Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Por que todos os empresários deveriam (re)conhecer Yvon Chouinard

24 de junho de 2016

Talvez “Lições de um empresário rebelde” não seja a melhor tradução de “Let my people go surfing”, livro em que Yvon Chouinard narra como criou a Patagonia, uma das marcas de roupas esportivas mais prestigiadas do mundo e os pilares filosóficos e práticos que a mantém entre as empresas mais admiradas, melhores para trabalhar, mais inovadoras, melhores empresas para mamães trabalharem, que mais crescem, mais rentáveis e mais sustentáveis dos Estados Unidos, mas é o que justamente encontramos: lições de um empresário rebelde, mas rebelde às práticas vigentes.

Em um momento que estamos discutindo a corrupção corporativa, o impacto ambiental da produção, o lixo gerado do uso e pós-uso dos produtos, a ‘financeirização’ dos negócios, a instantaneidade das relações, a coisificação dos clientes e a bestialização das pessoas, as lições deste pequeno empreendedor que tem feito companhias gigantes se curvarem são, no mínimo, provocações para o desenvolvimento de uma nova geração de bons negócios realmente bons.

O livro está repleto de reflexões que invocam o equilíbrio (muitas vezes Zen) já que isto, inclusive, faz parte da própria missão da Patagonia. E a primeira lição é a passagem que abre o texto: “Sou um empresário há quase 50 anos. Mas para mim é tão difícil de dizer isto como é para alguns admitir que são alcoólatras… Nunca respeitei esta profissão. As empresas são as maiores responsáveis pelos atentados contra a natureza… No entanto, as empresas podem produzir comida, encontrar a cura de doenças, controlar o aumento da população, empregar pessoas e, de modo geral, enriquecer nossas vidas. E podem fazer essas coisas boas e lucrar sem vender suas almas.”

A segunda reflexão se concentra em ser a melhor com crescimento sustentável. “Não queremos ser uma grande empresa. Queremos ser a melhor empresa, e é mais fácil tentar ser a melhor pequena empresa que a melhor grande empresa… Quando nossos clientes se dizem frustrados por não conseguirem comprar nossos produtos porque estão o tempo todo fora de estoque, então precisamos fabricar mais, o que nos leva a um crescimento natural. Não criamos demanda artificial por nossa mercadoria fazendo anúncios… Queremos clientes que precisem de nossas roupas, não clientes que simplesmente a desejem”.

Se por um lado Chouinard não quer atrair clientes que queiram comprar uma vida que não vivenciam, também não quer clientes que desvalorizem seus produtos pagando um preço baixo: “…qualidade e não preço tem uma maior relação com o sucesso de um negócio… empresas que têm uma boa reputação pela qualidade de seus produtos e serviços conseguem, em média, taxas de retorno de investimentos 12 vezes mais altas que seus concorrentes de qualidade inferior e mais baratos.” – diz.

Mas mesmo se negando a vender produtos “baratos”, lucros crescentes não deveria ser o propósito de um negócio em sua visão. “Na Patagonia, gerar lucros não é o objetivo, porque o mestre Zen diria que os lucros chegam quando todo o resto vai bem… Mas nenhuma empresa nos respeitará… se não formos lucrativos. Tudo bem ser excêntrico, desde que seja rico, caso contrário, você simplesmente está louco” – afirma.

O resumo do enorme sucesso deste “anti-empresário” é feito pelo próprio: “Estudo a filosofia Zen há muitos anos. No tiro com arco Zen, por exemplo, deve-se esquecer do objetivo – atingir o alvo – e se focar em todos os movimentos isolados que envolvem disparar uma flecha… Se todos os movimentos forem realizados com perfeição, não se pode evitar que a flecha atinja o centro do alvo. A mesma filosofia funciona para escalar montanhas. Se você foca no processo de escalar, terminará chegando ao cume”.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Entre a fé e a cegueira nos negócios

23 de junho de 2016

Tem uma expressão de negócios no inglês que é “blind faith” (fé cega) que sempre achei duvidosa, pois as palavras traduzidas, de imediato, me trazem uma imagem de desnorteio e certa teimosia.

Eu, como empreendedor racional guiado pela emoção, não me deixo encantar por qualquer argumento sem contestar, por isso a tal da “fé cega” me parecia uma ideia limitada, sem muito sentido prático.

