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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Para empreendedor, o equilíbrio na vida está na gestão do desequilíbrio

14 de janeiro de 2019

 

Ivan Bornes *

Essa é a história fascinante de Flávio Peralta, vice-presidente da MultiCrédito – considerada a maior plataforma de análise de crédito, antifraude e big data para varejo do Brasil – e apaixonado pela atitude positiva. Flávio é hiperativo, curioso, inquieto e escolheu ser empreendedor dentro da empresa que o contratou, onde entrou como vendedor, na filial de Porto Alegre, para hoje ser sócio e VP instalado em São Paulo.

Além de desenvolver produtos e ideias, Flávio viaja o Brasil montando equipes comerciais, palestrando e motivando pessoas em busca de resultados. E ainda escreve o blog Energia para Voar e compartilha frases e pensamentos no site Pensador.

“Os motivos para você agir não estão lá fora, eles estão dentro de você. Olhe para dentro, sinta e decida o que precisa mudar, o que vai fazer para ter a vida que escolheu”

Flávio Peralta (no canto inferior à esq.) com equipe de treinamento. Foto: Flávio Peralta

 

Flávio, me fale um pouco do exemplo familiar nas suas escolhas.

Venho de uma família de empreendedores, meu pai e meu tio eram donos de uma distribuidora de bebidas em Bagé (RS), onde eu nasci. Conheci desde sempre uma empresa por dentro e o comportamento de um empreendedor em casa, naquela época sem compreender qual o impacto, mas vivenciando as ausências e urgências. Sempre acreditei que o modelo seria ter uma empresa, criar empregos, fazer as escolhas, ter flexibilidade, autonomia para decidir e ajudar outros a construir suas vidas.

E você começou a empreender cedo?

Eu segui o mesmo ramo da família, com distribuição de bebidas, e para aproveitar a cadeia de transporte abri uma distribuidora de alimentos – o que hoje pode ser considerado como loja de conveniência – usando o estoque. Depois, aproveitando esses negócios, abri com um sócio um fast-food que, pela inovação na forma de trabalho e atendimento, rendeu um prêmio “homem do ano” em Bagé. Isso aos 22 anos. Foi me dando mais motivação. Ainda tive uma serigrafia e um estúdio fotográfico.

O que o empreendedor faz de diferente?

Eu acredito que o empreendedor tem a capacidade de visualizar uma ideia e a transformar em negócio. O empreendedor possui em seu DNA uma vontade maior de mover as coisas à sua volta, tem uma inquietude com status quo e uma disposição para correr riscos maiores, se for para transformar uma visão em algo que funcione. É possível sentir na conversa e no contato com um perfil empreendedor que tudo pode ser uma oportunidade para mudar algo que já existe, melhorar ou criar algo melhor.

“Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que ‘o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio’. Gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção”

Como a família se encaixa no dia a dia puxado de viagens e reuniões?

A família é uma parte importante da vida do empreendedor, o apoio, o porto onde o empreendedor recarrega suas energias para continuar a saga de construir algo melhor. E, se for inserida nos negócios, deve ser de forma profissionalizada.

Como são os dias e as noites de um empreendedor corporativo?

Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que “o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio”. Ou seja, como empreendedor seu dia possui mais do que 24 horas, as viagens são intermináveis, algumas horas de lazer viram negócios e muitas noites de reflexão viram conversa em família. Portanto, gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção de tempos em tempos. Como diz um amigo: “work hard and have fun” (trabalhe duro e divirta-se).

Quais são os planos para o futuro?

Hoje nossa empresa atua no mercado de crédito ajudando outras empresas a crescerem e a desenvolverem seus negócios. De forma direta e indireta, estamos fomentando e apoiando o desenvolvimento de empreendedores, seja um empresário que quer vender mais, seja um consumidor que quer realizar um sonho, pois garantimos que as vendas sejam seguras e proporcionamos ingresso no mercado para quem não é “bancarizado”.

No futuro, vamos continuar a desenvolver soluções para o crescimento das vendas e segurança aos nossos clientes, por outros meios e outras tecnologias, pois há um enorme espaço para inovar na área de fintechs, insurtechs e creditechs.

Quais dicas você dá aos que estão chegando agora?

Acredite na ideia que você está vendo e desenvolva um plano. Teste seus argumentos, seu produto. Vá a campo, mesmo que o mundo à sua volta continue a chamar você de “louco”. Estude e busque conhecimento para cuidar dos seus pontos fracos. Avalie os riscos e, principalmente, parta para a ação! O trabalho nunca acaba, sempre poderá ser melhor.

Qual o futuro do Brasil?

Acredito que o crescimento do Brasil deverá acontecer com o desenvolvimento do empreendedorismo, pois novas tecnologias, conhecimento disponível, visão de parceria e ambientes colaborativos, somados a novas leis e aos incentivos econômicos, criam o melhor ambiente para o empreendedor desenvolver a sua visão diferente do mundo.

“Quando surgirem os obstáculos, encare-os como desafios para alcançar a sua meta. Se necessário, mude a sua direção, mas não a decisão de conquistá-la”

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

O superocupado não é o novo herói, é o novo estúpido. E preciso me lembrar disso o tempo todo

11 de janeiro de 2019

Marcelo Nakagawa *

Eu tinha prometido à minha filha Stella, de seis anos, que a buscaria na escola levando sua bicicleta e ela voltaria para casa pedalando. Ela sempre volta de carro pois meus sogros, normalmente, a buscam. Era uma promessa simples de ser cumprida pois a distância não passa de 500 metros. Stella sempre me cobrava a promessa e eu sucessivamente explicava que papai estava ocupado, mas tentaria na próxima semana. Passaram-se mais de três anos até a semana em que me dei conta de que aquela era a última da Stella naquela escolinha. Ela mudaria de escola. E a nova, de ensino fundamental e médio, era muito mais longe, já em outro bairro de São Paulo, impossibilitando a volta com sua bicicletinha.

Com tantas reuniões, aulas e outros compromissos já agendados, eu só poderia cumprir minha promessa na quinta ou sexta-feira daquela última semana. Mas no último dia seria inviável pois também deveria trazer todo o restante do material que ela utilizou durante o ano. Era pesado e volumoso. Depois de ter perdido mais de 700 oportunidades nos últimos anos, agora só restava um dia para cumprir minha promessa: a última quinta-feira que ela teria aula na sua escola de ensino infantil. Eu me sentia péssimo em “não ter tido tempo”…

Não avisei a Stella de que a buscaria de bicicleta na quinta-feira. Queria fazer uma surpresa. Mas minha mãe, que nos visitava naquela semana, sem saber da surpresa, avisou-a na noite anterior. Stella brilhou de felicidade e nem conseguiu dormir direito. Acordou cedo e já foi me perguntar se ela voltaria mesmo de bicicleta da escola para casa. “É claro!” – respondi meio chateado com o anúncio da não mais surpresa. Pelo que a conheço, Stella deve ter falado com todos os seus amiguinhos, professores e funcionários da escola de que voltaria de bicicleta para casa.

Mas naquela quinta-feira choveu… E choveu muito em São Paulo! Se eu já me sentia mal anteriormente, agora me achava o pior pai do mundo.

Neste momento, eu lembrei de uma parábola que foi um soco no estômago da minha paternidade.

Certa vez um mestre convidou seus discípulos para uma reflexão. No encontro, colocou uma jarra de vidro na mesa. Da sua sacola, retirou um saco com pedras grandes e colocou uma a uma dentro da jarra até não caber nenhuma. Perguntou para seus discípulos se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta unânime. Então, o mestre pegou um saco com pedras menores e o virou cuidadosamente sobre a jarra. As pedrinhas foram ocupando os espaços vazios que ainda restavam. Mais uma vez, perguntou se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta agora não tão unânime. Em seguida, o mestre tirou um saco de areia e o esparramou pelo jarro e refazendo a mesma pergunta. Agora seus discípulos já estavam divididos. Mas o mestre continuou sua demonstração e tirou uma garrafa de água da sacola e encheu a jarra com o líquido. “O que esta demonstração significa?” – perguntou o mestre. “Não importa quanto atarefado você esteja, sempre será possível fazer mais.” – responde um dos discípulos. “É uma forma de enxergar o mundo…” – responde. “Mas se não colocar as pedras grandes primeiro, não conseguirá colocá-las depois. E as grandes coisas são aquilo que valorizaremos no final da nossa vida como nossa família, nossos amigos, nossa saúde e nossos sonhos realizados. O resto encontrará seu espaço…” – finalizou o mestre.

