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Star Wars para Empreendedores – Manual de Uso

30 de julho de 2015

Para fechar minha trilogia pessoal de dicas para empreendedores “Jedi” nada melhor que os conselhos do mestre Yoda.

Um ícone da cultura pop desde seu surgimento, o pequeno sábio verde de 900 anos, que se comunica em frases encantadores em ordem inversa, fala sempre o básico de forma definitiva.

Me atrevo a fazer meus comentários em cada pensamento do gentil mestre.

“Tamanho nada significa. Olhe para mim. Pelo meu tamanho você me julga? Minha aliada a Força é, e poderosa aliada ela é. A vida a cria, e a faz crescer. Sua energia nos cerca e nos une. Luminosos seres somos nós, não essa rude matéria. Precisa a Força sentir á sua volta, aqui, entre nós, na árvore, na pedra em tudo, sim.”
>> Nunca subestime os outros, e nunca se subestime. Encontre seu melhor talento, trabalhe, e viva a vida.

“Para tomar a decisão correta, aja sempre com honestidade”
>> Como todos já sabemos, mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira…(Renato Russo)

“Paciência! Nada do seu treino lembra você?”
>> Em tempos de crise, manter a calma e foco no conhecimento adquirido. Confie no seu aprendizado, no seu instinto.

“Que a Força esteja com você.”
>> Pra mim, a força representa caráter, ética, perseverança. Tenha fé em você e seus objetivos.

“Sempre passar o que você aprendeu.”
>> Uma das melhores formas de retribuir qualquer sucesso é ensinar aos outros.

“Muitas das verdades que temos dependem de nosso ponto de vista.”
>> Tudo é relativo. Não acredite tanto no que os outros dizem e acredite mais em você. No final, é isso que importa de verdade.

“Luke: Mas eu não acredito!
Yoda: É por isso que você fracassa”
>> Precisa dizer mais?

“Faça ou não faça. A tentativa não existe”
>> Você precisa se comprometer com uma ideia e ir até o fim!

Ivan “Primo” Bornes, inspirado pelos ensinamentos Jedi, masseiro de profissão ele é.

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Star Wars e o surgimento do empreendedor
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Por que os taxistas vão sobreviver ao Uber se quiserem?

27 de julho de 2015

O que acontece quando você domina um mercado e chega um concorrente com dinheiro no bolso, disposição para ganhar a maior parte dos seus consumidores e, principalmente, uma solução inovadora que cativa – pelo menos em parte – essa demanda? Você arregaça as mangas e elabora uma estratégia para fazer frente a esse novo desafio.

Veja bem, há MBAs inteiros no mercado destinados à formulação de estratégias empresarias em um mundo cada vez mais competitivo, com cada vez mais opções para o consumidor. Eles custam, muitas vezes, um valor de um carro zero quilômetro. E ensinam muito sobre o que fazer nesses casos.

Mas há ações práticas que, se adotadas, podem fazer frente a qualquer concorrente ameaçador, como os taxistas parecem encarar o Uber. Abaixo, algumas dicas formuladas, um pouco, com base no que é ensinado nesses mesmos MBAs.

1) Pare de chorar!
Mas pode ser pare de reclamar, de gritar, de protestar, até! É bem possível que o Uber venha para ficar no Brasil – é verdade, também, que pode ocorrer o que Marcelo Rubens Paiva previu. Mas prefiro acreditar que os taxistas têm agora um concorrente de peso pela preferência do consumidor.

2) Atendimento
Se você perguntar o que o cliente quer de um produto ou serviço, ele vai dizer: preços menores!!!!!!! É assim que a roda gira…na cabeça do consumidor. Ele aceita até a pagar mais quando é bem atendido ou quando percebe valor naquilo que ele está adquirindo. No caso dos táxis, não é possível mexer no preço. Mas é possível prestar um serviço eficiente: seja cordial com o passageiro, mantenha seu veículo limpo e arrumado e não se recuse a seguir o caminho sugerido pelo cliente (que vai estar com o Waze na mão). São pequenas ações que ajudam a melhorar a experiência do consumidor, do passageiro.

3) Experiência
Acostume-se. Para escolher entre o Uber e o táxi, o consumidor leva em conta a experiência. Além do que citamos acima, quais são os diferenciais que o taxista pode oferecer? Wi-fi gratuito? Jornais, revistas gratuitas? Um serviço de aconselhamento sobre os melhores restaurantes da cidade? O que você pode ter que o Uber não tem?

4) Preparação
O que nos leva até a última dica. Você está preparado para ser um motorista melhor? Para ser um prestador de serviços melhor? Para ser um empreendedor melhor?

