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Inspirações de negócios para fugir de São Paulo: é possível criar grandes negócios em cidades de menor porte

30 de janeiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Nesta semana, um amigo que palestrava para empreendedores soltou uma frase que gerou risadas desconfortáveis na plateia: Estou cumprindo pena na cidade de São Paulo. Outro já havia comentado que “a vida é muito curta para morar em São Paulo”.

Mas estas percepções não são atuais em função da crise hídrica. Tudo é mais caro, mais longe, mais demorado e até mais inseguro na capital paulista se comparado à boa parte das demais cidades brasileiras. Mas por que milhões de pessoas preferem “cumprir pena” na cidade?

Porque, entre outras explicações, há um ciclo de concentração de demanda, empresas, empregos em São Paulo que “zumbiliza” muitas pessoas. Só estão na cidade em função dos seus empregos. Muitos se sentem mortos-vivos acordando de madrugada, vagando o dia inteiro no trabalho e chegando muito tarde em casa para repetir a rotina no dia seguinte.

Mas alguns empreendedores mais “vivos” preferiram viver seus sonhos de empreender (e não morrer de trabalhar) um negócio próprio em cidades de menor porte e construíram grandes modelos de negócios que podem servir como inspiração para os “working dead” paulistanos. Destas empresas, algumas lições podem ser tiradas e inspirar novos empreendedores.

-> Empreenda seu hobby e ainda construa um grande negócio! Por amor ao surf, o médico Marco Aurélio Raymundo foi morar em uma pequena cidade litorânea que não tinha nem água encanada ou energia elétrica. Como água era gelada, tentou surfar com roupas de lã. Com o óbvio fiasco, tentou outros materiais como borracha até chegar ao neoprene. Começou fazendo roupas para uso próprio, depois para os amigos, e amigos dos amigos, até que criou uma fábrica. No momento de escolher o nome, juntou as iniciais do seu apelido (Morongo) com o da sua namorada da época (Maira) e colocou um “i” a mais ficar parecido com “Hawaii”.  Se optar por empreender em uma cidade pequena, aprenda mais sobre o Dr. Morongo, a Mormaii e a relação dele e da sua empresa com a cidade de Garopaba.

-> Saiba tirar proveito da vocação local e criar um negócio líder nacional! Os mais entendidos de vinhos sabem que boa parte das garrafas consumidas no Brasil sai da Serra. Mas os experts em comércio eletrônico sabem que, na verdade, sai “de” Serra, uma cidade vizinha de Vitória no Espírito Santo. Foi nesta cidade que os amigos Rogerio Salume e Anselmo Endlich decidiram criar a Wine.com, líder brasileira no comércio eletrônico de vinhos. Eles souberam aproveitar as vantagens do porto de Vitória e a eficiente infraestrutura logística da reunião para despachar vinhos para todo o país com um nível de custo que os concorrentes não conseguem igualar. Há muito que aprender com a Wine sobre como criar negócios (online ou off-line) nacionais aproveitando a vocação regional.

-> A cidade pode ser pequena, mas seu sonho de empreender não! Faça um teste. Visite qualquer cidadezinha pelo país e diga que pretende abrir um negócio na cidade. Em poucos minutos será recebido pelo prefeito. Mas se decidir fazer isto mesmo, antes conheça mais sobre a Doce D’ocê que fica na cidade de Chopinzinho, que pelo nome diminutivo, já nasceu para ser pequena. A cidade, no interior do Paraná, tem cerca de 20 mil habitantes e o faturamento da Docê D´ocê ultrapassa os R$ 25 milhões. A empresa fundada por Neoli Bazanella e seu marido Carlos fabrica pães, salgados e outros alimentos congelados que são comprados por pequenas lanchonetes, cantinas e até padarias que assam e revendem o produto quentinho para o consumidor final. Mesmo ficando em Chopinzinho, a empresa vende para cinco estados brasileiros.

-> Dê saltos no seu negócio criando uma grande rede de franquias! A trajetória de Cleusa Maria da Silva mostra que é possível criar um negócio que vira uma rede de franquias e atinge a liderança nacional. Ex-bóia fria e morando na pequena cidade paulista de Salto, Cleusa sempre teve uma mão boa para fazer bolos como tantas outras Cleusas pelo Brasil. Mas ela acreditou no seu talento e abriu uma pequena loja na cidade. Os bolos eram tão bons que as pessoas vinham de longe, inclusive de outras cidades. O sucesso continuou a ponto de clientes começarem a pedir para abrir franquias. Atualmente a Sodiê tem mais de 115 lojas e o faturamento ultrapassa os R$ 50 milhões.