Em relação semelhante de mestre e discípulo, Bill Gates ficou chocado quando viu a agenda em papel que Warren Buffett usava (e ainda usa). “Eu tinha cada minuto agendado do meu tempo e acreditava que as coisas só funcionavam assim…” – explicou Gates. “Mas a verdade é que ele (Buffett) é tão cuidadoso com seu tempo que há dias em que ele não coloca nada na sua agenda…” – continua. Gates se deu conta que é você quem controla o seu tempo e ter uma agenda lotada em cada minuto do seu tempo não é uma indicação de seriedade. “As pessoas começam a querer o seu tempo e é a única coisa que você mesmo não consegue comprar. Isto quer dizer que eu posso comprar qualquer coisa que queira, basicamente, mas não consigo comprar tempo.” – diz Buffett. E explica que tempo é o seu bem mais precioso e por isso mesmo precisa ter muito cuidado em vivê-lo com o mesmo elevado nível de preciosidade.

Assim saí de casa para buscar a Stella com a sua bicicletinha em uma mão e um guarda-chuva na outra. Quando coloquei o pé na rua, a chuva parou, como por milagre. Stella voltou pedalando feliz da vida para casa. E eu pensando que Deus é pai também.

* Marcelo Nakagawa é pai da Stella e da Helen, professor de empreendedorismo e inovação do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan, coordenador de inovação da FAPESP, consultor de inovação de algumas grandes corporações e tenta ser tão rico em tempo precioso quanto Warren Buffett

O instinto e o coração na tomada de decisões

7 de janeiro de 2019

Ivan Primo Bornes *

Esta é a história de Bia Job e Helô Hervé, duas empreendedoras de Porto Alegre inspiradas – e inspiradoras – que depois de 18 anos atuando com publicidade e moda, decidiram pivotar radicalmente as relações de trabalho em busca de uma vida mais plena. Assim surgiu uma marca própria de roupas confortáveis, a 2B, e uma loja física e colaborativa, ALOJA, num dos endereços mais bacanas da capital gaúcha.

Fazer a entrevista com a Bia e a Helô foi uma delícia, pois elas transmitem energia positiva e felicidade até quando falam dos perrengues que passaram, além de me contarem das peripécias que enfrentaram ao seguir o instinto e o coração na tomada de decisões. Eu fiquei profundamente impactado pela sabedoria e gentileza delas. Espero poder transmitir a todos os leitores da coluna um pouco desta aula de vida e de valores fundamentais. Desejo que vocês aproveitem, se inspirem e se divirtam tanto quanto eu.

Heloisa Herve e Bia Job, sócias e criadoras da ALOJA e da marca de roupas 2B. Créditos: Bia Job

Me contem um pouco de vocês duas.

Helô: começando pelo mais relevante, eu sou de Libra, com ascendente em Libra e Lua em Libra. Bia é Escorpião, ascendente em Câncer e Lua em Touro. ‘Zodiacamente’ falando, é um caos. Mas, como diria Levy Moshe, “o caos completo é, ironicamente, um tipo de perfeição”.

Bia: a Helô nasceu em 1962 e eu em 1965, um péssimo ano para os vinhos – considerado um dos anos de piores safras da história – mas que se justifica pelo nascimento de uma grande apreciadora do produto! Ou seja, a natureza focou em produzir uma grande consumidora.

Essa foi a melhor abertura de entrevista que já tive! Vocês se apresentaram maravilhosamente. E como vocês se conheceram?

Helô: em comum, nenhuma das duas sabia o que queria ser quando crescer . A título de informação, a dúvida persiste até hoje (risos). Fizemos vários vestibulares, mudamos de curso universitário, viajamos, moramos fora, com ênfase para Bia que ficou quatro anos em Israel – a artimanha do destino é tamanha que quem tem cara de judia sou eu!!! A Bia fez carreira no teatro e eu escrevia, e se tivesse Netflix na época, iria ser roteirista de série – com certeza.

Bia: acabamos formadas em publicidade, com pós-graduação, especializações e tudo que tínhamos direito. Nós duas sempre amamos o conhecimento e a curiosidade sempre nos moveu. Na minha escolha tardia pelo curso de comunicação, calhou de eu ser aluna da Helô e deu match (na era pré-Tinder) e estamos juntas desde então.

E como começaram a empreender?

Bia: eu nunca tive um trabalho formal, mas sempre trabalhei e sempre criei minhas oportunidades de negócios. A Helô depois de alguns empregos formais dentro e fora da área de publicidade, acabou abrindo sua própria empresa.

Helô: eu queria ser minha própria chefe. Mas se for pensar bem, bem mesmo, não é que eu quisesse ser apenas minha própria chefe, mas sim ter muitos chefes, e vi nos clientes uma forma disso se realizar.  A Bia começou a trabalhar comigo e criamos um projeto diferente de tudo, na época, uma agência de publicidade tipo boutique, focada em moda. Atendemos algumas contas realmente grandes e ganhamos bastante dinheiro na época. Foi um “oceano azul” que durou 18 anos, até que descobrimos que éramos boas em gerar negócios e péssimas em gerir negócios. E com o ‘fim’ do mercado da comunicação, decidimos fechar a agência há 4 anos.

E como é a dinâmica de vocês trabalhando juntas?

Bia: antes de montarmos a empresa juntas, montamos uma cumplicidade, coisa fundamental para uma sociedade. Cumplicidade é um efetivo essencial para as sociedades darem certo. Não tivemos um insight empreendedor, a coisa foi acontecendo e dando certo, crescendo sem um plano ou um objetivo claro. Os objetivos que lançamos são para a vida e não para os negócios, pois a vida está um pouco acima dos negócios e quebrar a primeira empresa nos deu a dimensão disso.

Helô: é um desafio, estamos 24 horas juntas. E aqui vale novamente a máxima que hoje rege a nossa vida: os negócios fazem parte da nossa vida, mas a nossa vida é muito maior do que isso. O grande investimento tem de ser no que acreditamos e enfiar os negócios nisso, jamais confundir sucesso ou fracasso financeiro com sucesso ou fracasso pessoal. Empresas dão certo e dão errado e a vida continua, só fique atento e jamais se iluda, tenha o pé bem no chão e a cabeça nas nuvens.

Bia: nunca se iluda, achando que o negócio é a sua vida. Tivemos sorte em aprender isso perdendo o negócio da publicidade e seguindo com a vida.

Na opinião de vocês, o empreendedor nasce ou se forma?

Bia: uma coisa é certa, tu nasces empreendedor. Não adianta. Tá no DNA. Ou é ou não é! Empreendedor é uma coisa dentro da pessoa que a faz olhar as oportunidades e se não as enxergar, inventa.

Helô: tem empreendedor de oportunidade, aquele que surfa na onda, pois enxergou a onda. E tem o outro que vai e faz.

Bia: a crise mostrou que empreendedorismo é uma capacidade do ser humano que floresce mesmo soterrada em uma cultura absurda da estabilidade da carteira assinada. Da crise, surgiram grandes empreendedores.

Vocês já deram voltas e voltas no mundo e nos negócios. Qual é a visão de vocês sobre empreender?

Helô: perfil empreendedor, na nossa opinião, são pessoas irrequietas, curiosas, que amam novidades e que, para o bem ou para o mal, são pessoas ótimas em gerar e ruins em gerir. O empreendedor, para nós, é uma pessoa generalista por natureza.

Ou seja, o empreendedor precisa saber um pouco de tudo?

Helô: entendemos o empreendedor de sucesso com a seguinte fórmula 200%:
+ 50% inventivo, aquela pessoa que tira algo do nada
+ 25% criativo, aquela pessoa que pega duas coisas nada a ver e as mistura, fazendo algo novo
+ 25% inovador, pega algo que já existe e melhora
+ 100% ‘viola no saco’, humildade, pois se começa a “se achar”, o empreendedor se perde.
Isso dá um empreendedor, uma pessoa que precisa ser 200%.

Me falem do aprendizado dos últimos anos, do que é importante na vida de vocês.

