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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Filho de Bob Marley aposta no café e tem receita milionária

22 de agosto de 2014

Um dos filhos de Bob Marley, Rohan, começa a ganhar destaque no mundo. E ao contrário do que você pode imaginar, não é com música, o que era até esperado devido ao enorme talento do pai. Rohan é a cabeça pensante por trás de uma companhia de cafés. Isso mesmo: café. A Marley Coffee é hoje uma companhia que atingiu uma receita de US$ 6 milhões no ano passado e espera chegar a US$ 10 milhões neste ano.

O site da revista Fast Company fez um perfil interessante do empreendedor que vale a leitura. A empresa criada pelo empreendedor é responsável por comercializar cafés de diversas partes do mundo para lojas e, inclusive, pela internet – há cafés plantados, por exemplo, na Etiópia. A base da companhia, atualmente, está nos Estados Unidos, mas há também parcerias comerciais no Reino Unido, Chile e até na Áustria.

Rohan e a sua empresa consideram o café que comercializam gourmet. E realmente esse parece ser um mercado interessante para quem pensa em empreender, no Brasil e no mundo. Recentemente, por exemplo, o Estadão PME publicou a história de um empresário que produz e vende um café especial para ciclistas. Não é o único. Há uma série de empreendedores enveredando por esse caminho. E vale a pena você prestar atenção na história de Rohan e de outros empresários.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e adora um cafezinho. Inclusive da Etiópia

 

Lucile Salter: a mulher que ajudou a criar o Vale do Silício e uma empresa que fatura US$ 112 bilhões

22 de agosto de 2014

Marcelo Nakagawa é professor do Insper

Dificilmente o Vale do Silício teria se constituído se não fosse por causa de Lucile Salter. Muitos consideram que o Vale, como carinhosamente é chamado a região ao sul da cidade de San Francisco até as redondezas de San Jose na Califórnia, nasceu a partir  garagem da casa de David Packard. Ele e seu amigo de faculdade, Bill Hewlett, criaram a Hewlett-Packard, empresa que atualmente fatura US$ 112 bilhões e tem mais de 317 mil colaboradores ao redor do mundo.

Packard tinha pedido demissão da General Electric em 1939 e se juntou ao amigo Hewlett, que havia terminado seu mestrado no MIT, para criar uma nova empresa na cidade em que moravam, Palo Alto, incentivado por um antigo professor de ambos, Frederick Terman, da Universidade de Stanford.

Terman acreditava que seus talentosos alunos poderiam criar um negócio na área de equipamentos e investiu US$ 538 dólares do seu próprio bolso para que fundassem a empresa. Isto foi suficiente para que a dupla comprasse os primeiros equipamentos e alguns componentes.

Jovens e com poucos recursos, passaram a trabalhar na garagem da pequena casa em que Packard morava com sua esposa. Eles não sabiam exatamente o que fazer no início. “Fazíamos qualquer coisa para ganhar dinheiro. Fizemos sensores para pistas de boliche, relógios para telescópios, descargas automáticas de banheiros e máquinas de choque para pessoas perderem peso.” Mas eles não conseguiam vender suas invenções.

Aí entra Lucile. Foi ela, seu salário, sua paciência e seu apoio que manteve a HP funcionando nos primeiros anos. “Trabalhando de segunda a sexta e meio período no sábado (na área administrativa na Universidade de Stanford), ela, essencialmente nos manteve nos primeiros anos.” – escreveu anos depois, David Packard, seu marido, no seu livro The HP Way: Como Bill Hewlett e eu construímos nossa empresa (Ed. Campus, 1995). E não era só o dinheiro para manter a casa. Lucile ainda cozinha para os dois sócios e emprestava seu forno para que a dupla secasse os equipamentos que pintavam. “Meus rosbifes nunca mais ficaram os mesmos depois que Bill e Dave passaram a usá-lo como forno de pintura” – lembrou, certa vez, com bom humor.

Vários empreendedores contaram com o segundo motor para manter seus sonhos de negócios operando enquanto que o motor principal não funcionava como o esperado no início.

