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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Mesmo que não saiba a resposta, seja autêntico ao que você é!

24 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Eu não me envergonho de responder ”não sei” para os meus alunos. Mesmo porque nunca tive alunos. No Latim, aluno está associado à ausência de luz ou àquele que não tem luz. E no sentido mais iluminado do termo, empreender é encontrar sua própria luz e daí seu caminho.

Mas naquele dia ela estava, literalmente, aluna. Durante o intervalo da aula, veio cabisbaixa e triste, pedindo minha orientação.

Meu marido tem um restaurante japonês” – começou a explicar. “E de alguns meses para cá passamos a receber muitas visitas da vigilância sanitária” – continuou. “Na primeira vez, parece que algum cliente denunciou que o banheiro estava com problemas. O fiscal veio e não encontrou nenhuma não conformidade. Depois, alguém reclamou na vigilância que o peixe tinha dado algum problema de digestão. Outro fiscal apareceu e novamente nada encontrou. Até que em outra visita da vigilância, o fiscal entendeu que as ostras não estavam bem armazenadas. O restaurante foi multado e fechado por alguns dias. E restaurante japonês autuado e fechado pela vigilância sanitária é notícia que se espalha rapidamente pelo bairro” – relatou. E o que eu não entendia, professor, é que meu marido tomava todos os cuidados possíveis pois ele sabia que qualquer pequeno deslize poderia custar a própria sobrevivência do negócio” – complementou. “O que fiquei pasma foi que algum dia depois de reabrirmos apareceu um jovem no restaurante todo sarcástico dizendo que nosso restaurante japonês não ia durar muito pois o pai dele iria abrir outro nas redondezas. E fiquei sem reação quando disse que eram eles que estavam fazendo as denuncias contra nosso restaurante…” – finalizou minha aluna usando o resto de luz que ainda tinha naquele momento.

E eu já vinha me preparando para uma pergunta que sabia que viria logo em seguida…

O que podemos fazer já que nem conseguiríamos provar o que aquele sujeito tinha falado e feito aquilo? “ – questionou.

Por um momento pensei em sugerir que devolvessem as agressões com as mesmas armas. Mas raciocinei que só uma pessoa malvada consegue ser ainda mais má. Só alguém pequeno consegue ser ainda menor. E quando você responde maldade com mais maldade, calunia com mais calunia, continuará recebendo de volta, inexoravelmente, mais do que mandou já que o ódio é o prazer mais duradouro dos pequenos. George Byron, ou simplesmente, Lord Byron, poeta inglês, costumava dizer que “os homens amam com pressa, mas odeiam com calma”.

Diante daquela pergunta eu só consegui responder: “Não sei…”. E foi a primeira vez que me envergonhei por saber que não saber a resposta daria a vitória a quem não merecia ganhar.

Mas agora eu sei que posso escolher dar o meu apoio autêntico a quem eu sei que merece.

Afinal, um cliente japonês frequentando um restaurante nipônico deve dar algum crivo de credibilidade para o estabelecimento.

Câmara francesa pode ajudar pequeno empreendedor brasileiro

23 de outubro de 2014

Desembarca no Brasil, no próximo dia 30, a Câmara de Comércio e Indústria da Região Paris Île-de-France. Instituição pública, a entidade congrega 844 mil empresas que juntas respondem por 31% do PIB francês. Na prática, a chegada da câmara pode ajudar pequenos empreendedores interessados em oportunidades de venda de seus produtos no país europeu.

Em comunicado à imprensa, Benjamin Quicq, representante da organização pública no País, disse que espera “realizar 40 acompanhamentos de empresas por ano no Brasil”. De acordo com o executivo, durante a fase de implementação foram “alcançadas 20 missões”.

Ainda segundo Quicq, a câmara vem considerando atuar no País há tempos. “As oportunidades oferecidas pelo mercado e as empresas brasileiras são particularmente conducentes ao fortalecimento dos laços entre as nossas comunidades empresariais”, concluiu.