Helô: quando fizemos nossa primeira viagem de negócios pela nossa empresa (a que quebrou), nos olhamos e falamos em voz alta: tomara que esta seja a primeira de milhares. E realmente aconteceu. Mas posso aqui usar a frase sábia da minha Vó Tina: as malas viajam, mas não aproveitam nada. Cada minuto da nossa vida tem de ser aproveitado, se for viajar a trabalho, VIAJE.

Bia: pelo número de horas que passamos alimentando as redes sociais, deixamos a vida morrer de fome, isso acontece não pelo trabalho, mas por esquecer da vida. Hoje a Aloja, nossa loja colaborativa, é nossa atividade onde vivemos o trabalho de forma simples, como aprendemos a viver nossa vida.

Helô: uma coisa que vale ressalva: saímos do mundo corporativo que vivíamos com a agência de propaganda e começamos a fazer feiras autorais. Este movimento depurou não só nossa humildade como também as nossas amizades e reforçou a ideia de jamais confundir sucesso financeiro com sucesso pessoal. Pois três anos de feiras nos enriqueceram muito mais do que 30 anos de mundo corporativo.

Quais são os planos de negócios para o futuro?

Bia: o plano de futuro é viver um dia de cada vez e aprender com os nossos clientes.

Helô: nosso modelo de negócio atual é sem amarras, e temos três frentes bem claras:
1. Nossa marca de roupas – a 2B (que tem esse nome pois é o Plano B de nós duas) – focadas em coisas que gostamos de fazer e são confortáveis
2. Aloja – é uma loja física, colaborativa, de bairro, com 14 marcas autorais, atendida somente pelas duas bonitas aqui, e cuja curadoria se deu em feiras que participamos. Juntamos um pessoal que é nosso cúmplice neste empreendimento, que sem dúvida veio para ficar no que hoje entendemos de varejo.
3. Participação em feiras autorais – divulgamos a nossa marca própria e também nossa loja física, captamos novos colaboradores e nos divertimos muito!

Bia: esta é a nossa contribuição, não só para o Brasil, mas para o planeta. Sermos felizes, honestos e incentivarmos produtos e negócios feitos por gente feliz e honesta.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Bia: o nosso conselho para qualquer empreendedor é o mesmo que Al Pacino deu para seu gato de estimação no filme Perfume de Mulher: When in doubt… fuck (quando estiver em dúvida, trepe). Faça menos planos e siga sua intuição.

 

Saiba mais
ALOJA – Av. Cel. Lucas de Oliveira, 265 – Porto Alegre – Bairro Moinhos de Vento
www.sitealoja.com.br
www.instagram.com/alojalucasdeoliveira

 

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O fim (simbólico) do trabalho e uma nova era para quem não precisa trabalhar

4 de janeiro de 2019

Os levantamentos assustam, mas, dependendo da pesquisa, entre 50% a 75% dos trabalhadores atuaria em outra atividade ou empresa “se pudessem escolher”. Trabalhadores nesta situação terão chances, cada vez maiores, de “escolher” nos próximos anos.

Etimológica e historicamente, trabalho não é algo prazeroso. Da sua origem latina tripallium, um instrumento de tortura, ao seu caráter obrigatório para garantia de subsistência ou acesso a outros bens, o trabalho é um meio e quase nunca um fim em si para a realização pessoal.

No Brasil, simbolicamente, “a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 26 de novembro de 1930, foi uma das primeiras iniciativas do governo revolucionário implantado no Brasil no dia 3 daquele mesmo mês sob a chefia de Getúlio Vargas. O ‘Ministério da Revolução’ – como foi chamado por Lindolfo Collor, o primeiro titular da pasta – surgiu para concretizar o projeto do novo regime de interferir sistematicamente no conflito entre capital e trabalho. Até então, no Brasil, as questões relativas ao mundo do trabalho eram tratadas pelo Ministério da Agricultura, sendo na realidade praticamente ignoradas pelo governo.” Assim começa a explicação do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) sobre o surgimento do Ministério do Trabalho no país.

O trecho é particularmente interessante pois resume a dinâmica do contexto do trabalho naquele momento. Revoluções não ocorrem da noite para o dia, por mais que uma data ou ano passem a representá-las posteriormente. Em 1930, o avanço da indústria e comércio na economia brasileira era nítido e muitos deixavam a agricultura para trabalhar em fábricas, comércios e prestadores de serviços urbanos. O conflito entre capital e trabalho também era bastante caracterizado na medida em que havia (e ainda há, não só no Brasil) elevada exploração do trabalho por aqueles que detinham o capital.

Quase 90 anos depois, agora, em 2019, o Ministério do Trabalho foi extinto e suas funções transferidas para outros ministérios como o da Economia e Justiça. Mas este fim é apenas simbólico em relação às profundas modificações naquilo que vínhamos chamando de trabalho.

Historicamente, até 1784, trabalho era algo associado aos artesãos. Pessoas que produziam, artesanalmente, algo de valor para os demais. O ferreiro, o fabricante de sapatos ou de tecidos entravam nesta categoria. Mas este ano marca o surgimento da máquina à vapor na Inglaterra que permitia que processos artesanais pudessem ser conduzidos por equipamentos, reduzindo assim a demanda e os ganhos do sapateiro, ferreiros e outros “eiros”.

Tentando frear o que depois passou a ser chamado de a 1ª Revolução Industrial, alguns destes artesãos se tornaram ludistas, pessoas que invadiam as fábricas à noite para destruir as máquinas, na esperança de manterem seus trabalhos como eram há séculos. A partir deste momento, o trabalhador também passa a ser um operário, alguém empregado para operar uma máquina em uma fábrica.

Mas havia diversas outras funções como o linkboy. Pessoas que utilizavam tochas para iluminar o caminho de pessoas que precisam se locomover durante a noite em algumas das principais cidades europeias. Mas esta profissão começa a perder o valor a partir de 1870, quando a eletricidade passa a ser adotada em fábricas e depois em cidades. Muitos apontam esta data e fato como principal divisor que marca o início da 2ª Revolução Industrial. Mas a adoção da divisão do trabalho nas fábricas teve um impacto ainda maior na sociedade já que não era mais necessário operários especializados, apenas funcionários que pudessem executar uma única tarefa simples. Por serem facilmente substituíveis, estes funcionários eram baratos para o dono da fábrica, intensificando assim a tensão entre trabalho e os donos do capital. De certa forma, este foi o contexto para que o Ministério do Trabalho fosse criado no Brasil muitas décadas depois.

O trabalho ganha novas perspectivas a partir de 1969 com a adoção de tecnologias da informação, eletrônica e automação. Agora, não apenas os funcionários das fábricas, mas os de prestadores de serviços também são afetados. Funções como calculista, datilógrafo e caixa de banco começam a perder espaços nas organizações pois novas tecnologias como planilhas eletrônicas, editores de texto e ATMs são adotadas por empresas de todos os portes, marcando a 3ª Revolução Industrial. Para continuar sendo útil para a empresa, o funcionário precisa adotar a postura de ser um colaborador, contribuindo para o desenvolvimento do negócio além da sua função inicial, pelo qual foi contratado.

Este é o modelo mental atualmente em vigência na maioria das organizações ao redor do mundo e aceito por seus trabalhadores.

Mas estamos no início da 4ª Revolução Industrial, que mais uma vez altera drasticamente o que entenderemos por trabalho e sua relação com os donos do capital. Uber, Airbnb, Didi Chuxing (99 no Brasil), Rappi, Loggi, iFood e tantas outras novas empresas estão gerando milhares de novos postos de trabalho, porém, de um novo tipo de função: os trabalhadores de aplicativo. E se no passado o capital poderia representar uma grande barreira para a entrada de novos competidores, na 4ª Revolução Industrial fintechs podem enfrentar os maiores bancos do planeta, serviços de hospedagem peer-to-peer tem mais capacidade que as maiores redes hoteleiras do mundo e startups de economia compartilhada podem ser mais eficientes que seus concorrentes intensivos em capital.

“O trabalho ganha novas perspectivas a partir de 1969 com a adoção de tecnologias da informação, eletrônica e automação.”

