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Lacunas do comércio online: oportunidades para empreender

7 de dezembro de 2016

Cada vez mais pessoas estão comprando online e o resultado do e-commerce na recente Black Friday, data promocional realizada na semana passada, comprova isso: R$ 1,9 bilhão em venda, um crescimento de 17% em relação a 2015, segundo a Ebit. Porém, ao analisar o varejo online um pouco mais de perto é possível perceber que há muito espaço para crescer.

A representatividade do e-commerce no varejo brasileiro ainda é pequena – apenas 4%. Além do aumento no número de pessoas acessando a internet – com os smartphones isso ficou muito mais fácil e rápido – outro aspecto importante para o crescimento e fortalecimento do e-commerce é a ampliação da oferta.

Já é possível comprar praticamente tudo pela internet, mas há setores com participação tímida – um indicativo de oportunidade para quem deseja empreender. Isso ocorre principalmente no segmento de bens não duráveis – produtos de supermercado e padaria, por exemplo. Uma pesquisa realizada pelo Mercado Pago, empresa de meios de pagamentos online, com 600 internautas que já fizeram ao menos uma compra pela internet, revelou que 71% deles nunca compraram bens não duráveis pela web. Sobre os motivos, 55% afirmaram que poucos supermercados oferecem o serviço ou que sua rede preferida não o disponibiliza. Já, 34% disseram desconhecer a oferta online desses produtos e 30% apontaram o valor do frete como fator desestimulante. As respostas eram de múltipla escolha e esses foram os principais motivos apontados pelos entrevistados.

Isso mostra que há demanda! E há espaço para os supermercados e demais comércios de bens não duráveis aumentarem a oferta de produtos pela internet. O e-commerce é um segmento promissor no Brasil e a tecnologia necessária para os supermercados atuarem nesse canal está disponível. Claro que vender e entregar livros, moda e peças automotivas, por exemplo, é muito mais fácil do que legumes, frutas e pães. Não é à toa que os bens não duráveis são a minoria no portfólio do e-commerce. Mas, é diante do desafio que surgem ideias inovadoras e grandes negócios. A demanda está aí, esperando para ser atendida.

A pesquisa também trouxe alguns inputs sobre o comportamento daqueles que afirmaram já terem feito compras em supermercados online (29% dos entrevistados). A maior parte das vendas virtuais em supermercados (43%) possui um tíquete médio acima de R$ 200,00. Já, 26% somam entre R$ 101,00 e 200,00; 17% entre R$ 50 e R$ 100; e 14% menos de R$ 50.

Quanto à frequência, 16% afirmaram que fazem compras de uma a três vezes por mês – o mesmo percentual de pessoas que disseram comprar uma vez por mês; 13% adquirem algum produto uma vez por bimestre; 4,27% uma vez por semana; e 3,42% compram bens não duráveis pela internet mais de uma vez por semana. A forma de pagamento mais utilizada pelos compradores online é o cartão de crédito (59,3%), seguido de boleto (51,7%). A maioria das compras (80,5%) é feita por meio de computadores e notebooks, enquanto os smartphones são responsáveis por 33,9% delas.

Também no caso dessas questões, os respondentes podiam escolher mais de uma alternativa para resposta. Mas, e os 71% que afirmaram nunca terem feito uma compra de bens não duráveis na web, o que os faria mudar de ideia? A pesquisa, também com indicações de múltipla escolha, apontou: melhores preços (65,5%), frete grátis (59%), a presença de mais redes de supermercados na internet (30%) e poder receber e ver o produto antes de pagar (25%). A conclusão que temos diante disso é: o consumidor, principalmente o da geração Millenium – nascidos a partir de 1980 – sabe o que quer e está ávido por desfrutar da facilidade e do conforto da compra online, independentemente do produto a ser adquirido.

 

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Hora de sair da toca!

5 de dezembro de 2016

Reza a Wikipedia que para os Chineses, a palavra CRISE (危机) pode significar ao mesmo tempo “perigo” e “oportunidade”. No Pastifício Primo levamos esse assunto muito a sério e decidimos lacrar 2016 com uma ousadia proporcional à crise que estamos passando, e abrimos duas novas operações ainda este ano: uma loja física nos Jardins e uma loja virtual com vendas para todo o Brasil.