Sim, você pode ficar sentado atrás do volante do seu carro esperando que a prefeitura do seu município proíba o Uber. Mas e se isso não acontecer? Aposto que tem outros concorrentes – outros taxistas – que já estão se preparando.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

O Acre quer mostrar que não é o fim do Brasil, mas o começo

27 de julho de 2015

Governo, Sebrae e IFAC lideram esforços para estimular o ecossistema empreendedor

Marcelo Pimenta é jornalista e professor de inovação da ESPM. Saiba mais em www.faceboook.com/menta90

Foi a paixão por Machu Picchu e a curiosidade de conhecer sua namorada do Orkut que levaram Thiago Cabral a sair de Santa Catarina para visitar Rio Branco, no Acre. O ano era 2009. Com uma bagagem acadêmica construída no sul e com vontade de mudar de vida, ele encontrou solo fértil para encarar novos desafios, descobrir novas áreas de negócios, talvez  comércio exterior. E decidiu fincar raízes: a namorada virou esposa e ele tem um menino acreano de dois anos. Esse ano, a família aumentou,  Thiago agora cuida também de uma startup de cinco meses. “Sempre tive um sonho de fazer um negócio diferente, de fazer algo apaixonante. Foram muitas tentativas, estudos e também muitos fracassos, com muito aprendizado” conta ele, que resolveu se juntar aos programadores Petros Barreto e o Yuri Royer, para levar adiante o Busca Peças, um serviço online que aproxima compradores das lojas de auto-peças, que surgiu durante o Startup Weekend Rio Branco, ano passado. “Eu mesmo tive que rodar durante um dia inteiro, mais de 10 auto-peças para achar a lanterna do meu carro. Hoje temos em nossos cadastros mais de 85 lojas no estado do Acre, mais de 48 oficinas mecânicas e estamos em crescimento constante de vendas”. Já faturando, ele conta que hoje estuda a forma de expansão do negócio, ou por meio de franquias, ou por meio de representantes e está ajustando o modelo de negócio para que funcione em outras cidades.

Fred Tavares é de Campina, na Paraíba. Mas estava em Curitiba quando foi convidado  para dar aulas em Rio Branco, há 10 anos. Professor do ensino médio, percebeu a dificuldade de ter a atenção dos alunos que ficavam a aula toda tentando usar o celular. Foi daí que ele teve a ideia de fazer do limão uma limonada, pensou numa forma de utilizar a tecnologia para incentivar os alunos a estudar os conteúdos do ENEM. Assim surgiu o Katsu, aplicativo para reforço escolar.  “Estudei e preparei os aplicativos como apoio pedagógico” diz ele, que organizou quase mil exercícios em 15 aplicativos, que já somam mais de 470 mil downloads. Esse resultado gerou demanda para desenvolver sites e aplicativos para outros clientes,. As oportunidades viraram negócios e Tavares decidiu deixar a sala de aula para se dedicar ao novo trabalho.  “Este é o último mês que trabalho no colégio. Agora pretendo me dedicar apenas a minha startup, procurar investidores e negociar a implantação do aplicativo direto com as escolas ”, conta ele.

Alunos usam em sala de aula os aplicativos que já somam mais de 470 mil downloads

Para incentivar que negócios como o do Fred e do Thiago cresçam – e que outros sejam criados no Acre -  o Sebrae e a Secretaria de Ciência e Tecnologia lançaram, conjuntamente, um edital que vai selecionar as dezesseis melhores startups do Estado, premiando com mentoria e 20 mil reais em dinheiro. As inscrições podem ser feitas aqui. “Nossa visão é que esse investimento feito em pessoas físicas vai retornar como benefício para a economia do estado” defende a Secretária de Ciência e Tecnologia, Renata Souza.  A motivação é a “visão de ampliar o Acre para além do conceito de florestania (cidadania com qualidade de vida na floresta) e empreender o estado com foco no desenvolvimento e industrialização, em um modelo no qual economia e índices sociais caminhem de mãos dadas”.  Renata respondeu minhas perguntas num e-mail bem detalhado, citando várias ações que está desenvolvendo para incentivar o empreendedorismo, além das startups e do investimento em bambu (já citado aqui).   “Meu legado é a desmistificação de que o estado do Acre é o fim do Brasil, ele é, sim, o começo”, diz ela, entusiasmada.

Chama a atenção o ritmo com que as ações de fomento a inovação e ao empreendedorismo estão acontecendo no Estado.  Na semana passada (dia 23/07) aconteceu o Workshop: Parque Tecnológico – Uma realidade para o Acre, com o objetivo de definir as ações para  tirar do papel o protocolo já assinado que trata da criação de Habitats da Inovação – com a implantação de incubadoras de empresas, proteção da produção intelectual gerada no Estado e apoio à criação dos Centros Vocacionais Tecnológicos, para capacitação da comunidade.

Workshop para criação do Parque Tecnológico do Acre reuniu todo ecossistema de inovação

Começou no sábado, dia 25/07,  a Expoacre – Feira de Entretenimento e Negócios do Acre. O Sebrae está também presente nesse evento que reúne muito da economia criativa: artes, economia solidária, gastronomia e tecnologia.  “O Sebrae e o governo do Acre investem na economia criativa pois essa é a vocação desse estado” acredita Alex Lima, coordenador de projetos no Sebrae-AC.  E ele conta que esse trabalho já foi iniciado há alguns anos – e por isso começa a mostrar seus primeiros frutos. “Trabalhamos com o conceito de Economia Criativa muito antes da palavra existir ou entrar na moda. A Rede Acreana de Cultura iniciou em 2005 um processo de associação institucional (10 instituições que trabalhavam ações em economia da cultura). Esta Rede auxiliou na ampliação das ações e na viabilização de recursos do estado, além disso, muito antes do Ministério da Cultura falar em SNIIC (Informações e Indicadores Culturais), os gestores do Acre rodavam mostrando o Cadastro Cultural feito no estado em 2008: mapeamento de todos os saberes e fazeres culturais e seu posicionamento no PIB”.

