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Blog do Empreendedor
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A mágica dos empreendedores bem sucedidos está nos processos

22 de maio de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

É difícil observar as obras de Dustin Yellin sem se surpreender. Quanto mais se vê, mais se quer olhar. Quanto mais próximo, mais os detalhes extasiam. Seja de longe ou de muito perto, suas esculturas são extraordinárias. E, invariavelmente, vem o questionamento: Como ele consegue fazer isto? O vídeo NYCB Art Series Presents: Dustin Yellin não só apresenta o artista como também o seu processo.

Depois que entende como ele faz a mágica, a admiração pelo seu trabalho continua, mas pode surgir outro questionamento: Será que não consigo fazer algo usando o processo? Mesmo que seja algo bem simples como uma maçã usando pétalas de rosa e algumas de suas folhas? Sim, é bem provável que consiga. Talvez não fique tão magnífico no começo, mas se continuar treinando, as melhorias aparecerão e, algum momento, terá orgulho da sua criação.

Esta é uma lição que vários empreendedores lendários aprenderam instintivamente ao valorizarem não só a criatividade, mas o processo que dá escala a sua capacidade inovadora.

Henry Ford só teve sucesso a partir do processo de produção em série. Antes disso, produzia modelos de forma individual e quase artesanal. Mas por mais que isto tenha ocorrido há mais de um século, muitos empreendedores ainda hoje penam porque ainda não descobriram uma solução escalável para seus negócios.

Walt Disney aproveitou as lições de Ford no que diz respeito ao processo de produção em escala. Os Estúdios Disney eram planejados como fábricas de desenhos e se tornaram imbatíveis em filmes animados justamente por isso. Mas Disney foi além: criou e aperfeiçoou processos de criação de experiências inspiradoras em sua Disneyland. Para os sonhos dos visitantes se tornarem realidade, ele se tornou obcecado por processos de criação de experiências, um conceito que não era bem entendido em 1955 quando o parque foi inaugurado e que, infelizmente, ainda não é compreendido por diversos empreendedores e negócios atualmente.

Steve Jobs valorizava o processo de produção em série, pois entendia que os produtos da Apple deveriam ser percebidos quase como eletrodomésticos e também tinha um conhecimento preciso no que dizia respeito aos processos de criação de experiências inspiradoras. Mas Jobs avançou e desenvolveu processos de desenvolvimento de inovações disruptivas que praticamente reinventaram o conceito de inovação. Por mais que muitas empresas tenham sido hábeis em copiar muito bem as inovações lideradas por Jobs, praticamente nenhuma conseguiu criar tantas disrupções próprias.

E Howard Schultz, empreendedor da Starbucks, foi mais adiante. A partir de um profundo conhecimento de processos de produção, criação de experiências e de inovação conseguiu transformar algo ordinário como uma cafeteria em algo extraordinário com suas mais de 20 mil lojas ao redor do mundo, sendo sete delas só na região da Avenida Paulista.

Se aprendeu como o processo Dustin Yellin é conduzido e entendeu que conseguirá fazer algo usando a técnica, mesmo que forma bem rudimentar, também pode usar o mesmo processo com outros artistas como Ford, Jobs e Schultz. E não se acanhe. O próprio Yellin diz que seu trabalho é inspirado em outros artistas.

Assim, se quiser empreender, aposte na sua criatividade. Mas se quiser crescer, valorize os processos!

Comunidade como uma marca

19 de maio de 2015

Na semana passada falamos sobre a Red Bull e seu marketing de experiência. Hoje vamos falar sobre outra empresa, dessa vez brasileira, que também  é adepta de projetos e ideias que causem boas sensações aos seus clientes. A FARM, marca feminina de roupas, criada em 1997 no Rio de Janeiro, tem muito forte em seu DNA a ideia de criar cenários que permitem experiências sensoriais e emocionais aos seus clientes.