E por fim, lembre-se que você pode sair de São Paulo, mas São Paulo não sairá de você porque no fundo, todos temos esta relação de amor e ódio, admiração e desprezo, vida e morte que ainda nos mantém aqui.

 

Pela volta da era dos ‘bens duráveis’

29 de janeiro de 2015

Outro dia eu vi uma palestra muito interessante de uma senhora indiana, o nome dela é Shri Mataji Nirmala Devi. Uma guru. Das várias coisas interessantes que ela disse, naquela palestra em particular, uma me chamou mais a atenção.

A palestra data dos anos 90 e ela fala de como a economia é baseado em um princípio básico, o da insatisfação. Sempre estamos querendo mais e mais, ter mais. Um carro? Não, cada um precisa ter o seu. Uma TV? Não, cada quarto o seu. Os desejos materiais são insaciáveis e disso se alimenta a economia atual, as pessoas sempre vão querer o novo iphone e depois o novo iphone e assim por diante. Uma das consequencias são os resíduos, o lixo produzido com tanto produto descartado (após a compra de um novo).

Ela continua, comentando que uma das formas das soluções para alguns problemas econômicos seriam as pessoas trabalharem menos horas. Assim, outros também podem ter empregos. Na Índia, por uma questão de tamanho da população é mais ou menos assim. E com o restante das horas livres as pessoas produziriam itens feitos à mão.

A relação de um trabalho artesanal é quase como um hobby, ou seja, uma terapia. Reduz o nosso stress, minimiza os nossos pensamentos, dedicamos mais que atenção a um trabalho artesanal e, esses, normalmente são duráveis. Dificilmente jogamos fora algo feito a mão para comprar outro que foi lançado agora.

Achei muito interessante a palestra e acredito nisso. O nosso consumismo desenfreado associado a itens descartáveis gera uma série de problemas. Hoje enxergo muito mais valor em algo feito com dedicação, com tempo, com amor. São presentes muito mais legais e duram mais! Vejo os itens que minha mãe ainda usa que eram da mãe dela, ainda cumprem o seu propósito e possuem uma estética que hoje não se faz com máquinas.

Vemos isso aqui na Carbono Zero, ciclistas que possuem bicicletas mais antigas, feitas de material mais pesado, mas que não trocam pelas modernas, com suas peças que duram pouquíssimo tempo e com baixa resistência. Vejo mais negócios surgindo com a premissa de que vender produtos que duram não significa ter menos lucro.

Espero que a era desses duráveis volte para ficar.

Um abraço,

Rafael

O raio gourmetizador só não faz chover; que pena

28 de janeiro de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Trovoadas de raios gourmetizadores! Será que é chover no molhado? Nas últimas semanas, o tema tem sido bem discutido e comentado nas mídias sociais e blogs sobre essa questão do termo, que tem soado quase como uma ofensa para uns e piada para outros. Para entendermos um pouco onde isso vai parar, precisamos voltar um pouco no tempo.

Essa geração ultra-conectada, que vive de regrans e compartilhar, talvez não tenha acompanhado toda a história do assunto. Então vamos recordar.

Até final do anos oitenta, as regras de importação no Brasil impunham uma série de  restrições e encargos aos produtos importados. Logo, nossa economia era protecionista e fechada. Quem visitava um mercado (naquela tempo, supermercado era coisa rara) encontrava poucas opções de marcas e, sobretudo, poucas opções de combinações de ingredientes gastronômicos. Biscoitos? Acho que tinha meia-dúzia de sabores e olhe lá. Azeite, então, talvez duas marcas, sendo uma misturada com óleo de soja.

A baixa qualidade também era um atributo quase que obrigatório. Groselha, por exemplo, que é composta basicamente por açúcar e aroma artificial, era a sensação. Como éramos ingênuos!

