Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Fique no coração do consumidor: o que a série Anos Incríveis ensina ao empresário

29 de maio de 2014

Não são 21 dias. Nem 21 meses. São 21 anos. O seriado norte-americano Anos Incríveis, que estreou em 1988, será agora relançado em DVD. E a notícia, por si só, certamente já apareceu na timeline da sua rede social favorita.

Mesmo tanto tempo depois.

E o que isso tem a ver com empreendedorismo? Pouca coisa, é verdade. Mas vale a pena comentar um aspecto em especial para quem administra um negócio. A capacidade de certas marcas, produtos…e séries de televisão, claro, de permanecerem no inconsciente coletivo das pessoas. Mesmo 21 anos após a atração sair de cartaz. Você aí deve ter se lembrado de um produto. Eu lembrei!

De certa maneira, esse é o desafio de qualquer empreendedor. Não importa se ele administra uma borracharia, uma padaria, um restaurante ou até mesmo uma startup. Uma empresa terá sucesso a medida que ela conseguir atender a um desafio: permanecer na cabeça do consumidor.

Se bem que…

Há uma corrente importante que defende que a empresa, a marca, deve conquistar o coração do cliente. Tem a ver com transformar consumidores em fãs, claro.

E esse é um ponto interessante. Se o cliente gostar verdadeiramente do que você oferece, ele vai falar bem de você de forma espontânea. E não há verba de marketing que pague essa resenha positiva.

O que nos leva a perguntar uma outra coisa….

Por que ninguém reclama, sobretudo nas redes sociais, de esperar mais de uma hora para almoçar ou jantar na rede Outback? Há o esforço da rede de prestar um serviço eficiente; há sem dúvida um cardápio que combinou com o paladar do brasileiro, mas as pessoas não reclamam porque são fãs da empresa. Mas essa é história para um outro post.

Na dúvida, fique com os dois. Coração e razão.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e escreve de vez em quando no Blog do Empreendedor

Fundador da FedEx quase foi reprovado em empreendedorismo

29 de maio de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

A educação empreendedora ainda é razoavelmente recente no Brasil. Mas, todas as principais faculdades e universidades já têm a disciplina nos seus cursos. É importante na medida em que capacitam seus alunos a não serem apenas empregados, mas também a utilizarem o conhecimento adquirido nas aulas em negócios próprios ou dentro das organizações que valorizam cada vez mais este comportamento.

Mas nos Estados Unidos, a educação empreendedora já é bem mais antiga e se alinha à própria criação do país. Enquanto outros países foram fundados por pessoas que queriam apenas explorar o local e retornar aos seus países de origem, os EUA foram fundados por pessoas que lá viam uma terra de oportunidades. E de certa forma, isso persiste até hoje em alguns setores como as startups de todo o mundo que migram para o Vale do Silício.

Por essa tradição histórica, há muito o quê aprender com a educação empreendedora de lá, em especial, com o que não fazer.

Não sei como você avaliaria a FedEx, mas a primeira nota que ela recebeu, mesmo antes de ter sido criada foi C. Isso porque a nota foi melhorada. Era para ter sido pior. Pelo menos é o que confidenciou Fred Smith. Em 1965, ele era estudante da Yale University e precisava elaborar um plano de negócio para uma das disciplinas do seu curso de Economia. Imaginou um negócio de entregas expressas, que concorreria diretamente com os Correios dos Estados Unidos. Seu professor, ao ler o plano, sentenciou: “O conceito é interessante e bem formulado, mas para ganhar uma nota melhor do que C a ideia precisa ser viável”.

Seis anos depois, em 1971, o plano de negócio nota C viraria realidade com o nome de Federal Express ou simplesmente FedEx. Até hoje Fred Smith, o fundador da FedEx, não sabe como este C o ajudou a planejar um negócio melhor. Ele nem mesmo se lembra direito se recebeu um C ou não. Mas o fato é que o tal professor de Yale entrou para a história do empreendedorismo como o cara que quase não aprovou um grande negócio.

Mas será que planos de negócio de outras empresas de sucesso teriam sido aprovados? Steve Jobs e Steve Wozniak nem sabiam o que era um quando começaram a Apple em 1976. Mas não teriam sido aprovados por Ken Olson, fundador da Digital Equipment Corporation (DEC), a ‘bam-bam-bam’ de tecnologia da época. O argumento de Olson era simples: “Não há nenhuma razão para alguém querer ter um computador em casa”.

