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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Aos mestres, com carinho

9 de agosto de 2013

Marcelo fala do começo da educação empreendedora no País

Este é um momento de transição do Blog do Empreendedor do Estadão PME onde estamos fazendo um balanço da primeira turma de empreendedores. Nesta semana, foram destacados alguns posts de cada empreendedor que ilustram sua rotina de lutas, derrotas e vitórias. Muitos atuais e futuros empreendedores que leram os posts visualizaram situações semelhantes às suas e refletiram sobre como os erros e acertos dos outros podem ajudá-los a empreender mais e melhor.

Aproveito este momento de balanço para fazer outro que raramente chega à mídia de massa que trata de empreendedorismo que são os empreendedores que estão empreendendo o empreendedorismo no Brasil. São professores, gestores de organizações não governamentais, investidores e outras pessoas que ficam nos bastidores, tentando facilitar (um pouco) a vida (nada fácil) desta nova geração de empreendedores que se prepara para empreender.

Dos professores, normalmente os professores Ronald Degen da FGV e Silvio Santos da FEA-USP são citados como os pioneiros da educação empreendedora no Brasil pois foram os docentes das primeiras disciplinas de “criação de empresas” na década de 1980. Mas nesta mesma época, outro professor da FEA-USP, Cleber Aquino, desenvolvia um trabalho que hoje é uma prática comum entre os docentes de empreendedorismo: Convidar grandes empreendedores para contarem suas trajetórias.

Mas na insana década inflacionária de 1980, onde muitos estudantes sonhavam em trabalhar no Banco do Brasil, ser empreendedor era um suicídio profissional. Mas o professor Aquino deixou seu legado por meio da série História Empresarial Vivida. Graças a ele, temos acesso a relatos pessoais de empreendedores como Jorge Wilson Simeira Jacob (Arapuã), Jorge Gerdau (Gerdau), Matias Machline (Sharp), João Carlos Paes Mendonça (Paes Mendonça), Victor Civita (Abril), Antônio Ermirio de Moraes (Votorantim) e outros.

Algumas empresas quebraram, mas ainda assim podemos aprender com a história empresarial vivida por estas pessoas. Outro professor que merece destaque pelo seu pioneirismo é o professor Sylvio Rosa (USP – São Carlos), que liderou a criação da primeira incubadora de empresas no Brasil, em 1984. Atualmente, o País tem mais de 400 incubadoras em várias regiões do país. Em muitas cidades, a incubadora é um oásis para quem quer empreender.

Mas veio a década de 1990, a estabilização da economia e o empreendedorismo “de oportunidade” ganhou força a ponto do tema já estar consolidado em todas as principais faculdades do País atualmente e, o que acho mais importante, também fora do eixo São Paulo-Rio. Boa parte do mérito é dedicada ao professor Fernando Dolabela (UFMG) que iniciou um trabalho pioneiro na década de 1990 na formação de empreendedores na área de software por meio do programa Softex e, depois por meio de uma série de livros de sucesso com destaque para O Segredo de Luísa.

E neste mesmo momento, mas em Pernambuco, ganhava destaque o trabalho do Professor Silvio Meira, que liderou a criação do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) em 1996 que transformou Recife em um dos principais polos formadores de empreendedores do Brasil. No ano seguinte, foi a vez do Prof. José Aranha a liderar a criação do Instituto Genesis na PUC-Rio e alguns anos depois, a hora do Professor Jorge Audy a comandar o lançamento do impressionante TecnoPuc em Porto Alegre que atualmente tem 93 empresas instaladas gerando mais de seis mil empregos.

Dos gestores de entidades de apoio ao empreendedorismo, pelo menos duas pessoas mudaram definitivamente a compreensão do empreendedorismo de oportunidade no Brasil. A primeira é a Marília Rocca. A Endeavor tinha sido fundada em 1997 por um grupo de ex-alunos da Universidade de Harvard que tinha interesse em incentivar o empreendedorismo de alto impacto, inicialmente, na América Latina. O objetivo era identificar empreendedores com negócios de alto potencial de crescimento cuja trajetória pudesse inspirar outros a empreendedores.

