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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Cheio mas vazio. Menos mas mais. Os outros, mas você. Os ensinamentos de um mestre para outro

27 de março de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Kkkkk, sqn. Há uma crescente angústia entre as pessoas. Estão cheias de amigos no Facebook, mas cada vez mais vazias por dentro. Mas como alguém está solitário quando as pessoas estão a um WhatsApp, quando o melhor vídeo está a um YouTube ou o melhor restaurante está a um FourSquare? E deveriam estar ainda mais felizes, pois todos os seus milhares de amigos estão bem postando fotos dos seus pés à beira da praia!

A mesma tecnologia que aproxima também o(a) distancia daquilo que você é pois passamos a ser os outros porque, mesmo que inconscientemente, buscamos os seus “likes” . E quando conseguimos ser o que não somos, só enchemos mais o nosso vazio. Daí a aflição de muitos em buscar um significado e um sentido para suas vidas.

Mas assim como o ser só existe em função do não ser, a vida se contextualiza pela morte. Se pudesse estar presente na missa de sétimo dia da sua morte, o que diria a cada um dos que foram lá homenagear a sua vida: Desculpa? Obrigado? Ou viva a sua vida (e não a dos outros) já que a morte será só sua?

Os que buscam um propósito e um sentido para viver ficariam pasmos se tivessem ido à missa de certo empreendedor. Ele planejou tudo. A lista de convidados, as músicas e os músicos que cantariam e no final da cerimônia, cada um recebeu uma pequena caixa de madeira. Dentro, o livro Autobiografia de um iogue, escrito pelo indiano Paramahansa Yogananda em 1946.

O livro fala da busca tranquila daquilo que você é agora. “Não são os seus pensamentos passageiros, suas ideias brilhantes ou seus hábitos diários que controlam sua vida. Viva de forma simples. Não seja pego pela máquina do mundo. Isto é muito exigente. Quando conseguir o que é exigido, sua mente já estará em busca de outra coisa, seu coração já estará machucado e seu corpo estará doendo. Aprenda a arte de viver a sua verdade. Seja feliz agora.” E “mantenha-se calmo, sereno e sempre no comando de si mesmo. Descobrirá como é fácil lidar com isto”.

E para viver bem o agora, é preciso ser menos para estar mais leve e concentrado, sem as ancoras do passado ou as velas ao vento do futuro. “Esqueça o passado. Isto já saiu do seu domínio. Também não se concentre no futuro, isto ainda está além do seu alcance. Mas controle o presente. Viva intensamente bem agora. Cada futuro é determinado por cada presente”.  “Viva o seu presente de forma séria e sábia”. Só assim será verdadeiramente mais você agora.

Por fim, você não deveria viver pelos outros. Sempre haverá alguém mais do que você em alguma coisa e “o poder dos desejos não realizados é a causa de toda escravidão de um homem”. Mas “há um imã em seu coração que atrairá amigos verdadeiros. O imã é o desprendimento, o pensar nos outros antes. Quando se aprende a viver para os outros, eles viverão por você”.

E ao viver verdadeiramente a sua vida, descobrirá que as “oportunidades na vida vêm pela criação e não por acaso. Você mesmo, agora ou no passado, criou todas as oportunidades que passaram pelo seu caminho”.

Steve Jobs leu o livro Autobiografia de um iogue aos 19 anos, pouco antes de visitar a Índia. Após seu retorno, leu o livro todos os anos até a sua morte aos 56 anos. Era o único livro que tinha em seu iPad. E mesmo após o seu falecimento, todos sabiam que Jobs estava lá, na sua missa, distribuindo para cada convidado a pequena caixa de madeira com seu livro favorito dentro. Ele tinha criado aquela oportunidade!

A era do ‘esconder totalmente o jogo’ está acabando

26 de março de 2015

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

É engraçado o processo de se criar, de ter ideias, a inspiração é algo espontâneo, não acredito que se dê para forçar uma inspiração, talvez, seja possível fomentá-la. Um tempo atrás escrevi aqui sobre como “não fazer nada” pode ser produtivo. Agora, após essa produção, talvez seja importante compartilhar as suas ideias e inspirações.

Acredito que a Era do ‘esconder totalmente o jogo’ está acabando. Quando compartilhamos ideias, problemas, soluções, todo mundo tende a ganhar, inclusive a sua empresa. Vou citar o nosso exemplo. Desde a criação da Carbono Zero nunca acreditamos que ficaríamos sozinhos no mercado, no processo de desenvolvimento do plano de negócios, tentamos contatar algumas empresas para compartilhar suas experiências, mas sem sucesso. Não os culpo.

Como comentei, ainda impera a Era do ‘guardar informação’, não compartilhar para não perder o emprego ou participação no mercado. Por isso, desde o início da nossa operação e até hoje procuramos contribuir com as pessoas que entram em contato conosco pedindo essas mesmas informações.

Uma de nossas maiores concorrentes hoje nasceu com muita ajuda nossa. Dá para acreditar? Trata-se de uma empresa de Curitiba. A vantagem de se ter mais empresas como a nossa é que o planeta ganha com isso, não se trata somente de uma competição de mercado, mas o todo se beneficia.