O Pastifício dos Jardins abre na primeira quinzena de dezembro no número 43 da Alameda Tiete, quase na esquina com a Rua Padre João Manoel, no coração do bairro que reúne a nata da moda e da gastronomia de São Paulo. E olha que eu sempre falei que seria difícil a gente algum dia abrir uma loja num dos metros quadrados mais caros da cidade, mas, de fato, a crise trouxe este tipo de oportunidade imobiliária.

Em poucos dias resolvemos alugar o ponto e, por sorte, a minha equipe é tão maluca quanto eu, abraçando a ideia imediatamente, com todo o esforço que representa o desafio de abrir uma loja em menos de 30 dias. Todos estamos fazendo um mutirão para abrir o mais rápido possível para aproveitar as vendas de Natal – pois as contas nunca dormem.

Já a loja online faz a sua estreia no nosso endereço www.pastificioprimo.com.br, com vendas a todo o Brasil de linha de Secos e Molhados, composta de molhos e antepastos envasados em vidro, risotos e massas secas. Como é muito comum, a oportunidade apareceu num acaso, numa conversa de amigos, tomando chimarrão em casa.

E somente foi possível realizar este projeto altamente complexo por contar com as pessoas certas, no momento certo e com a disponibilidade para dedicar toneladas de hora de trabalho. Incorporaram tecnologia, soluções para problemas complexos de meios de pagamento, logística e – acima de tudo – construíram uma loja online que é a cara e o jeito da loja física, que tem a mesma cultura e a mesma forma de atender o cliente.

Voltando à crise, me lembro claramente que quando cheguei em São Paulo em 2009 para iniciar o PRIMO, o Brasil estava vivendo a ressaca da Crise do Subprime. Isso possibilitou encontrar aluguel barato e nos destacamos por não abrir mão de nossas crenças de qualidade e produto artesanal, mesmo com toda a pressão.

Percebo agora, mantidas as devidas proporções, os mesmos sinais pairando no ar. A crise em breve vai passar, como todas passam, e quem estiver com a máquina quente vais sair na frente. Quem fez o dever de casa para a crise (economizar, rever processos, otimizar, ficar de olho no fluxo de caixa, apertar o cinto, estudar, se preparar, etc) e tiver um pouco de fôlego sobrando, minha dica é sair da toca e ficar de olho nas oportunidades.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Egopreneur: Quando dizer que sonha grande é pretexto para quem é (realmente) pequeno

2 de dezembro de 2016

Se prestar atenção notará a emergência de um tipo polêmico de empreendedor: aquele que tem um ego maior do que o seu negócio. De empreendedores de primeira viagem a Donald Trump, o egopreendedor não é um fenômeno recente, mas é algo cada vez mais insuportável.

Sabiamente, John Doerr, um dos principais investidores do Vale do Silício, sabe identificar um egoempreendedor em poucos minutos de interação. Para isso, devolveu um checklist simples que utiliza para encontrar mais do que grandes negócios, mas grandes empreendedores que têm (muito) mais interesse em buscar um significado para a sua existência (e da sua empresa) do que ter (apenas) sucesso.

Doerr defende que enquanto o egopreendedor é mercenário, o empreendedor em busca de um modelo de negócio saudável e escalável é missionário do benefício do produto ou serviço que comercializa.

Se estiver na dúvida se é um empreendedor (mais) mercenário ou missionário, faça o teste!

Para os empreendedores missionários, Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Para os demais, Donald Trump: “As pessoas me amam. E sabe por que? Eu tenho tido muito sucesso.  Por isso, como terá que pensar de qualquer forma, pense grande assim”.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP.

As vantagens de um negócio agnóstico

30 de novembro de 2016

Houve um tempo em que empresas que se declaravam concorrentes não mantinham qualquer relação, a não ser a de competidores. Em alguns segmentos isso ainda acontece e há até quem diga que o colaborador de uma não pode consumir o produto da outra. Porém, em um mundo globalizado e cada vez mais tecnológico, a linha que separa concorrentes e parceiros é cada vez mais tênue.

