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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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As lições de Disney para ser um bom marido e pai e daí, um grande empreendedor!

28 de novembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Muitos empreendedores casam-se com suas empresas. Outros consideram seus negócios como filhos únicos. Assim, seus verdadeiros cônjuges ou filhos vão perdendo espaço em suas vidas até o ponto em que a relação tempo e espaço deixa de existir. Desta forma, não raro, empreendedores apelam para o divórcio porque não conseguem levar dois casamentos em frente e ainda pedem desculpas a seus verdadeiros filhos por não tê-los vistos crescer, seja por meio do pedido em si ou oferecendo recompensas quando já estão crescidos.

Mas sucesso financeiro no futuro não compra a chance de ter sido mais feliz no passado. E muitos empreendedores descobrem isto quando seu sucesso estará incompleto para sempre.

Por esta razão, a trajetória de Walt Disney se torna ainda mais encantadora.

Mesmo diante dos altos e baixos, ele e sua esposa Lillian conseguiram manter um casamento feliz até seu falecimento em 1966. Ela, ao final da sua vida, declarou que não trocaria um minuto sequer da vida maravilhosa que teve ao lado do pai do Mickey. E isto porque Lillian não gostava do seu entusiasmo, da sua genialidade e suas criações. Certa vez, uma de suas amigas disse que Disney era um gênio e ela, grosseiramente respondeu com uma pergunta: “Que tal se você fosse casada com um? “.  Mas no fundo, ela era possessiva e ciumenta. Mas tinha ciúmes mesmo do Mickey, um personagem que ela própria tinha ajudado a criar. Quando criou o ratinho, Disney iria chama-lo de Mortimer, mas foi sua esposa que o convenceu que Mickey Mouse teria uma melhor aceitação do público. Agora, com o sucesso do seu filho, vinha perdendo a atenção do marido. Nunca aceitou isso direito. Disney, por sua vez, tentava atender a todos os seus desejos. Também sempre fez questão de manter ajudantes em casa para que Lillian tivesse mais tempo para ela, para ele e depois para as filhas. E Walt Disney sempre a admirou pelo esforço que ela fazia em manter a família feliz.

Se sua esposa o ajudou a criar seu maior personagem, suas filhas, Diane e Sharon, o inspiraram a criar a Disneylândia. Quando eram pequenas, Disney fez questão de não ter nada em casa que remetesse ao seu império. Dentro de casa, queria ser um grande pai como qualquer outro. Tanto que sua filha Diane, só descobriu que Disney era o Walt Disney aos seis anos. Diante da descoberta, sorriu e pediu um autógrafo. Mas antes disso, Disney corria com as meninas pela casa, brincava na piscina, carregava-as no ombro. “Eu achava que meu pai era o homem mais forte do mundo e o mais engraçado também” – recordou certa fez Diane, sua filha mais velha. À noite, fazia questão de ler para as filhas e, depois, passou a levá-las para brincar no estúdio. Nos finais de semana, iam sempre ao parque de diversão da cidade. “Aqueles foram alguns dos dias mais felizes da minha vida. Elas eram apaixonadas por seu pai.” – lembrou Disney.

E foram nestas visitas ao parque que começou a surgir a ideia da Disneylândia. Disney achava que o parque era sujo, confuso e por vezes, inseguro. Por que não criar um parque de diversões limpo, inspirador e muito seguro a partir dos seus personagens para as suas filhas? E por que não dividir este sonho com outras famílias e suas crianças?

Visto desta forma, Walt Disney só foi um grande empreendedor porque também tentou ser um marido e um pai dedicado. Isto aconteceu porque teve a capacidade de criar um negócio assim e as tomar as decisões que permitissem isso.

Um homem jamais deve negligenciar sua família em favor do seu negócio.” – sempre foi um dos seus principais lemas de vida e negócio.

Agora é vida ou morte!

27 de novembro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

Confesso que para o assunto do post de hoje fiquei na dúvida de escrever ou não. Acho que o fato de vocês estarem lendo essas palavras iniciais já diz que, sim, resolvi escrevê-lo =)

A Carbono Zero Courier completou no último Sábado, dia 22 de novembro, quatro anos de vida! Ueba! Foi em uma segunda-Feira, 22/11, que no ano de 2010 iniciamos nossas atividades. Reparem a inocência, começamos um negócio praticamente um mês antes do fim do ano(?)..hahaha.