Mas como o todo se beneficia? Citei o primeiro caso, a do planeta. O segundo, a sua empresa. Para um serviço como o nosso, que ainda é novidade, a existência de outras empresas ajuda a disseminar a ideia. Ajuda a quebrar a resistência. Claro, existe o outro lado também, da mesma foma que pode ajudar, pode prejudicar. Mas acredito que o gerar conhecimento do serviço acaba sendo mais benéfico que o potencial erro (se houver). O terceiro, em um compartilhamento, é que ideias podem surgir. Soluções e sugestões. Entender que uma ideia (até mesmo uma empresa) nasce e fica como está para sempre é algo que não dura. É preciso haver a transformação e, muitas vezes, o compartilhamento, a troca é fundamental.

Um outro exemplo, já fizemos bate papos com os empreendedores de outras empresas como a nossa. Basicamente, conversamos sobre situações de segurança para os ciclistas, como melhorar a segurança e minimizar potenciais acidentes. Isso é super saudável. O que não é saudável é querer regular preço, mas trocar ideias em prol do bem comum é. E você, não quer deixar de lado o termo concorrência e conversar com quem passa as mesmas dificuldades que você?

Deixo para você refletir sobre o seu negócio e ideia. O que é possível compartilhar? Converse com as pessoas. Não tenha medo de ouvir algo diferente do que esperava, mas também não se conforme com isso. Misture diversas opiniões nesse caldeirão e entenda que o produto final pode ser melhor.

Um abraço,

Rafael

Uma empresa sem chefes

25 de março de 2015

Uma empresa sem hierarquia alguma, onde não há chefes e onde os colaboradores precisam ter a consciência de trabalhar em busca de ações que levem aos melhores resultados, mesmo sem ter ninguém necessariamente os orientando sobre as tarefas a serem cumpridas. Para quem não está acostumado com culturas mais abertas, pode parecer loucura ou até mesmo utopia uma empresa funcionar dessa maneira. Mas isso existe. A Valve Corporation é uma empresa de games norte-americana, fundada em 1996. Entre seus produtos, destacam-se jogos que viraram referência para muitos jovens, como os conhecidos Half-Life e Counter Strike.

Esta é uma cultura totalmente diferente do que o mercado está habituado e há alguns entraves e choques por conta disso. Por exemplo: a Valve se orgulha de ter um ritmo próprio. Isso significa que nem sempre cumprem prazos, pois o objetivo é criar produtos que levem a melhor experiência possível aos clientes. E se for preciso gastar mais tempo para produzir um jogo que saia perfeito, eles farão, sem se preocupar com os prazos anteriormente estabelecidos. Se por um lado isso significa respeito ao cliente final e busca pelo melhor produto, por outro pode criar uma imagem negativa com o mercado ao não entregar no prazo prometido.

Independentemente disso, os funcionários têm orgulho de fazer as coisas no tempo próprio, o que chamam de ‘Valve Time’.

Na Valve, o mais importante é criar um ambiente em que as pessoas se sintam livres para fazerem coisas novas e tomarem decisões. O medo de errar não pode ser um entrave para criar produtos inovadores. Por isso, a cultura do erro é tão valorizada dentro da corporação. Eles enxergam o erro como uma ferramenta para aprender e estar mais perto do acerto, acreditam que o erro é fundamental para se viver dentro do ambiente que criaram e consideram as falhas uma grande oportunidade, até mesmo os erros mais graves são vistos como chance de crescimento.

Existem várias lições que podemos tirar desse caso e quero ressaltar duas: coragem e recrutamento. Quando digo coragem, é no sentido de fazer algo totalmente fora do comum, que muitos pensam ser errado. Eles não tiveram medo de criar uma estrutura diferente das demais empresas – acreditaram nisso e fizeram acontecer.

Já o recrutamento é o coração de qualquer empresa: a Valve só contrata quando sente que a pessoa está alinhada com essa cultura. E isso deve ser uma preocupação de todos os empreendimentos, dos mais tradicionais até as companhias mais inovadoras.

Todos os colaboradores precisam estar de acordo com a cultura da corporação, seja ela qual for. Pois só assim é possível manter uma equipe produtiva e que consiga estabelecer um ritmo de crescimento e entrega para o mercado.

Cuidado! Você pode ter a síndrome do funcionário que ‘cumpre tabela’ e não saber

25 de março de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

Ultimamente tenho buscado aprender mais sobre o comportamento humano para tentar desvendar e decodificar fatores, padrões comportamentais e como as pessoas encaram a questão da carreira e do emprego. Afinal, todo mundo precisa produzir algo para receber algo em troca e sobreviver.

Sempre imagino como seria minha vida se eu fosse um funcionário padrão e simplesmente cumprisse “tabela”. Isso mesmo, cumprir tabela. Quando digo cumprir tabela significa aquela atitude programática, motivada pelo cumprir ao que veio. O sujeito, para cumprir tabela, não precisa necessariamente chegar e ir embora pontualmente no horário acordado.

