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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Ainda dá tempo de ser perfeito

1 de outubro de 2014

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira

Bom, não existe nada melhor do que terminar o dia com sensação de missão cumprida. Ser uma referência no seu segmento é algo para poucos. Mas isso deveria ser uma meta de todos que resolvam empreender. Busque a perfeição. Seja um incansável detalhista e insatisfeito pelo padrão.

Eu tenho a grande sorte de ter dois sócios assim, os Marcelos: Marcelo Ruis, meu sócio na Laika Design, um sujeito extremamente crítico, questionador e eternamente insatisfeito – no bom sentido – sempre persegue a certeza que o próximo projeto precisa ser melhor do que o anterior. E o Marcelo Prado Filho, meu sócio na DE CABRÓN e responsável pelo desenvolvimento e produção da fábrica dos molhos de pimenta. Às vezes, ele beira a loucura com suas obsessões pela busca da perfeição. É dolorido. Sem dúvida, mas é fundamental para alcançarmos patamares de admiração em nossos segmentos de atuação.

Tempo e budget nunca podem servir de desculpa para a realização deficiente de quaisquer projetos. Mesmo que o tempo seja escasso, vire-se para realizar o milagre da multiplicação das horas. Na era do mundo polifônico e com a informação volátil na palma das mãos, o culto aos detalhes pode determinar a sobrevida ou a morte do seu negócio.

Vivemos uma grande overdose coletiva. Tenho aprendido muito com essa dupla de Marcelos nesses anos todos. E só assim você consegue, após um apresentação de projeto, depois de muito esforço e dedicação um feedback como: fazia tempo que não via projetos tão legais como esses. Ou: seus molhos são incríveis. Desde o design até a complexidade do sabor. Como você entrega seu serviço? Como você entrega seu produto?

Um simples atendimento telefônico pela sua secretária pode dizer muito sobre sua empresa. Em um restaurante talvez o banheiro possa dizer muito mais como você se importa com o conforto de seus clientes, que simplesmente servir um bom prato. Quer coisa mais desagradável que usar um banheiro sujo? Em seu restaurante você só limpa seu banheiro antes de começar os serviços? Agora pense: você não poderia fazer melhor? A perfeição existe mas não é um lugar, é uma busca incessante, ininterrupta. Vá a luta. Ainda dá tempo.

Diversifique, mas sem perder sua identidade!

30 de setembro de 2014

Imaginar outras possibilidades de negócio é uma tarefa que buscamos exercitar constantemente. Diversificar é uma estratégia clássica para aumentar o faturamento de um empreendimento e, em momentos de crise ou dificuldades, ajuda muito a equilibrar as contas: se um produto começa a ir mal, outros podem melhorar.

Você pode tanto criar novos produtos, uma atividade que adoramos fazer, mas também revender produtos de outras empresas. Neste caso, a regra crucial, para nós, é que nos identifiquemos com o produto, e que ele traga sinergia para a empresa, para a marca.

Este mês, começamos a revender três produtos alimentícios que já vínhamos apreciando há algum tempo: os sucos 100% naturais da Suco e Só, do Paraná, as trufas de chocolate Bal-Négre, desenvolvidas pela Alsace Food Excellence, de Blumenau, e o mel da empresa MelMandala, de Minas Gerais. Acreditamos muito na qualidade destes produtos, gostamos da identidade visual deles, e temos certeza de que eles vão ajudar a Alimentos Pomerode a crescer.


Dentro dessa estratégia, em julho anunciamos a troca do nome da empresa Laticínios Pomerode, que adquirimos em 2013, para Alimentos Pomerode. Com isso, queremos ir além dos derivados de leite, expandindo o horizonte criativo da empresa e, também, diluir os custos com nossa rede de distribuição e vendas ao entregar mais produtos com praticamente as mesmas despesas logísticas.

Claro que estamos contando os dias para lançar os primeiros queijos especiais da Vermont, nosso grande sonho, e nos dedicamos muito às vendas da nossa linha de queijos fundidos. Mas isso não nos impede de trabalhar com esses outros produtos que se integram ao nosso objetivo de comercializar alimentos de qualidade.