Negócio esse que – como a maioria – sofre queda de movimento nessa época. A ideia em si nasceu cerca de um ano e meio antes. Ok, agora vocês já sabem dos quatro anos.

Nesse último final de semana aconteceu a Shimano Fest, um evento organizado por uma das mais conhecidas empresas do ‘mundo da bike’ e, para minha surpresa, eles também trabalham com produtos para pesca. Neste ano, a novidade da organização foi um congresso sobre mobilidade, impulsionar o lançamento do ‘Protocolo Sorocaba’ (aguardem mais novidades em breve).

E eles nos convidaram para o painel de ‘cases’ de sucesso da iniciativa privada, ou seja, empresas que atuam com mobilidade e ‘deram certo’. Como seria um bate papo, no dia inaugural de uma feira, imaginei que seria melhor não preparar nada muito formal (leia-se power point). O congresso aconteceu no dia 21 (sexta), um dia antes do nosso aniversário de quatro anos! Queria comentar isso em minha apresentação e não só falar do case de sucesso da empresa por trabalhar com mobilidade, com bicicleta, mas também pelo simples e concreto fato de completar quatro anos. Afinal, não precisa ter muita informação para entender que tem muita empresa que nasce e morre sem nem mesmo completar esses quatro anos.

É uma conquista!

Bem, fui pesquisar as estatísticas do SEBRAE, sabia que eles tinham a informação de que eu precisava. E o que era? Taxa de mortalidade das pequenas empresas no Brasil. Queria saber se estamos contrariando as estatísticas! Vamos a doída história, 50% das empresas morrem em quatro anos.

Isso mesmo!

Observando a pura estatística, metade das pequenas empresas brasileiras padecem antes de completarem seus quatro anos de idade. Não estou entrando no mérito das razões, mas é um número bem alto. Confesso que não foi fácil chegar até aqui. Bastante turbulência, muitos aprendizados, erros e acertos, mas dá uma alegria de ler essa estatística e saber que o seu empreendimento está ‘vivo’ é muito bom.

Não sei se estaremos vivos para completar os cinco anos, mas – por hora – vamos saborear esse aniversário! Dizem que as estatísticas são ainda piores para cinco, mas um passo de cada vez =)

Um abraço, Rafael

A visão de um norte-americano sobre o Brasil: ‘Falar em dinheiro muitas vezes parece pecado’

26 de novembro de 2014

- Hey, my name is Leo and welcome to Santa Cruz do Rio Pardo.

Na semana passada, recebemos em nossa fábrica a visita da equipe da Brazil-Florida Chamber Of Commerce,  com a presença de seu presidente e de alguns ‘deputys officers’ para conhecer nosso projeto De Cabrón. Isso mesmo, aqui no velho oeste paulista.

Mas como isso aconteceu?

Tudo começou com a iniciativa do Viking Network (aquele competente grupo fundado em Bauru, que tem a responsabilidade de fomentar o empreendedorismo como forma de melhorar nossa sociedade e do qual tenho orgulho em ser membro). Em uma de suas missões internacionais para o fomento de novas oportunidades, André Bianchi, co-fundandor da Viking, conseguiu a aproximação com essa organização.

E, de lá pra cá, a sintonia tem sido cada vez maior. Na noite anterior ao nosso encontro, a Associação Comercial de Santa Cruz do Rio Pardo promoveu uma palestra do professor dr. Richard Griffth, da Florida International Business School, na qual contou um pouco de seu trabalho e como poderia nos ajudar, enquanto empresários e possíveis exportadores. Basicamente, Griffth é um apaixonado por conhecer culturas e como cada uma delas influencia a forma de se fazer negócios pelo mundo afora. Ele é, sem dúvida, um grande especialista no assunto.

“Brasileiro tem uma relação com o dinheiro de uma forma diferente da nossa, norte-americanos”, disse Griffth, em um certo momento de sua apresentação. E Jefferson Michaelis, presidente da BFCC, arrematou: “Nos Estados Unidos, começamos uma apresentação da empresa falando sobre os lucros. Por aqui, falar em dinheiro muitas vezes parece pecado”.