Horário é um dos componentes de uma complexa rede que constitui “cumprir tabela”. Produzir o que foi estabelecido no contrato é um desses componentes. Nem um parafuso apertado a mais, nem a menos. Significa também produzir mediante as condições pré-estabelecidas em contrato, não havendo nenhuma escapada do roteiro cotidiano da linha de produção.

O sujeito, nesse caso, acaba se tornando uma espécie de autômato, envolvido por dois fios narrativos de vida: a narrativa da vida particular e a narrativa da pseudo-vida robotizada do trabalho. Nesse modelo, o sujeito gradativamente acomoda-se e, sem perceber, contamina sua própria vida particular com os preceitos do “cumprir tabela”. Surpreendentemente, ele se vê apertando os mesmos botões da TV, assistindo aos mesmos programas, nos mesmos horários, tomando a mesma insossa cerveja, esparramado no decrépito sofá de sua casa, que, de tanto sofrer com o “cumprir tabela”, torna-se sujo e rasgado.

E o que ele faz? Mantém-se impávido igual uma árvore diante da decrepitude que o envolve e sufoca. O “cumprir tabela” é de uma letargia voraz, que te arrasta ao trabalho e te faz jamais sair daquela modorrenta condição de subempregado.

Penso que, na vida, devemos buscar sempre formas diferentes e novas de olhar para o mesmo. Será que é possível ensinar a importância das pessoas serem produtivas e não simplesmente terem empregos? Creio que sim. É uma missão épica e cada vez mais concluo que essa é a melhor forma de construir algo valioso para a sociedade.

Muitos dos cases de sucesso que nós empreendedores adoramos usar como referência usam o princípio da inquietude e do questionamento como fundamento. Quando você pensa em trabalhar na Apple, por exemplo, você não pensa no emprego, mas no quanto pode ser inovador e produtivo, criando coisas que um dia poderão impactar positivamente na vida das pessoas.

Em função da negação do “cumprir tabela”, muitas pessoas largam carreiras de sucesso para investir em algo que acreditam. Devemos, todos os dias, ter uma atitude que nos tire da condição de criatura e nos alce à condição de criador. Exercite suas idéias. Ouse. Faça diferente. Assuma a responsabilidade. Faça valer a pena. Seja um criador.

 

Doze livros para a startup decolar

23 de março de 2015

@menta90 escreve no Blog do Empreendedor às segundas-feiras

Encerro a série iniciada dos 40 livros para quem quer inovar e empreender com uma lista de obras que podem ajudar na criação e desenvolvimento de startups e modelos de negócios inovadores:

1 – Empreendedorismo Inovador: Como criar Startups de tecnologia no Brasil – Nei Grando (org.) e mais 27 autores – Évora, 2012, São Paulo – Talvez o mais completo  e diversificado livro sobre como empreender negócios inovadores de tecnologia no Brasil. A obra é organizada em 4 partes: ser empreendedor de tecnologia; fundamentos de estratégia e gestão; a modelagem do negócio; e capital, suporte estrutural, aconselhamento, mentoria e educação empreendedora. O organizador convidou colaboradores (expoentes de suas áreas) para contribuir com suas visões sobre como criar startups de tecnologia na realidade nacional.

2 – Inovação em Modelo de Negócios (Business Model Generation) – Alexander Osterwalder & Yves Pigneur – Alta Books, Rio de Janeiro, 2011.  Esse livro transformou-se num dos maiores best-sellers do mundo dos negócios. É nele que Osterwalder traz para a linguagem dos negócios a pesquisa feita para sua tese de phD, onde define a ontologia do Canvas do Modelo de Negócio (ferramenta já descrita no blog).

3 – Value Proposition Design – Alex Osterwalder, Ives Pigneur, Greg Bernanda, Alam Smith – Wiley, New Jersey, 2014. Escrevi aqui sobre esse livro um pouco antes dele ser lançado. O novo trabalho de Osterwalder é uma espécie de sequência do livro anterior. Juntamente com outros autores, ele aprofunda a discussão sobre os dois principais blocos do canvas do modelo de negócio (proposição de valor e segmentos de clientes) além de detalhar o processo de validação e teste do modelo de negócio. Foi traduzido para o português com o mesmo título.

4 – Business Model You: A One-Page Method for Reinventing your Career – Tim Clark em colaboração com Alexander Osterwalder & Yves Pigneur – Wiley, New Jersey, 2012. Este já foi traduzido ao português e editado pela Altabooks, com o título de “O Modelo de Negócios Pessoal”. Nele, o Canvas do Modelo de Negócio é aplicado a vida pessoal e profissional de cada um. Os blocos permanecem os mesmos, mas ganham novos nomes e características.  Esse método vem ganhando espaço entre profissionais de desenvolvimento pessoal e coaching. A apresentação à edição brasileira é de Maria Augusta Orofino e Renato Nobre, colegas na edição do Ferramentas Visuais para Estrategistas.

5 – Do Sonho à Realização em 4 Passos – Steve Blank – Evora, São Paulo, 2012. O primeiro livro de Steve Blank detalha a metodologia do desenvolvimento do cliente. Foi tema de uma série de quatro posts aqui no blog: o primeiro explica o conceito geral, o segundo explica a descoberta do cliente, o terceiro fala sobre  a validação do negócio e o quarto lista os principais conceitos envolvidos nesse processo, lembrando que nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contato com o cliente.

