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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Onde estão as melhores oportunidades para empreender em 2015

17 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Você precisa acertar só uma vez” – disse certa vez Drew Houston. E foi isto que ele fez. Em uma viagem de Boston para Nova York em dezembro de 2006, ele ficou chateado pois tinha esquecido seu pendrive em seu apartamento e não poderia avançar no documento que estava trabalhando. Se existisse uma forma de pendrive virtual, que pudesse ser acessado de qualquer lugar, não estaria passando por isto – pensou. Naquela mesma viagem começou a programar a tal solução que chamou de dropbox. Como estava sozinho no negócio, colocou na cabeça que sua startup deveria ser apoiada por Paul Graham, um empreendedor que ficou milionário ao vender sua empresa ao Yahoo, e que havia criado um negócio chamado Y Combinator, que acelerava o crescimento de startups. E Drew estava 100% correto. Só foi preciso acertar uma vez. No início de 2014, o Dropbox já valia US$ 10 bilhões.

Mas Paul Graham deve discordar do seu empreendedor. Afinal, ele transformou a YCombinator no exemplo de maior sucesso na criação de startups de todos os tempos. Juntas, sua participação nas empresas que ajudou a acelerar como a Dropbox, AirBnB, Reddit, Stripe e Homejoy vale mais de US$ 30 bilhões.

Por isso, quando Graham explica onde acha que estão as oportunidades para novas startups, o mundo (pelo menos do empreendedorismo) para, analisa e começa a empreender. No mês passado, a YCombinator soltou um “Request for Startups” em que apresentava uma lista de áreas que acredita serem muito promissoras em 2015.

Será que sua ideia de negócio não se enquadra em algum item da lista? Veja abaixo:

- Energia: Será que não há formas de geração e armazenamento mais baratas e eficientes?

- Inteligência artificial: Onde estão as soluções de inteligência artificial realmente inteligentes?

- Robôs: Não é uma pergunta. É uma afirmação. Haverá cada vez mais coisas feitas de forma automatizada no mundo físico!

- Biotecnologia: Parece que a biotecnologia está no mesmo momento dos microcomputadores na década de 1970…

- Saúde: 20% do PIB dos Estados Unidos é gasto em saúde. Isto é insustentável. Há muita coisa errada e por isso, muita oportunidade.

- Fármacos: Há outras soluções que não precisam ser prescritas e ainda assim ajudar as pessoas.

- Alimentos e água: Em algum momento, teremos problemas com a disponibilidade de alimentos e água. Não é Sabesp?

- Educação: Se ajudarmos a educação, ajudaremos todos os demais itens desta lista.

- Infraestrutura de internet: É possível imaginar uma vida com menos internet? Não! E com mais? Muito mais?

- Governo: São clientes muito grandes com softwares muitos ruins…

- Aumento da capacidade humana: Biotecnologia, automação, software para seres humanos mais inteligentes, mais longevos, mais felizes, melhores!

- Realidade virtual: Ou alguém duvida que haverá mais pessoas fugindo da realidade “real”?

- Pesquisa básica: Novos modelos de negócios que privilegiem mais pesquisa básica e menos paper, paper, paper.

- Transporte e moradia: Melhores formas das pessoas viverem bem, trabalharem juntas e se deslocarem menos.

- Um milhão de empregos: Empresas com potencial para criar um milhão de empregos. Só não vem competir com o bolsa-família…

- Ferramentas de programação: Tudo tem cada vez mais códigos que demandará melhores formas de gera-los, mantê-los, melhorá-los.

- Hollywood 2.0: Novos talentos e celebridades todos os dias, em todos os lugares para todos os públicos. E beijinho no ombro!

- Diversidade: A diversidade é boa para os negócios e boa para o mundo. E ponto!

- Países em desenvolvimento: Países em desenvolvimento como China, Índia e nações do sudeste asiático estão crescendo mais rapidamente do que os Estados Unidos. Ni Hao Brasil!

- Software empresarial: Ainda dá muito dinheiro!

- Serviços financeiros: Continua muito difícil poupar ou investir seu (cada vez mais pobre) dinheirinho. Se é difícil, dá para melhorar.

- Telecomunicações: Todas as pessoas se comunicam mais, mas se comunicam melhor?

E se sua ideia de negócio não está nesta lista, você não precisa acreditar no Paul Graham. Só precisa acertar uma vez!

