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O cotidiano de empreendedores como você
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Se tudo fosse azul, o azul não existiria

28 de fevereiro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor do Insper

Ao contrário do título do filme, azul não é a cor mais quente. A cor mais quente é vermelho. Todo mundo sabe disso, mas o empreendedor Gary Kremen descobriu isso de forma estatística. Em 1995 ele fundou a Match.com, o primeiro site de encontros da internet. Formado em ciência da computação pela Northwestern University e com MBA por Stanford, ele era um típico nerd que não entendia muito de relacionamentos com as mulheres. Com a estratégia de atirar para todos os lados, ele também registrou sex.com, jobs.com, housing.com e autos.com. Mas foi a Match.com que acabou decolando. Como um voyeur, Kremen ficava analisando os anúncios, a atratividade de cada candidato e as taxas de sucesso em que os encontros ocorriam. Este último indicador era o principal para o sucesso do seu negócio. E o que fazia com que um candidato se destacasse dos demais, além, é claro da beleza, da proximidade e dos mesmos gostos. Havia outro fator que aumentasse a atratividade da pessoa? Ele percebeu que se a pessoa estivesse usando alguma peça de roupa vermelha, recebia aparentemente mais cliques.

A percepção de Kremen foi avaliada por vários pesquisadores que chegaram a conclusões semelhantes e o vermelho nem precisava estar na roupa. Era só incluir uma borda vermelha na foto para atrair um número maior de interessados.

Apesar das inúmeras pesquisas sobre o impacto das cores nas pessoas, são raros os empreendedores que já pararam para pensar nas cores da sua empresa. Henry Ford talvez seja o mais lembrado e talvez o mais injustiçado. Ao defender que qualquer um poderia escolher a cor do carro desde que fosse preta não era predileção sua, mas uma decisão operacional. Pintar o carro de preto exigia menos tinta, uma só demão e a pintura ficava uniforme, o que contribuía para, aí sim, a obsessão de Ford em produzir um carro barato.

Se o vermelho pode ajudar alguém a encontrar um pretendente, outras cores podem ter outros papéis. Simon McArdle, infografista da The Logo Company fez uma comparação interessante entre as logomarcas de empresas americanas e o impacto geralmente provocado pelas cores escolhidas. Refiz o trabalho para empresas criadas por empreendedores brasileiros. Será que faz sentido? (Clique na imagem para ampliá-la)

Concorde ou não com a relação, pesquisadores ao redor do mundo ainda continuam estudando o impacto das cores nas pessoas. Um dos trabalhos mais recentes e curiosos é o livro Drunk Tank Pink do professor Adam Alter da Universidade de Nova Iorque. O título do livro é o nome da um tom de rosa que está sendo utilizado em algumas cadeias norte-americanas. A experiência teve início da década de 1980 e os psicólogos contabilizaram uma sensível queda no nível de agressividade dos presos que ficam em celas totalmente pintadas neste tom específico de rosa. Ele conta que ao saberem disso, alguns times de futebol americano pintaram o vestiário do time visitante também de rosa. Empresas de ônibus urbanos pintaram os bancos de rosa e o nível de vandalismo caiu e iniciativas que pedem doações de porta-em-porta passaram a utilizar uniformes rosa e viram o nível de contribuição subir.

Mesmo que tenha sua cor favorita, um estudo sobre o impacto das cores do seu negócio pode ajudar sua empresa a vender mais.

Quando ao azul, mesmo não sendo a cor mais quente, é a mais utilizada no mundo, segundo as pesquisas. Mas se tudo fosse azul, o azul não existiria. Se continuar só copiando o que já existe, deixará de existir porque será igual. Portanto inove e torne o mundo mais colorido!

E quando a sua operação diária é um jogo de xadrez?

27 de fevereiro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Gerenciar a logística de uma empresa de entregas urbanas não é fácil, agora imagina uma que faz entregas de bicicletas? É outro desafio. costumo dizer que a nossa operação diária é como um jogo de xadrez, diariamente se renova. No começo, as peças estão organizadas, arrumadas, cada uma em seu lugar, você tem algumas ideias de movimentos, mas quem vai realmente determiná-los é a pessoa que está do outro lado. No xadrez, o oponente. Na Carbono Zero Courier, a demanda.

