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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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E a Maria Brigadeiro pensou em desistir do seu sonho doce

31 de julho de 2013

Juliana se despede hoje do blog

Lembro desse dia como se fosse hoje: caía uma chuva diluviana em São Paulo, causando um congestionamento recorde na cidade. Todas as encomendas da tarde estavam presas no trânsito, a quilômetros de distância de serem entregues.

Tínhamos um único telefone na época e fizemos  fila indiana, Carol, Maria e eu, para ligar para os clientes e explicar o motivo do atraso. Conseguimos contornar a situação, exceto por uma única encomenda, que eu mesmo havia tirado.

Tratava-se de uma cliente que estava indo visitar a irmã em Goiânia depois de anos sem vê-la e seu presente – esperado ansiosamente pela outra – seria uma caixa de  25 brigadeiros. Havia no pedido uma recomendação minha em caneta vermelha: “Não atrasar! Cliente sai para o aeroporto às 16h em ponto. Vai levar os brigadeiros para irmã, depois de muitos anos sem vê-la.”

Nossos pedidos são assim, bem descritivos. Passava das 15h30 quando o motorista ligou dando o último boletim do trânsito e a má notícia “não vou conseguir chegar a tempo”.

Liguei para cliente para explicar a situação. Ela entendeu, mas chorou no telefone quando falou da felicidade que seria para irmã receber os brigadeiros, seu doce preferido. Fiquei arrasada. Liguei para Deus e o mundo, cotei remessas aéreas, perguntei se algum amigo iria para Goiânia naquela data e nada. Sentamos eu e Carol (hoje gerente de marketing da Maria Brigadeiro) na soleira da porta da casinha de vila onde era a Maria Brigadeiro e choramos de frustração e cansaço. E mesmo que os homens condenem isso, com todos os manuais harvardianos e columbianos de boas práticas corporativas, sim, mulheres choram no trabalho, especialmente na TPM.

Naquele dia, que já virava noite, pensei seriamente em desistir. Tinha deixado minha profissão de jornalista para fazer doces porque acreditava que ia fazer as pessoas felizes com eles, mas estava fazendo chorar até quem eu não conhecia.

Que contradição cruel seria essa, afinal? Antes que eu pudesse concluir o pensamento, a porta abriu e entrou o Joce, nosso motorista, todo molhado. Ele se aproximou do meu computador e com um sorriso no rosto deixou um protocolo de entrega de pedido com uma nota de um estacionamento do aeroporto. Depois que desligamos, ele ligou para a cliente e disse que ia fazer uma última tentativa de entrega, diretamente no aeroporto. Ele conseguiu. Entregou os brigadeiros minutos antes dela embarcar.

E desde então tem sido sempre assim. Quando eu desanimo ou não tenho mais recursos para resolver um problema, alguém da equipe sempre me puxa pela mão. Com tudo quero dizer o seguinte: são as pessoas que fazem uma empresa, não os processos. E se elas acreditam no sonho, elas nunca vão te deixar esquecer dele.

Dormir é para os fracos

30 de julho de 2013

Renato criou o Fashion.me

Às vezes aparecem algumas oportunidades que fazem você sair da zona de conforto. Acho que todo empreendedor tem uma propensão a risco e a aventura. Escrever este blog durante 7 meses, todas as semanas, foi uma dessas aventuras para mim.

Eu não sou jornalista, nunca gostei das matérias de humanas, eu me dou muito melhor com a matemática e a computação. Eu já tinha escrito alguns artigos antes. Um dos meus avanços mais importantes na carreira, quando eu trabalhava no mercado financeiro, foi um discurso que escrevi durante uma reunião estratégica. Não acho que eu escrevo bem, mas acho que tenho uma boa imaginação.

Mas é incrível como todos nós não sabemos prever o tamanho dos nossos desafios. Quando eu topei o desafio de escrever aqui, eu achei que ia ser mais fácil. Um monte de gente me pede conselhos sobre startups no dia-a-dia, basta colocá-los no papel. Imaginei que ia conseguir deixar alguns tópicos prontos, que eu ia perder no máximo uma hora para escrever todas as semanas. Eu estava enganado.