Minha mãe nunca me disse para não tomar groselha. Simplesmente porque ela não tinha acesso à informação. Com a abertura de mercado e a possibilidade de importação de produtos fabricados nos quatro cantos do mundo, iniciamos um processo de transformação e, sobretudo, de aprendizado por parte do consumidor, passando a entender porque aquele uísque vindo da Escócia era melhor do que aquele fabricado por estas bandas de cá, muitas vezes composto por aroma artificial e sem tradição no “fazer”.

Nosso uísque era fabricado somente para vender e ninguém questionava isso. Simplesmente engolia. Nós, cidadãos e consumidores temos um papel fundamental nesse processo gourmetizador: ter repertório para cada vez mais sermos exigentes e seletivos em nossas escolhas.

Se nos depararmos com as perspectivas futuras, consumir menos e melhor talvez seja a forma mais sensata e lógica. O termo gourmet nada mais é do que uma forma encontrada pela mercado para denominar produtos que possuem algum tipo de combinação e alma em seu processo de produção, valorizando cada ingrediente de sua composição. Não se trata de mais um biscoito cheio de gordura hidrogenada cuspido em série por uma máquina.

Noutro dia, um sujeito apareceu em nossa fábrica querendo nos vender uma pequena fábrica de maionese, mostarda e catchup em sachês. E o mais incrível foi a empolgação do sujeito contanto vantagens do negócio: com um quilo de extrato de tomates, ele faz quase uma tonelada de catchup em sachês.Absurdo! O sujeito faz um produto de tão baixa qualidade porque basicamente existe demanda. Afinal, alguém há de comprar.

O raio gourmetizador, por mais irônico que seja, tem sim seu papel fundamental em ajudar a mostrar e formar repertório para as pessoas. Só assim conseguiremos, quem sabe um dia, comer catchup de sache com tomates de verdade.

É uma pena que as trovoadas de raios gourmetizadores não façam chover, pois a situação está para lá de crítica.

Abraço e até a próxima quarta.

Ainda sobre Dominique Ansel e o sucesso do Cronut

27 de janeiro de 2015

Em nosso post da semana passada sobre o Cronut, doce que mais faz sucesso em NY, fomos surpreendidos por uma repercussão recorde em nossas postagens desde que assumimos o espaço das terças-feiras aqui no Blog do Empreendedor. Foram mais de 8 mil recomendações no Facebook.

Na sequência, nosso editor, o Daniel Fernandes, explorou um pouco mais o assunto, em texto publicado no seu post do dia 21 de janeiro. E mais 6 mil recomendações no Facebook.

Não há dúvidas de que o assunto gerou interesse. Mas a ideia no post de hoje não é aproveitar o que deu certo e chover no molhado. Voltamos a falar de Dominique porque fomos surpreendidos, também na última semana, pela notícia de que ele abriria no West Village uma nova confeitaria. Lendo o título, imaginamos: ah, Dominique se rendeu. Vai produzir o Cronut em outra região da cidade e aproveitar a onda de sucesso de sua criação para aumentar seu faturamento.

Engano nosso. Dominique segue contra o que qualquer empreendedor, pequeno ou grande, provavelmente faria. Ele não venderá, em sua nova confeitaria, seu famoso Cronut.

No cardápio do Dominique Ansel Kitchen, que é como se chamará seu novo empreendimento, madeleines, mousse de chocolate e mille fueille, clássicos consagrados da pâtisserie francesa. E como inovação sempre acompanha sua carreira, um inédito (pelo menos para nós) menu degustação de sobremesas servido à noite em uma mesa comunitária. Além disso, Dominique comenta que o que mais lhe incomoda em confeitarias tradicionais é a falta de frescor nos doces, uma vez que tudo é produzido com alguma antecedência. Em seu novo negócio, 70% dos doces serão produzidos mediante pedido. Ou seja, tudo fresquíssimo.

Difícil entender o que se passa na mente de Dominique. Imagine a tentação que qualquer um de nós teria, de aumentar a produção do produto mais famoso, em busca de maiores retornos financeiros? Mas aparentemente não é só isso que move Dominique. E talvez esteja aí uma das razões de seu enorme sucesso.