Ele acredita que o edital de apoio de startups será um impulso no projeto. “Minha perspectiva é ter nos próximos dois ou três anos o nome ACRE como pauta do cenário nacional, desta vez com Startups e Economia Digital. Já temos algumas empresas iniciando este processo, por conta disso conseguimos novos recursos para trabalhar ações de gestão e mercado nos próximos três anos. Além disso, um grande gol foi marcado recentemente, que é a ampliação e fortalecimento de uma rede Amazônica de projetos para Startups dentro do SEBRAE, apoiada em primeira mão pelo SEBRAE Nacional e que visa colocar as empresas e produtos da Amazônia em um contexto internacional”.

Visitantes do stand do Sebrae na ExpoAcre se divertem em ação que une tecnologia e interação social

O Instituto Federal do Acre (IFAC), junto com a Universidade Federal do Acre (UFAC), vem buscando completar esse tripé: poder público, academia e mercado. É na UAFC que acontece em 21 e 22 de outubro a Expociência, exposição de projetos de ciência, tecnologia e inovação que faz parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.  E o Instituto Federal do Acre se prepara para receber em dezembro quatro mil jovens estudantes pesquisadores no X Connepi, Congresso que tem como foco a pesquisa aplicada e a inovação tecnológica. Uma das atividades preparatórias ao evento é o programa IFAC Empreendedor, que vai certificar gratuitamente servidores e estudantes em uma metodologia que ensina como transformar pesquisa aplicada em negócios.

“O Acre certamente é o lugar das oportunidades. A disseminação de uma cultura empreendedora é imprescindível. O empreendedorismo proporciona um elevado grau de realização pessoal. As pessoas são recompensadas pelo prazer que encontram no trabalho” acredita Rosana Santos, reitora do IFAC e uma das idealizadoras do projeto. Ela é agrônoma, nascida e graduada em Rio Branco, e escolheu São Paulo para fazer sua especialização, mestrado e doutorado. “Fiquei fora do Acre sete anos, mas decidi voltar para poder partilhar o que tive a oportunidade de receber, nunca perdi de vista minhas origens, sempre trabalhei com pesquisas aplicadas com enfoque social”. E acredita no poder transformador do empreendedorismo. “Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza. Buscar soluções passa a ser o grande desafio à mente inquieta, que tem como maior recompensa o reconhecimento de seu esforço. O IFAC se estabelece no estado fortalecendo no nosso aluno o pensamento empreendedor”.

E assim, longe das capitais e dos holofotes, o Acre vem mostrando como é possível estimular um ecossistema de inovação. Com vontade, iniciativa e ações concretas, fortalecendo a vocação criativa de uma região. Aliando pesquisa, tecnologia e sustentabilidade para gerar riqueza e desenvolvimento econômico.

Dobre seus lucros em seis meses ou menos: 78 formas de cortar custos e aumentar vendas

24 de julho de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

É o título do livro escrito pelo consultor Bob Fifer em 1995 nos Estados Unidos e publicado no Brasil no mesmo ano até sair do catálogo da Ediouro e virar item esquecido nos sebos. Mas em uma entrevista, Marcel Telles disse que costumava dar um livro todos os anos aos seus principais executivos e este era o único que tinha repetido em dois anos. Bastou para que as poucas edições em inglês disponíveis sumissem das prateleiras das livrarias brasileiras, mesmo que poucos conhecessem Telles. Mas sabiam que aquele era um dos donos bilionários da AMBEV e que a empresa era referência mundial em eficiência, produtividade, vendas e geração de valor para o acionista. A demanda foi tão grande que o livro foi relançado em 2012, agora com a chamada de capa “O livro de cabeceira de Marcel Telles, fundador da AMBEV”.

Neste momento de crise econômica, a receita do trio Sonho Grande, Jorge Paulo Lemann, Marcel Hermann Telles e Beto Sicupira de pegar uma empresa com vendas em queda, estrutura de custo inchada e competição acirrada e transformá-la um negócio saudável e próspero pode ser o caminho mesmo para os empreendedores que lideram negócios de menor porte.

Mas um aviso, esqueça o sonho doce: A receita é amarga!

O primeiro passo indicado por Fifer já é um tapa nos que acreditam no empreendedorismo romântico. “Quem deveria ler este livro?” – pergunta. “Qualquer um que se preocupa com os lucros do seu negócio” – responde. “O que exclui a maioria dos gestores deste país” – complementa. Já que eles estão mais preocupados com outras coisas como relação harmoniosa dos funcionários, manter o moral da equipe elevado, viajar para lugares e encontrar pessoas interessantes.

Mas o sonho grande aparece no terceiro passo: Definir o padrão. “Toda organização precisa de uma meta clara, simples e direcionadora” – explica. E é preciso deixar o bla-bla-bla de lado ao definir a meta. A meta precisa ser obrigatoriamente “ser a melhor” em seu mercado. E todos precisam dar o seu melhor para que a empresa consiga ser a melhor. Nada mais motiva mais do que brigar para ser o(a) melhor. Só os melhores sobrevivem.