* Bruno e Juliano Mendes escrevem toda semana no Blog do Empreendedor

Draft vem para inspirar e fortalecer a nova economia criativa brasileira

29 de setembro de 2014

“Queremos cobrir a emergência do que estamos chamando de Nova Economia Brasileira – a conjunção do empreendedorismo criativo (dos novos negócios mais ligados aos serviços, à mídia, ao design, à tecnologia, …) com o empreendedorismo social (das B-companies, das empresas de impacto, dos novos negócios ligados ao mundo da sustentabilidade e da responsabilidade social) com o universo da startups (o mundo das aceleradoras e dos fundos de venture capital). Vivemos no Brasil um momento único – nunca tivemos tantas boas ideias em busca de capital, nem tanto capital em busca de boas ideias. O Draft quer ser uma referência para esse novo mundo que está nascendo pelas mãos da inovação e do empreendedorismo, quer consolidar um marketplace que, ao contar as histórias desses novos empreendedores, instrumentalize e inspire outras pessoas a empreender também.”

As palavras do e-mail de resposta às minhas perguntas à Adriano Silva sintetizam muito do propósito da plataforma do projeto Draft, lançada essa semana em São Paulo.  “Nunca no Brasil tantas boas ideias e tantos empreendedores se lançaram à tarefa de mudar o mundo – começando pela sua própria rua. E de mudar o modo como vivemos – começando pela reinvenção de suas próprias carreiras, do seu jeito de olhar as coisas e de lidar com elas.” O projeto surge como um catalisador da história de QUEM ESTÁ FAZENDO – os erros, os acertos, as aprendizagens, os sucessos, os bastidores dos negócios dos makers brasileiros – para inspirar outros a fazer também. A iniciativa de Adriano Silva que tem como sócios Eduardo Vieira e Ricardo Cesar.

O vídeo manifesto lançado no Youtube fala por si só. E vale a pena.

Questionado sobre como o Draft se sustenta, Adriano conta que o modelo de negócio é baseado em “native advertising” ou seja, marcas parceiras, que tenham interesse em se posicionar diante da Nova Economia e em dialogar com esses novos empreendedores. A primeira delas, patrocinadora do projeto antes dele mesmo acontecer, é a Natura.  “Não queremos anunciantes“ diz Silva, que anuncia que essa fase de geração de conteúdo é só a primeira – “Nossa visão é crescer para educação, eventos e consultoria”.

Welcome Draft!

Fico feliz quanto surgem iniciativas como essa, que fomentam e contribuem para o incentivo à cultura do empreendedorismo e da inovação. Sinceramente acho que quanto mais tivermos disponível, em português, conteúdos de  qualidade, em mutiplataforma (textos, vídeos, podcasts), estaremos municiando de inspiração jovens de todas as idades – e esse recurso é um combustível imprescindível para continuarmos acreditando que sonhos podem virar realidade.

 

 

O que você quer ser quando crescer? Os médicos querem trabalhar com comida, brinquedos e roupas

26 de setembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

A filha de uma amiga minha quer fazer faculdade de jornalismo. Ainda não acabou o ensino médio, mas visitou uma redação e está quase decidida: quer ver seu nome assinando uma grande reportagem. Mas um amigo jornalista me ligou ontem me pedindo conselhos: quer largar o jornalismo e seguir sua paixão pessoal: cozinhar.

Mais precisamente, ele quer montar um negócio de produto único e com muitas variações como as temakerias, brigaderias ou loja de bolos caseiros. Achei a ideia bem interessante. Depois de ter conversado com ele, lembrei de um colega que já tinha aberto um negócio semelhante, de cupcakes, mas que tinha desistido e voltado para a área que tinha se formado, informática. Ele só seguiu o conselho de outro amigo que tinha sugerido que o mercado de TI estava pagando muito bem. Mas este amigo conselheiro, formado em engenharia de produção, largou seu emprego bem remunerado para empreender um negócio infantil, bem mais arriscado, principalmente para alguém que nem filhos tem.