6 – The Startup Owner´s Manual – Steve Blank e Bob Dorf – K&S Ranch, Pescadero (CA), 2012. O livro mais recente de Steve Blank já traduzido para o português (O Manual do Empreendedor: o Guia do Dono da Startup, editado pela AltaBooks). Mesmo que seja escrito para uma realidade que não é a nossa (e nesse caso isso faz uma enorme diferença pois uma coisa é criar uma startup no Vale do Silício e outra é iniciar uma startup no Brasil), é a mais importante referência no novo jeito de empreender.

7 – A Startup Enxuta – Eric Ries – Lua de Papel, São Paulo, 2012.  Eric Ries foi aluno de Blank em Stanford. Por isso, a Startup Enxuta é uma espécie de complemento da metodologia do desenvolvimento do cliente, onde os conceitos se complementam. O livro defende o ciclo de feedback construir-medir-aprender através de produto mínimo viável (MVP). O produto deve ir o mais rápido possível para um mercado teste para que ajude a acelerar os ciclos de iteração.

8 – The Lean Entrepreneur – Brant Cooper e Patrick Vlaskovits – Wiley, New Jersey, 2013. Conheci os autores através de um pequeno livro que se tornou conhecido como guia prático do desenvolvimento do cliente (The Entreprenuer´s Guide to Customer Development).  O sucesso da publicação, feita de maneira bem simples e despretensiosa, deu confiança para que os autores fizessem um crowdfunding para editar esse que é um dos livros mais bacanas já editados sobre esse novo jeito de empreender. Eles conceituam o arquétipo “empreendedor enxuto” diante desse novo cenário que vivemos. As ilustrações são um show à parte e estão disponíveis online aqui.

9 – A Estratégia do Oceano Azul – W. Chan Kim e Renée Mauborgne – Elsevier, Rio de Janeiro, 2005.  Esse é o livro mais antigo dessa lista de “novas” ferramentas. Mas ele não poderia ficar de fora. A lição de que é mais inteligente criar novos mercados (oceanos azuis) do que entrar em ambientes de muita competição (oceano vermelhos) é um ensinamento que todo o empreendedor precisa para direcionar seu sistema de inovação permanente.

10 – O Empreendedor Viável: Uma Mentoria para Empresas na Era da Cultura Startup – André Telles e Carlos Matos – Leya, Rio de Janeiro, 2013. Os autores com base na experiência de atuação como mentores, professores e blogueiros do ecossistema brasileiro criaram o conceito de Empreendedor Mínimo Viável. A partir daí descrevem casos, ferramentas, dicas e depoimentos de expoentes do ecossistema empreendedor numa das obras mais importante sobre a cultura brasileira de startups.

11 – TREM – Trilha de Referência para o Empreendedor – Marcelo Severo Pimenta e Marcia Maria de Matos – Livrus Editorial, São Paulo, 2014.  Não poderia deixar de incluir nessa lista meu filho mais recente, escrito em parceria com a Marcia Matos. O manual do TREM foi pré-lançado aqui nesse blog e está disponível para download aqui. É uma metodologia livre de referência para aqueles que querem criar um negócio inovador no Brasil.

12 – A Quinta Disciplina: Arte e Prática da Organização que Aprende – Peter Senge  – Editora Best Seller, Rio de Janeiro, 2006. – Esse livro deveria talvez estar no primeiro post dessa série, que reuniu os livros sobre contexto de negócios.  Mas resolvi deixá-lo com fechamento da lista de 40 livros. Nele, Senge, professor do MIT e o maior pesquisador sobre “as organizações que aprendem”, redefine o conceito de liderança e define as cinco disciplinas que devemos desenvolver para tingir a reinvenção contínua: domínio pessoal, modelos mentais, objetivo comum/visão compartilhada; aprendizagem em grupo e, por fim e a que obtém maior destaque na obra, a quinta disciplina: a visão ou o raciocínio sistêmico. A quinta disciplina é a visão holística fundamental para aceitar novas perspectivas, fundamental para qualquer processo de inovação -  por isso escolho essa obra-prima da literatura empresarial para encerrar essa série.

PS –  Muitos desses conteúdos estaremos abordando no curso gratuito que acontece em 16-04 no Auditório do Estadão. Para participar, é preciso de inscrever aqui – e as vagas são limitadas.

PS2 – Para divulgar esse e outros cursos e conteúdos, criei uma FanPage no Facebook, quem quiser curtir será bem vindo. O link está aqui.

Quem quer dinheiro? Cinco fontes de recursos financeiros para quem pretende abrir um negócio ou já tem um

20 de março de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Em tempos de vacas magras, em que muitos já perderam o emprego ou temem isso, abrir um negócio é sempre uma alternativa imaginada. Mas e o dinheiro para fazer isto? Antes de usar seu FGTS, conheça algumas fontes de recursos financeiros para empreendedores iniciantes.