O objetivo? Pedalar menos e produzir mais. Em outras palavras: eficiência. No nosso jogo, quem é mais eficiente ganha, se existe eficiência, todos saem ganhando! E, na nossa equação, ganha o planeta também.

Previsibilidade, antecipar o movimento, antecipar a demanda. Parece impossível, mas com técnica e criatividade pode-se reduzir o índice de surpresas e “guiar” a demanda para onde se deseja .

No nosso jogo diário existe uma parte fundamental e de grande valia, a tecnologia. Utilizar a tecnologia para aumentar a eficiência é um dos objetivos básicos de qualquer empresa, o problema é quando ela vira inimiga, complica o que era para simplificar.

Tem pouco mais de 6 meses que comecemos a desenvolver um sistema próprio que irá pautar o nosso crescimento pelos próximos anos. Você pode perguntar, por que não optar por uma solução pronta? É mais barato e rápido. Boa pergunta! Nós, que conhecemos (ou achamos que) do nosso negócio, preferimos criar algo novo e que atenda os padrões que desejamos, que seja moderno e, principalmente, por ser algo importante entendemos que vale o investimento de tempo e dinheiro.

No jogo de empreender, as peças a nossa disposição precisam contribuir e não prejudicar o todo. Fazer uso de tecnologia pode ser muito mais que um diferencial, pode ser vital. É importante entender o momento de investir seu precioso tempo e recursos.

Bom feriado e até a próxima,

Rafael

 

O exército de um homem só; tenha sócios!!!!

26 de fevereiro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira (e ele, assim como o PME, não tem nada contra o Buda)

Admiro aquelas pessoas que comandam suas empresas sozinhas. Admiro mesmo. Fico pensando como seria não ter alguém com quem dividir o dia a dia, as decisões estratégicas ou simplesmente tomar um café no meio do dia para compartilhar alguma experiência sensorial única com algum tipo de pimenta.

Trata-se de uma divisão que, ao meu ver, tem um resultado de alto potencial multiplicador para os negócios. Meu perfil de profissional, por exemplo, é de jamais empreender sozinho, até porque, umas das coisas que mais gosto na sociedade, é o processo de convencer o parceiro de algo que você julgue importante.

E, para isso, é necessário reflexão, organização e construção dos argumentos antes de você encarar o desafio de vender a questão ao seu sócio. E só o fato de você parar para refletir, antes de executar, é uma passo extremamente importante, por mais óbvio que nos pareça.

Simplesmente porque, cada vez mais, operamos com a tecla “over drive” ligada e buscamos menos reflexão sobre as coisas. E encontrar o equilíbrio da simbiose entre os sócios é tão desafiador quanto o sucesso da empresa, pois um matrimônio firmado pelo CNPJ envolve muitas questões que não se limitam ao desempenho profissional individual de cada um na sociedade. E, como em todo casamento, é necessário que ambas as partes cultivem respeito ao outro e, sobretudo, entendam que as pessoas não são perfeitas, por mais que sonhemos com isso.

Eu, por exemplo, erro constantemente. Nossa sociedade vive um momento de intolerância e isso é reflexo de algo muito mais complexo e exterior ao próprio negócio. Infelizmente não será resolvido a curto prazo.

Na última semana, saí de férias com minha família para recarregar as baterias e preparar minha mente para 2014. Cheguei ontem à noite e, se não tivesse meus sócios, jamais poderia fazer isso, do jeitão de quem tem CLT faz, com a consciência tranquila e corpo desconectado do mundo. E isso é um privilégio.

Obrigado, Ruis, Marcelo e Marcelo Filho pela nossa simbiose.

Buda. Gostaria de aproveitar e me desculpar a todos aqueles que, de alguma forma, se sentiram ofendidos pela citação ao Buda. Usei sua figura de forma ilustrativa e estritamente focada no fato de ele ser, corriqueiramente, representado sentado. E por ser um representação ao alcance de todos, inclusive aos não seguidores ou conhecedores da cultura. Sim. Foi quase que somente pelo fato de ele estar sentado. E, de certa forma, de um modo inconsciente, pela mensagem de tolerância e paciência que ele nos traz.