Mas a filha de outra colega quer fazer faculdade medicina. Escolheu o curso porque viu um ranking de profissões e entendeu que médico ganhava bem. Por mais que sua mãe explicasse que deveria escolher algo que realmente gostasse, sua filha ainda continuava decidida pela medicina. Na hora em que ela comentava isso, lembrei de uma amiga médica que precisa trabalhar em vários lugares diferentes e, de vez em quando, assumir funções administrativas em um plano de saúde para ter uma remuneração descente. Esta amiga achava que estava na profissão errada. Gostava mesmo era de ser uma administradora pois lidava bem com números, metas e processos. Mas um dos meus melhores alunos do curso de administração, mesmo antes de estar formado, já tinha montado uma startup na área médica, intermediando demandas de pacientes e médicos.

E ainda tem a minha sobrinha e afilhada que talvez preste arquitetura para aproveitar sua aptidão em desenhar bem. Talvez ela nem tenha pesquisado quanto ganha um arquiteto em início de carreira ou mesmo está preocupada em assinar grandes projetos. Ela só quer fazer o que gosta.

Qual das três garotas está certa em sua decisão a respeito da faculdade a ser escolhida? A que quer ser reconhecida, a que quer ganhar dinheiro ou a que quer fazer o que gosta?

De certa forma, todos nós já tivemos este dilema no momento de escolher a faculdade. O que não temos consciência é que a vida sempre será feita de escolhas e isto vale para antes, durante e depois da faculdade.

Conheço jornalistas muito bem-sucedidos, mas também conheço a Juliana Motter, que largou a carreira de jornalista e escolheu criar a Maria Brigadeiro, a primeira e uma das mais bem-sucedidas brigaderias do País.

Há médicos de sucesso e outros que se formaram em medicina como Ricardo Sayon, fundador da RiHappy, Alberto Saraiva do Habib’s ou  Oskar Metsavaht, empreendedor da Osklen.

E por fim, há muitos arquitetos vitoriosos e o Cláudio Sassaki, bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela USP, tendo sido aprovado em 1º lugar, que trabalhou em bancos de investimento como Goldman, Sachs e Credit Suisse e que escolheu fundar uma das mais prestigiadas e inovadoras empresas de educação do Brasil, a Geekie.

Para os que ainda estão indecisos na escolha da faculdade, encare-a como uma chave que abre as portas do futuro. E quando você a tiver finalmente na mão, descobrirá não precisará mais dela pois não há portas fechadas para quem sabe empreender o que gosta de fazer.

Paciência, humildade e amor… lições que o empreendedor pode aprender na Índia

25 de setembro de 2014

Rafael Mambretti é fundador da Carbono Zero Courier

Minha viagem à Índia está chegando ao fim. Passaram-se pouco mais de três meses e não dá para colocar em palavras o que experienciei, o quanto aprendi e regozijei nessa terra que é como uma mãe. Ela aceita – em sua casa – pessoas dos mais variados lugares e com diferentes anseios. Mudei de uma forma que minha mente se quer consegue ou conseguirá perceber. A Índia foi direto para o meu coração e por lá ficará.

O que é tangível vou tentar compartilhar com vocês. Não são conselhos, não é uma receita de “como fazer”, mas espero que a minha experiência possa levar à reflexão.

Lição 1 –  Paciência
Diariamente criamos expectativas. Se não se tornam realidade ficamos insatisfeitos, tristes, irritados e perdemos essa paz. É preciso entender que tudo tem um tempo certo (que muitas vezes não é o nosso), assim como na natureza.

Lição 2 – Humildade
Acho que é auto-explicativo. Humildade é uma virtude rara no mundo de hoje e isso inclui os negócios. “Quando uma árvore está carregada de frutos, ela se curva”.