No âmbito da tecnologia, surgiram aplicativos agnósticos, isto é, que se adaptam a todo tipo de plataforma, dando ao usuário o poder de decisão. Há algum tempo, o usuário de um PC não poderia acessar um arquivo criado em Mac, por exemplo, afinal, Windows e Apple são plataformas diferentes, que concorrem entre si. Essa realidade mudou e o usuário de qualquer uma dessas ou de outras marcas pode transferir e receber arquivos de outros usuários via Dropbox, por exemplo. E tudo isso de forma gratuita.

A tecnologia agnóstica empodera o usuário e abre novas oportunidades de negócios para as empresas. Alguns meses depois de criarem o Dropbox, em 2007, Drew Houston e Arash Ferdowsi, ex-alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, foram chamados por Steve Jobs, fundador da Apple, para uma conversa. Jobs teria demonstrado interesse em comprar o novo negócio e, há quem diga que, informalmente, ofereceu US$800 milhões pela novidade.

Os jovens sócios não aceitaram a oferta, exatamente por acreditarem que se manter agnóstico, isto é, sem se vincular a nenhuma plataforma específica, é a missão do Dropbox e o que lhe dá valor. A empresa hoje está avaliada em bilhões de dólares e tem mais de 500 milhões de usuários espalhados pelo mundo.

Isso não quer dizer que se eles tivessem vendido o Dropbox para a Apple não teriam feito um bom negócio, mas, a decisão de se manterem independentes se mostrou acertada – vide o valor atual da empresa e o número de usuários.

No comércio eletrônico, os negócios também estão cada vez mais agnósticos. No Mercado Livre, a decisão tomada em 2012 de abrir a plataforma tecnológica levou o negócio a dar um salto gigantesco. Permitir que desenvolvedores independentes utilizem a Interface de Programação de Aplicativos (em inglês, API – Application Programming Interface) da plataforma só trouxe vantagens, como, por exemplo, a integração de lojas virtuais de grandes marcas ao marketplace. Hoje, outros marketplaces – que poderiam ser considerados concorrentes do Mercado Livre – vendem dentro da plataforma.

Outro exemplo é que, ao adquirir a KPL no ano passado, empresa especializada no desenvolvimento de software para gestão de e-commerces, o Mercado Livre identificou também neste negócio potencial para aumentar a oferta de serviços agnósticos: à medida que as empresas passam a operar em diversos canais é necessário supri-las com sistemas que se integram com todos eles.

Enfim, estar atento a todas as possibilidades é o segredo. Não há porque não realizar parcerias, ainda que seja com seu concorrente, quando o negócio é bom para os dois lados e também para o cliente.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Mulheres maravilha

28 de novembro de 2016

Está acontecendo um projeto sensacional chamado The Girls on the Road, liderado por 2 brasileiras que estão rodando o mundo com o objetivo de identificar e contar as histórias de mulheres empreendedoras e inspiradoras.

Dede julho deste ano, Taciana Mello e Fernanda Moura já estiveram nos EUA, Canadá, México, Japão, Coreia do Sul e China, entrevistando mulheres empreendedoras que impactaram a realidade à sua volta. No próximo mês seguirão para Cingapura, Malásia e Filipinas. Ao longo da viagem, ganham destaque nos jornais locais.
Esse projeto é muito bacana por muitas razões, e aqui algumas:

- Extrapola totalmente as fronteiras do Brasil. Provoca uma comparação inevitável entre nosso país e o mundo lá fora, nos fazendo refletir sobre nossa realidade e como podemos superar as dificuldades.

- Dá voz às mulheres protagonistas no empreendedorismo, algo raro em qualquer pesquisa, literatura, programa de TV e nos meios acadêmicos.

- E, principalmente, projeta a importância e protagonismo da pesquisa brasileira sobre empreendedorismo no mundo. Ou, como Taciana e Fernanda dizem no site, “o mundo é nosso quintal”. Adorei isso. Boas ideias não têm fronteiras.

O resultado da pesquisa vai ser apresentado em alguns meses num documentário que está sendo produzido. Porém, já podemos acompanhar as andanças e filmagens pelo Facebook.