Marcelo Malczewski e Wolney Betiol começaram a empresa vendendo impressoras para máquinas telex em um momento em que as máquinas de fax dominavam o mercado. Até descobrirem que a solução que haviam inventado poderia ser utilizada como impressoras em terminais bancários, sobreviviam com seus salários de professores.

Fundada em 1969, a Natura praticamente não vendia nada até 1974. Com despesas para pagar e filhos para criar, as aulas de estética que Luiz Seabra, que co-fundou a empresa, dava no Senac não só ajudavam nas contas mas também na divulgação dos seus produtos.

Ninguém acreditava que o negócio de Juliana Motter teria futuro. Isto incluía seu pai, um amigo consultor que “entendia tudo de negócios” e até ela própria em alguns momentos. Por isso, ela só abandonou o salário de jornalista em uma revista feminina quando o motor principal da Maria Brigadeiro, o primeiro negócio especializado em brigadeiros do Brasil, já funcionava a pleno vapor.

Por mais que o sonho de empreender alimenta o propósito de existência de muitos, é preciso manter o estômago cheio e as contas pagas todos os dias.

 

As pessoas estão sorrindo menos (como ser ‘a’ Coca-Cola)

20 de agosto de 2014

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira

As pessoas estão sorrindo menos. Percebo que somos uma apanhado de gerações que cada vez mais se afoga nas entranhas da modernidade. Antigamente, só tínhamos a conta de telefone para pagar e nos preocupar. TV a cabo, celular, telefone fixo, internet e agora até biblioteca de músicas online, se quiser, pode pagar.

Senhas, acessos, conexões, nuvem, check-in, selfies e muitas outras situações que há quinze anos não existiam. Ou talvez nem sabíamos da existência.

“URGENTE. O avião caiu.”

Praticamente acompanhamos o desastre da última semana como se estivéssemos no mesmo quarteirão. Ali ao lado. É o tal do Big Brother. Tem coisas que valem a pena saber. Outras, nem tanto. Talvez devêssemos presenciar menos notícias do “mundo cão”. Não digo ignorá-lo. Acredito que a exposição exacerbada a certos estímulos acabam por nos tornar imunes a eles, indiferentes.

Já ouvi explicação sobre o assunto num resumo sobre Freud e afins (vivam os resumos!). Saber da existência do “mundo cão” é uma obrigação. Vivenciá-lo com prazer e necessidade, uma doença. Parece que notícia ruim vem até nós. E as boas? Ao que parece, tudo que é bom e prazeroso tem a mesma polaridade nossa, por isso se afasta de nós. Quando sentimos aquela vontade irresistível de degustar o tal do vinho de uvas, tal de safra tal e coisa e tal? Onde encontrá-lo? E, quando queremos aquele molho de chipotle e goiaba, o que fazemos?

Quando sua empresa é aquela Coca-Cola (aquela mesma), seu produto está em todo lugar (inclusive os mais inóspitos; não me admira chegarmos hoje na lua e encontrarmos uma garrafinha nos esperando, gelada). O desafio de todo empreendedor: fazer seu produto se manter na boca do seu consumidor (de um modo prazeroso). E o molho de chipotle com goiaba De Cabrón?

Sim, não somos, por ora, uma Coca-Cola do ponto de vista de distribuição. E nossos clientes pedem e pedem mais. Então a tecnologia entra. Como? Você pensa: como informar meu consumidor sobre os pontos de venda do meu produto, up to date, online? Isso deve existir? É caríssimo? Você responde sim para ambas as perguntas e se conforma?

Pronto: assunto encerrado e você jamais será a Coca-Cola e, muito menos, “aquela” Coca-Cola. Nós resolvemos responder com indignação natural de quem não se conforma como as coisas foram-nos impostas. E fomos à luta. Fuçamos que fuçamos, porque hoje em dia você tem de ir atrás. Fuçamos tanto que conseguimos criar uma parceria com uma empresa de localização via satélite, a Smart Geo, e, juntos, desenvolvemos um sistema para mapear De Cabrón pelo país afora.

Parece coisa de Bill Gates, mas não é. A tecnologia, hoje, está a nossa disposição. Crescemos com a ideia de que as grandes ideias só surgiam com os grandes idealistas. Pois bem, hoje grandes ideias estão disponíveis para os pequenos-grandes idealistas. Basta buscarmos e não apenas nos contentarmos com as notícias ruins e com as adversidades.

