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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Você sabe o que é brand utility? Uma rápida história do guia de turismo mais famoso do mundo

22 de julho de 2014

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor

Uma das ferramentas de marketing que mais gostamos é a “Brand Utility”. Não se trata de um conceito novo no mundo dos negócios. Porém, com a Internet, suas redes sociais e Smartphones, sua aplicação ficou mais fácil.

Brand Utility nada mais é do que criar ações, produtos ou serviços gratuitos que vão fazer diferença na vida do consumidor. Esses materiais devem ser úteis e se encaixar na proposta da empresa que os desenvolve.

Quando se fala em Brand Utility, um dos cases mais citados é o do Guia Michelin, criado na virada do século 19 para o 20 pelos irmãos franceses André e Edóuard Michelin para estimular as pessoas a fazer turismo com seus carros (algo que provavelmente aumentaria as vendas dos pneus que eles já fabricavam). O guia continha mapas, dicas de restaurantes e hotéis, instruções para trocar pneus e endereços de postos de gasolina, e era distribuído gratuitamente. Hoje, o Guia Michelin é um dos mais conceituados guias gastronômicos do mundo, e as estrelas que, sem muita generosidade, distribuem (ou retiram) para alguns poucos estabelecimentos do planeta, podem significar o sucesso ou o fracasso de chefs e restauranteurs.

Apps

Atualmente, smartphones e tablets são o principal espaço de criação de ações de Brand Utility: Nike, Adidas e Asics oferecem aplicativos para auxiliar corredores amadores, oferecendo informações sobre o percurso, batimentos cardíacos e muito mais. A Bayer, uma gigante da indústria farmacêutica, desenvolveu o app BPV, que ajuda seus clientes (e também os clientes da concorrência) a nunca esquecer a hora de tomar um medicamento.

A Cervejaria Eisenbahn (depois de vendermos a empresa para o Grupo Schincariol – hoje, Brasil Kirin), também entrou na onda do Brand Utility, lançando um aplicativo que traz informações sobre dezenas de tipos de cerveja e indicando o copo ideal para consumi-las. De quebra, ainda ensina como degustar e harmonizar a bebida. Foi um sucesso imediato, inclusive em outros países, e alavancou ainda mais o já respeitado nome da empresa entre os fãs de cervejas especiais. Veja as versões para Android e Apple.

Tela inicial do App da Eisenbahn

Na Vermont, a linha de queijos e outros produtos especiais que estamos desenvolvendo dentro da Laticínios Pomerode, queremos transformar a marca em referência de cultura queijeira no Brasil. O Brand Utility, com toda certeza, será uma ferramenta importante para ajudar as pessoas a comprar, harmonizar e preservar queijos especiais.

Quer se dar bem nos negócios? Siga a teoria do filme Escola do Rock

21 de julho de 2014

Parte do elenco, dez anos depois

Recentemente, e tenho certeza que foi por culpa do algorítimo do Facebook, reapareceu na minha timeline fotos da reunião de dez anos dos atores do filme Escola do Rock. O encontro ocorreu no fim do ano passado. Sucesso de público (não tenho certeza se foi de bilheteria), o filme contava a história de um músico que assume – sem a escola saber – o papel de professor de crianças.

O professor era interpretado por Jack Black e, sem saber o que fazer com aquelas crianças, ele passa a ensiná-las música. E forma uma banda para que o grupo pudesse participar de um concurso, muito comum nos Estados Unidos, em que bandas duelam por um prêmio – as famosas batalhas de bandas.

O resto da história você conhece.

Já que sempre procuramos falar de empreendedorismo aqui (admito, pelo menos no meu caso, que nem sempre conseguimos), me ocorreu o seguinte: muito se fala sobre a importância das marcas, sobre como as marcas podem (ou devem) ser revelantes para os consumidores.

E acho que esse filme é o típico exemplo de como é bacana quando essa mágica acontece. A história era difícil de engolir. Um professor que ensina rock´n roll aos alunos escondido dos pais e da escola. Pior: quem seria o público-alvo do filme? Jovens, crianças, adultos?

Mas aí a mágica aconteceu. A rede de escolas de música que ensina rock para crianças e jovens, que inspirou o filme, ajudou e o público adotou a história. E aí, a coisa não parou mais de crescer. E a história cativou jovens, crianças e adultos. O que isso tudo tem a ver com empreendedorismo? Nada ou tudo, afinal, o filme é o exemplo claro da necessidade  cada vez maior –  de transformar consumidores em fãs.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e escreve no Blog do Empreendedor bem de vez em quando.