Sem dúvida, falar em dinheiro por aqui parece pecado. Em via de regra, se você ganha ou tem sucesso, é porque passou alguém pra trás, sonegou ou explora as pessoas. Conseguir acumular recursos é muito mais complexo do que isso. Tem a ver em saber lidar com a falta. Felizmente, não vivemos nenhuma guerra e nem tivemos que reconstruir nossa sociedade. Felizmente, nosso solo é extremamente fértil. Felizmente, não nos falta água. Ou melhor, não nos faltava. Desde a chegada de Cabral, sempre nos sobraram recursos.

Então a culpa é de quem? Muito provavelmente, é de nossa cultura e de nosso modelo de civilização. Da forma como as coisas por aqui foram construídas e dos princípios que nos orientaram. Nossa democracia é recente. O Brasil, enquanto sociedade capitalista, ainda é um bebezinho, de fraldas, sem dentes e que come papinha pronta. A prevalência do pensamento católico contribuiu muito com isso. Nessa vertente, bens materiais e dinheiro são pecado. Na verdade, dinheiro pode te fazer pecar. Com luxúria? Mas será mesmo? Será que não está na hora de trabalharmos esses conceitos em nossos grupos e desmitificarmos tal paradigma?

Pois, se queremos expandir fronteiras e conquistar nossos horizontes, a hora é essa. Porque, na terra do Tio Sam, money talks, hermano.

O quanto você ficaria deprimido com o fim do seu negócio?

25 de novembro de 2014

O quanto você ficaria deprimido com o fim de um negócio de absoluto sucesso ao redor do mundo? O quanto você reuniria de forças para recomeçar tudo de novo? Paul McCartney deveria, inconscientemente, se fazer essa pergunta todos os dias no começo da década de 1970. Os Beatles tinham fechado as portas. E tanto Paul quanto seus ex-companheiros de banda se viam sem saber exatamente o que fazer.

Mais do que isso. Eles estavam envolvidos em uma briga sem precedentes – pelo menos na história do rock – em relação ao dinheiro e a ‘empresa Beatles’, personificada pela Apple. O fim do grupo e essas brigas transformaram Paul em um sujeito deprimido, que bebia e fumava maconha demais.

É exatamente esse o ponto de partida de ‘Man on the run’, livro lançado faz pouco tempo no Brasil e que relata a trajetória de Paul durante os anos 1970. O relato de Tom Doyle é um registro interessante para os fãs guardarem – não há necessariamente alguma novidade na história -, é uma bela reportagem para os leitores ávidos por textos de qualidade e, para os empreendedores é uma ótima pedida para que eles aprendam que, por mais que você se esforce, nenhum negócio poderá ser só seu para sempre.

Mas o livro apresenta mais do que isso. O empreendedor mais atento perceberá ali todos os passos para recomeçar, quase que como um ‘passo a passo’, Doyle vai mostrando como o artista se recuperou, como decidiu montar uma nova banda, como foi reconstruindo, dia após dia, sua carreira.

Serviço
Man on the run – Paul McCartney nos anos 1970
Editora: Leya
352 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e, como vocês devem ter percebido, é também muito fã dos Beatles.

Onde o funcionário tem mais voz: na grande ou na pequena empresa?

25 de novembro de 2014

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira

No começo da semana passada, tivemos a honra de participar como palestrantes da edição blumenauense da Semana Global de Empreendedorismo. Em certo ponto, começamos a argumentar os motivos que nos levaram a trabalhar por tão pouco tempo, pouco menos de um ano, como colaboradores do Grupo Schincariol, logo após vendermos a Cervejaria Eisenbahn para eles, em 2008.

Tivemos dificuldade para lidar com os trâmites de uma empresa onde tudo precisa ser analisado e aprovado por diretores, gerentes, etc. Quando você tem uma pequena empresa, pode tocar as coisas da maneira que acredita ser melhor, sem delongas.

