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Itaipu inova e lança chamada para incubaceleração

30 de junho de 2014

Marcelo Pimenta é professor de inovação da ESPM

A cultura startup vem afetando não só as empresas, mas todo o ecossistema empreendedor.  Vem de Foz do Iguaçu uma das novidades nesse cenário: a incubadora Santos Dumond, que faz parte da Fundação Parque Tecnológico de Itaipu. A instituição é pioneira em lançar um processo de incubaceleração.

“Entendemos que a aceleração é um processo complementar a incubação, nada mais normal do que trazermos uma aceleradora para nosso processo” explica o gestor do projeto, Hedryk Daijó.

“Com esse novo modelo vai ser possível ter uma visão mais global de atuação das nossas empresas, principalmente no mercado de startups – que é muito dinâmico. Além disso, aumentamos nossa rede de investidores e mentores, que passa a ser compartilhada. Outro ponto importante é que através da parceria com a aceleradora temos maior ação na administração das empresas por meio da compra de cotas de participação e consequentes investimentos financeiros aportados”, diz Daijó.

A mudança marca o resultado de um processo de reinvenção do modelo da incubadora. Já no ano passado, conceitos e ferramentas do “novo jeito de criar negócios” (modelo de negócios, lean startup, desenvolvimento do cliente, pitch, cocriação) já foram incorporados ao processo de pré-incubação, numa prototipação do que é esse novo modelo de incubaceleração.

A incubadora do Parque Tecnológico de Itaipu iniciou suas atividades em 2006 e já atendeu aproximadamente 120 projetos nas etapas de entre qualificação, pré-incubação e incubação.  Estar em Itaipu significa fisicamente trabalhar numa área de preservação natural incomparável, estar inserido num super ambiente, onde cultura de alta tecnologia e inovação e aliança com a academia dão acesso a inúmeras oportunidades de negócios. Além do fato da localização estratégica de Foz do Iguaçu, “capital das três fronteiras”, no coração do Mercosul.

Treze empresas já foram graduadas e o índice de sobrevivência desses negócios é de 90% (muito superior à média de mercado). Atualmente oito empresas estão incubadas já com metodologia desenvolvida no ano passado e a intenção é que esse edital selecione mais 25 projetos para desenvolvimento na pré-incubação. Os dez melhores serão incubados junto com a aceleradora Start You Up de Vitória (ES).

O link para inscrição está aqui e o prazo se encerra em 13 de julho. Além de todas as ações previstas no programa para qualificação das selecionadas, haverá um incentivo de R$ 10.000,00 ao primeiro colocado para a fase de Incubação.

 

Nunca trabalhou na vida? Mais empreendedorismo, menos Rivotril

27 de junho de 2014

Marcelo Nakagawa é professor do Insper

“Qual é a ideia de negócio de vocês?”, perguntei. “Uma bala calmante”, responderam. “Bala calmante?”, retruquei, não entendendo muito bem. “Sim, uma bala com propriedades calmantes. Para pessoas muito estressadas, que trabalham muito e em empresas que cobram demais… Como a gente”, complementaram. “Assim”, disse uma das moças, “eu tomo menos Rivotril”. “É verdade”, concordaram as outras duas. “Lá onde trabalho, quase todo mundo toma Clonazepam”, voltou a dizer a moça do Rivotril.

Dei uma risada meio sem graça, mas não perguntei o que eram aqueles termos com nomes de remédio. Devia ser algum tipo de Maracujina. Só consegui lembrar o nome fantasia e seu princípio ativo quando vi uma capinha de celular com a estampa do Rivotril dias depois. Já tinha visto capinhas coloridas, de personagens ou retrôs. Mas com embalagem de remédio, e ainda tarja preta, era a primeira vez. Pesquisando na internet, descobri que é o 2º remédio mais vendido no País. Em 2010, foram consumidos 2,1 toneladas de Rivotril no Brasil, o que nos coloca como campeão mundial nesta categoria.

Fiquei pensando neste País em que as pessoas precisam tanto assim de calmantes. E lembrei que eu também tinha o meu que fica na cabeceira da minha cama. É uma automedicação, mesmo sendo indicada por vários terapeutas. Chama-se “Viktor Frankl e o princípio ativo Logoterapia”, sua história de vida, depois retratada em “Em Busca de Sentido” (Ed. Vozes, 2009), seu livro mais conhecido. A obra conta suas motivações para manter-se vivo nos campos de concentração nazista durante a 2ª Guerra Mundial.