A entidade chegou ao Brasil em 2000, apoiada por empreendedores brasileiros, com destaque para o Beto Sicupira e a Marília (junto com o Makoto Yokoo) foi a escolhida para disseminar a cultura do empreendedorismo do “pensar grande e pequeno dá o mesmo trabalho”. Treze anos depois já não é preciso falar do empreendedorismo de alto impacto para qualquer pessoa que se prepara para empreender e a Endeavor é a referência nisso. E para ser me alongar tanto na lista, destaco o papel do Professor Guilherme Ary Plonski (FEA e Poli-USP) não só por quem ele é, mas pelas centenas de pessoas que simbolicamente ele representa. O Prof. Ary está ligado ao movimento de incubadoras de empresas e parques tecnológicos no Brasil por meio da ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Ele e outros milhares de gestores de incubadoras que contribuem para o desenvolvimento de novos empreendedores atuam nos bastidores do empreendedorismo como facilitadores que estão sempre prontos a ajudar, a orientar e a conectar o empreendedor a outras pessoas que também poderão ajudar.

Não é possível citar todas as pessoas que estão contribuindo para o desenvolvimento do empreendedorismo de alto impacto no Brasil. Também é injusto creditar a somente uma pessoa aquilo que é o trabalho conjunto de dezenas ou centenas de outros colaboradores. Mas o empreendedorismo também é feito de pessoas que ficam nos bastidores organizando o palco em que o empreendedor brilhará e nem por isto são menos importantes de quem aparece mais para o público. Aos mestres que estão empreendendo o empreendedorismo no Brasil, este singelo reconhecimento e agradecimento.

Adriane e as dificuldades de começar uma empresa no Brasil

8 de agosto de 2013

Entre os blogueiros, a empresária Adriane Silveira era a mais novata. Ela compartilhou as dificuldades de começar uma empresa no Brasil e conquistar a confiança dos clientes. Depois de fazer carreira como dona de agência de recursos humanos, Adriane resolveu estudar veterinária e montou uma espécie de agência de babás para cachorros, a Nanny Dog.

Separamos quatro posts para relembrar a participação da empresária.

Defina o que você vai fazer e o que não vai. Não tente abraçar o mundo
No post, Adriane fala sobre planejamento nos negócios e que eventualmente recebe pedidos para atender gatos.

Seis dicas para quem deseja empreender no segmento pet
Dentro de um mercado em crescimento, Adriane dá dicas para novos empresários.

Qual impressão você deixa no cliente? Alegria, tristeza, satisfação?
Adriane fala sobre crescimento da empresa e desafios.

O Simples Nacional não é mesmo nada simples
Adriane e as dificuldades do sistema tributário brasileiro.

 

As dicas da Maria Brigadeiro para quem pretende empreender

7 de agosto de 2013

Juliana Motter compartilhou durante oito meses suas histórias envolvendo a criação da Maria Brigadeiro, inclusive que até pensou em desistir. Precursora do movimento que catapultou o brigadeiro ao estrelato, Juliana conquistou fãs não só com seus doces, mas também com seus textos semanais no Blog do Empreendedor.

Separamos quatro posts para relembrar a participação da empresária.

Vendo máquina de fazer brigadeiro
Juliana e a experiência desastrosa da máquina de fazer coxinha transformada em máquina de fazer brigadeiro.

‘Meu plano de negócios começou ainda no colo da minha mãe’
No post, Juliana conta que nunca planejou abrir um ateliê especializado em brigadeiro, mas tudo aconteceu naturalmente.

Definir o preço como se joga na loteria só leva ao prejuízo
Juliana comenta a difícil tarefa de definir o preço dos produtos.

Livros que me inspiraram a empreender
A empresária sempre desconfiou de livros de administração, mas encontrou boas leituras.