Mas, nesta semana, assisti a uma vídeo-palestra do Bernardo Ouro Preto (um dos fundadores do St Marché), depois da qual mudei meu entendimento sobre a tal da “fé cega” a partir da explicação dos significados ocultos desta frase, na cultura empreendedora americana.

Achei a explicação tão bacana que gostaria de compartilhar com você.

O Bernardo explica que, nos Estados Unidos, o termo “blind faith” simboliza a jornada de muitos empreendedores de sucesso que, depois de tomar uma decisão, de idealizar um projeto, não deixam mais espaço a dúvidas e vão até o final, mesmo passando anos de dificuldades, até comprovar sua ideia.

Veja bem, não é que a tomada de decisão é feita de forma aleatória ou irresponsável. Na verdade, para poder aplicar a “fé cega”, o preparo do empreendedor é pré-requisito fundamental, com muito pensamento racional, planilhas, projeções, estatísticas, consultas a especialistas, pesquisa de mercado, pragmatismo e tudo o mais.

Mas, existe um momento – um momento muito especial – no qual, após tomar a decisão ir em frente com o projeto, o empreendedor baixa a cabeça e começa a trabalhar, sem se deixar abalar por opiniões contrárias, por resultados negativos ou pelas dificuldades encontradas na jornada.

Ou seja, após tomar a melhor decisão, fria, calculada e estudada, ele começa a trabalhar aplicando a “fé cega” para construir a visão de negócio que ele arquitetou. É como pular de paraquedas, depois que você pulou, não tem volta atrás, e resta confiar em tudo o que você preparou.

E reforça mais ainda minha crença nas semelhanças entre os empreendedores e os aventureiros, assunto com o qual me identifico em especial e recorrente nos meus textos. Casos de sucesso nos quais a “fé cega” foi aplicada não faltam, e na verdade são mais comuns do que se pensa. Depois que o negócio deu certo, é fácil esquecer de todos aqueles que apontaram o dedo dizendo que “não ia dar certo”.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor

 

Empatia nos negócios: capacidade de ver o mundo pelos olhos do cliente

20 de junho de 2016

O conceito de empatia é cada vez mais válido e necessário nos negócios. O principal motivo é que, diante do aumento da competição – você tem a cada dia mais formas de resolver o mesmo problema –, é preciso desenhar produtos e serviços que sejam capazes de atender ou superar as expectativas dos clientes. Sabemos que isso não é fácil e exige várias competências. E a empatia vem se tornando uma das principais delas pois as mudanças vêm sendo constantes, cada vez mais impactantes e disruptivas. E é preciso empatia para percebê-las.

O empreendedor precisa ter a humildade e a capacidade de colocar-se no lugar do cliente e ver o mundo através dos olhos de quem vai utilizar seu produto e serviço. Isso não é tão fácil quanto parece. Afirmações como a “confiança do empreendedor”, a “visão do fundador”, a crença de que “eu sei o que estou fazendo” muitas vezes inibe a capacidade de estar aberto a identificar uma dor –  que pode se transformar numa grande oportunidade.

Em sala de aula, sempre pergunto para os alunos: o que fez as cooperativas de táxi e empresas de rádio não terem desenvolvido os aplicativos de celular para gerenciar sua frota? Por que nenhuma operadora de Telecomunicações desenvolveu primeiro um aplicativo de troca de mensagens instantâneas? Para ter uma comparação, quando foi comprado pelo Facebook, a equipe do WhatsApp tinha 50 funcionários e o grupo Telefônica tinha aproximadamente 129 mil empregados. O lucro pela venda do aplicativo poderia ter melhorado o balanço de uma grande operadora ao invés de ter enriquecido alguns jovens empreendedores.

O que fez a Blockbuster não ter criado (ou decidir não ter comprado, pois tiveram essa oportunidade, o NetFlix)?
As respostas são várias:- estruturas hierárquicas e regras que impedem a criação das soluções disruptivas;- acomodação;- “miopia de marketing”;- resultados positivos que fortalecem a visão de que “time que está ganhando não se mexe”;- aversão à mudança;- falta de visão estratégia e ambição.

Mas talvez a principal delas esteja ligada a falta de capacidade empática de entender que o consumidor está mudando constantemente. E o que ele gostava ontem ele pode não querer mais amanhã.  O consumidor da era digital recebe por dia milhares de informações através de email, mensagens, anúncios, notícias, conversas… Todo esse arsenal vai sendo processado e, mesmo inconscientemente, a pessoa se transforma. Mesmo que ela não queira, mesmo que ela não perceba.