Mesmo vários negócios recentes como o Twitter ou a AirBnB teriam suas ideias de negócio criticadas. Por que alguém iria ler mensagens de 140 caracteres sobre o que eu estou fazendo ou pensando agora? E o que responderia se alguém perguntasse se você estaria interessado em se hospedar no sótão de uma casa em São Francisco, Califórnia, dormindo em um colchão de ar?

Até o “plano de negócio” de Cristovão Colombo foi criticado e até zombado. Afinal quem era aquele genovês maluco com um mapa debaixo do braço que jurava ser possível chegar as Índias pelo Ocidente? Ele apresentou seu plano durante sete anos para potenciais investidores em Portugal, Veneza, Genova, Inglaterra até chegar aos reis de Leão e Castela. Antes dos imigrantes, foi Colombo quem primeiro vislumbrou a “América” como uma terra de oportunidades.

Por tudo isso não se abale com frases como “Mas já tem!”, “Isto não vai dar certo!” ou “Isto já foi tentado antes”.

Troque essas afirmações arrogantes por questionamentos que perdurarão por toda a sua carreira empreendedora como: O que faço para ser melhor do que “já tem”? O que faço para aumentar minhas chances de sucesso? O que posso aprender com o que já deu errado no passado?

Pensando assim, você sempre ganhará uma nota C… de certo. Henry Ford costumava dizer que se você acredita que pode ou acredita que não é capaz, estará sempre… certo!

Coworking dá certo se o empresário deixar o ego de lado

29 de maio de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

É cada vez mais comum ouvirmos a palavra coworking. Traduzido, mas não realmente conceituado, como escritório compartilhado. Escritório compartilhado é algo que sempre existiu: pessoas do mesmo ou de diferentes ramos alugando o mesmo espaço para, principalmente, reduzir custos.

De alguns anos para cá, no mundo todo, vem tomando força o coworking, que vai além de simplesmente dividir o espaço (leia-se despesas), compartilham-se ideias, projetos, vidas e sonhos.

A Carbono Zero Courier iniciou suas atividades em um coworking, mas não em qualquer um. Era uma proposta totalmente alinhada com aquilo que queríamos para a empresa, ou seja, mudar o mundo. Podemos afirmar, tranquilamente, que nosso empreendimento não seria o mesmo se não tivéssemos iniciado e vivenciado essa experiência.

Tantas conexões, aprendizados, trocas, ajudas etc. Estar cercado de pessoas que não só são empreendedoras, mas que estão ali para mudar o mundo não tem preço. Competição vira união, vira ajuda, existe um senso mais profundo do que o simplesmente fazer negócios, ter networking. Existe algo comum e inspirador que movimenta as pessoas nessa rede.

Além do custo direto, existe o indireto. Ter um escritório próprio demanda tempo para administrar assuntos triviais, por exemplo, compra de material de limpeza, bens de consumo, mobiliar etc. Sem contar o tempo para gerenciar e planejar esses detalhes.

Para decidir, avalie a real necessidade do teu projeto versus o seu ego. Você realmente precisa de um escritório ou quer um? Leve bem em conta a solução do coworking, mas vá além da economia de tempo e dinheiro, veja as infinitas possibilidades de se trabalhar em um ambiente em movimento constante.

Uma abraço,
Rafael

A Copa vai começar. E a contagem regressiva para a improdutividade já começou

28 de maio de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

O Brasil logo, logo vai entrar em campo. E a contagem regressiva para improdutividade já começou. Será como no carnaval, só que por 30 dias. Ontem encontrei um redator de uma grande agência e a primeira coisa que me disse foi: ‘Caramba, tô trabalhando em dobro porque no mês que vem ninguém vai fazer nada. Esse país vai parar.’

Parar? Pensei comigo: Rá, acho que a Sabesp não vai parar de enviar as contas, muito menos a CPFL. Tarifas bancárias e cartões de crédito? Rá! Rá! Rá! Seremos nós, pequenos e médios empresários, que teremos que pagar essa conta. A conta do pão e circo.

E pior: as categorias de classe não estão nem um pouco preocupadas nos reflexos de tudo isso. No fim, como os holofotes do mundo estarão voltados para o evento, será a chance de todo mundo, ao mesmo tempo, reivindicar.

Quem será que vai gritar mais alto?

E eu odeio o futebol.

