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Blog do Empreendedor
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Caso Netflix: o que faz de Silvio Santos um dos maiores empreendedores do Pais

3 de março de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Quem sabe, faz ao vivo. Nesta semana, uma das coisas mais comentadas nas mídias sociais foi o episódio em que Silvio Santos fez espontaneamente propaganda de seu concorrente: o Netflix. Quem acompanha esse grande marqueteiro, e conhece um pouco de sua história, não ficou surpreso, pois conhece também sua capacidade de transformar as situações mais inusitadas em oportunidade. Uma virtude inquestionável do seu Silvio. Ele já fez escola. E muita gente, claro, aprendeu. O que podemos tirar de mais essa lição? Vou tentar elencar:

1. Você é um multiplicador. Cuide de sua audiência.
Muito empresário esquece que ele e sua empresa são multiplicadores de conceitos e atitudes. E, sabendo usar esse princípio como ferramenta, você mesmo pode se tornar uma mídia com relevância. Silvio fez isso primorosamente. Dependendo de sua audiência (o que significa “pessoas que estão disposta a te ouvir), você pode reverberar em diversos ambientes de comunicação, dos mais inusitados. Ou seja, você tem um valor intrínseco, sobretudo como mídia, e é provável que consiga atrair grandes oportunidades. E por que não transformar essas oportunidades em receitas financeiras?

2. Torne sua marca inteligível para grande maioria.
Não é à toa que o Senhor Abravanel mudou seu nome artístico para Silvio Santos. Quer algo mais genérico e popular que isso? Silvio Santos genialmente soa simples e marcante, do Oiapoque ao Chui. Agora olhe para você e para sua empresa. Tente imprimir referências simples de serem lembradas em suas atitudes.

3. Tenha um alvo. Mas também uma seta.
Tenha um objetivo a ser atingido. Por mais incrível que pareça, a maioria dos empresários não tem esse alvo bem definido. Nos diversos grupos dos quais participo, sempre que posso, pergunto: qual seu grande objetivo de negócio? Quando a resposta não é evasiva, quase sempre sai: ficar rico. Ficar rico não é um objetivo e sim, uma consequência. Use sua energia e esforço para que sua seta atinja o alvo. Mas cuide para ter esse alvo muito bem definido. Pode parecer óbvio, mas não é. Silvio Santos sempre teve seus objetivos muito bem definidos.

4. Posicione-se.
Provavelmente, o SBT tenha sido o primeiro grande case de planejamento estratégico no Brasil. Há algumas décadas, o SBT se posicionou no segundo lugar da audiência. Foi estratégico: percebendo que a rede Globo era imbatível à época, assumiu a condição de vice-líder para o seu público. De modo mais pragmático, evitou exigências que ninguém estava apto a cumprir para assumir a liderança. Daí, pôde, confortavelmente, se arriscar muito mais e traçar estratégias mais viáveis e compatíveis com o que era exigido.
5. Faça algo surpreendente.
Silvio Santos tem seu neto fazendo sucesso em seu maior concorrente. De algum modo, o canal líder fala de Silvio Santos. Vivemos numa época em que a informação se multiplica rapidamente. Fazer algo surpreendente pode ganhar espaço e relevância em pouco tempo. E hoje, cada vez mais, ser relevante na vida das pessoas custa caro.

Enfim, não há regras para o sucesso, mas espontaneidade e inventividade são premissas sine qua non para qualquer empresa de sucesso. Não é, Lombardi?

 

Dez livros referência sobre contexto de negócios

2 de março de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta) é professor de inovação da ESPM e criador do Laboratorium

Nesses dias trabalhei numas das atividades que mais me dá prazer: a preparação das aulas que serão ministradas no ano letivo que se inicia. A cada ano, reviso na biblioteca quais foram os livros que estão fazendo mais sentido no momento em que vivemos, sem se importar com a data de lançamento, mas com sua real contribuição para a criação e a gestão de negócios inovadores.

Durante esses dias, tomei a liberdade de escolher 40 livros, que considero que trazem contribuições fundamentais para quem quer empreender e inovar. Como toda a lista, ela é limitada, já nasce incompleta – mas é um recorte pessoal do que acredito pode inspirar empreendedores na sua formação. Organizei os livros em uma série de quatro posts, agrupados por diferentes assuntos. O primeiro grupo de livros trata do novo contexto dos negócios e as obras que escolhi são os que seguem:

1 – A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura. Volume 1 – A Sociedade Em Rede – Manuel Castells -  Paz e Terra, São Paulo, 2000.  Na minha opinião, Castells é hoje o principal pensador sobre o mundo em que vivemos – por isso ele encabeça a lista. É nesse livro que o sociólogo catalão explica as relações entre o mundo conectado, a sociedade do imediatismo, o mercado globalizado, as transformações no mercado de trabalho, a cultura da virtualidade e o espaço dos fluxos. Um livro que já tem 15 anos mas que continua fundamental para entender o que está acontecendo.