Aqui, e em primeira mão, uma degustação das informações extremamente valiosas que estão sendo coletadas:

México e Japão

México e Japão se destacaram por questões distintas. No México, por exemplo, o machismo ainda é muito presente e o fato de uma mulher vir a ganhar mais que o seu companheiro causa estranheza e desconforto. Já no Japão, a pressão da sociedade em relação às profissionais/empreendedoras casadas e mães para que se dediquem exclusivamente à família ainda é muito forte. Lá, a impressão é de que as mulheres empreendedoras estão sempre sendo inseridas em situações de muita pressão: ou se focam na família e nos filhos, ou se rebelam e constroem seu próprio negócio. As que decidem por essa última opção sofrem muita resistência.

Coreia do Sul

Na Coreia do Sul, em termos de empreendedorismo feminino, a situação é muito similar ao Japão: empreendedoras ainda estão em número reduzido, relatam vários desafios (em grande parte relacionados a valores sociais) e são ainda exceções à regra.

Embora o governo sul-coreano tenha se empenhado em apoiar o empreendedorismo, ou a “economia criativa”, termo criado para se referir às iniciativas relacionadas ao suporte para o empreendedorismo, a verdade é que, ainda que em menor intensidade que o Japão, uma carreira corporativa (invariavelmente na Samsung, LG, Hyundai) acaba sendo a (melhor) opção para grande parte das mulheres. Por isso, a maioria das empreendedoras entrevistadas saíram de posições em grandes corporações para iniciar seus negócios.

As empreendedoras sul-coreanas relatam histórias como as de, por exemplo, terem que buscar a presença de um co-founder homem para poderem abrir algumas portas, ou mesmo da total falta de interesse da família em apoiá-las. A expectativa (da sociedade) de que devem se casar e cuidar dos filhos ainda está fortemente presente e elas relatam isso de forma muito clara. Não é a toa que, por vezes, se consideram esposas e mães “abaixo da expectativa” por se focarem nos seus negócios.

Numa entrevista, em um momento de reflexão, uma empreendedora colocou a pergunta “como posso ajudar minha filha a ser feliz se eu não me sentir feliz? Construir o meu negócio me faz feliz!”. Assim como essa empreendedora, outras mostram que buscam, aos poucos, mudar a expectativa em relação ao papel da mulher na Coreia.

China

Na China, surpreendentemente, o perfil é outro. Nas entrevistas já realizadas, ficou claro que a mulher chinesa tem perfil e postura muito distintos da população feminina dos países vizinhos visitados. A impressão é de que a política do filho único criou uma situação natural de empoderamento da mulher, na qual as famílias criavam filhas oferecendo as mesmas oportunidades e incentivos dos meninos.

Muitas mulheres afirmaram que nunca sentiram diferenciação e foram criadas dentro do entendimento que tinham os mesmos privilégios dos homens. Nesse contexto, em entrevista ao projeto F♀unders, o fundador do Alibaba, Jack Ma, classificou a empreendedora chinesa como “superwomen”.

No mercado de trabalho, a maior parte das empreendedoras está no setor de e-commerce. Elas indicam quem sentem, sim, dificuldades em buscar investimento ou mesmo em contratar uma equipe e, ainda que em menor intensidade, relatam um pouco de pressão social para casarem e terem filhos. A diferença é que elas parecem não valorizar tanto esses aspectos quanto japonesas e sul-coreanas. A independência financeira vem em primeiro lugar, antes mesmo da vontade de constituir uma família.

O que parece ser igual a todas as mulheres empreendedoras é a resiliência, uma grande força de vontade e iniciativa para estudos e se aprofundar no tema em que elas querem empreender e uma inquietação que as faz questionar os modelos de trabalho que elas conhecem e a realidade em sua volta.