Quando criança, era pelo fato de não ter habilidade para a coisa, sendo sempre excluído dos times. E, depois que virei dono do meu próprio nariz, por perceber que seu enredo – dentro e fora de campo – representa muito esse nosso jeitinho brazuca de ser, enquanto sociedade, enquanto País.

Na malandragem, no samba e na ponta da chuteira, sempre damos um jeito para as coisas. Jeito que não damos.

Educação, por exemplo, demos um jeito sim. Um jeito de criar uma máquina de diplomas em instituições particulares. Jeito de reduzir os analfabetos para a ONU e criar um altíssimo índice de analfabetismo funcional – sabem ler, mas não consegue entender o que está escrito. Outro dia respondi a um post em uma rede social de um amigo, que reclamou sobre o fato da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo não ter retirado um sofá do canteiro central de uma certa avenida. Comentei, na ocasião, que não sabia se o problema maior era do serviço público que não funciona ou da falta de educação de quem jogou o sofá lá. E jogar coisas em vias públicas não tem relação com classe social, afinal, a bituquinha não olha conta bancária.

Educação. Não existe nenhuma outra forma de mudarmos, se é que existe tempo ainda, este País. Por mais distante da realidade que pareça, precisamos iniciar uma nova Era da reconstrução e reeducação civil no Brasil.  Urgente.  E preparem-se para a tempestade que está se formando à frente. Essa Copa vai trazer muita coisa à tona e causar muito mais prejuízos do que lucros. Pode ter certeza.

Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contra bandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.

O restaurante que durou menos de um ano (a história de um negócio e seus erros)

27 de maio de 2014

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira

Não é fácil ser pioneiro em um negócio. Parece que todas as ideias do mundo já existem e, caso a sorte ou a busca incessante por novas ideias nos presenteie com algo totalmente original ou inovador, é preciso ainda uma boa dose de coragem para transformá-las em realidade, como exploramos no nosso post da semana passada.

Obviamente, o empreendedorismo não é feito apenas de pioneiros. E quando não é possível ser o primeiro, como acontece normalmente, o bom empreendedor deve se perguntar se é possível criar algo diferente ou melhor do que aquilo que já existe no mercado. Uma técnica muito utilizada é a de criar uma nova categoria de produtos ou serviços, algo como um nicho dentro de um nicho de mercado.

Melhor para quem?

A Cervejaria Eisenbahn foi pioneira no lançamento de vários produtos e deu certo. O The Basement, nosso gastropub, foi pioneiro em nossa região e vem dando certo. Já o iO Ristorante, finado restaurante italiano que fundamos em 2009 em Blumenau, não era pioneiro e durou menos de um ano.

Qual foi o nosso erro?

Negligenciamos uma lei essencial do empreendedorismo, também explorada pelos especialistas norte-americanos Al Ries e Jack Trout no livro “As 22 regras imutáveis do Marketing” (já citado no post da semana passada): achamos que, não sendo os primeiros, poderíamos fazer melhor do que tudo que já existia – na comida, no ambiente e no serviço.

O problema é que o nosso melhor não correspondia ao melhor para nossos clientes potenciais. Introduzimos o menu de pratos individuais, com porções um pouco menores, quando a cultura local espera enormes travessas para dividir. Focamos em cervejas especiais e, sem garrafas grandes de cervejas comuns, desagradamos outros clientes.

Tínhamos como objetivo fazer um restaurante despojado, para o dia a dia, e ele ficou com fama de sofisticado. Então passamos a adaptar as coisas para tentar torná-lo rentável.

Criamos um bufê, oferecemos tele-entrega. Passamos a trabalhar com pratos que nada tinham a ver com a Itália. Quando vimos, o restaurante tinha se transformado em algo que não nos agradava, e continuava com problemas financeiros. Decidimos fechar as portas.

Nicho do nicho

O iO Ristorante não era pioneiro: simplesmente acreditávamos que seriamos melhores e que os clientes reconheceriam isto. Talvez nosso erro primordial foi não oferecê-lo como uma nova categoria de restaurantes italianos. Ou não parar para observar melhor o mercado e nosso público potencial.

Foi fazendo isso que a Dudalina, empresa têxtil aqui da nossa região, criou um novo nicho dentro do nicho de vestuário e cresceu como nunca, sendo vendida para dois grupos dos Estados Unidos no final do ano passado. Percebendo o crescimento do número de mulheres em cargos executivos e administrativos no país, a empresa começou a investir em camisas sociais femininas.