2 – Wikinomics – How Mass Collaboration Changes Everything – Don Tapscott e Anthony Williams – Portfolio, New York, 2006.  O livro que apontou o impacto do digital na economia mundial. Tapscott mostra que os novos consumidores já nascem alfabetizados digitalmente e esperam novas relações com as empresas e com as marcas. Existe uma explicação sobre esses conceitos feito pelo próprio autor numa conferência TED (onde é possível habilitar as legendas em português) – Os Quatro Princípios da Inovação Aberta.

3 – Conectado pelas ideias: como o cérebro está moldando o futuro da Internet – Jeffrey Stibel – DVS Editora, São Paulo, 2012 – O autor é um cientista, pesquisador do cérebro na Brown University. Pesquisa a relação entre neurociência e negócios. E mais que isso – é um empreendedor compulsivo. Atualmente preside a BrainGate, empresa especializada em transplantes de cérebro que permite que os clientes controlem objetos através da força do pensamento. O livro faz parte da lista pois Stibel ensina que a Internet, plataforma integrante em todos os negócios daqui para diante, é um cérebro. “Assim como a bomba artificial com relação ao coração, como a câmera em relação aos olhos, e a dobradiça com relação às articulações, acredito que a internet é análoga ao cérebro”, provoca.  (Esse livro me foi emprestado pela Marcia Matos e acabei ficando com ele até hoje)

4 – Makers: The New Industrial Revolution – Chris Anderson – Crown Business, New York, 2012 – O ex-editor da Wired, autor dos bestsellers Free e Cauda Longa faz parte da lista com seu livro mais recente, onde destaca a importância da Internet das Coisas. O autor mais uma vez é pioneiro e ainda em 2012 identifica como wearables, impressão 3-D, micro-manufaturas, fab-labs vem afetando e transformando os negócios, provocando o que ele chama de uma nova revolução industrial. Ele é também CEO da 3D robotics e criador da DIY Drones, uma comunidade de robôs aéreos.

5 – O Efeito Medici: Como realizar descobertas revolucionárias na intersecção de ideias, conceitos e culturas – Frans Johansson – Editora Best Seller, Rio de Janeiro, 2008 – Esse livro me foi indicado pela Vivianne Vilela. Quando o li pela primeira vez, várias fichas caíram…  O autor aponta o poder das intersecções para gerar o novo. O título é uma alusão à assemblagem entre artistas, cientistas, comerciantes e banqueiros provocada pelos Medicis em Florença. A poderosa combinação criou uma das mais importantes explosões de arte, cultura e ciência na história da humanidade – o Renascimento.  Johansson cria pontes mostrando que combinar elementos é uma das melhores maneiras de gerar ideias notáveis, surpreendentes e revolucionárias.

6 – Rework – Jason Fried e David Hansson – Crown Business, New York, 2010 – Os autores são os fundadores da 37 Signals (empresa de software que criou o Basecamp) e este livro é uma espécie de manifesto sobre o novo mundo do trabalho. Eles trazem à tona a nova realidade em que a vida pessoal e profissional se misturam criando novos espaços compartilhados, novas oportunidades e novos desafios. “A menos que você seja um milionário, planejamento de longo prazo é uma fantasia. Apenas vai deixar você com a impressão de que está controlando coisas que na verdade não pode controlar”. Eles também foram um dos primeiros a questionar o glamour empreendedor: “qualquer pessoa que construa um novo negócio é um iniciador; não precisa MBA, certificado, um terno charmoso, uma maleta ou uma tolerância ao risco acima da média. Você precisa de uma ideia, um pouco de confiança e fazer acontecer”.

7 – O Futuro da Competição: Como Desenvolver Diferenciais Inovadores em Parceria com os Clientes – C.K. Prahalad e Venkat Ramaswamy – Elvesier, Rio de Janeiro, 2004. Foi a partir de pesquisas acadêmicas descritas nesse livro que o professor Prahalad trouxe para o mundo dos negócios pela primeira vez a expressão “co-criação de valor”, base para a economia da colaboração e fenômenos como o crowdsourcing e crowdfunding. Esse livro serve para “orientar os líderes de negócio na busca por um novo capital estratégico, ajudando-os a romper seus velhos conceitos enraizados e descobrir novas maneiras”. Um livro que se tornou, na minha opinião, fundamental para entender o cenário atual dos negócios.