E a versão beta do nosso big brother acaba de ir para o ar no nosso site. E, na segunda etapa, terá atualização em tempo real. Em breve, nossa ferramenta estará 100% pronta para dedurar nossos molhos para nossos empolgados consumidores.

 

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Você está preparado para fazer relações públicas?

19 de agosto de 2014

Toda empresa nasce e se expande a partir dos relacionamentos que constrói. Dos fornecedores aos clientes finais, passando pelos colaboradores, contatos-chave e pela imprensa, é preciso conhecer, conversar e trocar informação com muita gente, o tempo todo – uma prática que, sistematizada, torna-se Relações Públicas, um dos elementos mais importantes para o marketing de um negócio.

Nos últimos anos, com o fenômeno das redes sociais, a internet virou um dos principais locais de atuação de Relações Públicas das marcas. Principalmente por ser uma forma fácil e barata de fazer algum barulho. Criar um perfil e abastecê-lo com bom conteúdo (e não apenas propaganda) é uma ferramenta quase obrigatória para empresas que atendem, seja com serviços, seja com produtos, o consumidor final. São as chamadas empresas B2C (Business to Consumer).

Por outro lado, é preciso estar pronto para receber sugestões e críticas, não raro bem agressivas (tempos atrás, fizemos um post bem interessante sobre o assunto no nosso blog, o Diário do Queijo. Quem é responsável pelas Relações Públicas de uma empresa (principalmente quando, no caso, é o próprio dono do negócio) precisa ter sangue frio e tato: responder educadamente costuma desarmar com eficácia um crítico feroz, e nunca, jamais entre em uma discussão pública com um cliente. Você até pode ficar famoso, mas de um jeito bem desagradável.

A internet não eliminou a necessidade do contato com a imprensa. É ilusão acreditar que, só porque sua página no Facebook tem dezenas de milhares de curtidas, os jornalistas vão lhe descobrir de alguma maneira mágica. É papel do empreendedor correr atrás de colunistas e repórteres especializados no setor em que opera, com no mínimo um bom press kit (release bem escrito, boas imagens com alta resolução, uma amostra do produto se possível) e um gancho, uma história que convença esses profissionais – que recebem enxurradas de novidades “inovadoras” todos os dias – de que vale a pena falar sobre o seu empreendimento.

Já citamos aqui no Blog do Empreendedor o especialista Al Ries. Ele escreveu um livro com sua esposa, Laura Ries, chamado “A queda da Propaganda e a ascensão do Relações Públicas”. Ao longo de todo o livro, eles detonam campanhas publicitárias milionárias, sustentando que anúncios não têm mais credibilidade. Viraram peças de arte, que não servem mais para a função para a qual foram criados: vender mais. Acreditamos que nem tanto, nem tampouco. Propaganda tem, sim, seu lugar. E pode trazer muitos resultados. Mas o que vemos normalmente é que essa ferramenta tem sido utilizada em excesso e em casos em que outras estratégias trariam melhores resultados.

O que vende? Na visão dos Ries, garantir espaço na parte editorial de jornais, revistas e websites, no corpo de reportagens especiais e artigos ou notas de famosos colunistas. É preciso manter contato com eles. Pode ser um jantar de lançamento de um novo cardápio. Pode ser um press kit diferenciado, como o que mandávamos para a imprensa nos tempos da Cervejaria Eisenbahn. Ou quem sabe um convite para visitar sua empresa e saber como são feitos seus produtos. A criatividade é a melhor amiga das Relações Públicas!

Falamos do público nas redes sociais, falamos da imprensa. Mas não pára por aí. Relações Públicas de verdade vai bem além disso. O empreendedor precisa dar o mesmo valor para seus fornecedores, mostrando-os que sua parceria é a melhor que existe. Precisa investir também em pessoas importantes do seu ramo: no nosso caso, o gastronômico, é necessário que tenhamos bons relacionamentos com chefs de cozinha e professores da área, por exemplo. Cada contato desse pode significar novas possibilidades para o seu negócio e novos patamares para a sua marca.