Mesmo diante das maiores maldades da humanidade, mesmo diante das absurdas dificuldades diárias, Viktor Frankl ainda encontrava motivações para acordar todos os dias. No livro, ele explica que “apesar de que as condições, tais como a falta de sono, alimentação insuficiente e várias tensões mentais podem sugerir que os presos eram obrigados a reagir de determinadas maneiras, em última análise, torna-se claro que o tipo de pessoa que o prisioneiro se tornou foi o resultado de uma decisão interior, e não o resultado de influências do acampamento sozinho”.

O que Frankl defende é quando encontramos nosso verdadeiro propósito de vida, todos os outros problemas se tornam paisagem. “Todos têm sua vocação ou missão na vida. Todos deveriam executar um trabalho concreto que tenha grande significado pessoal. Desta forma, esta pessoa não poderia ser substituída já que seu propósito seria tão único quanto a sua oportunidade de transformá-lo em realidade”.

Pessoas que pensam e agem assim se tornam empreendedores de suas vidas. Passam a ter missão, visão, valores, planos, objetivos, indicadores e metas. Muitos ainda conseguem alinhar seu propósito de vida a uma oportunidade de negócio.

Desde a infância, Rolim Amaro sonhava em voar assim como seu tio, piloto de avião no interior de São Paulo. Trabalhou, juntou dinheiro, fez curso de pilotagem e se tornou piloto. No início, fazia de tudo, até transportar gado em seu avião na Amazônia, pois sabia que tinha nascido para voar. Anos depois se juntou a TAM e, com o tempo, se tornou seu principal empreendedor. Aquele sorriso que abria quando esperava os passageiros no tapete vermelho na entrada da aeronave não era só para os seus clientes, era de satisfação por estar cumprindo um propósito de vida que era só dele.

“Só trabalha duro, no sentido da palavra, quem não gosta do que faz. Por isto, graças a Deus, nunca precisei trabalhar”, ele costumava dizer. As moças saíram muito animadas com a ideia do propósito das balas calmantes. E eu já estou ansioso para ver o produto no mercado. Acho que, para ser franco, de vez em quando, vou precisar de algumas…

Índia é a terra dos empreendimentos pequenos e familiares

26 de junho de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Namastê!

A chuva cai (bem) forte no lado de fora, castigando os Himalais e seus lindos picos de neve que capturam nossa atenção (praticamente impossível pensar em algo ao contemplá-los). Eles estão agora escondidos atrás de uma cortina cinza. Está chegando o período das monções na Índia e, dizem, que chuvas como essa é só o aperitivo.

Já escrevi aqui sobre encontrar nosso propósito, não só como empreendedor ou profissionais, mas principalmente como seres humanos. Por que estamos aqui? Por que tem dias que nos sentimos felizes e dias que nos sentimos tristes?São quase 2 meses que estou nesse país que alimenta lendas e mitos milenares. Dizem que a Índia é o país mais antigo do mundo, tenho visto e sentido coisas que me confirmam isso. Vim para me aprofundar na meditação, conhecer-me melhor e conhecer mais o divino. Como esse é um blog de empreendedorismo e não de auto ajuda ou de esoterismo, vamos mudar de assunto e falar um pouco do que tenho visto em relação a empreender.

Existe um choque de titãs acontecendo na Índia há alguns anos. A tradição milenar, as diversas religiões versus o estilo do ocidente, mais precisamente, americano e europeu. O país, principalmente nas grandes cidades, vive em constante obra. Prédios gigantes de escritórios e residenciais são paisagens certas em uma cidade onde anos atrás os prédios dificilmente ultrapassavam cinco ou seis andares.

A palavra “luxo” é presença certa em quase todos os outdoors do país. Nesses momentos sou grato pela Lei “Cidade Limpa” de São Paulo. Por aqui, é tanto outdoor e propaganda que se você não se policiar, ficará com dor de cabeça com tantas armadilhas para capturar sua atenção e seu dinheiro.