Embora o significado de seu nome seja fazenda, a essência carioca da rede de lojas remete aos clientes a ideia de praia, flores, leveza, cores e estampas. Considerada uma das primeiras marcas de moda jovem do Rio, a FARM surgiu em uma feira no Rio de Janeiro, que reunia marcas alternativas. O pequeno espaço, de quatro metros quadrados, foi o pontapé inicial da empresa que começou com um investimento de R$1.200,00 e que hoje possui mais de 40 lojas em todo o país, cerca de 300 pontos de venda multimarcas e um canal importante de e-commerce.

Outra característica que chama a atenção é a maneira como a empresa lida com seu público-alvo através do meio online. Sabendo que grande parcela de seus clientes são mulheres jovens, adeptas das redes sociais e muito próximas das novas tecnologias, a empresa criou um blog chamado Adoro!, tem grande interação nas redes sociais (com milhões de seguidores) e, inclusive, foi a primeira marca de roupas brasileira a lançar um aplicativo para o iPhone. O intuito, além de criar uma maior proximidade entre empresa e clientes, é criar uma comunidade FARM. Mais do que vender roupas, eles se propõem a vender um conceito e o “estilo de vida FARM”.

Para a empresa, a principal missão é emocionar as pessoas, trabalhando com os desejos e as vontades dos clientes.

Analisar o case da marca e entender melhor como a FARM foi estruturada e como ela opera, nos faz refletir sobre o conceito de comunidade e em como aplicar isso para as demais empresas, de outros setores e em outras realidades. Ter seus clientes engajados é uma maneira forte de ampliar o público e saber usar uma comunidade ampla, mas sem perder a essência do negócio, pode ser uma boa estratégia para sua empresa crescer, principalmente para as que lidam diretamente com os consumidores.

Seu negócio é sustentável? Mesmo?

18 de maio de 2015

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da ESPM, fundador do Laboratorium e é um incentivador da sustentabilidade dos negócios. www.twitter.com/menta90

O termo sustentabilidade foi incorporado ao mundo dos negócios de diferentes maneiras.

Acho válido destacar alguns aspectos desse conceito, no intuito de que você reflita sobre o quão sustentável seu negócio é, pode ou poderia vir a ser.

O termo ‘sustentabilidade’ foi incorporado aos negócios primeiramente numa visão ambiental. Questões como a poluição, o uso irracional e/ou excessivo dos recursos naturais como a água e as florestas e a necessidade de evitar desperdício. O meio ambiente foi o primeiro ponto de vista que chamou a atenção das empresas – e algumas delas começaram a se preocupar com o impacto que estavam gerando na natureza. A verdade é que essa não foi uma prioridade da grande maioria delas – motivo pelo qual se convive com a poluição dos rios, a crise hídrica, o desmatamento (que continua crescente), os lixões, a falta de tratamento adequado aos esgotos… Mas, de qualquer maneira, é preciso “agir localmente e pensar globalmente”. Vale se perguntar: seu negócio está impactando o meio ambiente? Se sim, está desenvolvendo ações para minimizar esse impacto? O descarte dos dejetos está sendo feito corretamente? Têm sido pensadas soluções mais eficazes e eficientes na relação da empresa com o meio ambiente?

Um segundo aspecto é quando a sustentabilidade pode ser considerada sinônimo de perpetuidade. Ou seja, passou-se a admitir que é preciso se renovar continuamente para se perpetuar, para se sustentar no mercado, diante de mudanças contínuas e cada vez mais velozes na economia, na sociedade, na cultura e no comportamento. Nesse caso, a reflexão seria – seu negócio vem se renovando? Há um processo de inovação claro e definido? Qual foi a última vez que você incorporou uma nova tecnologia, incrementou algum processo, inovou em produtos e serviços? Seus sócios e colaboradores são incentivados e encontram um ambiente adequado para inovar?

Um terceiro aspecto do termo diz respeito às suas relações com todas as partes envolvidas – os stakeholders. Não só com clientes, colaboradores e acionistas, mas também parceiros, fornecedores e principalmente, com a comunidade. Avalie: essas relações estão sólidas, positivas e baseadas no princípio do “ganha/ganha”? Sua proposição de valor é relevante para a comunidade? Poderia ser mais relevante? Não poderia estar aí um diferencial? As relações são baseadas no respeito e na transparência?