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Conheça o supermercado que prega o Capitalismo Consciente

21 de fevereiro de 2014

Marcelo Nakagawa é prefessor do Insper

Dica de amigo não é sugestão, é obrigação. Amigos dão dicas porque querem nosso bem, caso contrário não estariam nesta categoria. E visitar a Whole Foods era uma das suas dicas assim que chegasse a Palo Alto, Califórnia, onde passaria um tempo coletando dados para o meu doutorado.

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Quem chega a uma loja da rede de supermercados Whole Foods pela primeira vez fica com a impressão inicial de entrar em uma loja descolada e bem cuidada. Andando pelos corredores, a impressão inicial se expande ao observar que você não conhece nenhum dos produtos ali expostos, mas a surpresa é positiva pois eles brindam seus sentidos: Produtos de limpeza em embalagens que mais parecem de perfumes, sucos em combinações exóticas, bolachinhas com pedaços generosos de amêndoas, frutas de cenas de filmes, sushis com arroz integral. Mesmo sendo um razoável especialista amador em gastronomia japonesa, nunca imaginei que este casamento seria tão harmonioso.

Mas a Whole Foods não brindou apenas os meus sentidos, mas também expandiu a minha compreensão do papel do empreendedorismo e inovação. Quem tinha criado aquilo?

Em 1978, John Mackey tinha 25 anos, era vegetariano e estudava filosofia na Universidade do Texas. O que faz um estudante de filosofia a não ser pensar? Entre um pensamento e outro, ele chegou a conclusão de que várias empresas eram hipócritas ao defender alguns valores para depois se contradizer na execução. Sua maior birra era com uma rede de supermercado chamada Safeway que dizia que vendia alimentos saudáveis. Provocado com o argumento de que só pensava e não fazia nada, pediu dinheiro emprestado da família e junto com a namorada abriu um empório de alimentos naturais com o sugestivo nome de Saferway. Os dois anos iniciais foram muito difíceis. O casal morava na parte de cima da loja e não havia chuveiro. Para complicar, as vendas nunca decolaram e a empresa quase fechou.

Mas Mackey continuava pensando: Se as pessoas queriam se alimentar de forma mais saudável, o que estava errado? Chegou à conclusão de que precisava de mais variedade, uma loja maior e mais bem localizada. Em 1980, convenceu alguns investidores a criar a tal loja. Poucos meses depois, Austin foi atingida pela maior inundação da sua história e a loja da Whole Foods foi destruída. Clientes, vizinhos e os funcionários se voluntariaram prontamente para reconstruir a empresa. Credores, fornecedores e investidores também contribuíram e quase um mês depois a loja foi reaberta. Aquilo marcou profundamente a forma de pensar de John Mackey. Daquele dia em diante, a missão da empresa seria servir, de fato, seus clientes, vizinhos, colaboradores, credores, vendedores e acionistas.

Entre as várias políticas da empresa, há a de não comprar alimentos que tenham ingredientes artificiais. Isto afasta todas as grandes empresas de alimentos que conhecemos. A empresa também se propunha a comprar de fornecedores locais desde que estes se comprometessem a produzir os alimentos mais naturais ou orgânicos possível. Em troca, a Whole Foods ajuda na melhoria do processo produtivo, logística e até no desenvolvimento das lindas embalagens que são vistas na loja.

Os colaboradores da empresa formam uma atração à parte. Impossível identificar um padrão tirando o uniforme. Em vários casos eu não soube definir o gênero da pessoa e tão pouco importou, pois o que valeu mesmo foi o atendimento sempre gentil.

E os produtos? Já não bastassem serem bonitos, elegantes, e no caso dos alimentos, saborosos, muitos ainda trazem mensagens que nos obrigam a pensar na relação com nós mesmos, com a sociedade e com o meio ambiente.

Mais recentemente, John Mackey recuperou seu lado filósofo e criou um conceito que chamou de Capitalismo Consciente, que defende o que a Whole Foods faz na prática. Mais do que sugerir melhores práticas, o Capitalismo Consciente prega um pensamento mais profundo a respeito do capitalismo e seus impactos.