 

Testando o futuro

16 de outubro de 2014

Rafael Mambretti escreve às quintas-feiras

No começo do mês escrevi aqui que uma das nossas mais recentes evoluções foram as scooters elétricas. Passamos meses testando antes de colocarmos para rodar e prestar serviços. O que estávamos testando não posso escrever aqui, sabe como é, temos concorrentes e as informações são estratégicas, já que eles vão seguir o líder, melhor que descubram por si mesmos =)

Tranquilamente afirmo: somos a primeira empresa no país a oferecer esse tipo de serviço. Também escrevi diversas vezes aqui que nosso projeto foi concebido para tornar-se uma empresa de logística no longo prazo e não simplesmente ser uma empresa “que faz entregas de bicicleta”.

Reparem que no nosso nome não tem bicicleta ou bike, tem um dos nossos pilares: Carbono Zero! Outros dois pilares são: pessoas e lucro, afinal, somos uma empresa. Planeta, pessoas e lucro, balize seus empreendimentos nessas variáveis e seja bem-vindo ao que chamamos de setor 2,5. Seja bem vindo ao futuro!

Semana passada minhas duas bicicletas estavam quebradas (!), pois é, acontece. Uma me deixou na mão na segunda-feira a outra (a reserva), no dia seguinte, na terça-feira. Falha minha, fiquei meses sem usar as bicicletas e nem sequer me preocupei em dar uma olhada geral e preventiva. Paguei o preço! Mas foi bom, no período que estava sem as bicicletas tive a oportunidade de rodar uma semana com uma scooter elétrica. Resultado? Parecia que eu estava andando no futuro, lembra ou já ouviu falar nos Jetsons? Me senti saindo do desenho, barulho mínimo, parecia uma espaçonave. Performance excelente, a autonomia deu e sobrou para as minhas necessidades. Se precisasse, em 2h ela tava 100% carregada novamente, basta uma tomada convencional 110v.

Testei o futuro e gostei, está aprovado. Um dia terei uma. O futuro é isso, com tecnologia darmos possiblidade das pessoas contribuírem e se sentirem parte diretamente dessa contribuição. Enquanto ela não chega ao mercado convencional, você pode – mais ainda – ajudar chamando a gente. O planeta agradece =)

Um abraço,

Rafael

Você tem um herói que te inspira como empreendedor?

15 de outubro de 2014

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Meus heróis morreram de overdose. Ou pelo menos morreram, metaforicamente. Quando comecei o meu escritório de branding/design, a Laika, eu tinha dois modelos que me inspiravam: Steve Jobs e Andy Law. Sobre Steve (1955-2011), dispensaria comentários. Mas não dispenso. O mito que circula é que ele e Bill Gates eram amigos e concorrentes nos anos 70. Bill roubou o sistema operacional da Apple e seguiu em frente com seu Windows. Steve penou aqui e ali e criou um produto que chegava apenas para um público muito restrito, para os “iniciados” e, de certa forma, construindo uma grande seita. Steve foi expulso, posteriormente, da empresa que ele mesmo criara. E, mais tarde, foi convidado a socorrer a mesma Apple, que cambaleava pelo mundo afora devido a decisões estratégicas extremamente equivocadas. Steve salvou a Apple e a elevou à categoria de mito. Sim, de mito. A marca mais valiosa e desejada do mundo. Opa! Peralá! Pouca gente sabe, mas Bill Gates injetou um belo quinhão de dólares na Apple, US$ 150 milhões, em 1997, no retorno de Steve a sua casa. O sonhador e o pragmático, numa metáfora grosseira, acabavam se tornando uma coisa só. A Apple dispensa comentários: cria os produtos mais sedutores e desejados do planeta há um bom tempo.

Sobre Andy Law, o caso é pouco conhecido por estas terras. Andy Law era um dos chefões da filial da Chiat/Day na Inglaterra, uma agência de propaganda norte-americana extremamente criativa e enxuta. Mas a TBWA, uma gigantesca holding de comunicação mundo afora, veio e comprou a Chiat/Day. Porém, Andy Law e seus parceiros não gostaram nada disso. Afinal, perderiam aquela essência romântica e criativa. Seus clientes ingleses também desabonaram a ideia e se propuseram a manter fidelidade a eles e não seguir com a nova agência sob o domínio da TBWA. Andy Law e equipe foram lá e compraram a briga e a agência, já que representavam muito pouco para o grande conglomerado TBWA. Assim fundaram a Saint Luke’s (1989-2003), uma agência criativa, pequena, com alguns clientes (poucos, pois, em seguida, grande parte daqueles clientes abandonaram a agência) e com muito, muito ideal. Originalmente, a ideia era fazer aquela agência se tornar um modelo cooperativo em que todos, inclusive a faxineira, pudesse lucrar com o trabalho. E funcionou por um bom tempo. Criaram, sobretudo, um modelo ousado e maluco de distribuição dos lucros, um comunismo liberal em pleno século XX. E conseguiram se manter como uma agência pequena e extremamente criativa por um longo período.