Canvas da Proposta de Valor: conheça a ferramenta que será tema do próximo livro de Alex Osterwalder

21 de julho de 2014

Professor de Inovação da ESPM e criador do Laboratorium

Já tem data marcada o lançamento do novo livro de Alex Osterwalder e equipe – Value Proposition Design: How to Make Stuff People Want será lançado na Amazon norte-americana em 20 de outubro de 2014.  O novo livro, cujo título pode ser livremente traduzido como – Desenho da Proposta de Valor: Como fazer Coisas que as Pessoas Querem – é a obra onde o criador do Canvas do Modelo de Negócio detalha um “plug-in” para melhor entender e projetar a proposta de valor e segmentos de clientes. O Canvas da Proposta de Valor é a ferramenta que não só auxilia no desenho de produtos e serviços para atender as necessidades de um (ou mais) segmento (s)  de clientes como visa facilitar o “fit”  do que será oferecido com o “job-to-be-done” (ou tarefa a ser realizada).

“Os clientes não querem uma furadeira, mas sim o buraco na parede” já ensinava Theodore Levitt. Então, o job-to-be-done não é apenas fazer o furo, mas pendurar um quadro, uma prateleira, um armário…  É algo que o cliente quer ver resolvido.  Os dois blocos desse novo Canvas são um “zoom” em  dois dos nove blocos do Business Model Canvas.

O bloco do lado direito representa PARA QUEM: quais são os segmentos de clientes. Nesse espaço devemos observar, conhecer, praticar a empatia com os possíveis clientes.  Entender quais as dores e as expectativas que estão ligadas à tarefa a ser realizada. Já o bloco da esquerda é o espaço para a criatividade, para pensar a proposta de valor – o local onde devemos desenhar um O QUÊ único –  para aliviar as dores e atender/exceder as expectativas do(s) segmento(s) de cliente(s) identificado(s) e escolhido(s).

A nova ferramenta é um guia visual para que o empreendedor construa diferentes hipóteses para atender o cliente e/ou identificar o segmento correto que reconhece valor na proposta oferecida. Vencidos esses dois primeiros blocos, é o momento de transpor a síntese para o próximo passo – que é inovar no modelo de negócio como um todo, dessa vez usando o Canvas do Modelo de Negócio. Juntos, são duas importantes peças do processo de design de negócios. Se você quiser ver um exemplo desse novo canvas em ação, sugiro assistir o programa Alma do Negócio na TV, lançado recentemente, onde eu converso com Paola Tucunduva sobre a nova ferramenta – e fazemos um exercício de completar o Canvas da Proposta de Valor do Programa.

Pare de reclamar! A frase que fez uma empresa valer US$ 3,3 bi

18 de julho de 2014


Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

A situação é sempre a mesma. Você pega o elevador rumo ao subsolo onde está seu carro. Mas passando pelo piso térreo, o elevador para e abre as portas.  Um rosto meio sem graça aparece e pergunta: “Ah… tá descendo, né?”.  Você solta um grunhido parecido com o que os seus olhos já tinham respondido.

Por que há tantas pessoas que apertam o botão “descer” quando, na verdade, querem subir? E por que continuam fazendo isso? Como chamar uma pessoa que faz a mesma coisa esperando resultado diferente?

E isso não é valido apenas para os elevadores, mas também para suas trajetórias de vida.

Quantas pessoas querem pegar o elevador do estudo? Quando Thai Nghia chegou no Brasil em 1979, fugido do seu país, ele tinha ficado a deriva no oceano e havia sido regatado por um navio da Petrobrás. Thai não falava português e ainda não havia dicionário Vietnamita-Português para ele sequer se comunicar.

A primeira coisa que decidiu fazer foi criar o tal dicionário já que talvez outra pessoa precisasse mais do que ele. Aprendeu a língua portuguesa sozinho e cinco anos depois já tinha ingressado na USP e trabalhava em um importante banco brasileiro. Nesta época, emprestou dinheiro para um amigo fabricar bolsas e ele não conseguiu pagar o dinheiro devido. Para reavê-lo, Thai passou a vender as bolsas durante o dia, trabalhando no banco à noite. Ganhava mais dinheiro com as bolsas e decidiu abrir um negócio. Chamou a empresa de Yepp e depois mudou para Góoc, uma das marcas brasileiras pioneiras a tratar a sustentabilidade com seriedade e convicção.