Lição 3 – Amor
E não é só pelo que se faz ou pelo seu filho, seu irmão, seu marido, sua esposa ou pelo seu “trabalho”. É preciso ter um amor universal por tudo e todos. Tratar com respeito e compaixão sem olhar a quem.

Lição 4 – Desapego
Não é indiferença! Entenda que não precisamos de algo ou alguém para sobrevivermos. Se tivermos que fechar um negócio, começar outro ou vendê-lo, não se prenda, desapegue-se!

Lição 5 – Perdão
Perdoar para esquecer (forgive to forget ou vice-versa). Já carregamos tanta coisa em nossas costas, se não perdoarmos não deixarmos para trás, acumularemos peso desnecessário.

Lição 6 – Ética
Leia-se honestidade, transparência e respeito. Para com tudo e com todos. Inclusive com você.

Lição 7 – Fé
Acredite! Se é algo que vem do seu coração e você realmente sabe quando vem dele, acredite! Se nossos desejos são sinceros e por um bem maior, eles tendem a se concretizar, tenha fé!

Nos próximos posts voltaremos ao Brasil e à Carbono Zero Courier.

Abraços!

Com Steve Jobs no comando, o iPhone 6 Plus entortaria?

24 de setembro de 2014

A notícia caiu como uma bomba. Usuários do novo iPhone 6 Plus, aquele com tamanho maior, começam a relatar que o smartphone simplesmente entorta facilmente quando colocado no bolso pelo consumidor. Os relatos começam a proliferar pela web e, por enquanto, a companhia norte-americana não se manifestou a respeito.

Observando a questão sob o ponto de vista do empreendedor, surge a primeira pergunta: isso estaria acontecendo se Steve Jobs estivesse vivo, saudável e no comando da Apple? A resposta tende a ser um sonoro NÃO. Jobs, todos sabem, não era lá uma pessoa muito fácil de lidar. Mas uma característica do empresário era fundamental quando você trabalha com inovação no ramo de tecnologia. Jobs era perfeccionista. E se ele tinha preocupação até com a caixa dos seus produtos, é possível especular que ele anteciparia tal problema. Se é que esse problema se confirmar pelo teste de mais e mais usuários – vale lembrar que a Apple informa ter vendido 10 milhões de unidades do novo produto.

A experiência do usuário, aliás, é o segundo aprendizado desta recente polêmica envolvendo os aparelhos da Apple. Não importa o quanto você investiu. Não importa o tamanho da sua inovação. O consumidor vai testar o seu produto. E será dele a palavra final. Se ele aprovar, se ele entender que aquilo é importante para o seu dia a dia, ele vai comprar e vai recomendar o produto para os amigos e os amigos dos amigos.

::: Leia mais sobre Steve Jobs :::
O suco de cenoura mais caro do mundo
Os hábitos matinais de Jobs

O que nos leva, finalmente, a questão derradeira. Todos sabem que Steve Jobs era de certa forma avesso à opinião de possíveis consumidores dos produtos Apple. Ele costumava dizer, mais ou menos, assim: como pedir a opinião do cliente se ele nem sabe que precisa de determinado produto ainda?

Será que o usuário precisa de um smartphone que entorta?

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Meu tio tem certeza: brasileiro não gosta de trabalhar

24 de setembro de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Tenho um tio que sempre diz: brasileiro não gosta de trabalhar. Ele olha para a realidade ao seu redor, vestido de  seus quase noventa anos, e sai de casa para trabalhar, aquele trabalho mesmo, de colocar a mão na massa. E ele cristalizou a imagem de que o brasileiro não gosta de trabalhar (obviamente com uma dose de preconceito). O estrangeiro, não. Esse, sim, trabalha.

Dei uma passadinha, durante essas minhas escapadas por São Paulo, no Museu Afro-brasileiro. Recomendo. O que me chamou muita a atenção foi o seguinte aspecto histórico apresentado em um texto de um painel. Na Europa, antes do descobrir a América, o trabalho manual possuía sua hierarquia: aprendiz, assistente e mestre. O sujeito passava por todos esses graus até se tornar um respeitado ferreiro, sapateiro ou marceneiro. São os ofícios e o sujeito poderia vir a ser um dia um mestre de ofício.

