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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Como ganhar dinheiro na crise e atingir as metas

1 de julho de 2015

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Nos últimos meses, vivemos uma realidade bem diferente do que estávamos acostumados. Grandes empresas anunciando demissões, queda no consumo, endividamento das famílias aumentando, enfim, dessas notícias todos nós sabemos e estamos acompanhando e sentindo na pele.

E estou impressionado com a quantidade de currículos que recebemos nesse mês de junho. Desde engenheiro de produção com mais de quinze anos de experiência até gente que acabou de ingressar no mercado de trabalho e está sonhando com a primeira oportunidade.

Crise gera isso.

E o mercado de talentos em busca de novas oportunidades cresce. E, quando se tem uma empresa que ainda não explorou nem 30% do potencial de mercado, nasce a tríade de oportunidade de ouro: concorrentes com medo, talentos disponíveis e mercado com espaço para ser trabalhado. E a área comercial agora é o nosso foco.

Com muito planejamento, foco e entrosamento, esse mês de junho conseguimos ultrapassar a nossa meta – que era quase irreal pelo período em 110%. A equipe brilhou. E, para julho a coisa vai esquentar. Mais pessoas estão se aproximando e participando do projeto para engrossar o caldo. Novos talentos aterrisando. Nossa linha de ataque está cada vez mais afinada. Que venha julho! Que venha mais metas irreais para serem batidas! Um ótimo mês para todos vocês.

Quer saber tudo de marketing? Pergunte ao seu faxineiro

30 de junho de 2015

Se você estudou comunicação social, já teve contato com marketing. Se estudou administração, também. Se você alguma vez comprou algo de que realmente não precisava (como é  bom!) vivenciou na pele como funciona o marketing e talvez nem sequer tenha se dado conta.

Para muitos pequenos empreendedores, marketing é questão de sobrevivência. O problema é como aplicá-lo na sua companhia, no seu dia-a-a-dia. Há toneladas de informação a respeito na internet. Há outra tonelada de livros impressos sobre o tema, mas a melhor aplicação real de como uma empresa deve entender marketing e aplicá-lo está em um livro fininho – não são mais de 160 páginas – escrito por Miguel Lima, Darci Basta, José Antônio Ferreira de Oliveira e João Baptista Vilhena. Ele se chama Marketing, saiu pela FGV Editora e faz parte da série Gestão Empresarial.

No livro, os autores defendem que a empresa deve entender o mercado antes de atendê-lo. E que é responsabilidade de todos na companhia exercer ações de marketing. Não importa se você é do RH, do departamento de finanças…se você for o empreendedor então….

Até aí tudo bem. ‘Entender para atender’ e ‘Todos juntos temos responsabilidades’.

Mas o que vem a seguir no livro é o verdadeiro aprendizado sobre como fazer marketing e disseminá-lo pela empresa.

Os autores explicam, ao que atribuem como uma experiência pessoal, mais ou menos o seguinte. Um dos autores estava no supermercado no Rio de Janeiro e encontrava dificuldades para encontrar bifes já cortados na espessura desejada. Procura bandeja daqui, procura bandeja dali, e nada. Um funcionário do supermercado percebendo, sem ser notado, a dificuldade do cliente se aproximou e ofereceu ajuda. Após entender o que acontecia, o funcionário pediu, então, que o cliente escolhesse uma peça inteira de carne e ele solicitaria para que o açougue do supermercado fizesse o corte da carne na espessura desejada. Promessa é dívida, o funcionário resolveu a questão pouco tempo depois.

Como o livro ressalta, a ação não foi adotada por um profissional de marketing. Foi um funcionário de outra área, completamente diferente da área de comunicação, quem entendeu que atender a demanda do consumidor é prioridade sempre.

Nessa, o supermercado acertou.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e nunca encontra o que precisa no supermercado.

