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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Coxinhas e vales-coxinha: Se estiverem atravessando o inferno… não parem

31 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Inflação em alta. Economia parada. Desemprego. Racionamento. Falta de comida. Doenças se alastrando. Um país semidestruído.

Esta era a Inglaterra no início da década de 1950. E mesmo assim, vários empreendedores estavam animados com as oportunidades.

Havia racionamento de alimentos e o governo, na tentativa de amenizar a fome, incentivava que as empresas, aquelas que sobreviveram ou foram criadas no período pós-guerra, oferecessem comida aos seus trabalhadores. Algumas menores, que não tinham condições de manter uma cozinha, ofereciam anotações em papel que eram trocados por refeições nos restaurantes e lanchonetes da região.

E isto chamou a atenção do jovem John Hack. Aos 28 anos e formado em contabilidade, Hack era um dos poucos britânicos que não recebiam “vales-refeição” já que seus conhecimentos o colocavam em uma elite não só intelectual, mas também econômica na sociedade. Assim, em 1954, quando viu as pessoas pagando suas refeições com vales, como contador, imaginou todas as dificuldades de fechar parcerias com cada restaurante, imprimir cada vale, controlar falsificações, pagar os estabelecimentos. E os trabalhadores ainda tinham poucas opções de uma refeição digna já que cada empresa fazia parceria com poucos locais nas regiões próximas. Hack gostava de um político da época que dizia que “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. Por isso, no mesmo ano, fundou a Luncheon Vouchers Company para unificar o processo de parcerias com estabelecimentos, emissão de vales, controles de pagamentos e o seu vale, que passou a ser conhecido apenas por LV passou a ser utilizado em todo o Reino Unido, recebendo, inclusive, isenções fiscais do governo para garantir cada família tivesse o direito de ter três refeições saudáveis por dia.

Era o jeito deste político em promover o bem estar da população por meio do empreendedorismo e espantar o socialismo que se alastrava na Rússia. “A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias”- dizia.

E a startup de Hack se tornou padrão no país em menos dois anos e o seu negócio se espalhou pelo mundo até chegar ao Brasil como tíquete-alimentação. O problema aqui, é que, mesmo com incentivos fiscais semelhantes ao do Reino Unido da década de 1950, a inflação tem corroído o poder de compra a ponto de reduzir o tíquete à “vale-coxinha” para muitos trabalhadores.

Assim, se vive de coxinha ou de vale-coxinha atualmente, o inferno pode ser ainda pior com estagnação da economia, desemprego e racionamento. Por isso, neste momento de intensa dualidade política, ainda é válido o pensamento deste líder tão admirado por John Hack: “A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”.

Portanto, se acreditou que a descrição da Inglaterra de 1950 era a do Brasil agora, também vale refletir outra citação de Winston Churchill, esse tal político que inspirou Hack e tantos outros empreendedores: “Se estiver atravessando o inferno… não pare!

Quando a morte vem de bicicleta e encontra a solidariedade

30 de outubro de 2014

Rafael Mambretti, da Carbono Zero, escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

Tinha tudo para ser uma segunda-feira normal, nosso dia começou como qualquer outro, mapeando o nosso efetivo de ciclistas para o dia. Infelizmente, ainda temos muito problema de faltas, mas isso é assunto para um outro post.

Por volta da 13h30 da tarde o nosso supervisor, o Thiago, me chama e fala: “Acho que o Alemão morreu, atropelado por um ônibus. Vi uma foto e parece ser a bicicleta dele debaixo do ônibus”. Na hora minha mente desligou, por segundos senti que ela se foi do presente partindo para o passado, no tempo em que o Marlon, também conhecido como Alemão, trabalhou e pedalou conosco. Respondi para o Thiago: “Calma, vamos ter certeza primeiro antes de presumir qualquer coisa”, o Thiago foi para o local do acidente na Av. Paulista com a Av. Brigadeiro Luis Antônio, segundos depois eu já estava procurando e encontrando informações na internet e vi a foto da bicicleta debaixo do ônibus, realmente era a bicicleta dele. Nesse link,  você encontra matéria do Estadão sobre o assunto.