Por fim, quero destacar um dos aspectos mais positivos da sustentabilidade para os negócios, que é seu entendimento como oportunidade da economia verde. Ou seja, negócios advindos dessa nova “onda” de comprometimento ambiental, social e econômico, fruto dos fatores anteriores e que ganha força a partir da intersecção com a economia criativa e de um novo mercado consumidor (crescente) que vem dando preferência a produtos e serviços “socialmente responsáveis ”. Esses negócios podem ter várias vertentes, vou citar apenas três exemplos (e preferi alguns nacionais para mostrar o que se está fazendo aqui).

- Descarte correto – caso de destaque que vem do estado do Amazonas, transformando o lixo tecnológico em matéria prima para educação, empreendedorismo e inclusão digital.

- Gatos de rua – idealizado pelo designer Beto Kelner, a partir da reciclagem de materiais são criados objetos de decoração, jóias, luminárias – com inclusão social de jovens.
Peças de design do projeto Gatos de Rua que usa materiais reciclados e ainda oferece formação profissional de artesãos

- Seivabrasilis – projeto ainda em fase experimental para automação da tecnologia de irrigação, reduzindo custos tanto com água quanto com energia elétrica.

Para encerrar, convido para uma última reflexão sobre o tema a partir do trecho de artigo de Oded Grajew, publicado no site do instituto Ethos, que contrapõe o que é sustentável com o que é insustentável:

Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios são sustentáveis. Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável.

Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.

Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável.

Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável.

Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.

Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.

Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.

Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável.

Evidências e dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, ameaçando inclusive a própria sobrevivência da espécie humana.”

Espero que tenha feito você pensar sobre a sustentabilidade, identificando principalmente oportunidades a partir dela. Pode ser muito bom para o planeta – e melhor ainda para sua empresa. Boa semana!

 

 

Livre do câncer, Bruce Dickinson mostra como nunca o que gosta de fazer: empreender

15 de maio de 2015

A maioria de nós entende o conceito da seguinte frase: ‘Ele sente prazer em trabalhar’. Ou sua variação: ‘O trabalho é um prazer, não é obrigação’. Em algum momento, todo mundo já escutou essa frase. Mas é difícil materializar esse conceito nos dias de hoje onde temos obrigação de estudar, estudar, estudar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, enriquecer, enriquecer, enriquecer…e não conseguir gastar.

Mas de vez em quando a vida nos apresenta uma materialização perfeita do conceito. Foi exatamente o que aconteceu hoje. Por meio de sua página oficial no Facebook, a banda de rock pesado Iron Maiden anunciou que seu vocalista, Bruce Dickinson, está livre do câncer que o acometeu recentemente.

O comunicado apresenta algumas frases atribuídas ao artista. Ele agradece ao corpo médico ‘fantástico’ que cuidou de sua saúde. Diz que o período foi difícil para ele e a família e diz que sua atitude positiva em relação ao mundo o ajudou a superar a doença. Mas a frase que me chamou a atenção foi a última: ‘Neste exato momento, eu me sinto extremamente motivado e não posso esperar para voltar aos negócios como sempre, assim que possível’.

Perceberam? Talvez no momento mais significativo, mais importante, de sua vida, Bruce lembra dos negócios. Não apenas da banda que ele ajudou a transformar em uma das mais importantes de seu tempo, mas da cerveja que já se tornou famosa no mundo e de todos os outros empreendimentos que transformaram o Iron Maiden em uma empresa de sucesso.

É por isso que a banda de Bruce continua tendo fãs. E não apenas clientes.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Dez negócios desconhecidos no Brasil para inspirar novos empreendedores

15 de maio de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Vai empreender ou já está liderando o seu negócio próprio? Não se acanhe em se inspirar em outros negócios. Grandes empreendedores fizeram ou fazem isto o tempo todo. Henry Ford se inspirou no processo que viu no frigorífico do seu amigo Gustavus Swift para criar sua famosa linha de produção. Phil Knight, co-fundador da Nike, guiou-se pelos calçados fabricados pela Adidas e quando criou sua primeira linha de roupas, foi buscar inspiração da Jantzen, pioneira na fabricação de maiôs nos Estados Unidos e na White Stag, marca de referência em roupas de esportes de inverno na época. Steve Jobs constantemente buscava padrões observados nos automóveis da Porshe, nos eletrodomésticos da Braun, na sofisticação da Sony e na simplicidade da Polaroid. Howard Schultz trouxe referências da própria Nike e da Apple, mas também pesquisou a logística da Zara e o design popular da Ikea para recriar a experiência das cafeterias Starbucks.