Números atualizados da The Girls on the Road:

- 6 países cobertos de um total de 25 que serão visitados;

- Cidades visitadas : San Francisco Bay Area, Chicago, Boston, NY, Toronto, Cidade do México, Tóquio, Seul, Beijing, Shanghai;

- 33,490 km percorridos até 13/Nov (carro, avião e trem);

- 107 entrevistas realizadas até 13/Nov (projeto teve inicio em 1/Julho);

Acredito que vale muito a pena acompanhar e divulgar o trabalho da Taciana Mello e Fernanda Moura, de extrema importância. O mundo é nosso quintal!

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sim, você vai precisar criar o seu próprio emprego

25 de novembro de 2016

Vejo o agora ex-diretor no hall de entrada do prédio. Parece perdido mesmo tendo trabalhado tantos anos ali. Ajudou, inclusive a construí-lo (o prédio e o negócio). Mas agora estava lá, frágil e desorientado. Caminhava claramente em algo que já não tinha mais chão e rumava para algum lugar sem direção. Cumprimento-o pelo nome, mas ele, ou não me ouviu, ou olhou para alguém invisível ou ainda ouviu o seu nome, mas não quis escutá-lo, não naquele local, onde alguns dias antes era cumprimentado por onde passava.

Dias depois, vi o agora ex-gerente de outra empresa. A desorientação nos olhos era a mesma que o da ex-assistente que também havia perdido o emprego em outra organização. Havia algo de não acreditar no que estava acontecendo. Algo violado tão verdadeiramente narrado em “Ao arrancarem meu crachá, senti como se estivessem arrancando a minha pele” em que a jornalista Claudia Giudice fala do seu 13 de agosto profissional. E é esta fragilidade que coloca o (ex)diretor e a (ex)assistente em iguais condições.

Para muitos, ser demitido é ver uma parte de você ser assassinada. Daí o clima de velório. E outros tantos acreditam realmente nisso. Que morreram para a vida profissional. E enquanto não encontram outra vaga, só confirmam a sua morte.

Enquanto alguns acham (e encontram) o seu fim, outros encaram a demissão como uma oportunidade de ressureição ou reencarnação, dependendo da crença. Em alguns países asiáticos, crise e oportunidade são, sabiamente, escritas com os mesmos ideogramas. Da mesma forma, o deus indiano Shiva é o que destrói para construir algo novo.

Neste contexto, encarar a demissão como uma oportunidade é se preparar para um futuro em que haverá cada vez menos vagas de empregos e relações empregatícias menos duradouras.

Isto já vinha acontecendo em setores mais operacionais em que operários eram substituídos por robôs, bancários por ATMs ou mesmo a tia do cafezinho trocada por aquelas famigeradas máquinas de café. Mas agora as novas aplicações de comunicação, inteligência artificial, big data, realidade virtual e aumentada, mobilidade, aprendizagem de máquina, IoT e robotização também vem assustando (e deveriam assustar mesmo) profissionais detêm grande conhecimento acumulado para continuarem empregados. Por ter uma solução automatizada, o Contabilizei cobra 10% do valor cobrado por boa parte dos contadores. O Eyenetra coloca em centavos o custo de um exame oftalmológico. E se acha que falar com advogados é caro e complexo, a Reglare reduz (praticamente extingue) a necessidade de tê-los em processos de análise (e tomada de decisão) de processos judiciais e administrativos. E os gerentes de banco irão fazer o quê no futuro (agora) em que robôs podem controlar, analisar e tomar decisões de investimento, não de uma dezena, mas de milhões de clientes? E ainda vai sobrar para mim, já que, cada vez mais faz menos sentido ter um professor falando (de algo já disponível em algum lugar) em uma sala de aula em que cada participante tem suas demandas, interesses, horários, formas de aprender.

E se não acreditar que no futuro teremos carros autônomos, sistemas que entendem eufemismos, idiossincrasias e metáforas complexas e universidades sem professores, é melhor refletir sobre tendência de juniorização das organizações. Se você não é jovem, já percebeu que a pirâmide etária da sua empresa vem se achatando velozmente. A alegação é que os jovens são mais inovadores, criativos e empreendedores. Mas no final do mês, eles ganham menos e ajudam a aumentar (na situação atual, a manter) as margens de lucro da organização. E em algum dia, ou você ajuda sua empresa a obter melhores margens ou se torna um custo desnecessário. Mas e o conhecimento acumulado? Perguntarão os mais experientes… A inteligência artificial do carro autônomo do Google, o sistema Watson da IBM ou ainda os graduados pela École 42 responderão que o este conhecimento já está acumulado, parametrizado, processado e que pode ser recuperado, reutilizado e combinado em uma fração de segundos e na mesma proporção em custos.