Então os portugueses chegam ao Brasil, escravizam o índio, depois o trocam pelo africano. Chegando aqui, por estas bandas nossas, trabalhar se torna, então, coisa de escravo, coisa de gente inferior. Ué? Mas esses ofícios não eram coisa de mestre na Europa? Ah, mas aqui, ofício virou coisa de escravo. Colocar a mão na massa, para o povo da Península Ibérica, era coisa de escravo. Assim, no nosso País, quem era destinado a fazer coisas manuais era o escravo africano.

E assim vivemos por séculos. E podemos dizer “era uma vez um lugar onde ninguém gostava de trabalhar porque era coisa de gente inferior”. E chegamos ao século XX e XXI. E reflito: quem gosta, hoje, de varrer, lavar, passar, consertar e afins? Quase todos fogem desses afazeres. Curioso, pois na Alemanha o sujeito estuda para ser zelador, recebendo uma base sólida de elétrica, hidráulica etc. Curioso, o nosso zelador, via de regra, aprendeu de “orelhada”. Em meu escritório de design em São Paulo, logo no início, quem fez a parte elétrica da nossa sede foi um padeiro que fazia bicos de eletricista.

Mas, voltando ao trabalho, eu pergunto: depois de séculos de escravidão, os ex-escravos foram lançados ao destino, construíram favelas etc. e tal. O tempo passou e proliferou a ideia de que qualquer um pode ser um magnata, pois é assim numa economia de mercado, né? O pobre pode ficar rico de uma hora para outra. Mas, como? Não é trabalhando, porque o rico não faz isso no nosso País. Bem, pelo menos assim enxerga o senso comum.

Dê uma saidinha na rua e pergunte às pessoas: o rico põe a mão na massa? Voltando à minha vontade  de perguntar, agora pergunto mesmo: o ex-escravo, vendo, historicamente, que trabalho é coisa de “gente inferior” (óbvio, porque só gente inferior pega realmente no pesado, segundo o que vivenciamos nos últimos séculos), esse sujeito vai querer voltar a ser escravo? E o sujeito ariano abastado? Ele vai pôr a mão na massa? Aposto que, tanto para um quanto para outro, pôr a mão na massa é a pior das humilhações, é coisa de afro-descendente, gente inferior. Poxa, mas na Dinamarca, na Alemanha, nos EUA, todo mundo pinta sua própria casa, conserta sua rede elétrica etc. Não é?

Bem, meu tio se daria muito bem nesses países. Assim como o Dutra, um senhor que prestou excelentes serviços de construção em casa. Por ventura, ele é afro-descendente e nordestino, contrariando a lógica de que brasileiro não gosta de trabalhar. E que lógica resiste ao nosso querido País, não? Porém, por estas bandas de cá, meu tio e o senhor Dutra são velhos chatos, deslocados espaço-temporalmente e ultrapassados, que realmente gostam de trabalhar.

O que a tática no futebol pode ensinar aos empreendedores

23 de setembro de 2014

No último dia 18, Juliano participou de um evento voltado para empreendedores em São Paulo, o HBS Angels Experience, com palestras de dois professores da Harvard Business School.  Um deles, a professora Lynda Applegate, já havia sido sua professora em um curso de empreendedorismo de uma semana que ele fez lá na HBS em 2010.

Lynda foi uma das fundadoras do departamento de Empreendedorismo da universidade norte-americana, e sua palestra veio de encontro ao que estamos experimentando na Alimentos Pomerode, pequena empresa localizada no pequeno município catarinense homônimo que compramos em agosto de 2013 para acelerar nossa entrada no mercado de queijos especiais – um projeto que estamos descrevendo, passo a passo, no blog Diário do Queijo.