Buscar inspiração nas grandes referências em suas categorias é uma atividade que não só sofistica a criatividade do empreendedor como também permite a criação de novos conceitos de negócios. Contudo também há outros exemplos bem menos conhecidos que podem inspirar os que estão realmente comprometidos com a criação e desenvolvimento de negócios inspiradores.

Se estiver empreendendo na área de educação, por exemplo, conhecer os negócios que estão sendo investidos pelo fundo de investimento NewSchools é uma obrigação. Vai se encantar com dezenas de novas soluções educacionais inovadoras. Mas também conheça a tradicional Thames & Kosmos.  Lembra-se daqueles kits de ciências para crianças? Se bateu uma saudade, vai ficar um bom tempo olhando a longa lista de opções que a empresa oferece. Mas mesmo que não atue em educação, será que o seu negócio não precisa transmitir conhecimentos para clientes, fornecedores, colaboradores ou parceiros?

Se atuar em negócio que implique no uso e/ou produção de produtos químicos, deveria conhecer a Method. Fundada por um químico e um designer, a empresa cria produtos de limpeza que são lindos e totalmente sustentáveis. E mesmo que não atue com nada químico, ainda assim, deveria entender como Dam Lowry e Eric Ryan conseguiram deixar algo tão chato como limpar a casa em uma experiência um pouco mais prazerosa e inspiradora.

Mas se atuar no mercado da moda, conhecer Yvon Chouinard e a Patagonia é ter acesso a uma lição de vida e de empreendedorismo de impacto. A empresa produz roupas esportivas de alta qualidade a partir de material reciclado e algodão orgânico, cobra bem mais caro do que seus concorrentes, tem uma legião de clientes apóstolos, cresce em faturamento anualmente (mesmo avisando que as pessoas não precisam de tanta roupa assim), é uma das melhores empresas para se trabalhar nos Estados Unidos e ainda entra na categoria de melhores ambientes profissionais para mamães. É tanta verdade que parece mentira.

E se o seu negócio for algo bem tradicional e com tecnologia quase ultrapassada, estudar a corajosa reviravolta liderada por Ray Anderson na sua empresa, fabricante de carpetes, a Interface, pode ser uma boa dose de inspiração. Fundada em 1973, apenas em 1994, Anderson se deu conta do enorme impacto negativo que o seu negócio causava ao meio ambiente. A partir deste ano, investiu cada recurso que tinha em desenvolver produtos 100% recicláveis com material 100% reciclado.

Se pensa ou já produz alimentos, conhecer a Honest Tea pode ser interessante. A partir de um estudo de caso da Coca-Cola versus Pepsi na escola de negócios da Universidade de Yale, o professor Barry Nalebuff e seu aluno Seth Goldman, se deram conta do que estavam bebendo. Só de açúcar, cada latinha tem pelo menos três colheres de sopa cheias. Decidiram criar uma linha de bebidas que chamaram de honestas por serem mais saudáveis. Na mesma linha da honestidade, a atriz Jessica Alba ficou preocupada com a quantidade de químicos potencialmente tóxicos que iam nos produtos que estava usando em sua filha recém-nascida. Era o plástico da mamadeira, o tecido sintético da fralda descartável, os shampoos, protetores solares, pasta de dente. Pode até ser preocupação excessiva das mães, mas ela não ficou parada. Decidiu criar a Honest para fabricar produtos mais naturais e seguros. Fundada em 2011, a empresa vale mais de US$ 1 bilhão atualmente.

Agora, se pensa em abrir algo no ramo de alimentação fora do lar como uma lanchonete ou um food truck, abrir um Pret a Manger no Brasil é o sonho dos empreendedores mais atualizados. Originalmente fundado na Inglaterra, o Pret tem feito muito sucesso nos Estados Unidos por ter se tornado referência em alimentação rápida, saudável e para “ser levada”. Mais do que uma simples opção de “grab & go”,  a empresa mantém um sério compromisso em “fazer a coisa certa” no que diz respeito em atuar de forma saudável e sustentável.