A primeira fonte parece uma pegadinha de primeiro de abril, pois se trata de um recurso não reembolsável. Esqueça o termo complexo e entenda como “dinheiro de graça”. Como assim? Perguntam os que ainda não conhecem o PIPE da FAPESP. E este dinheiro pode chegar até R$ 1,2 milhão. Antes que embarque no “de graça até ônibus errado”, entenda que é “na faixa”, mas apenas para empreendedores que consigam apresentar um projeto de inovação tecnológica.

Também é preciso que alguém lidere tecnologicamente o projeto, que até pode ser o próprio empreendedor se conseguir demonstrar tal capacidade. A FAPESP também exige uma participação na propriedade intelectual, se isto for gerado no projeto. E a empresa precisa ter menos de 250 funcionários e estar sediada no Estado de São Paulo. Quer saber se teria condições de conseguir este dinheiro? Primeiro veja os projetos que já foram aprovados, principalmente os da sua área de formação acadêmica. Se achou um, dois ou mais projetos que acha que poderia ter desenvolvido, então leia atentamente as normas do PIPE e siga as instruções. Ficou com alguma dúvida? Participe do próximo bate-papo sobre o PIPE com a FAPESP que ocorre no próximo dia 1 de abril, as 9h.

A segunda fonte parece indicar que o dinheiro cai do céu, mas isto nem em primeiro de abril. Mas existe uma modalidade chamada de “investimento anjo” em que pessoas-físicas quase sempre sem nenhum vínculo preliminar com o empreendedor, mas com algum dinheiro investem em novos negócios em troca do direito de aquisição de uma participação acionária. Investidores anjos podem investir 20, 50, 100, 300, 500 mil. Alguns “anjões” podem investir até R$ 1 milhão ou um pouco mais. Onde encontrar estes seres? Há redes locais de anjos como a Floripa Angels ou Gávea Angels, mas é na Anjos do Brasil que a maior parte deles se encontra. Mas antes de você perder (ou ganhar) tempo buscando um investidor, pesquise mais sobre o assunto e entenda o que deveria saber antes de buscar um.

Agora se já tem uma startup de alto potencial de crescimento, você pode, com certeza, buscar o PIPE e investidores anjo. Mas fique atento, muito atento ao programa Inova Startup que a FINEP prometeu lançar ainda neste primeiro semestre. Pelo programa, a startup captaria R$ 150 mil ou 300 mil e em troca, a FINEP, teria o direito de adquirir 5% ou 10% da empresa, respectivamente. Se ficou interessado, assine o RSS da instituição e seja avisado assim que o programa for lançado oficialmente. Mas não fique esperando! Continue fazendo sua startup crescer e aumente as chances de captação do recurso.

Mas se você não se encaixa nas categorias acima e sempre sonhou em abrir uma franquia de uma marca já conhecida, alguns bancos oferecem linhas de créditos especiais para quem quer ser um franqueado. Mas antes de visitar o banco, consulte quais franquias o banco já tem convênio. Bancos como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa atuam neste segmento.

Mas a opção que exige menos investimento para abrir um negócio é a categoria Microempreendedor Individual (MEI). É possível fazer todo o processo pela internet e a burocracia mensal é simples e barata. No MEI sua empresa fica isenta de tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL) e paga apenas o valor fixo mensal de R$ 40,40 (comércio ou indústria), R$ 44,40 (prestação de serviços) ou R$ 45,40 (comércio e serviços) referente à Previdência Social e ao ICMS (ou ao ISS). OK! O MEI tem suas limitações. O faturamento anual não pode ultrapassar R$ 60 mil e é preciso se enquadrar nas atividades permitidas, entre outros pontos mais relevantes. Mesmo que ache as limitações “limitadas” demais para o seu sonho grande, o MEI pode ser um excelente test drive para quem vai empreender já que você pode migrar para outra categoria e no MEI, a principal fonte de capital é você mesmo!

A capital do churrasco não fica no Rio Grande do Sul

18 de março de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog

Qual a capital do Mato Grosso do Sul? Não. Mato Grosso do Sul! Isso! Cuiabá não. Uma cidade que você, que não viaja para lá quase nunca, ou nunca, pensa que é feia. Engano seu: é Bonito, digo, bonita. Os Brasis são aquelas coisas difusas, fragmentadas e, estranhamente, unas. E a capital do Mato Grosso do Sul é uma cidade plana, arborizada e pulsante.

Os gaúchos vão achar heresia o que vou dizer: hoje estive na capital do churrasco. O povo da capital do Mato Grosso do Sul vive de carne. Viajei a serviço duplo para essa terra do churrasco: encontrar um cliente de branding e design e fazer um crossover de universos, da pimenta De Cabrón e o produto dele. O produto? Linguiça. Não estou enchendo linguiça não. É linguiça sim. A parte mais paupérrima do churrasco, o boi de piranha da nobre arte do preparo da carne, geralmente relegada para os esfomeados e pouco iniciados nessa arte. A linguiça é praticamente um peão na guerra, vai na vanguarda, para levar os primeiros tiros de canhão, para caírem mortos nas primeiras abocanhadas.