Este mesmo fenômeno acontece nos meus projetos. Eu sempre acho que é fácil, que vai ser mais rápido e que vai custar menos. Sempre quebro a cara. A gente esquece dos detalhes, a gente esquece das pequisas, a gente esquece que existem outras atividades que também tem que ser feitas. As madrugadas, os fins de semana, tão aí para isso, tirar o atraso.

“Dormir é para os fracos!” Este é o lema informal de todo startupeiro. Durante alguns encontros com outros colegas, a gente até compete para ver quem está dormindo menos.  Mas tem as recompensas! A primeira é saber que eu fui capaz. Alguns textos ficaram bons, outros ficaram ruins. Tem alguns que, olhando agora, eu tenho até vergonha…

Eles estão aí para a internet inteira ler, e o Google não deixa ninguém esquecer. A outra recompensa são as conexões com as pessoas. Em mais de um evento que eu fui, alguém virou para mim e falou que leu meus artigos aqui ou no Linked In (eu escrevo também para lá) . Teve até um cara que não desgrudava de mim o evento inteiro, confesso que eu fiquei com um pouco de medo.

O meu último conselho para você empreendedor, aqui no Estadão é esse: não tenha medo de se expor. Coloque a sua cara a mostra! Comunique-se. Crie um blog, poste o seu dia-a-dia, fale o que está na sua cabeça, mostre que a sua empresa é feita de pessoas e que elas tem uma visão de mundo.

Escreva para seus funcionários também, mostre para eles qual é a sua visão de mundo, não só nos aspectos do dia-a-dia do negócio, mas sobre tudo. Escrevendo você aprende muito. Eu termino aqui, mas continuo em outros lugares:

LinkedIn: http://www.linkedin.com/influencer/625159
Twitter: @renatost
E não deixem de visitar o Fashion.me (http://fashion.me)

Beijos e Abraços, foi uma experiência incrível!

Imagine um colega de trabalho cuspindo no chão!!!!

29 de julho de 2013

Pedro fala sobre cultura empresarial

“O conhecido soneto diz que o beijo é a véspera do escarro, mas na China é o contrário: é possível ver uma senhorita salivando na rua para depois roçar seu lábio em outro qualquer.”*

É a introdução de uma reportagem sobre escarro antes dos Jogos Olímpicos de Pequim. Escarrar na rua é um ato muito normal dentro daquela cultura. Agora pare e imagine você na rua e de repente uma pessoa solta um maior escarro verde:

- Ai que nojo!  Você diria. Façamos uma analogia e imagine um amigo de trabalho agindo de maneira muito similar ao cuspir no chão, como por exemplo, no trato com os seus colegas ou pior ainda com o próprio cliente.

Este exemplo choca, mas por meio dele fica mais fácil de entender a importância do envolvimento contínuo de todos para resguardar a cultura da empresa e suas peculiaridades.

Este cuidado é ainda mais importante para as pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar e entender a cultura, processo este que pode levar em torno de 10 meses ou mais. Quanto maior a diferença nas culturas maior será a dependência da abertura da pessoa para a autoformação, e talvez leve ainda mais tempo.

Se uma pessoa entra na empresa e sempre viveu em um ambiente onde o catarro era normal, isto é, onde as pessoas são tratadas única e exclusivamente pelo seu papel profissional, cheia de preconceitos, sem liberdade, sem voz ativa, sem acolhimento, enfim, como objetos e não como sujeitos, ela provavelmente sofrerá para se ajustar, mas com certeza será melhor.

É uma grande mudança para a pessoa que entra e um grande desafio e oportunidade para as pessoas de dentro exercitarem o que chamamos de aprendizado pessoal.  Aprendizado pessoal para quebrar a rigidez comum do nosso pensamento e entender um pouco mais desta nova subjetividade que está entrando na empresa.

Entender que o choque cultural pode ser muito grande e inconscientemente desestabilizar a pessoa, deixando-a sem chão e ocasionando ações impróprias. É da responsabilidade de cada um acolher, educar, e não se sentir constrangido em falar em particular sobre algo errado.