Mas o ramo de alimentação pode ter vários outros produtos e visitar uma loja da Whole Foods Market é um parque de diversões para quem busca inspiração em inovação, atendimento, experiência do consumidor, igualdade de gênero e sustentabilidade.

Ainda há muitos que sonham em criar o seu próprio negócio de comércio eletrônico. A Amazon é uma das primeiras referências que vem à cabeça. Mas a Better World Books é uma nano concorrente que tromba de frente com o gigante do e-commerce. Ela não quer apenas vender livros, mas tornar o mundo melhor por meio da leitura. Isto começa com a seleção dos livros que vende. E para cada livro vendido, doa outro para pessoas ou comunidades carentes. A doação de livros está próxima dos 17 milhões desde a fundação da empresa em 2002. Mas a livraria também recolhe livros usados em mais de duas mil faculdades e três mil livrarias nos Estados Unidos. O que tem uso é doado e o que não tem, é reciclado. E mesmo tendo todo este trabalho, a empresa é lucrativa.

Em todos estes exemplos menos conhecidos havia e ainda há uma única crença: É possível fazer melhor! E esta é a melhor e a maior inspiração para quem quer fazer diferente e fazer a diferença.

 

Uma análise: o McDonald´s sofre a maldição do seu próprio sucesso

13 de maio de 2015

As notícias a respeito do McDonald´s não deixam – infelizmente para a empresa – de ser negativas. A mais recente foi a divulgação do prejuízo da Arcos Dorados. A maior franqueada de restaurantes da marca no mundo registrou prejuízo líquido de US$ 28,2 milhões no primeiro trimestre deste ano – a perda já havia sido de US$ 20,6 milhões em igual período do ano anterior.

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Que o McDonald´s perdeu um  pouco de seu encanto, todo mundo sabe. Os apelos da cadeia de restaurantes, antes exaltados pelo consumidor, passaram em boa parte a serem rejeitados. Mas para além disso, o que o pequeno empreendedor pode aprender da crise pela qual passa uma das empresas mais importantes do mundo? Para tentar responder a essa pergunta, o Blog do Empreendedor pediu auxílio para um especialista, o professor em empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa. Acompanhe os principais trechos da análise a seguir – o professor respondeu a duas perguntas básicas:

1) O que você tira pessoalmente da crise do McDonald´s?

Algumas marcas sofrem ou sofreram a maldição do seu próprio sucesso pois viraram referência de categoria de produto. Aconteceu com a Crocs (sapatos), Mappin (magazines) ou Gol (aviação de baixo custo). O que era uma grande vantagem se torna uma brecha no modelo de negócio já que os produtos da Crocs duram muito (e reduz recompra), as lojas do Mappin eram enormes e caras e a Gol não conseguiu manter o baixo custo e baixo preço. No caso do McDonald’s, a empresa virou sinônimo de comida rápida padronizada (algo muito bom) mas com níveis calóricos muito altos, algo que passou a ser muito criticado.

O modelo de negócio, muito baseado em aluguéis, também entrou em colapso em muitos países em que já que o mercado imobiliário também se deteriorou. O sucesso se torna uma maldição quando a empresa não muda o seu modelo de negócio, sua proposta de valor e a experiência do cliente de acordo com as novas tendências de mercado.  A Whirlpool conseguiu se livrar do lema “Isto é uma Brastemp” já que ter qualidade não é mais uma vantagem competitiva e apostou tudo em inovação e experiência inspiradora para o cliente. Mais do que cegar, o sucesso pode tornar uma empresa acomodada. E ficar parado em um mundo que tudo muda muito rapidamente é ficar para trás.

2) Se pudessem arriscar, qual a estratégia que o McDonald´s deve adotar para voltar a crescer?