O Facebook acertou em cheio na sexta; todas as outras marcas, não

29 de junho de 2015

Durante toda a sexta-feira passada, dia 26 de junho, uma frase não saiu da minha cabeça: ‘Eu não sou o que eu sou, eu sou o que o cliente acha que eu sou’. Ela tem a ver, quando estudamos um pouco de marketing, com posicionamento. E posicionamento tem a ver com os quatro ‘Ps’ de marketing – produto, preço, praça e promoção.

Na última sexta-feira, a palavra ‘posicionamento’ ganhou um sentido real, palpável, até. A Suprema Corte dos Estados Unidos havia acabado de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território norte-americano. A decisão, por si só histórica, foi seguida de algo muito interessante do ponto de vista de empresas, marcas, negócios, empreendedorismo e, olha ele aí de novo, posicionamento.

O Facebook passou a permitir que seus usuários ‘tingissem’ a foto de perfil com as cores do arco-íris, o símbolo – nos Estados Unidos e no mundo – da luta pelos direitos dos gays e lésbicas. Ato contínuo, a minha, a sua, todas as ‘timelines’ foram inundadas pelas fotos que diziam algo muito importante: apoio à decisão da justiça.

O que houve ali, do ponto de vista do marketing, foi posicionamento. O Facebook acertou em cheio ao captar uma vontade de boa parte dos  seus clientes – manifestar apoio à decisão norte-americana – e teve agilidade suficiente para disponibilizar a esse cliente algo para ele se manifestar publicamente na velocidade que a internet exige das empresas.

A marca foi além: tomou partido de uma causa, o que nem sempre acontece.

Depois, outras tantas marcas também se posicionaram. Mas arrisco a dizer que o fizeram com a segurança que a ‘onda arco-íris’, que tomou conta do Facebook, garantia. O desejo do consumidor estava manifestado e pronto.

Agora, adivinha quem venceu a batalha pela mente do consumidor por se manifestar primeiro: A turma do Mark Zuckerberg, não acham?

Quando falamos em posicionamento, uma empresa deve traçar estratégias e ações para que o consumidor perceba a sua empresa como ela quer. Conforme me disse o professor Mario Eduardo Gomes da Cunha, que leciona essa disciplina no MBA da FGV, “quanto mais você souber o que vem na cabeça do consumidor sobre a sua empresa, melhor”.

O Facebook acho que sabe. E você?

Em tempo: no fim da tarde desta segunda-feira, o Link publicou a seguinte nota.  E a discussão a respeito do assunto, como fez o Link com base em uma reportagem, reforça ainda mais como eles acertaram na estratégia.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Design Thinking: a decodificação do pensar do designer

29 de junho de 2015

Marcelo Pimenta é professor de Gestão da Inovação e Design Thinking na Pós-Graduação da ESPM/SP. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

O design thinking não é novo, mas ele vem ganhando mais e mais espaço e o motivo é simples: ele vem sendo cada vez mais NECESSÁRIO em todas as áreas (desenvolvimento de produtos, negócios, educação, política …). Assim como não se usa mais o telex para troca de mensagens, não basta nomear um bom gerente de P&D (pesquisa e desenvolvimento) para criar e produtos e serviços que os clientes amem.

É preciso ajustar três lentes para focalizar aquilo que será realmente inovador.

Para que isso aconteça, o processo é resumidamente assim:

O primeiro desafio é identificar e entender as oportunidades por trás dos problemas e descobrir as verdadeiras dores / expectativas / anseios / insatisfações do cliente. Para isso é preciso centrar o design / o planejamento / a descoberta naquilo que pode resolver / atender / encantar / apaixonar o HUMANO. Por isso o design thinking também é chamado design centrado no ser humano (human centric design).

Para atingir esse objetivo, há que mobilizar um time diversificado e motivado que tenha iniciativa, vontade e os meios para exercer a EMPATIA, vivenciar as situações e ter a real compreensão da dor – ir além da simples observação dos sintomas para entender as verdadeiras causas.