Em questão de minutos se confirmou a suspeita do Thiago (e a minha), sim era o nosso ex-colaborador e amigo Alemão, que estava pedalando para uma outra empresa de entregas. A tristeza bateu na hora, ligo para amigos que eram mais próximos do Alemão para tentar entender o ocorrido. Rapidamente também descubro, que foi um erro do alemão, uma decisão tomada no momento errado que lhe custou a vida. Uma conversão, que não precisaria ser feita daquela forma lhe custou a vida. Alemão era um ciclista e entregador experiente, não foi falta de habilidade, foi simplesmente um erro, mas que lhe custou a vida.

Quando começamos um negócio a gente sempre ouve que existem riscos, mas – em alguns casos – nunca queremos que sejam riscos físicos, já não basta os do nosso dia a dia, vamos ter riscos no trabalho também? Cabe a nós empreendedores tentar minimizá-los, mas como fazer?

No caso do nosso amigo Marlon, por mais que ele tivesse participado de treinamentos, ciclista há anos e entregador com mais de 2 anos de experiência. A decisão foi dele em fazer aquela ação naquele momento. O objetivo não é encontrar culpados, mas sim refletir, pois confesso que por alguns segundos me passou pela cabeça de desistir, mesmo não sendo um dos nossos entregadores (o que poderia ter sido), pensei e respondi que poderia não valer a pena continuar. Durou segundos, logo em seguida pensei nas pessoas que dependem da gente e nas pessoas que gostam e fazem suas atividades de maneira prudente e correta. E, mesmo a gente desistindo, outros vão sempre fazer e podem não fazer tão bem. Enfim, precisamos criar formas de minimizar, mas o risco existe para todos nós. Falar que não vai andar mais de bicicleta é ingenuidade, pois morrem mais pessoas de moto, de carro e a pé, do que de bicicletas.

De toda essa tristeza surgiu a coisa boa (sempre surge, né?), a solidariedade. Diversos amigos do Marlon, foram em seu velório e enterro. Quando ele foi encaminhado ao Hospital das Clínicas, tinham ciclistas entregadores de todas as (cinco, se não me engano), empresas de São Paulo.

Ontem, a empresa que o Marlon trabalhava fechou as portas em luto (atitude muito legal por sinal), eles pediram ajuda para atender alguns clientes que não puderam abrir mão de seus serviços naquele dia. Nós nos oferecemos e os ajudamos, sem custo. Isso mesmo, ajudamos nosso concorrente, não cobramos nada por isso, não queremos pegar o cliente deles e tão pouco fizemos isso só por eles, fizemos pelo Marlon e por entender que poderia ter sido conosco e, se fosse, gostaríamos que eles fizessem o mesmo por nós.

Um abraço solidário a família do Marlon, que ele pedale em paz.

Até a próxima,

Rafael

Seja nota 6 em tudo, mas o resultado do trabalho tem de ser muito próximo de 10

29 de outubro de 2014

Leo Spigariol (direita), da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Começar um novo negócio. Acho que isso, para a grande maioria, soa como um desafio digno de Hércules (ele e seus 12 trabalhos, inclusive matando leão), não? Para muitos, a decisão de abrir seu próprio negócio acontece sempre depois de um trauma: depois de 20 anos trabalhando na mesma empresa, é demitido. Você se depara com a ânsia de independência, autonomia, liberdade, tudo de bom!

Agora é a sua vez e colocar em prática os seus inúmeros talentos adquiridos em anos e anos de estrada. Agora é sua hora de brilhar, de executar aquele sonho, velho ou recente, mas que certamente tem tudo para se tornar o ovo de Colombo, a invenção da roda. Cada indivíduo tem sua própria história na qual construiu suas habilidades. E seu negócio próprio vai refletir isso, certo? Errado? Cada indivíduo vai fazer de um jeito, vai partir de um jeito, mas uma questão, que não fica muito clara, fica martelando ininterruptamente: como funciona o negócio?

Fui, quando garoto, trabalhar em uma loja de aquários e, para mim, a loja na qual fui trabalhar era a mais legal de todas as lojas que conhecia. Foi minha primeira tentativa de buscar a melhor loja na época, unindo o útil ao agradável.