8 – O que é meu é seu: como o consumo colaborativo vai mudar o nosso mundo – Rachel Bostman e Roo Rogers – Bookman, Porto Alegre, 2011.  Através de cases como o do AirBNB, E-bay, Tumblr, Wikipedia e Paypal os autores mostram a tendência do fim dos intermediários e o crescimento do consumo colaborativo fortalecido pela interação direta entre os consumidores. E mostra que esse fenômeno afeta desde bens de consumo, serviços até produtos de informação.

9 – Funky Business: El Talento Mueve al Capital – Jonas Riddernstrale e Kjell Nordstrom – Prentice Hall, Madrid, 2000 – Essa dupla de suecos é emblemática na elaboração de um conceito funky para os negócios. Eles combinam o rigor acadêmico da Escola de Economia de Estocolmo com irreverência do mundo criativo e conectado.  Misturando Karl Marx com Jack Welch. Também editado em 2000, essa é uma edição simbólica e emblemática desse contexto de mudanças radicais numa velocidade cada vez maior. Autores de frases de impacto – como a vantagem competitiva pesa menos que os sonhos de uma mariposa; a realidade de nossa época é um mundo desordenado habitado por seres capazes, …- o livro entra na lista também para trazer mais da visão europeia de como inovar.

10 – A nova desordem digital: o novos princípios que estão reinventando os negócios, educação, a política, a ciência e a cultura. David Weinberger. Elsevier, 2007, Rio de Janeiro.  Weinberger é um dos co-autores do famoso Cluetrain Manifesto. Ele considera que nessa nova era, a confusão é uma virtude e há uma nova geografia do conhecimento. Livro que encerra essa primeira parte da lista sobre o novo contexto, essa obra aborda com muita propriedade os desafios da educação do mundo conectado.

Caso queira contribuir com outros livros que podem fazer parte de uma seleção de livros recomendados sobre o novo contexto de negócios, o campo de comentários está à sua disposição.

Na próxima semana, vou apresentar os livros escolhidos sobre Design & Negócios .

Ps – Usei para esse post as edições dos livros que fazem parte da minha biblioteca. Portanto, caso alguém se interesse em procurá-los sugiro estar aberto a encontrar outras edições, inclusive algumas que já estão em português. Uma dica de local para pesquisar livros usados é na www.estantevirtual.com.br.

 

Empreendedores cujos produtos entregam a sua idade: Se lembrar de algum, já está ficando velho!

27 de fevereiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Quando eu explico nas aulas que o Luiz Seabra trabalhava na Remington, dependendo da idade média dos participantes, vejo um ou dois pontos de interrogação nas expressões da plateia.

Pessoas com mais de 40 anos apresentam apenas um ponto de interrogação: Quem é Luiz Seabra? Explico que ele co-fundou a Natura Cosméticos em 1969. Mas as pessoas mais novas também perguntam: O que era a Remington? Comento que foi uma das maiores fabricantes de máquinas de escrever. Mas uma terceira “tela branca” pode aparecer naqueles que têm menos de 20 anos: O que é uma máquina de escrever? Para a graça dos mais velhos, digo que era uma espécie de computador que imprimia cada letra “na hora” em que a tecla era digitada. Os mais novos não conseguem acreditar que havia uma máquina dessas. Nem era preciso dar um “print”? – perguntam.

Assim, se conhecer o negócio criado por Daniel Dazcal, pelo menos, você está na casa dos 30 anos. Mas se conhecer a empresa que ele trabalhava antes, deve ter 40 anos ou mais. Dazcal saiu da Sharp para fundar a Tectoy em 1987, apostando no crescimento dos brinquedos eletrônicos no Brasil. O primeiro produto, a pistola Zillion já foi um sucesso. Mas o que deixava feliz a molecada que entrou nos trinta anos agora era o Master System e depois o Mega Drive. O porco espinho Sonic ainda têm espaço no coração dos novos jovens que se viram nos trinta atualmente.