Então, um jovem na plateia nos pegou de surpresa com uma pergunta simples: “como funciona isso nas empresas de vocês?”. Começamos a nos questionar, revelando ali mesmo, diante de todos, nossas dúvidas. Será que damos espaço e liberdade para nossos funcionários serem criativos e pró-ativos? Será que permitimos que eles tenham o máximo de agilidade? Será que os deixamos tomar decisões sem que antes tenham que nos consultar?

Um empreendedor normalmente tem opiniões firmes, sabe exatamente o que quer e como quer. É algo intrínseco ao perfil empreendedor. O problema é que, desse jeito, muitas vezes ele acaba deixando de ouvir boas ideias, de abrir espaço para os funcionários debaterem e revelarem todo seu potencial. Numa grande empresa, apesar de as decisões serem mais longas e demoradas, as pessoas tendem a ter mais voz e mais poder de decisão.

O equilíbrio é, como sempre, o melhor caminho. Percebemos, depois de tantos anos empreendendo, que a experiência (ou seja, a idade) vai nos deixando menos ansiosos, mais flexíveis, e acabamos ouvindo mais os outros. Lembramos da época da Eisenbahn: éramos jovens e bastante certos das nossas posições. Queríamos resolver tudo do nosso jeito. Aos poucos, e cada vez mais, vamos aprendendo: nem sempre estamos certos. Que bom, para nós, para quem trabalha aqui com a gente e para a perenidade do negócio!

Desenvolvimento do cliente: modelo para criar produtos e serviços que geram valor

24 de novembro de 2014

Menta90 (Marcelo Pimenta) é professor da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium

Não basta mais desenvolver o produto, em segredo, torcendo que quando ele seja lançado, obtenha sucesso. Ou confiar nas pesquisas de mercado. Ou ainda acreditar  que “se fez sucesso lá fora, vai funcionar aqui”.

Empreender hoje exige a busca pela diferenciação através de um modelo de negócio inovador. Se o modelo é inovador, significa propor algo novo, logo não se tem certeza se vai agradar. Por isso é importante que seja validado antes de ser lançado, num processo de experimentação e ajustes. A ideia chave é que não basta desenvolver o produto, é preciso também conhecer e fazer o produto certo para um segmento específico de clientes (daí é que vem o termo em inglês customer development, ou, em português, desenvolvimento do cliente).

O conceito do Desenvolvimento do Cliente foi publicado por Steve Blank no livro “The Four Steps to the Epiphany: Successful Strategies for Products that Win,” (K&S Ranch Press) em 2005. O livro foi traduzido para o português com o nome Do Sonho à Realização em 4  Passos – Estratégias Para Criação de Empresas de Sucesso, publicado pela Editora Évora em 2012.

Blank acredita que o empresário não pode apenas confiar na intuição quando for criar novo negócio. É preciso validar o modelo de negócio, cocriando valor com o cliente em um processo de iteração.  Hoje esse conceito faz parte da caixa de ferramentas do “novo jeito de empreender”: canvascustomer development, startup enxuta, design thinking e formas inovadoras de financiamento.

Entendo que o Desenvolvimento do Cliente não é útil apenas a quem quer criar o novo Facebook ou outro produto de alcance mundial – mas a qualquer um que quer aprender a ter um negócio que dê certo – desde que esteja disposto a experimentar e fazer ajustes na ideia original ao longo do caminho, até chegar ao ponto de como esse negócio deve ser.  Como já se sabe que errar faz parte do processo, então passamos a considerar que o importante é errar o mais rápido possível, aprendendo o máximo no menor período de tempo e gastando o mínimo de recursos financeiros.

A abordagem está estruturada em duas fases, cada uma com dois passos, conforme figura abaixo.

A primeira fase trata da Busca pelo Negócio – onde o mais importante é o processo de iteração em busca da aprendizagem e da descoberta de se o negócio existe mesmo (ou não passa de ilusão ou hipótese não confirmada).   Passar por essa fase sem “auto-engano” significa economia de dinheiro, de tempo e permite um pensar em um crescimento planejado para o negócio.

Essa fase é composta por dois passos:  1. Descoberta do Cliente e 2. Validação do Negócio. Percorrer esses dois passos exige optar por um caminho não linear. Por um caminho de idas e vindas. De verificação de hipóteses (as que foram criadas no modelo de negócios), de descobertas e, na maioria das vezes, de necessidade de mudanças e ajustes nas suas ideias iniciais (cada um desses passos será detalhado nas próximas duas semanas).