Para saber mais sobre o novo projeto de Dominique, acesse a Dominique Ansel Kitchen.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e tocam uma fábrica de queijos especiais em Pomerode. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

Quatro passos para ajudar a descobrir seu propósito

26 de janeiro de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta) é professor de inovação na ESPM e criador do Laboratorium

Roberta Alfredo enviou um e-mail:

“Gostaria de sugerir um tema para ser abordado, de como descobrir o seu propósito. Sempre temos dicas de como ir atrás do seu propósito, mas não de como descobri-lo. Obrigado”.

Agradeço a mensagem e quero, antes de responder sua dúvida, alinhar sobre o que estamos falando.  Descobrir / ter / cultivar um propósito é buscar entender qual sua missão no mundo, qual contribuição você pretende deixar para o planeta, para sua família, para seus colegas, para seus vizinhos. Nas palavras do meu amigo Flavio Vaz Peralta: “ter um propósito é o que traz sentido para a vida. Ter um plano traz o norte e permite o ajuste do foco”. Ou citando Steve Jobs – We’re here to put a dent in the universe. Otherwise why else even be here? – na tradução livre “Estamos aqui para fazer a diferença no universo. Caso contrário porque estaríamos aqui ainda?”

Então pode ser sido um propósito (hipotético) de Santos Dumond – “contribuir para o desenvolvimento tecnológico da humanidade”.

Ou de Mahatma Gandhi – “defender a justiça sem violência (mesmo que isso signifique grandes sacrifícios)”.

Se estamos então combinados do que é propósito tenho a lhe dizer que não conheço uma fórmula para descobrir um propósito, mas provocado por sua pergunta proponho uma atividade que pode ajudar a descobri-lo. É um exercício, não uma solução definitiva.

1 – MURAL – O QUE GOSTO?

1.1. Separe uma parede ou uma porta ou uma janela, um local visível de fácil acesso e iluminado para que você possa construir um mapa de palavras.  Se for o caso cole folhas de flip-chat para ficar mais definido o espaço.

1.2. Escreva em post-its – uma palavra em cada post-it -  tudo aquilo que você gosta de fazer. Tente escrever tantas coisas que você gosta. Diria que 50 é um bom número, mas não se limite a isso e escreva quantas coisas que vem a cabeça.  Tente lembrar de coisas que você faz somente quando está em férias ou que tem mais tempo para você – seja ver TV, catar conchinhas, fazer trilhas, cozinhar, mudar os móveis de lugar.

IMPORTANTE.

Não tenha pressa nessa atividade. Afinal, você está buscando um propósito para toda uma vida – não precisa resolver a questão em 15 min, ok? Controle a ansiedade e vá colecionado e buscando dentro de si aquelas coisas que mais lhe deixam com a sensação de realização.

2- AGRUPE AFINIDADES

2.1.  Comece a procurar padrões, similaridades. Que tipos de características se repetem? Trabalhos manuais? Ao ar livre? Em grupo? Em que espaço? Comece a identificar o que podem ser grupos para que você possa entender.  Movimente os post-its e tente agrupá-los por características em comum.  Faça diferentes combinações. Pense o que é só lazer mas busque ver o que é lazer mas que pode ser também trabalho – tipo cuidar do jardim ou cuidar de crianças.

2.2. Com post-its maiores ou de outra cor, tente então dar nomes a esses grupos e você vai ter já a pista de coisas que você potencialmente tem como elementos para um bom propósito. São palavras chave que provavelmente poderiam / deveriam estar num propósito de vida.

3- VISUALIZE SUA VISÃO DO MUNDO

3.1 Pegue revistas variadas, que você quer jogar fora, as mais diversas possíveis.  Com uma tesoura na mão, comece a identificar imagens e elementos que vão fazer você construir uma colagem com o mundo dos seus sonhos. Tudo é permitido.  Faça um mural bem bonito e sem censura, ok? O importante aqui é deixar rolar.

3.2. Analise. Veja em que ambiente, em que situações você se vê. Em que situações? Ao ar livre? Com máquinas e equipamentos? Numa loja?  Tente descobrir qual seu estilo de vida, que cidade gostaria de morar, se quer ter filhos, tente ver o que o resultado lhe revelou.

4 – CONSTRUA HIPÓTESES

Comece a construir hipóteses. Frases que tenham cerca de 20 palavras ou menos que possam expressar de forma ampla seu propósito de vida. Pode usar folhas de rascunho para construir várias. Não julgue, apenas construa.