A quinta indicação de melhoria de resultado é autoexplicativa: “Nunca peça desculpas por ter foco nos lucros”.  Em momentos de crise, isto é um álibi importante para decisões drásticas e impopulares.

A décima segunda dica é sábia: Faça três listas de coisas que deve fazer no dia. Na primeira lista inclua as tarefas para o crescimento do negócio como aumento de receita ou redução de custos. Na segunda, liste as atividades para manter o negócio funcionando. E por fim, na última vem as coisas que alguém espera que você faça, nas não agrega nada ao lucro. Comece pela primeira lista e só passe para segunda quanto tiver finalizado a primeira!

E as sugestões continuam. São mais 40 formas de cortar custos e outras 20 para aumentar vendas. Fica claro que é mais fácil reduzir custos do que aumentar vendas. Na parte das reduções, a vigésima terceira ação sugerida é maquiavélica: “Tenha um cara mau”. É o que vai fazer o trabalho pesado da limpeza. Mas a primeira sugestão para aumentar vendas explica que “Não há empresa, apenas pessoas”, portanto trate as tão bem quanto trazem lucros.

E a 78ª e última dica incentiva para que se estique e se divirta. “Ninguém no mundo é mais depressivo do que aquele que acha que chegou tão longe quanto poderia e acredita que não há mais desafios para conquistar” – analisa Fifer.  “Você sempre pode fazer melhor” – finaliza.

Revelamos (um) segredo da moda dos carros brancos

23 de julho de 2015

Existem dois conceitos importantes de marketing cujas siglas em inglês são WTP e CTS. A primeira quer dizer qual é a pré-disposição que o cliente tem para pagar por determinado produto, apurada, por exemplo, por meio de pesquisas. A segunda significa custo para servir, em outras palavras, qual será o gasto para produzir o que o consumidor deseja adquirir.

Antes da gente prosseguir dois avisos: sim, eles são conceitos de marketing. E não, saber só isso não vai salvar a sua empresa.

Mas o empreendedor deve, no mínimo, conhecê-los. A primeira coisa que o empresário deve saber é que é preciso equilibrar, no cotidiano, esses dois conceitos para não achatar a sua margem. Moldar o preço muito próximo daquilo que o cliente está disposto a pagar é fundamental, assim como saber o quanto custa produzir seu objeto de desejo. Mais uma vez: a palavra de ordem aqui é: EQUILÍBRIO.

Mas para entender esses conceitos, como sempre, ajuda mencionar casos da vida real. O mais atual deles surge a partir de uma questão: eu, como empresário, consigo ter uma disposição de pagamento alta do cliente em equilíbrio com um custo menor? Sim.

As montadoras brasileiras conseguem. Produzir um modelo com a cor branca, por ser a cor branca, é mais barato para a montadora do que tirar da linha de montagem um veículo com outro tipo de pintura. Mas acontece que o consumidor quer, porque quer, carros com a cor branca. É o que chamamos de modismo. Assim, embora o CTS seja mais baixo, o WTP é alto.

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E a montadora pode estar aproveitando essa disposição do consumidor para cobrar um pouco mais por esses veículos.

Quer outro exemplo?

A Apple, durante muito tempo, fez o mesmo com o iPhone. Embora o produzisse na China, para reduzir os custos, a cada lançamento o preço subia. O consumidor estava pré-disposto a pagar mais por aquela novidade, por aquela inovação. Mais uma vez, e em outras palavras, o consumidor percebia valor naqueles produtos. E provocar essa percepção no consumidor pode salvar a sua empresa.

Mas essa é outra história.

Daniel Fernandes, editor do Estadão PME, tem um iPhone e um carro. Mas ele é vermelho.

Star Wars e a formação de Equipe

23 de julho de 2015

Continuo minha saga de traçar paralelos entre a formação de um empresário e Star Wars. Na semana passada escrevi sobre o surgimento da vontade de empreender (http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/star-wars-e-o-surgimento-do-empreendedor/).

Meu pensamento de hoje dedicado à Equipe – e minha crença pessoal de que nada acontece sem uma equipe. Nada. Nadinha. Essa é minha teoria – bastante óbvia, não é? Porém, ainda me surpreendo que muitos que pretendem iniciar negócios pensam mais na primeira pessoa do que no plural, e não percebem a real importância da equipe.

Pois mesmo que uma “super ideia original” seja a faísca de um negócio, mesmo que o fundador forneça a energia vital para colocar tudo em movimento, é na escolha da equipe que a mágica acontece. Uma empresa sem pessoas é oca e sem sentido. E um empreendedor sem um time é uma piada. São pessoas que fazem a ideia inicial do negócio reverberar, aglutinar, se espalhar, tomar forma, ocupar espaço, fazer sentido e virar realidade.

Aí entra Luke Skywalker em sua jornada galáctica, onde vejo representadas muitas das etapas que um líder de empresa vai passar em busca da formação de uma equipe.