Noto que existe espaço para o “novo” e para o “velho” ainda, muitos empreendimentos são pequenos e, principalmente, familiares. Existem muitos negócios voltados para pessoas afinal, estamos falando de um país com mais de 1 bilhão de habitantes. Nos próximos posts darei mais detalhes sobre os negócios, as marcas e o que vejo de empreendedorismo por aqui. Nossa mente de empreendedor está sempre buscando, analisando e testando oportunidades, mesmo que estejamos a mais de 1000m de altitude.

Shanti (Paz),

Rafael

Time que está ganhando não se mexe? Mexe sim

25 de junho de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

É importante seu negócio estar em constante evolução. E, quanto mais você se empenhar no andamento desse processo evolutivo, mais resultados positivos sua empresa alcançará em pouco espaço de tempo. A princípio, trata-se de um clichê. Mas nem sempre clichês são tarefas simples de serem alcançadas.

Assim, aproveitando novamente a temática Copa do Mundo de futebol, em que sempre surge aquela dúvida: time que está ganhando não se mexe? Eu achava que sim. Muitos dos jogadores ficam cansados no meio da partida. Então não é melhor se antecipar a um eventual desastre ou pane na equipe?

Quando começamos a distribuir nossos produtos na cidade de São Paulo, hoje nossa principal praça, não tínhamos audiência suficiente para conseguir um bom distribuidor, com gás financeiro e foco em nosso produto. Precisávamos alcançar rápido uma base de clientes para aumentarmos volume de produção. Afinal ter um parceiro desse naipe é a premissa básica de uma fábrica. E, para complementar e complicar, começamos a partida com um aparentemente gol contra: era o produto mais caro do segmento.

A nossa solução foi montar equipe própria de vendas e distribuição, mesmo que lá, na ponta do lápis, a conta não fechasse. Tínhamos a clara certeza de que esse era um dos principais investimentos enquanto marca no mercado.

Precisávamos convencer o varejo de que nosso projeto era viável, que teríamos adesão das pessoas e seria possível mudar esse placar. Montamos um ponto de apoio na cidade de São Paulo e estruturamos a equipe. E, mesmo com o distância de nossa fábrica de quase 350km, conseguimos colocar o projeto na rua e evoluir rapidamente.

Quando chegamos a ter entre seis e sete entregas diárias de pedidos e a necessidade de verticalizar mais a estrutura para melhorar, percebemos que havíamos alcançado nossa meta: ter audiência que atraísse um bom distribuidor.

Nessa vida tudo se conquista. Você só precisa saber como. Hoje migramos toda nossa base comercial para equipe terceirizada. E fazer essa mudança foi uma das melhores escolhas que fizemos no último semestre. Com este novo processo, passamos a economizar energia. Com isto, melhoramos nosso foco de negócio e fortalecemos aquilo que sabemos fazer melhor: fabricar produtos calientes para novos não menos calientes fãs. Time que está ganhando não se mexe? Mexe sim.

Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.

Prevendo o imprevisível (o exercício necessário de vislumbrar as ameaças a um negócio)

24 de junho de 2014

Banda se apresentando no The Basement após quase um ano sem música ao vivo

Todo empreendedor precisa lidar, em alguns momentos ou até constantemente, com ameaças que estão fora do seu controle. Sejam mudanças na legislação, nas políticas governamentais e no comportamento do consumidor, ou ainda contaminações, revoluções científicas, quebras de safras e crises financeiras globais, é difícil prever o que pode, num futuro imediato ou distante, prejudicar e até mesmo destruir seu negócio.

Mas tentar prever quais são as ameaças externas é um exercício necessário e a última das seis perguntas que procuramos responder sempre que decidimos empreender.

É provável que a maioria dos nossos leitores aqui no Blog do Empreendedor não acredite em videntes. Nós também não. Preferimos acreditar nos resultados de pesquisas e dados disponíveis no mercado, na contratação de consultores especializados e na observação de tendências. A intuição, é claro, tem o seu papel. E diante de uma possível ameaça que poderá se tornar real é preciso questionar: há algo a ser feito para contornar o problema? Com criatividade e esforço a resposta quase sempre será “sim”. Muitas vezes a solução passa por uma completa reinvenção do negócio.

Mesmo assim, algumas ameaças são imprevisíveis. Passamos por um momento muito difícil com o The Basement, nosso gastropub emBlumenau (SC), após o incêndio acontecido em janeiro de 2013 na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), quando mais de 200 pessoas morreram.