Aproveitando tendências para conquistar clientes

23 de outubro de 2014

Rafael Mambretti, da Carbono Zero, escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

O dia 22 de setembro é o Dia Mundial Sem Carro (clique aqui e veja matéria do Estadão no dia). Essa iniciativa começou em 1997 na França, chegou no Brasil em São Paulo no ano de 2003. A ideia principal é gerar a reflexão de como o ser humano tem se tornando extremamente dependente do automóvel e abrir portas para novas formas de se deslocar.

Atualmente, dezenas de cidades no mundo inteiro adotam e fomentam a iniciativa. Tá legal, mas o que isso tem a ver com negócios? Bom, para quem é aquele tipo de empreendedor que tá sempre vendo oportunidades, tendo ideias etc. Pensar que cada vez mais pessoas estão buscando novas formas de se deslocar, principalmente fazendo uso das bicicletas, pode ser um prato cheio.

Uma outra iniciativa que acontece há alguns anos em São Paulo (e começou a se espalhar para outras cidades brasileiras), é o Desafio Intermodal. Acontece sempre em setembro e próximo ao Dia Mundial Sem Carro coloca diversos modais (formas de se deslocar), realizando deslocamentos de um ponto A para um ponto B. Ponto A e B são sempre os mesmos, inicia-se na Praça General Gentil Falcão na Av. Berrini e termina na Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá. São mais ou menos 10 km de deslocamento, Eu digo que é perto, é a mesma quantidade de quilômetros que pedalo para vir para o escritório e é bem tranquilo. Bom, voltando ao que interessa abaixo tem uma compilação de 3 modais nas últimas 9 edições do desafio:

Marquei em verde o modal “vencedor”, naquele ano. Repare a bicicleta, agora repare a diferença de tempo entre a bicicleta e a moto. Será que a sua entrega não pode levar 2 minutos a mais e ser levada por um transporte que não prejudica o nosso planeta? Então, clique aqui. Não me levem a mal, não sou contra moto, sou contra a ineficiência e a falta de inteligência utilizada em nossos transportes (e outras áreas). Afinal, comentei na semana passada (clique aqui e leia o post), que começamos a utilizar scooters elétricas para atender algumas entregas.

Informações como essa do Desafio Intermodal ajudam a Carbono Zero a conquistar e convencer potenciais clientes a testarem na prática nossos serviços. Transpor a barreira conceitual existente há anos em nossas mentes.

O uso de formas alternativas de transporte é uma tendência. Basta pesquisar o que Nova York tem feito, Portland, Tokyo, Paris, entre outras grandes cidades pelo mundo. As tendências, quando vão de encontro ao seu negócio, são a forma perfeita de construir a base e solidifica-lo. É preciso aproveitar, mas não aposte todas suas fichas nelas.

Um abraço,

Rafael

Empreendedor: você não está sozinho

22 de outubro de 2014

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Na semana passada, fui convidado a participar de um evento em Ourinhos, promovido pelo Sebrae, para os empresários da região. O tema chave foi “Alavanque sua empresa nos tempos de turbulência”.

Tive a grata surpresa em presenciar o engajamento e participação de muitos empresários da região. Em períodos turbulentos e incertos, como o que passamos em nossa economia, além de significativas mudanças nos padrões de comportamento de consumo, não há nada mais rico e produtivo do que a troca de experiências e fortalecimento das relações.

Reuniões como a promovida pelo Sebrae, pelo menos, abrem as perspectivas e fortalecem a autoestima dos participantes. Você troca informações, faz novos amigos e dialoga com empresários de nichos diferentes do seu. É nessa hora que alguns percebem que seu modelo tradicional de comércio morreu. Sua loja não concorre mais somente com seu vizinho de calçada. Hoje concorre com a internet (e na ponta dos dedos), com o fulano que vai para o Paraguay, com o sicrano que faz o bate-volta na 25 de março, com o ex-funcionário que também presta o mesmo serviço e, claro, com seu vizinho. Complexo, não?

Na semana passada abordei um tema que é fundamental para a prosperidade e oxigenação de qualquer empreendimento, principalmente, em momentos conturbados e incertos: você não está sozinho. Por mais que, para muitos, 2014 esteja sendo um ano de sobrevivência, é nos períodos instáveis que você precisa se desprender de suas rotinas e buscar soluções para alcançar cada vez mais seu público.