No começo um herói jovem e relutante como tantos, Luke vai formando um time de pessoas – e robôs- que arriscam tudo para segui-lo. Seu carisma, exemplo e altruísmo conquistam talentos valiosos para a causa e – o mais importante – talentos complementares. Você percebe semelhanças com você e sua empresa? Ótimo, você está no caminho certo. Não? Volte e reconfigure-se, pois está tudo errado!

Um empreendedor precisa saber se cercar das capacidades que lhe faltam. A diversidade de pensamento e talentos no grupo aumenta em muito as chances de sucesso. Saber administrar um conjunto de pessoas assim diversas é -em si- uma das grandes necessidades básicas de qualquer empresário, tanto quanto um de seus maiores desafios.

A inusitada equipe que Luke vai formando ao longo dos filmes para combater o Império e o assustador Darth Vader é uma demonstração de liderança devotada em busca de um objetivo definido: o sucesso do empreendimento.

Destaco os principais do time estelar de Luke, e algumas características que considero super bacanas:

- Princesa Leia, estrategista e formadora de valores, une o grupo e mostra uma causa maior – no filme, a liberdade

- Han Solo, um mercenário que é cativado pelo carisma de Luke, sabe lutar e tem a malícia para sobreviver – seu grande braço direito nas aventuras

- Chewbacca, copiloto de Solo, ótimo mecânico e bom coração (com algum problema de comunicação inclusive).

- Obi-Wan, Jedi que inicia Luke no conhecimento da “força” e desperta o gosto por aventuras

- Yoda, Jedi que prepara Luke para o grande desafio final através de um treinamento focado em resultados.

- R2D2, um robô esperto com características muito peculiares e ética inabalável

- C-3PO, androide fluente em zilhões de línguas… e levemente covarde

- Lando, contrabandista de moral duvidosa que também ajuda em momentos importantes

E você, qual sua equipe?

Focada em resultados?

Então, que a força esteja com você.

IVAN ‘PRIMO’ BORNES

Ainda hoje descobre inspiração e diversão nos ensinamentos Jedi e adora trabalhar com sua Equipe que tem a “força”

Se você não estiver preparado, sugiro que não abra a sua empresa até você se preparar

21 de julho de 2015

Primeiramente gostaria de agradecer pelos comentários positivos recebidos pelos amigos/leitores, pelo primeiro artigo acredito que estou no caminho correto. Quinzena passada apresentei a ideia de criar uma Certificação para quem quiser abrir a sua empresa. Este Selo certificaria que o empreendedor aprendeu em teoria e prática, por x meses de curso, as noções básicas de como abrir e gerir o seu negócio, através de cases reais, preenchimento de reais de planilhas de custos, de acompanhamento de produção, como elaborar um funil de vendas, aprenderia como montar o preço corretamente e poder entender efetivamente o que é um negócio, através de uma vivência real de uma empresa.

Novamente vou exemplificar um case que ocorreu comigo, para mostrar quão serio é você saber montar o preço corretamente. Aprendi montar formação de preço quando abri a minha grife em 1998 e acabei utilizando no meu negócio atual. Há uns 3 anos fiz um curso na ESPM de aumento de performance de lucratividade e gostei tanto que contratei uma consultoria do professor do curso.

Descobri efetivamente que haviam custos embutidos na minha margem de lucro que eu não sabia, e devido a margem em uniformes ser muito pequena, nós estávamos praticamente trocando figurinha. Garanto tranquilamente que pelo menos 60% das micro e pequenas empresas trocam figurinhas. Acham que estão ganhando dinheiro e não estão, acabam entrando em uma roda de empréstimos e financiamentos para gerir o negócio, misturados a pessoas física com a jurídica, compra de casas e carros, que se forem colocar no papel efetivamente não ganham dinheiro, apenas giram com as vendas. E em uma época de crise como esta em que as vendas brecaram, estes casos começam a aparecer em grande escala.

O pessoal do Estadão me perguntou outro dia o que eu queria saber quando comecei o meu primeiro negocio, disse que quando montei a minha primeira empresa a única coisa que eu queria era ficar rico. Eu montei uma confecção sem nunca ter ido em uma. Pensando hoje, parabéns para mim, bem inteligente! A única relação com roupas que eu tinha na época é que minha mãe, que depois trabalhou comigo durante vários anos, era modelista de alta costura, mas fazia uma, duas peças por dia, completamente diferente de ter uma confecção.

Deixo aqui a Dica 1 que considerei um grande erro meu. Eu deveria ter trabalhado em uma confecção, de preferência uma que pudesse ser uma referência de qualidade, de vendas, por pelo menos 6 meses, onde conseguiria ter tido uma visão geral do que é o negócio. Eu teria tido a oportunidade de analisar o que era uma confecção, pontos fortes e fracos, conheceria os processos, entenderia o fluxo, até para poder identificar se era aquilo ou não que eu gostaria de fazer pelos próximos anos da minha vida, inclusive para investir o pouco e único capital que tinha na época.

É muito engraçado que quando você está definindo que será Empreendedor, vem um espírito de Super Homem (imagino que de Mulher Maravilha para as mulheres) que parece que nada vai dar errado, tudo vai dar certo. É uma coisa forte, do tipo eu posso, que acho muito bacana, fundamental, mas é exatamente isso que quero mostrar. Precisa muito mais que isso, somente ser Super Herói não vai salvar a sua empresa de uma má administração.