Este é o segundo artigo de uma série sobre os Quatro Pilares do Marketing que usamos em nossos empreendimentos. Semana passada, falamos sobre Marketing de Experiência. Nas próximas duas semanas, vamos abordar aqui Design e Inovação e Produtos Excelentes. Contamos com sua leitura!

O e-commerce brasileiro: um gigante na puberdade

18 de agosto de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e fundador do Laboratorium

Se o crescimento do PIB não empolga, existe um segmento de mercado que comemora crescimento sem parar: o e-commerce. Os números mostram que as vendas no primeiro semestre de 2014 chegaram a R$ 16 bilhões, 26% a mais do que o mesmo período de 2013. O crescimento do hábito de consumo de bens e serviços via internet vem fazendo também com que todo o ecossistema de tecnologia, marketing digital, soluções de segurança e logística cresça e se profissionalize.

Na semana passada, o Fórum E-commerce Brasil 2014 reuniu 4,2 mil profissionais vindos de 18 Estados e de 10 países, 71 expositores, 50 palestrantes nesse que já é o 3º maior evento do segmento no mundo e o maior da América Latina. São empresas de software, agências web, startups, grandes varejistas e players do mercado de tecnologia que estão de olho num universo estimado em 60 mil lojas brasileiras vendendo online.

Se antes os dados disponíveis eram apenas sobre as vendas, uma pesquisa inédita do Sebrae e do E-commerce Brasil lançada no Fórum traz dados interessantes das empresas que fazem esse mundo virtual cada dia mais real.

Vejam alguns destaques (a íntegra da pesquisa está disponível para download aqui):

- Uma em cada três lojas operam exclusivamente online;
- 58,3% das empresas tem até três funcionários;
- 63% das lojas estão na região sudeste;
-  18% dos sites já recebem mais de 1 mil pedidos por mês enquanto 21% das lojas virtuais recebem menos de 10 pedidos mês;
- 18% usam o whatsapp para atender seus clientes.

Mas um outro dado divulgado também semana passada mostra outra característica dessa fase de amadurecimento, etapa da vida que acontece o aumento da massa muscular : o maior varejista online do Brasil, B2W (gigante que reúne grandes lojas como Americanas, Submarino, Shoptime, entre outras), informou prejuízo líquido de R$ 64,6 milhões no período de abril a junho, alta de 31% em relação ao prejuízo de R$ 49,3 milhões do mesmo período do ano passado.

Essas contradições, na minha opinião, relevam a puberdade do e-commerce no Brasil:

- O e-commerce não sabe ainda o que vai ser quando crescer. Enquanto os gigantes suportam prejuízos para garantir o crescimento e a liderança, os pequenos correm atrás de uma oportunidade que lhes garanta lucratividade (segundo a pesquisa do Sebrae, 57% operam com lucro);

- O jovem ainda vai crescer muito. E e-commerce representa menos 2% das vendas totais do varejo (nos EUA já representam 5%);

- Negócios com prejuízo não se sustentam a médio e longo prazo, esse cenário dos gigantes anunciarem prejuízo após prejuízo vai acabar – seja com o reposicionamento dessas lojas ou com novos modelos de negócios pois as espinhas no rosto não vão durar a vida toda;

- Os pequenos estão percebendo que o e-commerce pode não ser o único mas, com certeza, deve ser mais um canal necessário para atender um consumidor cada dia mais digital. Vivem um momento de descoberta, típica de um adolescente, onde tudo é novidade, mas não se sabe ainda o que vai ser quando crescer.

Se o mercado ainda está se consolidando, é sinal de oportunidade para o empreendedor. Ainda há tempo para ingressar e garantir uma fatia nesse segmento gigante. Mas cuidado!  Por ter uma barreira de entrada relativamente baixa (hoje existem plataformas que oferecem lojas gratuitas no mercado), implementar e operar um comércio virtual parece fácil, mas não é para amadores: existe muita preparação, esforço e conhecimento em áreas em constante mudança como marketing digital, meios de pagamento, segurança e logística.  Se você está a fim de encontrar seu espaço nesse mundo, prepare-se para viver as fortes emoções típicas da juventude.