Agarrar-se a velhas crenças pode impedir novas oportunidades. Imagem (http://leanentrepreneur.co/)

 

E quando o consumidor muda, a empresa precisa também se transformar para não ficar para trás.

Ficam aí algumas dicas de como ser mais empático no dia-a-dia:- busque o autoconhecimento; - desenvolva sua inteligência emocional, impedindo que as emoções impeçam você de ser a realidade de forma o mais isenta possível;- dedique a atenção ao outro; numa conversa, não pense no que você vai dizer, escute o que seu interlocutor está falando;- preste atenção nos detalhes de seu cliente: tom de voz, olhar, postura corporal, jeito de vestir, como ele se comporta – a análise desses fatores pode revelar preciosidades que podem ser chave para que você, de forma criativa, desenvolva diferenciais de seu negócio.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do siteMentalidades.

Acerte, mesmo que erre

17 de junho de 2016

Se há uma palavra que combina com empreendedorismo é dúvida. No início, muitos duvidam que o negócio vai dar certo. Até o empreendedor, mas, na dúvida, nem comenta consigo mesmo. Mas as dúvidas começam a aumentar depois que a empresa começa a funcionar. Muitos empreendedores não quebram, morrem afogados em suas dúvidas que se transformaram em dívidas.

Mas há uma regra geral que pode ser seguida por todo empreendedor e assim reduzir suas dúvidas: faça a coisa certa, do jeito certo e com as pessoas certas.

Fazer a coisa certa é ter foco certo no propósito certo do negócio certo. Um negócio certo se concentra no benefício do produto e não apenas no produto em si. Ninguém compra uma furadeira, mas um furo na parede como destacado pelo Prof. Theodore Levitt, autor do artigo Miopia de Marketing que explica o que é um negócio certo. Um propósito certo vai além do lucro em si. Henry Ford defendia que “as empresas precisam ter o lucro como objetivo, do contrário, elas morrem. Mas se uma empresa é orientada apenas para ter lucro também morrerá, porque não terá mais nenhum motivo para existir”. O propósito certo de um negócio é desenvolver clientes como defendido por Peter Drucker há mais de 50 anos. E é preciso ter foco certo. Todo empreendedor precisa se saber e se concentrar nas prioridades que garantirão o próximo estágio de sucesso do seu negócio. É o que recomenda Michael Lazerow, um dos principais empreendedores seriais dos Estados Unidos. Se não souber qual é a próxima etapa de sucesso do seu negócio e as 3 ou 4 iniciativas que levarão a empresa para este patamar, é melhor desistir agora para evitar uma tragédia certa no futuro.

Fazer do jeito certo é fazer a coisa certa da forma certa. E a principal coisa certa que um negócio pode fazer é fazer o produto certo para o cliente certo. O cliente certo é aquele que percebe o benefício do seu produto só de vê-lo. Steve Jobs conseguia explicar esta situação na sua mítica frase: Nós fazemos os ícones da tela parecem tão bons que você irá querer lambê-los! E também resumia a explicação sobre fazer um produto certo: Um ótimo carpinteiro não vai usar uma madeira ruim na parte de trás de uma estante, mesmo que ninguém a veja. E ainda é preciso fazer da forma certa como defendido por John Mackey, co-fundador da The Whole Foods, uma das empresas mais honestas dos Estados Unidos: “Não há nenhum motivo aparente por que um negócio não possa ser ético, responsável socialmente e lucrativo”.

E por fim, é preciso fazer com as pessoas certas. E a primeira pessoa certa é o próprio empreendedor. Saberá se é a pessoa certa se concordar com Luiz Sebra, co-fundador da Natura: “Eu era obstinado, estava completamente apaixonado e percebia a oportunidade que havia ali. Quando existe um sonho que não sai da sua cabeça, não deixe nada te abater pelo caminho.” Você deve ser a melhor pessoa para o seu negócio. Mas ser o melhor não basta. “Sonhe grande, cerque-se de pessoas melhores do que você e trate todo mundo como gostaria de ser tratado. Acredito em estar junto a pessoas melhores do que você, com qualidades e conhecimentos diferentes dos seus” é uma das recomendações de Beto Sicupira, um dos principais empreendedores brasileiros. Se fizer tudo certo, não se arrependerá, mesmo que dê errado!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

O perfil atualizado do consumidor brasileiro

16 de junho de 2016

Um artigo recém-publicado pela prestigiada consultoria McKinsey & Co analisa os efeitos da recessão nos hábitos de consumo do brasileiro.