Faça pelo menos 10 frases:

-  mostrar que a prática de esporte é uma forma importante de integração social

- disseminar a ideia que o ensino do violino melhora o desempenho do aluno na matemática

- lutar que para que todos tenham acesso a água

- encontrar a cura da AIDS

- montar um espetáculo para ser apresentado na rua

- conseguir que cada animal doméstico possa ser encontrado

- mostrar que o Brasil tem artistas de classe mundial

- tornar a educação algo divertido

- …

Tente escolher uma que lhe agrade e tente conviver com ela alguns dias para ver se ela se encaixa. Caso não se encaixe, mude, ajuste e vá tentando – não desista. E não se esqueça de trocar o óleo, as velas, e deixar toda a máquina sempre renovada – pois nosso propósito vai se modificando conforme o mundo vai se transformando. E Heráclito já nos ensinou isso há muito tempo (cerca de 500 AC):  “É impossível entrar no mesmo rio duas vezes”. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos.

Como resultado do exercício você vai ter:

1)      Um mural de palavras chaves agrupadas

2)      Um conjunto de palavras-chave (parte e/ou inspiração para seu propósito)

3)      Um mural visual do seu mundo ideal

4)      Uma lista de hipóteses para você ir testando qual melhor lhe serve.

Para finalizar, deixo aqui o que vem sendo meu propósito, para que você ter mais um exemplo e também possa entender um pouco do contexto dos posts que escrevo nesse blog e de outras atividades que faço: “Incentivar que as pessoas recuperem a confiança de seu potencial criativo para empreender”.

Um abraço e obrigado pela mensagem. Espero que a resposta lhe seja útil.

Dez ideias para você roubar! Os novos pequenos negócios mais legais dos Estados Unidos

23 de janeiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Bons artistas copiam, grandes artistas roubam…. O autor da frase é Pablo Picasso, mas não saberemos se ele a criou, copiou ou roubou de alguém. O fato é que nada é criado do nada. É preciso cruzar ideias, misturá-las, colocá-las em um novo contexto para termos… novas ideias. Vale para todas as ideias, inclusive as de novos negócios para empreender.

Conhece a sandália Melissa? Foi copiada. No final da década de 1970, os irmãos Pedro e Alexandre Grendene passavam férias na Riviera Francesa, quando notaram que os pescadores locais usavam uma sandália de plástico. Voltando ao Brasil, criaram um negócio de sandálias de plástico, mas voltada para o público feminino. Conhece a Red Bull? É uma cópia! Poucos anos depois da Melissa ter sido lançada, o austríaco Dietrich Mateschitz estava em Hong Kong quando conheceu uma bebida enérgica chamada Krating Daeng, produzida na Tailândia. Depois de voltar para a Áustria, não descansou enquanto não lançou a tal água do touro vermelho, tradução do nome original do enérgico. Conhece a Starbucks, ASICS, Barbie, Canon… pois é!

Mas a boa cópia é aquela que serve como ponto de partida e como inspiração como ocorreu com todos os exemplos acima, Picasso incluso. Por esta razão, exemplos de negócios legais ao redor do mundo são sempre úteis para quem pensa em empreender ou já está empreendendo.

Copiei uma lista de dez pequenos negócios que pode servir de inspiração para empreendedores brasileiros. A lista completa com 50 exemplos encontra-se no final deste texto.

1. CustomMade (www.custommade.com): Quem não gosta de algo feito exatamente, milimetricamente, perfeitamente para a sua necessidade e do seu jeito? E este capricho nem precisa custar tão mais caro? A CustomMade junta qualquer pessoa que tem uma demanda específica com quem consegue produzir o produto desejado.

2. GlamSquad (www.glamsquad.com): OK, sempre vai ter aquela moça que pode ir até você fazer suas unhas, mas a GlamSquad manda um esquadrão do glamour na sua casa ou trabalho para cuidar do seu cabelo e maquiagem e transformá-la em uma diva. Mesmo que não queira, só a inveja das amigas vai deixar o serviço bem barato.

3. Gotham Greens (www.gothamgreens.com): Quer comprar verduras ou legumes colhidos na hora, mesmo morando em grandes cidades? É só pegar o elevador ou subir as escadas. A Gotham Greens transforma topos de prédios em hortas. Ganha o prédio, pois consegue reduzir a temperatura interna, ganha os moradores da região que comem vegetais mais frescos e ganha a cidade, com menos trânsito e mais áreas verdes.