 

 

Cara de pau, vestir-se bem e driblar a burocracia: confira as dicas de um dono de startup

6 de agosto de 2013

Renato Steinberg criou, ao lado do amigo Flavio Pripas, a rede social de moda Fashion.me e compartilhou em seus posts a experiência e desafios de abrir e administrar uma startup no Brasil e também no exterior. Em seu último post, Renato deu um conselho para o empreendedor: não tenha medo de se expor. Coloque a sua cara a mostra!

Separamos quatro posts para relembrar a participação do empresário:

Ferramentas para fechar parcerias: cara de pau e um telefone
Nesse post, Renato fala sobre o início do Fashion.me, quando a empresa não tinha dinheiro para atrair novos usuários.

Vestir-se bem importa mais do que você imagina em uma reunião
Esse foi um dos posts mais polêmicos do empresário e gerou 94 comentários.

No Brasil são 3 meses para abrir a empresa; no exterior são 4 dias
Renato falou sobre as diferenças entre a burocracia brasileira e nos EUA

Oito respostas para você que deseja se tornar um empreendedor
O empresário comparou a carreira formal com a de empreendedor e resolveu responder algumas perguntas.

Quatro dicas para você empreender. E vale até dançar o Harlem Shake

5 de agosto de 2013

A empolgação e o otimismo de Pedro Chiamulera fazem parte do DNA da ClearSale, empresa especializada em combater fraudes em compras na internet. E todo o alto astral do empresário se fez presente nos posts semanais no Blog do Empreendedor. Desde um post artístico escrito na forma de um poema até o esforço para manter um clima divertido no ambiente de trabalho com funcionários dançando o Harlem Shake.

Separamos quatro posts para relembrar a participação do empresário:

Sabe qual a alma do negócio? É ter alma!
Pedro fala sobre a alma do negócio no dia a dia da empresa. E que a alma deve estar aberta para aprender com o cliente.

Nós saímos da caixa dançando o Harlem Shake
Nesse post, Pedro fala sobre o aprendizado em relação à sensibilidade no contexto como uma poderosa ferramenta de percepção do todo. E finaliza o post com um vídeo da equipe dançando o Harlem Shake.

Dicas para você se dar bem com um comércio eletrônico
Com sua experiência no mundo online, o empresário aproveita para dar dicas sobre como empreender na internet.

A difícil liberdade de escolher o nome e a imagem
Pedro fala sobre mudanças e explica a origem do nome da empresa.

 

 

Lições de empreendedorismo que não estão nos livros

2 de agosto de 2013

Abrir um negócio é fácil; difícil é lidar com as dores, os dilemas e os desafios dessa decisão


O número varia, mas o Brasil tem entre seis a oito milhões de empresários, sendo em sua imensa maioria composta de donos de nano, micro e pequenos empreendimentos. Há de tudo, desde pessoas que mal sabem ler e escrever a PhDs formados nas melhores universidades do mundo.

Ter um negócio próprio é o sonho dos jovens que saem das faculdades. Na última pesquisa “A Empresa dos Sonhos” realizada pela empresa de consultoria DMRH com jovens universitários, o “negócio próprio” ficaria na quarta posição, só perdendo para o Google, Petrobrás e Itaú.

Entre os executivos, ter um negócio próprio não é um sonho, é, pelo menos um Plano B, isto quando já não está virando Plano A. Para estes executivos, o motivo de pensar em um negócio próprio não é apenas para ter mais “liberdade” como pensam os jovens universitários, mas também porque estão cansados de bater metas cada vez maiores, de sacrificar suas vidas pessoais em função de bônus e principalmente, por trabalharem em empresas sem propósitos alinhados aos seus.

Pensar na opção de empreender abre mais oportunidades para o desenvolvimento da carreira profissional das pessoas. Muitos pais já estão preocupados se seus filhos estão “aprendendo” empreendedorismo nas escolas de ensino infantil, fundamental e médio. Sabem que aquele emprego que os seus pais tiveram, de entrar em uma empresa e nela se aposentar, só vale para o funcionalismo público, isto se a entidade não for privatizada no meio do caminho.