Esses heróis me motivaram a criar, criar e criar. E acreditar no sonho. No final, são os sonhos que nos empurram para fora da cama pela manhã e nos mantém de olhos abertos pela madrugada em busca do ouro perdido. Os heróis, de certa forma, morreram de overdose criativa. É difícil encontrar alguma referência à Saint Luke’s no Brasil (o livro que eu tinha desapareceu e, pelo que me consta, não há uma nova edição). Steve Jobs faleceu e sua empresa, hoje, é um coletivo que transpira suas ideias. No entanto, com uma grande participação da Microsoft.

A lição que ficou? Bem, sem eles, talvez eu tivesse permeado a estrada de tijolos cinzas ao invés dos tijolos dourados.

 

O problema de vender bem mais que o esperado

14 de outubro de 2014

Uma das surpresas mais contraditórias que um empreendimento pode dar é quando um novo produto vende muito mais do que todas as previsões indicavam. Lançamentos que surpreendem pela alta procura são uma espécie de falso problema: se por um lado significam que o seu produto está fazendo sucesso de maneira imediata (como isso pode ser ruim?), por outro você precisa encontrar soluções com a mesma velocidade para dar conta da demanda e não frustar seu crescente público consumidor.

Acontece com empresas gigantes como a Apple, que há poucas semanas, durante o lançamento do iPhone 6, ficou com o e-commerce fora do ar por algumas horas devido à procura muito mais alta que a esperada. E acontece com pequenas empresas como a nossa, a Alimentos Pomerode.

No último mês lançamos dois produtos que acabaram nos pegando desprevenidos. O primeiro é um kit com os quatro sabores da nossa linha de queijos fundidos em bisnaga, um produto que já existia antes de comprarmos a empresa, no ano passado, mas que agora foi repaginado. É um produto que, na nossa concepção, seria atraente apenas para turistas visitando a nossa região. No entanto, o kit foi percebido como um ótimo presente para oferecer a amigos e até mesmo por empresas em encontros e reuniões de negócios. Tem feito sucesso também em cestas, muito procuradas nesta época do ano. Hoje,  já é o produto mais vendido da empresa, algo que nem de longe passava pelas nossas melhores previsões.

Ótimo, mas e qual é o problema? O problema é que a montagem desse kit é totalmente manual. E uma pessoa monta, por dia, apenas 100 kits. Uma quantidade muito abaixo do que estamos vendendo atualmente.

Outro produto que nos surpreendeu foi a versão moringa do Mel Mandala, produto feito em Minas Gerais que começamos a distribuir há pouco mais de um mês. A embalagem, mais cara que a versão em pote de vidro e bisnaga de plástico, está surpreendentemente vendendo bem mais. Possivelmente, o design elegante e prático está conquistando nosso público. Mas como planejamos um volume de vendas bem menor, nossos vendedores acabaram vendendo bem mais do que tínhamos em estoque. Problema fácil de resolver, mas que nos faz parar e pensar: o que podemos fazer de melhor nos próximos lançamentos para evitar esse tipo de problema?

Planejar melhor, desenvolver embalagens mais práticas, não sermos tão “modestos” quanto as previsões de vendas para os próximos lançamentos são algumas das ações que pretendemos tomar.

Nada frustra tanto uma equipe de vendas quanto não entregar aquilo que ela vende. E nada pode ser pior para uma empresa do que uma equipe de vendas desmotivada.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Alimentos Pomerode, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

O Nordeste Digital mostra sua força

13 de outubro de 2014

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da pós-graduação da ESPM e criador do Laboratorium

Exatamente na semana onde as mídias sociais foram invadidas por comentários preconceituosos contra os nordestinos, estive em Recife de quarta à sábado. Vi muitos comentários que “justificavam” a vitória de Dilma nessas regiões às semelhanças entre os mapas de distribuição do bolsa família, no nível de escolaridade e do nível de renda. Como gaúcho que vive em São Paulo – e que passo bem mais de cem dias por ano viajando a trabalho por todo o Brasil – acho esse tipo de comparação maldosa, por isso queria compartilhar com vocês o que vivi essa semana que passou.