Quantas pessoas estão esperando o elevador da perda de peso? Em 1961, a dona de casa Jean Nidetch tinha 38 anos, media 1,75 metro e pesava quase 97 quilos. Então, ela notou que não somente ela, mas todos a sua volta estavam obesos. Jean começou um regime e algumas semanas depois reuniu seis amigas “gordas” para anunciar que ela tinha perdido 18 quilos. E as desafiou a seguir seu programa de regime. O grupo começou a se reunir periodicamente para relatar os avanços e em poucos meses todas perderam peso. A própria Jean atingiu 64 quilos um ano depois. Percebendo que tinha uma grande oportunidade de negócio, fundou a Vigilantes do Peso, uma empresa que vale US$ 3,3 bilhões atualmente, com ações negociadas na Bolsa de Nova York.

Quantas pessoas aguardam o elevador do emprego melhor? Após diversas tentativas, Walter Elias, desistiu de encontrar o emprego dos seus sonhos. As empresas achavam que ele não tinha talento suficiente e não tinha potencial para avançar na carreira. Cansado, ele se juntou a um amigo e criou uma empresa para explorar seu dom artístico. Só um detalhe, o sobrenome de Walter era Disney e o resto da história você conhece.

Quantas pessoas ficam apertando o botão “reclamar” para chamar o elevador de um mundo melhor? O alemão Peter Eigen parou de reclamar em 1993, quando co-fundou a ONG Transparência Internacional, que monitora e divulga o nível de corrupção nos países. Agora, outros reclamam por ele. Graças ao ranking da corrupção mundial da Transparência, em 2013, as populações da Dinamarca e Nova Zelândia, países menos corruptos do mundo, podem reclamar das razões de suas nações terem tirado nota 9,1 e não 10. E no Brasil, a população nem sabe que a nota do País foi 4,2…

Há outros milhões de botões que estão sendo apertados neste momento. Mas enquanto estas pessoas continuarem apertando o botão “descer”, continuarão onde estão.

Quer subir na vida mas o elevador está demorando? Vá de escada!

O que um empreendedor na Índia pode ensinar aos brasileiros

17 de julho de 2014

Rafael Mambretti é empreendedor e escreve da Índia toda semana

Conheci Devendra Singh Parmar, ou Dave para simplificar, em uma visita ao sagrado Rio Ganges. Lá, ele contou um pouco de sua história e do que fazia. Por muitos anos, Dave trabalhou com mármore aqui na Índia, aprendeu tudo que tinha que aprender, depois passou para o ramo da construção e finalmente chegou ao seu empreendimento atual: a Ojaswini Infratech Pvt. Ltd.

No meu retorno a Delhi, contatei Dave e perguntei se ele gostaria de compartilhar seu conhecimento, mesmo que sendo para o público brasileiro; ele topou! Esse e outros posts tentarão trazer como é o dia a dia, a experiência, os desafio e as vantagens de ser um pequeno empresário na Índia.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2014. São 7 da manhã, lá fora, 40º centígrados. Dentro da casa, 39º centígrados – ainda bem que existe ar-condicionado. Quem pode tem, quem não pode, assim que puder, terá um. Ar-condicionado, por causa do calor, é um grande mercado na Índia. Acordamos, Dave levará seus filhos na escola perto de sua casa. Depois, ele me sinaliza que iremos visitar o ‘site’, ou seja, o local onde sua empresa está construindo o primeiro de vários empreendimentos que marcam um novo rumo, tanto para Dave, quanto para a Ojaswini.

Trata-se de um condomínio residencial. Isso mesmo, desses que existem aos montes no Brasil e que começam (cada vez mais) a pipocar na Índia. O empreendimento fica a caminho de Jaipur, cerca de 220 quilômetros do local onde estamos. Jaipur é conhecida como a Cidade Rosa, uma das mais antigas do mundo. Antes mesmo de sairmos da cidade, encontramos o responsável pelo departamento de marketing da empresa, ele se junta a nós rumo ao ‘site’.

Antes mesmo de alcançarmos a metade da viagem, uma primeira parada para visitarmos um antigo amigo de Dave. Como acontece em muitos lugares na Índia, fomos bem recebidos e bem tratados. Chá e aperitivos indianos à vontade, praticamente um café da manhã. Ao sairmos, pergunto ao Dave o que o amigo dele faz, ele responde falando que ele é dono de várias terras ali na região. Retomamos a estrada, menos de uma hora depois e uma nova parada. Dave quer tirar fotos de uma região à beira estrada, disse que o lugar tem potencial para ser um futuro projeto.