A empresa precisa rejuvenescer a marca, torná-la mais atraente para a nova geração mais preocupada com a saúde e, principalmente, sobre o que pensam dela. O Whole Foods, mesmo sendo uma grande referência em alimentação saudável, anunciou que está pensando em novas propostas. Mais do que uma decisão corajosa é uma aposta visionária pois deixa os concorrentes para trás quando concorrentes como Walmart e Target tentam oferecer mais produtos naturais e orgânicos.

Outro desafio é melhorar a eficiência operacional como a Burger King vem fazendo sob a nova gestão 3G. Ao longo dos anos, vários operadores locais assumiram a gestão do negócio e isto criou diversas ineficiência de gestão.

Por fim, a empresa precisa resgatar o legado de Dick e Mac McDonald, os empreendedores iniciais que criaram o conceito de alimentação rápida sempre visando o bom atendimento aos seus clientes da pequena cidade de San Bernardino, Califórnia.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e Marcelo Nakagawa escreve, toda sexta-feira, no Blog do Empreendedor.

Errar é humano. Mas a correção é questão de bom senso

13 de maio de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Fico impressionado com a falta de comprometimento de muitos fornecedores e prestadores de serviços. Falta de comprometimento, não; falta de bom senso. Acho que as estruturas comerciais enrijecem as relações humanas de uma forma tão robótica que o bom senso vira artigo de luxo. E, frequentemente, nos deparamos com situações que beiram o extremo, tanto para o positivo quanto para o negativo.

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Ontem, por exemplo, presenciei uma longa discussão ao telefone em que uma conhecida empresa de banners e estruturas modulares de balcões se isentava da responsabilidade de seu produto ter chegado ao destino com avaria. Detalhe: o material tinha sido enviado por uma transportadora escolhida por ele. Chegou ao ponto do fabricante dizer que o cliente poderia ter feito a avaria de propósito. A miopia é tão grande que a responsável comercial, que nos atende, não conseguia – ou não queria – entender que aquele material seria usado em um evento no final de semana.

Então não há lógica na tal “sabotagem” feita pelo cliente. Mas, sem nos adentrarmos nas questões legais que podem derivar de um caso desse, a questão do bom senso é algo que vem sendo perdida, esquecida em algum lugar do passado distante, infelizmente.

Lembro-me de uma de minhas experiências mais positivas no mundo empresarial e que marcou minha vida profissional. Certa vez, fui jantar no Dui, restaurante da chef Bel Coelho, e, como era de praxe, serviço impecável e a comida fantástica. Ao fim, no momento de pagar a conta, o sistema de cartões acabara de sair do ar. Prontamente a gerente veio até a mesa e me disse: “Fique tranquilo, senhor. O problema é nosso. Então sinta-se à vontade em voltar quando for melhor para acertar a conta”. Viva o bom senso! Voltei dois dias depois para acertar o devido e aproveitar para almoçar.

E por aqui o bom senso também é a melhor forma de tomar uma decisão, quando há uma situação crítica. Ontem uma cliente fez uma compra online em nossa loja e, por um problema de digitação, uma informações sobre a conta de depósito estava errada. Não deu outra: a cliente ficou vinte minutos na fila do banco e não conseguiu efetuar o pagamento. E, sem a menor dúvida, enviaremos seu pedido sem custo algum, como uma forma de desculpas pelo ocorrido. Afinal, o tempo de nosso cliente e bom senso não tem preço.

A empresa que vende experiências

12 de maio de 2015

Uma empresa se preocupar puramente com o marketing pode ser algo bem perigoso, uma vez que o serviço ou produto oferecido precisa ser forte o suficiente para se sustentar e superar as expectativas do consumidor, cada vez mais crítico. Porém, usar o marketing como estratégia única e de maneira bem planejada, alinhando o produto ou serviço com as estratégias adotadas, pode fazer todo o sentido e ser o grande diferencial da marca. Um exemplo mundialmente conhecido é a Red Bull.

Com uma estratégia própria, a marca mais parece uma empresa de eventos. Aliás, ao falar o nome Red Bull, é comum pensarmos em esportes, muitas vezes em esportes radicais – foi esse o posicionamento que a empresa adotou desde o início de sua existência, em 1987. Um teste simples para entender melhor o posicionamento da marca é entrar em seu site. A impressão é de estarmos navegando em um portal de esportes – o produto que a Red Bull vende não aparece, e sim os eventos que ela patrocina e organiza. A proposta é oferecer não apenas o energético, e sim experiências.