Foram entrevistados online 1000 consumidores brasileiros, com o objetivo de tentar entender como as pessoas se sentem sobre suas perspectivas financeiras, e como estes sentimentos estão afetando o comportamento de consumo.  A pesquisa faz parte de um projeto mundial, com um total 22 mil entrevistados em 26 países.

Não surpreende que apenas 8% dos brasileiros se manifestaram otimistas com a economia nacional – o menor índice entre todos os países participantes, 49% disseram estar vivendo com os pagamentos de salario mês a mês, e 72% disseram estar preocupados de que uma pessoa da família vai perder o emprego no próximo ano. Até aqui, nada de muito novo.


Mas a pesquisa também identificou algumas mudanças no comportamento de consumo no Brasil, que merecem uma olhada mais detalhada:

1. Começando a fazer poupança
Três de cada 4 pessoas confirmaram que estão procurando formas de economizar dinheiro. Mais da metade disse que estão prestando mais atenção aos preços, procurando promoções e adiando compras. E, muito importante para o meu segmento de gastronomia, 42 % disseram que estão comendo mais em casa.

2. Ainda resta fidelidade à marca, mas apenas se o preço é justo
Um terço dos entrevistados afirmou que não abandonou suas marcas preferidas, mas está fazendo pesquisa para tentar encontrar a mesma marca por preços menores. 19% está comprando menos quantidade e 14% está esperando uma liquidação.

 

3. Os que trocaram de marcas, não se arrependem
A pesquisa mostra que 21% dos brasileiros mudaram suas marcas por outras de menor preço – contra 12% de outros países – e deste grupo, 60% afirma que não voltaria a comprar marcas mais caras.

4. Também temos um grupo que está subindo
Surpresa, surpresa! Mesmo com a maioria dos brasileiros fazendo economia, um grupo de 5% está gastando mais, mas em áreas muito específicas: higiene pessoal, cervejas, vinhos, por exemplo.

5. Compras em qualquer lugar
Muitos brasileiros estão comprando alimentos em redes de descontos, como os “atacarejos”, que vendem em grande quantidade e também ao consumidor final, com preços competitivos e poucos serviços. A promessa é que as compras online de alimentos possam vir a participar mais do mercado, como é em outros países.

Minha avaliação, após ler o trabalho bacana da McKinsey, é que o consumidor brasileiro está se comportando de forma mais madura, mais consciente e com pensamento de longo prazo. Se esta crise está tendo algum lado positivo, talvez seja este: um aprendizado para cuidar melhor do dinheiro que se ganha, poupar, e pensar melhor o valor x preço. Tomara!

Ivan Primo Bornes, masseiro e fundador do Pastifício Primo, escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor do Estadão.

Reputação é a nova moeda do Século XXI

10 de junho de 2016

Eu não sei o que é baralho cigano, mas quando precisar acho que vou consultar a Daiana Taróloga, afinal ela tem um índice de aprovação de 99,5% no Astrocentro, que se autoproclama a maior comunidade de esoterismo do Brasil.

Quer um motorista particular cinco estrelas para levar onde quiser? Uber. Mas este motorista tão estrelado pode ignorá-lo(a) se ele notar que você não é um passageiro cinco estrelas também. Neste serviço, os dois lados se autoavaliam a cada corrida. E quanto mais motoristas, veículos e passageiros cinco estrelas, melhor para todos.

A consulta de reputação se tornou algo tão comum que poucas pessoas se dão conta disso. Vai viajar e não sabe em qual hotel ficar? Dificilmente o TripAdvisor vai te deixar na mão. Mesmo para aquele hotelzinho no meio do nada vai saber quantas estrelinhas (neste caso, bolinhas) deram os últimos aventureiros que passaram por lá. Foi lá e não gostou do hotelzinho? Tenha certeza que voltará ao TripAdvisor e incluirá suas avaliações sobre vários aspectos desta hospedagem. Em alguns dias, receberá uma mensagem do site agradecendo porque sua contribuição ajudou um número específico de pessoas.