Se por um lado há cada vez mais brasileiros que estão empreendendo ou querendo empreender um negócio próprio, por outro lado, as opções de educação empreendedora e os livros sobre o assunto ainda estão concentrados no estágio de criação da empresa. Mas abrir um negócio é a parte mais fácil do empreendedorismo. Difícil mesmo é lidar com os dores, desafios, dilemas e desejos do empreendedor que se tornam maiores e mais complexos com o desenvolvimento (ou não) dos negócios. E a maior parte destas lições, infelizmente, ainda não está nos livros ou nos cursos de empreendedorismo.

Por esta razão, o que os empreendedores têm escrito no Blog do Empreendedor do Estadão PME representa oportunidades únicas de aprendizado que não estão nos livros. Nos últimos meses, Pedro Chiamulera da ClearSale, Renato Steinberg da Fashion.me, Juliana Motter da Maria Brigadeiro, e Adriane Silveira, da Nanny Dog tiveram a coragem de compartilhar suas dores, dilemas, desafios e desejos a respeito dos seus negócios para incentivar que atuais e futuros empreendedores a encararem o empreendedorismo não apenas como algo lindo, maravilhoso e romântico.

Se você pensa em empreender ou está iniciando um negócio agora, releia os posts da Adriane Silveira. Ela fala de cães, já que eles fazem parte do seu dia-a-dia, mas várias das lições que postou aqui no Blog são válidas para outros tipos de negócio.

Se você pensa em criar ou lidera uma startup de tecnologia, releia os posts do Renato Steinberg. Ele é um dos principais empreendedores “digitais” do Brasil e lidera uma empresa que recebeu aporte de investidores e está se expandindo internacionalmente.

Se você é empreendedor de um negócio de médio porte, releia os posts do Pedro Chiamulera. Ele não contou, mas foi um dos principais atletas do Brasil e agora é um dos empreendedores mais queridos da Endeavor Brasil, uma das ONGs de empreendedorismo mais respeitadas do mundo. Sua empresa já está bem estabelecida e já implementou métodos de gestão, mas nem por isto sua vida de empreendedor é fácil. Enquanto outros empresários reclamam, Pedro encara estas barreiras com bom humor, dedicação, planejamento e um time comprometido com o negócio.

E se você for empreendedor de qualquer porte ou mesmo que nem pense em empreender, releia os posts de Juliana Motter. Ela empreende um negócio tão bacana quanto os demais, mas tem uma vantagem aqui no blog: ela se formou em jornalismo! E por isto, seus textos são tão deliciosos quanto seus brigadeiros.

Minha função aqui é comentar os posts da semana dos meus colegas empreendedores. Mas neste post, eu gostaria de fazer um agradecimento final pela coragem e generosidade destes empreendedores em dividir seus aprendizados e lições. Certamente não estão nos livros. Mas se estivessem, não teriam preço!

Uma ONG para atender os cachorros idosos

1 de agosto de 2013

Adriane também se despede hoje

No mundo empreendedor há necessidade de inovação sempre, até porque seu negócio é novo por um curto espaço de tempo. Nada se cria, tudo se copia…

A minha ideia surgiu de uma necessidade própria e, depois de ver como funcionava isso fora do Brasil, montei a minha empresa. Os serviços prestados vão se aprimorando com o passar do tempo. Você vê o que funciona bem, o que deve ser cortado e o que podemos incorporar em nosso dia-a-dia. Até eu precisar do serviço de babá para cães eu não sabia como era o mercado.

Quando eu procurei, em novembro de 2010, foi muito difícil encontrar. Já comentei isso em outro post, e foi aí que percebi uma demanda no mercado que estava carente de um serviço. Atualmente já existem várias pessoas que prestam esse serviço. Ainda não vi nenhuma empresa constituída com CNPJ e que paga impostos fazendo isso, daí a concorrência é complicada.