Nota do editor: no próximo dia 27, em nosso site e também na edição impressa do Estadão PME, vamos publicar uma reportagem especial contando tudo sobre o comércio online no Brasil. Compre o jornal ou acesse o nosso site.

Não venda! Reflexão para quem lidera negócios baseados em serviços

15 de agosto de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Se pensa em empreender investindo pouco e utilizando basicamente seu cérebro como ativo principal, 2015 será o seu ano! A recente mudança no Simples permitirá, a partir do ano que vem, que várias categorias de negócios que são intensivas em conhecimento como consultoria, serviços de engenharia, arquitetura, advocacia, medicina, odontologia, psicologia, representação comercial, design, administração, jornalismo e “outras atividades do setor de serviços, que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural” tenham o benefício da simplificação da tributação que já era oferecido para outras categorias de negócios.

A medida deve ser celebrada, pois não apenas facilita a gestão contábil-financeira do negócio como também diminui a carga tributária em boa parte dos casos. Os que estão contentes com esta mudança deveriam conhecer e estudar a trajetória de Marvin Bower. Uma de suas decisões está no livro “As 75 melhores decisões administrativas de todos os tempos” (Ed. Manole, 2002) e o negócio que empreendeu contribuiu, direta ou indiretamente, para o desenvolvimento de boa parte das grandes empresas atualmente conhecidas.

Mas mesmo assim, Marvin só é lembrado pelos que passaram pela sua firma. Seguindo o conselho do pai, Marvin Bower se graduou em direito pela Harvard Law School em 1928 e logo em seguida finalizou seu MBA pela mesma universidade em 1930. Seu primeiro emprego foi em um escritório de advocacia e como tinha conhecimento de gestão, passou a cuidar do processo de empresas que estavam em situação falimentar.

Com a experiência, ele começou a perceber que as empresas estavam naquela situação, principalmente, por problemas de estratégia e gestão que poderiam ser equacionados e daí resolvidos. De certa forma, era algo que havia aprendido no curso de direito. Quando tinha 30 anos, ele conheceu um ex-professor da Universidade de Chicago que tinha fundado uma empresa que prestava serviços de contabilidade e engenharia para empresas. Marvin explicou a lógica que tinha desenvolvido para recuperar empresas problemáticas.

James Oscar, o professor, rapidamente se identificou com a abordagem de Marvin, pois a contabilidade e a engenharia seguiam padrões semelhantes de análises para demonstrar os fatos, de decisões baseadas em dados e da padronização de conhecimentos que pudessem ser replicados em outras situações semelhantes.

Marvin se juntou a James e a empresa passou a oferecer serviços de consultoria de gestão, algo inovador na década de 1930. A firma ia bem, expandindo-se para outras cidades dos Estados Unidos quando James faleceu quatro anos depois. Marvin Bower assumiu a liderança do negócio mantendo o sobrenome do professor como razão social da empresa. Isto foi considerado uma das melhores decisões administrativas, pois a McKinsey & Co já era muito conhecida e respeitada em 1937.

Mas a liderança de Marvin tornou a McKinsey ainda maior e mais influente. Adotando práticas de contratação, treinamento, desenvolvimento de produtos, remuneração e sociedade já utilizada nos grandes escritórios de advocacia da época, Marvin começou a atrair os melhores talentos das principais faculdades. Ele ainda incluiu as práticas analíticas dos principais escritórios de contabilidade e os processos padronizados das firmas de engenharia.

O resultado foi uma abordagem coesa e eficaz de desenvolvimento de projetos empresariais que inspirou várias outras empresas de consultoria ao redor do mundo e que atrai o interesse de milhares de empresas que batem na porta da firma em busca de apoio. Mesmo que a McKinsey seja uma grande empresa atualmente, suas práticas como as contadas nos livros O Jeito McKinsey de Ser (Makron, 2000) ou Princípio da Pirâmide (Pritchett, 2011) podem trazer bons insights para empreendedores de negócios intensivos em conhecimento.

Mas o maior legado de gestão de Marvin Bower que deve ser refletido por todos os empreendedores é: Não venda… seja comprado!