A 4ª Revolução Industrial também avança sobre trabalhos notadamente mais sofisticados como advogados, médicos, engenheiros e professores, já que o uso de inteligência artificial, ciência dos dados (big data) e aprendizagem máquina (machine learning) estão conseguindo oferecer soluções cada vez mais eficientes em um número cada vez maior de trabalhos. Assim como ocorreu nas revoluções industriais anteriores, uma boa parte dos trabalhadores perderá seus empregos. E a regularização da terceirização da atividade-fim pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2018, só tende a acelerar estes efeitos no Brasil.

Infelizmente, uma parcela importante dos trabalhadores impactados pela 4ª Revolução Industrial não entenderá o que está acontecendo e repetirá o ciclo que os levou àquela situação de xeque-mate profissional.  Mas outra parcela irá repensar seus talentos e habilidades, adquirir novos conhecimentos, praticar novas atitudes e, principalmente, definir o que querem fazer em suas carreiras profissionais. Essas pessoas vão procurar se reinventar como trabalhadores, tornando-se empreendedores de si mesmos. Para esta parcela, a frase do Rolim Amaro, empreendedor da TAM, sempre fará sentido: “Só trabalha, no sentido duro da palavra, quem não gosta do que faz. Por isso, eu, graças à Deus, nunca precisei trabalhar.”

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

As palavras mágicas para 2019

3 de janeiro de 2019

Eu acredito que tem coisas importantes que você quer fazer em 2019. Eu tenho, você tem, todos temos desejos e ambições a serem realizadas.

Em todo começo de ano há um simbolismo especial: uma nova possibilidade de começar – ou de recomeçar – de ajustar o percurso, de continuar em frente. Para ajudar a fazer o planejamento para 2019, preparei uma lista das palavras com significado especial para qualquer empreendedor. São palavras com o poder de resumir grandes ideias.  Para tanto, é bom conhecer bem sua definição.  Use e abuse destas palavras mágicas.

so·nho |ô|
(latim somnium, -ii)
substantivo masculino

1. Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono.
2. [Figurado]  Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; .ideias quiméricas.
3. [Culinária]  Bolinho muito fofo, de farinha e ovos, frito e depois geralmente passado por calda de açúcar ou polvilhado com açúcar e canela.

o·ti·mis·mo
(.ótimo + -ismo)
substantivo masculino
1. Disposição, natural ou adquirida, para ver as coisas pelo bom lado e esperar sempre uma solução favorável das situações
2. Confiança no porvir.
3. Doutrina de Leibniz (1646-1716) segundo a qual, a despeito da realidade do mal, o mundo em que vivemos foi escolhido por Deus como o mais perfeito possível, como aquele em que a felicidade tende a prevalecer sobre a adversidade.
4. Sistema dos que têm fé no progresso moral e material atuais, na evolução social para o bem e para o ótimo.

em·pre·en·de·dor |ô|
adjetivo e substantivo masculino
Que ou aquele que empreende; que é animoso para empreender; trabalhador; amigo de ganhar a vida (traçando empresas novas).

po·ten·ci·al
(potência + -al)
adjetivo de dois gêneros
1. Relativo a potência.
2. Virtual.
3. [Filosofia]  Que só está em potência.
4. [Gramática]  Diz-se de um modo gramatical que designa a possibilidade.substantivo masculino
5. Conjunto dos recursos de que uma .atividade dispõe; capacidade de trabalho, de produção ou de .ação. = POTENCIALIDADE
6. Conjunto de qualidades de um indivíduo, geralmente inatas ou originais. = POTENCIALIDADE

re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
substantivo feminino
1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.
2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.  co·ra·gem 1(francês courage)substantivo feminino1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos.
2. [Figurado]  Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).

von·ta·de
(latim voluntas, -atis)
substantivo feminino
1. Faculdade comum ao homem e aos outros animais pela qual o espírito se inclina a uma .ação.
2. Desejo.
3. .Ato de se sentir impelido a.
4. Ânimo, espírito.
5. Capricho, fantasia, veleidade.
6. Necessidade física.
7. Apetite.
8. Arbítrio, mando, firmeza de .caráter.
9. Zelo, interesse, empenho.

re·so·lu·ção
substantivo feminino
1. .Ato ou efeito de resolver.
2. Decisão; tenção; deliberação; propósito.
3. Soltura de ventre.
4. Transformação.
5. Intrepidez; coragem.
6. [Álgebra]  Cálculo para achar a solução de um problema.
7. Conteúdo de um texto que define a solução para determinada questão em um congresso, em uma assembleia etc.

per·se·ve·ran·ça
(latim perseverantia, -ae)
substantivo feminino

1. Qualidade ou .ação de quem persevera.2. Constância, firmeza, pertinácia.3. Duração aturada de alguma coisa.

cer·te·za |ê|
(certo + -eza)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é certo. ≠ INCERTEZA
2. Coisa certa.
3. Adesão absoluta e voluntária do espírito a um fato, a uma opinião.
4. Ausência de dúvida. = CONVICÇÃO
5. Estabilidade.6. Habilidade ou firmeza em trabalhos manuais.

pro·pó·si·to
(latim propositum, -i)
substantivo masculino
1. Tomada de decisão. = DELIBERAÇÃO, RESOLUÇÃO
2. Aquilo que se pretende alcançar ou realizar. = INTENTO, .PROJETO, TENÇÃO
3. Finalidade, fim, mira.
4. Tino, juízo, seriedade, prudência.

tra·ba·lhar
verbo transitivo
1. Dar determinada forma a (ex.: trabalhar a madeira). = LAVRAR
2. Fazer ou preparar algo para determinado fim (ex.: trabalhar a terra).
3. Rever ou refazer com cuidado (ex.: trabalhar o texto). = APERFEIÇOAR, LIMAR
4. Treinar ou exercitar para melhorar ou desenvolver (ex.: trabalhar os músculos).
5. Causar preocupação ou aflição. = ATORMENTAR, INQUIETAR, PREOCUPAR, RALAR verbo transitivo e intransitivo
6. Fazer esforço para algo. = EMPENHAR-SE, DILIGENCIAR, LIDAR, PROCURAR
7. Exercer uma .atividade profissional verbo intransitivo
8. Fazer algum trabalho ou tarefa (ex.: vou para casa trabalhar).
9. Formar .ideias ou fazer reflexões. = COGITAR, MATUTAR, PENSAR10. Estar em funcionamento. = FUNCIONAR, MOVER-SE

Grite bem alto, use cada palavra como uma armadura contra os medos e a paralisia. Vamos em frente!

Pesquisa feita no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  https://dicionario.priberam.org/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Como o empreendedorismo pode responder aos desafios da saúde pública

28 de dezembro de 2018

 

Maure Pessanha *

No País, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal porta de entrada para cuidados médicos de quase 70% da população. Entre a baixa renda, esse porcentual sobe para 77%. Embora seja reconhecido como referência internacional, o sistema possui uma série de gargalos. Entre os usuários, é alto o grau de insatisfação com as longas filas, a demora para o atendimento e o agendamento de exames, problemas no acesso a medicamentos, falta de acompanhamento adequado a grupos de risco e portadores de doenças crônicas, falta de apoio à qualificação de profissionais que atuam na área, ineficiência no uso de dados e na integração de sistemas, dificuldades na prevenção e promoção da saúde básica, entre outros entraves.

Nesse contexto, os negócios de impacto social podem complementar e qualificar a oferta governamental. Têm potencial ainda de facilitar o acesso ao serviço público. O desafio de melhoria da qualidade do serviço prestado, sob o olhar dos empreendedores de impacto social, representam oportunidades de criar negócios que tragam inovação e tecnologia para o setor.

Um exemplo desse desafio-oportunidade são as doenças crônicas, que correspondem a 72% das causas de morte no Brasil e são responsáveis por 75% dos gastos com atenção à saúde pública. Essas são enfermidades que podem ser prevenidas ou controladas com diagnóstico precoce, hábitos saudáveis e monitoramento constante. Soluções focadas em endereçar desafios do setor podem apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) – em especial, o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), que trata de: “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades”.

Quando pensamos na qualificação da utilização de recursos públicos, por exemplo, a startup Savelivez representa essa oportunidade. Fundada por Rafael Yassushi Oki, em Florianópolis (SC), o negócio auxilia bancos de sangue e hospitais a conseguirem doadores sob demanda por meio de uma plataforma que lança mão de recursos estatísticos e de inteligência artificial para fazer previsões dessas demandas por tipos sanguíneos e de hemocomponentes. A solução conta ainda com um mecanismo que avisa os doadores cadastrados quando o banco de sangue precisa do tipo sanguíneo do doador.