Mas se perguntar para os mais novos se querem um soft, irão questionar se é IOS ou Android. Mas os quarentões irão, literalmente, engolir em seco, lembrando de algum fato em que quase morreram com uma bala Soft entalada na garganta. O fato de funcionários saírem de uma empresa para montar outra sempre ocorreu no mundo. Empresas como Intel, Compaq e DreamWorks começaram assim. Mas na década de 1960, Armando Cepeda, Silvio Oliveira e Luiz Redoschi conseguiram algo muito vantajoso: Saíram da Kibon (com o apoio da empregadora) para criar a Q-Refresco. Tinha tudo para dar certo e a empresa emplacou vários sucessos como Ping-Pong, Ploc, Dulcora e Confeti, mas é a famigerada bala Soft que ainda causa arrepios nos que têm mais de quatro décadas de vida.

Avançando um pouco, Chita é a macaca do Tarzan para todos, menos para os que têm mais de 50 anos. Em 1945, o espanhol João Rucian Ruiz pensava em abrir um novo negócio no Brasil e entre uma gambiarra e outra, inventou uma máquina para fabricar balas mastigáveis. Como era apaixonado pelos filmes do Tarzan, não só deu o nome da macaca para a sua bala como a estampou nas embalagens. Qual o sabor combinaria com a Chita? Não teve dúvidas… Abacaxi, sua fruta favorita. Mas quem se lembra da Bala Chita vai se recordar que bala boa mesmo era a de uva.

Mas se já bateu na casa dos 60 anos ou mais, vai se lembrar do produto lançado pelo engenheiro Alexandre Behmer. Ele começou o negócio com uma fábrica de graxa em 1906. A cidade de São Paulo estava começando a se industrializar e graxa era produto de primeira necessidade para os equipamentos das manufaturas da Mooca, Tatuapé e da então nova região industrial a Vila Prudente (de Moraes). Mas sua graxa Duas Âncoras era apenas uma marca vendida para os industriais, que por sua vez, só queriam pechinchar no preço. Era preciso pensar em uma marca popular, que todos usassem em suas casas. Mas as donas-de-casa não compravam graxa, mas precisavam deixar chão brilhando… Por que não colocar vender uma cera colorida e perfumada para encerar com um esfregão? – pensou Behmer. Ali nascia a Cera Parquetina: A cera que lustra brincando!

Se entendeu o texto até aqui e lembrou de, pelo menos, um produto, já está ficando velho. Há uma nova geração que já não entende o que é “tela branca” e se explicar que fará algo “na hora”, vão achar que irá demorar muito!

Ele chegou a varrer as ruas para viver…quem é o criador do WhatsApp, o negócio mais comentado no Brasil

26 de fevereiro de 2015


A decisão de um juiz em Teresina, que determinou que o acesso ao aplicativo WhatsApp seja suspenso, recolocou o aplicativo no centro das discussões – virtuais ou não – em todo o País. E em certa medida, esse debate e a própria decisão judicial demonstram ser indicativos claros e inequívocos d o estrondoso sucesso do negócio criado por Jan Koum e vendido recentemente pelo Facebook por bilhões e bilhões de dólares.

Mais curiosa do que a decisão do juiz brasileiro, entretanto, é a vida do empreendedor por trás da ideia. Reservado e com cara de mau, separamos alguns pontos da trajetória de Jan que talvez você não sabia exatamente.

1) Jan criou o WhatsApp a partir de uma necessidade pessoal. Ele não tinha dinheiro para se comunicar com o pai, que estava na Ucrânia – Jan deixou o leste europeu com a mãe ruma aos Estados Unidos.

2) Ele tem extremo cuidado com a privacidade do app. Isso, provavelmente, tem a ver com as frequentes quebras de sigilo nas comunicações dos cidadãos ucranianos, algo frequentemente relato pela mídia internacional.

3) Pode-se dizer que ele é avesso à publicidade. Um tempo atrás, ele tuitou uma frase famosa do filme Clube da Luta sobre o tema. ‘A publicidade nos faz querer comprar carros e roupas. A trabalhar em empregos que odiamos para comprar o que não precisamos.’

4) Ele tem 39 anos. E uma fortuna que se aproxima dos US$ 7 bilhões.

5) Antes de trabalhar no Yahoo, empresa que ele deixou para fundar o WhatsApp, Jan Koum chegou a literalmente varrer o chão para sobreviver nos Estados Unidos.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Decidimos crescer…E não é por meio de franquias

26 de fevereiro de 2015

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Se passaram mais de 4 anos e finalmente está chegando o momento. A Carbono Zero Courier irá expandir suas atividades! Talvez você pense, um pouco tarde, não? Acho que não existe um tempo certo, do tipo um modelo a seguir, mas sim algo de estar preparado, confiante e, principalmente, sentido-se à vontade.