Por tudo isso, se você tem um crachá hoje, a chance de perdê-lo para a tecnologia ou idade só vai aumentar. Antes de parecer um zumbi profissional cuja pele foi arrancada, reflita quem você é, o que gosta e faz bem, que tipo de negócio poderia ter demanda a partir disso e comece a interagir com as pessoas, potenciais clientes e parceiros. Talvez não precise criar o seu emprego agora, mas quando precisar, o melhor de você estará lá… te esperando.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP

 

Publicidade: elemento essencial para o sucesso de um negócio online

23 de novembro de 2016

Muitos empreendedores escolhem o varejo online para realizar seus negócios atraídos pelas facilidades dessa plataforma. De fato, abrir uma loja online custa muito menos do que abrir uma loja física. Porém, não dá para se iludir achando que não será necessário realizar investimentos. Para garantir o sucesso do negócio, além de ter uma estrutura tecnológica de qualidade – o que dá fluidez à navegação no site e permite a correta gestão do back-office – é preciso investir em publicidade. Não basta abrir a loja online, é necessário levar o consumidor até ela. E, nesse quesito, são válidos os investimentos tanto na publicidade online como na offline.

No caso online, principal foco de investimento e de retorno para o e-commerce, as alternativas vão desde banners em portais de conteúdo, sites de marketplaces com boa audiência até links patrocinados em sites de busca. Hoje em dia também há tecnologia disponível para encontrar o consumidor certo na hora certa. Além disso, estar presente nas redes sociais é fundamental. Há diversas agências especializadas na criação e gerenciamento de campanhas online para pequenos empresários com preços acessíveis e com nível de serviço profissional.

O e-mail marketing é outra ferramenta extremamente eficiente quando enviada para a base de usuários do site de forma segmentada. Ao invés de disparar e-mail de ofertas para todos os clientes que já compraram, é importante selecionar aqueles que adquiriram um produto específico no último mês e enviar a oferta de outro complementar. É isso que faz a diferença entre um e-mail relevante ou simplesmente um spam. E, claro, é fundamental ter a autorização prévia dos clientes para o envio desse tipo de e-mail.

Segundo dados da pesquisa Digital AdSpending, realizada pelo IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e pela comScore, empresa de pesquisa, a publicidade online movimentou mais de R$9,3 bilhões no Brasil em 2015 e a previsão para este ano é de 12% de crescimento, chegando a R$ 10,4 bilhões. Esse levantamento também mostrou que o segmento de search e classificados é o responsável pelo maior volume de verbas publicitárias (com R$ 5,1 bilhões), seguido por display e redes sociais (R$ 3,1 bilhões) e vídeo (R$ 1,038 bilhão).

As datas comemorativas são excelentes momentos para investir em publicidade. Um exemplo é a Black Friday, uma das principais datas sazonais do e-commerce que, neste ano, será realizada na próxima sexta-feira, 25 de novembro. Neste link, você pode conferir algumas dicas para otimizar suas vendas durante este período, que precede a última grande data comercial do ano, o Natal. Prepare-se bem e boas vendas!

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Saiba por que Jamie Oliver recomprou as franquias de seu restaurante na Austrália

21 de novembro de 2016

O sistema de franquia é um dos modelos mais revolucionários de negócio, mas é também cheio de desafios. E de dissabores, que podem atingir tanto franqueados, como franqueadores – mesmo os mais famosos.Que o diga o talentoso e multimídiatico Jamie Oliver: conforme notícia que passou desapercebida no Brasil, o chef-celebridade inglês teve que recomprar suas franquias de restaurantes na Austrália, após o fracasso da operação local.