Lynda fez uma comparação interessante (e um tanto propícia em solo brasileiro) entre empreendedorismo e futebol. Técnica do time infantil da escola de seu filho, ela descreveu como crianças de cinco anos costumam jogar: todos correndo atrás da bola, sem organização tática. Todos querendo fazer o gol e ninguém ficando para defender. A professora comentou que este é o ambiente de muitas pequenas empresas, principalmente nos primeiros anos de funcionamento.

Na Alimentos Pomerode, temos observado episódios em que, por exemplo, a área comercial se mete na logística,  produção se mete com o setor de vendas, e por aí vai. Por um lado, isso é um sinal de que a equipe é motivada e quer ajudar a empresa a crescer. De outro, quando todo mundo tenta resolver tudo, sem respeitar os processos internos, o cotidiano da empresa pode virar uma grande bagunça.

Na palestra, Lynda reforçou a necessidade de planejar e se organizar, como um bom time de futebol profissional. No começo, como em uma partida oficial, a bola é tocada para trás e para os lados, para sentir o ambiente do jogo, se adaptar ao gramado e organizar os jogadores em campo. Só depois de alguns segundos é que, normalmente, se busca o ataque, se começa a ousar. Todos sabem seu posicionamento, sua função no time. Motivados, querem vencer e sabem que obediência tática é uma grande ferramenta para vencer com consistência.

Claro que há exceções à regra, como quando o zagueiro sobe ao ataque para tentar um gol de cabeça, ou quando os atacantes voltam para defender um escanteio contra. Traduzindo para o ambiente de uma empresa, é preciso motivar os colaboradores a dar ideias, mostrar abertura para opiniões e sugestões. Mas, ao mesmo tempo, se faz necessário gerenciar bem este processo, deixando as regras bem claras já no momento das contratações. Só assim, com organização e planejamento interno, dá para pensar em ser campeão.

Quer inovar? Coma o mingau pelas beiradas!

22 de setembro de 2014

Marcelo Pimenta é professor da Pós-Graduação da ESPM e criador do Laboratorium

Uma pergunta é recorrente: como faço para inovar se meu chefe não suporta inovação? Minha empresa não gosta de nada novo, tenho medo até de expor minhas ideias, o que eu faço? Pois essa semana achei no twitter de @mosspike um desenho que tomei a liberdade de adaptar livremente para ilustrar esse post, pois a imagem contém a maior parte da resposta. A partir da ilustração original, defini uma matriz de risco, mantendo os eixos de importância e dificuldade.

Assim, fica fácil visualizar que ações mais fáceis (de menor dificuldade) e de (menor importância) talvez sejam aquelas primeiras a serem propostas.

Em ambientes que não são propícios à inovação vale a sabedoria popular: ir comendo o mingau pelas beiradas. Comece com pequenas conquistas, propondo melhorias que são muito simples de serem implementadas – mas que podem mostrar os primeiros resultados. Assim, você – e seu chefe e seus colegas – ganham musculatura e confiança para galgar novas conquistas em busca das “verdadeiras” inovações.

A matriz também permite visualizar duas áreas que merecem atenção:

- No quadrante do canto inferior direito (eu identifiquei com uma maçã, pronta para ser colhida) são “as grandes oportunidades”. Ou seja, assim que você se sentir confiante, deve buscar aquelas oportunidades de maior importância – e de menor dificuldade. O risco, nesse caso, é controlado. Fique atendo para não criar uma expectativa muito grande com o resultado. Melhorias de processo no atendimento, na entrega e no pós-venda são exemplos onde pequenos atos podem gerar grandes melhorias.

- Já no quadrante superior esquerdo (identifiquei com uma bomba) são aqueles “ossos muito duros de roer”.  Questões com baixa importância e alta dificuldade devem ser evitados pois estamos falando de um terreno onde não vale a pena correr riscos, até porque a recompensa pode ser baixa.

