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O cotidiano de empreendedores como você
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Ideias são commodities

27 de setembro de 2016

O ano é 2000. Eu tinha acabado de entrar na faculdade e o combinado com meus pais era: quem entrasse para a faculdade ganharia um carro. E assim eles compraram para mim um Gol prateado. Eu adorava aquele carro, com suas luzes de painel azuis e com uma disqueteira para 6 CDs na mala! Para a geração pós-CD: disqueteira era um aparelho que se colocava em carros e que permitia carregar vários CDs ao mesmo tempo, e escolher qual iria tocar pelo painel.

Apesar da disqueteira, em poucos meses eu já estava enlouquecendo por escutar as mesmas músicas e ficava sonhando com outro aparelho: 1) em que eu pudesse escutar qualquer música que quisesse; 2) que me indicasse novas músicas baseadas nas que eu gostava; 3) funcionasse com comando de voz. Não sei se vocês perceberam, mas basicamente inventei o Spotify – nove anos antes!

Não penso em momento nenhum que alguém do Spotify roubou minha ideia. Aliás, nem penso que era uma ideia tão original assim. Provavelmente, milhares de pessoas tiveram a mesma ideia, e com certeza uma parte desse grupo pensou em tudo muito antes da minha decepção com a disqueteira. Algo parecido com isso acontece comigo até com certa frequência. Sempre que me apresento em eventos e explico que, no Colab, é possível postar ocorrências que precisam ser resolvidas, como um buraco em uma via, escuto: “Eu já tive essa ideia! Criar um app para que o Governo resolva meus problemas”.

Não só essas pessoas tiveram a ideia de um Colab, mas provavelmente milhares de outras. E não só do Colab ou do Spotify, mas também do Instagram ou do WhatsApp. Acredito que sempre haverá alguém que já teve uma ideia igual a qualquer ideia que você já teve. Por isso sempre repito que ideias são commodities. Elas estão por aí, flutuando, e qualquer pessoa pode ir até lá e pegar uma. O que faz empresas terem sucesso não são as ideias dos fundadores, mas executar essas ideias e operacionalizá-las.

No caso do Colab, só para começar, tivemos que fazer um app para iPhone, um app para Android, um site todo funcional, e criar a infraestrutura para que tudo isso funcionasse. E isso apenas para começar a operar! Depois disso, tivemos que ir atrás dos governos, criar um novo site para que eles pudessem interagir com os cidadãos, criar um time de atendimento para apoiar o Governo, e tudo isso enquanto ainda estamos evoluindo os produtos dia a dia! Agora para e pensa no que o Spotify passou para chegar aonde chegou, ou o Instagram, ou o WhatsApp. As ideias foram importantes para iniciar o trabalho, mas a execução e a operação foram o que fizeram cada uma dessas empresas chegarem aonde chegaram.

Ah! E só finalizando, sobre o Spotify: sou bem feliz porque eles tiveram a mesma ideia que tive e porque foram além, criando a empresa e me permitindo ter acesso a um número infinito de música! Sou um feliz assinante do serviço ;-)

Josemando Sobral – sócio fundador do Colab, apaixonado por tecnologia e nas horas vagas, baixa apps. Quer falar comigo? Me procure no Twitter @josemando.

7 razões para não comer fora de casa

26 de setembro de 2016

Quando iniciei o Pastifício Primo em 2010 eu não imaginava algumas das coisas que aconteceram e que ajudaram – e continua ajudando – nosso negócio a prosperar.

Naquele momento, recém-chegado a São Paulo, eu estava focado em fazer a melhor massa do mundo, treinar a equipe, conquistar a confiança de nossos clientes e atender o máximo de pedidos – uma massa e um molho de cada vez. Eu apenas enxergava esses objetivos simples, que eram a parte visível no dia a dia de uma pequena loja/fábrica artesanal de comida.

Mas havia outras coisas interessantes acontecendo – que hoje podemos chamar de tendências – no mundo da gastronomia e no consumo de alimentos, e que estavam “cozinhando” em fogo lento, esperando o momento mágico de serem descobertas pelo grande público.

Uma delas – a principal delas para o nosso negócio – é o chamado HOME FOOD (comer em casa).

Acredito que seja provável que esta tendência, ainda tímida no Brasil no começo dos anos 2000, tenha sido acelerada por conta da crise de 2009 – e que se repete na crise atual. Uma combinação do desejo/necessidade de gastar menos, mas sem abrir mão da qualidade adquirida.

Portanto, as pessoas passaram a comer mais – e melhor – em casa, criando essa demanda por alimentos preparados com comprometimento, com filosofia, com responsabilidade, permitindo assim o surgimento de uma geração inteira de novos artesãos e pequenos negócios para atender essa demanda, e o Pastifício Primo floresceu no meio disso tudo.

Outro ingrediente importante foi o crescimento da percepção de que o alimento está diretamente relacionado com a saúde. Assim, as pessoas passaram a questionar mais o que estão consumindo, passaram a evitar comidas industrializadas que, mesmo mais baratas, representam uma ameaça ao bem-estar de si mesmo e das pessoas queridas. Esse é um assunto muito sério, e que voltarei a tratar num futuro próximo.

E podemos ir além, na arquitetura das casas, por exemplo. Antigamente as casas e apartamentos tinham a cozinha separada da sala de visitas ou da sala de jantar, e muitas vezes eram simplesmente a parte mais feia da casa! Já as cozinhas de hoje são espaçosas, confortáveis, lindas, iluminadas, e geralmente se transformam no centro de qualquer festinha.

Outra comparação necessária é que antigamente a maioria das pessoas considerava cozinhar uma obrigação, um “fardo” relegado, sempre que possível, para as empregadas. E, sempre que havia uma ocasião especial para celebrar, como um aniversário, ou uma formatura, ou um jantar romântico, a moda era reservar um restaurante. Havia famílias que tinham mesa garantida em restaurantes todo domingo, e agora recebem toda a família em casa, cada um preparando e exibindo orgulhosos seus pratos preferidos.

Assim, o ato de cozinhar e compartilhar a mesa foi redescoberto de forma lúdica, uma atividade calmante, zen, um ato de amor. E cozinhar em casa se consolidou como um estilo de vida.

Isso porque há muitas vantagens no home food, e eu analiso 7 que me ocorrem agora:

1. É mais em conta. Cada um leva um ingrediente, um prato, ou um par de garrafas de vinho. Uns levam a sobremesa. Outros levam o pão e antepastos. Chamar os amigos em casa para um almoço ou jantar é algo divertido, além de ser muito mais econômico que um restaurante. Por um instante imagine a conta num restaurante bacana, com uma turma de 10 a 15 amigos, adicione 10% de serviço e mais o valet. Imaginou? Pois é. Dá pra fazer de vez em quando, mas nem sempre.

2. Visitar as casas dos amigos. Parece coisa de cidade do interior, mas de fato está acontecendo em São Paulo! O almoço de domingo pode ser um dia na casa de um, depois o jantar é na casa do outro. Isso permite trocar receitas, conhecer novas culturas urbanas e, acima de tudo, comer bem. Se for beber, Uber, taxi ou bike são a solução. Manter a vida simples é um mantra somente possível com a prática.

3. Faça você mesmo. Hoje em dia, as pessoas não precisam cortar lenha no mato, nem sair para caçar, né? Não construímos a casa com as mãos, nem consertamos o próprio carro – e tem quem não saiba trocar um pneu. Numa grande cidade, estamos forçosamente afastados de qualquer ato de “fazer com as próprias mãos”. Mas cozinhar é a nossa salvação, podemos preparar nossa própria comida, escolher os ingredientes, é uma oportunidade simples de resgatar significado ao verbo “fazer”.

4. Descubra uma nova forma de namorar. Era tradicional levar namorada/o para um restaurante badalado, e gastar uma nota para impressionar e nem sempre comer bem. Agora, acredite em mim, poucas coisas impressionam mais – e melhor – do que preparar o jantar em casa, comer com calma, sem o garçom ficar empurrando o couvert ou enchendo a taça para você gastar mais.

5. Coma mais saudável. Comer em casa permite escolher com muito mais cuidado os ingredientes, a higiene e, principalmente, alimentos menos processados, menos industrializados.

6. Declarar a liberdade das filas, dos shoppings e dos valets. Entendo perfeitamente a vontade de conhecer um lugar novo, da moda, e que tem filas quilométricas na porta. Eventualmente pode valer a pena. Mas é um contrassenso juntar a família e se meter numa fila de horas. Principalmente no dia das mães ou no dia dos pais.

7. Por fim, lembrando o velho ditado: lar, doce (e saboroso) lar.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br.

 

Conheça as pessoas e os lugares para quem quer empreender em SP

23 de setembro de 2016

Se ignorarmos o Complexo de Vira Lata, notaremos que a cidade de São Paulo está se posicionando entre os melhores ecossistemas de empreendedorismo digital do mundo e isto é o resultado de iniciativas e principalmente de pessoas que se destacariam em qualquer lugar do mundo.

 

Para perceber esta nova realidade, a viagem começa por um bairro que nem os paulistanos sabem direito onde fica, os Campos Elíseos. Pelo fato de ter sido o primeiro bairro nobre da cidade, onde os ricos fazendeiros de café construíam suas residências, ainda é possível apreciar a beleza da arquitetura de algumas construções enquanto se dirige para a Alameda Eduardo Prado, 397. É neste local que Rogério Tamassia trabalha. Em parceria com a seguradora Porto Seguro, ele e a sua equipe, criaram a Oxigênio, uma das mais jovens aceleradoras de startups de São Paulo e justamente em uma região que tanto precisava de novos ares. Dos Campos Elísios, é possível se conectar diretamente com a cidade de Sunnyvale, uma das principais do Vale do Silício, onde a Plug&Play, aceleradora parceirassa da Oxigênio, tem sede.

Depois de dar uma oxigenada na sua capacidade empreendedora, é preciso tomar um vento na Bela Vista. De metrô, é fácil, fácil. É só descer na estação Vergueiro, caminhar 500 metros e chegar à Rua Martiniano de Carvalho, 851. Aqui fica aceleradora do Grupo Telefónica, a Wayra, que em linguagem Quechua, falada pelos antigos povos andinos, significa vento. A Wayra vem trazendo bons ventos para o ecossistema de empreendedorismo brasileiro desde 2011, tendo acelerado mais de 50 startups, inclusive algumas já bem conhecidas como a Qranio, outras que estão tendo um crescimento acelerado como a Reglare e grandes promessas como a QueroQuitar. Se tiver sorte, vai encontrar o sempre elegante Renato Valente, empreendedor bem sucedido, que agora lidera a Wayra e a Telefónica Open Future, iniciativa de inovação aberta do grupo espanhol.

Depois de uma caminhada de 10 ou 15 minutos, terá chegado à Av. Paulista, 171. É neste prédio que fica a ACE, o novo nome da Aceleratech, que se posiciona como a melhor aceleradora da América Latina, pois tem ganhado este título no Latam Founders Awards há três anos. A ACE tem se especializado em acelerar startups que são adquiridas depois como ocorreu com a Fundacity, SkyHub, Infoprice e mais recentemente com a LoveMondays. O e a cabeça da ACE é Pedro Waengertner, alguém com consegue integrar conhecimento de empreendedorismo digital, didática, comunicação e simpatia como poucos. Isto explica porque é um dos professores mais queridos da ESPM.

Da Av. Paulista, a poucas quadras, na Rua Coronel Oscar Porto, 70, fica o novíssimo Google Campus. Ao contrário das outras aceleradoras onde seria necessário agendar uma reunião, aqui basta fazer um cadastro pela internet e se tornar membro. Os andares mais baixos são de livre acesso, enquanto que os mais altos são para startups pré-selecionadas. Talvez encontre o Andre Barrence, head do Google Campus. Importado de Minas Gerais onde tinha sido um dos responsáveis por organizar o ecossistema de empreendedorismo digital de Belo Horizonte, agora faz o mesmo excelente trabalho na versão paulistana do Google. Ainda no Campus, tem a chance de encontrar o Felipe Matos, outro ícone e um dos principais hubs de empreendedorismo digital do Brasil e responsável pelo êxito do programa Startup Brasil. De volta a sua fazenda, Felipe é um dos líderes do Startup Farm, considerada a maior aceleradora de startups da América Latina, iniciativa que tinha co-fundado, e que agora também está baseada no Google Campus. O local também abriga outras duas iniciativas fundamentais para o fortalecimento do ecossistema de startups no Brasil. A TechStars é mais conhecida por organizar os Startup Weekends por todo o país, mas esta organização internacional, liderada pelo Tony Celestino no Brasil tem sido essencial na formação de toda uma nova geração de empreendedores. E a Innovators, coordenada pelos globe trotters André Monteiro (no Brasil) e Bedy Yang (Estados Unidos) é uma das principais responsáveis por criar conexões fortes e constantes de empreendedores brasileiros com o Vale do Silício.

O dia estará acabando quando pegar um Uber e se dirigir para a Vila Olímpia. Na Rua Casa do Ator, 919 fica um prédio com o sugestivo nome de Cubo, que em menos de um ano de existência se tornou o maior ponto de conexão de empreendedorismo digital do Brasil. É difícil definir o Cubo, resultado da parceria entre o Banco Itaú e a firma de venture capital Redpoint, já que é um espaço de coworking de mais de 50 startups e grandes empresas, local de vários eventos e treinamentos diários e local de networking e co-desenvolvimento de inovações. A frente de tudo isso, o multi-homem, incansável e sempre solícito Flávio Pripas. Eleito uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela revista Fast Company, Pripas também é uma das pessoas mais queridas do ecossistema de empreendedorismo digital brasileiro. Como há tantos eventos no Cubo, é bem provável que termine o dia em um happy hour no rooftop do prédio batendo um papo com ele…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

E-commerce no Brasil: tá favorável

21 de setembro de 2016

Empreender no Brasil não é tarefa fácil, ainda mais no momento político-econômico atual, em que pairam no ar muitas dúvidas e expectativas. O PIB (Produto Interno Bruto) registrou no final de junho o sexto trimestre seguido de retração, o que indica a diminuição das atividades em diversos setores da economia. Mas, como em toda crise, o melhor que o empreendedor tem a fazer, independentemente do tamanho do seu negócio ou do seu grau de experiência, é procurar saídas, inovar, encontrar soluções antes não pensadas.

Olhar o cenário e identificar setores e negócios que caminham na contramão da crise é uma boa maneira de fazer isso. E ao fazer esse exercício, um dos setores que salta aos olhos é o de comércio eletrônico. No Brasil, as vendas online representam apenas 4% de tudo o que é movimentado no varejo; parece pouco, mas esse percentual foi responsável por um faturamento de R$ 19,6 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo a Ebit. E vale dizer que os números da Ebit não contabilizam as vendas realizadas em marketplaces (shoppings online), um dos modelos de negócios que mais cresce na internet e que faturou ao menos outros R$5 bilhões no período.

É verdade que o comércio eletrônico também vem sofrendo retração – até 2014 registrava dois dígitos de crescimento ano sobre ano-, mas a curva segue ascendente – o crescimento no primeiro semestre foi de 5,2%, e a perspectiva é de que o setor encerre 2016 com faturamento 8% maior do que no ano passado.

O fato é que os motivos de crescimento do e-commerce no Brasil vão além da macroeconomia. Vivemos um momento de mudança de comportamento do consumidor. Homens e mulheres de todas as idades estão descobrindo as vantagens de comprar online. Do sofá de casa é possível pesquisar preços e produtos, compará-los, fazer a compra ali mesmo e receber o produto em pouco tempo. Ainda segundo a Ebit, no primeiro semestre 23,1 milhões de consumidores virtuais realizaram pelo menos uma compra, volume 31% maior que em 2015, fortalecido pela forte migração das vendas do varejo físico para o canal online.

O avanço da tecnologia tem garantido experiências cada vez melhores para compradores e vendedores, tornando a compra online cada vez mais prática. Pessoas que moram distantes dos grandes centros têm a oportunidade de, pela internet, adquirir todos os tipos de produtos a preços competitivos.

Aliás, a variedade de produtos disponíveis no varejo online é outro fator que impulsiona o setor. Há 21 anos, quando começaram a surgir os primeiros sites de vendas no Brasil, a oferta era quase toda voltada para itens de informática, o que também delimitava o perfil dos compradores – a maioria profissional da área de Tecnologia. Já há vários anos esse cenário mudou. No último semestre, as quatro categorias de produtos que mais cresceram em  vendas online foram: livros/assinaturas/apostilas (14%), eletrodomésticos(13%), moda e acessórios (12%), saúde/cosméticos e perfumaria (12%) (dados da Ebit).

Outro aspecto que também contribui para o crescimento do comércio online é o aumento da venda de celulares. Segundo pesquisa realizada neste ano pela Com Tech Kantar Worldpanel Brasil, 9 em cada 10 brasileiros têm celular, e destes, 57% são smartphones. Muitas pessoas estão pulando a etapa do desktop e estão acessando a internet pela primeira vez direto no celular. Cada vez mais a internet é uma ferramenta móvel.

Com todos esses ventos favoráveis para o e-commerce – mudança de comportamento do consumidor, avanço da tecnologia, ampliação da oferta e o aumento no uso de smartphones – quem é empreendedor, ou quem pretende empreender, não pode deixar de considerar a presença do seu negócio na internet. E estamos apenas no começo; as facilidades do mundo online ainda reservam muitas boas surpresas – como a “internet das coisas” – tanto para vendedores como para compradores. Mas, esse é um assunto para uma próxima coluna.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Travel light, move fast

20 de setembro de 2016

Olá, pessoal. Meu nome é Josemando Sobral e este é o meu primeiro post aqui, no Blog do Empreendedor. Eu sou fundador do Colab, a rede social para a cidadania que usa a participação popular para melhorar a gestão pública.

Eu quero falar com vocês sobre um comportamento que vejo acontecer o tempo todo em conversas com potenciais empreendedores e até mesmo em diversas empresas: a síndrome do “só falta mais uma coisa”. Lembra aquele projeto em que você estava trabalhando durante seu tempo livre, e que nunca colocou no ar porque o website não estava tão bonito como as startups que você já viu? Ou, talvez, porque você ainda precisa desenvolver mais uma funcionalidade para que todas as pessoas queiram usar o seu produto? Quando você começar a prestar atenção, vai reconhecer a síndrome do “só falta mais uma coisa” em todo lugar, em diferentes níveis da sua vida e das pessoas a sua volta. Afinal, quem nunca deixou de começar a correr ou se exercitar porque “precisa” comprar um tênis novo?

Para evitar esse tipo de erro, há algum tempo venho internalizando alguns conceitos de minimalismo no meu dia a dia. O minimalismo é uma corrente artística que surgiu no Ocidente no período pós-Segunda Guerra Mundial e preza por remover todos os elementos até a sua qualidade essencial, e assim alcançar a simplicidade. Com isso em mente, sempre me questiono se cada “mais uma coisa” que aparece é realmente essencial para o que preciso fazer. Tem uma frase que adoro, que simboliza bem isso: “Travel light, move fast”, que em português seria algo como “viaje leve, mova-se rápido”.

Quando trazemos esse conceito para o universo do empreendedorismo, podemos facilmente utilizá-lo como uma maneira para nortear a definição dos processos dentro da empresa, focando sempre na criação de processos mais simples possíveis! Acredito que o desenvolvimento de produtos é o lugar que mais pode se beneficiar disso. Afinal, produtos simples são mais fáceis de manter e, também, mais fáceis de atualizar. E essa capacidade de mudança é uma das grandes vantagens das startups quando comparadas a grandes corporações, afinal startups conseguem modificar seus produtos mais rapidamente para se adaptar às necessidades dos usuários, enquanto grandes corporações possuem produtos complexos com várias dependências.

Então, da próxima vez que você estiver pensando em não lançar um produto por falta de algo, reflita bastante se não seria mais interessante começar pelo mais simples e seguir em frente, iterando, baseado naquilo de que seu cliente realmente precisa. Talvez aquela grande funcionalidade que você acredita que é essencial nem seja tão interessante assim!

Josemando Sobral – sócio fundador do Colab, apaixonado por tecnologia e nas horas vagas, baixa apps. Quer falar comigo? Me procure no Twitter @josemando.

Porque legalizar a maconha, do ponto de vista econômico

19 de setembro de 2016

Me parece que já está mais do que na hora do Brasil encarar a legalização da maconha, começando pela descriminalização que está sendo julgada no STF. O ministro Teori Zavascki promete “acelerar” o voto dele até o final de 2016. Por enquanto são três votos a favor e zero contra.

Na mesma direção, em abril deste ano a Câmara dos Deputados divulgou estudo que mostra que legalizar a maconha poderia render entre 5 e 6 bilhões de reais por ano aos cofres públicos, o que significaria 40% do total arrecadado hoje sobre bebidas alcoólicas ou 60% da arrecadação com cigarros e tabaco.


É a mesma opinião do professor economia de Harvard Jeffrey Miron, que em 2010 publicou um estudo nos Estados Unidos calculando a economia resultante do fim da guerra as drogas (US$ 41 bilhões) e a arrecadação resultante da legalização (US$ 46 bilhões).

Mas a questão econômica da legalização não é meramente tributária, claro.

É óbvio que a economia permeia todas as instâncias de nossa sociedade, certo? No Brasil, isso infelizmente inclui as organizações mafiosas que, hoje em dia, traficam e controlam estas receitas bilionárias. E usam este volume absurdo de dinheiro para se preservar e lutar entre si e contra a sociedade, com resultados violentos que todos os dias vemos na mídia – quando não os sentimos diretamente na pele.

A lei vem sendo flexibilizada faz tempo – desde 2006 portar cânhamo para consumo é revertido em penas leves sem prisão – mas isso não é suficiente quando queremos um pais com ética e regras claras, saber a diferença entre certo e errado. Precisamos que nossos governantes e juristas nos apresentem uma definição, respeitando os direitos individuais do cidadão, de acordo com os exemplos de outros países que estão na vanguarda deste movimento.

O Brasil, porém, está dividido. Ao mesmo tempo em que somos um dos países mais promissores do século 21, com uma população jovem, descolada, sintonizada com o mundo, um país democrático e aberto a todo tipo de cultura, religião e novidade, também somos um país que se comporta de forma extremamente preconceituosa e conservadora quando o assunto são drogas – mas que não vê problema em colocar propaganda de cerveja na TV em horário nobre.

Já o vizinho Uruguai, país considerado conservador, e com população com idade média bem superior ao Brasil, saiu na dianteira, legalizando o plantio e regulamentando o comercio de cannabis. Argentina, Colômbia e Chile estão seguindo caminho similar.

Na Europa – não vamos nem falar da Holanda, pioneira – basta observar Portugal, que descriminalizou todas as drogas há 15 anos, e hoje apresenta os menores níveis de consumo de drogas entre jovens do velho continente.

E os Estados Unidos, país extremamente puritano e que sempre investiu somas altíssimas em combate às drogas, está promovendo agora uma reviravolta, iniciando pelos estados de Washington e Colorado, onde não apenas legalizaram a cannabis, como também estimulam o surgimento de empreendedores, que pagam impostos e cuidam da qualidade do produto e, portanto, da saúde do consumidor. O estado do Colorado, o primeiro a legalizar a maconha recreativa, arrecadou em 2015 mais de 70 milhões de dólares em impostos com a erva.

Já de volta ao Brasil, do jeito que está, qualquer pessoa que fume um baseado está sendo sócia – mesmo sem querer – de um sistema marginal que arregimenta jovenzinhos nas comunidades, corrompe os mais diversos setores da sociedade, joga policiais e população em geral numa guerra civil diária, promove o consequente tráfico de armas, e aumenta a população carcerária, só pra citar alguns dos efeitos colaterais diretos.

Me preocupa, portanto, que esse assunto de extrema importância fique esquecido da vanguarda social, ou não ganhe o devido destaque no debate nacional, o que seria uma pena. Sem dúvida que os maiores beneficiados hoje, com a legislação atual, são os traficantes. E os negócios deles vão muito bem, infelizmente.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva direto para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

De Henry Ford a Lemann, quais são suas referências?

16 de setembro de 2016

Um bom pesquisador acadêmico sabe reunir boas referências bibliográficas para preparar uma boa pesquisa. Quanto melhor as referências, melhor tende a ser a pesquisa. Mas poucos sabem que os melhores empresários e executivos também trabalham da mesma forma. Utilizam grandes referências para construir grandes empresas. As referências, neste caso, são outras empresas.

Curiosamente, os melhores buscam referências em setores distintos aos seus.Pense, por exemplo, em uma das maiores inovações em processo da história, a linha de produção de veículos criada por Henry Ford. Ford só teve esta ideia porque visitou a empresa de um amigo, a Swift Armour, um frigorífico que suspendia os animais em uma corda que era puxada, parando em momentos específicos para que cada funcionário, que ficava parado, cortasse sempre uma parte específica. Ford imaginou um processo semelhante, mas ao contrário, onde o carro em construção ficaria em uma esteira. Até em então, cada carro era montado em um canto da fábrica. Com isto, Ford realizou o seu sonho, o de levar sua criação para o maior número de pessoas.

Ford, por sua vez, inspirou milhares de outros empreendedores que também adotaram a linha de produção, mas nenhum deles é tão idolatrado quando Steve Jobs, co-fundador da Apple. Jobs se inspirou em Ford e  na sua obsessão em levar produtos tecnológicos para as massas. Assim como Ford permitiu que qualquer operário pudesse comprar um automóvel, Jobs tinha a intenção de fazer a mesma coisa com o microcomputador. Mas Jobs também buscava referências na capacidade inventiva de Thomas Edison, fundador da General Electric e na capacidade visionária de Edwin Land, fundador da Polaroid.

Mas Jobs, assim como Ford, Edison e Land, também serviu como referência para diversos outros empreendedores. Um curiosamente, vende café. Mas o que dono de cafeteria pode aprender com um fabricante de computadores? Se quer saber mais detalhes, leia a trajetória de Howard Schultz, empreendedor da Starbucks, a maior rede de cafeterias do mundo. Certa vez, Schultz comentou: “gosto do estilo e da elegância da Nike, da onipresença e da qualidade dos produtos da Ikea (rede sueca que é líder mundial de varejo de móveis) e da logística primorosa da Zara (rede espanhola de varejo de roupas). Mas talvez a história mais semelhante à nossa seja a da Apple. Não só pela conexão emocional com os consumidores, mas também porque oferece produtos dos quais o público nem sabe que precisa”.

No Brasil, a lógica também é adotada por muitos empreendedores de sucesso. Talvez você não conheça Jorge Paulo Lemann, Marcel Hermann Telles e Beto Sicupira, mas com certeza já ouviu falar das suas empresas como a AMBEV (ABInbev), Heinz e até mesmo da rede Burger King, só para citar algumas. Estes senhores foram buscar inspiração no banco Goldman, Sachs e sua política de meritocracia (remuneração por resultados) e em Sam Walton, fundador da Wal-Mart, famoso por seu estilo espartano de desenvolver negócios.

Quem são as suas referências? Quanto mais inspiradoras, melhor tende a ser o seu negócio!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

 

 

Leia antes de empreender

14 de setembro de 2016

Sou enormemente grato pelo tanto que aprendi – e continuo aprendendo – lendo textos inspiradores de origens inusitadas. E sinto uma enorme responsabilidade de retribuir e passar adiante neste blog, em tempo real, a minha jornada de empreendedor no Pastifício Primo.

Assim, toda semana busco compartilhar algum pensamento útil e “mãos na massa”. Às vezes escrevo um resumo do livro que estou lendo. Ou faço comentários sobre um filme. Ou simplesmente analiso o meu trabalho no dia a dia da empresa. Seja como for, tenho essa tendência a fazer listas – eu gosto de fazer listas – de preferência numeradas.

Adorei encontrar, portanto, um cara que também faz listas numeradas, o Gordon Tredgold. Uma em especial me chamou a atenção, com 10 conselhos que toda pessoa deveria saber ANTES de empreender. Portanto, se você está pensando em iniciar um negócio, abrir sua lojinha, trabalhar por conta própria, investir nas suas ideias e abrir sua sonhada empresa, recomendo, antes de mais nada, ler a lista a seguir:

1. Antes de criar novos produtos, resolva velhos problemas, pois 42% dos lançamentos de produtos fracassa porque o produto simplesmente não tem demanda no mercado. Então, antes de criar e lançar novos – caros – e maravilhosos produtos, é mandatório verificar se eles são de fato necessários.

2. Esqueça de ser um sucesso instantâneo, pois mesmo as empresas que tiveram rápido sucesso, como a Amazon, levaram ao menos 3 anos para acontecer. A grande maioria leva 10 anos para realmente “chegar lá”. Então, se você quer ser milionário, prepare-se para uma longa jornada.

3. Foco nos seus pontos fortes, não nas fraquezas. O sucesso, sem dúvida, vai surgir de seus pontos fortes e qualidades. E busque pessoas para complementar seus pontos fracos. Gastar tempo e energia para resolver seus pontos fracos não é uma boa forma de usar seu tempo.

4. Junte um bom time ao seu redor, pois é impossível fazer tudo sozinho, sempre precisamos de ajuda. Mas tenha certeza de escolher as pessoas certas. Pesquisa mostra que 29% das startups fracassam pela equipe mal escolhida. Portanto, dedique tempo e atenção neste ponto.

5. Se você vai falhar, seja rápido. Errar é parte do processo, é normal e não deve ser surpresa se dar mal aqui ou ali. Mas é bom errar o mais rápido possível, adaptar-se e tentar novamente. Uma das piores coisas que pode acontecer é falhar devagar e não mudar o rumo.

6. Entenda sua proposta de valor. Se você não entende muito bem o que você está vendendo, imagine os clientes então! Seja sempre o mais simples possível e o mais direto que conseguir para explicar seu produto ou serviço.

7. Conheça seu cliente! É impressionante ver a quantidade enorme de empreendedores que não sabem quem são seus clientes. Isso faz o marketing praticamente impossível.

8. Nem todo cliente é o seu cliente. A gente sempre escuta que “o cliente tem sempre razão” e isso é verdade. Mas também é necessário saber que nem todo cliente é o cliente correto. Não devemos ter medo de dispensar clientes que menosprezam a qualidade ou a proposta de valor de seu negócio. Assim como existem produtos e empresas ruins, também tem clientes ruins. Devemos manter o foco no cliente correto, pois é ele que vai pagar as contas.

9. Aprenda dos erros dos outros, pois erros são enormes oportunidades de aprendizado, mas não precisamos cometer todos eles para aprender. Algumas vezes podemos aprender do erro do concorrente. Mais de 80% das startups não dá certo. Então podemos sem dúvida aprender algumas coisas sem perder dinheiro.

10. Sem venda não tem negócio. Vendas são como oxigênio, e sem vendas, a empresa morre. Simples assim. Então tenha cuidado de não ficar perdido em design de produto, marketing, planejamento, recrutamento, marca e tantas coisas e esquecer do mais importante: vendas.

Nada de novo ou genial, mas tudo completamente elementar. E pode parecer simples, mas custa – e muito – às vezes, aprender.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva direto para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Empreendedor de si mesmo: Seja aquilo que deseja

9 de setembro de 2016

Há 71 anos, neste mesmo dia, Max Ehrmann escrevia a última página da sua história. Nela uma mensagem da coragem de conseguir ser aquilo que desejava, mesmo que isto tenha ocorrido a partir do meio da sua vida. Tendo se graduado em direito pela Universidade de Harvard tornou-se, obviamente, advogado, mas por exigência da família. Não gostava do que fazia, mas mesmo assim, suportou o trabalho por muitos anos. Até que um dia, aos 40 anos, largou sua profissão, seu diploma e os anos de experiência para recomeçar e tornar-se empreendedor de si mesmo. Apesar da descrença de vários amigos e conhecidos, Ehrmann tornou-se escritor, poeta e filósofo. Passou os 33 anos posteriores escrevendo livros, poemas e ensaios para diversos jornais e revistas dos Estados Unidos. Morreu feliz no dia 09 de setembro de 1945, pois sabia que ele mesmo tinha sido o autor da sua própria história.

Por aqui no Brasil, a obra de Ehrmann é mais conhecida por seu poema ‘Há Tempos’, que serviu de base para a música homônima de Renato Russo, do Legião Urbana.

Mas, de volta ao empreendedorismo, para os demais que ainda querem escrever a sua história, Ehrmann deixou um outro texto já de domínio público, mas que precisa ser meditado de tempos em tempos para termos não só tempo, mas coragem de sermos aquilo que desejamos.

“Siga tranquilamente entre o barulho e a pressa, e lembre-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível, sem se humilhar, viva bem com todas as pessoas.

Fale a sua verdade tranquila e claramente; e ouça a dos outros, mesmo a dos estúpidos e ignorantes. Eles também têm sua própria história.

Evite as pessoas ruidosas e agressivas, elas afligem nosso espírito.

Se você se comparar aos outros, se tornará vaidoso e amargo, pois sempre haverá alguém inferior e alguém superior a você. Aprecie o que já conquistou assim como os seus planos.

Mantenha-se interessado na sua carreira, mesmo que seja modesta, ela é o que de real existe ao longo de todo tempo. Tome cuidado nos negócios porque o mundo está cheio de astúcia, mas não deixe que isto o cegue, pois a virtude continuará existindo. Muitas pessoas lutam por grandes ideais e a vida está cheia de heroísmos por toda a parte.

Seja você mesmo. Especialmente não simule afeição. Nem seja cínico em relação ao amor porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva.

Aceite gentilmente o conselho que vem com os anos e graciosamente renda-se às coisas da juventude. Alimente a força do espírito que o blindará em momentos de desgraça. Mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. E mesmo diante de uma disciplina rigorosa, seja gentil consigo mesmo.

Você é filho do Universo mas não menos do que as árvores e as estrelas. Tem o direito de estar aqui e mesmo que não fique claro para você, não há dúvidas de que o universo vai cumprindo o seu destino.

Desta forma, esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba. E quaisquer que sejam as suas tarefas e aspirações na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma.

E mesmo com todos os enganos, sofrimentos e sonhos desfeitos, o mundo ainda é belo. Alegre-se e faça tudo pra ser feliz.”

Marcelo Nakagawa é Diretor de Empreendedorismo da FIAP e Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper.

 

O futuro segundo Star Trek: só vai trabalhar quem quiser

8 de setembro de 2016

Recém estreou o novo filme da saga Star Trek – Jornada nas Estrelas, na versão em português – e isso me empolgou a indicar uma das leituras mais interessantes dos últimos tempos, o livro “Trekonomics: The Economics of Star Trek” de Manu Saadia.

Conheci o projeto do livro no final de 2015 por acaso, enquanto garimpava alguma notícia sobre o filme, e encontrei um link para o crowdfunding da obra. Li alguns artigos do escritor a respeito do processo de elaboração do livro, explicando o conceito e a complexidade de criar uma teoria econômica baseada na filosofia e ética mostradas em Star Trek. Sinceramente, como super nerd que sou, achei o projeto sensacional e venho acompanhando desde então.

O livro foi finalmente lançado em maio de 2106, pode ser baixado na Amazon e quem sabe em breve – tomara! – alguma editora nacional se interesse por traduzir.

Enquanto isso, me atrevo a tentar resumir alguns pontos que o autor apresenta no desenvolvimento deste cenário econômico, feito com base nos filmes e séries dos últimos 50 anos de Jornada nas Estrelas.

No futuro utópico do século 25, de acordo com a ficção estelar, a humanidade vai estar viajando pelo universo com naturalidade, teletransportando pessoas, e todas as necessidades materiais estarão completas. O dinheiro é obsoleto, e praticamente tudo o que você quiser – ou precisar – pode ser produzido em replicadores, basicamente de graça. Não há pobreza, nem fome. A medicina e educação são gratuitas e acessíveis a todos. A pessoa trabalha apenas se quiser trabalhar.

Então, as principais perguntas que o Manu Saadia procura inicialmente responder são: como seria o funcionamento prático da economia numa sociedade na qual as pessoas não precisam mais trabalhar? O sistema econômico não entraria em colapso sem o dinheiro? Os sistemas de produção seriam afetados sem as pessoas terem motivação de trabalhar por dinheiro? Seria possível dispensar o dinheiro como forma de remuneração?

Partindo desta premissa, Saadia desenvolve cenários e testa o funcionamento prático desta economia futurística, simulando a complexidade de diversas camadas de interação de uma sociedade “normal”. Por exemplo: Quem faz a construção das naves? Quem faz o encanamento numa casa? Quem programa os computadores? Quem toma conta das crianças? E como estas pessoas são (ou não) remuneradas?

Achei muito interessante esta abordagem, pois quando falamos de utopias para um mundo melhor sempre pensamos nos grandes heróis e nas grandes ideias. Mas o Trekonomics vai nos pequenos detalhes para testar a viabilidade do modelo econômico no dia a dia das pessoas comuns, da dona de casa, do encanador.

Então fica claro um grande dilema a ser enfrentado pela sociedade/indivíduo do futuro: quando tudo é de graça, os objetos – as coisas – não serão mais símbolos de status. Como então responder a esta demanda que parece tão natural ao ser humano – de ser exibicionista?

Conforme Saadia, a sociedade de Star Trek encontrou uma resposta sólida o suficiente para nos fazer sonhar em seguir o mesmo caminho: o sucesso de uma pessoa não será mais medido pelo dinheiro que ela possui, e sim através de suas realizações.

Portanto, as pessoas irão trabalhar para alcançar estes objetivos pessoais, e não pela remuneração. Muito interessante, não é?

E a propósito do  motivo de existir este Blog do Empreendedor:  é extremamente adorável que o nome da emblemática nave Enterprise, na qual são centradas todas as histórias de Jornada nas Estrelas, signifique, literalmente, empresa. Vamos fazer de nossas empresas a nave para o futuro? “Audaciosamente indo, onde ninguém jamais esteve”.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo, escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva direto para ivan.primo@pastificioprimo.com.br