O que pode atrapalhar o empreendedor? Seu coração mole!

14 de agosto de 2014

Na semana passada, iniciamos um post que relata a entrevista com um empreendedor indiano. Seu nome é Dave, sua vida profissional é empreender. Dave nunca foi funcionário antes, sempre buscou fazer as coisas ele mesmo. Desde empresa de segurança, investigação privada, até construtora, Dave compartilha sua experiência e aprendizados.

1) O que acha da economia da Índia e como ela afeta os seus projetos?
Aqui há uma necessidade para os nossos projetos. Por isso, é algo que, independentemente de qualquer coisa, a necessidade existe e existirá por um bom tempo. Por exemplo, o empreendimento de auto-socorro, a Help On Wheels. O custo para o cliente é baixo. O usuário paga cerca de 60 rupes (R$2) por mês. É como uma assinatura, paga mensal e quando precisar usa. Você junta um custo baixo com uma necessidade e terá clientes.

2) Como seus empreendimentos estão indo?
Estão indo bem. As receitas estão aumentando mês a mês para a Help On Wheels. Melhor do que eu esperava, principalmente na Ojaswini (empresa de compra de terrenos), os preços da terra tem aumentado, a demanda tem aumentado, o governo tem planejado bastante coisa para a região, o que aumenta o valor e a atratividade.

3) As metas têm sido atingidas? Como está o crescimento?
As metas têm sido atingidas. Estamos prevendo uma lucratividade 150% maior para 2014. Para o auto-socorro, o break even está previsto para três anos, mas a receita vem aumentando mês a mês. Iniciamos com cerca de 50 clientes e atualmente estamos com mais de 3 mil. Até o fim do primeiro ano, esperamos ter cerca de 40 mil clientes.

4) Os maiores erros que você cometeu?
Meus maiores erros foram (e são) na contratação de pessoas. Tenho um coração mole (risos), então às vezes não consigo me desfazer de profissionais que não estão rendendo e que acabam prejudicando o negócio. Já compramos terra para a construtora que não deu certo, não foi o que esperávamos. No primeiro projeto da Ojiswarini, subestimamos alguns pontos e não fizemos o nosso dever de casa. Por exemplo, não checamos os preços das terras em regiões próximas, não comparamos. Aprendemos bastante com isso, precisamos sempre checar por nós mesmos.

5) Que conselho você daria para quem começar a empreender, seja no Brasil, Índia ou qualquer lugar do planeta?
Primeiro aprender o ofício, ter experiência com o segmento que deseja empreender, paciência é fundamental para lidar com momentos difíceis, levará tempo mas valerá a pena. Determinação, trabalhar duro e honestidade. Não faça só pelo dinheiro, faça por algo mais. “Thumb rule” é o que dizemos para certas coisas aqui na Índia, significa algo universal, por exemplo, você sempre tranca seu carro quando sai dele. O mesmo se aplica aqui, acho que esses são conselhos universais, que não devem ter fronteiras para quem quer empreender.

Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come

13 de agosto de 2014

Leo Spigariol (à direita) escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Nas últimas semanas, venho sentindo a tensão cada vez mais presente nos olhos dos empresários. Será que vai piorar? Ouço isso quase que diariamente de muitos com quem converso. Como escrevi na última semana, a crise é estado transitório – leia aqui. Mas, por questões óbvias, não só porque é transitório que você vai se sentar em sua poltrona e ficar esperando passar.

Infelizmente, no nosso país, o sistema bancário não perdoa. Experimente passar para o lado vermelho do extrato bancário. Em poucos meses, o buraco será tão grande que dificilmente você conseguirá se salvar sem sequelas permanentes.

Na crise é hora de investir. Investir seu tempo em repensar seu negócio. Repensar quem são seus consumidores e como sua marca está dialogando com eles. Dialogar significa que qualquer pio que você der será ouvido. Quanto a pio, me refiro a qualquer coisa que sua marca faça. Passa pelo carro da empresa atravessar o sinal vermelho no trânsito até a sua postura numa reunião com possíveis investidores.