Quebrar o “nojo” que existe em nós e falar que aquele catarro pode trazer consequências graves para a saúde das pessoas. O calar-se é tolerar algo, e este, molda a cultura tanto quanto o mau exemplo.  Este ato de conversar com a pessoa ao invés de fazer cara feia é também uma grande oportunidade para gerar confiança e empatia. Contudo, é preciso fazê-lo rápido para não perder o momento e também de forma humilde, simples e sincera.  Você nunca experimentou um feedback de estranhos? O efeito educador é bem maior.

Lembro-me de uma viagem com a família e, por medo de perder a conexão, já fui pedindo e entrando na frente dos outros. Quando um passageiro me perguntou que voo era, notei que eu não tinha ajustado o fuso horário.

Ai que vergonha! Veja a cara das pessoas que furam a fila e são reprimidas. Falo aqui do constrangimento em público, e por isso, o feedback comportamental tem que ser sempre, sempre em particular. Assim, consistentemente vamos mudando a percepção da pessoa, e principalmente aprendemos um pouco mais de nós mesmos prezando por aquilo que acreditamos.

Não podemos nos envolver na questão profissional, quando não estamos diretamente envolvidos, mas podemos sim, ajudar uns aos outros nos deslizes na cultura. Várias vezes em um ato emotivo, fui lembrado pelo meu sócio Bernardo, em ter paciência e pensar melhor na ação. Lembro-me dos primórdios, quando eu jogava o celular na parede. É um ato de muita coragem essa ação imediata depois da reflexão interna. Como diz o ditado: Contratamos pelo profissional e demitimos pelo pessoal.

O pessoal é de responsabilidade de todos. A cultura é a união das pessoas, de como elas agem no elevador, de como elas cumprimentam e respeitam os outros de hierarquias diferentes, de como elas não olham para o lado para uma pessoa diferente ou pouco conhecida, enfim, o quanto elas são sensíveis e respeitosas com os outros.

Não precisamos esperar algo anormal acontecer para agirmos. Podemos sair do nosso conforto e dar uma volta pela empresa e ir de encontro aos mais desconhecidos. Adoro ver o Guilherme, gerente TI da ClearSale, passeando pela empresa e conversando com as pessoas.  Ele descontrai nos momentos “buchas”, além de ajudar na difusão da cultura.

Finalizando, eu adoro metáforas (hoje foi forte, humana e olímpica), pois elas atingem a nossa humanidade e nos levam a refletir, e neste caso de hoje, o quanto podemos crescer como pessoa ficando atento à subjetividade das pessoas em seus relacionamentos. É na atenção às interações humanas que damos um gosto diferente para a vida. Experimente! Faça a diferença para você e para a cultura da empresa.

* “Cuspe à distância ganha multa, não medalha” – Rodrigo Bertolotto

A Natura começou distribuindo rosas, não produtos

26 de julho de 2013

Post fala sobre histórias brasileiras

Em agosto de 1969, Luiz transformava o seu sonho pessoal em realidade. Tinha vendido seu fusca, e com o dinheiro reformou uma antiga e pequena borracharia na Rua Oscar Freire, na cidade de São Paulo, onde montou sua primeira e única loja. Ainda conseguiu um imóvel na Vila Mariana, onde estruturou uma pequena fábrica.

Sem muito dinheiro, imprimiu alguns cartões que ficava distribuindo na rua com a mensagem: “Nós pensamos em você. Gostamos do mundo, dos dons da vida, da música, da amizade, do elo que nos une, da mística engrenagem dos momentos. Aprendemos a força do amor. Com amor, muito amor, nós fabricamos beleza. Venha nos conhecer”.

Junto com o cartão, as pessoas também ganhavam uma rosa. Este não era o jeito de pensar do Luiz, era seu jeito de ser. E o seu jeito de ser tinha sido transformado em cada detalhe na sua lojinha e em seus produtos, mesmo que tudo de forma muito humilde e simples.

Lembrei da história do (agora) Seu Luiz, quando li o post desta semana no Blog do Empreendedor do Estadão PME da Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, em que ela explica que uma empresa deve ser mais do que o sonho de alguém, deve ser o seu reflexo. Quanto mais pessoal, mais único será o negócio – explica.