Vou exemplificar um case real de uma amiga, ela era gerente de um fornecedor e havia trabalhado com ele por uns 30 anos. Quando se aposentou e recebeu uma indenização de R$ 500.000,00. Em vez de ficar com o dinheiro aplicado, relaxar, viajar, descansar, ela resolveu empreender, montando um mercadinho delivery em um bairro nobre de São Paulo.

Um ano depois me ligou dizendo que havia perdido todo o dinheiro no mercado e estava precisando voltar a trabalhar porque ainda tinha R$ 70.000,00 de divida a pagar, ela deveria ter uns 64 anos de idade na época…

Eu fico muito triste de escutar isso, imagina que situação. Ela não tinha o conhecimento e habilidade de tocar um mercadinho delivery, sabia gerenciar uma loja de roupas, mas isso não garantiu que conhecesse a parte financeira, tributária, formação de custos, marketing para uma micro empresa, pois esses departamentos com certeza alguém, que não era ela, eram responsáveis na empresa que trabalhou por tantos anos.

Se ela tivesse montado uma loja de roupas, negócio que administrava e tinha conhecimento, poderia ter tido um outro resultado.

Voltando a Certificação, a proposta seria ensinar na prática como montar o negócio desde o começo, antes de abrir a empresa. O papel aceita qualquer número e estratégia, mas o passo número 1 seria montar um Business Plan. Ajuda a pensar no negócio antes que ele exista, dar um cheiro do que pode ou não acontecer. Além disso, você seria estudado psicologicamente se tem condições de ter o próprio negócio, quais as suas habilidades, no que você é realmente bom. Existem testes que conseguem entender até onde vai, se consegue viver sobre pressão, se tem resiliência ou não.

Iremos estudar como encontrar um ponto que tem probabilidade de vendas, com a ajuda de profissionais, como administrar uma reforma, várias pessoas já acabam com todo o seu dinheiro na reforma de sua loja, do seu salão de beleza, ou do seu escritório, esquecendo que terá que ter uma reserva de capital de giro por 6 meses para pelo menos cobrir os seus custos caso não explodam as vendas inicias, compra de matéria prima | primeiro estoque, dentre outros.

Depois iremos entender como trazer Cliente para o seu negócio, como deverá separar a Pessoa Física da Jurídica. Esse é mais um dos principais problemas das micro e pequenas empresas. O dinheiro que fatura não é seu, você terá que pegar uma parte se der lucro, amanhã pode não vender. É sério, experiência própria também!

Já ouvi pessoas dizendo que se forem pensar em tudo isso não abrem a empresa. É exatamente nesse ponto que eu queria chegar, sugiro de coração NÃO ABRA a sua empresa neste momento. É melhor deixar a sua reserva guardada, se preparar para poder abrir corretamente, com conhecimento, com capital, com segurança pois será muito mais fácil de fazer o negócio dar certo e consequentemente diminuiremos o índice absurdo de 70% que quebram em 3 anos.

É muita gente infeliz, com dívidas, com poucas chances de virar o jogo. Eu fiquei com o meu nome sujo por muitos anos, sujei o nome do meu pai, da minha mãe, a sorte que o cachorro não tinha CPF, pois se tivesse tinha ido também.

Estude, aprenda, entenda e chegue na conclusão se você realmente quer abrir o seu negócio.

Esteja preparado, não seja aventureiro, custa muito caro. Vale dizer que temos grandes casos de sucesso, não é tudo que dá errado, mas estatisticamente é muito pequeno este número. Quantos Lemann, Andre Esteves, Marcell Teles, Sucupira temos hoje no Brasil?

Existem alguns com certeza e eles tem todos os méritos de terem chegado lá, pois é muito difícil fazer o seu negócio dar certo. Não é necessário estar entre os maiores bilionários do Brasil para poder ser/estar realizado. Temos muitas micro empresas bem administradas, que dão lucro. O empreendedor tem as informações em sua mão, por isso que o meu objetivo com este Blog é poder ajudar as pessoas a estarem preparadas pelo menos para passarem por estes 3 primeiros anos de vida do seu negócio, estarem vivas, seguras do que estão fazendo para poderem dar sequência ao seu voo maior.

Quem quiser mandar a sua história pode mandar para mim, será um prazer poder compartilhar blogsergiobertucci@hotmail.com

SERGIO BERTUCCI : MBA na vida de Empreendedor com muitos acertos e erros; já são 20 anos, quase quebrei 2 vezes, uma por falta de pedido e outra por um pedido muito grande. Sócio-fundador da STAR THINK UNIFORMS, membro Internacional da ENDEAVOR, com muita vontade de poder ajudar os Empreendedores a fazerem direito e crescerem o seu negocio.

Cliente, o seu maior conselheiro

21 de julho de 2015

Observar a cultura de empresas dos mais diferentes segmentos e entender como alguns aspectos podem ser aplicados em outras empresas, inclusive na sua, é uma atividade rica em aprendizados. E é isso que me proponho a trazer a cada coluna aqui do Estadão PME.

Para o texto de hoje, escolhemos uma empresa fundada por Richard Branson, um dos empresários que mais admiro.