Por exemplo, você pode imaginar que seu negócio é uma loja de roupas (venda de produtos) mas talvez a oportunidade seja de ateliê de costura (serviços). Portanto, não abra nem formalize seu negócio até vencer a primeira fase.   Isso reduz riscos, tanto quanto à implantação do negócio quanto no desperdício de recursos.

As hipóteses que estão no modelo de negócios, nesse momento, são apenas ideias (vindas da criatividade do empreendedor, de um modelo que deu certo lá fora, de aproveitar uma oportunidade ainda não foi explorada ou mesmo da combinação de diferentes modelos que deram certo). Como toda hipótese, precisa de ser confirmada. É preciso entender que até o CLIENTE perceber e confirmar o valor das hipóteses não há chance de sucesso.

A segunda fase trata do Crescimento do Negócio e também possui dois passos: 3. Gestão do Negócio e 4. Crescimento da Empresa.  É nessa fase que se trabalha o plano de negócios e se formaliza a empresa para que ela comece a funcionar.

Mas é na primeira fase que se está a grande sacada desse modelo. Por isso, na próxima semana, vou abordar com mais detalhes o primeiro passo: a descoberta do cliente, e, no dia 08/12, a validação do negócio. Tenho certeza que vale o aprofundamento, pois essa ferramenta pode ser a diferença entre a frustração e a oportunidade de construir um negócio lucrativo e sustentável.

Empreendedor: Na dúvida, vá com Deus

21 de novembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Parece trivial mas está muito longe de ser. Blue Ribbon é um bom nome para uma marca de tênis? E você compraria um produto eletrônico da Seikikōgaku? E a Shwayder teria dominado o mercado de malas ao redor do mundo?

No momento da escolha do nome da empresa, muitos empreendedores apelaram para os deuses.  Em 1910, Jesse Shwayder, até então vendedor de malas, decidiu criar sua própria empresa no ramo e a chamou de Shwayder Trunk Manufacturing Company.

Muito religioso, deu o nome de Samson a uma de suas malas, em homenagem ao personagem bíblico Sansão. Poucos sabiam pronunciar o nome da empresa e menos pessoas ainda se lembravam da sua marca. Mas a grande maioria se interessava pela Samson, que se tornou ícone de mala forte, resistente e depois, pela Samsonite, o novo nome da empresa, sabiamente alterado por Shwayder.

Mesmo não conhecendo Shwayder, os primos Antônio Lourenço da Silva e Mário Santiago também gastavam seus neurônios para encontrar um bom nome para o produto que pretendiam lançar no Brasil em 1930. Inspirando nos sabonetes de luxo que encontravam na Europa, os imigrantes portugueses queriam lançar um produto tão bom quanto os europeus e que ao mesmo tempo irradiasse energia quando fosse usado. Por isso acreditaram que Phebo, o deus do Sol na mitologia grega, era o nome iluminado que estavam buscando.

Na mesma época, Takeshi Mitarai e seus sócios começaram seu negócio como outras tantas empresas japonesas. A ideia inicial da Seikikōgaku Kenkyūsho, ou traduzindo para o português, Indústria de Precisão Ótica era copiar as câmeras alemãs Leica. E também como outras empresas japonesas da época, começaram a nomear seus produtos com nomes que pudessem ser, pelo menos, lidos no ocidente. A inspiração também veio de personagens mitológicos. A primeira câmera da empresa foi chamada de Kwanon, deusa budista da misericórdia. Com o sucesso inicial, facilitaram a pronuncia, simplificando o nome para apenas Canon.

Por essas e outras histórias, Phil Knight sabia que Blue Ribbon (fita azul) não era um nome vencedor para os seus tênis. Quando criou a empresa em 1964 junto com seu técnico de corrida, Bill Bowerman, Blue Ribbon era o nome que, rapidamente, tinha passado para o seu fornecedor japonês de tênis, a Onitsuka (atual ASICS de Anima Sana In Corpore Sano) no primeiro pedido de compras. Mas depois, os empreendedores tomaram a decisão (considerada uma das melhores de todos os tempos na administração) de mudar o nome da empresa para Nike, em homenagem a deusa grega da vitória.