Em um momento em que temos (mais uma vez) uma enxurrada de negócios copiados do exterior (chamados de copycats), vale se inspirar na trajetória da Juliana e do Seu Luiz. A trajetória da Juliana, ela mesma tem contado aqui no blog. A do Seu Luiz, conto, resumidamente, agora.

Luiz tinha sido executivo brilhante em uma multinacional norte-americana até ser designado para liderar uma área que iria explorar uma inovação para o Brasil daquela época: a máquina de barbear. Foi estudar o mercado e começou a se interessar pela pele do brasileiro e ficou espantando com algo que todos sabiam, mas ninguém percebia (e poucos ainda se dão conta) de que não há “o brasileiro” típico.

Havia uma incrível mistura de povos, raças, cores. E por esta razão, não havia “a pele típica” do brasileiro. Mas os fabricantes de produtos para a pele teimavam em oferecer fórmulas europeias para os consumidores brasileiros. E curiosamente, também no final da década de 1970, havia vários copycats brasileiros de fabricantes de cosméticos internacionais, inclusive nos nomes das empresas:  Pierres, Christians, Alexanders e Isabelles; que vendiam para brasileiros que iam ao coiffeur e que davam valor a tudo o que era (ou parecia) estrangeiro.

Mas Luiz queria ser mais brasileiro que o brasileiro “médio” da época. Queria fabricar produtos que atendessem a diversidade de pessoas que havia na cidade de São Paulo, com extratos da biodiversidade brasileira na sua lojinha, onde ficava distribuindo cartões com rosas que falavam sobre dons da vida, amizade, mística, amor. E para complicar, escolheu um nome para a sua empresa que remetia aos hippies da época, que valorizavam a natureza.
Se você estivesse no final da década de 1960, como chamaria um sujeito assim? “Louco” seria uma resposta que muitos concordariam. Mas não precisa pegar a máquina do tempo e viajar tanto assim. Imagine encontrar a Juliana Motter em 2007 e ouvir sua ideia de criar uma loja que só vendesse brigadeiros (algo tão brasileiro que qualquer brasileiro “médio” sabe fazer) em uma lojinha decorada com móveis usados e localizada em uma rua secundária do bairro de Pinheiros. Como a chamaria? Nem precisa responder já que seu pai, mãe e amigos já a chamaram de louca naquela época.

Mas hoje, Luiz Seabra, co-fundador da Natura Cosméticos e Juliana Motter ainda são os mesmos “loucos”, mas as pessoas os chamam de visionários.

“As pessoas que são loucas por acreditarem que podem mudar o mundo, são aquelas que realmente farão isto” – dizia outro maluco visionário chamado Steve Jobs.

Precisamos de mais brasileiros assim: loucos pelo País e pela sua história.

Adote um amiguinho de quatro patas. Eu apoio essa ideia!

25 de julho de 2013

Adriane fala sobre adoção

Com a chegada desse frio não é difícil imaginar como os moradores de rua estão lidando com isso. Se pra eles já é difícil, pense em como os cachorrinhos sofrem com as baixas temperaturas, sem abrigo e sem nenhuma comida quentinha para alimentá-los.

Essa semana está circulando no Facebook  uma foto de um cachorro São Bernardo, ainda filhote, que deve ter por volta de 8 meses, não castrado e que estava amarrado a uma árvore na Avenida Rebouças, nos Jardins. O que leva alguém a ter uma atitude dessas?

Sempre vemos muitos vira-latas, mas os cães de raça também sofrem abandono. Talvez, nesse caso, porque crescem demais, talvez porque sai caro manter um animal que chega a pesar por volta de 70 quilos. Não sei.

Eu não encontro respostas. Existem várias campanhas relacionadas a esse assunto. Não compre, adote. Mas o faça com convicção, com responsabilidade. Não adote pensando que pode devolvê-lo. Os bichinhos não são brinquedos.  Eles sofrem, sentem medo, frio e também ficam muito alegres quando encontram alguém para “chamar de seu “. Esse é o meu dono. O meu tutor.

Mudar esse cenário só depende de nós. Muitos de nós mantemos esse mercado de compra e venda de animais.
Dê uma oportunidade a um cachorrinho abandonado. Permita que ele tenha uma vida melhor. Faça um cachorrinho feliz: adote!