No momento de crise, a percepção é de que todos estão imóveis, assustados, com medo de dar um pequeno salto. E daí advém os inúmeros cortes, sejam na folha de pagamentos ou no cafezinho da copa do escritório. O medo paralisa, já devo ter dito. E a percepção é de que somente os fortes conseguem se mover com destreza. Porque imagem é tudo. Quantas vezes você não viu o seu vizinho com um carrão importado e pensou, mesmo que inconscientemente ou simplesmente num lampejo, o quanto esse cara está se dando bem na vida, está fazendo sucesso?

O ser humano é curioso: gosta da individualidade, mas não suporta ficar fora da opinião coletiva, a tal da opinião pública. Ela é forte, derruba presidentes, mas não reflete muito sobre o que diz; é um tanto impulsiva e sugestionável.

Existe um híbrido curioso: a coragem e a certeza daquele que vai contra a corrente e o blefe deste mesmo sujeito, porque ele agiu por impulso, por instinto de autopreservação. E a tua marca (empresa, logotipo, funcionários, produtos etc. e tudo junto)? Ela vai sair assim, desvairada, tentando acertar? Ou vai se organizar e se planejar? De todo modo, é muito melhor sair com um plano (por mais que ele sofra ajustes no decorrer da viagem).

A sua marca precisa de solidez, de parâmetros claros e direcionamento. Porém, precisa da inventividade, explosão, intuição. Na hora da crise, sim, você precisa dar a cara a bater e colocar a coragem à frente do negócio e conquistar a confiança alheia (que vai injetar outra dose de confiança em você mesmo, a partir do momento que o “coletivo” estiver aplaudindo tua iniciativa). Mas, na hora da crise, faça um plano para tua marca, tenha uma empresa que entenda de branding e que consiga estabelecer contigo as diretrizes da tua ousadia e desenhar o mapa que orientará tua marca no desafio de mudar sem perder a essência.

Você sabe o que é marketing de experiência?

12 de agosto de 2014

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda semana no Blog do Empreendedor

O uniforme dos funcionários. A seleção das músicas que tocam ao fundo – e o volume também! O conhecimento dos vendedores sobre os produtos que oferecem. A decoração única criada para uma loja ou restaurante. Esses são alguns exemplos de Marketing de Experiência, um conceito que conhecemos através de um amigo nosso, Carlos Ricardo (por muitos anos executivo da PepsiCo), quando ele nos indicou o livro “O novo mundo das marcas”, de Scott Bedbury.

Em suas páginas, Bedbury revela detalhes sobre sua participação no desenvolvimento das Niketowns, quando a empresa buscava uma forma de transformar a marca em sinônimo de uma experiência excepcional de compra na mente dos seus consumidores.

Antes de fundarem suas lojas conceito (uma estratégia que hoje é repetida por marcas de todos os tamanhos), eles não conseguiam garantir a exposição de todos os seus produtos e muito menos que os vendedores tivessem conhecimento suficiente para oferecer a melhor opção aos clientes. Com as Niketowns (a primeira fundada em Portland, nos EUA, com uma enxurrada de críticas e ameaças de boicote por parte de revendedores), a empresa conseguiu criar, de fato, “Cidades Nike” ao redor de todo o planeta, controlando cada detalhe da experiência de venda e fortalecendo seu diferencial no competitivo mercado em que atua.

Fomos apresentados ao livro de Bedbury logo nos primeiros meses à frente da Cervejaria Enseinbahn, em 2002. E vimos que estávamos praticando Marketing de Experiência “sem querer”. O bar que fundamos junto à fábrica, por exemplo, tem uma grande vidraça por onde os visitantes podem ver os toneis de preparação das cervejas – e, no começo, havia a possibilidade de visitar o interior da fábrica também. A música era alemã e ao vivo nas noites de quinta, sexta e sábado, e a decoração buscava enaltecer a boa cerveja e a amizade. Cada detalhe disso era importante para transmitir uma experiência inesquecível a cada cliente, fortalecendo o nome Eisenbahn através dessas sensações (Marketing Sensorial, outro jeito como chamam o tema do post de hoje).