Oliver fez sociedade com um grupo investidor australiano chamado Keystone, franqueando a sua marca de restaurantes Jamie’s Italian. Abriram unidades em várias cidades, mas os resultados não apareceram, fazendo o grupo local entrar em dificuldades financeiras.Para evitar maiores desgastes a sua marca, o carismático chef teve que pegar dinheiro emprestado para cobrir as dívidas de 80 milhões de dólares australianos (aproximadamente R$ 198 milhões), pagar as dívidas e assim assumir a própria operação.

Conforme jornais locais, Jamie agora está avaliando se vende a operação completa de 6 restaurantes (Sydney, Parramatta, Perth, Canberra, Brisbane e Adelaide) para outro grupo investidor, ou se vai vender os restaurantes individualmente para recuperar o dinheiro.

Jamie Oliver tem 42 restaurantes na Inglaterra e 25 espalhados no mundo, incluindo um no Brasil. Um detalhe curioso: a empresa detentora da dívida dos restaurantes Jamie’s Italian na Austrália é um famoso grupo de investimentos de Wall Street chamado KKR, que nesta semana está também nas manchetes econômicas do Brasil por seu envolvimento num negócio mal sucedido com a família Nitzan e a empresa Aceco, que soma prejuízo de R$ 1,5 bilhões e acusações de desvios de dinheiro e suspeitas de envolvimento na operação lava jato. Prova de que o mundo dos negócios não é fácil para ninguém. Nem para as celebridades.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A incrível história do empreendedor cercado de super-heróis

18 de novembro de 2016

“Pai, quero ser músico…”

“Você está de brincadeira… Investimos muito em você, pagamos um colégio caro e você quer ser músico…” – diz o pai.

E, assim, aos 17 anos, Pierre Mantovani saiu de casa para viver de música. Mas todo final de mês pedia um dinheiro para a mãe para fechar as contas. Pouco tempo depois, estava de volta à casa dos pais. Foi fazer faculdade de engenharia elétrica e a música virou hobby.

Mas era inquieto, matava aulas e só aparecia para fazer as provas em algumas matérias. Entre uma ociosidade e outra, desmontava e montava computadores e aprendeu a programar e foi se meter em algo que era totalmente inovador para a época: webdesign.

Estava no último ano da faculdade quando, do sótão da sua casa, fundou a Tribal, uma então chamada agência de webdesign. Fazia homepages e banners para empresas. Era 1998 e qualquer site visualmente bem desenhado era um grande objeto de desejo das empresas que ainda dependiam do FrontPage para fazer algum ajuste no texto, imagem ou algum botão. Aquele jovem meio rebelde e recém-formado começou a fazer trabalhos para um grande banco norte-americano, o Citibank. Depois, vieram Telefonica e Telesena.

Em 2000, quando o Cadê, Fulano, hpG e Humortadela faziam sucesso, Pierre trouxe alguns amigos para dentro da sua empresa para criarem o Omelete, um portal sobre quadrinhos, cinema, vídeo, música e games. Era mais um hobby para falar do sucesso do Digimon, relembrar o Batfino ou falar da Angelina Jolie como Lara Croft. Mas, no ano seguinte, em 2001, o jovem já não tão rebelde e agora executivo passou a prestar serviços para a construtora Tecnisa e o seu santo bateu com o diretor de marketing Romeo Busarello, que pedia projetos digitais cada vez mais inovadores. Isso abriu outras portas, e a Tribal passou a atender Caixa Econômica Federal, ONU, Roche, Jeep, Dodge, Chrysler, Philips, Microsoft, Natura, tornando-se uma das principais agências de marketing digital do Brasil em 2008, quando foi comprada pela Publicis, na época, o terceiro maior grupo de propaganda mundial.

Ficou pouco menos de dois anos na Publicis, como previa o contrato, e saiu para fazer o que mais gostava… empreender. Criou uma empresa de investimento, investiu em algumas startups, mas o que o mais motivava agora era fazer só coisas que gostava muito. Geek e nerd assumido, foi passar um tempo no Omelete e foi convidado para assumir a direção geral do negócio. Teve a ideia de acrescentar comércio eletrônico no site já que muitos fãs brasileiros não tinham como comprar itens colecionáveis dos seus filmes, séries, games e desenhos favoritos e fundou a Mundo Geek em 2012, agora o maior e-commerce de super heróis do Brasil.

Mas com o Omelete aumentando sua audiência, com mais de seis milhões de fãs e o Mundo Geek crescendo em faturamento mês após mês, veio a ideia de trazer para o mundo físico o que só existia no mundo virtual. E em 2014, Pierre Mantovani criava sua quarta empresa de sucesso, a Comic Com Experience ou apenas CCXP. Já na primeira edição um susto. Quase 100 mil visitantes. O maior público do Brasil para um evento em sua estréia. Nem mesmo o mais otimista dos apoiadores ou patrocinadores imaginava que super-heróis poderiam atrair tanto público. No ano seguinte, novo susto, 142 mil visitantes, todos pagantes. E o público esperado para o CCXP deste ano é de 180 mil visitantes.

Mas a incrível (e desconhecida) trajetória de Pierre Mantovani não é um fato isolado no Brasil. Diversos novos empreendedores estão tendo sucesso no nascente mercado de entretenimento brasileiro. Enquanto lá fora Walt Disney, George Lucas ou Edwin Catmull (Pixar) já se consagraram como exemplos de talentos artísticos que viraram grandes negócios, no Brasil poucos conhecem Juliano Prado e Marcos Luporini (Galinha Pintadinha) ou Kiko Mistrorigo e Célia Catunda (Peixonauta, O Show da Luna).

Por isso, uma das preocupações do Pierre Mantovani no CCXP é também fomentar o empreendedorismo na indústria de entretenimento brasileiro. E neste contexto, criou a Unlock, um evento que ocorre no início da CCXP só para fomentar novos negócios, inclusive para os musicais. Afinal, músico que não é empreendedor atualmente só tem um hobby…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação no Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP

Quando a especialização é a melhor estratégia

16 de novembro de 2016

Se você pensa em vender pela internet mas ainda não sabe exatamente o que ofertar, uma dica: invista em produtos ou serviços de um segmento que, de preferência, você conheça muito bem. Mesmo que a quantidade de consumidores pareça pequena. Digo “pareça” porque temos a tendência a achar, incorretamente, que apenas produtos muito conhecidos são buscados pelos consumidores. Mas, na internet, há consumidores para todo tipo de produtos.

A estratégia de iniciar um negócio com foco em uma especialidade – ou nicho – via Internet pode te ajudar a alcançar diversos consumidores espalhados pelo país que buscam por produtos que não são encontrados nos grandes shoppings ou magazines. São consumidores que formam o que chamamos de cauda longa – ou seja, uma demanda distribuída em todos os cantos do país que se interessa por produtos específicos que não são oferecidos pelos grandes lojas. Ao invés de oferecer um pouco de tudo, a estratégia de nicho é oferecer “tudo de um pouco”.

O e-commerce de nicho tem milhares de exemplos de sucesso. Vemos alguns exemplos desse sucesso no Mercado Shops, plataforma de lojas virtuais do Mercado Livre; como o caso do vendedor de nozes da Índia; há ainda aqueles que trabalham com peças colecionáveis; fantasias para crianças e tantos outros.

Há diversos nichos no e-commerce que podem, inclusive, se dividir em sub-nichos. Na categoria de Pets, você pode se especializar em produtos para veterinários, por exemplo. No nicho de Moda, há uma crescente demanda por produtos “plus-size”. Em Casa e Decoração, você pode se especializar em papéis de parede, em tapetes, cortinas ou em artesanato para casa, como em estampas de tecido para almofadas ou estofamentos de móveis. Se você gosta de música e tem preferência por Jazz, especialize-se em produtos deste gênero. Na internet, sempre haverá consumidores pesquisando por algo que você entende e pode vender.

Após decidir o nicho, adquira o hábito de pesquisar os melhores fornecedores deste setor e se atualizar sobre as últimas tendências de consumo.  E não se esqueça de oferecer um atendimento ao cliente que corresponda à qualidade dos seus produtos, conquistando credibilidade e confiança dos consumidores. Vai dar trabalho no início, mas você poderá se tornar referência para milhares de pessoas. Boa sorte!

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.