Mas um número crescente de pessoas já nem fica mais em hotéis. Preferem se hospedar em residências de desconhecidos. Mas, pensando bem, você hospedaria uma pessoa que nunca viu na vida em sua casa? Uma quantidade expressiva de pessoas diriam que sim pois estão conseguindo ganhar um dinheiro extra por meio do AirBnB. Mas não aceitam qualquer um, só os que têm uma ótima avaliação dos que já hospedaram aquela pessoa. O mesmo vale para as hospedagens particulares que são cinco estrelas na satisfação geral do hóspede.

E a busca pelas cinco estrelas avança para todos os setores. Precisa de uma manicure, maquiadora, cabelereira ou massagista cinco estrelas? Consulte a Singu. Quer saber se tem algum vizinho que cozinha bem para comprar seus pratos cinco estrelas? Use o Apptite. Vai jogar aquele futebolzinho no final de semana e precisa de um goleiro cinco estrelas? Contrate um no Goleiro de Aluguel.

Mas o valor da reputação não serve apenas para pequenos prestadores de serviço. O ReclameAqui foi(é) uma das startups brasileiras de maior sucesso de todos os tempos, mas poucos conhecem o Maurício Vargas, fundador da empresa que escancara a reputação perante seus consumidores. Se a reputação da empresa da “porta para a fora” é importante, da “porta para dentro” também tem se tornado cada vez mais importante, afinal, você prefere trabalhar em uma empresa “zero” estrela ou cinco estrelas? Não sabe quantas estrelas sua empresa é como empregadora? Visite o site da LoveMondays e descubra se ela está lá. Se não estiver, seja o primeiro a avalia-la.

Mas aí pode surgir a dúvida: Qual é a sua reputação profissional? Talvez encontre esta resposta no Linkedin. Acesse o site, clique em Profile (perfil) e no canto direito aparecerá a força do seu perfil (Profile Strength). Será que você é iniciante, intermediário, avançado, especialista ou estrela máxima (All-Star)? Desça até a parte final da página e veja quais assuntos você é especialista de acordo com a opinião da sua rede de contatos.

Publío Siro, escritor que viveu na Roma Antiga (85 a.C. – 43 a.C.), dizia que “uma boa reputação vale mais do que dinheiro”. É uma pena que depois de muitos séculos, isto ainda precisa ser lembrado para empresas, prestadores de serviços, pessoas e… políticos.

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper

O que acontece quando um bilionário flagra um funcionário dormindo no trabalho?

9 de junho de 2016

Pode acontecer com qualquer um. Não é normal, mas todos nós conhecemos o caso de algum funcionário que dormiu no trabalho. O que varia, na verdade, é o que pode acontecer quando o dono da empresa flagra a situação. Muitos podem imaginar que o resultado foi único e, desculpe a redundância, um só: a pessoa foi demitida.

Não no caso da Virgin e de seu proprietário, o bilionário Richard Branson. Ao visitar a filial da empresa na Austrália, ele se deparou com a situação e não teve dúvidas: tirou uma foto ao lado do ‘dorminhoco’ e ainda por cima mencionou a situação em um post no blog mantido pela empresa em seu site.

“Para ser justo, ele estava em ‘standby’. precisando descansar. Ele imaginou que estava sonhando (ao ver o executivo ao seu lado posando para uma foto) pois voltou a dormir”, escreveu Branson, deixando claro assim que o funcionário não sofreria qualquer tipo de punição.

O caso pode ser encarado pelo aspecto da cultura da empresa, abordado nesta quinta-feira por Ivan Primo Bornes em seu post sobre a ação que planejou para o Dia dos Namorados. A cultura da empresa é definidora não apenas dos atos dos executivos, dos proprietários, como dos funcionários. É ela que baliza as ações de todos. Para funcionar, é preciso mais do que a boa formulação do que se pretende, é necessário também – a cada momento – passar isso para frente, comunicar isso de maneira correta.

Resumindo: se está na cultura da empresa que você respeita os limites do ser humano que trabalha para você, deixe isso claro – também – se flagrá-lo descansando no trabalho.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Em tempo: alertado por um dos nossos leitores no Facebook, faço um adendo ao post. Pode ter sido uma ação de marketing da corporação, para ela posar de ‘boazinha’ em todo o mundo. Realmente: a Virgin e seu fundador são bons de marketing e isso já ficou provado inumeras vezes; mas olhando um pouco mais a fundo, entendo, também, que eles são bons de cultura empresarial.