Como resposta à sociedade, as autoridades imediatamente enrijeceram a fiscalização de bares e restaurantes como o nosso, criando várias novas exigências de segurança. Até aquele dia, tínhamos todos os alvarás, licenças e itens de segurança exigidos para funcionar. De repente, não podíamos mais colocar bandas para tocar ao vivo, um problema que se arrastou por quase um ano. Para voltar, precisávamos construir uma saída de emergência – algo não tão simples quando seu estabelecimento fica em um porão de um prédio histórico. Chegamos a repensar totalmente o The Basement, mas felizmente encontramos um lugar para abrir uma nova porta.

Há muitas ameaças que podem representar o fim de empresas e até mesmo indústrias inteiras. A evolução tecnológica está por trás de boa parte delas. Ao empreendedor, resta amissão de se reposicionar para sobreviver. É só pensar em casos como a italiana Olivetti, famosa pelas suas máquinas de escrever, a Kodak, que ainda passa por um momento muito difícil, e a Xerox, que virou sinônimo de “fotocópia” em todo o planeta mas quase quebrou na década de 1990.

Mesmo buscando se reinventar, essas três empresas nunca mais chegaram perto de ser A Xerox, A Kodak e A Olivetti que um dia foram. Mesmo gigantes, não conseguiram reagir bem às ameaças que surgiram pelo caminho.

Ameaças são um dos quatro pontos da famosa tabela SWOT, um dos métodos mais utilizados por empreendedores para analisar o mercado. Além das Ameaças – a última letrada sigla (Threat em Inglês) -, a tabela SWOT procurar listar ainda as Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses) e as Oportunidade (Opportunities) de um determinado negócio.

A título de exemplo, há cerca de um ano publicamos no nosso blog, o Diário do Queijo, uma dica que trazia uma análise para nossa ideia de montar uma fábrica de queijos especiais.

Com o artigo de hoje, completamos uma série sobre as seis perguntas que procuramos responder antes de empreender. Se você perdeu alguma das outras cinco, aqui vai mais uma oportunidade:

1. A idéia é pioneira? Ou como diria Steve Jobs: ‘Esteja sempre faminto, seja sempre um tolo’

2. O restaurante que durou menos de um ano (a história de um negócio e seus erros)

3. Faça três cenários: realista, otimista e pessimista. E fique sempre com o último!

4. Nem sempre é você quem define seu público-alvo

5. A concorrência quer te matar

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

O Canvas do Modelo de Negócio: aliado do empreendedor inovador

23 de junho de 2014

Marcelo Pimenta é professor de Inovação da ESPM

Entender a importância dos modelos de negócios é algo fundamental para todo o empreendedor. Num mundo em que a velocidade das mudanças é cada vez mais acelerada, assim como não controlamos os aspectos externos que afetam nossa empresa (macroeconomia, concorrentes, novos entrantes, oscilações do mercado, consumidor cada dia mais exigente…), torna-se imprescindível ter capacidade de entender / ajustar / adaptar / mudar / inovar no modelo de negócios para sobreviver e crescer.

Essa difícil tarefa se torna mais palatável se usarmos uma ferramenta visual que facilita esse processo de concepção / criação / mapeamento / repensar / reinventar o modelo.  Desde 2010, com o lançamento do livro “Business Model Generation”, de Alex Osterwalder & Ives Pigneur, o Canvas (ou em português O Quadro) vem se afirmando como principal aliado do empreendedor que quer aperfeiçoar seu Modelo de Negócio.

O tema é extenso, apaixonante e abrangente (e vamos nos referir ainda muitas vezes ao Canvas nesse blog), por isso é importante conhecermos os nove blocos para entender como a combinação deles pode facilitar a criação de uma empresa única, que oferece um valor percebido para um ou mais segmentos de clientes:

1.    Proposta de valor: Qual é a razão, o motivo pelo qual as pessoas adquirem seus produtos e serviços? Qual dor você está resolvendo? Qual o motivo que os clientes compram seus produtos e serviços?

2.    Segmento de Clientes: Quem são os clientes?  Possuem um perfil específico? Como estão agrupados? Onde estão localizados? Há uma necessidade comum a eles?

3.    Canais: De que forma seus produtos ou serviços vão chegar até os clientes?  Como eles encontrarão / vão interagir com seus produtos ou serviços?