O slogan “te dá asas” é seguido à risca: a empresa acredita no conceito de dar asas à imaginação e por isso inova em suas ações sem medo de errar. Não é comum vermos grandes campanhas publicitárias na televisão, jornais ou revistas divulgando a bebida, mas a empresa investe cerca de 30% de seu faturamento no marketing – sendo que metade disso é destinado aos eventos. Uma maneira ainda pouco usual de divulgar produtos ou serviços, porém altamente eficaz. Ao criar eventos, a marca oferece novas experiências aos seus consumidores e, com isso, cria um forte vínculo de relacionamento.

Voltando um pouco na história, é possível entender o DNA de inovação da empresa. O austríaco Dietrich Mateschitz (foto) fundou a Red Bull no começo da década de 1980. Inicialmente, ele criou a fórmula do energético e o conceito de marketing único da empresa. Somente em 1987 foi vendida, oficialmente, a primeira lata. Durante os primeiros anos, Mateschitz batalhou pela legalização da bebida – uma vez que a Europa e o mundo não conheciam as bebidas energéticas. Ou seja, o fundador não só criou uma empresa como inventou um produto que até então não existia. Como a própria empresa descreve, “este foi não só o lançamento de um produto completamente novo, foi de fato o nascimento de uma categoria totalmente nova de produtos”.

Com 27 anos de história, presente em cerca de 167 países e com mais de 10 mil funcionários ao redor do mundo, a Red Bull já vendeu mais de 50 bilhões e latas de energético.

Há outros elementos interessantes da cultura da empresa, destacamos aqui o lado do marketing e inovação – que se complementam e mostram como podemos inovar de maneira criativa, em diversos setores do negócio. Cada empresa tem suas características e necessidades próprias, mas analisar a história de uma grande empresa que possui algumas particularidades nos dá a oportunidade de enxergar novas possibilidades.

Neste caso, vale destacar a importância de ter coragem e ousadia para lançar novos produtos ou serviços, buscando algo inovador que pode ser um novo nicho do mercado. Outro ponto interessante é a capacidade de sair da zona de conforto e pensar em ações que façam com que o consumidor tenha uma experiência diferente. Uma empresa que se preocupa com a experiência e com o que o cliente irá sentir ao interagir com ela já sai na frente e cria, com essas experiências, uma relação mais próxima e duradoura com seu público alvo.

 

 

A triste geração que virou escrava da própria carreira tem uma saída

11 de maio de 2015

A triste geração que virou escrava da própria carreira tem uma saída. Ela não é aparente. Mas está alí, apenas alguns metros distantes do câmbio automático do veículo de última geração. Ou depositada ao lado do polpudo bônus de fim de ano que você se esforça tanto para ganhar e não tem tempo para gastar.

A saída se chama empreendedorismo. E cada vez mais gente tem descoberto que ela pode ser uma alternativa não apenas para a carreira, mas para uma vida que consiga harmonizar a família com as obrigações. O dinheiro (a ser ganho) com a oportunidade de gastá-lo. Uma forma de equilibrar melhor frustração e êxito. Vitória e derrota.

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O McDonald´s não vende hambúrguer! E essa famosa doceria? (clique na foto para descobrir)

Não se trata de criar a próxima Apple, o próximo Google ou Facebook. Se trata, isso sim, de criar uma alternativa viável em busca de um estilo de vida mais próximo do que podemos considerar ideal. Pelo menos no futuro. Para o futuro.

Mas não se engane. Não será fácil. Uma recente análise feita pelo site norte-americano Entrepreneur indica que…

1) Você não vai ganhar dinheiro imediatamente.

2) Nada vai acontecer da forma como você imaginou que seria.

3) E você vai falhar. E sua empresa pode falir. Se isso acontecer, você certamente vai perder tudo o que conquistou como um legítimo representante da ‘Triste Geração que Virou Escrava da Própria Carreira’.