Mas só colocar nome de deuses na empresa ou produtos não adianta já que santo de casa não faz milagres. O milagre só ocorre quando a empresa fabrica grandes produtos para clientes exigentes.

Antes de pensar no nome, pense no que isto representará em termos de valores, crenças e atitudes do seu negócio. Não use nenhum santo nome em vão a não ser que pratique verdadeiramente o Namastê: O deus que habita no meu coração, saúda o deus que habita no seu coração.

 

Confiança e relacionamento, os legados de Samuel Klein para os empreendedores

20 de novembro de 2014

Bruno de Oliveira, especial para o Estado

Fundador das Casas Bahia e um dos primeiros empreendedores que ajudaram a fortalecer o varejo do País, Samuel Klein, faleceu nesta quinta-feira, 20, aos 91 anos.

Sua passagem pelo mercado, contudo, vai além da aposta em vendas para a classe C, que marcou sua gestão à frente da empresa. Klein também deixa como legado lições de empreendedorismo valiosas para pequenas e médias empresas.

Segundo Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo no instituto Insper e um dos colaboradores deste blog, o relacionamento estreito e de confiança que o empresário mantinha com seus fornecedores e colaboradores é um exemplo de gestão a ser seguido pelos empreendedores atuais.

“Samuel Klein tinha uma espécie de relação humana com seus funcionários e, sobretudo, com seus fornecedores. Para ele, preço final era importante, mas as negociações também tinham de ser vantajosas para quem fornecia”, diz Nakagawa. “Ele não tinha o hábito de espremer o fornecedor e isso fortaleceu parcerias que depois se tornaram um sucesso”, completa.

Evitar exercer pressão nas negociações com a cadeia de suprimentos, segundo o professor, acabou sendo o diferencial competitivo das Casas Bahia no mercado e acabou alçando a empresa por muito tempo ao posto de maior varejista do país, desbancando redes que hoje não existem mais, como G. Aronson, Mesbla e Lojas Brasileiras.

“As empresas que concorreram durante muitos anos com as Casas Bahia tinha uma característica em comum que era o hábito de espremer as margens do fornecedor, o que dificultava as vendas. Isso acabou contribuindo para o enfraquecimento delas no mercado, entre outros fatores”, explica o professor.

Essa característica que marcou a gestão do fundador da empresa, no entanto, acabou se perdendo entre as novas práticas de mercado adotadas pela companhia a partir de 2009, quando houve a fusão da empresa com o Grupo Pão de Açúcar, negócio que criou o maior conglomerado varejista do país.

Criar um modelo de negócio cujo pilar era a base da pirâmide da economia também pode ser considerada uma lição deixada por Klein aos empreendedores.

O valor deste exemplo, entretanto, não está em vender apenas para clientes de baixa renda – faixa pouco atendida pelo varejo em meados do século passado – mas em conhecer a fundo que é o cliente e suas reais necessidades.

“Ele foi o pioneiro do conceito de design thinking antes de virar moda. Estudar o cliente permitiu às Casas Bahia criar o sistema de vendas por crediário e em várias parcelas, porque era isso estava alinhado ao perfil de seus clientes”, diz Nakagawa.

Veja o legado de Samuel Klein ao empreendedores do país:

1) Cultive o relacionamento com o fornecedor: manter relações e hábitos que vão além do trato comercial com o fornecedor é importante para que se construa um ambiente de confiança entre as partes. Isso é importante porque é o fornecedor quem agrega valor ao seu negócio.

2) Conheça o seu cliente: antes de desenhar qualquer plano de negócio, e até mesmo durante o período de atividade da PME, é fundamental que se saiba quem é e quais as necessidades dos seus clientes. Isso ajuda em ajustes na gestão do negócio e no desenvolvimento de novos produtos e ações.

3) Inove em mercados novos: Samuel Klein chegou no Brasil com sua família e US$ 6 mil, montante que usou para comprar aquilo que seria o embrião das Casas Bahia, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Mais do que apostar em um país novo, Klein inovou e criou um modelo de negócio inédito em um mercado ainda incipiente – o crediário.