Lembrem-se que o nosso negócio é muito mais além do lucro. Para expandir pelo aspecto financeiro, teríamos iniciado com franquia anos atrás. Propostas não faltaram, a primeira vista o nosso modelo de negócio se enquadra facilmente, é atrativo e inovador, mas, como já escrevi aqui, não era o nosso interesse, pelo menos não um modelo 100% nessa direção.

No mês de abril iniciaremos nossas atividades nessa nova cidade, ainda a ser revelada em um próximo artigo. Quais os critérios usados para escolher essa nova cidade? Queríamos um local que funcionaria como uma espécie de laboratório. Uma cidade onde suas características seriam comuns para outras potenciais expansões, tamanho, perspectiva de resultado, potencial operacional e estratégia global foram alguns dos fatores levados em conta para a escolha.

Vejam, nosso tipo de serviço, teoricamente, tem demanda em todo o Brasil, mas é importante diferenciar o tipo da demanda: é delivery de comida? serviços em geral? documentos? transporte produtos? Nosso pequeno-médio laboratório nos trará uma bela experiência em não só gerenciar duas cidades, mas também em como nos preparar para futuras.

Qual modelo escolhemos? Uma coisa é certa, nesse momento, não é o de franquia. Estamos fazendo essa expansão como uma empresa, e, sim, contamos com ajuda de novos e importantes braços, mas que são braços que somarão para o todo, se preocuparão com o todo e não somente com “o próprio umbigo”. O que também, não deixa de ser um teste. Afinal, estamos falando de trabalhar com novas pessoas, novos gestores com expectativas e estilos diferentes. Mais um laboratório pensando no futuro.

Acho que o mais importante é compreender o tempo, a espera e o planejamento. Não meta o pé pelas mãos e corra para uma expansão, não seja ambicioso demais. Você quer que seu negócio, sua marca dure anos ou seja somente a próxima moda de franquia? Pessoas para te ajudar? Saiba como escolher, não procure somente por clones de você mesmo, traga diferentes experiências e backgrounds, mas principalmente, traga o espírito de fazer acontecer.

 

Aguardem mais novidades.

 

Um abraço,

Rafael

 

O que fazer quando a conta de energia chegou e está 34% maior?

25 de fevereiro de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Hoje comecei o dia com pensando em escrever sobre como é vender nossos molhos de pimenta em padarias, as famosas padocas, que, de forma tão única, fazem parte da rotina do dia-a-dia dos paulistano. Porém, hoje nos deparamos com uma rasteira anunciada há tempos: a conta de energia chegou 34% mais alta. Imagine você dormir e acordar com seu pé maior 34% do que o dia anterior.

Com certeza alguém vai comentar no post: como já havia sido anunciado o aumento, qual o motivo de tanto estardalhaço? Sim. Todavia, você só saberá o que realmente é ter um pé 34% maior quando o tiver 34% maior e nunca antes. Você pode até comprar um novo sapato com números maiores, no entanto, só conseguirá testar seu equilíbrio andando.

Enfim, até tento entender o argumento do governo de que os custos de energia elétrica estavam defasados e não compatíveis com a realidade, mas, sinceramente, como uma indústria que luta para conseguir crescer, superar as barreiras, entrar em grandes varejos, aumentar produtividade, gerar mais emprego e ampliar mercado consegue ter estímulo para continuar trilhando a prosperidade com solavancos como esse? Não temos o Eike nem o Lulinha em nosso quadro societário.

Em nossa empresa, todos os custos são cuidados na ponta do lápis, criteriosamente, para conseguirmos assegurar a nossa sanidade econômica. E você, empreendedor, sabe como esse mecanismo funciona. Conseguir reduzir o custo de uma embalagem, por exemplo, em 5% é uma grande vitória para equipe de compras. Melhorar o desempenho em 8% na produtividade e rendimento nas campanhas é sem dúvida um entrosamento de produção conquistado com tempo, inteligência e dedicação. Tais conquistas são frutos de um grande esforço coletivo, de uma equipe comprometida e engajada, cada qual em sua área, buscando desempenhar seu papel da melhor forma possível, muitas vezes ultrapassando limites individuais. Os 34% chegam como um grande balde de água fria. Ou, como um choque. Mais uma vez, o empresário brasileiro vai precisar ser criativo e achar formas de conseguir contornar.

Não sei você aí, na Avenida Paulista, mas aqui, em Santa Cruz do Rio Pardo, a infra-estrutura é sucateada. O fornecimento de energia está longe do medíocre. Quer um exemplo simples para medir isso? Todo santo dia eu preciso acertar o relógio do microondas em minha casa. Todo santo dia tem queda de energia por aqui.