Só quem tem uma empresa constituída sabe os custos que enfrentamos em nosso país a cada emissão de nota fiscal. Devemos procurar sempre um diferencial. Na Nannydog o diferencial está no perfil dos colaboradores: todas são medicas veterinárias, por isso podemos oferecer um serviço mais amplo. Com quase dois anos de empresa já é hora de inovarmos. Estamos desenvolvendo uma ONG, voltada para atendimento especial dos nossos melhores amigos idosos (velhos amigos).

Os nossos velhinhos precisam muito de cuidados especiais.  Será um serviço com atendimento veterinário 24 horas, ofereceremos ainda muito carinho, amor e paciência para que eles se sintam amados e respeitados.

Já estamos com alguns parceiros nessa nova etapa. A Dogtown Photography é um deles. Estamos produzindo um material lindo com nossos clientes de quatro patas para que possamos arrecadar fundos para ajudar a realizar nosso projeto. Se você tem um amiguinho velhinho escreva pra gente (adriane@nannydog.com.br) e conte sua história.

Queremos saber quais as necessidades de seu melhor amigo!

E a Maria Brigadeiro pensou em desistir do seu sonho doce

31 de julho de 2013

Juliana se despede hoje do blog

Lembro desse dia como se fosse hoje: caía uma chuva diluviana em São Paulo, causando um congestionamento recorde na cidade. Todas as encomendas da tarde estavam presas no trânsito, a quilômetros de distância de serem entregues.

Tínhamos um único telefone na época e fizemos  fila indiana, Carol, Maria e eu, para ligar para os clientes e explicar o motivo do atraso. Conseguimos contornar a situação, exceto por uma única encomenda, que eu mesmo havia tirado.

Tratava-se de uma cliente que estava indo visitar a irmã em Goiânia depois de anos sem vê-la e seu presente – esperado ansiosamente pela outra – seria uma caixa de  25 brigadeiros. Havia no pedido uma recomendação minha em caneta vermelha: “Não atrasar! Cliente sai para o aeroporto às 16h em ponto. Vai levar os brigadeiros para irmã, depois de muitos anos sem vê-la.”

Nossos pedidos são assim, bem descritivos. Passava das 15h30 quando o motorista ligou dando o último boletim do trânsito e a má notícia “não vou conseguir chegar a tempo”.

Liguei para cliente para explicar a situação. Ela entendeu, mas chorou no telefone quando falou da felicidade que seria para irmã receber os brigadeiros, seu doce preferido. Fiquei arrasada. Liguei para Deus e o mundo, cotei remessas aéreas, perguntei se algum amigo iria para Goiânia naquela data e nada. Sentamos eu e Carol (hoje gerente de marketing da Maria Brigadeiro) na soleira da porta da casinha de vila onde era a Maria Brigadeiro e choramos de frustração e cansaço. E mesmo que os homens condenem isso, com todos os manuais harvardianos e columbianos de boas práticas corporativas, sim, mulheres choram no trabalho, especialmente na TPM.

Naquele dia, que já virava noite, pensei seriamente em desistir. Tinha deixado minha profissão de jornalista para fazer doces porque acreditava que ia fazer as pessoas felizes com eles, mas estava fazendo chorar até quem eu não conhecia.

Que contradição cruel seria essa, afinal? Antes que eu pudesse concluir o pensamento, a porta abriu e entrou o Joce, nosso motorista, todo molhado. Ele se aproximou do meu computador e com um sorriso no rosto deixou um protocolo de entrega de pedido com uma nota de um estacionamento do aeroporto. Depois que desligamos, ele ligou para a cliente e disse que ia fazer uma última tentativa de entrega, diretamente no aeroporto. Ele conseguiu. Entregou os brigadeiros minutos antes dela embarcar.

E desde então tem sido sempre assim. Quando eu desanimo ou não tenho mais recursos para resolver um problema, alguém da equipe sempre me puxa pela mão. Com tudo quero dizer o seguinte: são as pessoas que fazem uma empresa, não os processos. E se elas acreditam no sonho, elas nunca vão te deixar esquecer dele.