4.    Relacionamento com Clientes: como fazer para conquistar e manter uma boa relação com os clientes, para ampliar as vendas e para que eles não troquem o negócio por um concorrente ou substituto?

5.    Receitas: quanto e como os clientes vão pagar pelo que vai ser oferecido.

6.    Recursos Principais: quais os recursos necessários para realizar a proposta de valor, o que é preciso para fazer o negócio funcionar.

7.    Atividades Principais: quais as ações necessárias para a realização da proposta de valor, ações importantes para realização do negócio.

8.    Parceiros Principais: identificação dos fornecedores e outros atores que irão apoiar a realização da proposta de valor, aliados para otimizar e reduzir os riscos do negócio.

9.    Estrutura de Custos: quanto vai ser gasto na realização da proposta de valor, quais os custos envolvidos para operação do negócio.

Os nove blocos possuem uma relação entre eles, sempre considerando a proposta de valor, que está localizada exatamente no meio do quadro.  Há várias maneiras e características de usar esse quadro, e vamos ainda falar sobre isso por aqui.

Por enquanto, para quem está conhecendo pela primeira vez essa ferramenta, sugiro que acessem a cartilha que desenvolvi para o Sebrae Nacional e que detalha o uso do Quadro de Modelo de Negócio – http://tinyurl.com/cartilhaquadro.

Ou ainda podem assistir ao vídeo que tenho no YouTube que gravei para o programa Alma do Negócio, onde explico passo a passo como construir um Canvas -  http://tinyurl.com/entrevistamenta. No CIC ESPM há um curso presencial que recomendo muito, sob a liderança da Guta Orofino e do Renato Nobre. Mais informações aqui.

Quem já conhece o Quadro, deve sempre usá-lo como aliado para criar novas hipóteses para diferenciar e inovar no modelo. Lembre-se que um Canvas na parede e uma mente aberta a novas ideias podem ser importantes passos para visualizar a inovação no seu negócio. Vamos ainda falar mais sobre como fazer isso.

A mensagem do criador do Waze é clara: o Brasil é um País de oportunidades

20 de junho de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Ontem conheci o Uri Levine, criador do Waze e aproveitei para agradecer as inúmeras horas (talvez até dias) da minha vida que ele me devolveu ao não desperdiça-las no trânsito insano de São Paulo.  E depois me lembrei de outro empreendedor que também veio ao Brasil, Niklas Zennström, criador do Skype, que também tinha agradecido pelo dinheiro que economizei e com as oportunidades que tive para conversar com meus amigos e familiares gastando pouco ou nada.

Muitos ainda não se dão conta sobre a importância dos empreendedores para o desenvolvimento da sociedade. Para estes, a ficha ainda não caiu.

É claro que os negócios criados pelo israelense Levine ou pelo sueco Zennström são incríveis. Mas há 190 anos, as notícias eram enviadas por cavalo. Em 1825, o Samuel estava em Washington, fazendo algumas pinturas no Capitólio, o prédio da assembleia legislativa dos Estados Unidos quando recebeu notícias que sua esposa estava gravemente doente. A mensagem tinha demorado três dias para chegar até ele. Quando finalmente chegou em casa, sua esposa já havia falecido e sido enterrada. Inconformado, prometeu que criaria uma solução mais rápida de transmissão de informações. Anos mais tarde, Samuel Morse criou uma solução eficaz de telégrafo e em seguida, fundou a Magnetic Telegraph Company. Graças a Morse, uma mensagem que demoraria 20 dias para cruzar o Atlântico chegava agora poucos segundos depois do envio.

Há muita controvérsia sobre quem criou o telefone, mas Alexander Graham Bell conseguiu a primeira patente em 1876. Mas um ano antes, já prevendo o sucesso do seu invento, Bell se juntou a dois sócios investidores para criar a American Telephone & Telegraph Corporation (AT&T). Bell sabia o problema que resolvia e a oportunidade que isto representava.

Mas como ocorre com a maioria das inovações, o telefone ainda era caro em 1880. Mas não foi o preço, mas o descaso da empresa em que trabalhava que levou William Gray a empreender. Ele era operário em uma fábrica que se a emprestar o telefone para que Gray chamasse um médico para uma situação de emergência que esposa passava. Incomodado com situação, ele patenteou a ideia de um telefone que aceitasse moedas e, seguida, fundou a Gray Telephone & Pay Station, a primeira empresa do mundo a oferecer serviços telefônicos em locais públicos.