Definido o aspecto do problema a ser atacado, é a hora de usar ferramentas, métodos e comportamentos que aflorem a criatividade para gerar muitas opções – as mais diversas, inusitadas e inventivas possíveis.  Pois nessa abordagem, a quantidade importa. Quanto mais opções se tem nos momentos de divergência, maiores as chances de encontrar uma solução que seja realmente inovadora nos momentos de convergência.

Desse repertório de ideias serão PROTOTIPADAS aquelas que fazem mais sentido, para que possam ser testadas na prática. A PROTOTIPAÇÃO É O ATO DE DAR VIDA ÀS IDEIAS. Seja com papel, massa de modelar, madeira, cola, encenando, simulando – o importante é que a ideia se torne ALGO TANGÍVEL, que possa ser devidamente compreendida para que o usuário consiga dar os feedbacks necessários e o processo de lapidação / ajuste / aprimoramento possa acontecer. E se repita até que a inovação se confirme. Só então a fase de descoberta dará lugar a uma fase de execução, quando o desafio será entregar a inovação de forma repetida, consistente e lucrativa.

Na fase de exploração e descoberta, existem pessoas que já pensam “naturalmente” dessa maneira e que, como Leonardo da Vinci, Mozart ou Maradona (nas suas respectivas áreas), carregam um dom natural de conseguir criar coisas geniais sem um esforço sobre-humano.  Para os demais mortais, onde estão 99,9% da população (NÓS), resta aprender, treinar e aprimorar pela prática as habilidades e os conhecimentos necessários para pintar um bom quadro, compor uma música ou fazer uma jogada de craque.

Dominar o processo do design thinking permite que qualquer pessoa possa reproduzir esse método para criar produtos e serviços que sejam acima da média. De uma forma simples e entendível o MODO DE PENSAR DO DESIGNER FOI DECODIFICADO a partir da análise de como os melhores designers, arquitetos e projetistas trabalhavam.   Para instrumentalizar esse caminho, são sugeridos fluxos ou processos nos quais se utiliza uma espécie de caixa de ferramentas, que reúne muitos recursos que podem ser utilizados nos momentos adequados. Assim como um médico usa um bisturi quando quer cortar e uma agulha quando quer costurar, no design thinking se utiliza o mapa da empatia, a jornada do usuário, o card-sorting, o canvas do modelo de negócio – entre inúmeras outras ferramentas que, bem aplicadas, geram os resultados esperados ao longo de cada etapa do processo, sempre alternando momentos de criar divergência e ampliar as opções e momentos de fazer escolhas e convergir para tomar decisões.

O tema é extenso, novo, complexo, divertido e apaixonante. Tem mais informação neste blog no post que explica porque todos somos designers (ou precisamos ser) e também na  lista de livros escolhidos sobre o papel estratégico do design. E  no Pinterest um board que criei com infográficos que ajudam a compreender o tema.

Quem quiser viver essa experiência numa turma presencial, criei o conteúdo do 1º curso de design thinking que será oferecido na pós-graduação da ESPM de São Paulo. É um programa de atualização, livre, onde qualquer pessoa pode participar, sem necessidade de nenhum pré-requisito (a não ser querer aprender se divertindo). O link para inscrições está aqui e as aulas começam dia 11 de agosto.  Se quiser vir fazer parte desse grupo e aprender / aperfeiçoar o jeito de pensar do designer, welcome aboard.

Um Brasil melhor: A hora e a vez do empreendedorismo do servidor público

26 de junho de 2015

 

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Quem nunca reclamou de um serviço público? O número é tão alto que o site ReclameAqui lançou um serviço exclusivo para este tipo de queixa.  Apenas o INSS, já reúne um pouco mais de mil reclamações desde fevereiro, quando o ReclameAqui Serviços Públicos foi lançado. Mesmo elevado, o número de reclamações do INSS está bem atrás da ANATEL, SPTrans e Prefeitura de São Paulo, que estão à frente no ranking de reclamações.