Sempre fui um cara muito entusiasmado. Talvez o mais sonhador, como diz meu sócio. Acredito que o entusiasmo é uma competência, mas confesso que está cada vez mais difícil de conseguir acordar todas as manhãs e ter a energia reposta. Até porque agora ela está 34% mais cara.

 

Jobs completaria 60 anos. O que ele estaria escutando no iPod?

24 de fevereiro de 2015

Bob Dylan, The Beatles, Joan Baez, Rolling Stones, Aretha Franklin, The Doors, Janis Joplin. Estes eram alguns dos grupos musicais que faziam parte do iPod de Steve Jobs, segundo relatado na biografia escrita por Walter Isaacson sobre o empreendedor considerado por muitos (pela maioria?) um autêntico gênio da tecnologia.

Mas nesta terça-feira, dia 24 de fevereiro, quando Jobs completaria 60 anos, não custa nada jogar uma pergunta no ar: o que o fundador da Apple estaria escutando hoje? Difícil precisar, mas poderíamos arriscar que os artistas acima mencionados ainda estariam ocupando algum espaço nos ‘gadgets’ do empreendedor. Mas poderiam aparecer também alguns artistas mais modernos. E, 2004, por exemplo, o iPod de Jobs tinha Alicia Keys, Coldplay, Green Day, U2, entre outros.

Mas a grande paixão de Steve Jobs era mesmo Bob Dylan. Paixão expressa até quando o empresário era estimulado a responder sobre outro artista, como foi o caso de Eminem. No começo dos anos 2000,  Jobs demonstrava interesse pelo rapper, entusiasmo que não seguiu muito adiante. “Respeito Eminem como artista, mas não quero ouvir sua música, não consigo me relacionar com seus valores da maneira como faço com Dylan”.

E esse é um ponto interessante.

A vida de empreendedor é tudo, menos fácil. Ele tem quinze mil (milhões?) de problemas para resolver todos os dias; ele precisa lidar com os altos e baixos da economia, ter um produto atraente – melhor do que o feito pela concorrência -, se possível, com um preço melhor. Ele precisa prosperar e vencer a batalha todos os dias.

E por isso que a relação com a música pode ajudar. É interessante o empresário reservar um tempo da sua rotina para simplesmente relaxar. Pode ser ou não com música, que era – me arrisco a dizer – o que funcionava com Steve Jobs.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

Chegou o dia da despedida

24 de fevereiro de 2015

Chegou o dia da despedida. Depois de vários posts publicados aqui no Blog do Empreendedor, é hora de devolver o espaço ao nosso editor, Daniel Fernandes, para que os estimados leitores possam ouvir histórias diferentes, novas e, certamente, inspiradoras.

Temos muito a agradecer ao Ilan Kow, ex-diretor de Projetos Especiais do Estadão, que nos apresentou ao Daniel, no começo da nossa caminhada para criar uma nova marca de queijos. E especialmente ao Daniel, que nos confiou este importante espaço para que pudéssemos compartilhar com os leitores um pouquinho das nossas experiências.

Como já dissemos em um post anterior, é impressionante como é benéfico ao empreendedor se aventurar a escrever e contar sua história. Não só pela óbvia exposição que ganha, dando a oportunidade de expor a um número muito maior de pessoas a sua mensagem. Mas também porque escrever cada post exige um esforço mental enorme, muita concentração e pesquisa. Parece fácil, mas não é. Normalmente levávamos uma manhã inteira. Às vezes, um dia todo.

Lembrando: não somos escritores e nem jornalistas. Nos falta prática e formação na área. E é aí que está o grande ganho. A cada post, éramos obrigados a pensar e repensar o que estávamos fazendo, em busca de uma história interessante para contar. E em muitas repensadas, novas ideias – para o nosso negócio – surgiam. Também aprendíamos muito em nossas pesquisas para poder escrever. Pesquisas que não teríamos feito, não fosse o blog.

Para fechar, gostaríamos de dizer que empreender não é fácil, mas é altamente gratificante. Ter uma ideia e vê-la, meses ou anos depois, materializada seja na forma de um produto na gôndola de um supermercado ou na forma de um aplicativo para smartphone, é motivo de grande satisfação. Empreendedores criam empregos, geram desenvolvimento e podem contribuir para que sua cidade, estado ou país se tornem lugares melhores. Empreenda, vá em frente. O Brasil precisa de mais pessoas assim.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais.