Sugiro que você pense, mostre e discuta essa matriz com seus colegas para identificar onde pode começar a inovar na empresa ou organização. Comece identificando as de menor dificuldade – para reduzir os riscos e aumentar as chances de sucesso. Caso vocês concluam que não há mesmo oportunidade para inovar, talvez seja o caso de você pensar em novos desafios – pois quem não inova, fica para trás e você não merece ficar marcando passo.

Por que acordei hoje mesmo? Conexões para ser mais eu e menos os outros

19 de setembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Quer ser feliz ou ter razão(LT)?

Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não fique preso pelo dogma – que é viver o que outras pessoas pensam. Não deixe o ruído da opinião dos outros abafar sua voz interior. E o mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição (SJ). Um dos maiores erros que as pessoas cometem é tentar forçar um interesse em si mesmas. Você não escolhe suas paixões. São as paixões que escolhem você (JB).

Desta forma, os dois dias mais importantes em sua vida foram o dia em que nasceu e aquele em que descobriu por quê (MT). Mas se ainda não sabe por que acordou hoje de manhã, não aprenderá a andar sozinho seguindo regras. Aprenderá tentando e caindo (RB). Se examinar uma borboleta de acordo com leis da aerodinâmica, ela não poderia ser capaz de voar. Mas as borboletas não sabem disso, então elas simplesmente voam (HS). Tem pessoas que analisam tanto, tomam tanto cuidado, que passam a vida inteira ensaiando sem fazer nada. Tem de ter coragem de enfrentar o desconhecido (MK). E o jeito de começar é parar de falar e começar a fazer (WD). Se acha que consegue ou acha que não é capaz, você está certo (HF).

Todo mundo nasce para fazer alguma coisa, mas são poucos os que têm a sorte de descobrir qual é esta coisa. Por isto, são poucos os bem-sucedidos em suas carreiras (WO). Por isso, sorte é fundamental. Na realidade você chama um monte de coisas de sorte. É uma conjunção de aspectos, de coincidências, que nem sempre são coincidências, é você estar no lugar certo na hora certa. Você ajuda a sorte a acontecer. Trabalhar pra caramba, estar aceso, ligado, conectado com o mundo para daí encontrar as oportunidades e saber desenvolvê-las (MM).

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é estar apaixonado pelo que você faz (SJ). Assim, vá fundo nas coisas. Na vida, a gente não pode ser mais ou menos, tem de lutar para ser o melhor em todos os aspectos. O planeta está cheio de gente mais ou menos (MK).

E lembre de se divertir. Pois só trabalha, no sentido duro da palavra, quem não gosta do que faz, por isso, eu, graças a Deus, nunca precisei trabalhar (RA). Mas se o empreendedor se diverte mas não ganha dinheiro, está errado. E se ganha dinheiro e não se diverte, também está errado (SM). Meu maior erro no princípio foi acreditar que o meu objetivo era ganhar dinheiro. Isso fez com que eu perdesse o foco porque acordar de manhã querendo enriquecer não é um princípio claro (LR). Muitas pessoas começam suas carreiras com o único objetivo de ganhar dinheiro. Isso é errado! É preciso ter paixão, amar o que faz. Aí sim, o dinheiro virá como consequência (CA).

Portanto, tenha razão para ser feliz. Já que sucesso para mim não está relacionado a dinheiro, status ou fama. Sucesso é encontrar um modo de vida que traga divertimento, autossuficiência e um senso de contribuição para o mundo (AR). Bem-sucedida é a pessoa que faz o que gosta e é feliz (CA).

SAIBA QUEM FALOU ESSAS FRASES ORIGINALMENTE
AR: Anita Roddick,
CA: Cristiana Arcangeli,
HF: Henry Ford,
HS: Howard Schultz,
JB: Jeff Bezos,
LR: Lito Rodrigues,
LS: Luiz Seabra,
LT: Luiza Trajano,
MK: Miguel Krigsner,
MM: Marcel Malczewski,
MT: Mark Twain,
RA: Rolim Amaro,
RB: Richard Branson,
SM: Salim Mattar,
SJ: Steve Jobs,
WO: Washington Olivetto.
WD: Walt Disney.