Como os telefones de Gray ficam em locais abertos, um problema no sol forte do verão e no frio do inverno, George Tilles teve a ideia de criar cabines telefônicas. Assim, em 1887, fundou a PAN Telephone Company. Além de mais confortáveis, o serviço usava fichas telefônicas que eram recebidas por um atendente. A ideia das fichas foi bem recebida e três anos depois já eram aceitas nos telefones públicos.

O problema de ficha é que eram fáceis de copiar e os que ofereciam este serviço como bares e farmácias estavam tendo prejuízos. Henry Goetz era farmacêutico e pensou em uma solução melhor: uma ficha que tinha fendas, na mesma lógica de chaves. Patenteou a ideia e criou a Yale Slot and Slug Company em 1907.

A ideia de Goetz se tornou padrão para as fichas telefônicas em todo o mundo.

Os telefones com fichas só chegaram no Brasil na década de 1960 e eram companheiras inseparáveis dos orelhões. Os brasileiros andavam com fichas telefônicas no bolso, mas em geral tinha problemas em fazer as ligações já que a ficha não caía. Muitos vândalos enfiavam arames e outros objetos no espaço reservado para as fichas, na tentativa de burlar o sistema e fazer ligações gratuitas. As fichas foram substituídas por cartões telefônicos a partir de 1992 e o resto da história você conhece.

Talvez o que não tenha percebido é que muitos anos depois de Morse, Bell e Gray, empreendedores como Niklas Zennström e Uri Levine vêm ao Brasil para transmitir uma mensagem semelhante: O Brasil é um país de oportunidades!

Diante de tantas pessoas que se incomodam e não empreendem, a ficha só cai para quem liga para os problemas e conectam soluções!

 

Vender e não entregar é muito pior do que não vender

19 de junho de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Eu escrevi aqui – em algum outro post que não estou lembrando quando – que em quase quatro anos de Carbono Zero Courier, nunca gastamos R$ 1 em propaganda ou anúncios da nossa empresa. Por dois motivos básicos:

1) Queríamos tirar o máximo do boca a boca, beber (bastante) da fonte de ser um serviço “novo” e “diferente” e isso, automaticamente, chamaria a atenção e atrairia clientes;

2) Recursos financeiros limitados, como entendíamos que o motivo número 1 aconteceria, achamos mais estratégico direcionar os recursos financeiros, que poderiam ser empregados em propaganda, em outras frentes.

Seria injusto resumir só em dois motivos, mas esses são os principais. Um fator que contribuiu bastante e está amarrado com o post anterior foi o fato de – logo de cara – nos associarmos a um coworking, o The Impact Hub. De cara, conseguimos não só fãs para o nosso negócio, mas clientes e multiplicadores dele. Lembra da história dos bônus? Tá aí um =)

Desde que começamos a pensar em investir em como atrair mais clientes, sempre imaginei que o adwords do Google, também conhecido como link patrocinado, poderia ser um  bom caminho. Em meados de abril desse ano começamos a testá-lo. O pouco de informações e, o trabalho prévio que nos exigiu (modificar o site para otimizar campanhas), já tem valido a pena. É um mundo diferente que vale conhecer e o fato de estarmos oferecendo um serviço e não um produto, o torna mais desafiador.

Eu entendo o adwords do Google como uma (potencial) importante peça do time de vendas. Uma peça que trabalhará 24h, que sabe o local e momento exato de aparecer e isso é importante, mas não esqueçam que vender e não entregar é muito pior do que não vender, muitas vezes você não tem uma 2ª chance com seu cliente.

Obrigado pelo seu tempo

Brasil X México: Faltou comportamento empreendedor

18 de junho de 2014

Marcelo Pimenta é professor de Inovação na ESPM

Nesse Brasil e México dessa terça-feira ensolarada alguém notou determinação nos jogadores em vencer? “Faltou faca nos dentes, brilho nos olhos, sangue na veia, jogar como se fosse um concurso de startups. Nem o técnico transmite isso” reclamou nas redes Geraldo Santos, responsável pela Demo Conference no Brasil, minutos após o término do jogo.