Junto com meus colegas de Laboratorium, fomos os responsáveis pela curadoria da Arena Digital, da Feira do Empreendedor de Pernambuco, no Recife. A Arena é um dos muitos espaços dessa feira. Nesse local aconteceram palestras, debates e apresentações sobre diversos temas que possam capacitar e inspirar os empreendedores da região a melhor entender e aproveitar as oportunidades advindas da revolução digital. Os conteúdos foram organizados em grandes temas: e-commerce, startups, games e mídias sociais. Nosso objetivo, desde o início dos trabalhos, foi ao mesmo tempo apresentar uma programação agradável e consistente e fortalecer o ecossistema regional de inovação.

Assim, desde quarta-feira, tivemos a abertura do espaço com um bate-papo com Aldo Pacheco e Marcelo Paiva, da Venda e Cia, uma consultoria em e-commerce de João Pessoa, na Paraíba. No mesmo dia, tivemos painel com lojistas virtuais que atuam no Recife, além de cases nacionais, como o caso da Eletrônica Santana, aqui de São Paulo – que é uma história inspiradora, de uma loja de bairro que tem 50 anos e se reinventou através do e-commerce – e hoje tem cinco unidades de negócios, vendem e atendem todo o Brasil (um dia vou contar com detalhes a vocês).

Na quinta-feira à noite teve início o Startup Weekend Recife, edição local do famoso evento que já aconteceu em mais de 600 cidades em todo o mundo e que já criou milhares de startups (centenas delas de sucesso). Mais que criar negócios lucrativos, o “Weekend” é uma metodologia onde os empreendedores passam por um intensivo de 54 horas para colocar pelo menos um protótipo funcional no ar. No próximo mês, acontece o Startup Weeekend Sertão, em Serra Talhada (Pernambuco).

No dia dedicado aos jogos, o primeiro painel contou com a presença do professor Rodrigo Motta, que junto com seus alunos, criou a Kaiapora Digital, de Campina Grande.  Um de seus trabalhos é o jogo Xilo, uma pequena obra de arte, que usa a  xilogravura do cordel para contar a história de Biliu, personagem que percorre os cenários no nordeste e encontra mitos do folclore brasileiro como o Saci e a mula sem cabeça. No mesmo dia, Jailson Souza, do estúdio Moovi, da Bahia, compartilhou a experiência de seu estúdio de game hoje incubado dentro do Parque Tecnológico de Salvador. E Rodolfo Sikora, de Fortaleza, contou como é fazer uma rede social dedicada a gamers a partir do Ceará.

No sábado o tema central foi as mídias sociais. Duas das palestras foram de Gabriel Leite, professor e empreendedor da Mentes Digitais, de Aracaju, Sergipe.  E o encerramento da programação, ficou a cargo de Wesley Barbosa, coordenador do programa de incentivo às startups do Facebook Brasil . Wesley nasceu em família humilde na periferia de Maceió, Alagoas. Sua trajetória passa por ter trabalhado com games na China antes de voltar para o Brasil como responsável pelo mecanismo de busca Baidu (maior que Google na Ásia), antes de ocupar o cargo que hoje exerce no Facebook. Poderia contar outras muitas histórias como o das Células Empreendedoras, da Leme Digital ou ainda do Professor Cristiano Araújo, referência no estímulo do empreendedorismo de base tecnológica através do “Projetão. Mas ao todo, foram 37 convidados, de muitos estados brasileiros, mas principalmente do Nordeste.

No próximo mês, acontecem as Feiras do Empreendedor de Natal (Rio Grande do Norte) e de Teresina (Piauí). E em São Luis, o Instituto Federal do Maranhão organiza o IX CONNEPI, congresso científico que lança pela primeira vez o Universo IF, espaço dedicado aos jogos, startups e à pesquisa de base tecnológica aplicada.

E assim, em meia dúzia de parágrafos, me parece claro a força do empreendedorismo inovador nessa região. E que não é legítimo vincular o povo do Nordeste à opção de voto apenas pelo bolsa família. Talvez seja possível afirmar que as políticas de inclusão social e educacional fortaleceram um talento natural que o Nordeste já tinha – para também empreender na economia criativa. E que agora os frutos começam a aparecer. Só não posso é concordar com essa difamação e com o preconceito de que os nordestinos são acomodados, não tem ambição e que querem viver de favor – e por essa ótica que decidem seus votos. A garra e o talento dos empreendedores digitais do Nordeste é prova disso. Ou não é?

O professor bilionário e a educação empreendedora

10 de outubro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Há um número crescente de professores de empreendedorismo no Brasil em todos os níveis de ensino, do básico à pós-graduação. Por ainda ser uma novidade, ainda há muitas dúvidas sobre o que é a educação empreendedora e, por isso, quem deveria ser o professor de empreendedorismo.