A decoração (certa) ajuda a contar a história da sua loja

24 de julho de 2013

Juliana começou loja na porta de casa

Quando eu era criança, gostava de brincar de “vendinha”. Jorginho, meu amigo, foi meu primeiro e único sócio. Arrastávamos (sabe-se Deus como) um aparador de jacarandá da minha mãe para a calçada da casa de vila onde a gente morava e lá vendíamos um pouco de tudo que tinha na dispensa: sorvete de vitamina de Neston, bolo nega maluca que faziam lá pra casa, gelatina colorida, brigadeiro de colher.

Isso que era vontade de montar uma loja de doce.

Herdei o móvel de jacarandá e foi sobre ele que eu improvisei a primeira vitrine da Maria Brigadeiro. E como abri o ateliê em casa, porque aprendi que doce bom é aquele que sai fresco da cozinha, meus móveis e meus objetos pessoais foram naturalmente sendo incorporados à decoração da empresa e constituindo a identidade da marca.

A boa notícia é que quando me mudei para uma loja maior, tinha tudo o que precisava para deixar o lugar com a minha cara. Eu mesma coloquei, da noite para o dia, as coisas todas no lugar. Ou seja, não gastei quase nada com decoração. A notícia não muito boa é que tive que começar a minha casa do zero, pois até as panelas passaram a ser “acervo” da Maria Brigadeiro.

Eis aqui algumas coisas que aprendi nessa arrastação de móvel toda:

1) Uma empresa é um sonho de alguém. E o ambiente, a decoração ajuda a contar essa história. Quanto mais pessoais eles forem, mais único será o negócio.

2) Às vezes, mudar as coisas de lugar é tudo o que você precisa para dar uma cara nova à decoração. Aquela mesa ou cadeira que estão encostados no almoxarifado podem ganhar cara nova com um restauro ou uma pintura.

3) Móveis e objetos antigos e/ou usados são mais exclusivos e podem ser arrematados por ótimos preços em feiras de antiguidades, brechós e sites

4) Se você não quer um ambiente corporativo, opte por móveis domésticos em vez dos de escritório.

5) Não é TOC não. Um quadro torto e qualquer objeto desalinhado causa uma sensação inconsciente de desconforto. Se a ideia é proporcionar uma experiência marcante, cada detalhe conta.

Startup brasileira não é o Facebook e precisa gerar caixa rápido

23 de julho de 2013

Renato fala sobre longo prazo x curto prazo

A gente aprende na escola a pensar no longo prazo, escrever a visão e a missão e elaborar as estratégias do negócio. Na vida real, grande parte do tempo se dá nas tarefas de curto prazo, coisas do dia-a-dia, como se preparar para uma reunião, responder um e-mail do cliente, negociar com o fornecedor, etc.

Quase nunca paramos para pensar se esta ou aquela atividade estão de acordo com as nossas estratégias, quando muito pensamos como ela impacta a linha da receita ou da despesa. Na grande maioria das vezes fazemos as atividades porque é o nosso trabalho, você sempre fez estas atividades, ou alguém mandou você fazer isto e pronto.

Na grande maioria das vezes, as atividades que fazemos no dia-a-dia, e os nossos objetivos de longo-prazo vão na mesma direção, mas nem sempre é assim:

O Fashion.me, por exemplo, é um site e vende publicidade para os seus cliente. De vez em quando, aparece um cliente que não quer comprar publicidade, mas sim usar a nossa tecnologia e está disposto a (e bem) pagar por isto.  Pensando na estratégia de longo-prazo, e nosso foco, deveríamos negar este cliente e continuar a vender publicidade, afinal, vender tecnologia não é o nosso foco e se queremos ser a maior rede social de moda do mundo, não faz sentido licenciar a nossa tecnologia.

Por outro lado, precisamos de caixa e esta é uma ótima oportunidade de gerar um lucro extra. É bem difícil dizer o que se deve fazer nestas situações, o que tentamos fazer é procurar alinhar de alguma forma este pedido com a nossa estratégia. Por exemplo, no caso anterior, poderíamos tentar fazer com que os usuários desta plataforma licenciada também sejam usuários da rede principal, e que eles saibam que estão participando do Fashion.me.