O nosso cliente é uma startup insuflada de ideias, crenças, valores, objetivos e tudo que alimenta uma empresa que inova. Você vai dizer que estou enchendo linguiça ainda? Imagine uma linguiça que fuja aos parâmetros, que mude a percepção do produto de guerrilheira de churrasco. Imaginou? Então imagine agora uma linguiça feita de carne bovina, originária de gado precoce (o filé do filé do gado bovino), que se alimenta de pasto ao ar live, sem agrotóxicos em seu alimento e sem receber uma bateria de injeções de todo tipo de medicamento. Ou seja, carne de primeira, com reduzido uso de “sal de cura”, resultado de práticas de manejo sustentáveis e recheada de selos de qualidade, a caminho de ser uma linguiça orgânica – o próximo objetivo desse nosso cliente. Inimaginável não? Somente provando para saber o sabor dessa linguiça. O resultado é uma ideia não totalmente original, já que o estado tem a tradição nesse tipo de linguiça, mas inovadora ao juntar uma série de preceitos contemporâneos de produção e sustentabilidade.

O nosso cliente está investindo numa nova fábrica, habilitada para fornecer para todo o Brasil e resto do mundo. Em plena atmosfera de “crise”, como anunciam os pessimistas, nosso cliente está empolgado e está preparado, estruturado e capitalizado para, em um passo de cada vez, com a cabeça voltada para o futuro, fazer um negócio que vai mudar os paradigmas do churrasco no Brasil. E do mundo, por que não?

Gosto de dizer que devemos sempre nos preparar para os tempos de crise: nos preparar para poder investir exatamente quando todos acham que estamos nesse estado econômico letárgico.

Realmente me surpreendi com Campo Grande. E com Guarânia, linguiça do pantanal (e parceiro também, oras!), que enche linguiça com sabor, qualidade e inovação.

 

 

 

 

Solidariedade faz parte da cultura

17 de março de 2015


Uma das empresas que acompanho desde sua fundação é o Airbnb. Criada em 2008 no Vale do Silício, a empresa tem como característica forte o espírito de comunidade e confiança, tanto que atua no mercado de locação de acomodações, mas de uma forma diferente das imobiliárias. A proposta é criar uma grande comunidade de pessoas conectadas ao redor do mundo que desejam alugar suas casas ou quartos para outras pessoas que estão em viagem ou que buscam acomodações únicas e diferenciadas, oferecendo uma nova experiência. Durante essas hospedagens, as pessoas de fato passam a pertencer àquele lugar. Já são mais de 25 milhões de hóspedes em 34 mil cidades e 190 países.

Como alguém que gosta de analisar culturas, há diversos pontos desse negócio nos quais eu poderia focar, mas trago hoje um exemplo de algo não central, porém muito leal aos valores da empresa. O Airbnb tem um projeto de auxílio às vítimas de desastres naturais. Pode até parecer desconexo do negócio, mas o representa com muita honestidade: a ideia surgiu da própria comunidade e a empresa teve a sensibilidade de ouvir e observar o que estava acontecendo, e assim desenvolver o projeto.

Tudo começou em 2012, após passagem do furacão Sandy pelo Caribe e costa leste dos Estados Unidos. Uma moradora de Nova York anunciou sua casa de graça no Airbnb para hospedar pessoas que estavam desabrigadas. Rapidamente isso se tornou uma corrente do bem e mais de 1.400 anfitriões estavam fazendo o mesmo – oferecendo às vítimas um teto e apoio sem custo algum. Segundo a empresa, a maneira humilde como os anfitriões estavam agindo foi tocante e essas atitudes ficaram marcadas como um grande conforto em meio ao caos.

Deste então, o Airbnb desenvolve o programa de desastres que incentiva moradores de diversas cidades do mundo a fazerem o mesmo, sem cobrar absolutamente nada. Quando um desastre acontece, o Airbnb ativa a ferramenta de resposta para a área atingida e envia automaticamente um e-mail para todos daquela região, perguntando se podem ajudar. As reservas não sofrem taxas, todos os anfitriões têm suporte 24h por dia e a empresa usa as redes que possui para divulgar informações do que está acontecendo. Eles também fazem parcerias com governos e organizações no sentido de ajudar antes, quando há um desastre natural previsto.

Essas ações de solidariedade, onde as pessoas simplesmente abrem suas casas para quem perdeu tudo e tem o apoio da empresa para disseminar as informações e conectar uns aos outros já ocorreram também em San Diego, em resposta a grandes incêndios; na Sérvia, Bósnia e Croácia, depois das inundações das Balcãs; em Londres, Sardenha e Colorado, após serem gravemente atingidas por inundações; na ilha de Cefalônia, após um terremoto; em Toronto e Atlanta, depois de severas tempestades de gelo e nas Filipinas, depois do Tufão Haiyan.

Esse é um caso interessante de uma empresa baseada na economia do compartilhamento, e que mesmo tendo crescido a nível global em poucos anos mantém firme o seu propósito de impactar positivamente a vida das pessoas através desse compartilhamento. Algumas empresas focam em resultados econômicos imediatos. Porém, em momentos de tragédia, a melhor estratégia pode ser bem diferente do foco financeiro. No caso de hoje, a empresa resolveu usar suas ferramentas para auxiliar o maior número de pessoas que precisam de apoio, a custo zero, ouvindo uma opinião de sua comunidade.