Talvez não tenha sido a primeira indústria do ramo a produzir esse tipo de artigo, mas foi a primeira a entrar no mercado com força, com marketing. Para a maioria dos brasileiros, ela foi a primeira a ser conhecida pelas camisas sociais femininas. Pioneira e, com qualidade, criou um produto desejado e,consequentemente, muito bom de vendas.

Uma boa estratégia para quem desenvolve uma nova categoria no mercado é divulgar a categoria até mais do que a própria marca. Foi o que fizemos nos primeiros anos de Eisenbahn. Com poucos competidores à vista, podíamos vender a cerveja especial, a categoria em si. Por consequência, as pessoas acabariam consumindo nossos produtos.

Mas, para isso, é preciso que as pessoas recebam informação, que entendam qual é o diferencial, a novidade, para então tomar a decisão de compra. A empresa Do Bem realiza um ótimo trabalho de divulgação dos seus sucos nesse sentido, focando no slogan “bebidas verdadeiras”, em embalagens diferenciadas e informativas e num estilo de vida mais tranquilo. Um nicho especial dentro de um imenso mercado de sucos prontos.

Com a Vermont, nossa linha de queijos especiais que devemos lançar até o fim do ano, temos o desafio de entrar em uma categoria que já existe no país. No entanto, assim como no iO Ristorante, achamos que dá para fazer melhor e virar referência. E, assim como na Eisenbahn, queremos lançar queijos não “tropicalizados”, ou seja, como eles são produzidos na Europa e nos Estado Unidos. Explicamos: assim como só se fazia cerveja pilsen no Brasil, sob o pensamento de que brasileiro gosta de cerveja desse jeito e pronto, há na indústria de laticínios uma certa noção de que o povo aqui não gosta de queijos mais fortes, com cheiro e sabor mais intenso. Discordamos. Será que acertaremos desta vez?

Quer ver como ficou o nosso restaurante italiano? Acesse esse vídeo. Para saber mais sobre a Dudalina, acesse o site deles. E pra conhecer mais a Do Bem, clique aqui.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

Primeiro conquiste clientes (que os investidores aparecem)

26 de maio de 2014

Marcelo Pimenta é professor de Inovação da ESPM

Há um engano no entendimento de que criar uma startup é sinônimo de investimento fácil. O fato de alguns negócios surgidos a partir de startups de tecnologia (Google, Facebook, Instagram, Whatsapp) terem protagonizado transações bilionárias não faz com que investidores estejam dispostos a investir milhões em qualquer ideia.

Esses negócios bilionários são uma exceção no mundo dos negócios. A realidade é muito mais difícil. Diferentes fontes mostram que, em média, nove em cada dez startups não se sustentam. E essa estatística não é de todo ruim, porque uma startup é uma condição de busca por um modelo.

Significa que uma ideia ainda não validada está sendo testada (e aprimorada). Portanto, para uma startup dar certo, no início de suas atividades, NÃO DEVE se concentrar na busca de investidores. O primeiro passo é CONQUISTAR CLIENTES.

Quem consegue montar um negócio que encanta os clientes está preparado para iniciar a busca por uma parceria para dar tração. E pode crer: os investidores estão carentes de bons negócios para investir. Portanto, não perca tempo na fase inicial pensando em como seduzir um investidor. Vá para a rua satisfazer clientes! Depois que você encontrá-los, os investidores é que vão te procurar para propor um bom negócio.

Fundador da Nike começou como sacoleiro

22 de maio de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Em 1962, Phil Knight estava na aula de gestão de pequenas empresas ministrada pelo professor Frank Shallenberger no MBA de Stanford quando ficou encantado com a possibilidade de se tornar empreendedor. “Naquela aula eu tive um momento de luz. Passei a querer ser um empreendedor” – disse.

Quando contou ao seu pai, ele riu. Knight repetiu que queria ser um empreendedor, seu pai continuou rindo. Só na terceira vez seu pai ficou sério e disse que estava desapontado. Não tinha investido tanto na educação do filho para ele se tornar um aventureiro. Knight quase chorou de raiva.

Mas continuou com a ideia de se tornar empreendedor e ficou ainda mais entusiasmado quando pensou criar um negócio no que mais gostava de fazer: correr. Por esta razão, seu plano de negócio na disciplina do professor Shallenberger tentava encontrar uma resposta para a questão: “Os tênis esportivos japoneses podem fazer o mesmo que as câmeras japonesas fizeram com as câmeras alemãs?”. Naquele momento, as fabricantes japonesas tinham invadido os Estados Unidos com câmeras baratas mas de boa qualidade, roubando a participação das marcas alemãs. Será que era possível bater a empresa alemã de tênis esportivos das três listras?