Muitos criticam os professores teóricos. Mas respeito, cada vez mais, grandes teorias que avançam nossa forma de refletir e, desta forma, nos instigam a inovar. Por isso, professor Joseph Schumpeter é considerado, por muitos estudiosos, o pai do empreendedorismo moderno. Nascido na atual República Tcheca, em 1883, atingiu sua fase de maior produção intelectual quando se torna professor de economia na Universidade de Harvard a partir de 1932 até seu falecimento em 1950. Sua produção intelectual colocou o empreendedor na posição central de algo que chamou de destruição criativa. Entendeu e defendeu que o empreendedor é aquele que inova, e ao inovar destrói a situação atual para criar algo novo e melhor. Por esta razão, o empreendedor é o principal motor do desenvolvimento econômico. Curiosamente, antes de Schumpeter, pouca gente dava valor ao papel do empreendedor na sociedade, mesmo diante de empreendedores lendários como Henry Ford, Thomas Edison ou Walt Disney.

Muitos criticam os professores que privilegiam certos alunos. Mas o Vale do Silício, provavelmente, não teria existido se não fosse o professor Frederick Terman. Nascido em 1900, Terman se tornou professor da faculdade de engenharia da Universidade de Stanford em 1925. A universidade não passava de uma fazenda que tinha virado escola e a região, um lugar longínquo no Velho Oeste que sofria terremotos de vez em quando. Como não conseguia atrair pesquisadores brilhantes para Stanford, Terman incentivava que seus melhores alunos abrissem negócios na região, inclusive, conectando-os e investindo dinheiro do próprio bolso nos negócios criados. Com dois alunos, William e David, ele incentivou a sociedade e investiu 538 dólares, orientando que ambos criassem um novo negócio. Como não tinham muita criatividade para nomes, batizaram a empresa com seus sobrenomes: Hewlett Packard ou, simplesmente, HP.

E ainda, muitos criticam os professores práticos demais. Mas a internet, talvez, tivesse sido bem diferente se não fosse pelo pragmatismo do professor David Cheriton. Nascido no Canadá, tornou-se professor de ciência da computação na Universidade de Stanford em 1981. Em 1997, dois de seus alunos de doutorado estavam com sérias dificuldades de encontrar problemas de pesquisa para suas teses. Cheriton recomendou que trabalhassem em problema prático: encontrar dentre os referencias teóricos em uma bibliografia, quais eram os mais relevantes. Quando viu que a solução criada por Larry Page e Sergey Brin funcionava, nem pensou duas vezes, fez um cheque de US$ 100 mil, orientando seus alunos a criarem uma empresa, que chamaram de Google. Mas mesmo depois do Google e outras startups que investiu, ele continua fazendo o que mais gosta: sendo professor. Só se lembra de que é rico, quando a revista Forbes o coloca em seu ranking de bilionários. Daí ele se dá conta que tem uma fortuna estimada de cerca de US$ 3,2 bilhões.

O grande equívoco da educação empreendedora é que empreendedorismo não é ensinado. É aprendido!  Os professores abrem as portas, mas você deve entrar por si mesmo.

O que os candidatos têm a oferecer para os empreendedores?

9 de outubro de 2014

Rafael Mambretti é proprietário da Carbono Zero Courier

Confesso não estar acompanhando muito de perto os planos de governo de nossos candidatos à presidência. Agora que entramos na reta final do 2º turno, resolvi dar uma olhada no que ambos falam sobre empreendedorismo.

Nas poucas matérias e artigos que falam especificamente sobre o tema, os candidatos abordam de forma superficial e sem muitos detalhes. Melhorar acesso ao financiamento, desburocratizar, sinergia das agências, inovação (palavra da moda no empreendedorismo), entre várias outras.

Dias atrás tive a oportunidade de participar de um workshop da Endeavor (a Carbono Zero Courier desde 2012 faz parte, quando entrou para o Programa Visão de Sucesso que seleciona empresas nacionais com capacidade de alto impacto na nossa sociedade), sobre acesso à financiamento.

Diversos empreendedores dos mais variados segmentos e momentos que suas empresas vivem, foram unânimes. Acesso a capital? No Brasil é praticamente inexistente, reforçado por um caso compartilhado de um colega empreendedor que foi para os Estados Unidos tentar e conseguiu esse acesso, e com mais de uma opção. Aqui? BNDES? Cartão BNDES? As instituições financeirs estão mais preocupadas em cobrar emissão de boleto do que facilitar o acesso ao crédito.