Um aprendizado que tiro desse exemplo é que às vezes existem projetos paralelos, que não percebemos logo de cara, e que podem ter um impacto grande na clareza dos valores de uma empresa, e a longo prazo contribuir para o negócio como um todo. Outro aprendizado é que boas ideias podem vir de todos os lados, até mesmo de um cliente que de repente usa o seu produto com outro propósito. Basta estarmos sempre atentos para reconhecer e agir rapidamente para conseguir executar e escalar uma sugestão inovadora.

Livros que vão ajudar você até a ‘roubar como um artista’

16 de março de 2015

@menta90 escreve toda segunda-feira no Estadão PME

Continuando nossa série de 40 livros para quem quer inovar e empreender, essa semana reuni obras sobre três temas que tem muito em comum: criatividade, inovação e pensamento visual. Primeiro, sobre criatividade, escolhi livros que julgo bastante úteis para quem quer praticar e desenvolver novas formas de imaginar e criar. Sobre inovação, diante de uma bibliografia tão vasta, escolhi apenas dois livros – essenciais. E aproveitei para completar a lista com novidades em uma área ainda pouco explorada no Brasil: o pensamento visual. Enjoy!

1. Como Ser Um Explorador Del Mundo: Museo de Vida Portátil – Smith Keri – FCE, Cidade do Mexico, 2012. A edição que tenho é a mexicana. Mas o livro foi editado originalmente nos Estados Unidos (How to be an explorer of the world). Um manual com 59 atividades cotidianas propostas para provocar que você veja/viva o mundo com outros olhos/emoção. As tarefas são desde catalogar as cores existentes numa loja, descobrir faces formadas pela arquitetura urbana ou testar formas inusitadas de improvisar ferramentas para escrever. Para desenvolver criatividade na prática.

2. Steal Like Na Artist – Austin Kleon – Workman, New York, 2012. - Esse livro também é prático. Ele tem como mote o fato de que nada é original. Sempre criamos a partir daquilo que já existe. A originalidade é o plágio não detectado. Se a cópia e a imitação estão em tudo, melhor então termos bom gosto e “roubar como um artista” (onde o autor parafraseia a famosa frase de Pablo Picaso: “arte é roubo”).

3. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente – José Predebon – Pearson, São Paulo, 2013. Em 1986, Predebon iniciou suas atividades como professor na ESPM. Muito do conhecimento acumulado ao longo desses 40 anos de docência estão nesse livro. Ele é um dos precursores do estudo e o ensino da criatividade no Brasil e continua na ativa, inclusive tendo sido TEDxSpeaker recentemente. Esse livro já está na 8ª edição e foi recentemente relançado. Fiz um curso de férias com ele no ano passado. Com seus 83 anos, ele combina uma sabedoria lapidada pela vida em sala de aula com um variado acervo intelectual acumulado em anos de leituras e prática de criação publicitária. “Nossa verdadeira viagem é em direção à felicidade. A criatividade é só uma estrada”.

4. Ingenium: um curso rápido e eficaz sobre criatividade – Tina Seelig – Da Boa Prosa, São Paulo, 2012. O curso que Tina Seeling ministra na d.school, prestigiosa escola de criatividade e inovação da Universidade de Stanford, está sempre lotado. Porém, seu conteúdo hoje está compartilhado nesse livro onde ela descreve as principais atividades e dinâmicas de seu programa. Além de apresentar a Máquina da Inovação, modelo hexagonal onde ela identifica as partes que precisam estar equilibradas para que a inovação aconteça: conhecimento, imaginação, atitude, recursos, habitat e cultura.

5. O Poder da Inovação: como alavancar a inovação na sua empresa – Luiz Serafim – Editora Saraiva, São Paulo, 2011. Já escrevi um post sobre esse livro. Conta a história da inovação na 3M (no mundo e no Brasil) e também outras histórias sobre as empresas mais inovadoras do País (Natura, IBM, Petrobrás, Fiat…).

6. A Arte da Inovação: Lições de Criatividade da IDEO – Tom Kelley com Jonathan Littman – Futura, São Paulo, 2001. Esse, para mim, é um dos mais importantes livros sobre inovação. Apesar de ser relativamente antigo para um tema que se atualiza tão rapidamente, ele é consistente. Conta a história da IDEO, desde quando ela era uma pequena startup no Vale do Silício, em 1978. E revela os erros e acertos da descoberta de um método (compreender, observar, visualizar, avaliar e implementar) para inovar na prática. A história é contada por um dos líderes dessa que hoje talvez seja a maior empresa de design do mundo.  Até onde sei, esse livro está esgotado nas editoras, se você conseguir colocar a mão em um, aproveite!

7. The Back of the Napkin: Solving Problems and Selling Ideas with Pictures – Dan Roam – Portfolio, New York, 2008. Não é à toa que o método da IDEO, descrito no livro anterior, coloca no centro do seu método a visualização. A imagem dá vida à ideia. E esse é o motivo pelo qual esse livro é um dos marcos do pensamento visual dos negócios. Nele, Dan Roam mostra e comprova que, às vezes, um diagrama desenhado num guardanapo pode ser o melhor aliado para a criação de uma solução realmente inovadora. É o fundamento do pensamento visual nos negócios (em português foi traduzido como “Desenhando Negócios”).