“Pensar é um das atividades mais difíceis, por isso, há tão poucas pessoas que se dediquem a isso” – disse certa vez Henry Ford. E isso também se aplica aos empreendedores. Todos com certeza partem para a ação, caso contrário não seriam empreendedores. Mas são poucos os que param para pensar rotineiramente.

Muitos negócios estagnaram quando seus empreendedores pararam de pensar ou começaram a pensar quando já era muito tarde. Só comecei a refletir sobre esse fato quando me deparei com o trabalho de Daniel Willinghan, professor de psicologia da Universidade da Virginia, autor de instigante livro chamado “Porque os estudantes não gostam da escola”. Na verdade, os estudantes não gostam da escola em si, mas de pensar. “Ao contrário da crença popular, o cérebro não está programado para pensar. Foi desenhado para poupá-lo(a) de ter que pensar, porque o cérebro não é, de fato, muito bom em pensar. Pensar é demorado e não confiável. Além do mais, pessoas gostam de pensar se isso tiver sucesso. As pessoas gostam de resolver problemas, mas não aqueles de difícil solução”.

Os empreendedores foram, de certa forma, programados para agir, mas deveriam pensar mais. Pensar é a ginástica do cérebro, e não há bons negócios sem bons cérebros.

Uma das frases de Mackey que faz muitos empreendedores pensarem é: “Não há nenhum motivo aparente por que um negocio não possa ser ético, responsável socialmente e lucrativo.” Que tal termos mais negócios assim? Fica a dica!

Inovar até na forma de cobrar?

20 de fevereiro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Desde que concebemos a nossa empresa (você pode ler mais sobre a origem no nosso primeiro post), pensamos em um formato bem diferente e inovador para cobrarmos pelo nosso serviço. Na ocasião, achamos que seria inovação (leia-se complicação) demais apresentar por si só um serviço inovador e ainda “empurrar” uma nova forma de cobrança.

Resultado? Optamos por seguir o que o mercado já praticava, ou seja, o que o cliente já estava acostumado. Ótimo, uma explicação a menos, uma barreira a menos para superar. Foi bom enquanto durou. Passados mais de 3 anos, começamos a rever a nossa forma de cobrança, são mais de dois meses efetuando e elaborando exercícios para validar esse novo formato (ah! a velha ilusão de que o que planejamos acontecerá do jeito que planejamos).  Ainda não posso falar para vocês se deu certo, pois o bolo ainda não saiu do forno!

Inovar nem sempre precisa ser algo somente relacionado ao produto/serviço em si.  O que nos motiva a mudar? Queremos simplificar o entendimento do cliente, queremos eliminar subjetividade, queremos o preço mais próximo do real, ou seja, que o cliente pague pelo que realmente está usando/contratando, que o preço seja um aliado dos nossos processos, entre outras ideias.

Que nossos processos, preços, ideias e implementações imitem o nosso meio de transporte, a bicicleta, simples e eficiente, nada mais =)

Faça o exercício de refletir se no seu negócio, algo realmente não poderia ser diferente. Convide seu cliente, seu colaborador, seus amigos para pensar com você, para criticar e refletir. Tenho certeza que boas ideias surgirão e, quem sabe, novos negócios.

Um abraço!

Você entrou na zona de conforto como ‘Buda sentado mexendo só as coisas ao seu redor?’

19 de fevereiro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Eficiência. Será que é uma ciência bicho de dezoito cabeças tão difícil assim?

Ultimamente, na De Cabrón, temos conversado muito sobre a zona de conforto e o quanto é natural entrarmos nesse modo “Buda sentado mexendo só as coisas ao seu redor”. Que nada! Levante essa bunda e saia do seu quintalzinho! Mire em novos horizontes. Busque novas soluções. Reveja seus processos. Seja crítico. Seja eficiente. De verdade.

Principalmente por enfrentarmos, nos dias de hoje, uma séria crise de mão de obra em todos os aspectos. Hoje, de um modo geral, temos um custo operacional altíssimo com uma uma insistente tendência a baixo resultado produtivo. Por isso, precisamos ser criativos para lidar com isso. Mas de que maneira, se somos ineficientes em coisas básicas, como, em sua grande maioria, “se” expressarmos corretamente.