Deste modo, mesmo em um outro ambiente, eles de algum modo fazem parte da rede e aumentam a nossa audiência. Quando a sua empresa tem recursos é mais fácil dizer não para estas coisas. É comum ouvir histórias de startups americanas que tiveram oportunidades de ganhar bastante dinheiro mas não toparam porque ia contra os seus objetivos de longo prazo.

O Facebook, por exemplo, durante muito tempo não aceitou fazer anúncios para não atrapalhar a experiência do usuário e mesmo quando resolveu aceitar, fez de uma maneira diferente do convencional, na época, que era o uso de banners.A realidade brasileira é que a maioria das startups não tem muita opção, é preciso gerar caixa muito rápido, fazendo o que for preciso, e isto quase sempre inclui atividades que não são o foco e que não estão de acordo com as estratégias de longo prazo.

Quer inovar? Comece abraçando o seu chefe!

22 de julho de 2013

Pedro dá dicas para fomentar a inovação

Bernardo Lustosa finalizou o post da semana passada dizendo: “A necessidade de inovar nasce da necessidade de resolvermos algum problema e precisamos querer resolvê-lo. Formas extrínsecas de estímulo à inovação já foram testadas e falharam. Crie um ambiente propício e a inovação virá de forma intrínseca, como quase tudo que permeia o ser humano: de dentro para fora.”

Buscando o de dentro para fora conseguimos exercitar o SER dentro do contexto profissional. Em roda de conversa com um executivo de mercado ele me comentou que queria sair para empreender novamente visto que a busca constantemente pelo numero, pelo EBITDA estava deixando-o cansado.

Ele queria novamente começar de novo com as pessoas para construir algo que tivesse sentido para ele novamente, celebrando as pequenas conquistas dos primeiros clientes e do frio da barriga para investir em algo bem maior depois de fechar pequenos contratos.

O empreender é uma vida de grande inovação de si mesmo baseada no controle da intensa emoção que aflora em cada decisão, derrota e conquista.  A emoção da incerteza, a emoção de sentir valores mais perenes da confiança, da integridade, a emoção de vivenciar com as pessoas o mesmo tesão de fazer acontecer algo impossível.

Enfim, a emoção de viver intensamente o sentido da vida da realização com e através das pessoas, na troca e na comunhão do realizar pequenas e grandes conquistas.  Empreender é exercitar o SER no contexto corporativo. No exercício do profissional temos a imutável regra do ganho financeiro para o sustento próprio e no empreender o risco, a beleza do aprendizado pessoal, do auto conhecimento quebrando algumas cicatrizes que desenvolvemos durante toda a vida.  É voltar a ser criança com a criatividade inata e a alegria de aprender sempre.

Afinal somos seres vivos e somos condicionados. Sair deste condicionamento é inovar e empreender é descobrir outras possibilidades desta própria inovação. Este inovar de si mesmo traz aquela importante sensibilidade do contexto que o Bernardo comentou no último post, “conversar com o cliente, é preciso entender o trabalho que seu produto está realizando para ele, qual problema ele está resolvendo. Este processo se dá pela conversa, pela visita, pela simples observação do seu cotidiano, pela empatia.”

Empatia é sentir o que o outro sente, é buscar uma  crítica mais humana do contexto e criar inúmeras possibilidades para a inovação, ou pelo menos um grande prazer de sentir a vida.  A felicidade, assim, é contínua no aprender de si. Podemos não ter o ganho financeiro, mas com certeza tivemos o ganho pessoal de viver a emoção. É como sentir a emoção em um grande estádio de futebol sendo este a própria empresa.

Como estimular este empreendedorismo na empresa? Dando autonomia para as pessoas correrem mais risco! Faz dois meses que participamos de uma RFP (Request For Proposal) de uma grande empresa e tínhamos um curto espaço de tempo para responder. O pessoal da área de inteligência analítica decidiu que no feriado eles iriam fazer um score de fraude e crédito para fazer algo inovador para a RFP. Eles correram e conseguiram fazer.  Com este empreendedorismo conseguimos vencer a RFP e ganhar de grandes empresas que não se mobilizaram com algo novo. Foi muito emocionante  vencer aquele desafio visto que era também algo fora do nosso core business.