8. The Sketchnote Handbook: the illustrated guide to visual note taking – Mike Rohde – Peachpit Press, San Francisco, 2013. Conhecia o trabalho de Rohde desde que ele foi responsável pelo projeto gráfico de Rework (que faz parte da primeira parte dessa série). Em 2013 tive a oportunidade de conhece-lo no SXSW, em Austin e em 2014 fiz um workshop com ele no mesmo festival (o material desse workshop está disponível aqui). Ele desmistifica a afirmação de que só artistas desenham. E ensina na prática como cada um de nós pode se expressar usando a linguagem visual.

9.  The Doodle Revolution: Unlock the Power to think Differently – Sunni Brown –  Portfolio, New York, 2014. Doodle é uma palavra que significa esboço. Se popularizou através do uso, pelo Google, de doodles comemorativos (você já deve ter ido fazer uma pesquisa e se deparou com o logotipo do Google escrito de uma forma diferente – tem vários exemplos aqui). Esse novo jeito de se expressar, no estilo de infográfico, vem causando uma revolução nas formas como nos comunicamos. Essa é a tese da autora, considerada uma das 100 pessoas mais criativas dos Estados Unidos. O livro é uma mistura de dicas, boas práticas e exercícios para você usar rabiscos e desenhos como ferramenta para cocriação e inovação.Na próxima semana, encerramos a série com os livros escolhidos para startups e modelos de negócios inovadores. Até lá.

Como escapar do vazio profissional de ficar oito horas em uma empresa que diz uma coisa e age de outra forma

13 de março de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Há uma grande e profunda crise moral não só no Brasil, mas no mundo.  Dizem uma coisa, mas fazem outra. Mostram algo que sabem que, propositalmente, é uma farsa, ou pelo menos, uma bem calculada meia verdade, e criam o contexto para torná-lo uma verdade aparente.

Mas quem está dentro e conhece a dissimulação é cúmplice, desacreditado ou um ignorante. O cúmplice é intencionalmente maldoso, pois não só conhece como apoia o modus operandi. O ignorante não tem consciência dos seus atos e tampouco de suas consequências, por isto os desconhece. Mas é o desacreditado que sofre, intimamente, as dores dos ferimentos das suas crenças e perspectivas. É uma dor interna, que cresceu lenta e silenciosamente, mas que não pode ser expressa publicamente, porque se chocaria com a tal verdade imposta. E é o aumento deste perfil que tem contribuído para o crescimento da crise moral que vive cada um de nós quando entendemos que a realidade percebida não é a mesma daquela comunicada.

A reação mais comum dos desacreditados é o comportamento passivo-agressivo que se manifesta pela vitimização, a ironia ou a letargia de se recusar ou retardar o que deve ser feito. E tudo isto cria um profundo e cada vez mais incômodo vazio nas pessoas.  É o vazio das amizades de Facebook ou WhatsApp, das relações amorosas, do consumismo e das relações de trabalho. Dão-se conta que o que conta mesmo é a autenticidade e não a quantidade, desempenho e o discurso.

E de todos os vazios, o que consome mais horas é o vazio profissional de permanecer, pelo menos, oito horas em uma empresa que diz uma coisa, mas age de outra forma. Mas como desenvolver um negócio verdadeiramente fiel ao que prega e ser percebido desta forma? Como tornar a prática a prática, sem passar pelo discurso?

De todas as soluções, uma das mais simples foi criada por Tony Hsieh, empreendedor da Zappos.com, uma das líderes em comércio eletrônico de calçados nos Estados Unidos. Hoje a empresa pertence a Amazon, mas sua ideia ainda continua a orientar muitas empresas bem intencionadas ao redor do mundo.

Certa vez, Tony teve dificuldade em explicar a cultura organizacional da Zappos para um colaborador recém-contratado. Como estava acompanhado de outros funcionários da empresa, pediu para que cada um fosse sincero e apresentasse o seu entendimento do que era a cultura organizacional da organização. Gostou da experiência, pois percebeu que não só o novo funcionário tinha tido uma aula sobre a empresa como ele próprio aprendeu muito sobre o negócio que liderava, principalmente sobre como poderia melhorar.

Na mesma semana, criou um processo para que todos os colaboradores da empresa também se manifestassem, deixando claro que deveriam ser totalmente sinceros e que as contribuições poderiam ser anônimas. Em um sinal de comprometimento, destacou que todas as opiniões, mesmo as negativas, seriam impressas em uma publicação que chamou de Livro de Cultura (baixe a versão mais atual) da Zappos e que isto seria distribuído para os funcionários, parceiros, fornecedores e até clientes. Mas seu principal uso seria o de tornar a empresa mais transparente e sempre mais comprometida a melhorar rumo ao que tinha se proposto.

A história da Zappos até parece ficção e talvez até seja em parte. Mas ficção mesmo é continuar apostando em algo que não temos mais fé. Qual é a cultura da sua empresa?