Em Itajubá (MG), o empreendedor e médico Francisco Sales de Almeida criou um negócio que desenvolve equipamentos eletromédicos. A Sensymed atua para resolver o problema de hipotermia, um desafio no pós-operatório que pode levar o paciente a um quadro severo neurológico, metabólico, hematológico e cardiovascular.

A startup desenvolveu o SensyWarming (SW01), um equipamento microcontrolado que proporciona um fluxo contínuo de ar aquecido, transferindo uma quantidade de calor variável com a temperatura ambiente e com a necessidade de cada paciente, até uma manta SensyBlanket que cobre o usuário, reduzindo os riscos de hipotermia. A solução reduz a permanência do paciente nos leitos, aumenta a rotatividade e, consequentemente, o número de pessoas atendidas. Reduz custos dos hospitais com um equipamento nacional e a um custo acessível.

 

“Essa nova geração de empreendedores tem encontrado o apoio para impulsionar seus negócios em organizações e institutos do setor. Essa forma de pensar pode mudar a realidade da saúde pública no Brasil”

 

Um terceiro exemplo desse tipo de empreendedorismo é a Pulsares. Criada pelo médico Rogério Malveira, o negócio oferece um software online que pode ser manuseado por médicos ou farmacêuticos. A solução gera um novo modelo de receita médica que facilita a compreensão do paciente por juntar pictogramas com design de informação. O programa gera uma receita organizada em horários se baseando na rotina do paciente, mostrando quando, como e o que tomar.

Estamos falando de gerar, para os pacientes, acesso à informação em uma linguagem de fácil compreensão que resulta em maior engajamento no uso de medicamentos. Consequentemente, há tratamentos mais eficazes e sem recorrência que impacta nos custos do SUS.

Esses são apenas três casos de empreendedores que respondem de forma inovadora aos desafios de saúde com que se depararam. Essa nova geração de empreendedores tem encontrado o apoio para impulsionar seus negócios em organizações e institutos do setor. Um deles, o Instituto Sabin, tem atuado com a crença de que modelos de negócios são a chave para transformar positivamente a saúde do País. Essa forma de pensar pode mudar a realidade da saúde pública no Brasil.

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil

 

Faça o teste: o quanto você é – ou não é – empreendedor?

24 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Essa é a história do inquieto Thiago de Carvalho, de 35 anos, mestre em Ensino de Negócios pela New York University, country manager da Clinton Education e professor de empreendedorismo do Insper. Quando criança, foi diagnosticado com DDA (distúrbio de déficit de atenção) e o que poderia ter sido uma dificuldade se transformou num aprendizado de como lidar com a hiperatividade nos estudos e nos negócios.

Durante a estadia em Nova York, Thiago começou a pensar numa forma de organizar as diversas características do empreendedor. Assim surgiu a metodologia Quociente Empreendedor – ou Qemp (faça o teste gratuito clicando no link). Com a validação de especialistas em educação, ensino superior e empreendedores, hoje é uma startup que apoia o ensino de novos negócios, empreendedorismo e inovação. Confira abaixo a entrevista com Thiago.

Thiago, qual foi sua primeira experiência como empreendedor?

Quando eu estava na 7a série, em 1993, abriu uma loja que vendia computadores, perto de onde eu morava. Passei a fazer um bico lá, ajudando a montar PCs e depois eu mesmo passei a montar computadores em casa a pedido de amigos. Era uma época em que a internet tinha uns 500 sites – no mundo todo! – e a conexão era discada, com uns modens barulhentos. Eu ia de ônibus até a Santa Ifigênia e comprava as peças. Eu tinha 12 ou 13 anos, não imaginava isso como um negócio, era mais um hobby remunerado.

Agora você também é professor de empreendedorismo. Foi natural para você fazer essa escolha de carreira?

Sim e não! Eu era muito festeiro, perdi um ano da faculdade, o que me obrigou a mudar totalmente meu estilo de vida. Passei a ser um nerd, adorar bibliotecas e leitura, caso contrário não conseguiria terminar a faculdade de comunicação. Esse engajamento forçado me fez gostar tanto de aprender que depois da graduação fiz um mestrado em educação, em que pesquisei o processo de aprendizagem de empreendedores que receberam investimento de capital de risco. Também me tornei professor de empreendedorismo na mesma faculdade em que fiz uma pós-graduação em administração. Aliás, eu trabalho na Insper desde 2006, onde entrei como voluntário do centro de empreendedorismo.

E o seu lado empreendedor convive bem com o lado acadêmico?

Atualmente empreendo em uma área que me parece como um chamado. Eu me sinto extremamente confortável lidando com os desafios de quem quer abrir um negócio. É como se fosse um xadrez super sofisticado, mas não só com a matemática e a lógica desse jogo. Existe algo sem muita estrutura, que precisa ser descoberto conforme o negócio se desenvolve, especialmente algo que nasce do capital dos próprios empreendedores. Empreender hoje é diferente de empreender há 15 anos. Hoje é uma carreira. As pessoas se preparam, escolhem seguir esse caminho, hoje é possível ser empreendedor de forma organizada. Pesquisas mostram que os negócios seguintes de empreendedores tendem a durar mais que os negócios anteriores, pois empreendedores aprendem com os erros do passado.

“Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área”

Me fale do Qemp.

Em resumo, os empreendedores fazem uma avaliação online, e a ferramenta retorna uma avaliação científica dos pontos fortes e a melhorar do negócio. Não conheço nada parecido nos mercados nacional e internacional. Em cerca de 20 minutos, empreendedores recebem feedback personalizado, conseguem aprender sobre seus desafios e recebem um curso personalizado. Utilizamos esse método em startups, aceleradoras e grandes empresas interessadas em desenvolver o empreendedorismo corporativo.

São seis pilares no teste Qemp: controle e planejamento, dinâmica do mercado, aderência, perfil empreendedor, recursos e experiência. Por exemplo: é possível medir o quanto alguém controla e planeja, comparado com sua habilidade de identificar recursos ou o quanto entende da dinâmica do mercado em que atua ou planeja atuar. Além dos pilares, o teste também mede as dimensões pessoais. Ou seja, o que é dominante em relação ao projeto: inovação, análise, processos ou relacionamento.

A partir da avaliação, apresentamos objetivos de ação, adaptados conforme as respostas.

Para o empreendedor, os dias e as noites são bem diferentes do normal das pessoas. Como que você vive isso no dia a dia?

Durante uma época, cheguei a trabalhar por diversos dias das 4h às 23h. Era um trabalho intelectual pesado – montar um negócio em um setor ainda em construção -, isso significou um peso maior do que consegui carregar. Na virada de 2017 para 2018, tive diversos sintomas relacionados à síndrome do burnout. Após cerca de 10 meses de trabalho mais leve, vou lançar uma versão 2.0 do produto, o que significa que seremos, sem dúvida, a melhor ferramenta do mercado para o que ela se propõe.

Quais seriam tuas dicas aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor?

Primeiro, gostaria de passar uma dica para quem quer empreender de forma geral: se está muito difícil vender ou construir um produto ou serviço, você está no caminho errado. Pare e repense tudo o que está fazendo, inclusive se deve continuar fazendo isso. Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área. Diferentemente de setores como varejo ou alimentação, por exemplo, o setor de educação é uma área em que poucas pessoas têm experiência.

Vejo muitos empreendedores engajados nessa área, mas que não fazem ideia do que estão fazendo. A vontade e a motivação de atuar na área da educação, que é fascinante, atrapalha a percepção sobre o que sabem ou não sabem desse setor. Outra dica para quem está começando é: se você gastou cerca de R$ 50 mil ou mais para começar um negócio e sua receita ainda não paga várias contas da empresa, considere que você também pode estar no caminho errado.

“Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado”

Qual o futuro do Brasil?

Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado. Dessa forma, será necessária uma ou duas gerações para que tenhamos alguns indicadores de primeiro mundo. O que me preocupa é que existem carreiras que não são ensinadas em faculdades, mas ganharam uma sofisticação imensa. Por exemplo, as carreiras do crime organizado e corrupção. Por mais que em diversos outros indicadores o Brasil venha a melhorar, como renda média, mortalidade infantil, alfabetização etc., em outros setores haverá pessoas em que a única razão de existir seja a de fazer mal aos demais.