Certamente foi umas das experiências mais válidas por qual passei, aprendendo muito com Marco, proprietário da loja. Uma das lições que ele me passou foi: não tenha apenas uma habilidade nota dez cercada uma série de notas zero em outras. Para ele, seria melhor ser nota 6 em tudo.

Anos depois, quando estava na faculdade, fui estagiar em uma agência, onde o proprietário era uma figura que conseguia, de uma forma única, motivar e envolver as pessoas em prol do negócio. Era quase uma seita. E seu principal mantra era que um ótimo profissional precisaria ter seus nove F. Isso mesmo, nove F. Fiel, focado, formador, financeiro, feliz, foda, fuçador, followapado e flexível. Depois de alguns anos, quando resolvi fundar minha primeira empresa, comecei a entender o real valor dos noves F. Levo comigo esses ensinamentos que, em cada momento de minha vida, foram extremamente importantes para minha formação.

Todavia, você não trabalhou com esse meu chefe. Então a sua experiência é outra. E ela irá ditar suas escolhas. E, considerando que você iniciará um novo negócio, vale perguntar-se se o que você vai oferecer é realmente necessário.

Se não é, conseguirá fazer as pessoas crerem na utilidade dele? E, por fim e fundamentalmente, qual o nível de excelência desse produto? Lembre-se: você está começando do zero. Seu produto é do zero? Você domina toda a tecnologia envolvida na materialização dele? É um serviço? Tudo bem! Haverá tecnologia, conhecimento envolvido. E você a detém em que nível? Faça-se essas perguntas. O nível de seu produto ou serviço será a síntese do conhecimento e tecnologia que você detém. Se for nota três, seu produto ou serviço será nota dois (nunca conte com o ovo antes de a galinha botar, ok?)

Assim, você costuma buscar referências no mercado para poder estabelecer um parâmetro, se inspirar ou “copiar”? Se sim, já é um começo. Faça o seguinte exercício: estabeleça o tempo que seu produto precisa para estar materializado o produto e pronto para ser vendido. Muito tempo? Não pode esperar tanto então vai oferecê-lo assim mesmo? Certamente sua empresa naufragará rapidamente. O mercado é cruel e exigente. E não tem tempo a perder. Nem dinheiro.

Daí discordo em partes de Marco: seja nota seis em tudo, mas o resultado do seu trabalho tem de ser muito próximo de dez. Sobre o meu outro chefe, ele esperava que chegássemos muito perto de dez em todos os fatores (F).

Na semana que vem, retomarei esse tema para tratar dos caminhos que nos levam a formular um produto ou serviço mais ou menos rapidamente.

Marketing bom é o marketing verdadeiro

28 de outubro de 2014

Semana passada, uma reportagem publicada no site da revista Exame caiu como uma bomba no setor de marketing de algumas marcas que sempre admiramos – e inclusive citamos como inspiração em nosso blog, Diário do Queijo -, como a Diletto e a Do Bem. Na matéria, a jornalista Ana Luiz Leal afirma que esses e outros empreendimentos estavam “inventando” histórias para criar mais apelo em torno de seus produtos. A reação do público foi imediata e muito negativa, com enxurradas de críticas nas redes sociais das empresas, que tiveram de se explicar através de notas oficiais, nas redes sociais aonde tem presença e em entrevistas para outros veículos.

No caso da Diletto, a fantasia dizia que o avô de um dos fundadores da marca teria sido sorveteiro na Itália, antes de fugir da guerra e vir morar no Brasil. Sr. Vittorio, cujo nome real era Antonio, na verdade, era paisagista. Até mesmo a história do slogan da marca, “La felicità è un gelato”, que segundo a empresa seria dita por ele com frequência em casa, era falsa. Importante, neste caso, foi que os sócios já admitiram publicamente que adotavam esta estratégia em uma entrevista para a Veja SP.