Gostei do que ouvi, Dave já está pensando lá na frente, daqui três ou cinco anos, apesar de tanta coisa que é necessário ser feita no presente, é importante não negligenciar o futuro. Eu avisto um prédio rosa, no meio do nada, escrito “Builders Incorporation Pvt. Ltd”, imagino que ali seja o escritório de uma empresa que fornece mão de obra para construções. Para minha surpresa, cinco minutos depois Dave faz um retorno na estrada (a palavra correta seria, cria, pois os indianos no trânsito criam suas próprias vias e caminhos), e volta em direção ao prédio.

Novamente, ele disse que iria parar para visitar um velho amigo. Chá, conversas em Hindi e cerca de 45 minutos depois estamos rumo ao projeto. Questiono quem eram as pessoas com quem conversamos, Dave explica que eles são moradores da vila  e um deles (o que estava sentado na cadeira mais confortável e atrás da mesa) é o chefe do lugarejo. Eles, os moradores da vila, venderam parte da terra para uma empresa que fez uso, mas não pagou 100% do combinado. Resultado? Eles tomaram o prédio da empresa enquanto a companhia não paga. Simples não.

Surpreso? Espere até o próximo post, quando pretendo contar como foi uma das reuniões mais complicadas (e longas), que já presenciei.

Namastê, Rafael

O que a dependência de Neymar (ainda) pode ensinar aos empreendedores

16 de julho de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

A Copa do Mundo de futebol pode ser uma experiência positiva de aprendizagem sobre a vida. Um exemplo: trabalho coletivo. O Brasil colocou todas as suas esperanças num único salvador da pátria. Aliás, é uma tradição nossa, herdada dos portugueses: o sebastianismo se caracteriza pela espera do retorno do rei Sebastião de Portugal, quando ele e toda sua corte foram lutar com os mouros e pereceram na batalha de Alcáter-Quibir, em 1578.

Ninguém voltou. E o povo ficou esperando pelo rei, que nunca, obviamente, voltou. Como dizia, o nosso salvador, o nosso herói, que iria mudar o estado de coisas, falhou. E aí, José?

E aí que sobrou um bando, desolado pela perda do salvador da pátria, o talismã, o elemento mágico que nos faria vencer o mundo. É muito provável que, com ele, também sucumbíssemos ao trabalho coletivo e colaborativo de outras equipes.

Empreendedorismo colaborativo: é disso que eu gostaria falar. Unir forças e compartilhar experiências. Não é de hoje que tenho escutado isso como a grande mudança de comportamento na forma de gerir empresas e encarar os negócios. Não é a toa que iniciativas como Kickstarter, por exemplo, faz tanto sucesso mundo afora. Compartilhar conhecimento e ter parceiros com quem dialogar é, hoje principalmente, o melhor método de construção.

Você, que empreende ou quer empreender, precisa encontrar sua manada, sua alcatéia. Busque grupos de empresários e profissionais com os quais você se identifica. Ideais, ideias e admiração profissional são critérios importantes para essa aproximação. E, dessa forma, a troca de informações e colaboração é muito maior e proveitosa. Pode ter certeza. Ficar sozinho é a pior estratégia.

Recentemente fundamos um grupo com 16 empresários, e amigos, onde cada um, traz e contribui com suas experiências profissionais. O mais bacana que é bem diversificado, com profissionais em áreas complementares como comunicação e trade, jurídico e contábil, mapeamento estratégico, supply chain e outras áreas.

Os encontros são mensais com duração em média de quarto horas. E para aproveitar melhor, sempre dividimos o tempo em algumas alguns módulos para discutirmos cases, tendências e agora, projetos reais.

Atualmente, estamos iniciando os estudos dos primeiros cases de negócios. São startups de empresas que precisam, mais do que quaisquer outras, de diálogo e pensamento crítico.

Aliás, crítica! Queria muito falar sobre essa palavra “mardita”.

Porém, deixo para o próximo post, na semana que vem.
Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.

 

 

 

Pequenas ações que surpreendem

15 de julho de 2014

Vez ou outra nos deparamos com pequenas ações de empresas que nos surpreendem, nos encantam e nos tornam fãs. Nos tornamos “apóstolos” das marcas, difundindo-as pelas redes sociais e falando para amigos sobre as qualidades dos serviços ou produtos oferecidos por elas.