O Brasil é atrasado da forma que é por causa de 200, 300 mil pessoas. Entre eles estão os principais líderes de quadrilhas, sejam quais forem, promotores de desigualdade e insegurança. Ainda assim, o Brasil é 99,9% bom. Meu papel está em fornecer ferramentas e oportunidades para quem quer seguir a carreira de empreendedor. Faço isso há 10 anos e continuarei por mais algumas décadas, no mínimo.

Acompanhe o trabalho de Thiago (thiago@qemp.com.br) e faça o teste do empreendedorismo no site do Qemp.

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Startup de conteúdo ao vivo, ClapMe mostra caminho de reinvenção

17 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Esta é a história do empreendedor, sonhador e jornalista Filipe Callil, 29 anos, casado com Maria (de quem ele foi colega na faculdade de jornalismo), neto de libaneses e um dos fundadores da startup ClapMe, plataforma de vídeos – live e vod – para agências de publicidade e marcas, focada na criação, produção e execução de conteúdo transmitido ao vivo (streaming).

A ClapMe, como nos conta Filipe na entrevista a seguir, surgiu com a ambição de ser a “Netflix dos shows ao vivo”, mas após dificuldades no meio do caminho, em 2016 eles deram uma virada de mesa e se transformaram numa das maiores – senão na maior – empresa no Brasil que atende o mercado publicitário com conteúdo ao vivo.

Instalada na nova sede na Rua Fidalga – na badalada Vila Madalena – a ClapMe já transmitiu ao vivo mais de 2 mil eventos, tem mais de 250 mil usuários e 12 mil artistas cadastrados, além de uma grade de programas de humor, shows e entretenimento com interação ao vivo entre público, artistas e marcas.

Filipe Callil, Diego Yamaguti, Celso Augusto Forster e Felipe Imperio, sócios da ClapMe em espaço em reforma na sede na Vila Madalena. Foto: Giovani Cavalcanti

Como foi sua jornada de aprendizado antes do surgimento da ClapMe?

Cresci numa família de classe média e, desde pequeno, tive que aprender a me virar. Meus pais tiveram muitos momentos de crises financeiras. Tive que ver meu pai quebrar e recomeçar inúmeras vezes ao longo da vida. O meu primeiro “emprego” foi aos 13 anos de idade. Eu cuidava de uma lojinha de roupas e acessórios fitness que meu pai tinha na época dentro de uma academia de São Paulo. No primeiro ano de faculdade, voltei a trabalhar com meu pai em uma confecção. Ele era o gerente comercial da fábrica e eu trabalhava na estamparia.

Ainda no primeiro ano de faculdade, eu consegui arrumar o meu primeiro estágio como jornalista em uma assessoria de comunicação, a X Comunicação. Foi lá que conheci o Celso Augusto Forster, com quem anos depois fundei a ClapMe. Ele era o meu melhor amigo no trabalho, além de um “chefinho” mentor com quem eu tinha liberdade para falar sobre tudo, principalmente sobre rock’n roll. A paixão por música é o que nos uniu logo de cara.

E depois consegui finalmente meu estágio na TV Record – meu sonho era ser repórter de TV. Trabalhei na Record de 2009 a 2013, quando pedi demissão para focar 100% na ClapMe. Sou muito grato a tudo o que pude aprender na Record. Muito do que hoje aplico na minha empresa aprendi lá com os meus colegas de trabalho e ex-chefes.

 

“Ao escolher que você quer empreender, você irá privar a sua família de algumas escolhas. É uma decisão difícil e, nesse aspecto, muitas vezes egoísta também.”

 

Você sempre destaca a importância da família e, sobretudo, de sua mulher, Maria, no empreendimento. Como você avalia a importância do apoio familiar no sucesso do empreendedor?

Mais do que uma namorada e amiga, Maria foi a pessoa que, apesar de todas as incertezas, apostou comigo no sonho. Até 2016, ela pagava todas as contas praticamente sozinha. Até hoje ela paga muito mais conta do que eu (risos). Atualmente, a Maria trabalha na área de comunicação de uma grande multinacional. Quando eu contei para os meus pais que iria pedir demissão da Record para me dedicar a um projeto pessoal, eles acharam que eu não estava muito bem da cabeça – até pouco tempo atrás eles ainda achavam isso (risos). Mas sempre respeitaram minha decisão e tentaram me dar o suporte necessário dentro do que podiam. Com a Maria também não foi muito diferente. Mas ela ainda teve que sofrer mais as dores comigo.

Depois que fomos morar juntos, quando a empresa ainda não podia me pagar um pró-labore, era ela quem me dava todos os subsídios para que eu pudesse sobreviver. Desde o dinheiro para ônibus, roupas, comida, viagens etc. Com tudo isso, eu aprendi que empreender é uma decisão que, cedo ou tarde, irá influenciar na vida das pessoas que estão ao seu redor. Ao escolher que você quer empreender, você irá privar a sua família de algumas escolhas. É uma decisão difícil e, nesse aspecto, muitas vezes egoísta também. Mas sou muito grato à Maria por toda paciência e confiança que ela depositou em mim. Sem o apoio dela, com certeza a história teria sido muito pior.

Você estava com emprego bom, num grande grupo de mídia, já se encaminhando para ser repórter de TV. De onde veio essa vontade de empreender, que deixou todo mundo de cabelo em pé?

Eu já devo ter nascido empreendedor. Desde criança eu gostava de inventar coisas, eu preferia construir os meus brinquedos do que brincar com um pronto, compor músicas e fazer “rolos”. O meu primeiro violão foi fruto de um rolo que fiz, aos 11 anos de idade, com um vizinho: eu dei um patins que não me servia mais e ele me deu o violão. Essa era a época em que meus pais estavam mais apertados de dinheiro, então eu construía coisas ou fazias rolos para poder ter as coisas que eu queria.

Um pouco antes dessa época, quando eu tinha uns oito anos de idade, eu montei uma vara de pescar com ímã para pegar as moedas que caíam no ralo que tinha em frente à cantina do colégio. Era um fosso de uns 5 metros de altura. E eu ficava no recreio ou no final da aula pescando as moedas que caíam lá. Enfim, cresci querendo montar coisas, fazer coisas… Tive banda de rock na adolescência. Acredito que tudo isso fez com que a minha veia empreendedora florescesse.

E como surgiu a ClapMe?

Ainda na época da faculdade, eu dizia para os meus amigos de classe – inclusive para Maria – que um dia montaria um negócio. Não tinha ideia exatamente do que seria. Mas dizia que iria montar um negócio no mercado da música. O pessoal me achava meio doido, inclusive Maria. Até tentei arrumar uns sócios na faculdade, mas ninguém levou muito a sério. Quando eu estava no final da faculdade, já estagiando na Record, eu tentei montar a ClapMe com alguns amigos da Record. Não foi muito para a frente e acabei guardando a ideia na cabeça.

No final de 2011, quando estava em Ribeirão Preto prestes a voltar para São Paulo, conheci o Diego Yamaguti da Silva e o Felipe Imperio. Na época, eles estavam encerrando as operações da AdBees, uma plataforma de compras coletivas. Comentei com eles que tinha uma ideia ainda da época da faculdade: um palco virtual para artistas se apresentarem. Eles gostaram da ideia e começaram a me ajudar a tirá-la do papel. Decidimos virar sócios. Pouco tempo depois, ligamos pro Celso e convidamos ele para ser nosso sócio também.

 

“Para mim, ser empreendedor não é ter um bom diploma. Está mais ligado à personalidade da pessoa e ao modo como enxerga o mundo. Conhecimento qualquer um pode adquirir. Resiliência, não. E, para mim, resiliência é a principal virtude que um empreendedor precisa ter”

 

Como é o dia a dia da empresa?

Eu tendo a dizer que empreendedor não se constrói. Ou você é ou você não é. Toda empresa precisa ter pelo menos um sócio que seja realmente empreendedor. Tem gente que cria um negócio sem ter a veia empreendedora e, para o projeto evoluir, precisa encontrar um sócio que assuma esse protagonismo empreendedor. No caso da ClapMe, acredito que os quatro sócios tenham essa veia empreendedora. Dependendo do momento ou da situação, um dos quatro assume o protagonismo – e isso é muito bom para dividir o peso e as responsabilidades do negócio.