Sem dúvida, uma história bonita ajuda a vender um produto. Mas, se ela não for verdadeira , não se sustenta a longo prazo. Agora, a frente da Alimentos Pomerode, contamos com um produto que tem 65 anos de história. O Kraeuterkaese, nosso creme de parmesão, foi introduzido pela Cia. Weege na década de 1940. A frente da produção, durante toda a sua história, estava o Sr. Guilherme Ziehlsdorff. O produto saiu do mercado na década de 90, quando a Cia. Weege foi à falência. Foi aí que seu filho, Sr. Nelson Ziehlsdorff e seus netos fundaram a Laticínios Pomerode, em 2002, para homenageá-lo e trazer o Kraeuterkaese de volta ao mercado. Uma bela história de dedicação e paixão pelo produto.

Guilherme Ziehlsdorff, pai e avô dos fundadores da Laticínios Pomerode, na produção do Kraeuterkaese

Desde que resolvemos entrar no mercado de queijos especiais, buscamos vivenciar situações muito interessantes, como nossa viagem pela Suíça para conhecer queijos inspiradores, e nosso curso em Vermont, nos Estados Unidos, onde aprendemos a produzir queijos de maneira artesanal. Assim, estamos criando nossa própria história para este novo empreendimento, sem precisar inventar ou florear. Na nossa opinião qualquer estratégia de marketing tem que ser honesta, correta e verdadeira.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Alimentos Pomerode, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

Vem chegando o TREM – Trilha de Referência ao Empreendedor

27 de outubro de 2014

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da ESPM e criador do Laboratorium


“Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon”

Raul Seixas

Recebo constantemente contatos por email, por skype, pelo Facebook, pelo twitter de pessoas que estão com dúvidas durante a jornada de empreender negócios inovadores.  São empreendedores em estágios diferentes que têm diversas dúvidas… O que fazer? Como fazer? Como escolher um sócio? Como transformar uma ideia em realidade? Como validar um negócio? Quando e como encontrar um investidor?

Soma-se a essa demanda individual, o contato de instituições, escolas, centros profissionais, incubadoras e empresas que gostariam de ajuda para poder implementar um programa de empreendedorismo. Mas que não sabem por onde começar.

Minhas atividades como professor, como consultor, como palestrante e mentor me proporcionam uma experiência onde aprendo muito no contato direto com empreendedores e diferentes atores desse ecossistema.  Só para dar uma ideia de por onde ando, além das aulas na ESPM em São Paulo, nessas três últimas semanas estive em Goiânia (GO), Recife (PE), Cuiabá, Barra do Garça, Água Boa e Canarana (MT) – e nas próximas vou a Porto Alegre (RS), Teresina (PI) e volto duas vezes a Cuiabá (MT), para o WORK IF, do Instituto Federal do Mato Grosso, e depois para o Seminário Brasileiro de Inovação e Design (do Sebrae Mato Grosso).

Em cada conversa, sala de aula, projeto, visita, leitura venho juntando elementos que, reunidos, me parecem que fazem sentido que sejam compartilhados, de forma a permitir que o empreendedor possa saber onde ele está – e quais os passos ele pode/precisa seguir a caminho da concretização e sucesso do seu negócio.

Criar uma trilha para o empreendedor foi um desafio que me foi proposto pela primeira vez de forma direta quando fui convidado, pela Leticia Janicsek, para falar no TEDx Jovem Pelourinho  em 12 de outubro de 2013. O briefing da palestra era propôr um  possível caminho a ser seguido pelo empreendedor iniciante – foi um dos primeiros TEDx Youth no Brasil. Na ocasião, refleti, pensei e acabei construindo a palestra que vocês podem conferir no vídeo aqui linkado.

De lá para cá o assunto voltou à tona em outras  ocasiões. Foi o tema da minha palestra de abertura do palco Hypatia na Campus Party de São Paulo em 2014. Quando aceitei o convite do Daniel Fernandes, editor desse blog, para contribuir semanalmente para o Blog do Empreendedor nesse PME Estadão, já tinha informado a ele que posts poderiam fazer parte de uma coleção. Alguns temas aqui tratados estariam conectados para melhor guiar, orientar, sugerir – sempre nessa ideia de proposição – evitando qualquer caráter dogmático, doutrinário ou definitivo – mas um MVP, um protótipo funcional do que poderia vir a ser essa metodologia.