Dormir é para os fracos

30 de julho de 2013

Renato criou o Fashion.me

Às vezes aparecem algumas oportunidades que fazem você sair da zona de conforto. Acho que todo empreendedor tem uma propensão a risco e a aventura. Escrever este blog durante 7 meses, todas as semanas, foi uma dessas aventuras para mim.

Eu não sou jornalista, nunca gostei das matérias de humanas, eu me dou muito melhor com a matemática e a computação. Eu já tinha escrito alguns artigos antes. Um dos meus avanços mais importantes na carreira, quando eu trabalhava no mercado financeiro, foi um discurso que escrevi durante uma reunião estratégica. Não acho que eu escrevo bem, mas acho que tenho uma boa imaginação.

Mas é incrível como todos nós não sabemos prever o tamanho dos nossos desafios. Quando eu topei o desafio de escrever aqui, eu achei que ia ser mais fácil. Um monte de gente me pede conselhos sobre startups no dia-a-dia, basta colocá-los no papel. Imaginei que ia conseguir deixar alguns tópicos prontos, que eu ia perder no máximo uma hora para escrever todas as semanas. Eu estava enganado.

Este mesmo fenômeno acontece nos meus projetos. Eu sempre acho que é fácil, que vai ser mais rápido e que vai custar menos. Sempre quebro a cara. A gente esquece dos detalhes, a gente esquece das pequisas, a gente esquece que existem outras atividades que também tem que ser feitas. As madrugadas, os fins de semana, tão aí para isso, tirar o atraso.

“Dormir é para os fracos!” Este é o lema informal de todo startupeiro. Durante alguns encontros com outros colegas, a gente até compete para ver quem está dormindo menos.  Mas tem as recompensas! A primeira é saber que eu fui capaz. Alguns textos ficaram bons, outros ficaram ruins. Tem alguns que, olhando agora, eu tenho até vergonha…

Eles estão aí para a internet inteira ler, e o Google não deixa ninguém esquecer. A outra recompensa são as conexões com as pessoas. Em mais de um evento que eu fui, alguém virou para mim e falou que leu meus artigos aqui ou no Linked In (eu escrevo também para lá) . Teve até um cara que não desgrudava de mim o evento inteiro, confesso que eu fiquei com um pouco de medo.

O meu último conselho para você empreendedor, aqui no Estadão é esse: não tenha medo de se expor. Coloque a sua cara a mostra! Comunique-se. Crie um blog, poste o seu dia-a-dia, fale o que está na sua cabeça, mostre que a sua empresa é feita de pessoas e que elas tem uma visão de mundo.

Escreva para seus funcionários também, mostre para eles qual é a sua visão de mundo, não só nos aspectos do dia-a-dia do negócio, mas sobre tudo. Escrevendo você aprende muito. Eu termino aqui, mas continuo em outros lugares:

LinkedIn: http://www.linkedin.com/influencer/625159
Twitter: @renatost
E não deixem de visitar o Fashion.me (http://fashion.me)

Beijos e Abraços, foi uma experiência incrível!

Imagine um colega de trabalho cuspindo no chão!!!!

29 de julho de 2013

Pedro fala sobre cultura empresarial

“O conhecido soneto diz que o beijo é a véspera do escarro, mas na China é o contrário: é possível ver uma senhorita salivando na rua para depois roçar seu lábio em outro qualquer.”*

É a introdução de uma reportagem sobre escarro antes dos Jogos Olímpicos de Pequim. Escarrar na rua é um ato muito normal dentro daquela cultura. Agora pare e imagine você na rua e de repente uma pessoa solta um maior escarro verde:

- Ai que nojo!  Você diria. Façamos uma analogia e imagine um amigo de trabalho agindo de maneira muito similar ao cuspir no chão, como por exemplo, no trato com os seus colegas ou pior ainda com o próprio cliente.

Este exemplo choca, mas por meio dele fica mais fácil de entender a importância do envolvimento contínuo de todos para resguardar a cultura da empresa e suas peculiaridades.