Mesmo assim, milhares de brasileiros sonham com a carreira pública. Neste ano, está previsto um concurso público para preencher cerca de 4.700 vagas no INSS e espera-se que mais de 200 mil candidatos. A relação de 43 candidatos por vaga é alta, mas nada se compara ao concurso de analista judiciário do Tribunal Regional do Trabalho no Rio de Janeiro, onde a relação atingiu astronômicos 17.972 interessados pela única vaga. Mas a Petrobrás, mesmo na situação em que está, é um bom parâmetro: A relação candidato/vaga chegou a 470 neste ano.

Neste patamar de competição, só passa os melhores dos melhores. Entrar na Petrobrás não significa bater 469 outros candidatos, mas chegar nas primeiras posições entre as 310.893 pessoas que prestaram o concurso.

Por isso, não raro, entra uma pessoa muito bem qualificada, com graduação, mestrado e até doutorado, pós-doc, cursos no exterior. Mas entra uma função mais básica, que, em geral, exigiria apenas alguns conhecimentos técnicos para exercer a função. Só esta situação já desmotiva as pessoas mais bem preparadas. Mas pode piorar já que os funcionários públicos lidam com escassez crescente de recursos. Em situações extremas, chegam a levar seu material de trabalho e até papel higiênico, naquelas iniciativas esquecidas pelos dirigentes públicos.

Na situação atual em que a arrecadação é decrescente, haverá menos recursos ainda para investir nos serviços e servidores públicos, daí o que espera que vai acontecer com a lista e a quantidade de problemas dos serviços públicos?

O que fazer para resolver este desafio de muitos problemas e poucos recursos? Cruzar os braços? Greve? Fingir que está tudo normal? Enganar com promessas que não serão cumpridas? Abandonar a carreira pública?

Entre sair gritando e sentar e chorar, os dirigentes, gestores e servidores públicos deveriam analisar os exemplos de quem vê oportunidades nos problemas e que consegue fazer mais com menos: os empreendedores.

Seja no governo ou na iniciativa privada, os empreendedores organizacionais irão encontrar três portas fechadas: A porta do “não pode”, do “não dá” e a do “não vai funcionar”.

A primeira porta se abre com a chave da sanidade: Se ninguém fizer nada, o problema continuará (e provavelmente aumentará). Para um funcionário público chamado Albert Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

A porta do “não dá” é aberta com a chave da inovação. “Não podemos resolver problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usamos quando os criamos” – dizia esse mesmo servidor público.

E tem a última porta, por vezes mantida fechada por muitas pessoas atrás que torcem contra. Se não posso atrapalhar, ajudar é que não vou – pensam, mesmo que inconscientemente. Assim, só uma grande pessoa será capaz de avançar porta adentro. “Grandes espíritos frequentemente encontram violenta oposição de mentes fracas” – dizia Einstein.

É difícil e muitas vezes parece impossível empreender dentro das organizações. Mas os verdadeiros empreendedores nem percebem que havia uma primeira grande porta escrita “por quê?”. Por que empreender? Por que ficar abrindo portas cheias de “não”?

Porque para os empreendedores, o “não” aparece depois… Por que não?

Caos criativo e a inovação

24 de junho de 2015

Na última coluna, eu mencionei que, para mim, inovação é encontrar conexões em mundos aparentemente desconexos. Uma empresa que faz isso muito bem é a IDEO, uma das maiores consultorias de design do mundo. Tive a oportunidade de visitar algumas vezes a sede da empresa, na região do Vale do Silício, na Califórnia, e a cada visita aprendi um pouco mais sobre a cultura de inovação, criatividade e a cooperação deles.

Com uma gama gigante de produtos desenvolvidos, a IDEO orgulha-se por não ter uma expertise definida. Para eles, o que o negócio entende é de design e não importa se o cliente quer desenvolver um carrinho de supermercado, um brinquedo, um óculos de sol, um mouse ou salas de emergência de hospitais – eles entendem que o processo deve ser o mesmo e que precisam fazer uma imersão profunda dentro da necessidade do cliente para, dessa forma, criar a solução.