Voltando ao encontro da semana passada, surgiu um ponto interessante e que, em via de regra, o empreendedor precisa ser craque nisso: capacidade de passar segurança à sua equipe, mesmo que o momento seja de turbulência. Os nervos ficam à flor da pele.

Em situações de estresse, momentos clássicos do esporte, por exemplo, nos inspiram e ensinam: aquela virada no último segundo, aquele gol aos 45 minutos do segundo tempo, a tacada que ninguém esperava. Isso só existe e é possível porque quem fez acreditou. Acreditou até o fim. Havia um ou mais craques no time, mas, sobretudo, havia um trabalho coletivo de apoio em que os mais equilibrados passavam confiança para os mais instáveis do grupo. O líder tem o poder de transmitir a tranquilidade necessária para seus companheiros e gerar uma espécie de campo de força imune aos contratempos. No próximo domingo, elegeremos o próximo presidente do Brasil, e, independentemente da escolha, eu continuo acreditando que é possível.

 

Sonho realizado: Eisenbahn é a nova cerveja oficial da Oktoberfest

21 de outubro de 2014

Na quarta-feira passada, dia 15 de outubro, a Prefeitura Municipal de Blumenau anunciou a Brasil Kirin como vencedora do edital de licitação para se tornar a cervejaria oficial da Oktoberfest a partir do ano que vem até 2020. E, para surpresa de muitos, que apostavam no anúncio da Schin como substituta da Brahma, a multinacional japonesa declarou que a Eisenbahn será, durante estes seis anos, a cerveja oficial da segunda maior festa alemã do planeta.

A Eisenbahn já não é mais nossa desde maio de 2008, quando a vendemos para o Grupo Schincariol – que, anos depois, seria comprada pela japonesa Kirin. Mas a notícia da semana passada nos encheu de orgulho. Não poderia ser diferente: é um grande sonho realizado ver o empreendimento que criamos ser elevado a esse status.

Quando começamos a construir a Eisenbahn, lá por 2002, esse já era um dos nossos grandes objetivos. Tanto que, logo no primeiro ano de existência da fábrica em Blumenau, nos reunimos com o prefeito na época solicitando um espacinho, um quiosque que fosse, na Oktoberfest.

Demorou três anos, e em 2005 a festa blumenauense finalmente abria espaço para a Eisenbahn e outras cervejarias artesanais que surgiram na região do Vale do Itajaí. Até então, quem visitava a Oktober só tinha uma opção: cervejas comerciais que não seguiam, nem de perto, a Lei da Pureza Alemã.

Quase dez anos se passaram e as cervejas artesanais locais continuam sendo elemento essencial na Oktoberfest de Blumenau. Desde que entrou na festa, a Eisenbahn foi proporcionalmente a cerveja mais vendida (se compararmos com o volume e espaço então dedicado à Brahma no local).

A escolha da Brasil Kirin foi certeira. Colocar a marca Eisenbahn, uma cervejaria nascida em Blumenau e premiada internacionalmente, como bebida oficial da festa, vai fortalecer muito sua posição no mercado, além de dar à nossa Oktoberfest um charme a mais (na nossa humilde opinião de pais da criança).

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Alimentos Pomerode, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

Três lições a aprender com a falta d’água em São Paulo

20 de outubro de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e criador do Laboratorium

Como todos já sabem estabelecimentos e casas de várias regiões de São Paulo começam a sentir a falta d’água. Não se pode ir tranquilo ao banheiro na capital paulista –  7ª maior cidade do mundo, capital econômica da América Latina, presente em todas as listas como um dos melhores locais para se empreender – pois não se tem certeza que o vaso sanitário vai funcionar. Bares e restaurantes na Avenida Paulista, Pinheiros, Zona Norte (a lista só cresce) fechando as portas pois não conseguem atender seus clientes. A situação é dramática.  E vamos deixar claro: São Pedro é culpado pela estiagem, mas a falta d’água é culpa da má gestão da Sabesp.  Israel, uma das regiões com menor índice de precipitação (chuvas) do planeta, é o exemplo de como, com tecnologia e investimento, é possível abastecer a população e agricultura mesmo sem chuvas. Portanto acredito ser útil identificarmos alguns erros graves de gestão – para que não repitamos em nossas empresas:

1) Prepare-se para o pior. Um estudo denominado Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê foi produzido pela FUSP (Fundação de Apoio à USP) em 2009 e já apontava uma crise se aproximando. O texto fala explicitamente na previsibilidade de “déficits de grande magnitude”. Entre as recomendações feitas pelos especialistas estavam “iniciar os processos para sua implantação que incluem projetos, licenças, outorga, dentre outros” que busquem aumentar a capacidade de armazenamento e a busca de fontes alternativas “que evitem o colapso de abastecimento das regiões envolvidas e minimizem a influência política nas decisões”.

Ou seja, se há indícios de que um problema pode acontecer, você PRECISA se antecipar, ser pró-ativo e efetivamente implementar ações que MINIMIZEM o risco. Não há como ficar à mercê da sorte (ou, no caso, das chuvas). Vale lembrar: o relatório é de dezembro de 2009.

2) Não distribua resultados antes da hora. Em levantamento feito pela consultoria Economática, a Sabesp aparece entre as 30 empresas listadas do iBovespa que mais distribuíram dividendos nos últimos anos. Distribuir lucros significa que não há necessidade de reinvestimento e que é a hora dos acionistas (legitimamente) receber de volta o resultado daquilo que investiram.

Quando a empresa está diante de uma crise iminente – e os estudos já apontavam isso – é a hora de distribuir lucro? A decisão certa seria reinvestir para criar contingências e garantir a perpetuidade da empresa e da prestação dos serviços. Gastar o recurso disponível para buscar novas tecnologias para melhor tratar e distribuir água. Portanto, comemore e distribua resultados quando não dá. Quando não dá, melhor investir para prevenir e, se possível, evitar a crise que se avizinha.

3) Seja transparente. Até a semana passada, a Sabesp não admitia o risco de racionamento na capital. Mesmo com campanhas de incentivo para a economia de água, a falta d’água não era cogitada como algo provável.  Assim, a população já acostumada com a abundância de água e tolerante ao desperdício, não empreendeu todos os esforços para economizar água – prova são os flagrantes nas mídias sociais das pessoas lavando calçadas e carros de mangueira.  E hoje quem paga o preço da torneira seca somos todos nós.

Se a Sabesp tivesse sido mais transparente com seus clientes, talvez nossas reservas não estivessem tão secas como estão. Portanto, se há um problema de aproximando, comunique a seus clientes o mais rápido possível, com total transparência. Eles serão sensibilizados a lhe ajudar, a contribuir, a dar sugestões. Esconder só vai aumentar a desconfiança e a indignação.

O que nos resta?

Como morador de São Paulo, torço para que chova. Muito e logo.

Como cidadão, espero que a Sabesp inicie as obras de contingência para garantir o abastecimento de água à população, incluindo obras, ações de reflorestamento, conscientização da população, promoção de concursos e desafios que mobilizem a comunidade científica e empresarial a somar esforços e desenvolver tecnologia para resolver o problema. O Wall Street Journal publicou em maio passado um artigo que mostra como a crise de água nos EUA vem impulsionando novos negócios através da inovação. É esperado que a Sabesp utilize da cocriação para resolver o problema. Se não tem conhecimento interno para enfrentar a questão, peça ajuda. Só não deixe que a arrogância penalize milhões de cidadãos.

E como blogueiro neste espaço, espero que outros empreendedores não repitam os mesmos erros que a administração da Sabesp cometeu.