Marketing ativista: o final você escolhe

9 de junho de 2016

A cada data festiva importante, as empresas costumam fazer campanhas de marketing para atrair clientes e vendas. E nós não somos diferentes. Aliás, adoramos criar peças publicitárias inusitadas, no melhor estilo faça-você-mesmo, com ferramentas toscas e pouca grana – e nos divertimos muito.

A questão é que, ao olhar a nossa campanha do dia dos namorados deste ano, tive a clara percepção de como as crenças pessoais dos sócios – e das pessoas que fazem parte do grupo de decisão – terminam por influenciar toda a comunicação da empresa para um bem maior, mesmo sem querer.

Aqui estão as três peças da campanha deste ano:

Quando publicamos as imagens nas mídias sociais, muitas pessoas elogiaram que estamos fazendo uma campanha ativista – e isso é fantástico.

Mas confesso que, quando escolhemos o tema para o dia dos namorados, não nos passou pela cabeça a questão importante da diversidade, e sim apenas uma vontade de transmitir felicidade, carinho e amor, aquilo que nos faz sentir bem e em paz. Esse era o sentimento de todos na reunião que definiu a campanha dos namorados.

Assim, escolhemos naturalmente os 3 casais, em vez de apenas um, pois consideramos que assim devia ser, já que se complementam. Passamos mais tempo, na verdade, discutindo sobre a frase que devia estar dentro do coração. Decidimos por um final menos óbvio, mais realista nas relações humanas, sem final feliz garantido: “o final, você escolhe”. Nada de “viveram felizes pra sempre” kkk

Brincadeiras à parte, fico torcendo pelo dia no qual o assunto da diversidade não seja mais assunto. E que as pessoas tenham liberdade, e as empresas também, de tratar temas como esse, sem que isso pareça ativismo. Que apenas seja um natural reflexo do que vivemos.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor

O efeito dominó: o poder das pequenas mudanças

6 de junho de 2016

Uma das questões mais complexas na criação e gestão de uma empresa diz respeito a criação e aprimoramento de sua cultura organizacional. Pois ela não é algo definida por decreto nem limitada a um grupo. “Ela é composta por pequenos atos, hábitos e escolhas. O acúmulo desses comportamentos – que vêm de todos os lugares, nos níveis mais altos e mais baixos dentro da hierarquia, de dentro e de fora da empresa – cria a cultura da organização” ensina Margaret Hefferman, escritora e empresária, no livro “O poder das pequenas mudanças” uma publicação original TED  (o livro foi criado a partir de palestra da autora na famosa conferência).

A edição é em formato pocket e traz uma série de casos e depoimentos colhidos pela autora ao longo de sua vida como executiva e palestrante. Selecionei alguns tópicos que achei interessantes para oferecer um “aperitivo” sobre o que o possível leitor poderá encontrar.

- Transforme conflito em confiança. A autora lembra um ensinamento que teve com Scilla Elworthy, indicada três vezes ao prêmio Nobel da paz: “enterrada sob a pata do dragão, há sempre uma pedra preciosa – alguma coisa a ser aprendida”. O desafio é ter a capacidade de identificar o que esteja acontecendo e ter habilidade para tratar de assunto.

- Um estudo sobre inteligência coletiva realizada pelo MIT identificou três características dos grupos que são excepcionalmente eficazes na solução criativa de problemas: 1) concedem tempos mais ou menos iguais de fala entre os participantes (isso não era controlado, acontecia de forma espontânea, permitindo que todos pudessem realmente contribuir); 2) conseguem “ler a mente com os olhos”: os grupos mais criativos conseguem perceber entre si sutis mudanças de humor e comportamento; 3) incluem mais mulheres (até porque as mulheres em todas as pesquisas se mostram mais empáticas que os homens).

- É o cimento – e não o tijolo – que constrói um grande edifício. “O cimento, nesse contexto, é o capital social: confiança mútua, um sentimento fundamental de conexão que constrói confiança”.

- Uma pesquisa do Conselho de Segurança dos Transportes nos EUA descobriu que 73% dos incidentes aconteciam no primeiro dia que uma equipe trabalhava junta (nos vôos, 44% das vezes que uma equipe trabalha junto numa primeira viagem acontece algum incidente). Já as tripulações que trabalham juntas por durante longos períodos conseguem desempenho muito maior que as outras.