Desse processo de iteração, de aperfeiçoamento, junto com minha sócia, amiga e mentora Marcia Matos, conseguimos chegar nessa versão Beta do TREM – Trilha de Referência ao Empreendedor, uma caminho que possa inspirar empreendedores. Uma referência licenciada em Creative Commons, para que possa ser utilizada, adaptada e distribuída gratuitamente por quem desejar. Fizemos uma apresentação preliminar do conteúdo na Feira do Empreendedor do Recife (você pode conferir aqui), mas o lançamento dessa primeira versão se dará no Universo IF, em São Luis do Maranhão, no próximo dia 4 de novembro, em palestra no primeiro dia do IX CONNEPI.  Nosso objetivo é de contribuir com linguagem simples, direta, sem firulas, uma sequência de conteúdos adequados à nossa realidade e conectados com as ferramentas e práticas mais atualizadas do que se está fazendo em todo o mundo.

Quem quiser embarcar e contribuir nessa jornada, seja bem vindo ao TREM.

“Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem

Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”

Mesmo que não saiba a resposta, seja autêntico ao que você é!

24 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Eu não me envergonho de responder ”não sei” para os meus alunos. Mesmo porque nunca tive alunos. No Latim, aluno está associado à ausência de luz ou àquele que não tem luz. E no sentido mais iluminado do termo, empreender é encontrar sua própria luz e daí seu caminho.

Mas naquele dia ela estava, literalmente, aluna. Durante o intervalo da aula, veio cabisbaixa e triste, pedindo minha orientação.

Meu marido tem um restaurante japonês” – começou a explicar. “E de alguns meses para cá passamos a receber muitas visitas da vigilância sanitária” – continuou. “Na primeira vez, parece que algum cliente denunciou que o banheiro estava com problemas. O fiscal veio e não encontrou nenhuma não conformidade. Depois, alguém reclamou na vigilância que o peixe tinha dado algum problema de digestão. Outro fiscal apareceu e novamente nada encontrou. Até que em outra visita da vigilância, o fiscal entendeu que as ostras não estavam bem armazenadas. O restaurante foi multado e fechado por alguns dias. E restaurante japonês autuado e fechado pela vigilância sanitária é notícia que se espalha rapidamente pelo bairro” – relatou. E o que eu não entendia, professor, é que meu marido tomava todos os cuidados possíveis pois ele sabia que qualquer pequeno deslize poderia custar a própria sobrevivência do negócio” – complementou. “O que fiquei pasma foi que algum dia depois de reabrirmos apareceu um jovem no restaurante todo sarcástico dizendo que nosso restaurante japonês não ia durar muito pois o pai dele iria abrir outro nas redondezas. E fiquei sem reação quando disse que eram eles que estavam fazendo as denuncias contra nosso restaurante…” – finalizou minha aluna usando o resto de luz que ainda tinha naquele momento.

E eu já vinha me preparando para uma pergunta que sabia que viria logo em seguida…

O que podemos fazer já que nem conseguiríamos provar o que aquele sujeito tinha falado e feito aquilo? “ – questionou.

Por um momento pensei em sugerir que devolvessem as agressões com as mesmas armas. Mas raciocinei que só uma pessoa malvada consegue ser ainda mais má. Só alguém pequeno consegue ser ainda menor. E quando você responde maldade com mais maldade, calunia com mais calunia, continuará recebendo de volta, inexoravelmente, mais do que mandou já que o ódio é o prazer mais duradouro dos pequenos. George Byron, ou simplesmente, Lord Byron, poeta inglês, costumava dizer que “os homens amam com pressa, mas odeiam com calma”.

Diante daquela pergunta eu só consegui responder: “Não sei…”. E foi a primeira vez que me envergonhei por saber que não saber a resposta daria a vitória a quem não merecia ganhar.

Mas agora eu sei que posso escolher dar o meu apoio autêntico a quem eu sei que merece.

Afinal, um cliente japonês frequentando um restaurante nipônico deve dar algum crivo de credibilidade para o estabelecimento.