Na tua opinião, qual a principal característica de um bom empreendedor?

Para mim, ser empreendedor não é ter um bom diploma, conhecimento, bagagem, experiência – apesar de que tudo isso agrega valor e, muito provavelmente, fará com que você economize tempo na sua jornada empreendedora. Para mim, ser empreendedor está mais ligado à personalidade da pessoa e ao modo como enxerga o mundo. Conhecimento qualquer um pode adquirir. Resiliência, não. E, para mim, resiliência é a principal virtude que um empreendedor precisa ter.

Falando particularmente de mim, acho que o meu lado empreendedor nasceu muito antes da ideia – por mais que eu tenha começado a ClapMe sem ter a menor ideia prática ou teórica do que era empreender (risos). Se não tivesse sido a ClapMe, cedo ou tarde, teria sido outro negócio, outra ideia. Até hoje muito dos nossos acertos são com base nos erros que a gente cometeu lá atrás e que ainda cometemos.

Não somos empreendedores acadêmicos ou de “palco” (aqueles que vendem mais livros e palestras do que desenvolvem negócios). Eu e meus sócios somos empreendedores “graxa”, como costumamos dizer. Estamos construindo nossa empresa em cima de cada erro e acerto que cometemos. E isso dá um tesão danado, pois o desafio é constante.

 

“Investidor gosta disso: empreendedor que não desiste mesmo quando todo mundo já desistiu”

 

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do normal das pessoas. Como é a tua rotina?

Eu não consigo mais separar trabalho de vida pessoal. Sei que isso pode até ser considerado errado. Mas é o modo como vivo a vida. E acaba tendo bônus e ônus. Ao mesmo tempo em que trabalho praticamente todas as horas/dias em que estou acordado, por outro outro lado tenho a flexibilidade de organizar a minha agenda da forma que melhor me convém. Posso fazer jiu-jítsu na hora do almoço, à tarde, à noite, o horário que quiser. Posso viajar no meio da semana. Posso fazer home-office quando quiser. Se acordo com dor de cabeça, posso cancelar todas as minhas reuniões do dia e dormir – não que alguma vez eu tenha conseguido de fato fazer isso (risos).

No começo era bem difícil. Porque eu não tinha dinheiro para poder fazer coisas com a Maria (jantares, cinema, viagens etc) nem tempo, pois tinha que trabalhar o máximo que aguentasse para mudar a situação. Mas, de fato, esse equilíbrio só vem com o tempo e com dinheiro. Hoje, eu e meus sócios já conseguimos nos organizar melhor para aproveitar também nossas famílias. Por exemplo: eu tenho um acordo com Maria de não usar o celular para trabalhar em viagens de férias. E tenho conseguido respeitar o acordo. Eu vou trabalhar todos os dias de bike elétrica – são 7 km entre Moema, onde moro, e a Vila Madalena, onde fica o escritório. Gosto de aproveitar o trajeto para pensar em novas ideias, observar a movimentação da cidade.

Quais são os planos de futuro para a ClapMe?

Estamos negociando mais um round de investimento – este será o nosso 4º round – para ampliar algumas linhas de negócio. Estamos inseridos dentro de um mercado (mídia/economia criativa) extremamente competitivo e com poucas barreiras de entrada. Então, acaba ganhando quem tem mais velocidade e melhor execução. Vale lembrar que a ClapMe precisou dar uma pivotada em 2016 para sobreviver.

No começo, queríamos ser uma plataforma de assinatura de conteúdos artísticos (peças, shows, etc)… uma espécie de “Netflix de shows ao vivo”. Por várias razões, o modelo acabou não tracionando. Decidimos guardar o modelo numa gaveta imaginária e decidimos ir atrás de onde estava o dinheiro desse mercado.

Acabamos nos tornando uma espécie de plataforma de conteúdos para agências de publicidade e marcas. Só em 2018, nós realizamos mais de 100 projetos com transmissões ao vivo com marcas. Indiscutivelmente, somos hoje a principal empresa que atende o mercado publicitário na criação, na produção e na execução de ativações com transmissão ao vivo.

Mas, há alguns meses, nós decidimos retomar o nosso modelo de negócios “raiz” – a assinatura de conteúdos – e estamos desenhando novas estratégias para conseguir colocar o modelo de pé.

 

“Dinheiro bom é o dinheiro dos clientes e não o dinheiro de investidor”

 

Muitos empreendedores que acompanham esta coluna tem curiosidade sobre a captação de investimentos. Como foi para vocês?

O curioso dessa história é que não estávamos buscando investimento quando começamos a negociar com eles. Havíamos acabado de ganhar o InovAtiva Brasil (um programa brasileiro de startups público e privado) e parte da premiação resumia-se a mentorias dessas alumnis de Harvard. Com isso, pudemos ser 100% transparentes com eles, contando sobre nossas dificuldades, falhas… E, depois de alguns meses, a proposta surgiu deles.

Foi um aprendizado muito legal: é muito melhor quando o investidor quer vocês do que o contrário. E de novo bato na tecla da resiliência. Tendo a acreditar que foi a nossa persistência – mesmo frente a diversos fracassos e incertezas – que chamou a atenção deles. Investidor gosta disso: empreendedor que não desiste mesmo quando todo mundo já desistiu.

Quero destacar quem são nossos investidores: Jump Brasil (aceleradora do Porto Digital, Recife), Triple Seven (fundo privado de investimento aqui de São Paulo) e HBS Brasil (Harvard Business School Brasil, comitê formado por alumnis de Harvard que investem em empresas de inovações). O investimento de HBS foi muito produtivo, pois trouxe pra dentro do negócio mais de 20 executivos de alto escalão. Diretores, VPs, Presidentes das maiores corporações globais (ambev, Itaú, IBM, Cielo etc). Só de ter a agenda de pessoas com esse gabarito para tomar um café e falar de negócios, o investimento já se justifica.

Que dicas pode dar aos empreendedores que estão chegando agora?

Vá atrás do dinheiro. Às vezes a ideia pode ser brilhante, escalável, sexy e ultra-inovadora. Mas ela não valerá de nada se você não tiver clientes. Dinheiro bom é o dinheiro dos clientes e não o dinheiro de investidor. Ache um modelo rápido de colocar de pé, mesmo que não seja o mais brilhante, escalável, sexy e ultra-inovador. Mas vai ser o modelo para fazer com que você, no futuro, possa desenvolver o outro modelo mais brilhante, escalável, sexy e ultra-inovador. Eu vi muita startup morrer porque os sócios ficaram insistindo em um modelo que não gerava receita. No começo você até se vira para manter a operação. Mas depois de dois, três anos… fica inviável.

Outra dica: não decida empreender por falta de opção e sim o contrário. Empreender é uma escolha! Tenho visto muitas pessoas que estão montando negócio porque perderam o emprego, por exemplo, e sem alternativa estão montando startups. Isso é ruim para a pessoa e também para o ecossistema. O mercado satura com um monte de startups mal administradas e sem visão de futuro.

Na tua opinião, qual o futuro do Brasil?

Ainda temos muito o que evoluir em relação a empreendedorismo no Brasil. A mudança talvez precise começar nas escolas. Como jornalista posso dizer que não aprendi nada na universidade sobre empreendedorismo. É importante fomentar o assunto nas universidades e gerar debates entre os alunos. Eu gosto muito de contribuir com o mercado de empreendedorismo. Sempre que posso, dou mentorias para novos empreendedores, participo de eventos de setor e afins. Em breve, espero ter condições para me tornar investidor.

Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Estimulada pela ONU, pesquisa deve ajudar na construção de cidades mais humanas

12 de dezembro de 2018

Maure Pessanha *


Na trilogia Homo Faber, o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e a arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade. Uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

 

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno.

Rocinha, no Rio, onde a percepção da população para o aumento de favelas é de 97%. Foto: Wilton Junior/Estadão-30/4/2018

 

Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startup propicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

 

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

 

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção de que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

 

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.re ou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

 

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil

 

 

|Por Maure Pessanha

Na trilogia Homo Faber,o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade; uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno. Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a iniciativa Consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startuppropicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveisé uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.reou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

|Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A criatividade como estratégia de desenvolvimento sustentável

10 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Lucas Foster é psicólogo especialista em criatividade. Em 2011, fundou a ProjectHub, empresa de tecnologia que acelera e simplifica o investimento em projetos criativos com foco na experiência de vida das pessoas, na inovação e no desenvolvimento sustentável. Atende clientes como Google, Mercado Livre, YouTube, entre outros gigantes.