Uma empresa que surpreende seus clientes tem algo que vai muito além de discursos clichê ou de uma declaração de missão emoldurada na recepção. Essa atitude – a de surpreender – está na cultura da empresa. É algo claro e nítido para todos os funcionários. As pessoas que fazem parte da empresa precisam se sentir livres para ousar. Livres para, se for necessário, gastar um dinheiro a mais para isso.

Selecionamos para escrever esse post quatro casos que nos chamaram a atenção nos últimos tempos. São exemplos de empresas que nitidamente têm, em sua cultura, o objetivo de surpreender seus clientes. Vamos a eles:

Morton’s Steakhouse, tradicional casa de carnes de Nova York: Peter Shankman, morador de Nova York, estava se dirigindo ao aeroporto para voltar para casa. Faminto e sem tempo para comer, twitou o seguinte:

Ei @mortons, podem me encontrar no aeroporto de Newark com um Porterhouse (um corte de carne) quando eu desembarcar em 2 horas? K, Obrigado :)

Qual não foi a surpresa de Peter ao chegar e encontrar, ao lado de seu motorista, um senhor de smoking com um pacote da Morton’s em mãos? Dentro, havia um pedaço de Porterhouse, uma porção de camarões gigantes, pães, batatas, guardanapos e talheres de prata.

Quitanda: a decoração da loja e qualidade dos produtos, por si só, já impressionam. Localizada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a Quitanda é uma daquelas lojas ou mercados que nos deixam com vontade de comprar devagar, sem pressa, curtindo toda sua atmosfera. Mas uma pequena ação que nos surpreendeu, quando visitamos a loja há aproximadamente 2 meses, foi que eles oferecem pequenos carrinhos de supermercados para crianças. Quem tem filhos pequenos, como nós dois, sabe o quanto eles são fascinados por empurrar pelos corredores dos supermercados os imensos carrinhos (na visão delas), atropelando as pessoas e tornando bem mais longo o tempo que gostaríamos de gastar lá. É provável que as crianças peçam, ou no mínimo não se incomodem mais, em acompanhar os pais nas visitas à Quitanda. E todo mundo sabe o quanto as crianças influenciam nas decisões de compra.

Compare o tamanho do carrinho com o extintor de incêndios ao lado

Danny Meyer: Um dos mais respeitados restauranteurs de Nova York, Danny Meyer é um dos poucos empreendedores que consegue transformar a ideia de surpreender seus clientes em cultura da empresa. São inúmeros os casos listados por ele em seu livro sobre bem servir: “Setting the Table”. Mas um caso que chama a atenção foi quando o maître de um de seus mais sofisticados restaurantes recebeu um casal que comemorava uma data especial. Para pós jantar,eles haviam separado em casa uma garrafa de champanhe, mas logo após sentarem à mesa lembraram que haviam deixado a garrafa no freezer e que ela provavelmente estaria quebrada quando o jantar terminasse. Percebendo a decepção dos dois, o maître prontamente se ofereceu para ir até a casa deles tirar a garrafa do congelador. Mas ele não fez só isso. Levou um bonito cartão acompanhado de pequenas porções de doces servidos no restaurante.

Style Market, loja virtual de moda feminina: Todo mundo gosta de chegar a uma loja física ou algum restaurante e ser reconhecido pelo vendedor, pelo gerente ou pelo dono. Nos dá uma certa sensação de prestígio. Mas como fazer isso se você tem uma loja virtual, em que muito raramente você chega a ter contato com uma pessoa? A Style Market surpreende suas clientes enviando junto com o pedido um cartão escrito a mão, agradecendo pela compra. Uma demonstração clara de que existe gente por trás daquela tela fria do computador. Mais surpreendente ainda é receber, na segunda compra, mais um cartão escrito a mão, perguntando se a cliente gostou do produto que comprou na primeira vez e, novamente, agradecendo por voltar a comprar com eles. Simples, fácil, e surpreendente.

Para conhecer mais sobre a Morton’s, visite http://www.mortons.com.

Para conhecer a Quitanda, visite http://www.quitanda.com.

Danny Meyer e seu império gastronômico, http://www.ushgnyc.com.