Onde estão as melhores oportunidades para empreender em 2015

17 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Você precisa acertar só uma vez” – disse certa vez Drew Houston. E foi isto que ele fez. Em uma viagem de Boston para Nova York em dezembro de 2006, ele ficou chateado pois tinha esquecido seu pendrive em seu apartamento e não poderia avançar no documento que estava trabalhando. Se existisse uma forma de pendrive virtual, que pudesse ser acessado de qualquer lugar, não estaria passando por isto – pensou. Naquela mesma viagem começou a programar a tal solução que chamou de dropbox. Como estava sozinho no negócio, colocou na cabeça que sua startup deveria ser apoiada por Paul Graham, um empreendedor que ficou milionário ao vender sua empresa ao Yahoo, e que havia criado um negócio chamado Y Combinator, que acelerava o crescimento de startups. E Drew estava 100% correto. Só foi preciso acertar uma vez. No início de 2014, o Dropbox já valia US$ 10 bilhões.

Mas Paul Graham deve discordar do seu empreendedor. Afinal, ele transformou a YCombinator no exemplo de maior sucesso na criação de startups de todos os tempos. Juntas, sua participação nas empresas que ajudou a acelerar como a Dropbox, AirBnB, Reddit, Stripe e Homejoy vale mais de US$ 30 bilhões.

Por isso, quando Graham explica onde acha que estão as oportunidades para novas startups, o mundo (pelo menos do empreendedorismo) para, analisa e começa a empreender. No mês passado, a YCombinator soltou um “Request for Startups” em que apresentava uma lista de áreas que acredita serem muito promissoras em 2015.

Será que sua ideia de negócio não se enquadra em algum item da lista? Veja abaixo:

- Energia: Será que não há formas de geração e armazenamento mais baratas e eficientes?

- Inteligência artificial: Onde estão as soluções de inteligência artificial realmente inteligentes?

- Robôs: Não é uma pergunta. É uma afirmação. Haverá cada vez mais coisas feitas de forma automatizada no mundo físico!

- Biotecnologia: Parece que a biotecnologia está no mesmo momento dos microcomputadores na década de 1970…

- Saúde: 20% do PIB dos Estados Unidos é gasto em saúde. Isto é insustentável. Há muita coisa errada e por isso, muita oportunidade.

- Fármacos: Há outras soluções que não precisam ser prescritas e ainda assim ajudar as pessoas.

- Alimentos e água: Em algum momento, teremos problemas com a disponibilidade de alimentos e água. Não é Sabesp?

- Educação: Se ajudarmos a educação, ajudaremos todos os demais itens desta lista.

- Infraestrutura de internet: É possível imaginar uma vida com menos internet? Não! E com mais? Muito mais?

- Governo: São clientes muito grandes com softwares muitos ruins…

- Aumento da capacidade humana: Biotecnologia, automação, software para seres humanos mais inteligentes, mais longevos, mais felizes, melhores!

- Realidade virtual: Ou alguém duvida que haverá mais pessoas fugindo da realidade “real”?

- Pesquisa básica: Novos modelos de negócios que privilegiem mais pesquisa básica e menos paper, paper, paper.

- Transporte e moradia: Melhores formas das pessoas viverem bem, trabalharem juntas e se deslocarem menos.

- Um milhão de empregos: Empresas com potencial para criar um milhão de empregos. Só não vem competir com o bolsa-família…

- Ferramentas de programação: Tudo tem cada vez mais códigos que demandará melhores formas de gera-los, mantê-los, melhorá-los.

- Hollywood 2.0: Novos talentos e celebridades todos os dias, em todos os lugares para todos os públicos. E beijinho no ombro!

- Diversidade: A diversidade é boa para os negócios e boa para o mundo. E ponto!

- Países em desenvolvimento: Países em desenvolvimento como China, Índia e nações do sudeste asiático estão crescendo mais rapidamente do que os Estados Unidos. Ni Hao Brasil!

- Software empresarial: Ainda dá muito dinheiro!

- Serviços financeiros: Continua muito difícil poupar ou investir seu (cada vez mais pobre) dinheirinho. Se é difícil, dá para melhorar.

- Telecomunicações: Todas as pessoas se comunicam mais, mas se comunicam melhor?

E se sua ideia de negócio não está nesta lista, você não precisa acreditar no Paul Graham. Só precisa acertar uma vez!