Câmara francesa pode ajudar pequeno empreendedor brasileiro

23 de outubro de 2014

Desembarca no Brasil, no próximo dia 30, a Câmara de Comércio e Indústria da Região Paris Île-de-France. Instituição pública, a entidade congrega 844 mil empresas que juntas respondem por 31% do PIB francês. Na prática, a chegada da câmara pode ajudar pequenos empreendedores interessados em oportunidades de venda de seus produtos no país europeu.

Em comunicado à imprensa, Benjamin Quicq, representante da organização pública no País, disse que espera “realizar 40 acompanhamentos de empresas por ano no Brasil”. De acordo com o executivo, durante a fase de implementação foram “alcançadas 20 missões”.

Ainda segundo Quicq, a câmara vem considerando atuar no País há tempos. “As oportunidades oferecidas pelo mercado e as empresas brasileiras são particularmente conducentes ao fortalecimento dos laços entre as nossas comunidades empresariais”, concluiu.

Aproveitando tendências para conquistar clientes

23 de outubro de 2014

Rafael Mambretti, da Carbono Zero, escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

O dia 22 de setembro é o Dia Mundial Sem Carro (clique aqui e veja matéria do Estadão no dia). Essa iniciativa começou em 1997 na França, chegou no Brasil em São Paulo no ano de 2003. A ideia principal é gerar a reflexão de como o ser humano tem se tornando extremamente dependente do automóvel e abrir portas para novas formas de se deslocar.

Atualmente, dezenas de cidades no mundo inteiro adotam e fomentam a iniciativa. Tá legal, mas o que isso tem a ver com negócios? Bom, para quem é aquele tipo de empreendedor que tá sempre vendo oportunidades, tendo ideias etc. Pensar que cada vez mais pessoas estão buscando novas formas de se deslocar, principalmente fazendo uso das bicicletas, pode ser um prato cheio.

Uma outra iniciativa que acontece há alguns anos em São Paulo (e começou a se espalhar para outras cidades brasileiras), é o Desafio Intermodal. Acontece sempre em setembro e próximo ao Dia Mundial Sem Carro coloca diversos modais (formas de se deslocar), realizando deslocamentos de um ponto A para um ponto B. Ponto A e B são sempre os mesmos, inicia-se na Praça General Gentil Falcão na Av. Berrini e termina na Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá. São mais ou menos 10 km de deslocamento, Eu digo que é perto, é a mesma quantidade de quilômetros que pedalo para vir para o escritório e é bem tranquilo. Bom, voltando ao que interessa abaixo tem uma compilação de 3 modais nas últimas 9 edições do desafio:

Marquei em verde o modal “vencedor”, naquele ano. Repare a bicicleta, agora repare a diferença de tempo entre a bicicleta e a moto. Será que a sua entrega não pode levar 2 minutos a mais e ser levada por um transporte que não prejudica o nosso planeta? Então, clique aqui. Não me levem a mal, não sou contra moto, sou contra a ineficiência e a falta de inteligência utilizada em nossos transportes (e outras áreas). Afinal, comentei na semana passada (clique aqui e leia o post), que começamos a utilizar scooters elétricas para atender algumas entregas.

Informações como essa do Desafio Intermodal ajudam a Carbono Zero a conquistar e convencer potenciais clientes a testarem na prática nossos serviços. Transpor a barreira conceitual existente há anos em nossas mentes.

O uso de formas alternativas de transporte é uma tendência. Basta pesquisar o que Nova York tem feito, Portland, Tokyo, Paris, entre outras grandes cidades pelo mundo. As tendências, quando vão de encontro ao seu negócio, são a forma perfeita de construir a base e solidifica-lo. É preciso aproveitar, mas não aposte todas suas fichas nelas.

Um abraço,

Rafael

Empreendedor: você não está sozinho

22 de outubro de 2014

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Na semana passada, fui convidado a participar de um evento em Ourinhos, promovido pelo Sebrae, para os empresários da região. O tema chave foi “Alavanque sua empresa nos tempos de turbulência”.

Tive a grata surpresa em presenciar o engajamento e participação de muitos empresários da região. Em períodos turbulentos e incertos, como o que passamos em nossa economia, além de significativas mudanças nos padrões de comportamento de consumo, não há nada mais rico e produtivo do que a troca de experiências e fortalecimento das relações.