 

Como a série Star Wars pode lhe ensinar a ser um empreendedor melhor

20 de novembro de 2014

Semanas atrás estava eu navegando pela internet e procurando notícias, artigos e materiais que pudessem me trazer alguma informação, que gerasse alguma reflexão ou qualquer coisa do gênero. Essa atividade pode parecer ‘perda’ de tempo, mas não é.

Muitas vezes ideias surgem quando estamos fora da nossa atribulada rotina. Me deparei com um artigo (em inglês) muito interessante que fala de como o autor aprendeu sobre produtividade com o filme. Como ele aprendeu a ‘ser melhor’ absorvendo lições (são sete no artigo) desse clássico e religioso (sim, Jedi é considerada uma religião em alguns países) filme.

Vou aqui compartilhar com vocês, pois algumas fazem muito sentido:

1) Relaxe quando você não pode fazer nada: tem uma cena no Episódio I – A Ameaça Fantasma, quando o Jedi Qui-Gon Jinn e o vilão Darth Maul estão lutando e no meio da batalha uma porta se fecha e separa a briga dos dois. Veja aqui o trecho. Como eles estão impossibilitados de continuar a briga, o Jedi simplesmente para e se ajoelha, como se estivesse meditando. Enquanto o vilão, ansioso, fica andando de um lado para o outro.

No nosso dia a dia, muitas vezes, nos deparamos com essa ansiedade de fazer algo rápido ou concluir algo, ficando estressados, esperando a porta abrir. Mas é imprescindível simplesmente parar e descansar e não fazer nada quando não há necessidade.

2) Livre-se de coisas que não precisa: Obi Wan vive uma vida simples em seus 40 anos de exílio. Yoda (o mestre Jedi) vive em uma cabana simples depois de perder a batalha para o Império. Ambos ainda conseguiam rir, divertir-se, ficaram saudáveis e conseguiram treinar a próxima geração de Jedis. Eles não precisavam de mais nada, sim é uma ficção, mas quantas coisas não estamos carregando de que não precisamos? E emocionalmente? Aproveite que é fim de ano e faça uma faxina nos seus processos, ‘definições’, vida etc.

3) Pratique o bem: ser bondoso, ter compaixão, praticar o bem…é preciso prática. É muito fácil ir para ‘o lado negro da força’, muitas pessoas só se preocupam com elas mesmas, passam por cima de outras, fazem tudo para que seus empregos e empresas sejam um sucesso, podem praticar pequenos atos de corrupção e se justificarem.

Imagine que se leva 10 mil horas para se tornar mestre em algo. Infelizmente, muitas pessoas podem passar 10 mil horas  sendo estúpidas com outras. Se nas nossas 10 mil horas colocarmos pequenos atos de bondade, compaixão e honestidade o universo vai devolver, acredite. Esse é o banco onde o retorno é infinitamente superior ao investimento =)

4) Priorize sua saúde: em todos os filmes de Star Wars nunca vi um Jedi fora de forma. Com certeza existe uma parte espiritual que ajuda isso (lembra do post da meditação? Não, então clique aqui. Saúde pode não ser tão importante, mas doença é. Doenças afetam a gente não só fisicamente, mas mentalmente, emocionalmente e (acredite ou não) espiritualmente. Afinal, quem consegue gerir o próprio negócio tendo problemas de saúde? Como você consegue ter foco estando em depressão? Meu professor de comportamento do consumidor um dia me disse, “caixão não tem gaveta”. Pois é, simples assim.

5) Cerque-se de outros Jedis: Quando Anakin Skywalker começa a conviver com Darth Sidious (do mal), ele também se torna mal. Veja trecho do filme aqui. Quando você está cercado de pessoas que ‘roubam’ sua energia, fica mais difícil manter-se do lado ‘bom da força’, cerque-se de pessoas que são positivas, honestas, éticas etc. Existe uma frase famosa que diz, ‘Você é a média das 5 pessoas que você mais passa tempo junto”.