 

Testando o futuro

16 de outubro de 2014

Rafael Mambretti escreve às quintas-feiras

No começo do mês escrevi aqui que uma das nossas mais recentes evoluções foram as scooters elétricas. Passamos meses testando antes de colocarmos para rodar e prestar serviços. O que estávamos testando não posso escrever aqui, sabe como é, temos concorrentes e as informações são estratégicas, já que eles vão seguir o líder, melhor que descubram por si mesmos =)

Tranquilamente afirmo: somos a primeira empresa no país a oferecer esse tipo de serviço. Também escrevi diversas vezes aqui que nosso projeto foi concebido para tornar-se uma empresa de logística no longo prazo e não simplesmente ser uma empresa “que faz entregas de bicicleta”.

Reparem que no nosso nome não tem bicicleta ou bike, tem um dos nossos pilares: Carbono Zero! Outros dois pilares são: pessoas e lucro, afinal, somos uma empresa. Planeta, pessoas e lucro, balize seus empreendimentos nessas variáveis e seja bem-vindo ao que chamamos de setor 2,5. Seja bem vindo ao futuro!

Semana passada minhas duas bicicletas estavam quebradas (!), pois é, acontece. Uma me deixou na mão na segunda-feira a outra (a reserva), no dia seguinte, na terça-feira. Falha minha, fiquei meses sem usar as bicicletas e nem sequer me preocupei em dar uma olhada geral e preventiva. Paguei o preço! Mas foi bom, no período que estava sem as bicicletas tive a oportunidade de rodar uma semana com uma scooter elétrica. Resultado? Parecia que eu estava andando no futuro, lembra ou já ouviu falar nos Jetsons? Me senti saindo do desenho, barulho mínimo, parecia uma espaçonave. Performance excelente, a autonomia deu e sobrou para as minhas necessidades. Se precisasse, em 2h ela tava 100% carregada novamente, basta uma tomada convencional 110v.

Testei o futuro e gostei, está aprovado. Um dia terei uma. O futuro é isso, com tecnologia darmos possiblidade das pessoas contribuírem e se sentirem parte diretamente dessa contribuição. Enquanto ela não chega ao mercado convencional, você pode – mais ainda – ajudar chamando a gente. O planeta agradece =)

Um abraço,

Rafael

Você tem um herói que te inspira como empreendedor?

15 de outubro de 2014

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Meus heróis morreram de overdose. Ou pelo menos morreram, metaforicamente. Quando comecei o meu escritório de branding/design, a Laika, eu tinha dois modelos que me inspiravam: Steve Jobs e Andy Law. Sobre Steve (1955-2011), dispensaria comentários. Mas não dispenso. O mito que circula é que ele e Bill Gates eram amigos e concorrentes nos anos 70. Bill roubou o sistema operacional da Apple e seguiu em frente com seu Windows. Steve penou aqui e ali e criou um produto que chegava apenas para um público muito restrito, para os “iniciados” e, de certa forma, construindo uma grande seita. Steve foi expulso, posteriormente, da empresa que ele mesmo criara. E, mais tarde, foi convidado a socorrer a mesma Apple, que cambaleava pelo mundo afora devido a decisões estratégicas extremamente equivocadas. Steve salvou a Apple e a elevou à categoria de mito. Sim, de mito. A marca mais valiosa e desejada do mundo. Opa! Peralá! Pouca gente sabe, mas Bill Gates injetou um belo quinhão de dólares na Apple, US$ 150 milhões, em 1997, no retorno de Steve a sua casa. O sonhador e o pragmático, numa metáfora grosseira, acabavam se tornando uma coisa só. A Apple dispensa comentários: cria os produtos mais sedutores e desejados do planeta há um bom tempo.