Ou algo que deveria ser simples como interpretar textos. Então, como vamos exigir menos impostos, por exemplo, se temos preguiça em ler o texto e o contexto dos mesmos? Estar na zona de conforto é a força que nos impulsiona para a ineficiência.

Confesso a vocês que chego até a ter falta de ar quando vejo a ineficiência de algumas empresas em tarefas fundamentais para seus negócios. Não que a DE CABRÓN funcione como um relógio suíço, mas buscamos incessantemente pela eficiência em nosso negócio. Em nossa operação, certamente, nesses últimos dois anos as transportadoras talvez sejam as empresas que mais nos trouxeram problemas.

“Alô, bom dia! Por favor, você poderia me informar quando nossa remessa chegará, já que está atrasada há dois dias”. E a resposta básica, invariavelmente, é: “Senhor, estamos sem sistema.” Sem contar as inúmeras vezes em que as nossas encomendas chegam  danificadas aos nossos clientes. Outro dia, cheguei até a conversar com um amigo engenheiro elétrico sobre a possibilidade de desenvolvermos um dispositivo simples com um “acelerômetro”, para monitorarmos e verificarmos como são as condições de envio de nossas encomendas.

Aliás está aí uma oportunidade de produto. Porque a culpa nunca é do transporte. WMG! Vocês já viram como é descarregar um caminhão de telhas ou tijolos em uma obra? Por diversas vezes, tive a certeza de que as transportadoras usam o mesmo sistema. Assim, aproveito para lançar aqui duas oportunidades de novos negócios para empreendedores de plantão: sistema administrativos para transportadoras que realmente monitore o processo e transportadoras que realmente falem a verdade e sejam eficientes.

Ou pelo menos que atuem aqui no velho oeste. :-P

Para um empreendedor, a zona de conforto não existe. E isso precisa estar dentro de você, no fundo da sua alma, sendo tão natural quanto respirar. Porque só assim você vai melhorar sua eficiência.

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O que vem primeiro? O cliente, o colaborador ou o acionista?

14 de fevereiro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

A empresa em que atua faz de você uma pessoa melhor? Esta pergunta resume o trabalho mais recente do professor Robert Kegan, um dos principais pesquisadores da Escola de Educação de Harvard.

É uma pergunta profunda que pode levá-lo(a) a pensar em toda a sua carreira profissional como empreendedor ou empregado. Nas duas condições, surge a dúvida: a empresa precisa se preocupar em tornar seus funcionários melhores pessoas? A empresa não deve se preocupar apenas com o resultado que o profissional deve trazer?
Esta situação vai de encontro a uma frase que ouvi de um empreendedor no ano passado: “Eu tento contratar um profissional, mas sempre vem uma pessoa junto”.

É possível separar a pessoa do profissional?

Kegan explica que “nas organizações medianas, toda pessoa executa um segundo trabalho que ninguém a paga para fazer que é esconder suas fraquezas e inadequações, gerenciar a boa impressão que as outras pessoas têm sobre ela e preservar a posição que poderia ser pior se seus colegas não tivessem a impressão de que ela está fazendo o seu melhor”. Mas o pesquisador explica que há empreendedores que perceberam que este segundo trabalho é a maior perda de recursos no dia-a-dia e as melhores empresas aprenderam a desenvolver as melhores pessoas e daí, ter os melhores profissionais.

Nesta perspectiva, investir no crescimento pessoal e não apenas no profissional traz os melhores resultados para o negócio e muito pode ser aprendido com empreendedores que já sabiam disso muito antes do professor Kegan.
“A essência dos negócios são as pessoas. Em muitas empresas, você precisa deixar sua personalidade em casa para ir ao trabalho…Não somos assim. Sempre acreditamos que, se você permitir que as pessoas sejam elas mesmas no trabalho, elas gostarão mais do que fazem. Elas serão mais produtivas porque gostam do trabalho. Achamos que você não deve se interessar só pelo lado profissional das pessoas…Tentamos sempre ser sensíveis às necessidades do nosso pessoal e reconhecer o que é importante para eles em sua vida pessoal”. Diz Herb Kelleher, co-fundador da Southwest Airlines.