O trabalho em equipe é altamente valorizado dentro da empresa, que faz questão de buscar profissionais das mais diferentes áreas para trabalharem juntos. Na mesma equipe é possível encontrar, por exemplo, um designer, um físico, um engenheiro e um psicólogo. Essa pluralidade permite que a equipe perceba as reais necessidades para desenvolver aquele produto e o que pode dar errado. Aliás, a cultura do erro se faz presente na empresa.

O ambiente permite enganos e um dos lemas da IDEO é “falhe com frequência para atingir mais rápido o sucesso”. Isso está muito alinhado com o modo de pensar do Vale do Silício. Outro ponto interessante que a empresa prega é o incentivo para surgirem ideias loucas. Eles defendem que quando há um caos focado em determinado projeto, as ideias mais malucas devem ser jogadas na mesa. Só assim, pensando em coisas incomuns e até mesmo aparentemente impossíveis de serem realizadas, é possível desenvolver um produto inovador.

Um exemplo muito interessante sobre isso diz respeito às salas de emergências de hospitais. Dada a natureza de uma emergência, é comum casos de pacientes que morrem ao chegar nas salas de emergência. Nesses casos, cada segundo conta. A IDEO, então, foi contratada para reestruturar o design dessas salas. Depois de muita pesquisa, a equipe foi buscar inspiração no Pit Stop de Fórmula 1. A princípio, uma ideia totalmente desconexa com o propósito do projeto. Porém, eles repararam que no Pit Stop haviam diversos kits, um para cada tipo de problema que o carro poderia apresentar. Daí saiu a solução: a IDEO desenvolveu kits para as salas de emergência com todos os instrumentos médicos necessários para cada tipo de problema que um paciente que desse entrada em uma sala de emergência poderia sofrer. Dessa forma, os hospitais passaram a ter uma organização precisa para atender cada paciente com mais agilidade. Bom design salvando vidas.

Conhecer a cultura da IDEO e entender melhor como eles operam é uma verdadeira aula de como buscar soluções para os mais diversos problemas. Equipes interdisciplinares, muita observação, um ambiente no qual todas as ideias são bem vindas e uma cultura de prototipagem rápida fazem com que seja mais natural encontrar boas soluções para grandes desafios.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estado PME.

A empresa de uma pequena cidade que quer conquistar o mundo

24 de junho de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog

Dar risada à toa. Fazia tempo que não tinha essa ótima sensação. E ontem (última terça-feira, dia 23)  foi desses dias que há um bom tempo não experimentava, digo, com a risada e o riso na alma. Agenda cheia e cabeça a mil logo ao abrir os olhos. Ultimamente, a necessidade de adaptação às mudanças do mercado vem crescendo a passos largos. E as cobranças também.

Mas a primeira notícia que recebo logo cedinho foi: duas peças publicitárias criadas pela agência África do Rio de Janeiro tinham levado leão bronze no Festival de Cannes. WOW!

Lá trás, quando imaginamos criar a DE CABRÓN, me questionava por que uma empresa em uma cidade de aproximadamente 43 mil habitantes no Brasil não poderia ter um produto admirado nos quatro cantos do mundo? Por que isso não é possível? Quem acompanha o blog já deve ter visto eu abordar esse tema algumas vezes.

No mês passado, abordei o tema em minha palestra no InPreendi, em Assis – evento bacana em que empreendedores engajados da região organizam para estimular e inspirar o empreendedorismo. Essa boa nova do prêmio veio para renovar as energias e confiança do time, afinal, ganhar um leão nesse festival é mais uma prova que estamos construindo algo único.