Para ele, é difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil, por isso prefere ver os negócios em “ciclos de amadurecimento”. “Penso que (fazer negócio no Brasil) é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra”, diz ele, que na entrevista abaixo conta mais de sua experiência como empreendedor.

O empreendedor Lucas Foster, do ProjectHub. Foto: Rafael Arbex/Estadão

Como é ser empreendedor com um pé na psicologia?

Me formei em psicologia, mas sempre me interessei pelo empreendedorismo. Meus avós eram empreendedores, assim como meus pais. Nasci e vivi a maior parte da minha vida na região da Avenida Paulista. Sou filho de pais que vieram do interior nos anos 1960, cresceram na periferia da cidade e conquistaram muitas coisas por uma extrema dedicação aos estudos e ao trabalho.

Como surgiu o empreendedor em você?

Meus pais assinavam as revistas em quadrinhos da Turma da Mônica, que chegavam todo mês, desde os meus 6 anos de idade. Um dia, decidi pegar todas elas e levar na calçada da rua onde a gente morava. Junto com meus amigos, vendemos tudo e, ao final do mês, tínhamos dinheiro suficiente para comprar alguns brinquedos e ir a uma lanchonete da Rua Augusta. Tenho na minha recordação que essa foi a minha primeira experiência empreendedora. Só não continuei fazendo isso porque tinha acabado o estoque (risos).

Já na vida adulta, decidi empreender porque não enxergava outra alternativa para o desenvolvimento da minha vida profissional. Eu tinha começado minha carreira no setor público, pois acreditava na missão de qualificar a experiência de vida das pessoas de maneira direta e efetiva. No entanto, a burocracia e a cultura do setor público no Brasil dificultam bastante a realização deste propósito. Com isso, tentei buscar emprego no setor privado, mas não conseguia me encaixar nas vagas que me interessavam. Assim, fiquei com duas alternativas: ou voltava para a faculdade ou empreendia. Decidi empreender.

E a ProjectHub?

Após realizar um período de estudos em liderança internacional fora do país, retornei ao Brasil, em 2010, com o desejo de empreender para qualificar a experiência de vida das pessoas, um propósito que me acompanhou durante toda a vida e que se tornou realidade em 2011.

No início, quando registrei o domínio do site e fiz minha primeira apresentação comercial, a única coisa que tinha certeza era que minha empresa iria trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas. O resto foi consequência do meu entusiasmo em trabalhar por este objetivo.

A família participa do empreendimento, do estilo de vida?

Minha família foi determinante para minha decisão de iniciar um negócio e continuar persistindo até ele dar certo. O investimento financeiro que eles fizeram no início foi: não me expulsar de casa e oferecer um teto, roupa, comida, um computador e acesso à internet até que eu começasse a ganhar dinheiro por conta própria, o que levou quase um ano.

No entanto, o verdadeiro e principal apoio que eles me deram foi afetivo e emocional. Tinham a paciência de me ouvir e conversar comigo sobre as coisas que tinham acontecido naquele dia, incentivar e valorizar minha coragem e meu empenho. Sem dúvida alguma, o acolhimento emocional dos meus pais foi o melhor investimento que eles poderiam ter feito, pois o custo financeiro era baixo, mas o retorno em dedicação, persistência e equilíbrio emocional eram muito altos.

Com isso, foi questão de tempo até encontrar o modelo de negócios certo que equilibrasse o propósito de trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas e a necessidade de ganhar dinheiro com isso.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso com você?

Existe uma grande diferença entre o tempo do empreendedor e o tempo do colaborador. Ambos são essenciais e interdependentes. A convenção de um período fixo do dia dedicado para o trabalho permite ao colaborador a possibilidade de estabelecer uma rotina um pouco mais estruturada, mas não é uma realidade comum ao empreendedor.

Ao mesmo tempo em que o empreendedor precisa ser responsável por liderar o negócio e gerar oportunidades que tragam o faturamento necessário para preservar essa rotina aos colaboradores, essa condição permite ao empreendedor ter uma flexibilidade maior no seu dia a dia, inclusive para assumir compromissos e responsabilidades afetivas que não dizem respeito ao conjunto de deveres dos colaboradores, como a ansiedade com o futuro, as incertezas do mercado, as mudanças no relacionamento com fornecedores, parceiros e governo e, principalmente, a necessidade de manter seu negócio competitivo e relevante para seus clientes.

Aos poucos, portanto, fui perdendo o contato com meus amigos que escolheram uma trajetória corporativa e fui me identificando, cada vez mais, com outros empreendedores e empreendedoras considerando que os desafios e a realidade são mais parecidos. Hoje, faço parte de vários grupos e comunidades empreendedoras no Brasil e em outros países sempre com a intenção de construir uma rede de apoio que ajude cada um de nós a ser melhor um dia após o outro.

Quais são os planos para os próximos anos?

É muito difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil. Penso que é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra. Por isso, prefiro olhar para a evolução dos nossos negócios em ciclos de amadurecimento.

Desde a fundação da ProjectHub, vivemos três ciclos de amadurecimento com resultados expressivos. Agora, estamos iniciando nosso quarto ciclo de amadurecimento. Em 2019, vamos anunciar a criação de duas novas empresas, o LabCriativo (empresa de mídia e educação) e a Originals Media House, nossa empresa produção audiovisual.

Ao mesmo tempo, continuaremos investindo para trazer novos talentos e mais inovação para a ProjectHub, nossa empresa de tecnologia que fornece software para grandes empresas fazerem a transformação digital de seus investimentos de marca, reduzindo custos e desperdícios de tempo e energia de seus colaboradores.

Se você pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Os setores ligados à criatividade e à inovação estão em forte expansão. Com a evolução das novas tecnologias e cada vez mais pessoas conectadas, novos modelos de negócios surgem diariamente e, portanto, mais oportunidades para novos empreendedores. A melhor maneira de começar nesta área é pesquisando o mercado, participando de grupos e comunidades ligadas ao tema e testando sua ideia antes de realizar grandes investimentos.

Compartilhe suas ideias de maneira saudável com pessoas próximas e confiáveis. Teste o seu discurso e crie um MVP (minimum viable product, ou produto mínimo viável) antes de contratar pessoas ou assumir custos fixos robustos. Ou seja, minha principal dica é que os entrantes sigam um conceito usado pelas startups chamado “bootstrapping”.

Fazer bootstrapping significa começar um negócio a partir de recursos limitados, sem o apoio de investidores. Ou seja, nessa forma de iniciar startups, o empreendedor geralmente utiliza recursos próprios para lançar o negócio sem o apoio de fundos de investimento e prioriza o faturamento com clientes em vez de ir em busca de grandes investidores.

Qual o futuro do Brasil?

O futuro do Brasil é promissor. Temos um mercado consumidor em potencial gigantesco, somos o maior país da América do Sul e uma das maiores economias do mundo. O brasileiro gosta de novas tecnologias e é um grande consumidor de diferentes tipos de conteúdo. O contexto mostra que estamos em um momento de transição e que o Brasil precisa se conectar mais com a Ásia e ampliar seus investimentos em educação, redução da burocracia e diminuição das despesas públicas, incluindo a Previdência e folha de pagamento com servidores.

Se essas medidas forem feitas de maneira eficaz, o Brasil passa a ser um solo fértil para o desenvolvimento de novos negócios, atraindo investimentos e gerando emprego. Me vejo contribuindo com o desenvolvimento do Brasil, mas entendendo que minha parte é muito pequena diante do todo.

No entanto, qualquer organização comprometida em incentivar a criatividade e a inovação como estratégias de desenvolvimento sustentável, para qualificar a experiência de vida das pessoas no Brasil e que atue para conectar nossa economia criativa com o mundo, para ampliar oportunidades aos nossos empreendedores e acelerar a internacionalização de startups brasileiras ao redor do mundo, deve ser estimulada e apoiada. Vamos em frente.

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)