Depois de formado, se mandou para o Japão para validar seu plano de negócio. Voltou de lá com 200 pares de tênis de corrida que pagou US$ 3,33. Se fosse hoje, ele seria chamado de sacoleiro. Encheu o porta-malas com os tênis e parou na frente de um centro de treinamento de corrida em Portland (Oregon), sua cidade natal. Vendeu todos rapidamente por US$ 6,95. Diante do sucesso, se associou ao seu antigo técnico de corrida, Bill Bowerman para criar a Blue Ribbon Sports. Cada um entrou com 500 dólares de capital. Importaram mais tênis e já no primeiro ano, a empresa lucrou quatro mil dólares, quatro vezes o que tinham investido.

Para aumentar as vendas, contrataram Jeff Johnson, um vendedor em tempo integral que achou que o nome Blue Ribbon (faixa azul) estava muito associado a principal marca de tênis de corrida da época, a Adidas. Johnson sugeriu um nome curto, simples e que remetia a deusa grega da vitória, a Nike.

Décadas depois, Phil Knight voltou para Stanford para doar 105 milhões de dólares e construir uma nova escola de negócio, muito mais moderna e sustentável. Se estivesse vivo, quem estaria chorando neste momento poderia ser seu pai, de orgulho.

Para os que ainda querem empreender mas ainda não tiveram seus momentos de luz, vale refletir sobre famoso slogan da Nike: Just do it!

Todo empreendedor deveria ter um amante

21 de maio de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

No começo de minha carreira na Siemens (Essa mesma! Aquela empresa alemã mais conhecida atualmente por seus escândalos do que por seus produtos) aprendi muita coisa, mas muita coisa mesmo! Para vocês terem uma ideia, eles faziam compostagem do lixo da unidade em que eu trabalhava, tinham preocupação e cuidado com a reserva florestal que estava dentro da propriedade, enfim, um belo exemplo. E isso no final dos anos 1990!

Calma! Antes que você venha falar que milhares de outras empresas já faziam muito mais há muito mais tempo, um esclarecimento: não estou falando que eles são os melhores ou eram os únicos. Porém, para moldar a minha jovem mente (e valores), foi um ótimo berço.

Foi lá que fiz vários cursos de aprimoramento pessoal e técnico. Um deles me chamou a atenção. A consultora que ministrava o curso (devia ser psicóloga) dizia que ‘todos deveríamos ter um amante’; apesar de não ser fã da expressão, o que ela estava querendo dizer é que todos deveríamos ter um hobby, uma válvula de escape, algo que pudéssemos fazer para retirar nossa mente do desenfreado dia a dia.

Por ser mais jovem, não dei muita importância. Afinal, muitas vezes, quando a gente é jovem, o que mais fazemos são coisas de que gostamos: praticar esportes, sair, ver o São Paulo jogar, festas etc.

Levaram alguns anos para entender e encontrar a minha “válvula de escape”, que é a meditação. Meditação da técnica Sahaja Yoga (Google it!). Mudou a minha vida, sou definitivamente uma pessoa melhor em vários aspectos. Calma (novamente)! É uma escalada, ainda tenho muito o que melhorar e me corrigir, mas é na meditação que encontrei o verdadeiro Rafael, aquele que estava dormente, mas sempre ansioso para despertar.

Isso, definitivamente, ajudou a alinhar o meu propósito, não só como pessoa, mas como empreendedor. Não sei se a Carbono Zero vai durar para sempre, se vou continuar nela para sempre, sei que a válvula que era para escapar, foi onde me achei!!!

=)

Encontre-se!
Um abraço, Rafael

O empreendedor é a alma do seu negócio

21 de maio de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Você está preparado para isso? Imaginar e sonhar a construção da sua própria empresa pode ser a melhor parte, quando você resolve dar, talvez, o mais importante passo de sua vida: deixar de ser assalariado e surfar no desafio de ter seu próprio negócio.

Vale a pena?

Minha reposta como um taurino teimoso? Vale.

Mesmo que, muitas vezes, você sofra na pele por isso. Então prepare-se, você e sua família, pois andar da carruagem pode não ser como você previa, ou como ilustravam em suas planilhas lindas de Excel. Situações adversas existem, mas você, imbuído de tamanho romantismo, talvez não previsse.