E, por falar em algo único, preciso agradecer toda equipe da agência África Rio pelo inquestionável talento e meus sócios na fábrica, e claro, meu amigo e sócio na Laika, Ruis Vargas. Foi ele quem me ensinou muito do que sei sobre o que é construir uma marca de verdade e me ajudou – e ajuda todos os dias. Seu senso crítico sempre foi, por mais doloroso para muitos, sua melhor forma de amar e mostrar o quanto seu conhecimento é capaz de fazer a diferença.

Obrigado, Ruis. Esse leão também é seu.

Veja as peças premiadas

 

 

 

Os negócios virando bits. E como você pode aproveitar para inovar?

22 de junho de 2015

Marcelo Pimenta é professor da pós-graduação da ESPM e escreve toda a segunda-feira no Estadão PME. Saiba mais em www.facebook.com/menta90

Produtos e canais vêm se digitalizando rapidamente, naquilo que Steve Blank e Bob Dorf chamam de “Segunda Revolução Industrial”. Entender exatamente o que isso significa, abre a possibilidade para muitas inovações nos modelos de negócio, onde “as velhas regras para os negócios físicos não se aplicam para os negócios virtuais”.  Entender como esse processo acontece gera insigths para encontrar oportunidades.

No princípio, os produtos (comida, caros, utensílios domésticos) eram vendidos através de canais físicos (lojas, porta a porta, mercado).

Uma das principais inovações dos negócios foi quando apareceram produtos que não eram necessariamente físicos – mas se traduziam num benefício, como um serviço, uma promessa ou uma garantia (como por exemplo seguros, ações, softwares e jogos).  Veja que todos, antes da Internet, eram vendidos apenas através de canais físicos, como na figura abaixo.

A revolução tecnológica permitiu que os canais digitais passassem a ser importante meio de busca, pesquisa, decisão e compra de produtos e serviços tanto físicos (como sapatos, livros, …) como também virtuais (como jogos, arquivos de musica, filmes, publicidade online). E a matriz ficou completa, como a figura a seguir.

Qual é o pulo do gato?

A tecnologia vem transformando tudo em digital (ou colocando um pouco de digital em tudo). A tendência é a atração para o quadrante virtual X virtual. Esse é o quadrante mais propício para as startups –  iniciativas que buscam lucrar e validar modelos REPETÍVEIS e ESCALÁVEIS.

O https://www.nubank.com.br/ é um exemplo brasileiro. O cartão que você administra sem precisar ir na agência ou falar com ninguém.  Você recebe o cartão na sua casa, o relacionamento é todo à distância com melhores taxas e condições.  Outro exemplo são os seguros – que passam a ser contratados por SMS, sem precisar mais ir a agência. Ou jogos que podem estar em multiplataforma (como TV, celular ou mesmo em holografia, como mostra o vídeo do HoloLens divulgado pela Microsoft essa semana – que você assiste clicando aqui).

O produto virtual migra de canal

Mesmo muitos produtos físicos vêm se virtualizando – ou tendo uma maior interface digital. Hoje já é possível fazer impressão 3D de móveis e sapatos (como vimos nesse post e também neste).  O uso compartilhado de carros em soluções como Uber, Fleety e a PegCar também são uma resposta de que não é preciso mais ser dono de um carro para usufruir de seus benefícios. Enfim, de uma forma ou de outra, os produtos físicos, antes  vendidos pelo canal físico, também vem se digitalizando e migrando de canal.  Já livros conseguiram ter seu conteúdo 100% digitalizados, criando um novo mercado (como a Amazon, que lançou o Kindle Unlimited, onde você paga uma assinatura equivalente a U$ 10 / mês para ter um acesso a acervo de 600 mil livros e audiolivros).

Produtos físicos também mudam de canal, além de buscar pelo menos ter uma faceta digital

Entender exatamente essa revolução digital, acredito, é fundamental para que se aproveite todas as oportunidades de inovação nos negócios. Desde as mais simples (passar a atender ou a vender pelo canal WhatsApp, por exemplo) até as mais complexas (como desenvolver e descobrir tecnologias para a virtualização dos alimentos).

Em todas elas, há muita oportunidade para inovar. Aproveite o caminho!

Ps 1 – A maior parte do conteúdo desse post é uma tradução/adaptação livre do original “ The Startup Owner´s Manual”, de Steve Blank e Bob Dorf.

Ps 2 – Há um outro post sobre esse assunto que tem uma visão complementar e que indico que é do meu amigo Nei Grando – https://neigrando.wordpress.com/2012/10/01/a-relacao-de-produtos-com-canais-nos-novos-modelos-de-negocio/

Ps 3 – Essa semana entrou no ar o novo site do Laboratorium e nele estão organizados todos os posts que já escrevi aqui. Se quiserem conferir, esse é o link – http://www.laboratorium.com.br/conteudos/posts-estadao-pme

 

Estamos de bode e a vaca indo para o brejo

19 de junho de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Em cerca de uma semana, dois treinamentos. Um para uma pequena empresa de confecção se comparada à outra, um colosso com faturamento acima de R$ 10 bilhões. Curiosamente, as duas foram criadas no mesmo ano. E também coincidentemente falei para o mesmo público: pessoas em que as empresas apostam seus futuros. Doze representantes de venda da firma de confecção e 125 executivos que estão sendo preparados para cargos-chave na grande empresa. E para as duas, o mesmo tema: Hora de inovar e empreender!

Mas a crise está na porta das duas organizações. Ainda não entrou. As vendas têm se mantido dentro do esperado, mas é óbvio que a tranquilidade dos anos anteriores já virou uma vaga lembrança. Por isso, achei que era preciso respeitar o mau humor das pessoas. Todos deviam estar de bode temendo que os negócios vão para o brejo.

Já estava preparado para o mau humor. Sempre tem um que vem e fala que em chinês crise e oportunidade se escreve da mesma forma. E daí? Não sou chinês – poderia pensar um aluno. Outro recomenda: Tire o “s” da palavra crise e crie! E aí você pensa, então pegue este “s” e coloque na palavra uma. Afinal se quer deixar alguém ainda mais mal-humorado, tente-o fazer feliz com frases infelizes.

Mas é possível estar mal-humorado e fazer alguma coisa. Caso contrário, se empacar, aí a vaca já está no brejo. É o incomodo que o faz sair do lugar. É isto que o faz mudar!

Mas quem disse que encontrei gente mal-humorada? Todos estão de bode sim. Como diz o meu xará D2: “Tá ruim pra você, também tá ruim pra mim. Tá ruim pra todo mundo, o jogo é assim.” Mas havia um clima de compreensão, de comprometimento e de cooperação nos dois encontros.

Em ambientes assim, não é preciso explicar a importância do comportamento empreendedor e inovador para os colaboradores da organização. Sabem que precisam sambar e de que lado.

Percebem que precisam ser duas, três, quatro vezes mais proativos do que costumavam ser. Não é o momento de ficar pensando que problema não é seu e nem quantas horas extras vai cobrar. Esta é atitude certa nesta hora da verdade!

Também tem a noção de que precisam fazer mais com menos. Se fizer igual, mas com menos, também já está valendo. O momento é de corte de custos desnecessários, aumento da eficiência operacional e da produtividade. Assim, sabem que mantém a conduta, sabem que seguem firme e forte na luta.

Por fim, sabem que precisam inovar quando algo não estiver funcionando. Vale para manter ou aumentar as receitas ou para reduzir as saídas de caixa. Sabem o que precisam para evoluir, sabem o que precisam para sair daí.

Durante algumas horas, conseguimos tirar o bode da sala. Foi bom para manter o canal aberto de aprendizado e compromisso. Mas é bom manter o bode por perto. Isto nos faz refletir mais sobre o presente e o futuro. E o melhor: bodes não vão para o brejo.

Você se lembra de um carro chamado Brasília?

17 de junho de 2015

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Se há algo que nunca deixo de fazer é aquela pausa rápida, mesmo que seja apenas mentalmente, no decorrer da overdose de informação e demandas que possuo em meu dia. Facebook, e-mail, celular, SMS, WhatsApp… nunca deixe essas ferramentas tomarem conta do todo o seu dia. Basta estar disponível que sempre há alguém te contatando por esses meios e te causando uma fragmentação cerebral.

Ontem, quando fazia minha parada para escrever este post, fiquei ilhado dessa overdose de acessibilidade e mergulhei nas notícias do dia. Deparei-me com a morte do lendário empresário Olacyr de Moraes, que, nos meus tempos de infância, mercou meu imaginário (ou era verdade?) como o cara mais rico do Brasil. Olacyr era uma figura mítica. Mas o que me chamou a atenção foi o link para o acervo do jornal Estadão, que acabou por me transportar até a uma cápsula do tempo, mais precisamente no dia 04 de abril de 1982. Eu era bem garoto e pouco lembrava de detalhes desse período. Assim, resolvi “folhear” o Estadão daquela época, conhecido à época como O ESTADO DE S. PAULO. Veja aqui.

Foi uma viagem no tempo e a um tempo muito curioso. Deparei-me com diversas matérias e anúncios interessantes, como, por exemplo, a ESPM anunciando o I Encontro de Marketing Financeiro no Brasil. Fico imaginando se você, que faz tudo no Excel, tivesse instantaneamente se transportado para esse evento de Marketing Financeiro em 82 num piscar de olhos. Conseguiria acompanhar a linha de raciocínio e ter a mesma agilidade na composição de custos de forma “oldschool”? Eu, com certeza, teria pedido pra sair.

Outra notícia que chamou muita a atenção foi uma matéria da página 50, com o título “VW garante peças para carro Brasília”. Para você, que nasceu depois de 2000 e que por acaso está lendo essa coluna, sim, nós já tivemos um carro com o nome de Brasília. E minha avó Augusta tinha uma azul. Eu sempre queria andar deitado em cima da tampa traseira, logo acima do motor. Essas são peculiaridades que você jamais deixaria seu filho fazer nos dias de hoje, porém, na infância, fez aos montes.

Mas, voltando à notícia, é um fato curioso uma empresa como a VW – e naquela época uma das únicas montadoras no Brasil – ir à público e ter que garantir o fornecimento do carro para seus consumidores. Hoje, enquanto consumidores, somos muito mais exigentes e estamos protegidos pelo código de defesa do consumidor. Hoje, as empresas estão muito mais preparadas para atuar no mercado. Imagine você ficar sem sua conexão de internet? Certeza que em 5 minutos você já liga no SAC da empresa para tentar resolver (ok! a tendência é você se impacientar com os milhões de protocolos e a burocracia noa atendimento, mas hoje temos a que recorrer).

Outra notícia que me chamou atenção e me fez lembrar um fato curioso: “Castello um pouco mais longa”. Naquele tempo, os postos de gasolina não abriam aos domingos. Pasmem! Lembro também que era costume, quando viajava aos domingos, levar um galão com gasolina no porta-malas. Hoje as pessoas perdem o controle por coisas banais.

Talvez todo o aparato do código do consumidor seja o reflexo da falta de confiança. Não confiamos no sujeito, logo, o sujeito é o inimigo. Em 1982, do que me recordo daqueles tempos, a caderneta de fiado na quitanda ou na venda do seu Joaquim ainda era uma prática das mais comuns. E, claro, quitar a famosa caderneta ao fim do mês era tão comum quanto. Aos poucos, alguns acordos que eram implícitos, passaram a ser deixados de lado. Talvez, em 1982, já estivéssemos num iminente processo de “assine embaixo e reconheça firma”. Daí a necessidade de a VW garantir peças para algo que ela mesma fabricou. É, outros tempos.