Não é difícil ver casos de gerentes bancários que só entram em contato com seus clientes empreendedores para vender produtos e não para conversar, orientar etc.

Bem, voltando aos candidatos, eles refletem o problema crônico em todas as esferas e variáveis do empreendedorismo brasileiro. Nos últimos anos o empreendedorismo ganhou notoridade, com o advento do termo start-up, de repente, todo mundo é empreendedor e tem uma start-up (de tecnologia normalmente),  e logo se vai associando empreender com tecnologia e inovação, que é o que vemos nos discuros e planos dos candidatos. Inovar não é só tecnologia, o Seu João que modifica o carrinho de pipoca dele ou seu processo de venda, de modo a aumentar sua capacidade produtiva também inova, mas que apoio ele tem do governo? Menos burocracia? Cartão BNDES? Qualificação gratuita? Aprendiz?

O papel fundamental que os micro, pequenos e médios empresários exercem na economia é sábido há anos. Os nossos futuros candidatos precisam entender que o nosso país, a nossa economia é um grande organismo vivo interligado e que, muitas vezes, priorizar somente uma coisa pode prejudicar o todo. Tipo aquela experiência de comer McDonalds todo o dia. Está na hora de parar de reduzir impostos para aumentar o consumo (IPVA para carros e eletrodomésticos), é preciso reduzir e simplificar impostos para melhorar a produção, estimular o desenvolvimento e crescimento, melhorar a atratividade para que o empreendedor permaneça empreendedor. Nenhum deles se quer fala em mexer nas leis trabalhistas, que são do século passado. Por exmeplo, a 40 anos atrás não existia o conceito do Home Office, hoje, muitas pessoas ao redor do mundo o praticam, como isso é visto pela Lei?

O plano de governo do Aécio, as diretrizes o empreendedorismo (especificamente), é tratado em uma página e meia das 76 do documento. O da Dilma não é diferente, as palavras são mais ou menos as mesmas, o que esperamos é a ação, pois palavras (promessas), em política é como água na chuva.

Boa sorte a nós brasileiros.

 

Você busca oportunidade de fazer algo que faça diferença em nossa sociedade? Então busque seus pares

8 de outubro de 2014

Leo Spigariol (direita), da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Há alguns anos, acompanhamos um processo de descentralização da cidade de São Paulo. Por questões claras de crescimento desordenado, verticalização, especulação imobiliária, alto custos e alta densidade demográfica, a capital produtiva do país cada vez mais deixa de ser um destino desejado para se empreender.

Provavelmente porque a balança da relação oportunidade X qualidade de vida está cada vez mais equilibrada e pendendo para outras bandas. Acho que a febre do ouro no anos 80, com o evento da Serra Pelada, seja o maior extremo representativo de uma Era em que as pessoas acreditavam que a oportunidade poderia custar qualquer coisa, inclusive pegar malária quantas vezes fossem necessárias.

Desde que tomei a decisão e fiz minha mudança para o interior de São Paulo, venho buscando encontrar pessoas com afinidades profissionais na busca por somar experiências e novas oportunidades. Recentemente, há cerca de dois meses, tive a grata visita de um santa-cruzense empreendedor, André Bianchi. Na ocasião, conversamos sobre o desempenho de nossos negócios e projetos futuros da DE CABRÓN no mercado brasileiro e externo. Ao final de nosso encontro, fui convidado para participar de um café da manhã em Bauru, que aconteceria na semana seguinte.

Pois bem, como não gosto de perder oportunidades, fui. O convite era para participar do Viking Network, um grupo de empreendedores do oeste paulista que criou uma metodologia para a fomentação de relacionamento e de novas oportunidades de negócio. Fantástico. No cronograma do evento, em determinado momento, você se apresenta e conta rapidamente sua história. E sabe o que é mais interessante? A grande maioria é formada por paulistanos que, em algum momento de suas vidas, resolveram empreender no interior como ideal de vida, assim como eu. A responsabilidade de transformar a sociedade é nossa.

Hoje, Santa Cruz do Rio Pardo começa a se destacar no mercado de consumo de produtos gourmet, graças ao projeto DE CABRÓN. Gradativamente, vamos mostrando a todos que é possível sim criar um produto com grande qualidade e valor agregado em uma pequena cidade do interior.

Mas, voltando o tema que gostaria de abordar, a network, eu pergunto: você tem uma metodologia para fazer network em seu dia a dia? Você pratica isso com que frequência? Com quem você dialoga? Com outros empresários de sua região? A troca de experiências é talvez a mais importante das facetas da vida de um empreendedor e precisa estar no âmago de sua rotina.