Branson é um visionário que atua nos setores mais diversificados que podemos imaginar. Seus negócios somam mais de 350 empresas que vão de música à aviação. Uma das empresas que ele fundou é a Virgin America, companhia aérea americana que se propõe a reinventar o setor.

Independentemente da área na qual cada empresa de Branson atua, todas têm em comum a proposta de oferecer ao cliente uma experiência de entretenimento. Com a Virgin America, não é diferente. Além de ter o conceito de baixo custo, todas as suas aeronaves possuem wifi, luzes especiais, tomadas em todas as poltronas, televisores para cada assento, sistema interativo, dentre outros serviços que têm o objetivo de fazer com que o passageiro tenha a melhor experiência durante o voo.

A Virgin America iniciou suas operações em 2007, mas só teve lucro em 2013. Para eles, esse período foi um tempo de experimentação fundamental para entenderem as necessidades do setor. Um dos aspectos mais curiosos e admiráveis da empresa é sobre o relacionamento que ela criou com seus clientes. Preocupados em entender melhor as necessidades dos clientes, a companhia criou um grupo com trinta empreendedores que mais viajavam pela Virgin America. Esse grupo formou um conselho para discutir novas ideias que poderiam, inclusive, mudar os rumos da empresa.

Eu acho inteligente uma empresa atuar dessa maneira. Eles ouviam tudo o que aquele grupo de clientes tinha para sugerir e muitas dessas sugestões eram ideias de inovação que foram postas em prática, como uma rede social para os viajantes do dia. Afinal, quem pode entender melhor do negócio do que os clientes mais assíduos?

 

 

Você tem perfil empreendedor?

20 de julho de 2015

Robinson Shiba, fundador da rede China in Box, estreia nesta segunda-feira no Blog do Empreendedor

Depois de 23 anos de experiências como franqueador, tive a oportunidade de conhecer vários perfis de interessados a franquear, desde pessoas que tinham perdido o emprego e estavam desesperadas para montar um negócio e continuar obtendo receita, estudantes recém-formados cujos pais estavam preocupados em arrumar um emprego para seus filhos, donas de casa e também pessoas que estavam dispostas realmente a empreender em um novo negócio. Em qual desses perfis você se enquadra?

Você está preparado, realmente, para mergulhar em uma jornada muito desgastante, sem finais de semana e feriados prolongados? Está preparado para acordar cedo, dormir tarde e em vez de ter um salário a receber, ter a preocupação com salários a serem pagos?  No início, se tudo der certo, existe a chance de sobrar algum lucro para que você possa usufruir, mas provavelmente você irá acumular esse montante porque não terá tempo para gastá-lo.

Um empreendedor, além de preparado, precisa de um perfil adequado para aguentar todas as pressões que vai enfrentar pela frente. É preciso conhecer o negócio que você pretende investir, ter ciência dos desafios que vai encontrar a partir do momento que decidir empreender e uma imensa capacidade de se comunicar com colaboradores, fornecedores e clientes. É importante aceitar riscos, porque diante de um negócio é comum enfrentar  problemas diariamente. Outras características fundamentais são: ser uma pessoa resiliente e um excelente vendedor. Afinal, um empreendedor vende ideias de projetos e produtos. Através dessa venda será possível conquistar outros empreendedores para o seu lado.

Para desenvolver características empreendedoras, é importante ser curioso, se informar, ter empatia e sempre se colocar no lugar do outro. Como você gostaria de ser atendido? A empatia é uma virtude no empreendedorismo, com ela você pode aprender muito, afinal negócios são feitos de pessoas.

O ano de 2015 é um período de crise, e nestes momentos podem surgir ótimas oportunidades. Obviamente, o mercado fica mais competitivo, porque uma quantidade menor está consumindo, exigindo muito preparo, criatividade e iniciativa do empreendedor. Nós do China in Box, iniciamos nossos negócios pós plano Collor, também considerado um momento ruim para investir, e nem por isso deixamos de colher bons resultados. Boa sorte a todos!

Robinson Shiba, presidente do Grupo TrendFoods

As oportunidades que vêm do Acre

20 de julho de 2015

Uma das regiões mais isoladas do Brasil vive um novo ciclo de empreendedorismo. O bambu e a energia renovável são algumas oportunidades que vêm atraindo a atenção também de estrangeiros.

Era comum, no sul do Brasil, perguntar se o Acre existe mesmo. Se você não conhece quem tenha nascido ou visitado o Acre, acredite, em breve provavelmente você pode ficar conhecendo empresas que vêm do Acre. Fruto de uma articulação que nos últimos anos vem incentivando a inovação, o Acre está fortalecendo seu ecossistema empreendedor. Por isso, começo alguns posts para mostrar mais sobre esse pedaço do Brasil que poucos conhecem – e que apresenta um mundo de oportunidades.

Antes de falar dos negócios, acho que vale recuperar algumas informações e contextualizar a região, a começar pela sua localização. No sudoeste da Região Norte, o estado do Acre faz divisa com duas unidades federativas: Amazonas ao norte e Rondônia a leste; e faz fronteira com dois países: a Bolívia a sudeste e o Peru ao sul e a oeste. De Rio Branco, capital, a Cuzco, onde fica a lendária Macho Picchu, são 1000 km.  Entre Rio Branco e a “vizinha” Manaus são 1.400 km.  Entre Rio Branco e São Paulo são 3.500 km.