E a loja virtual com gente de verdade por trás: http://stylemarket.com.br.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

Ideia maluca + crowdfunding são ingredientes de uma salada histórica

14 de julho de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM

Está no ar, no Kickstarter (principal site de crowdfunding americano), uma campanha de arrecadação de fundos para fazer salada de batata! Sim, isso mesmo, salada de batatas. Um americano chamado Zack Danger Brown iniciou uma campanha para arrecadar fundos para fazer uma salada de batatas. Até quinta-feira da semana passada já tinha arrecadado mais de US$ 44 mil  (e ainda faltam cerca de 15 dias para terminar o prazo, você pode acompanhar aqui).

As recompensas para a salada estão disponíveis a partir de US$ 1 – e ter seu nome citado no website – ou doar US$ 50,00 e receber um livro com diferentes receitas de salada de batata ao redor do mundo. O sucesso do empreendimento está fazendo história, pois o número de pessoas que apoiam o projeto não pára de crescer – apesar do empreendedor ainda não saber como fazer para que os apoiadores que desejarem possam “provar” o produto. O autor está espantando com o sucesso da campanha e já prepara novos projetos para aproveitar o apetite dos americanos para o até então desconhecido “nicho” que a salada da batata representa.

Acredito que o caso é emblemático e traz duas importantes lições:

1) o amadurecimento do crowdfunding, ou seja, do financiamento coletivo, onde a multidão se junta para apoiar e financiar uma ideia originária de uma pessoa ou uma organização. Crowdfunding pode financiar praticamente tudo que se possa imaginar, desde uma banda, uma pesquisa cientifica, um escrito, um livro, uma campanha ou uma salada de batatas!  Ainda está engatinhando no Brasil a possibilidade de se investir numa empresa diretamente – o chamado equity crowdfunding – uma das primeiras iniciativas é a http://www.eusocio.com.br/. Mas esse tipo de forma de fundo de investimento coletivo já é sucesso no exterior, com iniciativas como o Crowdcube (na Inglaterra).

De qualquer maneira, mesmo não buscando um sócio-investidor, o empreendedor pode usar o crowdfunding como forma de validar seu produto piloto, uma possível solução inovadora, uma ação experimental. É possível verificar a aceitação do público alvo através de uma campanha de financiamento coletivo. E o que é melhor: com investimento quase zero, pois o capital a ser investido vem dos possíveis clientes e apoiadores.

Além disso, o crowdfunding pode revelar novas oportunidades ainda não pensadas (veja o caso desse cara da salada de batata, com uma exposição mundial que ele obteve, ele poderá criar várias alternativas de negócios, desde uma maionese com marca própria até o salad potato bar, ou camisetas).

2) toda a ideia, por mais maluca que pareça, pode virar um bom negócio. Quem diria que uma simples salada de batata poderia arrecadar mais que muito empreendedor fatura em um ano! Portanto, tenha fé nas suas ideias – mas lembre-se que elas não valem nada se não forem implementadas, testadas, aprimoradas. E que é preciso aprender com os erros. As ideias devem ser colocadas à prova e irem sendo ajustadas ao longo do processo de design do negócios.

Para finalizar a reflexão desta semana, gostaria de aproveitar que estamos falando em ideias malucas e crowdfunding para divulgar uma campanha que está no ar no Catarse (principal site de crowdfunding brasleiro), que é de financiamento coletivo para a realização do Epicentro, um festival inovador de empreendedorismo que vai acontecer dias 26, 27 e 28 de setembro de 2014 na cidade de Campos do Jordão. “Onde você vai encontrar ideias, tecnologias e pessoas que estão loucas para empreender transformações verdadeiras no Brasil”, convoca o idealizador do movimento, Ricardo Jordão. Quer fazer parte desse movimento e financiar a difusão do empreendedorismo inovador? Para apoiar o Epicentro é só clicar aqui.

 

Será que estamos aprendendo mesmo com nossos fracassos?

11 de julho de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Na semana passada eu abordei o tema fracasso em que falava da importância da estória dos três porquinhos para desenvolver o comportamento empreendedor nas crianças. Mas uma semana depois, é difícil não pensar na diferença do porquinho brasileiro e o alemão.

Mas o tema fracasso começa em como cada um de nós lida com ele.

Por isso, este é um bom momento para você escrever um currículo só com seus fracassos! Não aprendemos isto na faculdade, a não ser que tenha sido aluno da Professora Tina Seelig da Universidade de Stanford.

Celebrar fracassos aumenta nossas chances de conseguir um novo emprego ou construir um negócio melhor.

