa quatro anos depois, na África do Sul. Mas foi mantido no cargo. Advinha o que aconteceu. Low tinha o time na mão e fez dele o campeão do mundo.

Descontração x trabalho sério
Quando os primeiros jogadores da Alemanha foram vistos dançando com índios, pulando alegres com moradores locais vestindo da camisa do Esporte Clube Bahia e se divertindo na praia de maneira geral, muitos torcedores pensaram: ‘Ah, os gringos vieram para se divertir’. O engano não poderia ser maior. A estada dos germânicos no País foi repleta de treinos secretos e de muito trabalho. Havia tempo para tudo. Para a diversão, mas também para o trabalho que levou o elenco ao sucesso.

Seja original
Também chamou a atenção, como estratégia, as divulgações pra lá de descontraídas de momentos íntimos dos jogadores em seus redes sociais particulares e nas contas da federação alemã de futebol. Nada mais do que estratégia, bem-feita diga-se de passagem, de cativar os torcedores. O que pouca gente se deu conta é que toda estratégia iria por terra caso não houvesse originalidade, autenticidade por parte do elenco.

Ou você acha que o Podolski estava odiando tudo aquilo.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME, adora futebol e, claro, demorou muito para traduzir a conquista da seleção da Alemanha e post de ajuda aos empreendedores

Uma típica reunião empreendedora na Índia…pavão e rei mediador

24 de julho de 2014

Rafael Mambretti é empreendedor em São Paulo, mas resolveu passar um período sabático na Índia. É de lá que ele escreve toda semana.

Se você não leu o post da semana passada, leia! Ele te ajudará a entender melhor o meu dia na vida de um empreendedor indiano. Recapitulando, acabamos de sair de um prédio que havia sido tomado pela população local por conta da venda de terras que não foram 100% pagas pela empresa que as comprou. Obviamente fiquei surpreso, mas não pela posse a força, mas sim pela razão. A população local não deixou quieto, é simples: não vai pagar? Então vamos tomar o seu prédio até que tudo seja resolvido.

Após a reunião no prédio, seguimos viagem para algumas horas depois (não use o Brasil como referência. na Índia 200 quilômetros podem significar quatro horas de estrada) chegarmos ao nosso (suposto) destino final. Particularmente, esperava chegar as terras onde o primeiro grande empreendimento da Ojaswini estaria, mas ao invés disso chegamos a um hotel; segundo Dave trata-se de uma propriedade do governo indiano.

Passados alguns minutos, uma pessoa que aparenta trabalhar para Dave veio nos encontrar. Comemos algo rapidamente e fomos seguindo o mais novo membro da nossa pequena comitiva. Não muito longe do hotel saímos da estrada e entramos naquilo que parecia ser uma grande propriedade particular.

O local era bem calmo, tranquilo e estava muito calor, mas naquele belo lugar, em meio ao silêncio da natureza e as sombras das árvores, já não fazia mais diferença se estava calor ou não. De repente avistei um pavão! Nunca tinha visto um assim, ‘solto’ na natureza! Vemos no zoológico, mas nunca em sua plena liberdade.

Fiquei encantado! Pedi e pararam para que eu pudesse tirar fotos.Um pouco mais para frente, chegamos em meio a duas grandes casas (descobri depois que as casas tinham mais de 200 anos) e algumas pessoas já estavam por ali. Mal sabia eu que estava para começar a mais longa e estranha (para a minha mente ocidental, claro) reunião da minha vida.

Havia cerca de 6 pessoas sentadas – ao ar livre – em cadeiras de plástico comum. Nos foi oferecido água e logo o bate- papo iniciou-se. Boa parte do tempo Dave, assim como as pessoas presentes, direcionavam seus argumentos para um dos homens sentado. Aparentemente não havia nada que poderia destacá-lo dos demais: não era mais velho, suas roupas não eram diferentes das dos outros, então, passou pela minha cabeça que ele era o chefe (assim como na outra reunião) do pessoal da vila, mas ao mesmo tempo não parecia ser, minha mente limitada não conseguia resolver este pequeno enigma.

Após 20 minutos de conversa, sem mesmo saber Hindi (língua falada nessa região da Índia), era perceptível um impasse. Parecia que a reunião não fluía, durante esses 20 minutos alguns participantes faziam e recebiam ligações. A resposta da minha indagação seria respondida, mais pessoas começaram a chegar em motos (sem capacete, diga-se de passagem) e o que eram 6 pessoas que não chegavam a um consenso agora passariam a ser 10.

Mesmo com o reforço, a dinâmica continuava a mesma, todos miravam a mesma pessoa para trazer seus argumentos, mas esse enigma ainda seria respondido.  Deus intervém, o que todo mundo estava desejando e pedindo acontece: chuva! E das boas! A reunião é interrompida, vamos para uma parte coberta, um lustre bem antigo me chama a atenção, vale uma foto.

Foi o estilo do lustre que me levou a questionar quantos anos as casas tinham. A resposta? Mais de 200 anos e faziam parte de um antigo reino que existiu na região. Não bastasse a surpresa da idade das casas, Dave continua e me informa que o homem a que todos se dirigem na conversa nada mais nada menos é do que uma pessoa da linhagem do antigo rei da região, por isso é bem respeitado e está fazendo o papel de mediador na reunião.

Imagina!  Semana que vem é o desfecho!

Não perca o fim da trilogia de um dia na vida de um empreendedor indiano, e que dia!  Namastê, Rafael