Sobre Andy Law, o caso é pouco conhecido por estas terras. Andy Law era um dos chefões da filial da Chiat/Day na Inglaterra, uma agência de propaganda norte-americana extremamente criativa e enxuta. Mas a TBWA, uma gigantesca holding de comunicação mundo afora, veio e comprou a Chiat/Day. Porém, Andy Law e seus parceiros não gostaram nada disso. Afinal, perderiam aquela essência romântica e criativa. Seus clientes ingleses também desabonaram a ideia e se propuseram a manter fidelidade a eles e não seguir com a nova agência sob o domínio da TBWA. Andy Law e equipe foram lá e compraram a briga e a agência, já que representavam muito pouco para o grande conglomerado TBWA. Assim fundaram a Saint Luke’s (1989-2003), uma agência criativa, pequena, com alguns clientes (poucos, pois, em seguida, grande parte daqueles clientes abandonaram a agência) e com muito, muito ideal. Originalmente, a ideia era fazer aquela agência se tornar um modelo cooperativo em que todos, inclusive a faxineira, pudesse lucrar com o trabalho. E funcionou por um bom tempo. Criaram, sobretudo, um modelo ousado e maluco de distribuição dos lucros, um comunismo liberal em pleno século XX. E conseguiram se manter como uma agência pequena e extremamente criativa por um longo período.

Esses heróis me motivaram a criar, criar e criar. E acreditar no sonho. No final, são os sonhos que nos empurram para fora da cama pela manhã e nos mantém de olhos abertos pela madrugada em busca do ouro perdido. Os heróis, de certa forma, morreram de overdose criativa. É difícil encontrar alguma referência à Saint Luke’s no Brasil (o livro que eu tinha desapareceu e, pelo que me consta, não há uma nova edição). Steve Jobs faleceu e sua empresa, hoje, é um coletivo que transpira suas ideias. No entanto, com uma grande participação da Microsoft.

A lição que ficou? Bem, sem eles, talvez eu tivesse permeado a estrada de tijolos cinzas ao invés dos tijolos dourados.

 

O problema de vender bem mais que o esperado

14 de outubro de 2014

Uma das surpresas mais contraditórias que um empreendimento pode dar é quando um novo produto vende muito mais do que todas as previsões indicavam. Lançamentos que surpreendem pela alta procura são uma espécie de falso problema: se por um lado significam que o seu produto está fazendo sucesso de maneira imediata (como isso pode ser ruim?), por outro você precisa encontrar soluções com a mesma velocidade para dar conta da demanda e não frustar seu crescente público consumidor.

Acontece com empresas gigantes como a Apple, que há poucas semanas, durante o lançamento do iPhone 6, ficou com o e-commerce fora do ar por algumas horas devido à procura muito mais alta que a esperada. E acontece com pequenas empresas como a nossa, a Alimentos Pomerode.

No último mês lançamos dois produtos que acabaram nos pegando desprevenidos. O primeiro é um kit com os quatro sabores da nossa linha de queijos fundidos em bisnaga, um produto que já existia antes de comprarmos a empresa, no ano passado, mas que agora foi repaginado. É um produto que, na nossa concepção, seria atraente apenas para turistas visitando a nossa região. No entanto, o kit foi percebido como um ótimo presente para oferecer a amigos e até mesmo por empresas em encontros e reuniões de negócios. Tem feito sucesso também em cestas, muito procuradas nesta época do ano. Hoje,  já é o produto mais vendido da empresa, algo que nem de longe passava pelas nossas melhores previsões.

Ótimo, mas e qual é o problema? O problema é que a montagem desse kit é totalmente manual. E uma pessoa monta, por dia, apenas 100 kits. Uma quantidade muito abaixo do que estamos vendendo atualmente.

Outro produto que nos surpreendeu foi a versão moringa do Mel Mandala, produto feito em Minas Gerais que começamos a distribuir há pouco mais de um mês. A embalagem, mais cara que a versão em pote de vidro e bisnaga de plástico, está surpreendentemente vendendo bem mais. Possivelmente, o design elegante e prático está conquistando nosso público. Mas como planejamos um volume de vendas bem menor, nossos vendedores acabaram vendendo bem mais do que tínhamos em estoque. Problema fácil de resolver, mas que nos faz parar e pensar: o que podemos fazer de melhor nos próximos lançamentos para evitar esse tipo de problema?

Planejar melhor, desenvolver embalagens mais práticas, não sermos tão “modestos” quanto as previsões de vendas para os próximos lançamentos são algumas das ações que pretendemos tomar.

Nada frustra tanto uma equipe de vendas quanto não entregar aquilo que ela vende. E nada pode ser pior para uma empresa do que uma equipe de vendas desmotivada.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Alimentos Pomerode, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.