Todo headhunter vai questiona-lo a respeito dos seus fracassos. Ele ou ela não quer que você se humilhe, mas que mostre a sabedoria desenvolvida a partir destes eventos.

Se você tem ou pretende abrir um negócio, o fracasso é algo presente na trajetória de todos os empreendedores. Mas alguns sabem lidar com isto, outros não.

Thomas Edison costumava dizer que nunca tinha fracassado na vida. Eu só encontrei 10 mil alternativas que não funcionaram – dizia. Edison era tão obcecado em criar, testar, descartar ou produzir uma invenção que costumava dormir no laboratório. Com isto, fundou a GE, uma empresa que hoje fatura mais de US$ 150 bilhões e provocaria o caos na Terra se deixasse de existir.

Thomas Edison tinha um grande amigo que também foi muito bom em fracassos. Sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company faliu depois de três anos de aberta. Não satisfeito, colocou seu nome na próxima empresa e a chamou de Henry Ford Company. Esta fracassou ainda mais rapidamente. Em menos de dois anos já tinha falido.

E seguindo a lógica do provérbio japonês, se cair duas vezes, levante três, no ano seguinte, fundou a Ford Motor Company. Se você acha que o resto é história, lembre-se que foi o modelo T que fez de Ford uma lenda. Mas o modelo T não foi seu primeiro modelo. Se o T não foi o primeiro, qual letra você imaginaria que Ford escolheu para seu primeiro veículo nesta fase? Pois é, com seu primeiro modelo A, Henry Ford vendeu 1.750 carros. Seu modelo seguinte, o B, vendeu 500 unidades.  Não satisfeito, Ford lançou o Ford C e vendeu 800 veículos. O alfabeto evoluiu de 1903 (A) até 1908, ano de lançamento do Ford T, que se tornou lendário com seus 15 milhões de unidades produzidas. Fracasso é somente uma oportunidade para começar novamente de forma mais inteligente – acreditava Henry Ford.

Poucos anos depois, quando Edison e Ford já estavam consolidados como exemplos de empreendedores de sucesso, outro empreendedor também passou a celebrar o fracasso. Ao assumir o comando da empresa que viria a ser a IBM, Thomas Watson espalhou diversos cartazes na empresa. Um deles dizia: Perdoamos fracassos que tragam aprendizados. Quando também se tornou um empreendedor de sucesso e questionado como conseguiu tal proeza, Watson explicou: Isto é muito simples, mesmo. Dobre a sua taxa de fracasso. Você pode imaginar que o fracasso é o inimigo do sucesso. Mas não é.  Você pode ficar desencorajado pelo fracasso ou você pode aprender com ele.

E desde então, saber celebrar fracassos se tornou um dos pilares de sustentação dos melhores empreendedores e executivos. Isto é resumido no lema de David Kelley, fundador da Ideo, a atual referência mundial em inovação: Fracasse mais para ter sucesso logo!

Marcos Hashimoto, amigo e professor de empreendedorismo, afirma que, na verdade, só um há tipo de pessoa que fracassa: aquela que não consegue aprender com seus próprios erros.

O problema é se estamos, realmente, aprendendo com nossos erros?

 

KEEP CALM e bem-vindo de volta ao trabalho

10 de julho de 2014

Léo Spigariol é dono da marca de pimenta De Cabrón

A ressaca ainda está grande. Antes de ontem nossa seleção canarinho levou um baile jamais visto em Copas do Mundo, sete gols. Um vexame que serve como uma grande lição para todos nós. A seleção da Alemanha mostrou como é importante fazer a lição de casa bem feita e ser eficiente na hora que a bola está rolando.

Infelizmente, essa derrota demonstra claramente a deterioração de nossa sociedade. Atraso nas obras, superfaturamento, vaias à nossa presidente, depredações, impunidades administrativas e um ex-presidente ufanista.

Essas são situações claras desse estágio avançado de uma doença degenerativa que relutamos em não aceitar. Hoje estamos em 85º lugar no ranking global de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), atrás da Bósnia, do Irã e do Azeibarjão, mesmo com tantas virtudes. E isso é muito mais preocupante que o vexame em nosso futebol. Chora, Brasil. Dói crescer e ficar adulto.

Ontem o ano começa. E é melhor reorganizar as estratégias e correr atrás do prejuízo pois o placar está amplamente desfavorável: 7 X 1, só para relembrar mais uma vez.