Outra conversa também nesta semana me levou a pensar em inovação. Em algumas  corporações temos a busca pelo poder muito forte entre diretores. Esta busca sempre é de fora para dentro e aí a grande dificuldade de inovar. O poder intimida, não gera um feedback honesto, é repressor, é a disciplina do pai que emburrece a criatividade da criança, não tem diálogo, é autoritário, não acolhe, não deixa a vontade fluir, enfim nada propício para a inovação.

Por isso, estas corporações buscam a inovação em outras empresas, por isso também a grande busca das pessoas para trabalhar em uma Startup. Outro dia uma profissional graduada em Stanford declinou uma vaga nossa, pois ela queria sentir a emoção, os riscos de uma Startup. Ela queria um sentido maior para a sua vida. Olha que a gente, a ClearSale, está em segmento de contínua emoção, inovação, pois eles, os fraudadores não param nunca! Uma ideia para inovar em ambientes como este é ser ousado e fazer algo bem diferente para estas pessoas autoritárias, que geralmente são mais frias e sisudas.

Chegue um dia no trabalho e dê um  abraço bem forte no seu chefe e lhe diga: Hoje eu estou INOVANDO! Veja o que acontece. Se você perder o emprego pela ousadia, tudo bem.  Este ato pode te render um emprego mais inovador e com certeza uma grande história para contar na próxima entrevista. Se você continuar com o emprego pelo menos você pode sentir um pouco a emoção que se tem quando empreendemos algo diferente e estamos abertos para exercitar o SER dentro do contexto corporativo.

Enfim, a inovação flui mais facilmente onde  o empreendedorismo é estimulado e busca realmente valorizar e aprender com as pessoas em um contexto de líderes que inspiram, que acolhem e não chefes que querem o poder, o resultado a qualquer custo.  Não é preciso muito para empreender, basta falar, trocar com as pessoas ideias honestas que realmente façam uma grande diferença nas próprias pessoas. Vamos inovar!! Comece com um grande e carinhoso abraço no seu “chefe”.  Isto é emoção pura!

Só você pode empreender os seus sonhos!

19 de julho de 2013

o primeiro passo para realizar seu sonho é… acordar


Mais uma semana se encerra e os empreendedores que escrevem para o Blog do Empreendedor do Estadão PME trouxeram temas importantes para os atuais e futuros empreendedores.

Pedro Chiamulera, da ClearSale, falou do Endeavor Innovation Program, um programa financiado pela FINEP e coordenado pela Endeavor que a sua empresa vem participando. O tema inovação é vital para qualquer empresa que quer se manter como a melhor em seu segmento de atuação. Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, falou da importância dos fornecedores. Assim como na inovação, todos acreditam na importância dos fornecedores, mas na prática como inovar e ter fornecedores eficientes? Mas chama a atenção o tema escolhido por Renato Steinberg, da Fashion.me e pela Adriane Silveira, da Nanny Dog: empreenda agora!

Renato é direto: “Não fique esperando por uma ideia brilhante. Se quer empreender, comece imediatamente!”. E a Adriane reitera: “É preciso arregaçar as mangas e lutar pelos objetivos!”.

Mas como você pode empreender o negócio dos seus sonhos e quanto disso é um sonho mesmo?

Para responder a esta pergunta, antes é preciso refletir sobre a empresa em que você atua neste momento. Basicamente, há três tipos de empresas para se trabalhar, explicava um grande chefe que tive.

O primeiro tipo de empresa é aquela em que você acorda de manhã, coloca as mãos no rosto e pensa: “Que chato! Por que eu preciso ir trabalhar hoje?”. O segundo é o tipo de empresa em que você acorda, não pensa em nada e sai para trabalhar. E o terceiro é aquele em que você acorda, coloca as mãos no rosto e pensa: “Por que que eu fui dormir ontem? Estava tão legal o que estava fazendo… ”

Se você não se lembrar deste texto na próxima manhã em que sair para trabalhar, você, com certeza, trabalha no segundo tipo de empresa! Mas se lembrar, espero que abra um sorriso com a pergunta que fará a si mesmo. Neste caso, é provável que esteja empreendendo ou atuando ao lado de um grande empreendedor. Estes empreendedores ambicionam organizações grandiosas, que independentemente do seu tamanho, têm grandes propósitos.