Para a inovação superar a tentação do canto da sereia

23 de fevereiro de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta), é professor de inovação da ESPM e criador do Laboratorium

Esses dias recebi uma mensagem do nosso editor, Daniel Fernandes.

Tenho a sugestão de um post na linha desconstruindo a inovação porque a Atari que era um fenômeno na década de 80 morreu. O que deu de errado do ponto de vista empreendedor e da inovação?

Fiquei pensando muitos dias na resposta. Pois além da Atari, também a Olivetti, a Parmalat e muitas outras marcas de sucesso morreram. A Sony semana passada anunciou a saída do mercado de eletroeletrônicos. E há uma resposta simples: elas não perseguiram a inovação constante. Quem se acomoda vai ficar comendo pó da concorrência, simples assim. Tanto que muitas empresas (como a 3M, Natura, IBM, Google, GE, Apple, Samsung, Unilever só para citar alguns exemplos) já incorporam práticas de inovação como regra. Hoje, elas não observam, elas criam o futuro.

Mas achei que a resposta simples talvez não fosse suficiente. Acho que a pergunta mais relevante é – se então, as empresas JÁ SABEM que precisam inovar, por que a grande maioria ainda não inova? Todos os dados estão claros e divulgados – inovar dá lucro, gera valor, é o caminho para a sustentabilidade / perenidade… Por que a maioria se acomoda? Pareceu-me que essa, sim, era a verdadeira indagação do nosso prezado editor. E para respondê-la não queria apenas me ater ao esperado…

Foi ai que me caiu nas mãos, para releitura, O Auto-Engano, de Eduardo Giannetti. Sempre fui fã desse livro. Quem me apresentou foi Sérgio Storch e em 2006 devorei pela primeira vez – e depois fiz repetidas leituras de trechos. E foi num momento desses de releitura que tive o insight:  talvez a resposta seja que o empresário não pode se deixar levar pelo canto da sereia… O canto da acomodação.  De permanecer na zona de conforto do sucesso momentâneo para evitar o desconhecido.  Para compreender o poder do canto da sereia, peço licença para usar das palavras do Giannetti:

“As sereias eram criaturas sobre-humanas: ninfas de extraordinária beleza e de um magnestismo sensual. Viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução de seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios costeavam a ilha, batiam nos recifes submersos na beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. O litoral da ilha era um gigantesco cemitério marinho no qual estavam atulhadas as incontáveis naus e ossadas tragadas por aquele canto sublime desde o início das eras”.

Bingo! O sucesso causa a acomodação – e esse é o canto que seduz e faz paralisar. O empresário evitar mudar pois tudo está indo bem. Mas o mundo está mudando, o consumidor está mudando… E quem não cria o novo, acaba sucumbindo… O que deu de errado do ponto de vista empreendedor e da inovação? Algumas empresas quando alcançam a liderança  acharam que o sucesso seria eterno. Esse é o canto da sereia que seduz e inebria.

Assim que passou a euforia da descoberta da metáfora, fiquei pensando. Mas qual a saída? Como vencer essa tentação? Encontrei uma resposta no próprio Giannetti, onde ele diz que existem duas soluções conhecidas. “Uma delas foi a encontrada, no calor da hora, por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia na metodologia grega”, que conseguiu cantar mais alto que as sereias, desviando a atenção da tripulação na passagem sem perigo pela ilha.

“A outra solução foi a encontrada e adotada por Ulisses no poema homérico. Ao contrário de Orfeu, o herói da Odisséia não era um ser dotado de talento artístico sobre-humano”. Sem saber cantar, Ulisses pediu a seus marinheiros que tampassem seus ouvidos com cera – e depois o amarrassem ao mastro, de ouvidos limpos, de forma que conseguisse ouvir o canto irresistível, mas nada fazer para sucumbir. Conta a história que Ulisses quase enlouqueceu, mas conseguiu tanto experimentar ouvir o canto, como sobreviver ao desafio.

Portanto, há solução. Buscar diferenciais, testar alternativas, desenvolver talentos, ser criativo – esse é o caminho para não sucumbir. Mas há que ser pró-ativo para não deixar-se seduzir pois o sucesso é o canto da sereia que encanta e acomoda.

PS – Os trechos citados do Auto-Engano, são da edição da Companhia de Bolso, numa edição de 2005 e estão nas páginas 178 e 179 do livro. #ficaadica

Quantas ideias ruins são necessárias para se chegar a uma boa ideia?

20 de fevereiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Henry e Nick não se conheceram. Mas eles se reconheceriam se Henry pudesse estar de volta para o futuro.