4. Hopsters (www.hopsters.net): É o lugar que junta as pessoas que gostam de boas cervejas feitas… por elas próprias. Você pode chamar de hobby, paixão ou desafio na busca da cerveja ideal. Para os demais, é uma ótima cervejaria com boa comida e atendimento.

5. Josephine (www.josephine.com): Se ainda não pensou em comer a comida da vizinha, deveria reconsiderar. Com a proliferação de sites, livros e programas de televisão de gastronomia, tem muita gente mandando bem na cozinha. A Josephine junta quem ama cozinhar e faz isto bem na vizinhança com quem quer comer (bem) e pagar, até menos, por isso.

6. Kitchen LTO (www.kitchenlto.com): Um restaurante igual, mas novo a cada quatro meses. Ou um restaurante novo, mas igual a cada quatro meses. A cadeira, mesa, pratos, etc. continuam os mesmos, mas você não vai a um restaurante por isso. A Kitchen LTO faz uma competição de chefs e vencedor assume a cozinha por um quadrimestre.

7. Mind Fest (www.mindfeststl.com): Sim, você pode aprender quase tudo pela internet. Mas um número crescente de pessoas precisa ou quer estar com outras para aprender e fazer novos amigos além daquelas centenas que todos temos no mundo digital. A Mind Fest faz isto. De tirar selfies a pilotar drones, a empresa junta quem quer ensinar com quem quer aprender. Sempre em locais inspiradores.

8. Paxton Gate (www.paxtongate.com/curiosities/curiosities/): Se já entrou nas lojas de brinquedos no Brasil e achou que saiu mais burro, vale a pena conhecer um pouco mais sobre a proposta da Paxton que quer incentivar a curiosidade das crianças (de todas as idades).

9. United by Blue (www.unitedbyblue.com): De longe, é uma loja com muito estilo que vende roupas, acessórios para animais de estimação, utensílios para casa e ambientes externos. De perto, todos os produtos têm o objetivo de durarem muito. E ainda a loja vende cafés orgânicos e o cheiro de café preparado na hora só deixa o ambiente mais acolhedor.

10. V Street (www.vstreetfood.com): Comida vegetariana deveria ser tão boa a ponto dos não vegetarianos só perceberem isso (que é vegetariana e boa) depois. O V Street recria a melhor comida de rua vegetariana do mundo em um clima de bar. Sem forçar a barra, sem radicalismos e afetações. Só no final avisa que é vegetariano. Nem precisava.

Quer ler mais sobre estas e outras ideias de negócios selecionadas como as mais legais do ano passado nos Estados Unidos? Navegue pelas páginas da Business Insider em http://www.businessinsider.com/coolest-new-businesses-in-america-2014-12.

 

Mark Zuckerberg curtiu a versão web do WhatsApp…a Apple não!

22 de janeiro de 2015

A notícia foi divulgada na última quarta-feira, dia 22, pelo fundador do WhatsApp, Jan Koum, em sua página no Facebook. O serviço de mensagens instantâneas vai oferecer o mesmo serviço na web. Ou seja, os usuários poderão acessar seus grupos e bater-papo diretamente no computador – uma espécie de espelho – do aplicativo no celular.

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Mark Zuckerberg, criador do Facebook, empresa que adquiriu o WhatsApp por US$ 22 bilhões, curtiu o post de Jan Koum sobre o assunto. A Apple, certamente não. No comunicado, Koum afirma que a novidade estará disponível para usuários do sistema Android, Windows Phone e Black Berry. Usuários do IOS, se limitou a dizer Koum, ficam de fora da ‘festa’ por conta da incompatibilidade com a plataforma da Apple.

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Para o empreendedor, como sempre, a uma importante lição naquilo que acontece no cotidiano de gigantes corporações – como o Facebook, a Apple e até mesmo o WhatsApp.

Você só consegue enfrentar os grandes…se for grande demais.