- Os melhores parceiros não são o que concordam com suas ideias. Mas os que as desenvolvem.

- Esqueça o conceito de multitarefa. A qualidade está na monotarefa: “quando focamos em algo, aprimoramos nossa concentração e nos lembramos do que fizemos”.  Dar a atenção a uma atividade por vez não é apenas mais eficiente como também nos torna mais capazes de dar usar o conhecimento acumulado.

- A adoção de checklists simples nos hospitais durante as cirurgias grandes reduziu as morte e complicações em mais de um terço.

Veja que os exemplos citados – e a grande maioria deles descritos no livro – não são fruto de grandes projetos, orçamentos vultuosos ou mudanças radicais, mas de pequenas ações que podem dar um resultado surpreendente. A escolha dessa imagem para ilustrar esse post não é à toa: o efeito dominó está presente na gestão da cultura organizacional tanto quanto está naqueles desafios onde uma pequena peça pode desencadear uma sequência de acontecimentos. Se você quer conferir um que é muito criativo, clique aqui e surpreenda-se.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

Pare de parecer. Para ser você, pare de ser para os outros!

3 de junho de 2016

Dois minutos se passam… Hum… Quantos likes e shares meu post recebeu? Sem querer, penso em voz alta e minha filha de seis anos me olha com vários pontos de interrogação. Mais do que explicar o que são likes, shares, posts e redes sociais, fico envergonhado pelo motivo da pergunta.

Poucos se dão conta, mas rede social é um termo politicamente correto para um mural de egos. Se duvida disso, lembre-se da última vez que publicou algo e nenhum mísero mortal conectado se deu ao trabalho em clicar no ícone do joinha. Por isso, as primeiras (verdadeiras) redes sociais como eGroups, Yahoo! Grupos, Classmates, SixDegrees e mesmo Friendster fracassaram porque atendiam uma necessidade abaixo do que Facebook, Twitter, Linkedin, Instagram ou Pinterest resolve.

E mesmo agora, sua verdadeira rede social é atendida pelo WhatsApp, Gmail, Skype, Snapchat, e o próprio telefone celular, é claro. É aqui que estão seus familiares, amigos e conhecidos mais próximos e que acessa com mais frequência e interesse.
As chamadas redes sociais são cada vez mais pregões por joinhas (curtir) e setas para direita (compartilhar) e poucos conseguem ficar tanto tempo em uma bolsa de valores de egos com tantos falando sobre si ou de suas verdades ou outros berrando suas causas (que mudam a cada semana).

Na lógica da Pirâmide de Necessidades de Maslow, dado que as necessidades básicas (sobreviver), de segurança (viver) e sociais (conviver) estejam resolvidas, surge a necessidade do “querer ser” querido e reconhecido. São necessidades que, em geral, são resolvidas por fatores externos já que “parecer ser” já contribuiu para o aumento da autoestima e confiança das pessoas.

Daí a necessidade crescente de parecer ser o que os outros valorizam. Mesmo que não perceba desta forma, muitos empreendedores aprenderam a tirar proveito. Enquanto muitos tentam copiar o GoPro, poucos se atentam que sua câmera não filma momentos incríveis, ela gera mais likes e shares. Os organizadores do Lollapalooza sabem que os jovens não vão ao evento apenas pelos músicos presentes. Eles querem viver uma experiência surreal que possa ser compartilhada em suas redes sociais.

É isto que tem determinado o nível de status de cada pessoa em suas redes de relacionamento.

O problema é que esta necessidade comum a todos nós, pode começar a extrapolar, tornando-se uma escalada de encheção de saco, hipocrisia e até contravenções como ocorrem com as postagens de ostentação de itens roubados, armas e até cenas de crimes.

Muitos acreditam que ser para os outros é sua principal necessidade e se esquecem que há uma outra ainda maior que é ser o que é sendo você mesmo.

Mas para ser é preciso parar de parecer ou de querer ser. Ser é descobrir o não ser dos caminhos errados, portas fechadas e páginas não encontradas. Ser é se questionar de tempos em tempos desfragmentando crenças nocivas e atitudes tóxicas. Ser é estar continuamente em reconstrução. É tornar-se empreendedor de si mesmo!

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper