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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Além do jardim secreto: Espaço para você inovar e empreender (ainda neste fim de semana)

17 de abril de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Acordar e checar o Facebook. Like. Like. Like. Será que alguém curtiu meu último post? Tomar café olhando as atualizações do Twitter. Alguma atualização bombástica que não estou sabendo? Ir para o trabalho “teclando” no Whatsapp com os amigos e fazendo confidências no Snapchat. Send. Send. Send. Chegar à empresa e verificar Facebook e Twitter novamente. E responder email, email, email, email… Cansa não? Vou ficar olhando o Pinterest para dar uma relaxada então. Mas antes, vou dar uma olhadinha rápida no Instagram. Será que alguém postou algo bacana? E mereço ver um ou dois vídeos Dubsmash… kkkkkk. Já é hora de ir embora? #partiu… Like, send, like, , send, kkk, … zzzzzzzz… acordei e entrei no Facebook…

Cuidado. A própria mente desencaminha a mente; acautela-te contra a mente – diz uma das principais parábolas do Zen Budismo.

Para acalmar a mente, baixe Nan-In no seu sistema cerebral e o ative de vez em quando.  Em outra parábola, conta-se que Nan-In, um mestre japonês recebeu um professor que queria saber tudo sobre o Zen e iniciou um longo discurso intelectual sobre tudo que tinha estudado sobre o assunto. Enquanto isso, Nan-In, enchia a xícara de chá do seu visitante. Enquanto o professor falava, o mestre continuava enchendo a xícara, mesmo depois que já estava transbordando pela mesa. Percebendo isso, o professor parou sua longa oratória para avisar que sua xícara estava cheia, não cabia mais chá. Nan-In então finalmente falou: Como esta xícara, você está cheio de opiniões e especulações. Como pode aprender algo novo sem que primeiro esvazie a sua xícara?

Assim, a mente precisa estar tranquila e vazia para aprendermos novos conhecimentos e daí fazermos coisas surpreendentes.

É isto que explica, por exemplo, o sucesso do livro de pintura O Jardim Secreto. Quando Johanna Basford publicou seu despretensioso livro, não imaginava que venderia mais de um milhão de cópias ao redor do mundo. E muito menos em tão pouco tempo. Mas o que ela não sabia, de fato, é que milhões de pessoas ao redor do mundo acordam e checam suas páginas no Facebook… Estas estão com suas xícaras inundadas com opiniões e especulações alheias. Mas Johanna acorda e vai viver a sua vida, desenhando um pouco e esvaziando suas xícaras para a chegada de novas inspirações.

Mas o sucesso do livro não se resume a esvaziar as xícaras mentais das pessoas. Isto também ajuda as pessoas a fazer pequenas coisas extraordinárias, dignas de orgulho pessoal. Se ainda não conhece o jardim secreto dela, veja alguns exemplos aqui para você pintar neste fim de semana. A mente mente e o persuadirá a desistir, mas tente! Depois de pintar alguns, perceberá que você consegue criar os próprios desenhos. Será uma vitória pequena, mas admirável! Um pouco mais de treino e se tornará mestre nisso.

E se não gosta de pintar, não precisa seguir a receita da Johanna para fazer pequenas coisas extraordinárias. Pode seguir a do Kirk Perron. Ciclista e fã de alimentos naturais, certo dia, depois do treino, ele bateu em um liquidificador iogurte natural congelado, suco de laranja, morangos e bananas. Faça isto em casa e terá o surpreendente Orange-a-Peel, um dos principais smoothies da Jamba Juice, empresa fundada por Perron em 1990 e que hoje conta com mais de 800 lojas nos Estados Unidos e outros países. Depois crie suas próprias receitas de smoothies!

Mas a minha receita de pequenas coisas extraordinárias é cozinhar arroz com um pouco de leite até ficar mole. Em paralelo, bata um pouco de leite com um ou dois polenguinhos. Junte com o arroz cozido e leve para a geladeira. Quando a mistura estiver bem fria, corte goiabada em cubinhos e misture no seu arroz doce “Romeu e Julieta”. Faça e ficará orgulhoso(a) da sua doce obra de arte! Mas não pare aí, inove suas próprias versões de arroz doce! Mas antes de pensar em empreender nesta ideia de negócio, conheça um pouco mais da Rice to Riches.

São estas pequenas atividades vivenciais que enriquecessem nosso dia-a-dia e nos afastam da rotina insana que muitas vezes nos submetemos. Mas só momentaneamente…. Você ficará tentado(a) a postar a foto da sua criação em alguma rede social…. like, , !

O incrível caso do cachorro que comprava a própria ração

16 de abril de 2015

Cliente, cliente, cliente, cliente. Em 99,9% do tempo, os empreendedores estão pensando em o que fazer para conquistar novos clientes, como atuar para fidelizar esses clientes e como – vamos ser sinceros – tirá-los dos concorrentes. Mas você sabe exatamente quem é o seu cliente? E mais: você sabe quem é o seu consumidor? E se eu disser, para complicar um pouco mais, que há uma diferença grande entre cliente e consumidor. E que as duas palavras não podem ser usadas como sinônimo.

Não podem. Cliente, segundo a definição de especialistas em negócios, é quem compra o seu produto. Mas e o consumidor não é a mesma pessoa? Pode ser, mas também pode ser quem usa o seu produto.

É daí que surge a nossa história.

João estava preocupado com a crise econômica, com o emprego e, claro, com o futuro. Mas ele jamais descuidaria do seu lindo Kirk (cão que foi, por sinal, adotado em uma feira realizada em um parque uns cinco anos atrás). Kirk sempre teve do bom e do melhor. A ração, por exemplo, era a melhor à disposição no mercado.

Mas João precisava fazer cortes no orçamento. Queria poupar mais para se precaver contra algum contratempo da vida. Decidiu comprar uma ração mais barata. E que também tinha qualidade inferior. No primeiro dia, Kirk estranhou. Mas se alimentou e não deu outra: teve, digamos assim, um desarranjo estomacal.

Deve ser a adaptação ao novo produto, pensou João. Nada. O desarranjo continuou por mais dois dias.

O que você acha que João (nessa história hipotética) fez? Voltou para o produto mais elaborado.

Por isso, pergunto de novo: quem é o seu cliente e quem é o seu consumidor? E para quem você vende o seu produto: para João ou Kirk?

Pois é!

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Ao contrário do que você tem certeza, Mark Zuckerberg não é workaholic…quer dizer

15 de abril de 2015

Mark Zuckerberg – sempre ele – participou na terça-feira de mais uma sessão de perguntas e respostas em sua página no Facebook, claro. Mark tem estimulado, por meio de sua própria imagem, esse tipo de uso da rede social que ele ajudou. A edição desta semana contou, inclusive com a participação de alguns famosos – aquele tipo de pessoa que tem a ‘conta verificada’ no Face.

Mas a principal pergunta, ou pelo menos a que levou a resposta mais interessante do ponto de vista do empreendedorismo, foi feita por um simples mortal. Dan Higgins perguntou ao criador do Facebook quantas horas ele trabalha. E a reposta pode surpreender muita gente.

‘Isso depende do que você considera trabalho’, começou Mark. ‘Eu passo a maioria do meu tempo pensando em como conectar o mundo e servir de uma maneira melhor a comunidade’. Após vender o seu peixe como empresário preocupado com algo além do lucro, Zuckerberg explicou: ‘uma boa parte desse tempo não é passado no escritório, encontrando com pessoas ou fazendo aquilo que você chamaria de trabalho’. ‘Se você contar o tempo que eu passo no trabalho, provavelmente não será mais do que 50-60 horas por semana. Mas se você contar o tempo que eu passo focado em nossa missão, isso é basicamente a minha vida toda’, concluiu.

Shakira e o empreendedor bilionário Richard Branson participaram do evento.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

É duro quando simplesmente nunca ouviram falar da sua marca

15 de abril de 2015

Leo Spigariol (à direita) escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Por incrível que pareça, muitas pessoas em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade onde estamos situados, não conhecem e nunca ouviram falar em DE CABRÓN. Para nós que vivemos a marca diariamente pode soar surpreendente.

Mas será uma surpresa? Já estamos quase três anos na estrada ganhando espaço no mercado, respeito de muitos chefs de renome e a relevância na vida das pessoas. Mas é feito aqui? Não é importado? Esse tem sido o feedback nas conversas informais quando procuramos nos aprofundar um pouco mais sobre o tema.

E isso acontece de forma constante.

Sempre acreditei que era uma grande oportunidade fazer um produto de alta qualidade e valor agregado em uma pequena cidade, mas não imaginava que fosse me deparar com tal fato. E onde estamos errando? O que nos falta? E a reposta é: anunciar. E ao contrário que muitos entusiastas, visionários e profetas da comunicação ditam, a mídia tracional, como jornais, revistas e rádios conseguem ter uma ótima relevância e aderência com os consumidores, sobretudo em cidades menores onde os canais são mais acessíveis. Foi ai que de forma brilhante, a agência Africa/RJ entrou em cena.

Nosso hermano Álvaro Rodrigues e sua equipe conseguiram de forma genial, um spot de rádio que com certeza vai fazer um barulho e levar DE CABRÓN para memória das pessoas. De primeira e na mosca! E hoje está indo ao ar na rádio com maior audiência por aqui. Depois conto para vocês o resultado disso e como foi esses 15 segundos de fama.

Confira abaixo o spot de rádio:

SPOT_CABRON

Um lanche do McDonald´s pode sim demorar setenta minutos

14 de abril de 2015

Você sabe que existe uma grande diferença entre EFICÁCIA e EFICIÊNCIA, não é mesmo? Não sabe? Nossa!!!! (Tudo bem, eu não sabia até a semana passada).

Ocorre que há uma diferença grande, principalmente no mundo dos negócios. E do empreendedorismo, claro.

A diferença básica pode ser explicada assim pela teoria de negócios

Eficiência
Faz corretamente as coisas
Soluciona problemas
Economiza recursos
Cumpre obrigações e tarefas
Diminui custos
Curto prazo
Operacional

Eficácia
Faz as coisas corretas
Antecipa-se aos problemas
Otimiza a utilização dos recursos
Obtém resultados
Aumenta os lucros
Longo prazo
Resultado

Ou seja, uma pessoa pode fazer as coisas corretamente, como por exemplo, servir um hambúrguer setenta minutos após o pedido do cliente. Está tudo ali: o cliente pede ‘dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim’. E a pessoa entrega. Mas certo mesmo está o funcionário que faz as coisas corretas: entrega tudo isso no tempo determinado como padrão de eficiência – se você não se lembra, o McDonald´s vende hambúrguer, mas também eficiência e agilidade, por isso, ser rápido faz parte do negócio.

Esse exemplo ainda nos leva a outro. A Apple faz corretamente as coisas quando decide lançar o Apple Watch. Ela precisa atualizar constantemente seus clientes com inovação, ela precisa disso para continuar a ser reconhecida no mercado (e pelo consumidor) como um negócio capaz de entregar o que há de mais novo à disposição. Mas isso não quer dizer que a empresa vai atingir um sucesso estrondoso no mercado. Aliás, o produto tem enfrentado alguma resistência nas resenhas feitas por especialistas em tecnologia, o que tem deixado o consumidor com o pé atrás.

Mas a Apple, claro, também já fez as coisas corretas. E até para abusar, se antecipou aos problemas ao invés de resolver os problemas. O ipod, por exemplo, foi um aparelho que revolucionou a indústria da música. O homem já escutava música de maneira individual desde que a Sony havia inventado, na década de 1970, o Walkman. Mas a empresa então dirigida por Steve Jobs soube antecipar-se a um desejo do consumidor – desejo esse que ele nem sabia ter – e criou um aparelho capaz de agregar a música digital (que começava a ganhar espaço nos anos 2000) com uma experiência de uso absolutamente igual, mas nova, para o cliente – que passava a usar o computador para transferir os arquivos em vez do CD.

E por que a Sony não inventou o iPod? Talvez ela estivesse preocupada em simplesmente fazer corretamente as coisas.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME, projeto multiplataforma do Estadão.

 

 

Só o melhor é aceitável

14 de abril de 2015

A busca pela alta qualidade e o objetivo de oferecer aos clientes o melhor produto, valorizando cada pequeno detalhe da produção, fez com que uma pequena fábrica de brinquedos de madeira da Dinamarca, que surgiu em meio a uma crise em 1932, se transformasse, 80 anos depois, na marca mais poderosa do mundo, segundo um estudo global recente da consultoria Brand Finance. Essa empresa é a LEGO, que possui uma história bem interessante de empresa que se mantêm até hoje na mesma família, que enfrentou diversas crises e inovou, crescendo globalmente e sendo referência no mercado de brinquedos.

Fundada pelo marceneiro Ole Kirk Kristiansen, a empresa passou de geração para geração e hoje é comandado por Kjeld Kirk Kristiansen, neto de seu fundador. Apesar das décadas, a tradição de buscar sempre a melhor qualidade em cada peça produzida se faz presente como parte integrante da cultura da empresa e a acompanha como o principal pilar da marca. Outro ponto crucial para o crescimento da empresa foi a busca por inovação e investimento em equipamentos modernos, visando uma qualidade ainda melhor e buscando o crescimento.

Essa busca incessante pela qualidade e por novidades levou Ole a adquirir uma máquina que moldava plástico, em 1946. Este fato seria o início de uma grande mudança na empresa: a transição de brinquedos de madeira para brinquedos de plástico, dando origem às peças de montar.

Já a preocupação em criar um diferencial para enfrentar as crises do mercado e expandir a empresa levaram a família a buscar produtos que despertassem a imaginação das crianças. Pensando nisso e com o intuito de colocar um sistema nas brincadeiras, nasceu o sistema LEGO, como é conhecido até hoje, com tijolos de plástico que são capazes de montar infinitas possibilidades. Isso revolucionou a empresa: com a imaginação de uma criança, a LEGO poderia ser qualquer coisa.

Atualmente presente em mais de 130 países e com fábricas na Dinamarca, República Tcheca, Hungria e México, a empresa produz anualmente mais de 36 bilhões de peças, o que representa cerca de 68 mil elementos por minuto ou 1.140 por segundo. Com a filosofia de que só o melhor é aceitável, porque as crianças merecem o melhor, a LEGO é vista com bons olhos pelos pais e por educadores e é reconhecida mundialmente como uma empresa que respeita a inteligência das crianças, oferecendo a elas brinquedos que estimulam a imaginação e criatividade.

Esta é uma empresa que pode nos ensinar muito, e destaco aqui alguns pontos relevantes que podem ser aplicados em outras empresas, de diversos segmentos. O primeiro ponto é atingir diversos públicos – no caso da LEGO, eles agradam todas as gerações, de pais a filhos. A outra questão está relacionada com a importância de sempre inovar, permitindo-se criar novos produtos e até mesmo mudar a matéria prima. E o terceiro ponto que vale a pena destacar é a oportunidade de crescimento mesmo durante as crises – é preciso ter sensibilidade de analisar todos os períodos de crise e tirar força necessária para criar e continuar desenvolvendo produtos ou oferecendo serviços que sejam interessantes para o público alvo.

Adapte-se ou morra. Taxistas, os ludistas do Século XXI

13 de abril de 2015

@menta90 é jornalista, professor e palestrante e escreve às segundas no Blog do Empreendedor

Há cerca de 2.500 anos, o filósofo Heráclito cunhou uma afirmação que é um marco na história da filosofia: “ninguém pode tomar banho duas vezes nas águas do mesmo rio” – pois o rio já não é o mesmo (já são outras águas que estão a passar por ali) e também a pessoa não é a mesma (pois já se transformou, pelo menos um pouco, desde a última vez – seja o jeito de pensar, seja o tamanho do cabelo ou das unhas, seja o peso …). Foi esse pensador grego que considerou pela primeira vez a característica DA NATUREZA  a constante mudança, que tudo flui e nada dura infinitamente.

A mudança é a única certeza. Essa sabedoria está em inúmeras frases famosas, como o do ex-presidente John F. Kennedy: “A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.” E também na sabedoria popular. Cresci ouvindo, no Rio Grande do Sul, que “jacaré parado vira bolsa” – ou seja, se o bicho não muda e se movimenta, acaba sendo abatido e morto.

O assunto me veio à cabeça ao ver as notícias sobre a manifestação dos taxistas em todo o país contra o aplicativo Uber. Foram 3 mil em São Paulo, conforme o Estadão – e outros milhares em outras capitais.  O protesto é contra a “ilegalidade” dos usuários do aplicativo e reclama a falta de obtenção de “alvará” pelos motoristas, além de outras questões. Por mais que existam aspectos que talvez precisem ser ajustadas/modernizados, parece-me que os taxistas não compreendem que o mundo está em constante mudança (e Heráclito já nos ensinou isso faz tempo).  Fiquei pensando que está sendo criada a versão Século XXI dos ludistas, que na Inglaterra de 1811, liderados por Ned Ludd, invadiram fábricas para quebrar as máquinas que “acabavam os empregos”.

A ociosidade dos carros nas garagens, o número de pessoas que hoje usam o carro para uso exclusivo (quando o veículo poderia estar completo de cidadãos que vão para a mesma região), o estrangulamento das vias são questões que encontram respostas na economia colaborativa – padrão de modelo de negócio em ascensão em todos os segmentos como mostram YouTube, o Mercado Livre,  o AirBNB e muitos outros que apostam no compartilhamento para fazer negócio.

Aos amigos taxistas (e outros empreendedores que estão se sentindo ameaçados pela economia colaborativa) trago uma mensagem de Charles Darwin: “não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança”. Essa mensagem fica explícita na imagem de @fakegrimlock para o livro Lean Entrepreneur que escolhi para ilustrar esse post. Veja que o surfista (o usuário do Uber) está no fluxo. Não adianta (o taxista) construir barreiras pois a força da mudança (a onda) é irreversível.

O McDonald’s não vende hambúrguer; e a Kopenhagen não vende chocolate

10 de abril de 2015

O que você responderia se perguntassem, agora, o que vende o McDonald’s? Comida, seria a resposta da maioria. E a Kopenhagen: chocolate certamente apareceria entre as principais alternativas.

Certo e errado ao mesmo tempo.

Para quem está pensando em começar um negócio, há uma dica importantíssima que é preciso seguir. E acredite, isso pode fazer toda a diferença entre o sucesso e o fracasso da sua proposta de negócio. Antes de pensar em qualquer coisa, é preciso definir qual é o seu negócio.

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Ele perdeu a chance de fundar a Starbucks

De acordo com os especialistas, isso faz parte da estratégia da sua empresa e além de definir, é preciso ampliar essa proposta para você saber exatamente o que faz e para quem faz e como comunica isso para quem pode comprar seu produto. Portanto, nesse exercício, você terá sempre que definir uma ‘visão restrita’ e uma ‘visão ampla’. É por isso que as respostas das duas primeiras perguntas estão certas e erradas ao mesmo tempo.

Calma, fica mais fácil com exemplos.

McDonald’s
A rede norte-americana de hambúrgueres, famosa em todo mundo e principal referência no segmento de fast-food na visão restrita de definição de seu negócio vende alimentos. Certo. Mas a empresa também vende agilidade – você já tentou pedir algo ‘especial para você’ na rede e viu quanto tempo demora para ser atendido? -, mas também a tal da felicidade. Quer ser feliz? Venha comer com a gente! Essa é a visão ampla que falamos acima.

Kopenhagen
A empresa brasileira vende chocolates, é claro. Mas vende mais do que isso. Vende também presentes. Você não vai até uma loja apenas para comprar um docinho depois do almoço. Normalmente, a rede é uma opção viável quando você tem que presentar alguém com algo que tenha algum significado. Ela vende, portanto, mais do que barrinhas.

A lista é grande. E podemos até simplificar o exercício

Harley-Davidson
Visão restrita do negócio: vender motocicletas
Visão ampla: vender um estilo de vida

Estrela
Visão restrita: brinquedos
Visão ampla: alegria

E por aí vai……

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME, projeto multiplataforma do Estadão que não vende notícia apenas, vende soluções para os empreendedores.

Ele perdeu a chance de fundar a Starbucks, Diesel e até a Maria Brigadeiro

10 de abril de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Como é bom tirar férias, pensou Metno Ecov enquanto caminhava pelas ruas de Milão em 1975. Já tinha visto as fotos do Duomo, mas nada como ver a catedral ao vivo. Tudo era agradável naquela cidade, das pessoas às cafeterias. Não havia cafeterias daquele jeito nos Estados Unidos, pensava ele. Em Milão, o café era de alta qualidade, o atendimento, atencioso, e era possível ler um livro sem que ninguém o importunasse. Na dúvida entre um cappuccino e um espresso, pensou em abrir um negócio assim. Mas havia muito que fazer. Não ia sair da cidade sem um terno Ermenegildo Zegna, afinal a sede da empresa ficava na cidade. Na loja da marca percebeu que não havia jeans para comprar. E pensando bem, não havia nenhuma marca que comercializasse jeans do tipo ultra premium. Será que não haveria uma oportunidade de negócio aí? – pensou. Nada como sair da rotina para identificar várias oportunidades de negócio! – disse sorrindo ao sair da loja.

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O Mcdonald´s não vende hambúrguer

As férias acabaram e Ecov voltou à sua rotina no mercado financeiro de Wall Street. Anos depois, leu uma reportagem em que dois italianos, Renzo Rosso e Adriano Goldschmeid, haviam criado uma marca de jeans de alta qualidade. Lembrou-se da sua ideia e sorriu ironicamente. Alguém tinha copiado sua ideia. Mas depois ficou tranquilo, ninguém ia pagar uma fortuna por um jeans de uma marca chamada Diesel. Mais alguns anos e intuitivamente entra em uma cafeteria em Nova Iorque que era uma cópia das cafeterias que tinha visto em Milão. Tudo remetia à Itália. Havia cappuccinos, espressos, macchiatos e lattes. Estava adorando aquilo até ler a história de Howard Schultz, que tinha ido à Milão e se apaixonado pelos cafés italianos. Era a sua história, com a exceção de que Schultz tinha pedido demissão para criar a cafeteria na qual Ecov estava agora. Alguém tinha copiado a sua ideia de novo. Mas ficou tranquilo novamente, o nome também era ruim: Starbucks, o nome de um dos personagens do romance Moby Dick.

Metno Ecov continuou viajando nas férias. Há alguns anos visitou o Brasil. Ficou apaixonado pelo país, principalmente pelo docinho redondo de chocolate granulado cujo nome fazia cócegas na língua quando mencionado. Nos Estados Unidos havia lojas especializadas em cookies, cupcakes, cheesecakes e até só de arroz doce. Por que não criar uma que só vendesse “breegaderros”? De volta à Wall Street, perdeu seu emprego na crise econômica de 2008-2009 e resolveu imigrar para o Brasil. Mas, antes, foi entender como Debbi Fields criou a Mrs Fields, uma rede de lojas que só vende cookies e como o casal Oscar e Evelyn Overton criou a Cheesecake Factory, rede de lojas especializadas em tortas de queijo. Era hora de colocar em prática a sua ideia de uma loja só de brigadeiros, que ele mesmo já sabia como fazer. Qual foi a sua surpresa quando se deparou com a loja da Maria Brigadeiro em São Paulo. Fundada por Juliana Motter em 2007, a empresa vendia milhares de “breegaderros” em dezenas de sabores. Copiaram a minha ideia novamente! – resmungou, enquanto tomava um caramel macchiato na Starbucks na Av. Paulista.

Na verdade, Ecov nunca existiu, mas não é um personagem fictício. Ele existe dentro de nós todas às vezes que temos boas ideias e não as colocamos em prática. Metno Ecov é o nosso fantasma que surge sempre que lemos o seu nome ao contrário.

Suas boas ideias de negócio acontecerão, com ou sem você!

Quando reforços podem somar para sua empresa

9 de abril de 2015

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

Duas semanas atrás escrevi de como é importante compartilharmos nossas ideias, de como isso pode afetar, por mais que não possa aparecer, positivamente o nosso empreendimento. Em uma outra oportunidade, também escrevi sobre a experiência da escolha da entrada e perfil de sócios.

Hoje, vou escrever um pouco de o quanto a entrada de um novo sócio pode contribuir para o time da sua empresa. No momento atual, a Carbono Zero está reforçando seu time com dois novos sócios. Essa novidade também faz parte da nossa estratégia de expansão (também já fiz um teaser dela aqui). Esses dois novos sócios não foram somente escolhidos por sua capacidade de investir capital, mas também pela capacidade de arregaçar as mangas e “botar para fazer”. Primeiramente, procure entender o que você precisa quando alguém tem o interessante de se juntar ao seu barco. Somente capital (dinheiro)? Precisa de ajuda para navegar as tempestades? Quer alguém que possa trocar ideias e dividir o fardo das decisões? São diversas perguntas que diferenciam o tipo de pessoas que você quer ter a bordo como seu sócio.

Foram meses de conversas e e-mails para chegarmos um acordo e entendermos que os novos sócios eram pessoas que realmente somariam para a Carbono Zero. Lembre-se que, em algum momento, o seu bebê vai crescer e você quer e precisa que ele evolua e caminhe sozinho. Para você que está recebendo ou buscando a proposta de um novo sócio, levar em conta não só o desejo dele de querer ter um negócio ou ganhar dinheiro, mas porque o seu negócio, a sua empresa. Qual o interesse? Ele arregaçando as mangas, onde ele pode somar? Gerenciando determinadas áreas? Trazendo contatos? Trazendo clientes? Ideias? Fornecedores? Corte de custos?

No nosso caso, ambos possuem um interesse genuíno na Carbono Zero, acreditam no que ela representa e em seu potencial como empreendimento. Podem somar em áreas distintas e possuem a energia e vontade de botar para fazer. Vão dedicar 100% de seu tempo para a empresa e também para a expansão dela. Já estão agregando com ideias, parceiros e clientes. Reforços que, genuinamente soma ao time.

Como um dos sócios fundadores, juntamente com meu irmão Danilo Mambretti, fiquei contente em ver essas novas e diferentes pessoas compartilhando entusiasmos de algo que não começou com eles, mas que possuem o desejo de fazer e contribuir. Ajuda a expandir a nossa mente com opiniões diversas sobre um mesmo ponto, enriquece o diálogo e as decisões. Torna também mais divertido e desafiador empreender.

Sempre fui defensor da ideia de se ter sócios, pessoas com quem você pode dividir tudo, desde riscos, derrotas a vitórias. É importante ter claro as razões e necessidades de se tê-los, pois possuem potencial tanto de destruir como construir.