E o WhatsApp conquistou isso nos últimos anos. O próprio Jan Koum, em post do começo de janeiro no Facebook, informou que o serviço de mensagens instantâneas começava o ano com…

700 milhões de usuários ativos

30 bilhões de mensagens são enviadas por dia

O fundador do aplicativo terminava essa mensagem de janeiro informando que ‘eles prometiam continuar trabalhando bastante para fazer o WhatsApp ainda melhor’

Ao que tudo indica, o anúncio da quarta-feira foi a primeira prova.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

A experiência de captar pessoas pelo Facebook

22 de janeiro de 2015

Hoje vou compartilhar uma experiência que foi uma surpresa bem interessante. Sempre tivemos (e continuaremos tendo), necessidade de captação. Principalmente por sermos um negócio novo e com uma função (bike courier) nova, não é sempre que se consegue encontrar as pernas que precisamos.

No passado, o principal meio que utilizávamos para recrutar nossos ciclistas era um jornalzinho de empregos popular. Sabe como chegamos até ele? Um de nossos primeiros ciclistas (que já era ciclista em uma farmácia), comentou que conseguiu o emprego via esse jornal. Então, lá atrás, há 4 anos, criou-se o conceito (sem pesquisas mais profundas), que esse era o melhor caminho para atrairmos mais e novos ciclistas.

Uma outra forma de recrutamento sempre foi e será o boca a boca. Por sinal, esse meio sempre nos rendeu os melhores ciclistas. Pessoas atraem pessoas, principalmente nesse nosso negócio. Ciclistas bons e sem custo de recrutamento, perfeito! Mas se uma empresa pretende crescer e tem um plano agressivo, não dá para contar com a captação orgânica via o boca a boca.

No fim do ano passado, quando começamos a testar investimentos no Facebook, com fim de melhorar o conhecimento da marca e, eventualmente, atrair clientes, percebemos que um sub-produto desse investimento foi a geração de contatos interessados em pedalar conosco. Foi nítido que, sem querer, estávamos gerando interesse das pessoas em trabalhar na Carbono Zero. Facilmente entenderíamos o por que: a capacidade de segmentação do Facebook (e outras mídias sociais), potencializa o “falar com a pessoa certa”. Para saber mais do potencial das mídias sociais, veja esse post (http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/essa-tal-de-midia-social/) meu aqui no Blog.

Pois bem, se sem querer conseguimos um resultado positivo e inesperado, imagine se fizéssemos de propósito? E fizemos! Meados de dezembro e janeiro, investimos o mesmo recurso que investiríamos no jornalzinho popular no Facebook, em anúncios pagos de recrutamento. O resultado não foi só melhor, em termos de contato e até perfil, como também contribuiu para o crescimento dos fâs da nossa página. Uma ação que visava somente um objetivo, acabou trazendo dois, pelo mesmo valor fizemos muito mais!

Pense se no seu negócio, na sua necessidade é possível fazer algo similar.

Um abraço e até a próxima,

Rafael

Ainda sobre o Cronut: seu produto faz sucesso a ponto de você definir como ele será consumido?

21 de janeiro de 2015

O Cronut, doce que pode ser definido como um híbrido entre croissant e donut, faz um enorme sucesso em Nova York – a ponto dos consumidores fazerem filas às 5h30 da manhã para esperar por n ovas fornadas do produto na padaria mantida pelo renomado chef Dominique Ansel.

Na última terça-feira, os irmãos Bruno e Juliano Mendes escrevem sobre o doce – e a fila – no Blog do Empreendedor. O que despertou ainda mais a curiosidade dos leitores a respeito da possibilidade de encontrar o Cronut em São Paulo. Pois é, vai ser difícil. Não achamos nenhum indício da venda do produto em São Paulo.

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A única pista aparente, que seguimos, era a de que o Empório Santa Maria vendia o doce. Fomos perguntar a eles e a resposta é que a produção existiu, sim, de forma sazonal e que ela não existe mais.

Portanto, se você quiser experimentar o doce, provavelmente terá de ir para Nova York como a simpática moça que abordou nossos blogueiros.

Fica também a pergunta: há uma legitima oportunidade de negócios para quem pensa em empreender com o doce no Brasil? Por que ao invés de vender brigadeiros, quindins e outros doces, ninguém ainda pensou em Cronut. Como resposta, outras duas perguntas:

1) Será que tem a ver com a dificuldade de reproduzir o doce com o mínimo da qualidade da receita original?