Experiências com seus colaboradores, experiências com seus consumidores, experiências com amigos e, por que não, experiências com concorrentes? Ficar trancado em seu escritório olhando planilhas e reclamando do resultado das eleições no Facebook não leva a nada. Aliás, leva sim: aumento na miopia e consequente disfunção para enxergar novas oportunidades e, fundamental, aprender. Busque seus parceiros. Faço isso constantemente e confesso: tenha aprendido muito com os diálogos e a troca incomum de conhecimento Una-se ao seus pares. Crie projetos coletivos de troca de experiências. Você não está sozinho. Liderar um projeto fica mais fácil quando você pode trocar conhecimento com profissionais que você tem afinidade. E esqueça aquela ideia de que alguém vai roubar sua ideia. Compartilhar pode ser a chave do sucesso.

Como aproveitar a crescente onda do e-commerce no Brasil

7 de outubro de 2014

Montar um e-commerce para comercializar seus próprios produtos é uma solução muito interessante para aumentar as vendas de micro e pequenas empresas. É uma alternativa econômica e segura para atingir consumidores de todo o país. Mesmo que as vendas representem uma fatia pequena do faturamento anual, o crescimento do comércio virtual no Brasil e no mundo é impossível de ignorar: o site e-bit informa que as vendas no primeiro semestre de 2014 aumentaram 26% em relação ao período no ano passado, passando dos R$ 16 bilhões. E entendendo melhor como funcionam os mecanismos da Internet para vender mais, o empreendedor pode se surpreender com seus resultados online.

Com a aquisição da Alimentos Pomerode em agosto do ano passado, ganhamos uma nova oportunidade de trabalhar com vendas online. Com a Cervejaria Eisenbahn, já havíamos criado um e-commerce em 2003, e com ele conseguíamos satisfazer aqueles clientes que mandavam e-mails ou perguntavam onde encontrar nossos produtos na sua cidade ou estado (o que era impossível em muitos desses casos). Quando decidimos montar uma fábrica de queijos especiais, em 2011, vender nossos produtos na Internet já constituía parte essencial do plano de marketing e vendas.

Nossa loja online foi aberta há quase um ano, e tínhamos como objetivo atingir a marca de 10% do total de vendas da fábrica em cerca de seis meses. Em números absolutos, atingimos esse resultado dentro do prazo proposto, mas como as vendas da empresa cresceram como um todo, nosso e-commerce representa hoje 5% do faturamento, mas vem apresentando números melhores a cada mês. Na verdade, ele já representa nosso terceiro melhor “cliente”, atrás apenas para grandes redes de supermercados.

Estratégias

Algumas das ações que colocamos em prática para alavancar nosso e-commerce na Alimentos Pomerode foi aumentar a variedade de produtos (uma estratégia que abordamos semana passada aqui no Blog do Empreendedor) e vincular um valor mínimo, nosso ticket médio, ao frete gratuito – no caso, R$ 40,00 em compras.  Em um mês, as vendas no site quadruplicaram.

Então passamos a investir uma pequena quantia de dinheiro no Facebook – começamos com R$ 300,00 no primeiro mês. É um investimento essencial para que as coisas que a empresa posta sejam vistas, de fato, pelas pessoas que se interessam pelo produto. Sem pagar, você realmente não aparece. E, como deve saber, eventualmente todo usuário do Facebook acaba clicando em um ou outro anúncio que lhe chame a atenção…

Também passamos a enviar, eventualmente, uma newsletter (e-mail marketing) para listas de e-mail. Os resultados têm sido muito bons dentro da listagem de pessoas que se cadastraram para receber nossas notícias: 50% deles lêem nossos e-mails e clicam no link para saber mais em nosso site. Em listas formuladas por e-mails coletados aleatoriamente, esse número é de em média 10%, o que mostra como é importante ter uma base de e-mails de qualidade, formada por pessoas realmente interessadas nos produtos da empresa. Caso contrário, a newsletter mais caprichada não passa de spam.

Existem duas maneiras de construir sua loja virtual: você pode gastar muito para fazer uma plataforma própria, ou pode utilizar uma plataforma pronta, com algumas limitações de layout e análise de dados, mas muito, muito mais barata. A maioria dos pequenos e-commerces do país utiliza essas plataformas prontas. Elas tem tudo que você precisa para vender de maneira segura e acessível para o seu consumidor. Também sugerimos que o empreendedor procure agências especializadas no ramo, pois a Internet funciona de um jeito específico, com detalhes técnicos que exigem bastante conhecimento de suas regras, atalhos e barreiras.