Reuniões como a promovida pelo Sebrae, pelo menos, abrem as perspectivas e fortalecem a autoestima dos participantes. Você troca informações, faz novos amigos e dialoga com empresários de nichos diferentes do seu. É nessa hora que alguns percebem que seu modelo tradicional de comércio morreu. Sua loja não concorre mais somente com seu vizinho de calçada. Hoje concorre com a internet (e na ponta dos dedos), com o fulano que vai para o Paraguay, com o sicrano que faz o bate-volta na 25 de março, com o ex-funcionário que também presta o mesmo serviço e, claro, com seu vizinho. Complexo, não?

Na semana passada abordei um tema que é fundamental para a prosperidade e oxigenação de qualquer empreendimento, principalmente, em momentos conturbados e incertos: você não está sozinho. Por mais que, para muitos, 2014 esteja sendo um ano de sobrevivência, é nos períodos instáveis que você precisa se desprender de suas rotinas e buscar soluções para alcançar cada vez mais seu público.

Voltando ao encontro da semana passada, surgiu um ponto interessante e que, em via de regra, o empreendedor precisa ser craque nisso: capacidade de passar segurança à sua equipe, mesmo que o momento seja de turbulência. Os nervos ficam à flor da pele.

Em situações de estresse, momentos clássicos do esporte, por exemplo, nos inspiram e ensinam: aquela virada no último segundo, aquele gol aos 45 minutos do segundo tempo, a tacada que ninguém esperava. Isso só existe e é possível porque quem fez acreditou. Acreditou até o fim. Havia um ou mais craques no time, mas, sobretudo, havia um trabalho coletivo de apoio em que os mais equilibrados passavam confiança para os mais instáveis do grupo. O líder tem o poder de transmitir a tranquilidade necessária para seus companheiros e gerar uma espécie de campo de força imune aos contratempos. No próximo domingo, elegeremos o próximo presidente do Brasil, e, independentemente da escolha, eu continuo acreditando que é possível.

 

Sonho realizado: Eisenbahn é a nova cerveja oficial da Oktoberfest

21 de outubro de 2014

Na quarta-feira passada, dia 15 de outubro, a Prefeitura Municipal de Blumenau anunciou a Brasil Kirin como vencedora do edital de licitação para se tornar a cervejaria oficial da Oktoberfest a partir do ano que vem até 2020. E, para surpresa de muitos, que apostavam no anúncio da Schin como substituta da Brahma, a multinacional japonesa declarou que a Eisenbahn será, durante estes seis anos, a cerveja oficial da segunda maior festa alemã do planeta.

A Eisenbahn já não é mais nossa desde maio de 2008, quando a vendemos para o Grupo Schincariol – que, anos depois, seria comprada pela japonesa Kirin. Mas a notícia da semana passada nos encheu de orgulho. Não poderia ser diferente: é um grande sonho realizado ver o empreendimento que criamos ser elevado a esse status.

Quando começamos a construir a Eisenbahn, lá por 2002, esse já era um dos nossos grandes objetivos. Tanto que, logo no primeiro ano de existência da fábrica em Blumenau, nos reunimos com o prefeito na época solicitando um espacinho, um quiosque que fosse, na Oktoberfest.

Demorou três anos, e em 2005 a festa blumenauense finalmente abria espaço para a Eisenbahn e outras cervejarias artesanais que surgiram na região do Vale do Itajaí. Até então, quem visitava a Oktober só tinha uma opção: cervejas comerciais que não seguiam, nem de perto, a Lei da Pureza Alemã.

Quase dez anos se passaram e as cervejas artesanais locais continuam sendo elemento essencial na Oktoberfest de Blumenau. Desde que entrou na festa, a Eisenbahn foi proporcionalmente a cerveja mais vendida (se compararmos com o volume e espaço então dedicado à Brahma no local).

A escolha da Brasil Kirin foi certeira. Colocar a marca Eisenbahn, uma cervejaria nascida em Blumenau e premiada internacionalmente, como bebida oficial da festa, vai fortalecer muito sua posição no mercado, além de dar à nossa Oktoberfest um charme a mais (na nossa humilde opinião de pais da criança).

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Alimentos Pomerode, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.