Foi isso que atraiu o jovem Steve Wozniak para a HP em 1973. Bill Hewlett e David Packard não só criaram o mito da empresa de garagem, onde a HP nasceu em 1939, como até o próprio Vale do Silício, já que a história de ambos é replicada até hoje na região. Eles também foram os responsáveis pelo desenvolvimento de um tipo de cultura organizacional que hoje é aclamada em empresas como Google, Ideo e Facebook.

Se o Google hoje permite que seus colaboradores utilizem parte do tempo para desenvolver projetos próprios, há 60 anos, Bill e David davam folgas às sextas-feiras para que seus engenheiros pensassem em novas ideias. Se agora a Ideo defende que é preciso errar cedo para ter sucesso rápido, naquela época, eles perdoavam e até incentivavam as falhas dos seus colaboradores. “Se você não estiver cometendo muitos erros, provavelmente está inovando pouco” – costumavam dizer.

E se agora Mark Zuckerberg, do Facebook, tenta ser um cara bacana, tratando seus funcionários como amigos, Bill e David já faziam questão de ter uma empresa, literalmente, de portas abertas para que todos tivessem acesso a todos e a tudo em ambiente de ajuda mútua.

A gentileza dos dois era tamanha que certa vez, já consagrados como empresários de sucesso, Bill recebeu a ligação de um adolescente de 12 anos que pedia uns componentes eletrônicos para seu projeto escolar da 8ª série. Ele tinha achado o número na lista telefônica e agora perguntava se aquele senhor era o dono da HP. Dias depois, Steve Jobs recebia em sua casa as peças que tinha pedido.

Por tudo isso, Steve Wozniak amava trabalhar na HP. Gostava tanto que ia para casa jantar e depois voltava para a empresa à noite. Apesar disso, Wozniak se juntou àquele rapaz com cara de adolescente da 8ª série para fundarem a Apple. Afinal, Jobs dizia que não pensavam em ser o homem mais rico do cemitério. Queria ir para a cama à noite acreditando que tinha feito algo maravilhoso naquele dia. Era o mesmo discurso de Bill e David quando fundaram a HP.

Eles queriam construir uma empresa que contribuísse para um mundo melhor, não em criar império ou uma fortuna fantástica. E assim, Jobs e Wozniak dormiam pouco mas se divertiam muito criando produtos que até hoje tiram o sono de muita gente.

Você não precisa trabalhar nestas empresas para se sentir feliz e motivado todas as manhãs. Se abrir um sorriso na próxima manhã em que tiver que sair para trabalhar, já atua em uma empresa assim. Mas se você ainda sonha com uma empresa destas, lembre-se que o primeiro passo para realizar seu sonho é… acordar!

Em busca do sonho perdido

18 de julho de 2013

É preciso arregaçar as mangas e lutar pelos objetivos


Qual é o seu sonho? Uma grande marca de supermercados tem uma propaganda que eu adoro. Eu nem lembro dos comerciais, apenas da frase: o que faz você feliz? Se pararmos para analisar o sentido real e dermos as respostas, saberemos se estamos no caminho certo.

Com quase dois anos de empresa eu posso afirmar que estou muito feliz. Estou fazendo o que eu adoro. Realizei meu sonho. É claro que ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas dar o primeiro passo foi fundamental. Tire sua ideia do papel. Concretize. É nos erros você vai acertando.

Muitos empresários de sucesso contam historias bonitas hoje. Depois de se consolidar e faturar milhões. Mas nem tudo são flores! Existe muita dificuldade. Muita burocracia. E muito, mas muito trabalho.

Aquele problemão lá no inicio da sua empresa, que tirava seu sono, pode virar uma história bonita anos depois…

Acredite, corra atrás do seu projeto. Não viva mais ou menos. Não temos que aceitar nada mais ou menos. Sempre o melhor. O nosso melhor. A vida é muito curta. Mesmo!

Mudar a sua história só depende de você. De mais ninguém.

Pronto para começar?