E isso é mais crítico e potencialmente maior quando você resolver entrar em um nicho de mercado que não conhece. Cansei de escutar que a inovação, em sua maior parte, nasce de pessoas que não estão contaminadas com os preceitos daquele segmento. Mas tais pessoas são as que menos conhecem os riscos e surpresas que podem destruir o sonho empreendedor, pois nunca viveram o dia-a-dia do nicho de mercado no qual estão enveredando.

Porém, não precisa ter medo. Siga em frente.

O processo de aprendizagem faz parte do negócio. Só não perca a mão, pois, aqui no Brasil, errar pode custar muito caro. Tão caro que talvez você precise vender tudo que conquistou para pagar só juros altíssimos.

Para iniciar minimizando riscos desnecessários, tenha um bom advogado societário para redigir seu contrato social. É uma das primeiras tarefas. Ou você vai esperar sua empresa valer bilhões ou seu sócio morrer de infarto fulminante para descobrir que por causa daquele template que a contadora lhe enviou, naquele dia lindo e feliz que você brindou com seu sócio e as famílias o início dessa nova jornada, faz com que a esposa dele, que não entende de nada do negócio, vá assumir a diretoria com você.

Viu? Tão óbvio mas acontece. E muito.

Uma vez li um estudo que dizia que o brasileiro era o empreendedor com a melhor capacidade de adaptação às mudanças de mercado no mundo. Por que será? Talvez porque nascemos em um grande campo minado e que precisamos achar alternativas para conseguir sobreviver. Todavia, independentemente de qualquer situação, esqueça o contra-cheque e, antes de mais nada, esteja preparado para aguentar esse processo de entrada no mercado, que pode durar um, cinco ou talvez dez anos.

Pegar aquela primeira bolada do saldo positivo e trocar de carro é um sonho tentador não acha? Talvez demore a se tornar realidade. Antes de tudo, por que não investir em pesquisa de mercado para entender melhor o perfil do seu consumidor? Investir em ferramentas mais eficientes de efetivação do discurso da sua empresa? Ou na tão falada “qualidade de vida de seus colaboradores”?

Qualquer negócio leva tempo e colher os frutos talvez seja a última coisa que você fará nessa jornada. Então cuide-se, pois só assim vai poder usufruir de todas as coisas boas que uma empresa pode lhe oferecer ,quando alcançar o equilíbrio nesse mercado desequilibrado. Enquanto o sucesso não chega, esteja preparado para dar tudo de si para seu novo empreendimento.

Tudo!

Não somente o capital que você vai tirar sabe-se lá de onde. Mas sobretudo sua alma, porque você é a alma do seu negócio.

Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contra bandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta.

E pensar que o Angry Birds poderia jamais ter existido se empresa que o produz tivesse falido

20 de maio de 2014

Muita gente, mas muita gente mesmo conhece o sucesso da franquia Angry Birds. Para ilustrar essa constatação, basta um número: trata-se do jogo com o maior número de downloads da história: 2 bilhões. Mas há outros que demonstram o tamanho da companhia por trás do jogo. A finlandesa Rovio Entertainment, o empreendimento por trás do game, emprega 800 pessoas aproximadamente.

O negócio registrou receita de R$ 474 milhões em 2013, pouco crescimento em relação a 2012 (R$ 462,5 milhões), mas muita coisa se compararmos com o resultado da companhia em 2010: R$ 19,75 milhões. E uma performance daquelas se levarmos em conta que o negócio estava para quebrar em 2009.

A companhia havia sido criada em 2003 por Niklas Hed e outros dois empreendedores e havia criado 51 games diferentes. O negócio não havia criado – necessariamente – um sucesso. E precisava de um. Mas lembre-se: era 2009 e o uso dos smartphones estava prestes a explodir, como de fato explodiu. O Andry Birds estava na hora certa e no lugar certo. Já foram 2 bilhões de downloads.

Mas não pode ser apenas isso. Nenhum negócio sobrevive de apenas um sucesso. E a empresa finlandesa tratou de pensar nisso como poucas e construiu um pequeno conglomerado de pássaros nervosos. Versões e mais versões dos jogos e licenciamento de produtos.

Mas o que fica, realmente, é que eles quase faliram. E isso pode servir de aprendizado para os empreendedores. Mesmo quando tudo está seguindo para o abismo…tudo pode dar certo.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e escreve de vez em quando no Blog do Empreendedor