2) Será que o fato de que o nome – Cronut – ser uma marca registrada do chef de Nova York impede alguma coisa?

Regras são regras
Enquanto não surgem concorrentes, ou outros doces do momento, é curioso verificar o que um produto de sucesso é capaz de fazer. Além das regras fixadas na porta da padaria (onde está escrito que a fila pode começar às 5h30), há outras explicitas no site da empresa sobre como consumir o produto. E elas reforçam o fenômeno do produto nos Estados Unidos. Separei as mais curiosas.

‘Por favor, coma o Cronut imediatamente pois ele tem uma vida útil pequena

Se você for cortar o doce, por favor, use uma faca com dentes para não esmagar as camadas do doce

Nunca guarde os doces na geladeira pois a umidade pode deixá-lo enxarcado

Como o Cronut é feito com creme, não recomendamos esquentá-lo ou servi-lo quente

O que será que o Raio Gourmetizador tem a dizer sobre isso?

Daniel Fernands é editor do Estadão PME

Caminhamos para uma grande depressão coletiva: reclamar é padrão!

21 de janeiro de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Às vezes fico me perguntando: o que estou fazendo de errado? O que está errado para tanta reclamação? Difícil ver elogios. Difícil achar gente satisfeita com seu próprio corpo. Difícil achar gente que busca forma de mudar e fazer as coisas de uma forma melhor.

Há pelo menos dois anos, adotamos o Facebook como ferramenta de trabalho em meu escritório em São Paulo. Por fim descobrimos que tudo acabava sendo concentrado nessa ferramenta: audiência da equipe, rede de relacionamento e, claro, uma equipe de desenvolvedores dedicada e trabalhando para cada vez mais para que essa plataforma funcione em diversos equipamentos sem custo algum.

Mas confesso que está cada vez mais difícil ficar conectado a isso. Por fim, a timeline corre e transborda como um revolto rio de futilidades, mimimimis, indignação digital passiva e a necessidade da provação social. Hoje, sem dúvida alguma, caminhamos para uma grande depressão coletiva, onde reclamar é um padrão.

E pior: um padrão que não gera ação. E isso, num movimento de consciência coletiva, vai contaminando cada um de nós, que nos mantemos conectados a um rio mal cheiroso. Exercer o papel de cidadão – palavrinha aparentemente  fora de moda – é muito mais do que dar um “compartilhar” em uma notícia de forma indignada. É muito mais que panfletar digitalmente.

Ontem, caminhando pelo residencial onde moro, me deparei com dois garotos, com seus vinte e poucos anos, conversando sobre a grande “vantagem” de terem burlado a segurança e entrado em uma festa usando o mesmo convite para cinco amigos. Malandros? Não. Burros.

Burros porque eles multiplicam o modelo que tanto nos impede de realizar coisas e que, quase sempre, tanto nos causa revolta manifesta em nossa timeline, como seres humanos, como cidadãos e como empreendedores. E tudo isso está tão enraizado em nossa cultura que não vejo luz, infelizmente. É um modelo que encontramos em todas as esferas da vida por estes lados do mundo. Quando era garoto, levar uma maçã para o professor era talvez a representação mais clara e subversiva da propina ou da tentativa de levar uma vantagem.

Você já tinha parado pra pensar nisso? Não existe auge da crise e sim um processo lento da degradação. Pode ser coisa da minha geração sentir angústia diante do estado de coisas que nos cerca. O mal do século. Empreender é uma maneira de acreditar em mudanças. Por isso, creio que as próximas gerações se sairão melhor. Vale acreditar. Vale?

Procuro pensar dessa forma. Todavia, basta dar uma olhada para o que vem se aproximando, a onda humana que caminha para o futuro. Meio milhão de estudantes tirou nota 0 (zero) em redação no ENEM no último exame. Meio milhão de jovens que, bem, sequer conseguem expressar ideias claras ou expressar ideia nebulosa alguma. Então a angústia volta à me rondar de um jeito avassalador.

Volto à insatisfação do início do texto. As mídias sociais são um jeito novo de se manter as aparências, assim como fixarmos a atenção em nossos umbigos. Mas, por mais que teimemos, as aparências enganam. E, quando menos esperamos, as evidências vêm à tona revelar que há algo de muito podre no reino do Dinamarca… ops! Brasil.