6) Abra sua mente: Essa é diferença entre Luke Skywalker e Han Solo. O primeiro está sempre querendo acreditar, se mantém aberto. Se você se encontrar pensando que “Isso é definitivamente desse jeito”, esteja aberto para olhar de uma outra perspectiva. Impasses, barreiras, são somente formas da mente praticar essa abertura. Coloque-se no lugar das outras pessoas e procure entender por que elas pensam da forma que pensam.

7) Acredite que a vida é um ciclo: Luke tem que ver Obi Wan morrer. Han Solo tem que ser capturado por caçadores de recompensa. Anakin tem que ser recrutado quando criança. Qui-Gon tem que morrer. Yoda tem que se exilar. Coisas ruins acontecem. Coisas ruins acontecem em ciclos, mas coisas boas também! Confie que a bondade que você está doando trará retorno. O famoso “a gente colhe o que planta”.

Que a força esteja com você.
Um abraço, Rafael

O segredo sobre conduzir e formar pessoas

19 de novembro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Constantemente, penso sobre a importância de saber conduzir e formar pessoas. Esse tema talvez seja um dos mais nebulosos e insertos dos temas lecionados nas boas universidades.

Capital humano?

Gente certamente não é número e tem uma peculiaridade tão instável quanto as intempéries na cidade de São Paulo (acorda-se no inverno para terminar o dia no verão, após curtir a primavera e o outono durante o intervalo que compõe o que chamamos dia).

Pessoas são um mar de vontades e desejos esperando ser realizados ou esquecidos num piscar de olhos. Como lidar com isso? A habilidade para formar pessoas está diretamente ligada a sua capacidade de inspirar e motivar sua equipe, e claro, se aproximar de seus pupilos.

No dia a dia de uma empresa, a rádio peão sempre vai existir, em maior ou menor grau, mas a capacidade de se aproximar de cada um dos integrantes de sua equipe, de maneira única, é a melhor forma de reduzir a distância e minimizar ruídos que, de modo geral, atrapalham o desempenho de seu negócio. Foi-se o tempo em que, para liderar, bastava ter energia física para chicotear seus escravos.

Nos dias de hoje, virilidade e brutalidade estão sendo substituídas pelas habilidades intelectuais, emocionais e criativas. O líder atual precisa saber liberar a energia mental de sua equipe e transformá-la em ideias viáveis, projetos planejados. Não mais com a mão no chicote, mas com muitos bons exemplos e diálogo. Inspirando-os. Talvez seja por isso que as mulheres estão cada vez mais assumindo a liderança em empresas.

Com uma capacidade de ouvir ímpar e intuição aguçada, as mulheres possuem sensibilidade para envolver e motivar equipe de uma forma emotiva e cativante. Homens, vocês têm muitas coisas a aprender com elas.

Mas há exceções.

Tenho alguns amigos empresários que me inspiram – e me ensinam – pela forma de criar um conexão próxima com a equipe. Trabalham as relações de modo que aquela linha tênue entre patrão e empregado deixa de existir e torna-se amizade e respeito. Nessa esfera, criam-se relações duradouras, equipes com desempenho maior e uma cumplicidade que vale mais do que qualquer valor na conta bancária. Um dia quero conseguir alcançar tal habilidade como alguns amigo que tenho e convivo, como o Daniel Bettin, que em meia hora de papo é capaz de contar histórias de funcionários e parceiros que negócios que misturam amizade e o profissionalismo de forma admirável.

Para exercer liderança é necessário compreender o outro e as filigranas que compõem cada indivíduo. Domenico de Masi, sociólogo italiano contemporâneo, já alertava, nos anos dois mil, sobre as mudanças na forma de trabalho e suas nuanças e paradigmas. Para quem não conhece, vale a leitura, sobretudo o “Ócio Criativo” (Sextante, 2000) e “O Futuro Chegou” (Casa da Palavra, 2014), este lançado recentemente no Brasil.

Para você que é patrão, por mais que seja difícil, tente se aproximar de sua equipe. Crie uma legião de leais escudeiros. Assim você conseguirá atravessar as grandes guerras de forma mais fácil e com menor número de baixas. E para você que é funcionário, patrão não é inimigo não. Trabalhar não é um grande sacrifício. O trabalho não é coisa do diabo. Se você acha isso está na hora de repensar sua vida. Seja honesto com você.