O Acre sempre foi uma terra de conquistadores. Os brasileiros, principalmente os nordestinos, foram para a região, que então pertencia a Bolívia, no final do século XIX, para explorar o ciclo da borracha.  A ocupação motivou a proclamação do Estado Independente do Acre, que, posteriormente, por acordo, foi incorporado ao Brasil em 1903.  Terra distante dos grandes centros, sempre foi foco de muitas dificuldades, desde a falta de infraestrutura rodoviária até de internet (que é cara e lenta). Mais da metade dos 22 municípios têm índice de desenvolvimento humano (IDH) baixo ou muito baixo. Mas, enfrentando os obstáculos, existem personagens que estão empreendendo para mudar esse cenário.

Um dos expoentes desse ciclo empreendedor do Acre é o empresário americano Mark James Neeleman. Com 36 anos, ele acredita que pode ajudar a preservar a floresta através do manejo florestal de bambus e se prepara para instalar uma fábrica de painéis para construção civil, feitos a partir do bambu, em Xapuri.  “Eu creio o Acre foi o local da famosa cidade perdida El Dorado.  Como pode lembrar, foi uma cidade lendária que sumiu na floresta e que era feita de ouro.  Creio que o ouro de que os índios estavam falando não era metal, mas sim uma cidade feita de bambu que tem a cor dourada quando seca” explica ele, por e-mail.

“O estado do Acre é o único lugar que temos como começar hoje pois qualquer outro lugar teremos que esperar cinco anos até que o plantio esteja pronto”.  Nesta fábrica ele vai produzir lâminas de bambu para construções e outros usos como substituto da madeira.  Depois pretende produzir vários produtos baseados nos resíduos do bambu, como carvão ativado, biocombustíveis, entre outros.

Pergunto se ele acredita que essa é uma oportunidade para os empresários investirem no bambu e na região. A resposta foi assertiva. “O Brasil é um pais agrícola. Faz todo o sentido ter um novo produto para superar essa crise e o bambu pode ser a resposta.  Os chineses e os indianos exportam, respectivamente, 28 e 8 bilhões por ano de produtos de bambu. O Brasil pode triplicar isso”, justifica ele.

O projeto do americano está sem sintonia com as ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que, em parceria com o governo estadual do Acre, está criando um centro de vocação tecnológica (CVT) para capacitação e beneficiamento do bambu em Rio Branco. O ministério iniciou o repasse de R$ 2,4 milhões para projeto.  O acordo de gestão compartilhada do centro foi assinado no início do mês entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e outras entidades como o Instituto Federal do Acre (IFAC), Sebrae, Embrapa, entre outros atores.

O secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do MCT, Eron Bezerra, explica que o princípio é transformar o recurso natural em um recurso industrial, aumentando o valor, verticalizando a produção e elevando o padrão de renda das pessoas da região. “A cadeia de agregação de valor vai começar com o extrator. O produtor vai fazer o tratamento inicial no campo.”  Neeleman está empolgado com as perspectivas: “O Acre é nosso piloto, vamos dizer, para criar um modelo que creio que dar nascimento uma nova fase de Brasil Bambuzado como falo, onde construímos economia verde, com energia limpa, e usamos bambu como ferramenta”.

Mas o bambu não é a única iniciativa que vem movimentando o ecossistema local de inovação. “Nos nossos estudos observamos o Acre como um dos três locais no Brasil com a maior necessidade de demonstrar na realidade o uso de tecnologias inovadoras de energias renováveis, também com foco de capacitação e educação de povos indígenas isolados” conta o sérvio Boris Petrovic, cientista, pesquisador e engenheiro de sistemas de tele-automação. Ele criou em 2012 o Instituto Nikola Tesla, em Brasília, com o objetivo de viabilizar soluções que garantam a independência energética do planeta. Um dos primeiros projetos é a Aldeia Solar, um modelo social integrado de aproveitamento de energia solar para aldeias indígenas. No município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, ele assinou termo de cooperação com a associação ambiental Kuntamanã para um projeto piloto (que busca financiamento).

E não são só estrangeiros que estão vendo no Acre um horizonte de oportunidades. Na semana passada o alagoano e investidor-anjo João Kepler, esteve por lá fazendo palestras sobre inovação para empresários de vários setores e segmentos. Perguntei a ele com qual a impressão ficou e a resposta foi que “todos estão muito interessados na questão da inovação, não existe mais nenhuma barreira, os empresários do Acre estão receptivos da importância e da necessidade de inovar”.

Foi semana passada também que o Sebrae abriu um edital para selecionar startups para um programa de pré-aceleração. Já o Instituto Federal lançou o programa IFAC Empreendedor e prepara-se para organizar o X Connepi, em dezembro. Mas desses assuntos vamos saber mais na semana que vem. Até lá.

Marcelo Pimenta (menta90) é professor de inovação da ESPM e criador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90.

Ps – Se você conhece outros projetos inovadores no Acre que merecem visibilidade por favor comente esse post ou envie um e-mail para menta@laboratorium.com.br.