Kelleher, seu sócio Rollin King, e a empresa que co-fundaram são desconhecidos no Brasil. Só quem foi para os Estados Unidos reconhece os aviões de combinação duvidosa de cores (azul meio roxo, vermelho e amarelo) da empresa. Mas atualmente a empresa é a maior do setor aéreo de baixo custo no mundo com faturamento próximo de US$ 18 bilhões e se mantém entre as melhores empresas para se trabalhar e as mais admiradas a vários anos, o que coloca Kelleher e King entre os melhores empreendedores de todos os tempos, pois conseguiram conciliar crescimento financeiro e desenvolvimento das pessoas.

A empresa nasceu literalmente na mesa de um bar na cidade da San Antonio. Cansado do péssimo serviço das companhias aéreas locais, King rascunhou em um guardanapo a ideia de criar uma empresa área que cobriria apenas as cidades de Dallas, San Antonio e Houston, como se fosse um ônibus circular. Tudo seria simples e barato, mas o atendimento seria impecável.

“Responda rápido: O que vem primeiro? Seus colaboradores, seus acionistas ou seus clientes?” – perguntou.
“Se o colaborador vier primeiro, então ele(a) estará feliz. Um colaborador motivado trata o cliente bem. Um cliente feliz retornará, o que tornará o acionista também satisfeito. Não é um mistério, é o jeito como as coisas funcionam” – diz Kelleher. “Mas você precisa encontrar as pessoas certas, com atitudes maravilhosas”. – complementou.

Para formar sua equipe inicialmente, que agora chega a quase 45 mil pessoas, Kelleher buscava três atitudes, além da competência técnica, que são os pilares da empresa até hoje:

Garra: Ou espírito de guerreiro, que é observado no total compromisso, custe o que custar, em entregar um excelente nível de serviço. Os colaboradores têm total autonomia para fazer o que acham que deve ser feito para atender à expectativa do cliente;

Vontade de servir: Que é traduzido no respeito aos outros colocando-se sempre em seu lugar;

Atitude divertida e carinhosa: Que é consolidado no orgulho de pertencer a empresa, na diversão e nas relações de carinho entre as pessoas e no fato de não se levarem tão a sério.

As lições simples da Southwest Airlines mostram que sim, a empresa em que atua deveria fazer de você uma pessoa melhor!

Referências

http://blogs.hbr.org/2014/01/does-your-company-make-you-a-better-person/

Nós tomamos um caldo!

13 de fevereiro de 2014

RAFAEL MAMBRETTI ESCREVE TODA QUINTA-FEIRA

Existem várias expressões: olha a onda! Olha a avalanche! Se ficar o bicho pega…

Todas tem significado similar, ou seja, sua situação vai mudar drasticamente, em um momento se está de pé na prancha e no seguinte, prendendo a respiração e nadando rumo a superfície.

Empreender pode ser uma constante de ‘caldos’, como dizem os surfistas. Muitas vezes, o negócio cresce e te leva junto sem você nem saber. Planejar é sempre importante, mas é mais importante que vender? Faturar? Controlar gastos?

Ouvir os comentários dos funcionários? Fazer reunião com a equipe? Tudo isso é importante e precisa ser levado em conta, mas existem circunstâncias, que podem te forçar a ter que priorizar um em detrimento do outro.

Nós vivenciamos (e ainda vivemos) essa situação. A empresa cresceu, o trabalho aumentou, a equipe aumentou, mas os nossos processos, a nossa forma de nos organizarmos (através de processos), não evoluiu no mesmo ritmo.

Resultado? Tomamos caldo! Agora, estamos nadando de volta à superfície. Na nossa hierarquia de prioridades, abrimos mão de algumas coisas – ao longo do caminho – para eventualmente retomá-las e foi isso que nos levou ao caldo. Portanto, preparem-se para essas situações, será preciso escolher do que abrir mão, mas abrir mão não significa negligenciar!

Ter um escopo macro ajuda, não precisa estar em papel ou no power point, pode estar na sua cabeça, mas é importante ter esses milestones avisando que, em um determinado momento, você terá que dar atenção total à aquela atividade ou poderá comprometer o seu crescimento.

Até a próxima e um abraço,Rafael

Artesanal! Falei algum palavrão?