* Bruno e Juliano Mendes escrevem toda semana no Blog do Empreendedor

 

Quinze princípios da empresa inovadora

6 de outubro de 2014

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da pós-graduação da ESPM e criador do Laboratorium

Como manter acesa a chama da inovação dentro da empresa? Como conseguir constantemente renovar seu catálogo de produtos e serviços para superar as expectativas do consumidor? Como garantir e ampliar o lucro (não só financeiro, mas também social e ambiental)?

Cada empresa precisa encontrar suas respostas, mas talvez a solução fique menos complexa se conhecermos as melhores práticas das empresas inovadoras. A 3M é mundialmente – e no Brasil – reconhecida e premiada por seu Sistema de Inovação.

Luiz Serafim, head de marketing da empresa no país, no livro “O Poder da Inovação”, lista os quinze princípios que fazem da 3M uma organização que tem resultados muito acima da média. Faço aqui um resumo de cada um deles, para que conheçam como uma empresa alcança o sucesso devido, principalmente, sua crença e prática na gestão da inovação:

1. Desenvolva e comunique a visão estratégica – A direção deve ser transparente sobre os objetivos que deseja alcançar.  A visão de futuro de uma empresa inovadora deve ser inspiradora e ambiciosa para engajar a empresa em seu crescimento.

2. Mantenha a conexão com os clientes – A inovação só acontece quando o cliente percebe valor no que você oferece. Portanto, toda novidade só tem sentido se for reconhecida pelos clientes – razão da empresa existir.

3. Delegue responsabilidades – Na 3M essa máxima é sintetizada pela frase “contrate bons funcionários e deixe-os trabalhar”.

4. Prepare lideranças – São os líderes que concebem visões de futuro, inspiram e mobilizam os times para alcançar objetivos.

5. Estimule o empreendedorismo corporativo – Crie condições para que todos os colaboradores possam apresentar, discutir, melhorar e implementar iniciativas que possam melhorar o negócio.

6. Reconheça os melhores – Se você quer que os funcionários se sintam “donos” do negócio, eles devem ser recompensados pelos acertos.

7. Assuma riscos e tolere erros – Não há como inovar sem errar.  O erro é inerente ao processo de inovação.

8. Aposte na diversidade – As equipes devem contemplar a diversidade indo além das questões de gênero, raça, idade para poder melhor contemplar diferentes pontos de vista e a pluralidade de perspectivas e experiências.

9. Incentive a colaboração – Ninguém faz nada sozinho. Criar redes de colaboração (internas e externas) é essencial para a inovação.

10. Continue crescendo, com foco no futuro – O passado serve para sustentar a reputação, para construir reconhecimento à marca, para aprender e testar modelos. Mas não adianta gerenciar olhando pelo retrovisor, para frente é que se anda!

11. Estabeleça processos de gestão adequados – Defina claramente as ferramentas para análise, tomada de decisão,  mecanismos claros para avaliação. Crie condições para encontros periódicos e outros rituais que possam buscar dar uma segurança maior ao grupo das escolhas feitas durante o caminho.

12. Desenvolva ao máximo suas competências centrais – Valorize aquilo que você faz de melhor. Reconheça e valorize suas competências excepcionais para extrair delas o máximo de resultado.

13. Monitore seu progresso – Os projetos inovadores PRECISAM de indicadores, métricas de resultados (% de vendas e de lucros), de tipos de inovação (melhorias, incrementais, radicais), de processo (número de ideias, de patentes, de novos produtos), entre outros. Mais do que nunca, quem não mede, não gerencia.

14. Cultive a ética como um valor inflexível – As soluções devem ser geradas num contexto de atender as necessidades dos clientes sem abrir mão dos melhores princípios de transparência, respeito, justiça em todas as relações humanas (com fornecedores, acionistas, parceiros, time), ambientais e sociais.

15. Faça o que mais gosta de fazer – A paixão é a fonte de inspiração para enfrentar as dificuldades do dia a dia. Portanto, trate de sempre encontrar uma forma de fazer aquilo que ama. As mudanças devem ser encaradas como oportunidades. Ser criativo e otimista é alimentar uma energia empreendedora que gratifica aquele que vê sua ideia transformada em ação.

Agradeço a generosidade do Luiz Serafim em compartilhar essa sabedoria, princípios que servem de inspiração para qualquer empreendedor.  Para quem quer saber mais, o livro “O Poder da Inovação” é da editora Saraiva e traz uma visão completa do processo de gestão da inovação, com casos nacionais e estrangeiros, em linguagem clara e acessível.