Ainda menino, Henry era apaixonado pela mecânica. Gostava de conhecer o funcionamento das coisas. Aos dez anos já consertava relógios e aos quinze já ganhava um bom dinheiro com isso. Com seu gosto pela mecânica, nada mais natural que seguisse carreira na área. Trabalhou como operador de máquinas e depois como engenheiro em várias empresas. Criou um protótipo de um quadriciclo movido a um motor a combustão e conseguiu investidores para lançar sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company. Mas os automóveis produzidos eram muito ruins e a empresa fechou dois anos depois. No mesmo ano, fundou sua segunda empresa que novamente durou apenas dois anos. Só na terceira empresa, que levava seu sobrenome, Henry Ford teve sucesso. Mas não pense que foi em um passe de mágica. O primeiro modelo da Ford Motor Company foi o “A”, que fracassou. Lançou então o Modelo B, um vexame em vendas. E tome letras do alfabeto até chegar ao mítico, icônico e vitorioso Modelo T.

E por ter tido tantos fracassos, todos públicos, o pensamento de Henry Ford, eternizado por uma de suas frases, vai além de qualquer manual de autoajuda: “Fracasso é simplesmente a oportunidade de começar de novo, agora, de forma mais inteligente”.

Mas a história de Henry Ford já foi escrita. Mas a do Nick está acontecendo agora e mesmo assim, já deveria ser contada e recontada para todos os jovens, inclusive aquele que está dentro de nós.

Nascido na Inglaterra, aos nove anos, Nick D’Aloisio ganhou seu primeiro notebook. Enquanto seus amigos ficavam horas navegando na internet, ele criava filmes e cursos usando o iMovie. Como ia bem na escola e tinha uma vida normal com qualquer outra criança, os pais o apoiaram quando o menino quis mudar o Final Cut Express, Final Cut Pro, até chegar no Autodesk Maya.

Aos doze anos, Nick ficou maravilhado com os aplicativos que poderiam ser baixados no seu iPhone. Ao perguntar para um atendente da loja da Apple como poderia incluir aplicativos no seu smartphone, ninguém soube explicar. Mas para não perder a viagem, Nick pediu para que o pai comprasse o livro “C for Dummies”, um guia de programação para iniciantes.

Aprendeu a programar sozinho e quando a Apple abriu sua App Store, Nick já estava pronto para programar seu primeiro aplicativo: o FingerMill, uma esteira de corrida virtual para os dedos. Se não entendeu a ideia do menino, pense em uma imagem de uma esteira de corrida, dessas de academia de ginástica, em que seus dedos fazem o papel das pernas de um corredor. Se ainda assim, não acreditou que alguém pudesse ter uma ideia dessas, veja este vídeo gravado pelo Nick. O próprio criador chamou seu aplicativo de uma “perda de tempo e dinheiro”. Mas sua surpresa veio um mês depois, quando descobriu que só naquele primeiro dia, seu FingerMill tinha feito algo como R$ 350 em vendas. Nada mal para um garoto de 12 anos, comentou depois.

Mas este fracasso/sucesso inicial deu motivos para que Nick continuasse a colocar seus aplicativos no mercado. Lançou o Touchwood, um aplicativo que mostrava a imagem de uma madeira e ao usuário tocar na imagem de madeira ouvia um som de… madeira.

Depois, veio então a ideia de criar o Facemood, um aplicativo que mostrava o humor dos seus amigos que estavam conectados no Facebook e SongStumblr, aplicativo que indicava quais músicas estavam sendo ouvidas na internet em uma determinada região geográfica. Foram três anos de fracassos sucessivos.

Mas aos 15 anos, quando estava estudando para uma prova na escola, percebeu a frustração de acessar várias páginas com conteúdos irrelevantes. Deveria haver uma forma de acessar um resumo da página antes de acessá-la, lê-la inteira para só no final descobrir que foi um tempo perdido. Deste problema veio a ideia do Trimit, um aplicativo que resumia páginas da internet em textos de 140, 500 ou 1.000 caracteres. Finalmente tinha encontrado uma ideia que se tornou um sucesso. Rebatizada como Summly, sua empresa foi comprada pelo Yahoo! por US$ 30 milhões em 2013, quando Nick tinha 17 anos.

E como Nick entende todos os seus fracassos anteriores? “Isto era incrível… Era intrigante. Todas as vezes que eu desenvolvia um aplicativo eu aprendia um pouco mais” – resume.

No final, todas as suas ideias são boas desde que consiga aprender alguma coisa com elas.