Este cuidado é ainda mais importante para as pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar e entender a cultura, processo este que pode levar em torno de 10 meses ou mais. Quanto maior a diferença nas culturas maior será a dependência da abertura da pessoa para a autoformação, e talvez leve ainda mais tempo.

Se uma pessoa entra na empresa e sempre viveu em um ambiente onde o catarro era normal, isto é, onde as pessoas são tratadas única e exclusivamente pelo seu papel profissional, cheia de preconceitos, sem liberdade, sem voz ativa, sem acolhimento, enfim, como objetos e não como sujeitos, ela provavelmente sofrerá para se ajustar, mas com certeza será melhor.

É uma grande mudança para a pessoa que entra e um grande desafio e oportunidade para as pessoas de dentro exercitarem o que chamamos de aprendizado pessoal.  Aprendizado pessoal para quebrar a rigidez comum do nosso pensamento e entender um pouco mais desta nova subjetividade que está entrando na empresa.

Entender que o choque cultural pode ser muito grande e inconscientemente desestabilizar a pessoa, deixando-a sem chão e ocasionando ações impróprias. É da responsabilidade de cada um acolher, educar, e não se sentir constrangido em falar em particular sobre algo errado.

Quebrar o “nojo” que existe em nós e falar que aquele catarro pode trazer consequências graves para a saúde das pessoas. O calar-se é tolerar algo, e este, molda a cultura tanto quanto o mau exemplo.  Este ato de conversar com a pessoa ao invés de fazer cara feia é também uma grande oportunidade para gerar confiança e empatia. Contudo, é preciso fazê-lo rápido para não perder o momento e também de forma humilde, simples e sincera.  Você nunca experimentou um feedback de estranhos? O efeito educador é bem maior.

Lembro-me de uma viagem com a família e, por medo de perder a conexão, já fui pedindo e entrando na frente dos outros. Quando um passageiro me perguntou que voo era, notei que eu não tinha ajustado o fuso horário.

Ai que vergonha! Veja a cara das pessoas que furam a fila e são reprimidas. Falo aqui do constrangimento em público, e por isso, o feedback comportamental tem que ser sempre, sempre em particular. Assim, consistentemente vamos mudando a percepção da pessoa, e principalmente aprendemos um pouco mais de nós mesmos prezando por aquilo que acreditamos.

Não podemos nos envolver na questão profissional, quando não estamos diretamente envolvidos, mas podemos sim, ajudar uns aos outros nos deslizes na cultura. Várias vezes em um ato emotivo, fui lembrado pelo meu sócio Bernardo, em ter paciência e pensar melhor na ação. Lembro-me dos primórdios, quando eu jogava o celular na parede. É um ato de muita coragem essa ação imediata depois da reflexão interna. Como diz o ditado: Contratamos pelo profissional e demitimos pelo pessoal.

O pessoal é de responsabilidade de todos. A cultura é a união das pessoas, de como elas agem no elevador, de como elas cumprimentam e respeitam os outros de hierarquias diferentes, de como elas não olham para o lado para uma pessoa diferente ou pouco conhecida, enfim, o quanto elas são sensíveis e respeitosas com os outros.

Não precisamos esperar algo anormal acontecer para agirmos. Podemos sair do nosso conforto e dar uma volta pela empresa e ir de encontro aos mais desconhecidos. Adoro ver o Guilherme, gerente TI da ClearSale, passeando pela empresa e conversando com as pessoas.  Ele descontrai nos momentos “buchas”, além de ajudar na difusão da cultura.

Finalizando, eu adoro metáforas (hoje foi forte, humana e olímpica), pois elas atingem a nossa humanidade e nos levam a refletir, e neste caso de hoje, o quanto podemos crescer como pessoa ficando atento à subjetividade das pessoas em seus relacionamentos. É na atenção às interações humanas que damos um gosto diferente para a vida. Experimente! Faça a diferença para você e para a cultura da empresa.

* “Cuspe à distância ganha multa, não medalha” – Rodrigo Bertolotto