Quando você precisa conquistar clientes nas prateleiras de lojas e supermercados, também é possível criar estratégias de Marketing de Experiência. Com uma embalagem bem feita, com informação clara, e produtos que ofereçam uma solução para seus consumidores, você já está tentando levar a eles sensações positivas em relação aos seus produtos. Nosso pack com a bisnaga de Kraeuterkaese e torradas superfina, que lançamos no primeiro semestre, está tendo uma resposta excelente nos pontos de venda, e acreditamos que isso se deve a essa preocupação em criar algo que os clientes vão gostar de comprar, e ter vontade de comprar de novo.

A jornada do app OndeParar: iterar para aprender e descobrir novas oportunidades

11 de agosto de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e fundador do Laboratorium

A cultura startup incorporou no seu vocabulário um verbo que veio da linguagem dos sistemas da informação: iterar. Iteração significa repetir e acumular conhecimento para uma próxima tentativa. Prática fundamental para dar musculatura a um  novo negócio, fazendo com que o empreendedor repita sucessivas vezes o mesmo ciclo ágil:

1. Criar as condições para que se possa testar um ou mais aspectos do modelo de negócios;

2. Analisar resultados e acumular conhecimento num ciclo de aprendizagem – identificando novas oportunidades, desapegando-se das hipóteses falhas e criando novas alternativas a serem testadas.

Um caso interessante para ilustrar esse conceito é a trajetória do App OndeParar. A ideia original do empreendedor Thiago Lopes é de janeiro de 2013: criar um aplicativo que ajudasse a encontrar vagas nas garagens vizinhas – aproveitar a ociosidade para gerar receita. Nas pesquisas do projeto, o time encontrou uma notícia sobre uma lei que impede que moradores de outros prédios possam ocupar as vagas de garagem nos condomínios. Essa premissa fez com que eles pivotassem, ou seja, mudassem de rumo visando então outra oportunidade: mapear as vagas dos estacionamentos privados, mostrando além da localização, os preços e as vagas disponíveis.  O aplicativo teve boa aceitação dos usuários e principalmente dos donos dos estacionamentos, que viram no App mais um canal para conquista de clientes.

Desse ciclo de iteração veio a versão 2.0 do aplicativo, lançada recentemente. Além de melhorias na usabilidade, advindas do feedback dos usuários, foram incluídos os bicicletários. E a ideia original, de cadastrar vagas privadas disponíveis voltou! Eles se deram conta que essa lei que proíbe o aluguel para terceiros em condomínios não vale para todo o Brasil e, além disso, há vagas em casas e outros locais que não são prédios.

Novos parceiros e usos do serviço foram identificados nessa trajetória. “Fechamos uma parceria estratégica com uma empresa que faz sensores para vagas e painéis, a Intelimotion”, conta Thiago. Ele vê muitas oportunidades na perspectiva do fim do uso do papel para controle das vagas públicas. Já está implementado e em funcionamento um piloto na cidade de Águas de São Pedro. “Cada vaga tem um sensor e nosso aplicativo mostra isso em tempo real”.

Eles contam que também hoje já mostram em vários sites de eventos, como o do Grupo RBS – Hagah, Obaoba, Guia da Semana, os estacionamentos disponíveis perto dos shows e festas. Outra oportunidade que surge é mostrar as vagas livres nos estacionamentos dos shoppings. Enfim, eles estão avançando no funil do conhecimento, na busca por um modelo repetível, escalável e lucrativo continuamente.  A nova versão do aplicativo está disponível na Apple Store é gratuita e pode ser muito útil. Sugiro que testem aqui.

A iteração é necessária no momento de vida da startup que se está realizando o  design do negócio. É caminho para refinar o produto ou serviço, acumulando conhecimento para que se repita o ciclo ágil de verificar o estágio de desenvolvimento do negócio. Os ciclos de iteração podem ter como objetivo testar diferentes aspectos do modelo: proposta de valor, fontes de receita, parcerias… o importante é que cada experiência traga novos elementos para o refinamento da solução.

PS – Não confundir iteração com interação. Se iteração significa o ciclo de repetição e acúmulo de experiências, interação são os fenômenos de troca e relacionamento entre as partes (sejam pessoas com pessoas, pessoas com máquinas, máquinas com máquinas). Por meio da interação é que ocorre o processo de iteração.