12 de fevereiro de 2014

LEO SPIGARIOL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA

Será que a palavra artesanal ainda soa como um palavrão? Acho que, para muitos mercados, ainda sim. Talvez pelo fato de, em nosso país, este termo, inconscientemente, estar tão ligado ao improviso, ao mambembe, ou mesmo àquele sujeito que largou tudo e foi fazer esculturas de argila para vender na Praça da República.

Engano. Cada vez mais o mercado de produtos artesanais cresce, pois nós, consumidores cansados de sermos iguais uns aos outros, manifestamos essa necessidade de consumo ‘exclusivo’. A safra numerada, o microlote, a série limitada, o hecho a mano. É como poder ter algo com aura e autenticidade, conceitos descritos, no mundo das artes, por Walter Benjamin. Ele defendia que uma obra de arte original é única – imagine, de uma forma acessível, como numa prateleira de supermercado, levar uma pintura original de Van Gogh para sua casa.

O feito à mão é capaz disso. Em países como a França, por exemplo, o produto artesanal seguramente é tão importante, ou até mais, do que os produtos fabricados em série, multiplicados, irmanamente idênticos e sem alma.

E o mais interessante é que lá o varejo está preparado para isso, aberto e valorizado, diferentemente de nós que, em sua maioria, precisa dançar a valsa do varejo: verbas de introdução, bonificações, verba de parceria e outras regras que você precisa estar preparado para encarar. Bom mas esse tema vale um outro post e talvez alguns novos inimigos. :-)

O exemplo dessa expansão e tendência é o mercado de queijos que em 2013 iniciou sua maturação.

Na semana passada, eu estava assistindo a um programa em canal fechado que, basicamente, falava sobre o funcionamento de cérebro humano e como nós raciocinamos. Aliás,é bem interessante para entendermos algumas atitudes inconsciente das pessoas. Em um certo momento, eles mostraram um teste realizado com um comediante no papel de apresentador de TV em um shopping center, acompanhado de seu câmera e vestido de terno e gravata – ele perguntava para as pessoas algo completamente absurdo. A maioria acreditava se tratar de algo sério.

Em outro momento, ele já vestido de camiseta e calça jeans, fazia a mesma pergunta e a reação das pessoas era completamente diferente. A maioria achou que ele era louco ou o que dizia não tinha crédito.

E o que concluímos disso?

A lógica que impera é a de que o produto artesanal sempre precisa estar vestido de camiseta e jeans. Desde o princípio no DE CABRÓN, sempre buscamos, no processo de fabricação, embutir em nossos produtos a sensação de aura e autenticidade presente no produto artesanal, mas com posicionamento e percepção clara de algo industrial.

Hoje nosso maior stress seguramente é conseguir manter isso. Estamos deixando pouco a pouco de ser artesanal em muitos de nossos processos de produção e naturalmente a necessidade de redução de custos bate em nossa porta todas as manhãs. E o grande segredo para enfrentar isso é: desenvolver parcerias.

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Ben Kaufman fundou sua primeira empresa com 14 anos (uma história sobre criatividade)

7 de fevereiro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Quão criativo você era aos 14 anos? Nesta idade, Ben Kaufman tinha fundado sua primeira empresa, a BK Media, em Long Island (Nova York). Em 2001, ele descobriu que não tinha toda a experiência de alguém com mais idade, mas conhecia bem as pessoas da sua faixa etária e criou uma empresa de web design e produção de vídeo com o que havia aprendido na internet.

Como o investimento era baixo, seus pais não se importaram quando empresas como a Maybelline (fabricante de cosméticos), L’Oreal (fabricante de cosméticos) e  Footlocker (rede de lojas de calçados esportivos) começaram a procurar o jovem Ben pedindo trabalhos de comunicação digital voltado para os jovens, desde que ele continuasse estudando para a faculdade.

Na faculdade, já em 2005, Ben não se entusiasmava com algumas aulas, preferindo ouvir seu iPod na sala. Mas diante de tantas broncas, começou a pensar em um fone de ouvido que não chamasse tanta a atenção, que fosse mais compacto e que ainda pudesse ficar encoberto.

Fez o rascunho do projeto e convenceu seus pais a pagarem uma viagem para a China. Lá, ele encontrou fornecedores dispostos a fabricar o produto. Entusiasmado com a aceitação do seu fone de ouvido para iPod, começou a pensar em vários outros acessórios para os produtos da Apple. Entendia qual era o problema dos usuários, criava uma solução e mandava fabricar na China.