Concordei imediatamente. Tinha achado tudo muito morno, os jogadores batendo ponto, com seus salários garantidos, exibindo os novos penteados. Mas foi daí que o porteiro do meu ex-aluno Rogério Lisbôa completou o quebra-cabeça: “De que adianta eles pintarem o cabelo, usarem chuteiras que são mais de um ano do meu salário, o que eles tem que fazer é jogar bola e não fazem. Meu pai dizia que na época do Garrincha o pobre coitado não tinha um tostão no bolso mas dava gosto de ver o cara jogando”.

No jogo dos negócios não há espaço para empate. Quem joga pelo empate não consegue o lucro, que é fundamental para a inovação constante. É preciso jogar para vencer e não aceitar o zero a zero. Se a seleção praticasse as características do comportamento empreendedor, poderíamos esperar deles em campo:

Busca oportunidades e toma a iniciativa – O empreendedor faz o que deve ser feito antes de ser solicitado ou forçado pelas circunstâncias.

Exige qualidade e eficiência – O empreendedor encontra maneiras de fazer as coisas melhor ou mais rápido.

É persistente – Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar um obstáculo.

É comprometido – O empreendedor faz um sacrifício pessoal ou despende um esforço extraordinário para completar uma tarefa.

Alguém viu isso na seleção que jogou ontem no Castelão? Envio o link do Sebrae para que Felipão e sua turma conheçam, estudem e pratiquem as características do comportamento empreendedor – http://tinyurl.com/empreende .

Talvez na próxima segunda possamos ter em campo um time criativo para garantir a classificação contra Camarões.

 

Só estamos tomando gol contra

18 de junho de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Acho que nunca tomei tanto café em minha vida como na última semana. Vocês também? Nossos nervos estão à flor da pele. Festa no estádio e queda no índice de confiança no varejo. Acho que essa euforia talvez seja nervosismo. Para mim, o gol que o Brasil precisa fazer é outro. Não é do Neymar Jr. e de ninguém da seleção brasileira.

A demanda tem crescido muito pelos nossos produtos e, atualmente, nosso maior desafio é conseguir aumentar a escala sem perder a qualidade. É aí que a porca torce o rabo. Aumentar escala, invariavelmente, acaba gerando uma série de outras necessidades, as quais você nem imagina, caso você não tenha um engenheiro de produção ou alguém com muita experiência em chão de fábrica.

Hoje, sofremos muito com a deficiência de parceiros que entendam nossa infraestrutura fabril e se adeque ao nosso perfil de empresa. Encontrar alguém que tenha uma solução de produção integrada, com um modelo de consultoria imparcial no quesito marca de equipamento, que atenda a uma pequena empresa de forma completa e que, acima de tudo, preserve os recursos é como cabeça de bacalhau: existe, mas ninguém nunca viu.

Há muito que melhorar na qualidade das pequenas empresas brasileiras. E falta suporte tecnológico para tanto. Chegamos a presenciar diversas atrocidades e muito amadorismo em pouquíssimo tempo. No ano passado, encomendamos um tacho de cozimento de inox de uma empresa de Minas Gerais, que conhecemos em uma feira especializada no setor.

Na citada feira, a empresa tinha stand, mostruário vitrine com qualidade e com diversos clientes em nossa região, ou seja, apresentação extremamente profissional. Entramos em contato e fechamos um projeto. De início, basta dizer que a empresa atrasou a entrega em 120 dias. Isso mesmo! Cento e vinte dias além do prazo estipulado, com erros grotescos do ponto de vista técnico, coisas básicas com as quais qualquer empresa fornecedora de equipamentos no mercado alimentício deveria se preocupar. Solda mal feita, problemas de vedação e polimento e uma infinita lista de problemas. Sinceramente, não sei como o mercado aceita esse “padrão de qualidade”.

Algum tempo depois, conversando com amigos que possuem fábrica, a resposta foi unânime: bem-vindo ao Brasil. Concluo o seguinte: ao invés de nos espelharmos no funk ostentação, está na hora de aprendermos com os alemães, os japoneses e a capacidade de fazer as coisas funcionarem dos norte-americanos.No Brasil, falta muito. Estamos ainda na era do bambu, sonhando com Google Glass.

Hoje, o gol que eu quero que o Brasil faça, de novo, é para a educação. Porque, do jeito que está, só estamos tomando gol contra.

Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.