E aí cabe a você mesmo decidir: refém da carreira que pode levá-lo a não ter tempo para nada. Ou refém de um negócio próprio, que também vai lhe sugar muito tempo. Mas que certamente será a construção (realização) de um sonho.

Não duvide.

Cada vez mais pessoas atoladas de MBAs e especializações está optando pela segunda via. Não necessariamente porque tem certeza do sucesso.

Daniel Fernandes, editor do Estadão PME

 

Seu negócio está preparado para o mundo mobile?

11 de maio de 2015

O IBGE divulgou recentemente sua pesquisa nacional por amostra de domicílios de 2013. Dentre os inúmeros dados revelados, e que apontam insights para os empreendedores,  quero destacar hoje o avanço do telefone celular na vida de todos – e seus possíveis impactos nos negócios. Os dados são de 2013, mas mostram tendências importantes, principalmente que estamos caminhando para a universalização do celular. Ou seja, amanhã ou depois todo o indivíduo, desde a criança até o idoso, vai estar conectado.

Vejam alguns números que comprovam isso: Em 2013,  três em cada quatro brasileiros já tinham seu celular. O dispositivo foi o meio de acesso à Internet declarado por 53,6%. 17,2% disseram usar o tablet.

A região Norte apresentou o maior percentual de domicílios que utilizavam o telefone móvel como meio para acesso à Internet (75,4%), superando o acesso através do microcomputador (64,8%). Na comparação entre 2005 e 2013, o percentual de acesso a celular no Tocantins variou de 27% para 74,6%. Na Paraíba o crescimento foi de 26,2% para 73%. O Distrito Federal lidera o uso da tecnologia: 89,4% da população tem um aparelho no bolso.

Hoje já se usa o celular para:

- comprar / vender / alugar

- jogar / brincar / se divertir

- assistir filmes / séries / bobagens

- encontrar namorado (a) ou algo mais

- traçar rotas / evitar trânsito / encontrar / visitar lugares

- pesquisar estacionamento / pagar pedágios

- chamar táxi / pedir pizza / encontrar serviços e fornecedores

- cobertura de eventos / congressos / feiras

- selfies / recordações / memórias- ensinar / aprender

- o que você quiser… A lista é infinita e será assim cada vez mais.

Escolhi quatro exemplos para mostrar que este é um caminho sem volta:

Na Estônia, a identidade digital do cidadão é um chip. É com ele que a pessoa agenda uma consulta médica, usa o transporte público, envia o imposto de renda ou mesmo paga o tempo de uso de um parquímetro. Para muitos dos serviços sequer é preciso o uso do smartphone, muita coisa funciona com o bom e velho SMS mesmo.

Já o Photomath, um dos aplicativos premiados no NetExplo  2015, revoluciona o ensino da matemática. Não é mágica, o celular lê a fórmula e resolve o problema – mostrando passo a passo como chegar na solução.

O uso do WhatsApp vem gerando aumento de receitas para as micro e pequenas empresas. Apesar de não haver um número consolidado, há inúmeras evidências disso. O Sebrae Goiás, por exemplo, registrou um incremento de vendas nas empresas dos segmentos de agência de viagem e corretagem de imóveis. Também são conhecidos casos de pizzarias, manicures e site de comércio eletrônico que vendem mais com o uso desse novo canal de relacionamento.

Por fim, os alagoanos criadores do HandTalk, aplicativo que permite que o simpático Hugo ajude quase 10 milhões de deficientes auditivos a melhor se comunicar através da tradução automática de texto e áudio para Libras, a língua de sinais. E de graça. O aplicativo brasileiro já foi premiado pela ONU como o mais importante aplicativo social em 2013 – reconhecido como um das mais importantes tecnologias para inclusão de portadores de deficiência auditiva.

Poderia citar mais e mais exemplos, mas acredito que esse já são suficientes para que você se questione e pense como pode tornar sua empresa mais inovadora com o uso do celular. Inspiração não falta, portanto mãos à obra!

Marcelo Pimenta (menta90) é professor de inovação da ESPM e fundador do Laboratorium e escreve toda segunda-feira no Blog do Empreendedor. Encontre mais conteúdo curtindo www.facebook.com/menta90