Aos 18, já tinha um segundo negócio, a Mophie, que começou a ganhar prêmios de design no MacWorld já no seu segundo ano de vida. O sucesso do negócio fez com que Ben captasse US$ 1,5 milhão para ampliar o leque de produtos. No MacWorld de 2007, Ben se dispôs a criar um novo produto, da ideia a concepção final, em 72 horas.

E ficou impressionado quando centenas de outros jovens se dispuseram a ajudá-lo, discutindo o conceito, propondo melhorias, testando os protótipos e, o mais importante, querendo comprar o produto final que haviam ajudado a desenvolver. E foi a partir deste momento que ele descobriu que não precisa contar apenas com a sua criatividade, mas com a de centenas de pessoas que queriam a mesma solução e se propunham a ajudar.

Decidiu vender a Mophie no auge do seu sucesso para criar sua terceira empresa aos 20 anos, a Kluster, uma plataforma online que reuniria pessoas para juntas criarem novos produtos – depois o negócio foi rebatizado como Quirky.

Na Quirky, qualquer pessoa pode propor uma solução, um resultado que se pretende chegar. Todas as semanas, a empresa recebe centenas de sugestões. São pessoas que querem uma melhor solução para limpar o chão, organizar os fios dos equipamentos eletrônicos ou simplesmente descobrir como separar a gema da clara em um ovo.
As melhores ideias são escolhidas por pessoas da rede e desenvolvidas até serem comercializadas pelo site da empresa ou por redes de varejistas e lojas independentes.  No caso de maior sucesso da empresa, a história da criação é muito interessante: Jake Zien ainda era um adolescente estudando no colégio quando começou a se incomodar com seu filtro de linha que não acomodava todos os carregadores de bateria de diferentes tamanhos e formas. Propôs a ideia e 708 outras pessoas o ajudaram a co-desenvolver o produto. Ele foi lançado em 2011 e, em 2013, Zien se tornou milionário com a sua participação nas vendas do seu filtro de linha flexível.

O que Ben Kaufman, agora aos 27 anos, fez com a Quirky foi permitir o surgimento de centenas de outros ‘Bens’, pessoas altamente criativas que não sabem como transformar sua criatividade em produtos comercializáveis. Como era o caso de Jake.

O Quirky pode ser uma das soluções para ajudar as pessoas criativas, mas e a parcela majoritária da população que acredita não ter esta habilidade?

Uma das respostas para este desafio tem sido dada pela professora Tina Seelig. Neurocientista de formação, Tina é a diretora do Stanford Technology Ventures Program e professora de criatividade da d.School, que também fica em Stanford. Ela se alinha a vários outros pesquisadores que entendem que todos nós aumentamos a nossa capacidade criativa durante a infância e que ela é posteriormente reduzida conforme nos tornamos mais “adultos”.

E para recuperar a capacidade criativa dos seus alunos “adultos”, ela os incentiva a pensar em uma questão matemática banal: Quanto é o resultado de cinco mais cinco? Dez, você responderia. Alguns “adultos” até pensariam se não há uma pegadinha em uma pergunta tão óbvia.

Durante nossa formação rumo à fase adulta, o ensino fundamental, médio e superior nos induz a pensar em ter a resposta exata para a questão dada. É assim que tiramos as maiores notas nas provas, passamos no vestibular e nos formamos na faculdade. Mas os maiores problemas da vida não tem uma questão bem definida, e por isso, em muitos casos, não há uma resposta certa. E quando encontramos uma resposta “certa” acreditamos que ela funcionará em todos os casos. E é este conhecimento normal típico dos “adultos” que vai reduzindo o espaço da criatividade.

Para refletir sobre esse aspecto, Tina sugere outra questão matemática também banal: Quais números somados teriam como resultado o número dez? Inúmeras, diria você. Já sabendo que não haveria nenhuma hipótese de alguma pegadinha.

Se entender qual é o verdadeiro resultado que quer chegar e aceitar que sempre haverá diversas soluções para poder atingir este resultado, entenderá como funciona a fórmula da criatividade.